Archive for Junho, 2004
ELEIÇÕES PARLAMENTO EUROPEU – RESULTADOS
A última informação de que disponho sobre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu aponta os seguintes números:
PS – 44,5 % (12 mandatos)
PPD-PSD/CDS-PP – 33,2 % (9 mandatos)
PCP-PEV – 9,1 % (2 mandatos)
BE – 4,9 % (1 mandato)
PCTP-MRPP – 1,1 %
PND – 1,0 %
Como referiu o “cabeça de lista” da coligação derrotada, estas foram umas eleições que se realizaram num “contexto muito especial”: pelo acontecimento trágico do falecimento de Sousa Franco; com uma forte taxa de abstenção (61,2 %).
Independentemente destas condicionantes – que, acredito, não terão tido influência significativa nos resultados finais – objectivamente, constata-se:
(i) a mais clara vitória “de sempre” dos partidos “de esquerda”: mais de 60 % dos votos (!);
(ii) a mais baixa votação “de sempre” dos partidos coligados na “Força Portugal”;
(iii) neste contexto de forte abstenção, a coligação PCP-PEV consegue um “mínimo de resistência” (representando eventualmente os 9,1 % que obtém uma percentagem bastante superior ao seu actual “efectivo peso eleitoral”);
(iv) da mesma circunstância beneficiará o Bloco de Esquerda (com um eleitorado “mais militante”) para obter um muito bom resultado e conseguir eleger Miguel Portas para o Parlamento Europeu – podendo inclusivamente supor-se que a força política que representa terá hoje um peso eleitoral superior ao do partido do seu irmão Paulo Portas, o que não deixa de ser uma “novidade”;
(v) A “Nova Democracia” (1,0 %) não consegue uma “visibilidade mínima”, no que constitui uma derrota pessoal de Manuel Monteiro, embora numa conjuntura difícil (quedou-se mesmo atrás do PCTP-MRPP – que continuará, ainda hoje, a beneficiar da “confusão de símbolos” com o PCP (?)).
… Podendo depreender-se que, hoje por hoje, o “peso eleitoral do CDS-PP” será muito reduzido.
E, extrapolando, que a coligação governamental não traduzirá qualquer valor acrescentado ao PPD-PSD, antes pelo contrário, eventualmente penalizará mesmo os seus resultados.
Concluindo que, parece tornar-se notório, que a coligação sai muito abalada destas eleições – em que é claro o “cartão amarelo” mostrado ao governo -, dificilmente podendo “sobreviver” até à próxima legislatura.
A nível europeu, o Partido Popular Europeu mantém a maioria no Parlamento Europeu; o Partido Socialista Europeu não conseguiu atingir resultados nos “grandes países” que lhe permitissem inverter a composição da “Assembleia Europeia” (tendo o PS português obtido o melhor resultado de todos os socialistas na Europa).
Segundo as projecções disponíveis, o Partido Popular Europeu e os Democratas Europeus (PPE- DE), alcançará entre 247 a 277 eurodeputados (dos quais, 7 do PPD-PSD); o Partido dos Socialistas Europeus (PSE), entre 189 a 209 eurodeputados (12 do PS); a Esquerda Unitária Europeia, entre 30 a 40 deputados europeus (2 do PCP); e a União para a Europa das Nações, entre 22 e 30 deputados (2 do CDS-PP).
