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Liga dos Campeões – 1/4 final (2.ª mão) – Liverpool – Benfica

LiverpoolLiverpool – Alisson Becker, Joseph “Joe” Gomez, Ibrahima Konaté, Joël Matip, Konstantinos “Kostas” Tsimikas, Naby Keïta, James Milner (57m – Thiago Alcântara), Jordan Henderson (57m – Fábio Tavares “Fabinho”), Diogo José “Jota” (57m – Mohamed Salah), Luis Díaz (66m – Sadio Mané) e Roberto Firmino (90m – Divock Origi)

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Gil Dias), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Everton Soares (90m – André Almeida), Julian Weigl, Adel Taarabt (66m – João Mário), Diogo Gonçalves (45m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos (78m – Paulo Bernardo) e Darwin Núñez

1-0 – Ibrahima Konaté – 21m
1-1 – Gonçalo Ramos – 32m
2-1 – Roberto Firmino – 55m
3-1 – Roberto Firmino – 65m
3-2 – Roman Yaremchuk – 73m
3-3 – Darwin Núñez – 82m

Cartões amarelos – Não houve

Árbitro – Serdar Gözübüyük (Países Baixos)

Como seria expectável confirmou-se o final da campanha do Benfica na presente edição da “Liga dos Campeões”. Mas, também como aqui escrevera na semana passada, o Benfica saiu da competição de “cabeça erguida”. Mais, surpreendeu até, impondo um empate (a três golos!) em Anfield Road, ante o poderosíssimo Liverpool.

Devido a falhas próprias (outra vez a sofrer golos de lances de “bola parada”, denotando fragilidades defensivas) a equipa portuguesa nunca conseguiu, efectivamente, reentrar na eliminatória. Mas tal até poderia ter acontecido, não fosse a sensacional defesa de Alisson, ao que teria sido o 4-3 para o Benfica, já perto do minuto 90. Um golo que, a ter ocorrido, poderia ter ainda lançado dúvida substancial no espírito dos jogadores da casa…

Sendo que, para além dos três tentos – e do tal lance do hipotético “4-3” – a turma benfiquista viu ainda invalidados outros dois “golos”, o que demonstra bem a personalidade com que enfrentou o adversário.

É, igualmente, verdade que o Liverpool, depois de ter consentido o empate a um, tratou de “fechar” outra vez a eliminatória, com o bis de Roberto Firmino, e que, a partir daí, voltou a “descansar” sobre a vantagem de que dispunha, em gestão para novo embate com o Manchester City, para as meias-finais da Taça de Inglaterra (numa lógica de activa “rotação” do plantel, Klopp fizera alinhar, logo de início, apenas quatro dos jogadores que tinham começado o desafio no Estádio da Luz: o guarda-redes Alisson Becker, Konaté, Keïta e Luis Díaz).

Pois, seria precisamente o defesa central, Konaté, na sequência de um canto, a inaugurar outra vez o marcador, tal como sucedera na Luz, e, praticamente na mesma fase, ainda na metade inicial do primeiro tempo. Isto, depois de Everton ter criado perigo junto da baliza contrária, logo aos 13 minutos… mas, também, de Vlachodimos ter já “dito presente”, a “adiar” a chegada do primeiro golo do Liverpool.

Reagindo bem, privilegiando as transições rápidas – quase de imediato Darwin, depois de “picar” a bola sobre Alisson, veria o primeiro lance de golo invalidado pela arbitragem –, apenas cerca de dez minutos volvidos após o tento sofrido, Gonçalo Ramos restabeleceria mesmo a igualdade, dando o melhor aproveitamento, sem vacilar, a um ressalto de bola, que o deixara isolado.

Até final da primeira parte, perdura ainda a imagem do sensacional desarme de Grimaldo, antecipando-se a Luis Díaz, a “tirar o pão da boca” ao colombiano, que se aprestava para visar a baliza.

No recomeço Nélson Veríssimo apostou na entrada de Yaremchuk (por troca com Diogo Gonçalves, que “substituira” o lesionado Rafa), procurando reforçar o sector ofensivo. Porém, uma dupla falha, de Vlachodimos e Vertonghen, possibilitou a Firmino recolocar a sua equipa em vantagem, apenas com dez minutos decorridos. E, mais outros dez minutos passados, o brasileiro, não enjeitando as “facilidades”, bisava.

Klopp fizera já entrar em jogo Thiago Alcântara, Fabinho e Salah, a que se juntaria ainda, de imediato após o 3-1, Sadio Mané – alterações a fazer recear que o “placard” pudesse continuar a subir, a favor do Liverpool.

Mas, nessa altura, já a equipa inglesa “desligara os motores”, e o Benfica não se faria também rogado, aproveitando o espaço livre nas costas do sector recuado do adversário, para reequilibrar a contenda. O ucraniano isolar-se-ia, desviando-se de Alisson, para reduzir para 2-3.

E, numa jogada com semelhanças, Darwin voltaria também a marcar ao Liverpool (depois de ter já bisado, nesta edição da prova, ante o Barcelona, e de ter marcado igualmente frente ao Bayern e ao Ajax), restabelecendo o empate a 3-3! (Por curiosidade, ambos os golos começaram por ser sancionados com “fora-de-jogo” por parte do árbitro assistente, vindo a ser validados por via da análise do “VAR”).

Faltavam jogar oito minutos mais o tempo de compensação e o jogo estava “partido”, com desequilíbrios defensivos de um lado e de outro. Mas a tal ocasião soberana para o 4-3, a favor do Benfica, surgiria já tarde, e, pior, sairia gorada, pela soberba intervenção de Alisson. E, por seu lado, também Mané, em posição irregular, teria um “golo” não validado.

O desafio chegava ao fim. O Liverpool “respirava fundo”, perante uma evolução inesperada dos contornos do jogo, nos derradeiros vinte minutos, protagonizada por um Benfica corajoso, a mostrar grande carácter, na melhor das suas exibições nesta fase a eliminar.

