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Liga Europa – 1ª Jornada – AC Milan – Benfica

AC MilanAC Milan – Mike Maignan, Filippo Terracciano (45m – Mario Gila), Koni De Winter, Strahinja Pavlović, Samuel Chukwueze, Ardon Jashari (73m – Adrien Rabiot), Yunus Musah, Davide Bartesaghi (57m – Alexis Saelemaekers), Omari Hutchinson (45m – Christian Pulišić), Alphadjo Cissè (57m – Diego Moreira) e Gonçalo Ramos

BenficaBenfica – Anatoliy Trubin, Daniel Banjaqui, Alessandro Circati, Tomás Araújo, Souffian El Karouani (88m – Samuel Dahl), Fredrik Aursnes (70m – Leandro Barreiro), João Palhinha, Dodi Lukébakio, Heorhiy Sudakov (70m – Gianluca Prestianni), Jakub Kamiński (80m – Andreas Schjelderup) e Jhon Durán (80m – Evangelos “Vangelis” Pavlídis)

0-1 – Dodi Lukébakio – 16m
0-2 – Jakub Kamiński – 54m

Cartões amarelos – Strahinja Pavlović (11m); Souffian El Karouani (26m), Jhon Durán (37m), Daniel Banjaqui (77m), Leandro Barreiro (85m) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (90m)

Árbitro – Jarred Gillett (Austrália)

Foi uma noite histórica! Pela primeira vez, ao oitavo jogo (incluindo uma meia-final da Taça Latina) entre AC Milan e o Benfica – e depois de duas Finais da Taça dos Campeões Europeus perdidas –, a equipa portuguesa saiu vencedora, ainda para mais em pleno San Siro!

Do onze que havia alinhado de início na Dinamarca, frente ao Aarhus, somente Tomás Araújo e Sudakov repetiram a titularidade (contando-se igualmente nove alterações face à partida precedente para o campeonato, apenas com Tomás Araújo e Banjaqui a manterem as suas posições), numa revolução promovida por Marco Silva, a pensar no “clássico” do Dragão, dando espaço às “segundas linhas”… que não se saíram nada mal.

O desafio começou em toada morna, mas cedo a equipa benfiquista se colocou em vantagem.

Após um primeiro aviso, logo aos cinco minutos, com o remate de Durán a ser interceptado por um defesa, Lukébakio chegava ao golo (depois de, no minuto anterior, ter já obrigado Maignan a defesa atenta, pese embora o remate “à figura”): flectindo da direita para o interior do terreno, correndo paralelamente à linha divisória da grande área, deixou para trás um adversário, e, à entrada da “meia-lua”, rematou, desta feita, sem hipótese para o guardião francês.

Menos de dez minutos volvidos, o Benfica teve boa oportunidade para poder ampliar a contagem: Kamiński (que estivera também já no início da jogada do primeiro golo) recuperou a bola em zona avançada do terreno, libertando para Sudakov, que, porém, acertou no poste.

Pouco depois, seria a vez de o AC Milan poder ter marcado, num remate forte de Terracciano, com Trubin a voar, para evitar o golo.

O jogo estava repartido, “taco-a-taco”, e, de pronto, nova ocasião de perigo criada pela formação portuguesa: desta vez foi Lukébakio a solicitar Kamiński, mas a bola acabaria por tabelar em De Winter.

Nos minutos finais do primeiro tempo, foi a equipa italiana a carregar mais, com lances de perigo, mas sem que Gonçalo Ramos conseguisse chegar a tempo para o desvio, e, de pronto, De Winter a cabecear para defesa segura de Trubin. O guardião ucraniano seria ainda chamado a uma intervenção a socar a bola, afastando-a da zona perigosa.

No recomeço, num lance de insistência, El Karouani, do lado esquerdo, cruzou rasteiro para o miolo da área, onde Kamiński, com um potente remate, de primeira, marcou um golo que seria determinante no desenrolar da partida.

A partir daí, ficou patente o contraste entre o estado de espírito das duas equipas: muito mais confiante o Benfica, bastante mais ansioso o AC Milan.

Ainda assim, até final, o grupo italiano, não se entregando, teve mais tempo de controlo da bola, com a turma portuguesa estrategicamente a reagrupar-se no seu meio terreno.

Nessa última fase do encontro, Trubin negaria, por duas vezes, o golo a Pulišić, ficando na retina uma notável estirada, quase até junto ao poste, já dentro dos dez últimos minutos.

O Benfica ripostaria ainda, validando a sua vitória, com dois lances ofensivos: primeiro, com Lukébakio a forçar Maignan a mais uma intervenção apertada; e, já no minuto 90, outra vez o belga a centrar, mas sem que Leandro Barreiro conseguisse alcançar a bola.

Num balanço global, o jogo foi mais equilibrado do que o “placard” deixaria entrever, mas o triunfo do Benfica afigura-se justo, afirmando a sua superior maturidade, o que lhe proporciona, logo na ronda inaugural – e tendo superado o que seria um dos principais adversários –, colocar-se em boa posição para o apuramento directo.

16 Setembro, 2026 at 9:56 pm Deixe um comentário

Liga Europa – Play-off – Aarhus – Benfica

AarhusAarhus – Mads Hedenstad Christiansen, Jacob Andersen, Mouhammade Camara, Luka Callø (69m – Colin Rösler), Rasmus Carstensen, Jens Jønsson, Mikael Anderson (62m – Sebastian Jørgensen), Gift Links (83m – Frederik Emmery), Kristian Arnstad (62m – Magnus Knudsen), Tobias Bech e Janni-Luca Serra (45m – Stefen Tchamche)

BenficaBenfica – Samuel Soares, Alexander Bah, Tomás Araújo, Clément Lenglet (83m – Alessandro Circati), Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Enzo Barrenechea, Rafael “Rafa” Silva (65m – Andreas Schjelderup), Heorhiy Sudakov (65m – Gonçalo Moreira), Gianluca Prestianni (74m – Dodi Lukébakio) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (74m – Jhon Durán)

0-1 – Gianluca Prestianni – 19m
0-2 – Rafael “Rafa” Silva – 56m
1-2 – Rasmus Carstensen – 60m
1-3 – Gianluca Prestianni – 61m

Cartões amarelos – Mouhammade Camara (25m) e Rasmus Carstensen (45m)

Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)

Foi um jogo bastante tranquilo, no termo desta espécie de “pré-época em competição” – o que até poderá vir a revelar-se positivo, para o resto da temporada –, em que, de facto, o apuramento para a Liga Europa nunca esteve em causa.

Com uma entrada afirmativa, o Benfica começou por levar perigo à área contrária logo nos minutos iniciais, na sequência de um livre, com um cabeceamento de Leandro Barreiro, tendo a bola embatido na base do poste.

A equipa benfiquista chegaria mesmo ao golo, antes de completados os primeiros vinte minutos, num remate de primeira de Prestianni, isolado no flanco esquerdo, com a bola ainda a desviar a trajectória num defesa do Aahrus, sem hipótese para o guarda-redes.

Mantendo o controlo, o conjunto português poderia ter ampliado a vantagem, pouco depois da meia hora, mas Hedenstad, arrojando-se ao solo, conseguiu opor-se à iniciativa de Pavlídis, que o tentava contornar. Mesmo antes do intervalo, Prestianni ensaiou “um bonito”, com um remate em arco, a sair ligeiramente por alto.

No recomeço, a toada de jogo não sofrera alteração significativa, e o segundo golo do Benfica apenas demorou dez minutos, com Rafa a dar a melhor sequência a um centro de Dahl, a rematar para o fundo da baliza, depois de aproveitar um ressalto, na sequência de tentativa de corte de um defesa adversário.

Menos de cinco minutos volvidos o Aahrus marcou o que seria o seu “ponto de honra”, com Carstensen a conseguir um remate de belo efeito, também a beneficiar de um desvio da bola em Dahl, que a fez subir fora do alcance de Samuel Soares.