P. S. É a seguinte a composição final do Parlamento Europeu, por países e por “famílias partidárias”:
PPE PSE ELDR Verdes EUE UEN EDD Outros Total
Alemanha 49 23 7 13 7 - - - 99
França 28 31 - 6 3 - - 10 78
Itália 28 15 9 2 7 9 - 8 78
Reino Unido 28 19 12 5 - - 12 2 78
Espanha 23 24 1 5 1 - - - 54
Polónia 18 8 4 - - 7 - 17 54
Países Baixos 7 7 5 2 2 - 2 2 27
Bélgica 7 7 5 2 - - - 3 24
Grécia 11 8 - - 4 - - 1 24
Hungria 13 9 2 - - - - - 24
Portugal 7 12 - - 2 2 - 1 24
R. Checa 11 2 - - 6 - - 5 24
Suécia 5 5 3 1 2 - - 3 19
Áustria 6 7 - 2 - - - 3 18
Dinamarca 1 5 4 - 2 1 1 - 14
Eslováquia 8 3 - - - - - 3 14
Finlândia 4 3 5 1 1 - - - 14
Irlanda 4 2 - 1 - 4 - 2 13
Lituânia 3 2 3 - - - - 5 13
Letónia 3 - 1 1 - 4 - - 9
Eslovénia 4 1 2 - - - - - 7
Chipre 2 - 1 - 2 - - 1 6
Estónia 1 3 2 - - - - - 6
Luxemburgo 3 1 1 1 - - - - 6
Malta 2 3 - - - - - - 5
276 200 67 42 39 27 15 66 732
PPE . Partido Popular Europeu
PSE . Partido Socialista Europeu
ELDR . Liberais, Democratas e Reformistas
Verdes . Verdes / Aliança Livre Europeia
EUE . Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica
UEN . União para a Europa das Nações
EDD . Europa das Democracias e das Diferenças
[1415]
EURO 2004 – RESULTADOS E CLASSIFICAÇÕES
GRUPO A Jg V E D G Pt Portugal-Grécia....1-2 1 Grécia1 1 - - 2-1 3 Espanha-Rússia.....1-0 2 Espanha
1 1 - - 1-0 3 Grécia-Espanha..... 3 Portugal
1 - - 1 1-2 - Rússia-Portugal.... 4 Rússia
1 - - 1 0-1 - Espanha-Portugal... Rússia-Grécia......
GRUPO B Jg V E D G Pt Suíça-Croácia......0-0 1 França1 1 - - 2-1 3 França-Inglaterra..2-1 2 Suíça
1 - 1 - 0-0 1 Inglaterra-Suíça... 3 Croácia
1 - 1 - 0-0 1 Croácia-França..... 4 Inglaterra
1 - - 1 1-2 - Croácia-Inglaterra. Suíça-França.......
GRUPO C Jg V E D G Pt Dinamarca-Itália... 1 Suécia- - - - --- - Suécia-Bulgária.... 2 Bulgária
- - - - --- - Bulgária-Dinamarca. 3 Dinamarca
- - - - --- - Itália-Suécia...... 4 Itália
- - - - --- - Itália-Bulgária.... Dinamarca-Suécia...
GRUPO D Jg V E D G Pt Alemanha-Holanda... 1 R. Checa- - - - --- - R. Checa-Letónia... 2 Letónia
- - - - --- - Letónia-Alemanha... 3 Alemanha
- - - - --- - Holanda-R. Checa... 4 Holanda
- - - - --- - Holanda-Letónia.... Alemanha-R. Checa..
[1414]
EURO 2004 – GRUPO B – 1ª JORNADA

0-0
De acordo com as crónicas do jogo, a Croácia procurou impor o seu poderio físico, dominando em termos de tempo de posse de bola.
Num jogo bastante faltoso, o árbitro português vê-se obrigado a exibir o cartão vermelho a um jogador suíço, obrigando a equipa Suíça a jogar em inferioridade numérica desde os 50 minutos.
A Croácia procurou tirar vantagem da situação mas não mostrou “engenho e arte” para chegar ao golo, desperdiçando duas ou três jogadas de perigo; a Suíca conseguiria, ainda assim, levar também o perigo à baliza croata, mas sem consequências.
Um jogo algo desinteressante, não muito bem jogado.
