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BEETHOVEN – AS SINFONIAS (II)

A Quinta (“Do Destino”), iniciada em 1807, é a mais trágica das nove, fazendo um percurso desde as trevas (os dois primeiros movimentos) até à luz (os dois últimos), abrindo precedentes na história da música. Dotada de extraordinária energia, é rica em desfasamentos rítmicos e repentinas trocas de tonalidade.

A Sexta Sinfonia, Pastoral, também de 1807, é outra ousadia; organizada em cinco movimentos, cada um retratando um aspecto da vida no campo, abriu espaço para as experiências de Liszt e Berlioz no género da música programática. Contrariamente à anterior, caracteriza-se por um clima de repouso idílico.

A Sétima (1811) ficou famosa pelo seu movimento lento, um Allegretto pouco definido, que encantou compositores como Schumann e Wagner. Foi composta num complexo período sentimental. O seu carácter rítmico é o sinal mais distintivo desta sinfonia, definida como a apoteose da dança.

9Sinfonia A Oitava (1812) tem no terceiro movimento uma novidade, o minueto. Foi apresentada como “a pequena”.

Finalmente, a Nona (1822, embora a ideia e alguns esboços remontem a 8 anos antes), talvez a obra mais popular de Beethoven, marcando uma época, com a sua grande atracção, o coral final, a Ode à Alegria.

Pode ouvir “toda” a música de Beethoven aqui.

E, por aqui, se encerra esta “digressão”. A descobrir, a seguir, uma grande viagem…

[1728]

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17 Setembro, 2004 at 6:29 pm

BEETHOVEN – AS SINFONIAS (I)

As 9 Sinfonias de Beethoven constituem a parte mais conhecida da sua obra. A maior parte foi composta na fase intermédia da sua criação, à excepção da primeira e da última sinfonia.

A Primeira Sinfonia, composta nos primeiros anos vienenses (cerca de 1799), está fortemente ligada ao classicismo vienense e à tradição de Haydn e Mozart.

A segunda (1800-1802) é uma obra de transição e apresenta já algumas das suas características pessoais, com um tratamento inédito dos instrumentos de sopro.

Beethoven apenas encontraria a sua linguagem sinfónica definitiva na terceira, “Heróica”, uma sinfonia “revolucionária”, que se afasta definitivamente das formas tradicionais da sinfonia clássica vienense. Planeada para ser uma grande homenagem a Napoleão Bonaparte, que admirava, é uma obra grandiosa, de concepção monumental e temática épica, notavelmente longa. Porém a dedicatória napoleónica acabaria por ser retirada na sequência da coroação de Napoleão como imperador da França – Beethoven, decepcionado, alterou o programa da obra, incluindo uma marcha fúnebre “à morte de um herói”.

A Quarta (1806) é uma sinfonia mais relaxada, conhecida pela sua longa introdução, quase independente do restante da obra, traduzindo no seu conjunto, de alguma forma, um retorno a formas mais tradicionais.

[1723]

16 Setembro, 2004 at 6:36 pm

BEETHOVEN – OS QUARTETOS

Beethoven compôs música de câmara durante toda sua vida, mas a parte fundamental da sua obra neste género seria o conjunto dos seis últimos Quartetos de cordas, escritos nos últimos anos de vida do compositor.

O Opus 131 é o mais ambicioso deles, com sete movimentos, todos encadeados entre si; o primeiro é uma fuga muito lenta e expressiva, o quarto é uma sucessão de sete variações, e o último é um enérgico Allegro, que retoma o tema principal do primeiro.

Além deste, os mais importantes foram os quartetos Opus 133, Grande Fuga, e Opus 135.

[1720]

15 Setembro, 2004 at 6:18 pm

BEETHOVEN – OS CONCERTOS

Beethoven compôs cinco concertos para piano, um para violino e um tríplice, para violino, violoncelo e piano.

Os dois primeiros concertos para piano são bastante característicos da sua juventude, devendo grande parte da sua linguagem musical a Mozart.

O terceiro, composto em 1800, é uma obra de transição, com carácter mais sinfónico, sendo sério e pesado.

O Concerto no. 4, composto em 1806, daria um salto ainda maior; o seu movimento central, Andante con moto, alterna o lirismo romântico do piano com intervenções vigorosas da orquestra.

O último concerto para piano, conhecido como Imperador, viria a tornar-se o mais célebre; é uma obra majestosa, de carácter tão sinfónico como o terceiro concerto, mas menos trágico.

O concerto mais popular que escreveu foi o de Violino, uma das obras mais perfeitas escritas para esse instrumento.

Já antes o havia incluído no Concerto Tríplice, para piano, violino e violoncelo, herdeiro da sinfonia de concerto de Haydn e Mozart e percursor do Concerto Duplo de Brahms.

[1717]

14 Setembro, 2004 at 6:14 pm

BEETHOVEN – AS SONATAS

As sonatas para piano – no total de 32 – constituíram uma espécie de “laboratório”, que lhe permitia fazia experiências, aproveitadas noutras formas.