Mas, de imediato, o Benfica repôs a vantagem de dois golos, selando a primeira vitória em terreno alheio nestas três pré-eliminatórias: de novo Prestianni, sobre o flanco esquerdo, internou-se, rematando ao poste mais distante, num lance de excelente execução, bisando na partida.

Na meia-hora que faltava ainda jogar, o ritmo decresceu, com o Benfica a limitar-se a gerir o tempo. Ainda assim, o estreante Gonçalo Moreira ficou muito perto de poder marcar, com a bola a rasar o poste.

Outra vez com um agregado de 6-2 – tal como registara na 1.ª ronda, ante o St. Gallen –, e depois do 7-2 frente ao Heart, tal constitui uma óbvia demonstração de que o Benfica esteve claramente “a mais” nestas pré-eliminatórias, a par de equipas que são de um nível competitivo muito abaixo.

27 Agosto, 2026 at 8:57 pm Deixe um comentário

Liga Europa – Play-off – Benfica – Aarhus

BenficaBenfica – Samuel Soares, Alexander Bah, Tomás Araújo, Clément Lenglet, Samuel Dahl, Leandro Barreiro (66m – Richard Ríos), Enzo Barrenechea, Rafael “Rafa” Silva (84m – Jakub Kamiński), Heorhiy Sudakov (84m – Fredrik Aursnes), Gianluca Prestianni (72m – Andreas Schjelderup) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (72m – Jhon Durán)

AarhusAarhus – Mads Hedenstad Christiansen, Colin Rösler (56m – Rasmus Carstensen), Mouhammade Camara, Eric Kahl, Jacob Andersen, Sebastian Jørgensen (56m – Stefen Tchamche), Kristian Arnstad, Magnus Knudsen (73m – Jens Jønsson), Frederik Emmery (73m – Gift Links), Tobias Bech e James Bogere (81m – Mikael Anderson)

1-0 – Rafael “Rafa” Silva – 2m
2-0 – Leandro Barreiro – 31m
2-1 – Sebastian Jørgensen – 36m
3-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 45m

Cartões amarelos – Leandro Barreiro (9m) e Tomás Araújo (24m); Stefen Tchamche (83m)

Árbitro – Marco Guida (Itália)

O Benfica cedo voltou a começar a tornar fácil mais uma eliminatória, colocando-se em vantagem logo ao segundo minuto, numa jogada de insistência, em que só à terceira tentativa a bola transpôs a linha de golo, com Rafa, na pequena área, a marcar na segunda recarga, já depois de Pavlídis ter ensaiado um remate, mas contra uma barreira de pernas de adversários.

Como que atordoado pela intensidade colocada em jogo pela equipa portuguesa, o Aarhus denotava muitas dificuldades em travar as investidas contrárias, com o perigo a rondar de novo a sua baliza, estavam decorridos dez minutos, outra vez com Pavlídis a ver um remate devolvido pela defesa contrária.

Para, apenas três minutos volvidos, começar o “festival Hedenstad”, com uma mão cheia de intervenções a negar várias oportunidades de golo. Primeiro, num remate cruzado de Rafa, que o guardião, em último recurso, sacudiu com o pé. Aos 18 minutos, uma boa estirada, a desviar um remate de Prestianni. E, aos 26, outra vez a opor-se à tentativa de Rafa, com mais uma defesa apertada. Rafa dinamitava por completo o sector mais recuado da formação dinamarquesa, forçando o guarda-redes a nova defesa com o pé, à meia hora de jogo.

Não surpreendeu, pois – após tantas ocasiões desaproveitadas –, a chegada do 2-0, outra vez num lance de insistência: um pontapé de canto, com um toque de cabeça de Lenglet, tendo a bola acabado por ressaltar para o desvio final de Leandro Barreiro, já após um corte “in extremis”, em cima da linha de baliza, de um defesa do Aahrus.

O que não estava “no programa” era o golo da turma da Dinamarca, a aproveitar alguma desconcentração e o espaço livre, à entrada da área.

Tomás Araújo falharia ainda, pouco tempo depois, à boca da baliza, mais uma soberana ocasião para repor a diferença; enquanto Pavlídis voltava a testar os reflexos de Hedenstad.

Perante o rumo do encontro no decurso dos primeiros 45 minutos, não seria expectável que o desfecho ficasse fixado logo na metade inicial da partida, tendo, entretanto, o Benfica marcado o seu terceiro golo, em mais uma grande penalidade convertida por Pavlídis – desta feita, sem hipótese de defesa para o guardião – a sancionar contacto com o braço por parte de um defesa.

A segunda parte seria substancialmente distinta: mesmo que no subconsciente, a percepção que parece ter ficado é que o Benfica, de algum modo, se terá assustado com o golo sofrido, reduzindo as iniciativas de risco, mais focado em procurar preservar a margem de segurança alcançada do que, propriamente, dilatá-la. Ainda assim, não deixou de ter mais um par de boas jogadas ofensivas, com o guarda-redes adversário a continuar em grande evidência.

O resultado de 3-1 é bom, parecendo a eliminatória bem encaminhada, mas, uma vez mais, o Benfica ficou a dever a si próprio – e, neste caso em específico, também ao guarda-redes norueguês, com exibição de alto nível –, não ter aplicado terceira goleada, em outros tantos jogos no Estádio da Luz, nestas pré-eliminatórias.

20 Agosto, 2026 at 9:56 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 3ª Pré-Eliminatória – Heart of Midlothian – Benfica

Heart of MidlothianHeart of Midlothian – Beau Reus, Jordi Altena, Jamie McCart, Oisin McEntee (84m – Michael-John “MJ” Kamson-Kamara), Stuart Findlay, Tom Renaud (64m – Tómas Bent Magnússon), Sabri Guendouz (75m – Sabah Kerjota), Calvin Miller (75m – James Wilson), Blair Spittal, Joshua “Josh” McPake e Cláudio Braga (75m – Pierre Landry Kaboré)

BenficaBenfica – Samuel Soares, Amar Dedić, Manuel “Manu” Silva, Clément Lenglet (45m – Tomás Araújo), José Neto, Richard Ríos, Enzo Barrenechea (64m – Leandro Barreiro), Dodi Lukébakio (79m – Jakub Kamiński), Heorhiy Sudakov (64m – Gianluca Prestianni), Andreas Schjelderup (79m – Rafael “Rafa” Silva) e Jhon Durán

1-0 – Tómas Bent Magnússon – 77m
1-1 – Dodi Lukébakio – 79m

Cartão amarelo – Cláudio Braga (34m)

Árbitro – Sander van der Eijk (Países Baixos)

O Benfica voltou a não ser bem sucedido em jogos fora de casa nestas pré-eliminatórias, não indo além do empate em Edimburgo.

Tendo prescindido de Bah, Dahl e Pavlídis (não utilizados neste jogo), e poupado também Tomás Araújo e Clément Lenglet (actuando uma parte, cada um), assim como Leandro Barreiro, Prestianni e Rafa, a equipa portuguesa assumiu, ainda assim, o controlo, tendo exercido forte domínio numa primeira metade praticamente de sentido único, mas sem eficácia.

Foram, pelo menos, quatro as ocasiões flagrantes para marcar: Sudakov, a meio da etapa inicial, a ficar a centímetros de chegar à bola, para fazer o desvio, já na pequena área; Dedić com um cabeceamento a acertar na trave; e, por duas vezes, Schjelderup, primeiro a forçar o guarda-redes do Heart a defesa apertada, de recurso, e, depois, partindo do flanco esquerdo e internando-se no terreno, com um remate cruzado, a sair ao lado da baliza.