Uma “missão impossível” que esteve “a um passo” de poder vir a tornar-se “possível” (pelo menos, o forçar do prolongamento), mesmo que se tenha em consideração que tal foi, em larga medida, “concedido” pelo Liverpool, muito confiado na vantagem que alcançara já. Mas, em paralelo, a confirmação de que o acreditar é uma força motriz determinante.

Os (mais de quatro mil) adeptos, satisfeitos com a exibição e atitude demonstrada, envoltos no “espírito de Anfield”, “vitoriariam” demoradamente a equipa, que teria inclusivamente de voltar ao relvado, já depois de ter começado por recolher às cabinas.

13 Abril, 2022 at 9:54 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 1/4 final (1.ª mão) – Benfica – Liverpool

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva, Julian Weigl, Adel Taarabt (70m – Soualiho Meïté), Everton Soares (82m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos (86m – João Mário) e Darwin Núñez

LiverpoolLiverpool – Alisson Becker, Trent Alexander-Arnold (89m – Joseph “Joe” Gomez), Ibrahima Konaté, Virgil Van Dijk, Andrew “Andy” Robertson, Naby Keïta (89m – James Milner), Fábio Tavares “Fabinho”, Thiago Alcântara (61m – Jordan Henderson), Mohamed Salah (61m – Diogo José “Jota”), Luis Díaz e Sadio Mané (61m – Roberto Firmino)

0-1 – Ibrahima Konaté – 17m
0-2 – Sadio Mané – 34m
1-2 – Darwin Núñez – 49m
1-3 – Luis Díaz – 87m

Cartões amarelos – Adel Taarabt (63m); Thiago Alcântara (58m)

Árbitro – Jesús Gil Manzano (Espanha)

Foi “pena” o golo sofrido já à beira do fim… o 1-2 permitiria ainda levar a eliminatória “viva” para Liverpool. Mas, efectivamente, o resultado poderia ter sido bastante mais gravoso para o Benfica, e, logo, na metade inicial do jogo.

As equipas portuguesas têm vindo, sucessivamente, a demonstrar, perante este tipo de adversários do mais alto gabarito (veja-se os casos de jogos do FC Porto, Sporting e Benfica, frente a Liverpool, Manchester City e Bayern – hoje por hoje, as melhores equipas do Mundo), enorme dificuldade em delinear uma abordagem que possa ser consentânea / minimamente adaptada face às necessidades, atendendo à exigência a nível competitivo e de intensidade que tais rivais impõem: “jogar o jogo pelo jogo” seria assumir uma espécie de “hara-kiri”; acantonar-se à defesa, não tem proporcionado muito melhores resultados.

Ainda assim, uma coisa é jogar à defesa – como o Benfica fez em Amesterdão – frente a um opositor do nível do Ajax, com alguma probabilidade, como sucedeu, de “correr bem”; outra coisa, distinta, é defrontar um dos clubes antes referidos.

Pois, algo atemorizado perante o poderio do Liverpool, o Benfica insistiu na estratégia defensiva, “encolhendo-se” de tal maneira, que, objectivamente, abdicou de competir, durante larga fase do primeiro tempo.

Foi um “convite” – ao qual a equipa inglesa acedeu de bom grado – a que o oponente, com amplo espaço livre na zona intermediária do campo, viesse para cima da defesa benfiquista, necessariamente impotente para dar resposta a todas as investidas, múltiplos cruzamentos, diagonais, rupturas diversas, incapaz de controlar a profundidade do futebol ofensivo contrário.

Um golo aos 17 minutos; um segundo decorridos outros 17 minutos e Vlachodimos a impedir que o “placard” subisse até aos 4 ou 5 ainda na primeira metade, perante uma equipa do Benfica “à deriva” dentro de campo, incapaz de encontrar o posicionamento que lhe permitisse resistir ao turbilhão.

Ficou por compreender exactamente se a configuração do jogo na segunda metade terá decorrido mais de alguma “soberba” do Liverpool, confiado nas excessivas facilidades com que até aí deparara, pensando estar a eliminatória resolvida, tirando o “pé do acelerador”, se, ao invés, foi o Benfica a conseguir assumir e impor um outro tipo de abordagem.

A verdade é que, mal as equipas tinham regressado ao relvado, já o Benfica estava a reduzir o marcador para a diferença mínima, na sequência de um bom cruzamento, do flanco direito, de Rafa, com o central Konaté (que apontara o tento inicial da partida, na sequência de um pontapé de canto, cabeceando em plena liberdade no eixo da área benfiquista) desastradamente a falhar a intercepção, e Darwin, com uma calma notável, a dominar a bola e a desviá-la do alcance do guarda-redes.

O golo teve o condão de animar a Luz, com os adeptos – recordando-se do que sucedera no jogo da 1.ª mão, frente ao Ajax -, numa atmosfera de crescente e vibrante entusiasmo (num Estádio praticamente lotado) a levarem a “equipa ao colo”, dando força e energia para que o Benfica conseguisse superar-se, melhorando a sua produção de forma assinalável.

Durante um período de cerca de vinte minutos, o Benfica superiorizou-se (!) ao adversário, baralhando-o, com o Liverpool, inesperadamente, a ser permeável a sucessivos lances de ataque organizado e/ou de transição, que os benfiquistas iam conseguindo desenvolver.

O Benfica jogava bem – bastante melhor até do que tinha feito em Amesterdão. De tal forma que se passou a acreditar piamente que era possível chegar ao empate. Que Everton teve nos pés, quando, enquadrado com a baliza, liberto de marcação, fez um remate que saiu fraco, e à figura de Alisson. O próprio Darwin teria ocasião de bisar.

Em gestão de esforço – tendo em mente o que poderá ser o “desafio do título”, no Domingo, em Manchester, ante o City – Klopp procedeu, à passagem da hora de jogo, a “rotação”, fazendo entrar, simultaneamente, Diogo Jota, Firmino e Henderson, numa tripla substituição, para os lugares de Salah, Mané e Thiago Alcântara.