Jörg Stiel, Bernt Haas, Patrick Mueller, Murat Yakin, Christoph Spycher, Raphael Wicky (83m – Stéphane Henchoz), Johann Vogel, Benjamin Huggel, Hakan Yakin (87m – Daniel Gygax), Stephane Chapuisat (54m – Fabio Celestini), Alexander Frei
Tomislav Butina, Dario Simic (61m – Darijo Srna), Robert Kovac, Josip Simunic, Boris Zivkovic, Ivica Mornar, Niko Kovac, Nenad Bjelica (73m – Giovanni Rosso), Ivica Olic (45m – Milan Rapaic), Dado Prso, Tomislav Sokota
“Melhor em campo” – Jörg Stiel
Amarelos – Johann Vogel (5m), Benjamin Huggel (41m) e Jörg Stiel (73m); Dado Prso (13m), Nenad Bjelica (30m), Milan Rapaic (48m), Josip Simunic (51m) e Ivica Mornar (53m)
Vermelho – Johann Vogel(50m – Acumulação amarelos)
Árbitro – Lucílio Baptista (Portugal)
Estádio Dr. Magalhães Pessoa – Leiria (17h45)

2-1
E, ao 2º dia, “ela” aí está: a “magia do futebol”!…
Começando pelo fim (pelos dois golos de Zidane): a vitória da França parece-me justa.
Até aos 38 minutos, momento em que Lampard marcou o primeiro golo, para a Inglaterra, a “única equipa” em campo tinha sido a da França, segura, confiante, e, decididamente, a querer ganhar o jogo; com um período “alto”, entre os 10 e os 20 minutos, em que, por três vezes (14, 16 e 20 minutos) levou o perigo à área da Inglaterra – que até aí não conseguira ainda “entrar no jogo”, não denotando capacidade para jogar “de igual para igual” com a França.
A partir dos 20 minutos, a Inglaterra conseguiu de alguma forma “equilibrar” o jogo; até que, aos 38 minutos, num livre (do lado direito) superiormente marcado por Beckam, apareceu Lampard a antecipar-se a toda a defesa francesa e a marcar um golo, claramente “contra-a-corrente”.
Contudo, esse golo viria a “abalar” bastante a poderosa equipa francesa que nunca mais se encontrou, ao longo de quase uma hora (mostrando que mesmo o Campeão Europeu pode “acusar” significativamente um golo sofrido), tentando jogar em “rendilhados” dentro da área, com Zidane pouco feliz e Henry e Trezeguet “desastrados” na finalização.
Uma França que dava já a imagem de não ser capaz de inverter a situação (tendo inclusivamente Beckam desperdiçado, aos 70 minutos, a possibilidade de “resolver” o jogo, ao permitir a Barthez uma magnífica defesa de um penalty)… até que surgiu então a magia de Zidane: primeiro, num livre magistralmente executado, já em período de descontos; quando todos pensariam que a Inglaterra tinha deixado escapar a vitória, eis que, aos 93 minutos, surge um penalty, que possibilitou a reviravolta no marcador; foi o desespero inglês, sofrendo uma punição que não esperava, um remake (desta vez de sentido contrário) da final da Liga dos Campeões entre o Manchester United e o Bayern, de há alguns anos atrás.
Num estádio da Luz transformado num “Wembley a 3/4” (os adeptos franceses estavam limitados a cerca de 1/4 da lotação), assisti durante cerca de uma hora, no meio de um “mar de ingleses” aos seus cânticos “de vitória”. Ingleses que ficariam completamente incrédulos com o que aconteceu no período de descontos.
Concluo como iniciei: a França é melhor equipa que a Inglaterra, mereceu a vitória, mas mostrou que também pode sofrer de “grande intranquilidade” quando (inesperadamente) se vê a perder.
E, claro, acabou por ter a “sorte dos campeões”… ou, “quem tem Zidane, tem tudo” (foi ele quem mais lutou para inverter o rumo do jogo e, talvez o único que sempre mostrou serenidade perante a situação adversa).
Fabien Barthez, Lilian Thuram, William Gallas, Mikael Silvestre (79m – Willy Sagnol), Bixente Lizarazu, Robert Pires (76m – Sylvain Wiltord), Patrick Vieira, Claude Makelele, Zinedine Zidane, Thierry Henry, David Trezeguet
David James, Gary Neville, Ledley King, Sol Campbell, Ashley Cole, David Beckham, Frank Lampard, Steven Gerrard, Paul Scholes (76m – Owen Hargreaves), Wayne Rooney (76m – Emile Heskey), Michael Owen (69m – Darius Vassell)
“Melhor em campo” – Zidane
0-1 – Lampard – 38m
1-1 – Zidane – 91m
2-1 – Zidane – 93m (P)
Amarelos – Robert Pires (49m) e Mikael Silvestre (72m); Paul Scholes (53m) e Frank Lampard (70m)
Árbitro – Markus Merk (Alemanha)
Estádio da Luz – Lisboa (19h45)
[1413]
REVISTA DA SEMANA
Visão (10 Junho)
“Os tempos são de festa do futebol, com o início do Campeonato Europeu em Portugal.