No segundo tempo, a formação benfiquista deixou adormecer o jogo, o que proporcionou ao adversário ir adquirindo confiança para se abalançar a acções atacantes, deixando nada menos de três sérias ameaças, quase sucessivas, ainda antes de completados dez minutos: primeiro, um remate de Guendouz a rasar o poste, sem hipótese para Samuel Soares; outra vez por intermédio de Guendouz, frente-a-frente com o guardião, tendo este conseguido fazer a “mancha”; para além de um golo não validado, por fora-de-jogo.

Passado este período de desacerto defensivo, a turma portuguesa operou os necessários ajustes, e o jogo ia decorrendo em toada morna, até que – numa fase em que não o justificaria tanto, e já depois de um defesa local ter também interceptado, in extremis, uma bola que se dirigia para a sua baliza – o conjunto escocês conseguiu mesmo chegar ao golo, com um tiro do islandês Magnússon, após lance bem gizado.

O Benfica demoraria menos de minuto e meio a ripostar, igualando o marcador, com Schjelderup a trabalhar bem a bola, do lado esquerdo, numa boa combinação com José Neto, com este a atrasar para a zona da meia-lua, onde surgiu Lukébakio a rematar na passada, com excelente colocação, tendo a bola entrado junto ao poste.

Até final, ainda mais uma investida da equipa benfiquista, neutralizada com um desarme perfeito (sem falta) a Dedić, mesmo no limite de um eventual “penalty”; e, a fechar, uma atenta intervenção de Beau Reus, a opor-se a forte remate de Leandro Barreiro.

A falta de consistência exibicional na globalidade dos noventa minutos – a par de se ter revelado muito perdulário – resultou em forte penalização no desfecho averbado pelo Benfica, que fica a dever a si próprio a vitória, perante a fragilidade do oponente (mesmo que o conjunto escocês tenha estabilizado a sua organização dentro de campo, face ao desnorte evidenciado no Estádio da Luz).

13 Agosto, 2026 at 11:46 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 3ª Pré-Eliminatória – Benfica – Heart of Midlothian

BenficaBenfica – Samuel Soares, Alexander Bah, Tomás Araújo, Clément Lenglet (73m – Manuel “Manu” Silva), Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Enzo Barrenechea (64m – Richard Ríos), Rafael “Rafa” Silva, Heorhiy Sudakov (64m – Andreas Schjelderup), Gianluca Prestianni (85m – Jakub Kamiński) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (64m – Jhon Durán)

Heart of MidlothianHeart of Midlothian – Beau Reus, Jordi Altena, Oisin McEntee, Stuart Findlay, Harry Milne (45m – Jamie McCart), Calvin Miller (73m – Joshua “Josh” McPake), Laurent Mendy (45m – Tom Renaud), Blair Spittal, Alexandros Kyziridis (86m – Sabah Kerjota), Pierre Landry Kaboré (64m – Sabri Guendouz) e Cláudio Braga

1-0 – Rafael “Rafa” Silva – 3m
2-0 – Tomás Araújo – 23m
3-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 42m
4-0 – Gianluca Prestianni – 59m
4-1 – Tom Renaud – 72m
5-1 – Jhon Durán – 87m
6-1 – Andreas Schjelderup (pen.) – 90m

Cartões amarelos – Gianluca Prestianni (33m) e Alexander Bah (79m); Mendy (41m), Blair Spittal (70m), Oisin McEntee (84m) e Cláudio Braga (89m)

Árbitro – Marian Barbu (Roménia)

Foi um bom jogo, com (vários) bons momentos. O Benfica foi competente, e, sobretudo, não se “acomodou”.

Isto dito, bem cedo ficou patente que esta equipa do Heart é ainda mais “fraquinha” que o St. Gallen, transmitindo a percepção de que, perante adversários deste nível, o Benfica está claramente “a mais” nestas pré-eliminatórias, dado que se trata de patamares bem distintos, a todos os níveis.

Marco Silva fez alinhar um “onze” com algumas alterações, uma delas algo imprevista, atribuindo a titularidade na baliza a Samuel Soares, sendo que Tomás Araújo e Pestianni se estrearam, após o regresso do Mundial.

Quando inaugurou o marcador, logo ao terceiro minuto – num lance em que Rafa apareceu liberto de oposição, à entrada da pequena área, a desviar para o fundo da baliza, dando sequência a um cruzamento atrasado de Leandro Barreiro –, já antes a turma benfiquista tinha criado uma outra eminente oportunidade de golo, por Prestianni.

Com uma entrada dominadora em campo, eram tais as facilidades, que se afigurava importante não perder o foco. Mas, após um ligeiro abaixamento de intensidade, entre os dez minutos e o quarto de hora, logo o Benfica voltou a ser como que um “rolo compressor”.

O 2-0 chegou, com naturalidade, a meio da primeira parte, com Tomás Araújo a saltar mais alto que todos os adversários, após cobrança de um pontapé de canto por Sudakov, a cabecear sem hipótese de defesa.

A contagem seria ampliada já próximo do intervalo, na conversão de uma grande penalidade. E o “placard” só não era mais expressivo devido a boas intervenções do guardião.

Ainda antes de completada a hora de jogo, o Benfica chegava ao quarto de golo, num remate de bela execução de Prestianni, a desviar a bola do alcance do guarda-redes, depois de ter começado por fazer uma boa recuperação de bola, quando o Hearts tentava sair do seu reduto defensivo.

O ritmo afrouxou um pouco, o que possibilitaria à formação escocesa apontar o seu “ponto de honra”, para além de uma ou outra ameaça.

O desfecho seria fixado com mais dois tentos para o Benfica, nos minutos finais, a resolver definitivamente a eliminatória.

Primeiro, Schjelderup, sobre o flanco esquerdo, a assistir Durán, também solto à entrada da área, que se estreou a marcar pelo Benfica; para, já em período de compensação – e depois de Rafa ter rematado ao poste –, ser o norueguês a converter a segunda grande penalidade do encontro, após contacto do defesa com o braço, a travar um remate do próprio Schjelderup.

Voltando ao início: o resultado não deixa qualquer margem para dúvidas sobre o esmagador domínio da equipa portuguesa, que joga muitas rotações acima do Heart, mesmo que não deva ser de molde a iludir sobre as melhorias de que o Benfica necessita ainda para equilibrar o seu jogo e aumentar a competitividade.

O agregado de 11-1, em dois desafios das competições europeias, no intervalo de apenas uma semana, é bem elucidativo das facilidades encontradas…

6 Agosto, 2026 at 9:52 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 2ª Pré-Eliminatória – Benfica – FC St. Gallen

BenficaBenfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah (77m – Amar Dedić), Clément Lenglet, António Silva, Samuel Dahl, Leandro Barreiro (66m – Richard Ríos), Enzo Barrenechea, Rafael “Rafa” Silva (75m – Dodi Lukébakio), Heorhiy Sudakov, Jakub Kamiński (75m – Andreas Schjelderup) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (77m – Jhon Durán)

FC St. GallenFC St. Gallen – Lukas Watkowiak, Tom Gaal (33m – Joel Ruiz), Jozo Stanić, Chima Okoroji, Hugo Vandermersch, Lukas Daschner, Carlo Boukhalfa (56m – Leon Frokaj), Lukas Görtler (71m – Corsin Konietzke), Mihailo Stevanović, Aliou Baldé (71m – Enoch Owusu) e Christian Witzig (56m – Andrin Hunziker)

1-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 11m
2-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 55m
3-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 66m
4-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 74m
5-0 – Clément Lenglet – 81m

Cartões amarelos – Jozo Stanić (21m) e Chima Okoroji (50m)

Cartão vermelho – Jozo Stanić (57m)

Árbitro – Florian Badstübner (Alemanha)

O desfecho deste encontro traduz apenas ilusórias facilidades, num jogo que o Benfica (naturalmente) venceu, mas sem convencer em pleno, com uma exibição falha de consistência, que foi de “menos a mais”, e a revelar ainda alguma falta de confiança.