O fulgor benfiquista ia-se desvanecendo, à medida que a equipa começava a acusar alguma inevitável fadiga, perante a intensidade do desafio, com o Liverpool, gradualmente, a retomar o controlo.

Depois da bela reacção benfiquista, o tal terceiro golo soou a punição excessiva, mesmo que o desfecho final (margem da vitória inglesa) não esteja desfasado do desempenho das duas equipas dentro de campo, na globalidade do tempo de jogo.

Ficou a demonstração de que é possível competir, mesmo que seja muito difícil fazê-lo durante os noventa minutos, ao ritmo estabelecido por adversários deste quilate. O Benfica parece próximo de finalizar a sua campanha desta temporada na “Liga dos Campeões”, mas, pelo que fez esta noite, poderá sair de “cabeça erguida”… desde que consiga “estar à (sua) altura” na partida em Inglaterra.

5 Abril, 2022 at 9:55 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 1/8 final (2.ª mão) – Ajax – Benfica

AjaxAjax – André Onana, Noussair Mazraoui, Jurriën Timber (90m – Mohammed Kudus), Lisandro Martínez, Daley Blind, Edson Álvarez (81m – Brian Brobbey), Steven Berghuis (81m – Davy Klaassen), Ryan Gravenberch, Antony Matheus dos Santos, Dušan Tadić e Sébastien Haller

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Valentino Lazaro), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Adel Taarabt (45m – Soualiho Meïté), Julian Weigl, Everton Soares (72m – Roman Yaremchuk), Rafael “Rafa” Silva, Gonçalo Ramos (90m – Paulo Bernardo) e Darwin Núñez (81m – Diogo Gonçalves)

0-1 – Darwin Núñez – 77m

Cartões amarelos – Jurriën Timber (83m), Daley Blind (90m) e Ryan Gravenberch (90m); Gonçalo Ramos (67m)

Árbitro – Carlos del Cerro Grande (Espanha)

Não foi, claro, uma exibição de “encher o olho”, no sentido em que o Benfica esteve muito longe – antes pelo contrário – de exercer o domínio do jogo. Precisamente, perante um adversário com cariz muito mais talhado para assumir a iniciativa atacante, a equipa benfiquista soube unir-se, de forma solidária, atingindo, nesse aspecto, desempenho de grande competência em termos defensivos, ao mesmo tempo que viu coroado de plena eficácia o seu único remate enquadrado com a baliza adversária!

Antecipava-se já a forte entrada do Ajax, empurrando o adversário para o seu reduto defensivo, com a bola a percorrer as imediações da área, nessa fase inicial com a equipa da casa, com forte pressão, a ameaçar cada vez com maior veemência, fazendo recear a possibilidade de chegada do golo (ganhando vários cantos, com sucessivos cabeceamentos, mas, efectivamente, sem grande perigo iminente).

O volumoso trabalho que a dupla Otamendi-Vertonghen ia tendo pela frente, foi auxiliado pelo recuo de Weigl, enquanto Taarabt era uma espécie de “duplo” de Gilberto, na lateral direita. Numa partida que requeria enorme dose de paciência – e quase absoluto rigor defensivo -, o Benfica conseguiu alcançar um equilíbrio mental, gradualmente reforçado à medida que o tempo ia avançando.

Ao intervalo, Nélson Veríssimo substituiria o marroquino por Meïté, visando controlar de forma mais eficaz as ofensivas pelo flanco esquerdo adversário, que, no decurso do segundo tempo, ia começando a denotar indícios de algum bloqueio – fazendo, de alguma forma, recordar o que se passara em Eindhoven, com o PSV, na 2.ª mão do play-off.

Conforme então sucedera, com o rolar dos minutos, viria, progressivamente, a instalar-se a dúvida na mente dos jogadores do Ajax, em contraponto a um crescente acreditar por parte dos benfiquistas. A missão era simples: com o tempo a começar correr a seu favor, o Benfica procurava, em primeira instância, ir assegurando a inviolabilidade da sua baliza, de forma a levar o mais longe possível a discussão da eliminatória… na expectativa de que pudesse, por acréscimo, vir a alcançar ainda algo mais.

O tal “acreditar” ou maior confiança no que a equipa ia desenvolvendo dentro de campo – a par da necessidade de refrescar o “onze”, submetido a intenso desgaste – levou o treinador português a fazer entrar em campo o ucraniano Yaremchuk, por troca com Everton, visando suster a subida no terreno dos defesas contrários, procurando, de alguma forma, manter o adversário “em sentido”.

E o bónus, do golo do Benfica, acabaria mesmo por chegar, apenas cinco minutos volvidos: num livre, ao estilo de um canto mais curto, Grimaldo fez um centro com “conta, peso e medida” para a zona da pequena área, onde, muito oportuno, surgiu Darwin, a antecipar-se ao guardião contrário, desviando a bola, de cabeça, para o fundo das redes.

Logo se percebeu que – ante tal rude golpe anímico – muito dificilmente o Ajax conseguiria reagir da forma de que necessitaria, porque, então, era já impraticável manter a serenidade, ao mesmo tempo que a crença se mudara por completo para o lado oposto. No (já escasso) tempo que restava o Campeão dos Países Baixos não teria “arte” para construir o que, afinal, em cerca de 80 minutos, não conseguira: efectivas ocasiões de perigo.

De facto, num balanço global, tendo o Ajax evidenciado manifesta superioridade em termos de posse de bola (69/31%), assim como em número de pontapés de canto (10/4), o duelo foi muito mais equilibrado a nível de remates à baliza (2/1), com os jogadores locais a não conseguirem esconder, no período final, a frustração pela impotência revelada – seria, aliás, Yaremchuk a desaproveitar a mais flagrante oportunidade de golo de todo o desafio, isolado frente a Onana, já no 97.º e derradeiro minuto…

Muito competente na execução do plano de jogo, tendo conseguido anular por completo o reconhecido poderio ofensivo do adversário (depois das partidas de Moscovo, Eindhoven, Kiev e Barcelona, esta foi a 5.ª vez, em seis desafios fora de casa nesta edição da prova, que preservou a “clean sheet” da sua baliza), a equipa portuguesa foi premiada, necessariamente com felicidade, pela grande eficácia.