Marcelo Rebelo de Sousa tinha dado o mote, Luís Felipe Scolari renovou o apelo, e o País engalanou-se com bandeiras nacionais. Desde o início da semana, que a bandeira está à janela das residências, empresas, carros e táxis um pouco por todo o lado. É o Euro 2004 a dar um novo ânimo ao ego português.
A América de luto – A morte de duas importantes figuras do panorama político e artístico norte-americano marcam também os dias do outro lado do Atlântico. Por Ronald Reagan, o governo decretou luto nacional. Com o adeus de Ray Charles, a Soul fica também irremediavelmente mais pobre.
Homenagens no Parlamento – A Assembleia da Republica vai homenagear na próxima quarta-feira a memória do seu vice-presidente Lino de Carvalho, cujo funeral decorre esta sexta-feira, e do antigo parlamentar Sousa Franco.
Aprovada transferência da soberania – O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade a resolução que apoia a transferência da soberania para o novo governo iraquiano a partir de 30 de Junho. Os EUA acreditam que este será o «catalisador» para uma mudança no Médio Oriente.”
P. S. Não esqueça que ainda “vai a tempo” de exercer o seu “direito cívico” de votar!…
[1412]
“ESTOU ALÉM”
Há 20 anos, partia António Joaquim Rodrigues Ribeiro (então com 39 anos), “imortalizado” como António Variações, em apenas 2 anos de carreira (1982 a 1984), de que relembro particularmente: Estou além; É pra amanhã; O corpo é que paga; Canção de engate; e Povo que lavas no rio (ver discografia).
“Variações é uma palavra que sugere elasticidade, liberdade. E é exactamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos”. (António Variações a “O País” – 14.04.84) – via Citi.pt.
A minha homenagem.
[1411]
EURO 2004 – RESULTADOS E CLASSIFICAÇÕES
GRUPO A Jg V E D G Pt Portugal-Grécia....1-2 1 Grécia1 1 - - 2-1 3 Espanha-Rússia.....1-0 2 Espanha
1 1 - - 1-0 3 Grécia-Espanha..... 3 Portugal
1 - - 1 1-2 - Rússia-Portugal.... 4 Rússia
1 - - 1 0-1 - Espanha-Portugal... Rússia-Grécia......
GRUPO B Jg V E D G Pt Suíça-Croácia...... 1 França- - - - --- - França-Inglaterra.. 2 Inglaterra
- - - - --- - Inglaterra-Suíça... 3 Suíça
- - - - --- - Croácia-França..... 4 Croácia
- - - - --- - Croácia-Inglaterra. Suíça-França.......
GRUPO C Jg V E D G Pt Dinamarca-Itália... 1 Suécia- - - - --- - Suécia-Bulgária.... 2 Bulgária
- - - - --- - Bulgária-Dinamarca. 3 Dinamarca
- - - - --- - Itália-Suécia...... 4 Itália
- - - - --- - Itália-Bulgária.... Dinamarca-Suécia...
GRUPO D Jg V E D G Pt Alemanha-Holanda... 1 R. Checa- - - - --- - R. Checa-Letónia... 2 Letónia
- - - - --- - Letónia-Alemanha... 3 Alemanha
- - - - --- - Holanda-R. Checa... 4 Holanda
- - - - --- - Holanda-Letónia.... Alemanha-R. Checa..
[1410]
EURO 2004 – GRUPO A – 1ª JORNADA

1-2
A Grécia surpreendeu a equipa portuguesa com a colocação de avançados de início e com uma entrada em campo a jogar ao ataque, o que provocou que Portugal andasse “perdido” durante o primeiro quarto de hora (uma entrada em prova idêntica às que realizara no Euro 2000, com a Inglaterra, e no Mundial 2002, com os EUA).