Dispondo já de outras alternativas, face ao desafio da 1.ª mão, Marco Silva fez apenas duas alterações, no miolo, fazendo alinhar Leandro Barreiro e Enzo Barrenechea, nos lugares que haviam sido ocupados, na Suíça, por Manu e Miguel Figueiredo.

Porém, nos minutos iniciais, o que se voltou a ver foi, outra vez, uma equipa muito intranquila, denotando dificuldades em sair a jogar, com várias perdas de bola, que o St. Gallen tentava aproveitar para voltar a assustar e a ameaçar a baliza contrária.

Valeu, então, um crucial momento de inspiração, com Bah a fazer um rápido lançamento de linha lateral, para Rafa, que se desmarcara, efectuando uma boa assistência para Pavlídis, que, liberto de oposição, à entrada da área, rematou na passada, abrinco – estavam completados apenas os primeiros dez minutos – a sua magnífica contagem desta noite.

Ainda assim, a formação suíça dispôs de mais algumas ocasiões para poder igualar: logo depois, com Baldé a ver negado o golo por Trubin, e, de seguida, a procurar tirar partido de uma má saída do guarda-redes ucraniano, surgindo Lenglet a salvar; vindo ainda, mais tarde, a rematar ao poste.

Mas, talvez até mais que o tento inaugural, terá sido uma iniciativa de António Silva – a realizar o seu último jogo pelo Benfica, transferido para o Bournemouth – a despertar e fazer acreditar a sua equipa.

A turma portuguesa começava, finalmente, a empurrar o adversário para o seu reduto defensivo, e o perigo passou a rondar a baliza de Watkowiak. Não obstante algumas oportunidades criadas, o resultado não se alteraria até ao intervalo.

No recomeço, tal como sucedera na metade inicial, o Benfica voltou a marcar cedo, logo aos dez minutos. O guardião ainda começara por evitar o golo de Barreiro, fazendo a mancha, mas tal fora o aviso, para, logo de seguida, o segundo tento de Pavlídis, a culminar um bom lance de envolvência, abrindo a defesa contrária, colocando, pela primeira vez, a equipa portuguesa em vantagem na eliminatória.

Corajoso, como demonstrara já na Suíça, o treinador Enrico Maaßen operou, de imediato, duas substituições (após ter sido já forçado a uma alteração, por lesão, no primeiro tempo). Só que, desta feita, tal temeridade jogaria contra si, quando, apenas mais um minuto volvido, a sua equipa ficou reduzida a dez unidades, por expulsão do algo imprudente defesa central, Stanić, a travar, sobre a linha divisória de meio-campo, uma rápida transição.

A partir daí, com o St. Gallen descompensado, sem conseguir organizar-se dentro de campo, abrindo muitos espaços, surgiriam as facilidades que possibilitaram ao Benfica marcar, até final, de forma cadenciada, mais um golo a cada dez minutos, elevando o score para um pesado 5-0.

O terceiro tento teve origem em mais uma investida de Bah, na pequena área, numa jogada de insistência (só à terceira tentativa, in extremis, já sobre a linha de fundo!), a centrar atrasado, aparecendo o grego a cabecear.

Seguiu-se nova arrancada de António Silva, com um passe em profundidade para Ríos, travado em falta, sancionada com grande penalidade, o que proporcionou a Pavlídis completar um notável poker.

O placard seria fixado pelo defesa Lenglet, com boa antecipação, num remate de primeira, em posição difícil, a dar sequência a um cruzamento de Lukébakio, a partir do flanco esquerdo.

Como seria lógico esperar, o Benfica rectificou processos em relação ao que mostrara na Suíça, acabando, também mercê dos erros contrários, por dominar a partida, perante um oponente que deixou patenteadas as suas fragilidades.

Ainda que por números excessivos, o triunfo benfiquista, neste jogo, tal como na eliminatória (com um agregado de 6-2!), justifica-se pelo significativo desfasamento de argumentos entre os dois conjuntos.

A expectativa é que o consolidar dos princípios e ideias do treinador, assim como a confiança proporcionada pelas vitórias permita ir elevando o nível exibicional, já a partir da próxima ronda, num histórico reencontro – 66 anos depois – com os escoceses do Heart of Midlothian.

30 Julho, 2026 at 10:05 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 2ª Pré-Eliminatória – FC St. Gallen – Benfica

FC St. GallenFC St. Gallen – Lawrence Ati-Zigi, Tom Gaal, Jozo Stanić (90m – Joel Ruiz), Chima Okoroji, Hugo Vandermersch, Lukas Daschner, Carlo Boukhalfa (72m – Leon Frokaj), Lukas Görtler, Mihailo Stevanović, Aliou Baldé (72m – Diego Besio) e Christian Witzig (72m – Andrin Hunziker)

BenficaBenfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah, Clément Lenglet, António Silva, Samuel Dahl, Manuel “Manu” Silva (84m – João Rego), Miguel Figueiredo (66m – Enzo Barrenechea), Jakub Kamiński (66m – Tiago Gouveia), Heorhiy Sudakov, Rafael “Rafa” Silva e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (76m – Franjo Ivanović)

1-0 – Aliou Baldé – 37m
1-1 – Rafael “Rafa” Silva – 44m
2-1 – Tom Gaal – 80m

Cartões amarelos – Lukas Görtler (30m), Jozo Stanić (62m) e Tom Gaal (90m); Evangelos “Vangelis” Pavlídis (64m)

Árbitro – Luca Pairetto (Itália)

Foi mais uma derrota humilhante do Benfica em jogos das competições europeias – na senda da sofrida, na temporada anterior, ante o Qarabag –, frente a um adversário de “4.ª linha”, que, à parte tratar-se do clube mais antigo da Europa continental (fundado em 1879) não dispõe de outros pergaminhos notórios em termos de desempenho competitivo.

Mas, muito pior que o desfecho deste desafio, foi a forma como ele decorreu, com a modesta equipa suíça sempre em posição de controlo, a mostrar maior ambição e a superiorizar-se nas várias vertentes do jogo, justificando plenamente o histórico triunfo alcançado.

No primeiro encontro oficial da temporada, ao Benfica faltou tudo – e as ausências de meia dúzia de titulares, ainda em período de férias, na sequência do Mundial, não podem justificar tantas insuficiências –, denotando grandes dificuldades em termos físicos, de entrosamento, sem a intensidade necessário para um jogo “a doer”, sem, sequer, conseguir sair a jogar, forçado a recorrer a sucessivos lançamentos em profundidade, quase sempre mal sucedidos.

Com três estreias absolutas: Lenglet, a “substituir” Otamendi, o jovem Miguel Figueiredo (sagrado Campeão Mundial sub-17 no final do ano passado) e Jakub Kamiński, a equipa benfiquista pareceu estar numa fase ainda atrasada de assimilação de processos e das ideias do novo treinador, Marco Silva, tendo sido surpreendida pela forma desinibida e intensa com que o seu opositor enfrentou esta partida.

O St. Gallen desde cedo se mostrou mais “arrumado” dentro de campo, com a lição bem estudada, não só não deixando o Benfica construir o jogo, como, por seu lado, criando perigo nas suas investidas. Quando surgiu o tento inaugural, na parte final do primeiro tempo, o conjunto suíço criara já um par de situações embaraçosas, não sendo inesperado o golo.

Acusando o revés sofrido – na sequência de uma perda de bola –, a formação portuguesa desuniu-se e, logo depois, Baldé teve soberana ocasião para bisar, não fosse, nessa circunstância, a notável intervenção de Trubin, a salvar a sua baliza de maiores engulhos.

Pelo rumo que, já então, o jogo levava, foi quase que um lance de sorte, algo fortuito, o golo do empate, mesmo a findar a metade inicial, com Rafa, isolado frente ao guardião contrário, a dar a melhor sequência a uma boa solicitação de Pavlídis.