Em qualquer caso, um embate a reavivar as noites europeias de glória do Benfica, superando, em terreno alheio – com o apoio entusiástico de cerca de três milhares de adeptos –, um rival mítico como é o Ajax (sagrado Campeão Europeu por quatro vezes), como que numa desforra face à história das eliminações de 1969 (nos quartos-de-final) e de 1972 (nas meias-finais), ambas sob a égide da Taça dos Clubes Campeões Europeus.

O Benfica alcança os quartos-de-final da maior prova de clubes do Mundo pela 18.ª vez no seu historial – num total de 41 participações –, a que acresce ainda a presença, em 1992, nos “últimos 8” (então com a fase final da competição, no ano “pré-Champions”, como que num ensaio para a reformulação do modelo competitivo, a ser disputada por dois grupos de quatro clubes, tendo-se apurado os vencedores para a Final).

Na era “Champions” será a 5.ª presença, após as eliminações sofridas em 1995 (AC Milan), 2006 (Barcelona), 2012 (Chelsea) e 2016 (Bayern); nas 13 ocasiões em que atingiu tal fase na Taça dos Campeões Europeus, o Benfica apurou-se para as meias-finais por oito vezes (1961, 1962, 1963, 1965, 1968, 1972, 1988 e 1990).

15 Março, 2022 at 10:59 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 1/8 final (1.ª mão) – Benfica – Ajax

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes (90m – Diogo Gonçalves), Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva, Julian Weigl, Adel Taarabt (85m – Paulo Bernardo), Everton Soares (62m – Roman Yaremchuk), Gonçalo Ramos e Darwin Núñez (90m – Valentino Lazaro)

AjaxAjax – Remko Pasveer, Noussair Mazraoui (90m – Devyne Rensch), Jurriën Timber, Lisandro Martínez, Daley Blind (73m – Nicolás Tagliafico), Edson Álvarez, Steven Berghuis, Ryan Gravenberch (73m – Davy Klaassen), Antony Matheus dos Santos, Dušan Tadić e Sébastien Haller

0-1 – Dušan Tadić – 18m
1-1 – Sébastien Haller (p.b.) – 26m
1-2 – Sébastien Haller – 29m
2-2 – Roman Yaremchuk – 72m

Cartões amarelos – Darwin Núñez (46m), Gonçalo Ramos (49m) e Roman Yaremchuk (72m); Noussair Mazraoui (23m), Steven Berghuis (45m) e Antony Matheus dos Santos (87m)

Árbitro – Slavko Vinčić (Eslovénia)

O resultado final foi claramente lisonjeiro para o Benfica. Não sei se é “suposto” festejarmos (enquanto benfiquistas) um empate em casa. Mas é também de “noites europeias” como esta que se forjou a mística e prestígio internacional do Benfica.

Contrariamente ao proclamado por Nélson Veríssimo, a abordagem do jogo por parte das duas equipas cedo denotou que esta não era uma eliminatória “50/50”. A diferença de intensidade competitiva foi demasiado flagrante, como se se enfrentassem uma equipa assustada, retraída, e outra, plena de confiança na sua superioridade, com uma dinâmica imparável.

O “onze” benfiquista, evidenciando dificuldades de organização, cometia falhas sucessivas, nem sempre resultado de “erros forçados” pelo adversário. Cabal exemplo, nessa fase inicial do jogo, foi dado pelo primeiro golo dos neerlandeses, aproveitando uma perda de bola (situação já antes repetida) de Grimaldo (não tendo conseguido fazer a recepção apropriada), com Tadić a surgir completamente liberto de marcação ao segundo poste, a alvejar a baliza num remate de primeira, algo “acrobático”, após cruzamento largo.

Seria da forma mais improvável que, escassos minutos volvidos, o Benfica reporia a igualdade no marcador: o defesa central, Vertonghen (antigo jogador do Ajax, onde completou a sua formação, tendo integrado a equipa principal do clube de Amesterdão de 2007 a 2012 – antes de enfileirar, durante oito temporadas, no Tottenham), aventurando-se pelo meio-campo contrário (acorrera à marcação de um pontapé de canto), driblou um adversário na zona central, ensaiou um remate que foi rechaçado, recuperou a bola, descaindo para a esquerda, avançou até à linha de fundo, procurando “cruzar” para a zona da pequena área – onde não havia nenhum jogador benfiquista, mas vários do Ajax, tendo a bola tabelado… no “ponta de lança” Haller, autor involuntário de um auto-golo!

Foi “sol de pouca dura”. Apenas mais três minutos decorridos o próprio Haller recolocava a sua equipa em vantagem, marcando, agora, na “baliza certa” (na sua perspectiva, claro), aproveitando uma defesa incompleta de Vlachodimos. Foi o 7.º jogo do franco-marfinense na Liga dos Campeões e, de forma incrível, o 7.º jogo a marcar consecutivamente na competição – registo nunca antes visto –, num total de 11 golos, que leva já nesta sua época de estreia no torneio (não obstante contar já 27 anos, tendo antes passado, no decurso da sua carreira, pelo Utrecht, Eintracht Frankfurt e West Ham).

Até ao termo da primeira metade subsistiria o desequilíbrio, a par de algum descontrolo da parte do Benfica, que bem poderia ter saído para o intervalo com, pelo menos, outros tantos tentos sofridos (não fossem as intervenções do guarda-redes grego, uma bola no poste, e uma recarga falhada de Haller).

A segunda parte seria substancialmente diferente: a ideia que fica é que o Ajax, perante tamanhas facilidades com que lidara até então, como que se “acomodou”, limitando-se a adormecer o jogo, confiante, não só de que a vitória não lhe escaparia, como, com naturalidade, seria ampliada a margem. Mas não… Era não contar com o impacto do apoio entusiasta dos adeptos benfiquistas, levando a equipa “ao colo”, capacitando-a animicamente e impulsionando-a a reverter a situação.