Beethoven introduziu grandes inovações na estrutura da Sonata; incorporou novas formas (fuga e variação), mudou o número de movimentos e a sua ordem (colocando muitas vezes o movimento lento em primeiro lugar), aumentando a sua vertente emocional.

Entre as onze sonatas do primeiro período, a mais conhecida é a Opus 13, Patética, com a sua introdução dramática e o seu clima sombrio (com a maior parte dos seus temas em tom menor), culminando no seu emocionante e romântico adágio.

As sonatas mais conhecidas encontram-se no seu “segundo período”: a Opus 27, Ao Luar (famosa pelo adágio introdutivo), a Opus 53, Waldstein e a Opus 57, Appassionata.

Embora mais originais, as sonatas do último período são as menos populares. A Opus 106, Hammerklavier, de carácter monumental, é quase uma sinfonia para piano solo – imponente pela sua duração, plena de dificuldade técnica. Outras grandes obras-primas são as duas últimas, Opus 110 e 111, de carácter quase romântico.

[1715]

13 Setembro, 2004 at 6:18 pm 1 comentário

BEETHOVEN – OBRA (II)

A primeira fase corresponderia às obras escritas entre 1792 e 1800, ou seja, as primeiras peças publicadas, já em Viena, incluindo, por exemplo, os trios do Opus 1, a Sonata Patética, os dois primeiros Concertos para piano e a Primeira Sinfonia, obras ainda tradicionais, embora já com algum cunho pessoal.

A segunda, correspondente ao período de 1800 a 1814, de plena maturidade, marcado pela surdez e pelas decepções amorosas, é caracterizada por obras como a Sinfonia Heróica, a Sonata ao Luar e os dois últimos Concertos para piano.

A última fase, de 1814 a 1827, já completamente surdo, seria o período das obras monumentais, a par das grandes inovações: a Nona Sinfonia, a Missa Solene e os últimos Quartetos de cordas.

A obra de Beethoven alargou-se a todos os géneros musicais da sua época: compôs uma ópera, Fidelio; música para teatro (destaque para a abertura Egmont); ballet (As Criaturas de Prometeu), oratório (Cristo no Monte das Oliveiras), missas (destacando-se a Missa Solene), variações (notórias as variações de Diabelli). Mas viria a ser universalmente conhecido pelos quatro grandes ciclos dedicados às formas clássicas: as Sonatas, os Concertos, os Quartetos de cordas e as Sinfonias.

[1712]

12 Setembro, 2004 at 9:15 pm

BEETHOVEN – OBRA (I)

Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo. Toda a sua obra é fruto da sua personalidade sonhadora e melancólica, um tanto épica, e verdadeiramente romântica.

Não abandonou contudo as formas clássicas herdadas de Mozart e do seu “mestre” Haydn. Não obstante, foi capaz de alargar as fronteiras da arte, inovando através de um processo gradual, que acabaria por culminar em obras como os últimos Quartetos de cordas, radicalmente distantes dos de Mozart.

O estilo de Beethoven tem características marcantes: grandes contrastes de dinâmica (pianíssimo vs. fortíssimo) e de registo (grave vs. agudo), acordes densos, alterações de compasso, temas curtos e incisivos, vitalidade rítmica.

Os especialistas costumam dividir a sua obra em três fases, seguindo a linha definida pelo musicólogo Wilhelm von Lenz.

P. S. Naturalmente, estas notas (como todas as restantes relativas às várias personalidades que por aqui vão “passando”) foram preparadas a partir de pesquisa de um vasto conjunto de bibliografia escrita e páginas na Internet. Não tenho portanto qualquer problema em referenciar os créditos respectivos no caso em que a informação decorra especificamente de uma determinada fonte em concreto; no presente caso, apesar de não me recordar de ter recolhido informações nesta página – este texto foi inicialmente escrito em Dezembro de 2003, e este P. S. é escrito no final de Outubro de 2004 -, é com prazer que faço referência à página da “Allegro“, uma interessante página sobre música.

[1709]

10 Setembro, 2004 at 7:06 pm 1 comentário

BEETHOVEN (III)

Beethoven Noutro campo, Beethoven nunca se casou, tendo a sua vida amorosa sido uma sucessão de insucessos e de sentimentos não correspondidos. Embora várias figuras femininas tenham cruzado a sua vida, uma das mais importantes terá sido Giulietta Guicciardi, a quem dedicou a sua Sonata ao Luar. Contudo, apenas um amor terá sido intensamente correspondido, conforme revelado em carta de 1812, dirigida a uma “Bem-Amada Imortal”, que se supõe seria Antonie von Birckenstock, casada com um banqueiro de Frankfurt – portanto, um amor “impossível”.

Compusera entretanto algumas das suas principais obras, sendo reconhecido, já em 1814, como o maior compositor do século.