Apesar de o resultado ao intervalo ser bem simpático, face à exibição realizada, esperava-se, naturalmente, que o Benfica surgisse na segunda parte com outra atitude. Ao invés, as coisas não melhoraram, não tendo as alterações tentadas por Marco Silva resultado.

A equipa portuguesa nunca revelou capacidade para aproveitar as fraquezas que a turma suíça ia patenteando, nomeadamente a nível defensivo, vindo a ser castigada, a dez minutos do final da partida, com o golo da derrota, numa “bola parada”, em que o central Gaal beneficiou da enorme passividade da defesa contrária, cabeceando sem dificuldade, livre de oposição, para o fundo das redes.

A verdade é que o St. Gallen, e o seu treinador, com a tripla substituição operada aos 72 minutos, evidenciara maior vontade de procurar desfazer o empate a seu favor. E conseguiu-o.

Uma noite não para esquecer, mas para revisitar, de forma a procurar, com a maior urgência, rectificar erros.

Perante um adversário deste calibre, não passará pela cabeça de ninguém que o Benfica não supere, em casa, a eliminatória, mas, para tal, há muito trabalho a realizar, em curto período de tempo, entrando, por agora, em situação desvantajosa, que terá de inverter.

23 Julho, 2026 at 8:50 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar – Real Madrid – Benfica

Real MadridReal Madrid – Thibaut Courtois, Trent Alexander-Arnold, Antonio Rüdiger, Raúl Asencio (77m – Franco Mastantuono), Álvaro Carreras (90m – Francisco “Fran” García), Federico Valverde, Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga (77m – David Alaba), Arda Güler (84m – César Palacios), Gonzalo García (84m – Thiago Pitarch) e Vinícius Júnior

BenficaBenfica – Anatoliy Trubin, Amar Dedić, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Richard Ríos, Leandro Barreiro (90m – Sidny Lopes Cabral), Fredrik Aursnes (85m – Enzo Barrenechea), Rafael “Rafa” Silva, Andreas Schjelderup (85m – Franjo Ivanović) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis

0-1 – Rafael “Rafa” Silva – 14m
1-1 – Aurélien Tchouaméni – 16m
2-1 – Vinícius Júnior – 80m

Cartões amarelos – Raúl Asencio (57m) e César Palacios (90m); Richard Ríos (35m) e Nicolás Otamendi (51m)

Árbitro – Slavko Vinčić (Eslovénia)

Teria sido possível? Talvez.

Mas subsistirá a dúvida sobre se o Real Madrid não jogou mais (e melhor) porque não teve capacidade (arte e engenho) para tal, ou, também, porque disso não teve necessidade… Do Benfica ressalta, uma vez mais, a falta de eficácia, em flagrante contraponto com o adversário, denotando grande dificuldade em materializar em golo as oportunidades criadas.

Um pouco à semelhança do que se verificara no desafio da última ronda da “Fase de Liga”, no Estádio da Luz, o Benfica voltou a surpreender o Real Madrid, explorando as suas fragilidades defensivas. Foi a equipa portuguesa a assumir a iniciativa, desde início, bastante incentivada pelos seus adeptos (cerca de 4 milhares, que, praticamente ao longo dos noventa minutos, abafaram os espectadores locais), com a rapidez das alas benfiquistas a baralhar a estrutura organizacional contrária.

Como corolário dessa boa entrada em campo, estavam completados apenas os primeiros treze minutos quando Richard Ríos, a partir da zona central, solicitou a desmarcação de Pavlídis, em corrida no flanco direito, que – visando fazer a assistência para Rafa, que surgia no coração da área – fez um cruzamento tenso, tendo Asencio procurado interceptar a bola, mas de tal forma, que resultou como que num “remate à queima-roupa”, a obrigar Courtois a uma defesa in extremis, para evitar o auto-golo; o esférico ressaltou para Rafa, que, não sem dificuldade, a dois tempos, depois de procurar dominar de primeira, só à segunda tentativa conseguiu empurrar a bola para o fundo das redes.

Algo inesperadamente o Benfica colocava-se em vantagem, igualando a eliminatória. Poderá também especular-se sobre qual o rumo que o jogo teria tido não tivesse sucedido o que veio a ocorrer logo de seguida: volvidos apenas dois minutos, um centro atrasado de Valverde apanhou Tchouaméni completamente liberto (Ríos não foi suficientemente lesto), que, de primeira, rematou rasteiro, muito colocado, sem hipótese para Trubin. Foi o golo de estreia do francês nesta temporada, ao fim de 35 jogos pelo Real Madrid…

Com o empate restabelecido, o jogo como que desaceleraria, com o Benfica a acusar o toque, do golo sofrido, a quebrar o ânimo que, de modo tão efémero, ganhara. Não obstante, recuperando desse embate, logrando reagir positivamente, teria nova ocasião para marcar, já próximo do intervalo, num bom remate de Richard Ríos, a que o guardião dos merengues respondeu com uma excelente intervenção, a negar o que poderia ter sido o segundo tento da formação portuguesa. Ainda assim, e tal como sucedera na Luz, os últimos minutos da primeira parte foram de alguma aflição para a defesa benfiquista.

O ritmo e intensidade foram bastante mais moderados no segundo tempo, outra vez com as duas equipas a parecer mais apostadas em jogar pelo seguro, o que, a partir de certa altura, se começou também a conjugar com a menor frescura física do meio-campo e sector ofensivo da turma encarnada. Parecia como que um “jogo do gato e do rato”, a procurar abrir espaços nas costas das defesas, tentando explorar a velocidade de Vinícius, por um lado, e de Schjelderup, por outro – a colocar, ora Dedić, ora Trent Alexander-Arnold, em apuros.

O tempo ia correndo a favor do Real Madrid, mesmo que o resultado fosse bastante perigoso. Sinal claro disso mesmo seria o remate de trivela de Rafa, que só não resultou num bis, porque, tendo a bola desviado ainda num defesa contrário, embateria com estrondo na trave, num lance que Courtois não teve possibilidade de deter. Foi como que o “canto do cisne” da parte do Benfica.

Álvaro Arbeloa, adoptando uma estratégia de risco mínimo, reforçou a defesa (com a entrada de Alaba). E, paradoxalmente ou não, acabaria premiado: outra vez Valverde, com notável assistência, a lançar Vinícius, isolado pelo lado esquerdo, internando-se, até rematar cruzado, sem oposição, e sem que Trubin pudesse evitar a inapelável trajectória da bola para a baliza.

As substituições operadas por João Tralhão (com Mourinho a ver o jogo no autocarro do Benfica, tendo abdicado de assistir in loco, no camarote que lhe fora destinado pela Direcção do Real Madrid) foram efectuadas demasiado tarde, numa fase em que o desfecho da eliminatória tinha sido já definitivamente sentenciado. Arbeloa refrescara também, entretanto, o seu ataque, mas o expediente estava já encerrado.

As “vitórias morais” há muito ficaram para trás, mas é inegável que o Benfica “caiu de pé”, oferecendo forte réplica – fazendo o Real sofrer mais do que esperaria –, tendo mantido a incerteza sobre o desfecho da eliminatória até aos 170 minutos, do total de 180 das duas mãos.

Fraca consolação, para uma campanha sofrível, com um apuramento miraculoso na “Fase de Liga”, mas que – pese embora o ímpar estatuto do adversário que lhe calhou em sorte neste play-off – não deixa de “saber a pouco”.