E, claro, necessariamente, também com uma mudança de atitude dentro de campo, de grande entrega, com um inesperado “playmaker” a revelar-se em Taarabt, deambulando por todo o campo, a puxar também pelos companheiros, a solicitar a velocidade de Rafa na direita e a fogosidade (mesmo que, por vezes, inconsequente, por menor inteligência emocional) de Darwin a partir do flanco esquerdo. Tudo isto coroado com a alteração estratégica delineada por Nélson Veríssimo: a entrada de Yaremchuk, enquanto o incansável Gonçalo Ramos descaía para a zona intermediária, agora em apoio à dupla mais ofensiva. A que acresceria, uma vez mais, a intervenção “salvadora” de Vlachodimos (por volta do minuto 65), a evitar o que poderia ter sido o terceiro golo adversário, o que, a acontecer, teria selado o desenlace da partida.

Bastariam dez minutos após a entrada do ucraniano em campo – curiosamente, num lance de insistência, depois de um potente remate de meia distância de Gonçalo Ramos (assistido por Rafa, embalado em velocidade, após uma recuperação de bola na sequência de canto a favor do Ajax), que “levava fogo”, o qual o guardião neerlandês não conseguiu igualmente suster, mais não conseguindo que repelir a bola para a sua frente – para, muito focado, de forma bastante oportuna, se antecipar ao guarda-redes, cabeceando sem apelo para o fundo da baliza. O golo que, certamente, mais terá desejado marcar em toda a sua carreira, dedicando-o ao povo da Ucrânia, numa hora grave para o país, enfrentando a inadmissível agressão russa.

Daí até final, ainda com cerca de vinte minutos por jogar, o Ajax, tendo quebrado o ritmo que impusera na primeira parte, denotaria maiores dificuldades em voltar a reactivar a dinâmica inicial, num contexto agora já distinto. Vlachodimos ainda seria chamado a mais duas intervenções, a remates de Antony, mas o 2-2  não se alteraria até final, colocando assim travão à caminhada triunfal do Ajax na presente edição da prova, depois de ter vencido todos os seis jogos da fase de grupos (frente a Sporting, Borussia Dortmund e Beşiktaş).

Os adeptos benfiquistas saíam satisfeitos com o desempenho da equipa – e, sobretudo, com a capacidade de reagir à adversidade que demonstrou -, e, porque não dizê-lo, com o próprio resultado, não se tendo confirmado os piores “temores”. Mais, independentemente das dificuldades que serão de esperar no desafio da 2.ª mão, em Amesterdão – com o Ajax óbvio favorito –, terá aumentado de forma interessante a expectativa de poder levar de vencida esta eliminatória, no que, a concretizar-se, não deixaria de se traduzir num sensacional desfecho.

23 Fevereiro, 2022 at 10:55 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 6ª Jornada – Benfica – D. Kyiv

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Gilberto Moraes (73m – Valentino Lazaro), Luís Fernandes “Pizzi” (59m – Everton Soares), Julian Weigl, João Mário (73m – Adel Taarabt), Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva (82m – Paulo Bernardo) e Roman Yaremchuk (82m – Darwin Núñez)

D. Kyiv – Heorhiy Bushchan, Oleksandr Tymchyk, Illia Zabarnyi, Oleksandr Syrota, Vitaliy Mykolenko, Mykola Shaparenko, Serhiy Sydorchuk (86m – Oleksandr Andriyevskyi), Vitaliy Buyalskiy, Viktor Tsyhankov (79m – Oleksandr Karavaev), Benjamin Verbič (64m – Carlos de Peña) e Denys Harmash (79m – Eric Ramírez)

1-0 – Roman Yaremchuk – 16m
2-0 – Gilberto Moraes – 22m

Cartões amarelos – Gilberto Moraes (24m); Serhiy Sydorchuk (29m), Benjamin Verbič (36m) e Viktor Tsyhankov (44m)

Árbitro – Deniz Aytekin (Alemanha)

O Benfica não dependia de si próprio para garantir o apuramento para os 1/8 de final da Liga dos Campeões, mas teria, em primeira instância, de fazer a sua parte, esperando que, em Munique, não acontecesse surpresa.

Com os adeptos cada vez mais de “costas voltadas” face ao treinador, na ressaca de uma incontestada derrota com o Sporting, a verdade é que as coisas começaram a correr bem logo de início – apesar de ter sido desperdiçada a primeira grande oportunidade, logo a abrir -, com o primeiro golo, à passagem do quarto de hora (marcado pelo ucraniano Yaremchuk, formado no… D. Kiev), num lance de transição rápida, a conferir ânimo e alguma tranquilidade.

E, se tinham começado bem, melhor ficariam passados pouco mais de cinco minutos, com o segundo tento, pelo improvável Gilberto, a aproveitar uma oferta de Verbič. Em paralelo, as notícias que iam chegando de Munique eram de molde a reforçar a confiança no apuramento: o Bayern abrira o activo pouco depois da meia hora de jogo, para chegar ao intervalo já em vantagem por 2-0. Só uma hecatombre (uns absolutamente impensáveis três golos do Barcelona, sem resposta, em Munique, ou dois golos do D. Kiev na Luz) afastaria o Benfica da fase seguinte da competição.

E, porém, uma incompreensivelmente amorfa equipa do Benfica poderia ter deitado tudo a perder na segunda parte. O apuramento para a fase de grupos já ficara muito a crédito de Vlachodimos, com intervenções providenciais nos dois jogos com o PSV, muito em especial em Eindhoven, e foi ao guardião greco-alemão que o Benfica ficou a dever também – a par do miraculoso desperdício (de baliza escancarada) protagonizado por Tsyhankov – a qualificação para a fase a eliminar da “Champions”.

Sem nada a perder, a turma ucraniana, aproveitando a inexplicável tremideira adversária, assenhoreou-se do jogo, beneficiando do facto de o Benfica não conseguir ter bola, nem sequer pressionar. Adivinhava-se a possibilidade, a qualquer instante, de um golo do D. Kiev, que, a ter acontecido, exponenciaria os níveis de ansiedade… e de dúvida.