Os gregos marcaram cedo (aos 6 minutos), tendo ainda desperdiçado, pelo menos, mais duas boas oportunidades (uma delas logo no primeiro minuto).
Com o seu futebol simples, linear, directo e objectivo, a Grécia justificava plenamente a vantagem com que chegava ao intervalo.
Na segunda parte, Portugal teve de “correr atrás do prejuízo”, mas fê-lo sempre sem a tranquilidade necessária e, muitas vezes, sem nexo, cometendo inclusivamente erros infantis como o que originou o penalty que proporcionou o segundo golo da Grécia.
Uma equipa… pouco equipa, vivendo apenas de “rasgos individuais” de Figo (mais na primeira parte), Cristiano Ronaldo e Deco, pouco inspirados na finalização.
Nos últimos dez minutos, apesar da ansiedade, Portugal atacou bastante, “mais com o coração que com a cabeça”, ainda assim remetendo a equipa grega para a sua área, mas sem conseguir maior felicidade que o “golo de honra” (que poderá eventualmente vir a ser decisivo, lá mais para a frente…).
Ricardo, Paulo Ferreira, Fernando Couto, Jorge Andrade, Rui Jorge, Costinha (65m – Nuno Gomes), Maniche, Luis Figo, Rui Costa (45m – Deco), Simão Sabrosa (45m – Cristiano Ronaldo), Pauleta
Nikopolidis, Seitaridis, Dellas, Kapsis, Fyssas, Giannokopoulos (67m – Nikolaidis), Basinas, Zagorakis, Karagounis (45m – Katsouranis), Vryzas, Charisteas (74m – Lakis)
0-1 – Karagounis – 6m
0-2 – Basinas – 51m (P)
1-2 – Cristiano Ronaldo – 93m
“Melhor em campo” – Zagorakis
Amarelos – Costinha (20m) e Pauleta (58m); Karagounis (39m) e Seitaridis (76m)
Árbitro – Pierluigi Collina (Itália)
Estádio do Dragão – Porto (17h00)

1-0
“Sinal mais” inicial da Espanha nos primeiros 15 minutos, com a Rússia a conseguir reequilibrar o jogo a meio-campo, atingindo mesmo um forte final de primeira parte, quase a ameaçar o golo.
A segunda parte iniciou-se, novamente, com uma tentativa de ataque mais continuado por parte da Espanha, mas com a Rússia “sempre à espreita” do contra-ataque.
Aos 58 minutos, a Espanha troca Morientes por Valerón, que, trinta segundos depois, na primeira intervenção no jogo, marca o golo da vitória!
Aos 77 minutos, Fernando Torres substitui Raul… e quase marca também no primeiro lance que disputa.
Depois do golo da Espanha, a Rússia não voltou a mostrar capacidade para chegar ao golo, excepto no último minuto (quando se encontrava já reduzida a 10).
Em suma, vitória justa da Espanha, que pecará até por algo escassa… e “dois ossos duros de roer” ainda no caminho de Portugal.
Casillas, Raul Bravo, Helguera, Marchena, Puyol, Baraja (58m – Xabi Alonso), Albelda, Etxeberria, Vicente, Morientes (58m – Valerón), Raul (77m – Fernando Torres)
Ovchinnikov, Evseev, Gusev (45m – Radimov), Sharonov, Sennikov, Smertin, Aldonin (67m – Sychev), Izmailov (73m – Karyaka), Alenitchev, Mostovoi, Bulykin
1-0 – Valerón – 59m
“Melhor em campo” – Vicente
Amarelos – Baraja (43m), Marchena (65m) e Albelda (83m); Gusev (12m), Sharonov (20m), Smertin (28m), Aldonin (31m) e Radimov (93m)
Vermelho – Sharonov (88m – acumulação amarelos)
Árbitro – Urs Meier (Suíça)
Estádio Algarve – Faro-Loulé (19h45)
[1409]
EURO 2004 – A "FESTA" VAI COMEÇAR!
É claro que é importante que Portugal tenha sucesso desportivo nesta prova (embora seja difícil definir com absoluta precisão o que se poderá entender por sucesso – necessariamente o atingir das ½ finais…), até porque a continuidade da nossa selecção em prova manterá acesa a chama da dinâmica da prova, contribuindo para o seu “êxito global”.