25 Fevereiro, 2026 at 11:00 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – “Play-off” intercalar – Benfica – Real Madrid

BenficaBenfica – Anatoliy Trubin, Amar Dedić, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Fredrik Aursnes (80m – Sidny Lopes Cabral), Gianluca Prestianni (81m – Dodi Lukébakio), Rafael “Rafa” Silva (74m – Richard Ríos), Andreas Schjelderup (74m – Heorhiy Sudakov) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis

Real MadridReal Madrid – Thibaut Courtois, Trent Alexander-Arnold, Antonio Rüdiger, Dean Huijsen, Álvaro Carreras (90+9m – Daniel “Dani” Carvajal), Federico Valverde, Arda Güler (86m – Brahim Díaz), Aurélien Tchouaméni, Eduardo Camavinga (90+4m – Thiago Pitarch), Kylian Mbappé e Vinícius Júnior

0-1 – Vinícius Júnior – 50m

Cartões amarelos – Gianluca Prestianni (78m), José Mourinho (85m – Treinador) e Heorhiy Sudakov (90+2m); Vinícius Júnior (51m) e Kylian Mbappé (87m)

Cartão vermelho – José Mourinho (85m – Treinador)

Árbitro – François Letexier (França)

É bem mais difícil escrever sobre este jogo do que sobre o de há três semanas. E não por causa da derrota. Mas, fundamentalmente, pela forma como o que deveria ser um dia de festa foi estragado, transformando-se numa triste noite, não só para o futebol e o desporto, mas em termos da sociedade em geral.

Procurando arrumar, desde já, o que acabou por se tornar numa mancha que se deixou alastrar, provocando – por via do inaceitável comportamento de um seu jogador, e de uma gestão de comunicação de crise absolutamente desastrosa, lesiva da imagem e da história do clube – gravíssimos danos reputacionais ao Benfica, no preciso momento em que está sob os holofotes globais, atendendo também à projecção do adversário em causa, apenas o clube mais emblemático a nível mundial: o que o Benfica (a sua Direcção) deveria ter feito, de imediato, era simples e básico: repudiar veementemente (passe o pleonasmo) qualquer forma de racismo; e proceder à abertura de processo interno de inquérito.

Sabemos, todos, que o problema – seja de racismo, seja de homofobia – está incrustado na sociedade, mesmo que possa parecer dormente. O que, naturalmente, não obsta a que sejam de evitar generalizações (“Os benfiquistas são racistas”) ou unanimismos (“Prestianni devia ser irradiado”) perigosos, sem respeito, sequer, pelo básico princípio da presunção de inocência.

Mas a mensagem tem de ser clara: não pode haver contemplações. Na sociedade, no Mundo, e no tempo em que vivemos, não é mais admissível qualquer tipo de menorização, ou sequer, discriminação social, em função de características físicas de um qualquer indivíduo.

Sobre o jogo: evidentemente, não há dois jogos iguais. O contexto era diferente, o foco dos jogadores era distinto. O rumo que os acontecimentos levaram acabou por escapar ao controlo (ao que poderia ser expectável) de todos.

Esta partida acabou por incorporar três partes bem diferenciadas: uma, nos primeiros vinte cinco a trinta minutos, com toada repartida; outra, até aos 50 minutos, em que o Real Madrid, colocando grande aceleração, encostou o Benfica “às cordas”; e uma, final, após a interrupção que se seguiu ao golo da equipa espanhola, em que ninguém parecia estar já “com cabeça” para prosseguir o jogo.

O facto de se tratar de uma fase a eliminar, a duas mãos, gera, instintivamente, um sentido de auto-preservação, de contenção do risco, dando prioridade à segurança do sector defensivo, com escassas oportunidades de golo. Na meia hora inicial, regista-se um lance de maior perigo para cada lado: primeiro, por Vinícius, a rematar ao lado; de seguida, Aursnes, com um pontapé de meia-distância, a solicitar boa intervenção de Courtois.

O Real Madrid colocaria então, grande intensidade, em pressão alta, não deixando o adversário respirar; à beira do intervalo adivinhou-se o golo, por mais de uma ocasião: primeiro numa rápida investida de Alexander-Arnold, a assistir Mbappé, que, porém, não chegou à bola; pouco depois, de novo o francês, com um potente remate; Trubin, chamado a trabalho de elevado grau de dificuldade, foi, então, crucial, para manter as suas redes a zeros.

As coisas não se alterariam substancialmente no recomeço, com o Real praticamente a entrar a ganhar, num “golo de bandeira” de Vinícius, a desferir um tiro, em arco, indefensável, a colocar a bola no vértice da baliza.

O jogo acabou nesse momento. O avançado brasileiro, de forma necessariamente admissível, foi celebrar o golo com uma dança, bamboleando-se junto à bandeirola de canto, o que – num ambiente efervescente – provocou exacerbada reacção adversa na bancada, com inaceitáveis arremesso de objectos e insultos de cariz racista. Também menos razoável se tornaria, então, a repetição da provocação (depois de se ter afastado, voltaria a essa zona), já depois de alerta do árbitro, o que levou mesmo a que Vinícius fosse admoestado com cartão amarelo. O argentino Prestianni seria, logo nesse momento, o primeiro a insurgir-se – também de forma excessiva – com a atitude do jogador contrário, tendo-se instalado a confusão entre os vários intervenientes, de um lado e de outro, em pleno relvado.

Os ânimos pareciam ter, de alguma forma serenado, dentro de campo, quando – no instante em que se preparava o pontapé de recomeço, no círculo central – Vinícius terá dirigido impropérios (“cagón de mierda”, terá dito) a Prestianni, o qual, tapando a boca com a camisola, o interpelou novamente. Acto súbito, o brasileiro desatou a correr desenfreadamente para a linha lateral, queixando-se que o argentino lhe teria dirigido insultos racistas, e manifestando a sua intenção de abandonar o campo (tendo, por seu lado, Prestianni alegado que não lhe terá chamado “mono”/”macaco”, mas “maricón”). O árbitro, de imediato, suspendeu o jogo, que assim se manteve interrompido durante mais de dez minutos, numa fase, de novo, de mau comportamento de parte dos adeptos.

No entretanto, Mourinho, falando com Vinícius, procurou convencê-lo a retomar a partida, também com Mbappé a mostrar-se muito activo, na defesa do seu colega de equipa. O jogo acabaria mesmo por ser reatado, mas estava indelevelmente contaminado pelo que sucedera, como que relegado para plano secundário.

Até final, cada vez que Vinícius – algo comprometido, como que a jogar a medo – tocava na bola, era sonoramente apupado. Perante o sucedido, o Benfica terá pouca moral para reclamar, mas parece claro que, tal como sucedera no desafio anterior, o Real Madrid deveria ter terminado reduzido a nove elementos: Valverde (mesmo que inadvertidamente) deu um soco na cara de Dahl e o próprio Vinícius deveria ter visto segundo cartão amarelo, por falta mais intensa.

Para acabar em maré negativa, seria, ao invés, Mourinho a ser expulso (o que o afasta do Bernabéu), por ter reclamado do facto de o árbitro ter também poupado cartões amarelos a Carreras e a Tchouaméni – que, caso lhes tivessem sido exibidos, teriam ficado fora do encontro da 2.ª mão, em Madrid.

Em suma, desde os 50 minutos, futebol houve muito pouco. Prejudicados foram todos, mas, principalmente (por responsabilidades próprias, de jogadores, treinador, adeptos e Direcção), a instituição Benfica.