As substituições operadas por Jesus – mesmo que tardias e sem reverter a tendência geral do desempenho das duas formações no decurso da segunda parte – acabaram, pelo menos, por proporcionar algum refrescar da equipa portuguesa em termos físicos, evitando o que poderia ter sido o “assalto final” à baliza de Vlachodimos.

Foi com desnecessário sofrimento que o Benfica confirmaria o almejado apuramento para a fase a eliminar – afastando, como não se eximiu de sublinhar o seu treinador, o “colosso” (todavia a atravessar severa crise), Barcelona (o qual não era eliminado na fase de grupos da competição desde 2001) –, o que, na “era Champions”, o emblema português consegue apenas pela 6.ª vez (depois das épocas de 1994-95, 2005-06, 2011-12, 2015-16 e 2016-17).

8 Dezembro, 2021 at 10:55 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 5ª Jornada – Barcelona – Benfica

Barcelona – Marc-André ter Stegen, Ronald Araújo (86m – Eric García), Gerard Piqué, Clément Lenglet (86m – Sergiño Dest), Jordi Alba, Frenkie de Jong, Sergio Busquets, Nicolás “Nico” González, Yusuf Demir (66m – Ousmane Dembélé), Pablo Gavira “Gavi” e Memphis Depay

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Gilberto Moraes, Julian Weigl, João Mário (59m – Adel Taarabt), Alejandro “Álex” Grimaldo (81m – Haris Seferović), Rafael “Rafa” Silva (70m – Valentino Lazaro), Everton Soares (70m – Luís Fernandes “Pizzi”) e Roman Yaremchuk (59m – Darwin Núñez)

Cartões amarelos – Gerard Piqué (49m); Alejandro “Álex” Grimaldo (36m), João Mário (49m), Odysseas Vlachodimos (90m) e Adel Taarabt (90m)

Árbitro – Sergei Karasev (Rússia)

Se  nos ativermos à “última” imagem deste jogo – e será difícil, nos próximos tempos, esquecê-la – dir-se-ia que o Benfica perdeu uma flagrante ocasião de ganhar, em Camp Nou, ao Barcelona. Mas, na verdade, pelo que jogou, a equipa portuguesa não justificaria tal vitória; como, por outro lado, não posso (nem quero) enfileirar na espécie de “crucificação” a Seferović por tal inacreditável falhanço.

Fica até a ideia de que poderá ter tido, não uma, mas duas execuções técnicas defeituosas: primeiro, o que pareceu uma tentativa de remate (?) que não tenha saído “bem” (conforme seria pretendido), mas que resultou numa bola “picada” sobre Ter Stegen, a retirá-lo do lance; de imediato, e tendo a bola “escapado” demasiado, foi já algo “em esforço” que o suíço (apertado por um defesa contrário, a procurar fazer a “mancha”) a tentou rematar para a baliza (tocando-a apenas com a ponta da bota), acabando por sair ligeiramente ao lado do poste. Obviamente, ficou muito longe de se tratar de um exímio gesto técnico, mas, visto de fora, pode parecer muito mais fácil do que o que efectivamente teria sido.

A situação foi sobremaneira empolada, sobretudo pelas “infelizes” declarações – uma vez mais – de Jorge Jesus, confessando-se “arrasado” com essa falha (e o que ela significa), mas, ao mesmo tempo, destroçando animicamente o seu jogador, assim como, em paralelo, pelo contexto em que ocorreu (um lance no último minuto do período de compensação, que resultaria num triunfo ante o Barcelona, em Camp Nou, e, muito possivelmente, num passo determinante para o apuramento para os 1/8 de final da “Champions League”).

De facto, para além das palavras de circunstância prévias, o Benfica mostrou muito pouca ambição neste jogo, deixando transparecer, desde início, que o objectivo primordial seria o de evitar a derrota – que, a ter sucedido, o afastaria, imediatamente, da fase seguinte da competição.

Face a um Barcelona renovado, sobretudo pelo ânimo insuflado pela chegada de Xavi ao comando técnico, o Benfica passou a primeira hora a “ver jogar”, sem bola, perante o recuperar do famoso “tiki-taka” catalão, com enorme qualidade nas trocas de bola entre jovens talentos, como Nico González, Gavi ou Yusuf Demir.

Só depois desse período a equipa portuguesa conseguiria começar a libertar-se, ganhando dois cantos que levaram algum perigo à baliza contrária; o segundo deles, concluído por Otamendi, com um bom remate, a anichar a bola nas redes, seria invalidado por, alegadamente, na marcação do pontapé de canto, a bola ter desferido um arco, ultrapassando a linha de fundo, o que ninguém conseguirá atestar indubitavelmente – não tendo o VAR tido intervenção –, anotando-se o tempo decorrido entre o instante dessa suposta infracção e o epílogo da jogada.

Do outro lado, Demir rematara à trave, e Vlachodimos vira também já colocados à prova os seus reflexos, enquanto, à sua frente, a comandar todo o sector, o mesmo Otamendi ia fazendo a sua melhor exibição ao serviço do Benfica, limpando toda a zona defensiva, de forma exemplar, sem falhas, numa demonstração de personalidade, própria de quem tem já uma grande “rodagem” a este nível, de altíssima intensidade competitiva em termos internacionais, ao alcance de poucos.

Na segunda metade o Benfica começou por conseguir, de alguma forma, refrear o adversário, repartindo mais o jogo – viria inclusivamente a beneficiar de excelente oportunidade, com um forte remate de cabeça, mas que sairia enquadrado, “à figura”, de um atento Ter Stegen.

Até à entrada de Dembélé, que veio agitar as “águas”, colocando em apuros a asa esquerda da defesa benfiquista, à medida que, em simultâneo, o desgaste se começava a fazer sentir. As saídas de João Mário e, pouco depois de Rafa (mesmo que este tenha estado bastante aquém do que se poderia esperar, mais preocupado em defender do que nas suas habituais explosões em velocidade) vieram agravar ainda mais as dificuldades de contenção das investidas catalãs.