Porém, há que “ter os pés assentes no chão”: Portugal entra na prova na 11ª posição do ranking entre os 16 finalistas (no actual ranking da FIFA; sendo o 10º em termos de história da competição), não tendo conseguido nunca melhor do que a meta mínima a que agora se propõe (e ainda, assim, de alguma forma, com carácter “excepcional”, em 1966, 1984 e 2000); numa competição deste cariz, a eliminar, são muitas as contingências (o penalty falhado, a bola no poste, o “desacerto” de um árbitro…); objectivamente, nenhuma equipa do mundo pode garantir antecipadamente que irá ter sucesso.




É também verdade que, numa perspectiva “minimalista”, uma selecção poderá ser campeã com apenas 1 vitória e 4 empates (o PSV Eindhoven assim conquistou uma Taça dos Campeões Europeus contra o Benfica em 1988!), podendo mesmo “dar-se ao luxo” de perder um dos jogos da primeira fase; e, portanto, beneficiando do “factor casa”, poderia “bastar-nos” não perder.




Mas, acima de tudo, devemos consciencializar-nos que, mais importante do que a vertente desportiva (embora não completamente dissociável), a prova que “somos obrigados a vencer” é a de mostrar ao mundo a capacidade de organização de um torneio desta dimensão, com centenas de milhares de visitantes, dando sequência a uma “gigantesca empreitada” de construção de 10 estádios e restantes infra-estruturas (acessibilidades, hotéis, aeroportos). E que, mesmo que à “boa maneira portuguesa”, com atrasos e derrapagens orçamentais, fomos capazes de fazer (bem)!




Havendo sempre um “velho do Restelo” (todos sabemos que não eram necessários 10 estádios! – assim como conhecemos as carências que a população portuguesa experimenta nas mais variadas vertentes), nada adiantará agora contestar as opções tomadas e definitivamente assumidas, porque irreversíveis; a verdade é que, tal como com a Expo’98 ou com o Centro Cultural de Belém, as obras feitas aí estão e permanecerão para o futuro; e, por todo o mundo, o nome de Portugal será ouvido e “visto” por milhões de pessoas… e por bons motivos.




É também assim que os países conquistam o respeito e a admiração internacional; é também por aqui que passa um pouco do “desenvolvimento” do país.
Trata-se de uma oportunidade singular que, provavelmente, não se repetirá no espaço de uma geração (25/30 anos). Temos portanto de “agarrá-la”!
PORTUGAL precisa de sentir orgulho de “si próprio” e de voltar a “ser feliz”. Vamos mobilizar-nos (todos!) e fazer do EURO 2004 uma “grande festa”!
[1408]
GANHÁMOS!
(Exercício de “futurismo optimista”)…
Fez-se história!
A partir de hoje, o dia 4 de Julho não assinala apenas a independência dos EUA. Para nós, 4 de Julho passará a ser sinónimo da maior proeza desportiva portuguesa de sempre, da glória de uma consagração como melhor equipa do .Velho Continente..
O que, apenas há 3 meses, parecia impossível, aconteceu!
Quem não se recorda da contestação a que Scolari foi sujeito após a derrota com a Itália a 31 de Março? (numa altura, em que, ao contrário, Mourinho fazia furor com a qualificação do FC Porto para a final da Liga dos Campeões, depois de eliminar o Manchester United, o Lyon e o Deportivo da Coruña.).
Entretando, Scolari . numa inversão que pode ter constituído um contributo decisivo para a união em torno da selecção, criando um forte espírito de grupo até então algo arredado ., .arrepiara. caminho, ao aceder às solicitações do FC Porto de não convocar jogadores do clube para o jogo particular com a Suécia, a 28 de Abril (nas vésperas do decisivo jogo da meia-final da Liga dos Campeões, na Corunha).
A partir do estágio da selecção em Óbidos, fora possível perceber o ressurgimento de uma “comunhão” entre os portugueses e a sua selecção, de que o “episódio das bandeiras” (dando um novo colorido às cidades portuguesas) foi um excelente exemplo.