Em 1815, com a morte do irmão Karl, lutou na justiça para ser o único tutor do sobrinho de 8 anos; ao fim de meses de um desgastante processo judicial, ganhou o direito a cuidar da criança, em detrimento da mãe, dada a sua conduta.

Voltaria, nos anos seguintes, com o agravamento da surdez, a passar uma fase de grande depressão, de que só reagiria em 1819, resultando, na década seguinte, numa larga “produção” de obras-primas, uma arte integralmente abstracta, uma vez que já não a podia – desde 1814 – ouvir: Sonatas para piano, Variações Diabelli, Missa Solene, Quartetos de cordas e a Nona Sinfonia (iniciada em 1817, mas apenas concluída em 1822, tendo sido executada pela primeira vez em 1825).

A sua obra constituir-se-ia numa influência decisiva para toda a música do século XIX, ao mesmo tempo que – dada a sua perfeição – nela colocava um ponto final, embora glorioso.

Numa época em que tinha grandes planos futuros (uma Décima Sinfonia, um Requiem, uma Ópera), acabou por ficar gravemente doente, tendo contraído uma pneumonia, além da cirrose e infecção intestinal que já o afectavam. Com uma vida coroada de glórias e sucessos, mas idoso, surdo e desamparado, entraria na imortalidade em 26 de Março de 1827, como o maior génio da música de todos os tempos.

[1705]

9 Setembro, 2004 at 6:20 pm

BEETHOVEN (II)

Com 21 anos, em 1792, partiu definitivamente para Viena, tendo sido então aceite como aluno de Haydn, embora Beethoven logo procurasse complementar o seu estudo também com aulas junto de outros professores, nomeadamente Albrechtsberger (maestro de capela na Catedral de S. Estêvão), Salieri e Foerster.

Tornou-se, nesses primeiros anos em Viena, um pianista virtuoso, com sucesso nos meios aristocráticos, cultivando alguns admiradores; começou por publicar, em 1795, o seu Opus 1 e uma colecção de 3 trios para piano, violino e violoncelo.

Logo aos 25 anos, em 1796, surgiram os primeiros sintomas de uma grande tragédia, quando lhe foi diagnosticada uma congestão dos centros auditivos internos, prenúncio da sua futura surdez. Ao descobrir que a doença seria incurável, viria a afastar-se do convívio social, vivendo como compositor e professor, procurando ocultar este problema, que apenas revelaria dez anos depois.

Em 1800, com a surdez já bastante avançada, apresentou a Sinfonia n.º 1 em Dó Maior, Opus 21. Em 1802, na sequência de uma profunda depressão, chegando a pensar recorrentemente no suicídio, escrevera o “Testamento de Heiligenstadt” (localidade próxima de Viena), uma carta, inicialmente dirigida aos dois irmãos – que nunca chegaria a ser enviada – na qual reflectia, desesperado, sobre a tragédia da sua irreversível surdez e sobre a sua arte.

Seria a arte – a música, que via como uma verdadeira missão a cumprir – a impedi-lo de concretizar esse terrível pensamento, surgindo como única via de redenção, criando então a sua primeira monumental obra, a Sinfornia nº 3, “Heróica”, um ponto de mudança radical na história da música, tornando reconhecida a sua genialidade como compositor.

[1701]

8 Setembro, 2004 at 7:03 pm

BEETHOVEN (I)

Beethoven Ludwig van Beethoven nasceu em 16 de Dezembro de 1770, junto ao Reno, em Bona, Alemanha, de ascendência holandesa, filho de Johan van Beethoven (músico na corte) e de Maria Magdalena; o avô, também Ludwig, fora maestro de capela.

Desde pequeno, o pai percebeu que o pequeno Ludwig dispunha de um talento invulgar, obrigando-o a estudar música durante inúmeras horas, todos os dias, logo desde os 5 anos, a cargo do professor Christian Gottlob Neefe, organista da corte.

Em 1779, começou a estudar a obra de Johann Sebastian Bach e aprendeu órgão, além de ter iniciado os seus estudos sobre composição, rapidamente dominando todo o reportório de Bach, sendo apresentado como um “segundo” Mozart; aos 11 anos, foi nomeado organista-suplente da corte. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico. Aos 13 anos, já depois de abandonar a escola, trabalhava já como organista, cravista, ensaiador do teatro, músico de orquestra e professor, assumindo precocemente a chefia da família.

Em 1784, Beethoven conheceu um jovem Conde, chamado Waldstein, tornando-se seu amigo. Em 1787, o Conde, percebendo o seu grande talento, dirigiu-o a Viena, para receber aulas de Mozart; não obstante, Mozart não terá tido tempo de lhe prestar a atenção que esperava: na sequência da morte da mãe, Beethoven regressaria a Bona.

Começou então um curso de literatura, tendo os primeiros contactos com as ideias da Revolução Francesa, com o Iluminismo e com o “Tempestade e Ímpeto”, correntes da literatura alemã, de Goethe e Schiller.

[1698]

7 Setembro, 2004 at 6:07 pm


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