A par da soberba exibição do argentino, também o grego-alemão seria crucial para manter a baliza portuguesa em branco, com defesas à “queima-roupa” – tendo o Barcelona visto também um lance de golo não validado pelo árbitro, por fora de jogo.

Jorge Jesus saiu a chorar a vitória perdida… mas o Barcelona – uma equipa “em construção”, que se mostrou ainda algo “verde”, e distante dos níveis de confiança ideais – também se pode lamentar da sua falta de eficácia. Quando, nos minutos finais, arriscou tudo, abriu efectivamente espaços que um endiabrado Darwin podia ter aproveitado melhor (assistiu bem Seferović na tal falha incrível, mas não definiu da melhor forma noutra situação); o jogo acabaria, aliás, com Taarabt a não dar sequência a mais uma rápida transição ofensiva, preferindo congelar a bola.

No cômputo geral, um resultado que se pode considerar de algum modo ajustado face às efectivas oportunidades de que cada uma das equipas dispôs (ambas registaram três remates à baliza) e que – embora o Benfica fique dependente de terceiros (o Bayern “não pode” perder, em Munique, com o Barcelona) – poderá ter deixado, por paradoxal que pareça, mais perto do apuramento os portugueses (que, em paralelo, e desde já, mesmo no cenário menos favorável, garantiram a continuidade nas competições europeias), no pressuposto de que venham a vencer no último desafio, frente ao D. Kiev.

23 Novembro, 2021 at 10:52 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Bayern – Benfica

BayernBayern München – Manuel Neuer, Benjamin Pavard, Nianzou Tanguy-Austin, Dayotchanculle “Dayot” Upamecano, Alphonso Davies (64m – Omar Richards), Serge Gnabry (85m – Bouna Sarr), Leon Goretzka, Leroy Sané (72m – Thomas Müller), Joshua Kimmich (72m – Marcel Sabitzer), Kingsley Coman (64m – Jamal Musiala) e Robert Lewandowski

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes, Lucas Veríssimo, Jan Vertonghen, Felipe Silva “Morato”, João Mário (77m – Paulo Bernardo), Soualiho Meïté, Alejandro “Álex” Grimaldo (77m – Gonçalo Ramos), Luís Fernandes “Pizzi” (64m – Rafael “Rafa” Silva), Everton Soares (64m – Diogo Gonçalves) e Roman Yaremchuk (64m – Darwin Núñez)

1-0 – Robert Lewandowski – 26m
2-0 – Serge Gnabry – 32m
2-1 – Felipe Silva “Morato” – 38m
3-1 – Leroy Sané – 49m
4-1 – Robert Lewandowski – 61m
4-2 – Darwin Núñez – 74m
5-2 – Robert Lewandowski – 84m

Cartões amarelos – Dayotchanculle “Dayot” Upamecano (51m) e Nianzou Tanguy-Austin (69m); Lucas Veríssimo (45m)

Árbitro – Szymon Marciniak (Polónia)

Não há volta a dar: a sexta deslocação do Benfica a Munique traduziu-se na quinta goleada sofrida (duas vezes 1-4, outras duas vezes 1-5, e, agora, o 2-5) – apenas se salvou o jogo da temporada de 2015-16, com uma derrota por tangencial 0-1.

Mas, este duplo confronto com o Bayern (também com goleada sofrida no Estádio da Luz), passa a integrar, no seu agregado, um dos três piores registos de sempre da longa história europeia do Benfica: depois do somatório de 0-7 com o Basel em 2017-18 e de 1-8 com o Celta de Vigo em 1999-00, esta (2-9) foi apenas a terceira vez que a equipa portuguesa averbou uma desvantagem de 7 golos no conjunto dos dois jogos.

Sobre esta verdadeira Némesis da história do Benfica, o Bayern München, basta atentar que, em todo o seu historial europeu, só por dez vezes o emblema da Luz registou desvantagem superior a três golos no somatório das duas “mãos”, tendo quatro delas sido ante os bávaros: os 2-9 desta época sucedem-se ao 1-7 de 2018-19, aos 2-7 de 1995-96 e ao 1-5 de 1975-76 (isto, para além do 1-4 de 1981-82).

No total, doze jogos com o Bayern – agora o parceiro mais repetido nas lides europeias (ultrapassando os onze embates dos benfiquistas com o Manchester United) -, sem que o Benfica tivesse conseguido vencer uma única vez: o melhor foram três empates (dois nulos, em 1975-76 e em 1981-82, e o 2-2 de 2015-16), tendo perdido nove vezes (acumulando seis goleadas), com um score agregado de 9-35 em golos marcados e sofridos.

Posto tudo isto não se pode dizer que o resultado desta noite tenha sido algo de “anormal” ou de inesperado. O que, só por si, não deixa de constituir mais uma página muito negativa da história do Benfica, que, ainda uma vez mais, foi incapaz de evitar nova goleada.

Ficou por perceber cabalmente a ideia de Jorge Jesus para este jogo: se assumiu, à partida, que estava perdido; se, sobretudo, procurou preservar alguns jogadores em risco de exclusão do próximo (e determinante) encontro ante o Barcelona, casos de Otamendi, Weigl e Rafa (dando, também, descanso a Darwin); se acreditou que as entradas de Meïté, Pizzi e Everton poderiam de algum modo contribuir para interpretar a sua estratégia de “pressão alta”.

A verdade é que o Benfica até começou por ter uma entrada positiva em campo, com Pizzi a ameaçar a baliza de Neuer logo nos minutos iniciais, para, à passagem do quarto de hora, chegar mesmo ao “golo”, por Lucas Veríssimo, num lance que, contudo, não seria validado pelo “VAR”, por controversa deslocação (“milimétrica”?) de Pizzi.

Mas a estratégia, que passaria por procurar evitar uma aglomeração defensiva concentrada junto da grande área benfiquista, tinha também associados grandes riscos, ainda para mais perante um adversário deste calibre, que, com grande sentido prático, aproveitou os espaços que se geravam nas costas do meio-campo e da defesa para, rapidamente – outra vez, num curto espaço de apenas seis minutos -, sentenciar, em termos práticos, o desfecho do jogo, com os dois primeiros tentos.