Agora, e depois do título Mundial, o campeão Scolari consegue novo .milagre. e, suportado no apoio incondicional dos adeptos portugueses (que foi conquistando, jogo a jogo), conduz Portugal ao título de Campeão Europeu!
Não sendo o sentimento bonito, é inegável que não deixou de dar um certo prazer especial esta sensação de .revanche. perante a França, bi-campeã europeia, que, nas suas anteriores conquistas nos deixara . de forma particularmente .cruel. (quer em 1984, quer em 2000) . .pelo caminho..
Quando Rui Costa (que já marcara a grande penalidade decisiva no desempate do Campeonato do Mundo de Juniores de 1991) partiu para a bola, tinha 10 milhões de portugueses a transmitir-lhe uma energia positiva que fez de todos nós .Campeões..
Mas, para além disso, fica a imagem de uma selecção convincente, personalizada, .esmagadora. mesmo: 6 jogos; 6 vitórias (em absoluto contraste com os 7 jogos sem vitória na fase de preparação!…), com um futebol .total., à semelhança da famosa .laranja mecânica. holandesa de 1974 . outra selecção que, mais uma vez, teve de se .vergar. perante o poderio luso.
É a consagração de uma geração, que soube aproveitar da melhor forma a última oportunidade para a glória.
PORTUGAL é CAMPEÃO DA EUROPA!
E, como dizia a canção, .Quero mais!….
O Mundo espera por nós.
(Agora resta esperar para ver qual das duas versões será mais adaptada à realidade… Boa sorte Portugal!).
Deixem-nos sonhar!…
[1407]
PERDERAM.
(Exercício de “futurismo pessimista”)…
Ao fim de apenas 8 dias, o .sonho. transformou-se em pesadelo!
A pobre campanha de preparação (7 jogos contra finalistas do EURO sem uma única vitória!…) já o deixara antever.
O .caso Gondomar., despoletado a pouco mais de mês e meio do início da prova, .colocando a nu algumas situações dúbias. do nosso futebol, não era um bom .augúrio..
A própria selecção evidenciava sucessivos sintomas de desunião: as críticas de Scolari a Jorge Andrade (pela expulsão no jogo FC Porto-Coruña) e a Cristiano Ronaldo (por não .render. na selecção); as observações de Figo sobre a dispensa de jogadores do FC Porto no jogo de preparação contra a Suécia; a “novela” da contratação de Scolari pelo Benfica; a publicação com apreciações “menos positivas” sobre o desempenho dos jogadores na época em curso . um acumular de incontáveis .tiros nos pés..
Hoje, 20 de Junho, confirmou-se o fracasso.
Como (fraca) consolação, fica o facto de Portugal ter praticamente .replicado. a carreira da França (então campeão do mundo em título) no Mundial da Coreia-Japão, em 2002: derrota no primeiro jogo com a Grécia, por 0-1; empate com a Rússia, 0-0; e, finalmente, outro .descolorido. empate com a Espanha, também a zero, que nem um duvidoso penalty assinalado . no último minuto . por um árbitro .caseiro. permitiu desfazer: sob o peso da responsabilidade, parecendo .atemorizado. perante o seu colega de equipa Casillas, o último pontapé de Figo na sua carreira na Selecção saiu desastrado, em .direcção às nuvens..
Foi sob uma ensurdecedora vaia de assobios dos 65 000 espectadores que presenciaram este último jogo que a selecção portuguesa se despediu da prova.
Zero vitórias; zero golos; a completa nulidade e falência de uma concepção de futebol.
Com Scolari, ganha força a ideia de que .a história não se repete.; os portugueses confiavam num .milagre. ou em qualquer género de .força oculta. que o brasileiro pudesse transmitir a uma envelhecida e cansada selecção portuguesa.
Resta recomeçar, partindo do .zero., preparando e estruturando uma nova equipa que possa .limpar a face. na fase de qualificação para o Mundial 2006 que se aproxima a passos largos.
O EURO 2004 continua, mas para os outros. resta-nos continuar a assistir, .do lado de fora., às exibições das melhores equipas da Europa.
[1406]