17 Fevereiro, 2026 at 11:03 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 8ª Jornada – Benfica – Real Madrid

BenficaBenfica – Anatoliy Trubin, Amar Dedić, Tomás Araújo, Nicolás Otamendi, Samuel Dahl, Leandro Barreiro, Fredrik Aursnes, Gianluca Prestianni (87m – João Rego), Heorhiy Sudakov (83m – Enzo Barrenechea), Andreas Schjelderup (90+3m – António Silva) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (90+3m – Franjo Ivanović)

Real MadridReal Madrid – Thibaut Courtois, Federico Valverde, Raúl Asencio, Dean Huijsen (79m – David Alaba), Álvaro Carreras (79m – Brahim Díaz), Arda Güler (79m – Jorge Cestero), Aurélien Tchouaméni (55m – Eduardo Camavinga), Jude Bellingham, Franco Mastantuono (55m – Rodrygo de Goes), Vinícius Júnior e Kylian Mbappé

0-1 – Kylian Mbappé – 30m
1-1 – Andreas Schjelderup – 36m
2-1 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 45m
3-1 – Andreas Schjelderup – 54m
3-2 – Kylian Mbappé – 58m
4-2 – Anatoliy Trubin – 90+8m

Cartões amarelos – Leandro Barreiro (11m) e Samuel Dahl (85m); Aurélien Tchouaméni (3m), Raúl Asencio (45m), Dean Huijsen (62m), Álvaro Carreras (67m) e Rodrygo de Goes (90+6m)

Cartões vermelhos – Raúl Asencio (90+2m) e Rodrygo de Goes (90+7m)

Árbitro – Davide Massa (Itália)

Ou a prova provada que, por vezes, os milagres acontecem mesmo!

Analisada a tabela classificativa à entrada para a última jornada desta fase, assim como o alinhamento de jogos para esta noite decisiva, sabia-se que o Benfica – partindo no 29.º lugar – necessitaria de, pelo menos, ultrapassar cinco concorrentes (e esperando não ser ultrapassado, na diferença de golos, pelo… Pafos – 30.º). Tarefa impossível?

Bem, vistas as coisas, havia várias conjugações possíveis de resultados que poderiam beneficiar as pretensões benfiquistas; o mais difícil parecia mesmo o requisito indispensável de ter de derrotar o “todo poderoso” Real Madrid (que, à entrada para este jogo, era 3.º classificado)…

De facto, para além do seu próprio desafio, a equipa portuguesa necessitaria de um mínimo de cinco desfechos favoráveis em nove das outras contendas da ronda, cujo grau de probabilidade se poderia, em teoria, ordenar assim:

(i) O FC Copenhaga (26.º) não ganhar em Barcelona;
(ii) O Bodø/Glimt (28.º) não ganhar, em Madrid, ao At. Madrid;
(iii) O Olympiacos (24.º) não ganhar, em Amesterdão, ao Ajax;
(iv) O Napoli (25.º) não ganhar ao Chelsea;
(v) O Club Brugge (27.º) não ganhar ao O. Marseille;
(vi) O Athletic Bilbao (23.º) não ganhar ao Sporting;
(vii) O PSV Eindhoven (22.º) perder, em casa, com o Bayern;
(viii) O Monaco (21.º) perder, em casa, com a Juventus; e
(ix) O Bayer Leverkusen (20.º) perder, em casa, com o Villarreal.

***

Deixando de parte esses considerandos, um Benfica corajoso e ambicioso, realizaria uma notável exibição, na linha da conseguida na recepção ao Napoli, em Dezembro passado, determinado em poder alcançar a vitória que lhe era imprescindível.

Impondo, desde início, um ritmo forte e grande dinâmica, beneficiando das debilidades defensivas do Real Madrid, a formação benfiquista só por grande falta de eficácia chegou ao intervalo (apenas) com a vantagem mínima (resultado que, aliás, perante tanto desperdício, poderia ter sido ainda bem mais penalizador).

A aposta de Mourinho em Prestianni e Schjelderup nas alas revelou-se vencedora, com a velocidade dos extremos a colocar a “cabeça em água” aos defesas contrários, que nunca conseguiram encontrar antídoto para travar as múltiplas investidas benfiquistas: reflexo disso, os extraordinários registos atingidos a nível das principais estatísticas, com um total de 22 remates, dos quais 12 à baliza e, nada menos, de sete grandes oportunidades de golo!

O primeiro momento de frisson ocorreu logo aos sete minutos, num alívio de Carreras, com a bola a esbarrar em Tomás Araújo e a sair muito próximo do poste. À passagem do quarto de hora, no mesmo minuto, “reclamou-se” penalty por duas vezes, tendo o árbitro assinalado mesmo a segunda delas, a qual, contudo, seria revertida pelo “VAR”. Mais seis minutos volvidos seria Courtois, com uma soberba intervenção, a negar o golo a Prestianni, num remate em arco. No canto, Aursnes, na cara do guarda-redes, rematou à figura.

Mas as coisas podiam ter corrido mesmo mal: a par da aparente inépcia na finalização, o Benfica viria a ver-se em desvantagem no marcador, à passagem da meia hora, numa das primeiras vezes em que a turma espanhola chegara à área contrária, num cabeceamento de Mbappé.

Inevitavelmente, acusando o tento sofrido, a equipa de alguma forma como que se descompôs, valendo, pouco depois, um voo de Trubin para evitar o que teria sido o segundo golo dos “merengues”, que, a acontecer, significaria o xeque-mate nas aspirações do clube português.

Não obstante, os astros começariam a alinhar-se: no minuto imediato, a culminar rápido contra-ataque, Schjelderup, com boa execução, também de cabeça, restabelecia a igualdade.

E o Benfica só não marcou de novo, outra vez devido a ter pecado incrivelmente na finalização: Schjelderup, com a “baliza aberta”, rematou contra Valverde; no canto, Barreiro não conseguiu cabecear para o fundo da baliza, com a bola a tocar na parte exterior das redes; e, pouco depois, Dedić, a optar pelo remate, em vez de assistir Pavlídis, em posição ideal para poder marcar.

Mas a avalancha ofensiva do Benfica era de tal modo insistente, qual “rolo compressor”, que o golo acabaria mesmo por chegar, mesmo à beira do descanso, na conversão de uma grande penalidade, a sancionar contacto (“agarrão”) de Tchouaméni sobre Otamendi.

***

Pausa, então, para fazer o ponto de situação, em função dos resultados que se verificavam nos outros Estádios no final da primeira parte: o Benfica subira ligeiramente na pauta, ao 27.º posto, tendo ultrapassado o Bodø/Glimt (empatado a um em Madrid) e o Olympiacos (com o jogo ainda a zeros em Amesterdão). Era curto para as aspirações portuguesas, mas faltava ainda uma agitada segunda metade…

***

No recomeço, depois do “puxão de orelhas” que se pode imaginar ter acontecido no balneário, o Real Madrid procurou entrar com outra atitude, forçando o Benfica a superar-se, e ir em busca do seu melhor nível, quer em acções atacantes, como, principalmente, nessa fase, para procurar controlar a sempre temível dupla Vinícius e Mbappé.

Não estavam ainda decorridos dez minutos da etapa complementar quando Schjelderup, numa das suas mais conseguidas exibições, ampliava o “placard” para 3-1, num remate colocado. O Benfica estava “nas nuvens”.

Mas este conforto de uma margem de dois golos seria “sol de (muito) pouca dura” (aliás, numa noite de chuva inclemente, efeito da tempestade Kristin, que, durante a madrugada, com ventos ciclónicos, devastara a região Centro do País).

Volvidos somente quatro minutos, Mbappé, outra vez, também ele a bisar, reduzia de novo para a diferença mínima e lançava a dúvida, fazendo crescer a incerteza.

A partir daí, ainda com meia hora por jogar – e pese embora Sudakov ter tido ainda um perigoso remate, rente ao poste -, o cariz da partida começaria a alterar-se substancialmente: ao Benfica começava a faltar o fôlego para manter o ritmo, enquanto o Real parecia poder tornar-se mais ameaçador, com duas atentas defesas de Trubin (aos 77 e 78 minutos).

Mesmo que apenas no subconsciente, gradualmente iria ganhando força a ideia de, prioritariamente, procurar preservar a tão preciosa vantagem. Na cabeça de todos passou a estar o pensamento na evolução dos resultados dos outros encontros…

***

A meio da segunda parte o Benfica subira ao 25.º lugar: fora novamente ultrapassado pelo Bodø/Glimt – que de, forma sensacional, operara a reviravolta em Madrid, e ganhava por 2-1 ao Atlético – e pelo Olympiacos, que marcara em Amesterdão; mas ultrapassara, entretanto, o PSV (a perder 0-1 com o Bayern), Athletic Bilbao (que ia empatando, a dois golos, com o Sporting), Napoli (também igualado a duas bolas, com o Chelsea) e o FC Copenhaga (já a perder por 2-1 em Barcelona, depois de até ter começado por inaugurar o marcador).

Nessa altura, para se apurar, a turma da Luz estaria dependente, nomeadamente, de um golo do Ajax (frente ao Olympiacos) ou do At. Madrid (com o Bodo/Glimt).

Até que, às 21h28 (69 minutos de jogo em Amesterdão), o Ajax empatava frente ao Olympiacos, e o Benfica ascendia, pela primeira vez, a posição de apuramento (24.º posto)!

O momento de alegria não perduraria muito, uma vez mais. Nove minutos decorridos, o PSV empatava com o Bayern, relegando o Benfica, de novo, para a 25.ª posição.

Até final, nos últimos doze minutos de jogo em cada campo, haveria ainda mais dez golos; cinco deles sem influência prática nestas contas, da qualificação: o 4-1 no Barcelona-Copenhaga; o 6-0 no Liverpool-Qarabağ; o 2-3 apontado pelo Chelsea em Nápoles; e o 3-1 e 4-1 do Pafos ante o Slavia de Praga – até acabarem todos os outros prélios (antes do termo do da Luz), ficara a faltar um golo ao Pafos…

Numa empolgante “noite louca” do futebol europeu – como, porventura, nunca antes se terá vivido a nível das competições da UEFA -, vejamos então o impacto dos restantes (cinco) golos finais:

  • Às 21h39 (79m), o Olympiacos fazia o 2-1 em Amesterdão, empurrando o Benfica ainda um degrau mais para baixo (26.º);
  • Em paralelo, o Club Brugge ampliava para 3-0 a contagem frente ao O. Marseille – um golo que, nessa altura, mantinha tudo inalterado, mas que acabaria por vir a revelar-se absolutamente determinante;
  • Às 21h43 (84m), o Bayern recolocava-se em vantagem (2-1) em Eindhoven; o Benfica ultrapassava assim o PSV, subindo outra vez à 25.ª posição. Para se apurar bastaria um golo do At. Madrid ou da Juventus (no Mónaco)… como serviria também mais um golo do Brugge ante o Marseille (na verdade, o que, a partir daquele preciso instante, e no decurso de quase vinte longos minutos, passaria a faltar – circunstância para a qual só bastante “fora de horas” se veio a despertar –, era, simplesmente, um golo adicional do Benfica);
  • Às 21h54 (94m), também mesmo a findar, o Sporting chegava ao 3-2 em Bilbau, garantindo um fantástico apuramento directo para os 1/8 de final (a par de cinco clubes ingleses, do Bayern e do Barcelona; e, inclusivamente, terminando classificado à frente do Manchester City – e, por coincidência, em detrimento, precisamente, do Real Madrid, assim relegado para um indesejado 9.º lugar)!

Às 21h57, já praticamente todos os jogos tinham chegado ao fim… excepto em Madrid e na Luz. Nesse exacto minuto, tinha-se tornado evidente só restarem duas hipóteses: marcar o At. Madrid… ou o Benfica.

***

Regressemos ao Estádio da Luz: o Benfica evidenciava, há largos minutos, falta de frescura, em aparente contraponto com o Real Madrid, mesmo que, a espaços – nomeadamente num desvio de Barreiro na pequena área, com mais uma grande defesa de Courtois (84 minutos) – procurasse ainda levar perigo ao sector recuado contrário.

José Mourinho transmitira já sinais inequívocos, fazendo entrar Barrenechea para trancar o resultado; até que, chegado o minuto 90+3 (o árbitro concedera cinco minutos de tempo de compensação), faria as últimas substituições, reforçando ainda mais a aposta na defesa do 3-2, em especial com a entrada de António Silva, por troca com Schjelderup, numa clara manobra de “marcha atrás”.

Só que o Real Madrid, com os seus jogadores, estranhamente, de “cabeça perdida”, cometeriam, então, uma espécie de “hara-kiri”, com duas expulsões (aos 92 e aos 97 minutos – no caso de Rodrygo, com duplo amarelo, num minuto, por se ter excedido nos protestos), que se viriam a revelar também cruciais no sublime lance derradeiro.

***

Às 21h58 – em paralelo com as últimas substituições de Mourinho – terminava o encontro em Madrid, com uma muito imprevista vitória da turma norueguesa. O Benfica estava por sua (única) conta: precisava (mesmo) de marcar mais um golo, para ultrapassar o Marseille!

***

Estavam quase esgotados os cinco minutos que Davide Massa concedera. E, breves segundos antes do excelso final, Trubin, após recolher uma bola que se escapara aos adversários, arrojava-se ao relvado, a “queimar tempo”.

Até que, vindo da bancada, um tonitruante clamor colectivo alertou todos (quer o treinador, quer os jogadores admitiram que não se tinham conseguido aperceber da necessidade de marcar esse tal golo suplementar), pedindo em uníssono, à moda antiga: “só mais um!”.

Ao minuto 97 (portanto, já nos “descontos dos descontos”), com o Real Madrid reduzido a nove elementos, surge um livre a favor do Benfica na zona intermediária; Aursnes, com um cruzamento teleguiado, leva a bola direitinha para a zona da entrada da área, em que o guarda-redes benfiquista – enfim incentivado pelo seu treinador a subir à área adversária – antecipando-se a todos, apareceu a cabecear, com um gesto técnico cheio de intenção, para o fundo da baliza de Courtois.

Eram 22h02, o Benfica ampliava o marcador para 4-2… e garantia, literalmente no último segundo (o árbitro apitaria de imediato), o apuramento para o play-off da Liga dos Campeões!

Foi o delírio dentro e fora de campo!

Após os 5-3 da Final da Taça dos Campeões Europeus de 1962 e dos 5-1 de 1965, em mais uma noite de magia, o Benfica voltava – pela terceira vez em quatro confrontos entre ambos – a golear o mais poderoso clube do planeta, detentor do maior palmarés a nível global (15 vezes Campeão Europeu e 9 vezes Campeão Mundial), Real Madrid!

***

Afinal, nos outros nove jogos que interessavam ao Benfica, apenas tinham acabado por se verificar quatro (dos cinco) resultados de que necessitaria (os das alíneas (i), (iv), (vi) e (vii) dos “considerandos” iniciais). Falhou ao emblema português, fundamentalmente, o At. Madrid (derrotado, contra todas as expectativas, no seu próprio reduto, pelo Bodo/Glimt)…

O Benfica consumara a ultrapassagem de: (i) Marseille (que, à partida, era 19.º – equipa melhor posicionada de entre as que tinham 9 pontos à entrada para esta última jornada –, e que, para além do diferencial de 3 pontos, dispunha de vantagem de 4 golos na diferença geral de golos, motivo pelo qual terá estado fora das cogitações, até tão tarde, a possibilidade de vir a ser superada… e terminar mesmo por ser eliminada), assim como (ii) do PSV (que era 22.º), (iii) Athletic Bilbao (23.º), (iv) Napoli (25.º) e (v) FC Copenhaga (26.º).

Acabou, assim, in extremis, por não ser necessário ultrapassar os anteriores 27.º (Club Brugge) e 28.º classificados (Bodo/Glimt) – que concluíram a prova, respectivamente, no 19.º e no 23.º lugar –, nem o Olympiacos (que, neste último dia, subiu de 24.º a 18.º).

***

A esta hora, a imagem do épico golo de Anatoliy Trubin (que foi, justamente, felicitado pelo próprio Thibaut Courtois) continua, incessantemente, a correr Mundo…

28 Janeiro, 2026 at 11:05 pm Deixe um comentário

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Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

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