Com uma linha defensiva “improvisada”, com Grimaldo impotente para travar Coman, enquanto Kimmich tinha grande liberdade de movimentos, para solicitar a profundidade de Gnabry e Sané, sucediam-se os lances de perigo para a baliza de Vlachodimos, que ia fazendo o melhor que podia.

Seria, pois, já “contra-a-corrente” que o Benfica conseguiria reduzir para 1-2, na sequência de um lance de bola parada, com Morato a dar, de cabeça, a melhor sequência a um cruzamento de Grimaldo. Tal pouco afectaria o Bayern, que teve ocasião para repor a diferença de dois tentos ainda no primeiro tempo, na conversão de uma grande penalidade, mas Vlachodimos, com boa intervenção, negaria o golo a Lewandowski.

O que, porém, não tardaria: logo a abrir a segunda metade, Sané apontava o terceiro ponto dos bávaros, para, pouco mais de dez minutos volvidos, aproveitando as facilidades concedidas, Lewandowski bisar, elevando a contagem para um já pesado 4-1, num típico lance de transição rápida, aproveitando o adiantamento da defesa benfiquista. Receou-se que o “placard” pudesse continuar a subir, tais as dificuldades do Benfica em suster a intensidade contrária.

As coisas como que “acalmariam” com as várias substituições operadas – sobretudo entre o minuto 64 e o 72 -, com Jesus a dar alguns minutos a Rafa e a Darwin, e o Benfica conseguiria mesmo marcar pela segunda vez, por intermédio do uruguaio, a finalizar uma excelente iniciativa individual de João Mário, dando um “nó” em Upamecano, retirando toda a oposição do seu caminho. Haveria ainda tempo para a estreia absoluta de Paulo Bernardo na equipa principal do Benfica.

Mas o jogo terminaria da “pior maneira” – a “cereja no topo do bolo” da humilhação -, com Neuer, com caminho livre, a sair da sua baliza e a fazer um lançamento longo para Lewandowski, em velocidade, a isolar-se, deixando para trás todos os adversários, chegando, sem dificuldade ao “hat-trick” no seu 100.º jogo na Liga dos Campeões. Por seu lado, o Bayern fechava com “chave de ouro” o seu jogo n.º 500 em competições internacionais (somando aos 493 encontros em provas europeias, os 3 na “Taça Intercontinental” e os 4 no “Campeonato do Mundo de clubes”).

Entretanto, com a vitória obtida pelo Barcelona em Kiev, o Benfica baixou ao 3.º lugar do grupo, dependendo agora a sua continuidade na prova de um resultado positivo (sendo indispensável, no mínimo, um empate) em Barcelona.

2 Novembro, 2021 at 10:51 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 3ª Jornada – Benfica – Bayern

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Lucas Veríssimo, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, André Almeida (40m – Diogo Gonçalves), João Mário (81m – Adel Taarabt), Julian Weigl, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva (81m – Luís Fernandes “Pizzi”), Darwin Núñez (81m – Gonçalo Ramos) e Roman Yaremchuk (76m – Everton Soares)

BayernBayern München – Manuel Neuer, Benjamin Pavard (66m – Serge Gnabry), Niklas Süle, Dayotchanculle “Dayot” Upamecano, Lucas Hernández (86m – Omar Richards), Kingsley Coman (86m – Jamal Musiala), Joshua Kimmich, Marcel Sabitzer (86m – Corentin Tolisso), Leroy Sané, Thomas Müller (77m – Josip Stanišić) e Robert Lewandowski

0-1 – Leroy Sané – 70m
0-2 – Everton Soares (p.b.) – 80m
0-3 – Robert Lewandowski – 82m
0-4 – Leroy Sané – 84m

Cartões amarelos – Nicolás Otamendi (45m) e João Mário (51m); Dayotchanculle “Dayot” Upamecano (56m) e Lucas Hernández (59m)

Árbitro – Ovidiu Haţegan (Roménia)

Dêem-se as “voltas” que se quiser: o Benfica teve, esta noite, a pior derrota em casa (totaliza agora 29) de toda a sua história de mais de seis décadas nas competições europeias, apenas igualada (na diferença de golos) pelo 1-5 ante o Manchester United, em Março de 1966 (então, nos 1/4 de final da Taça dos Campeões Europeus).

Mais, foi apenas a terceira vez (em 219 desafios disputados em casa) que o Benfica sofreu mais de três golos no Estádio da Luz, em jogos das provas europeias (para além da derrota antes referida, também o desaire por 1-4, ante o Liverpool, em Março de 1984, igualmente nos 1/4 de final da Taça dos Campeões Europeus).

Nos dias que antecederam este encontro, foi crescendo a ideia de que vinha aí o “bicho-papão” (precisamente o reverso do que tinha sucedido no encontro anterior, com o Barcelona, em que se foi gerando como que uma convicção de que o Benfica seria favorito, o que, aliás, viria a confirmar)… e ele chegou mesmo.

É verdade que o Bayern dispõe de argumentos incomparavelmente superiores, que é uma autêntica máquina “trituradora”, que distribui goleadas a eito (e não só a nível nacional, numa “Bundesliga” que domina sem contestação há nove épocas consecutivas). Mas o Benfica pôs-se a jeito…

Logo de início a equipa portuguesa teve uma entrada assaz receosa, oferecendo por completo a iniciativa ao adversário, remetendo-se à zona da sua grande área, completamente subjugada pela velocidade imposta pela formação alemã, nomeadamente pelos corredores laterais, a contrastar de forma vincada com o ritmo “sonolento” dos benfiquistas, sem capacidade de reacção em “tempo útil”.

Nessa fase, só por casualidade o Benfica não começou de imediato a perder o jogo, o que se prolongaria pelo decurso da primeira metade, ora por ocasiões desperdiçadas pelos jogadores da equipa bávara, ora por intervenções “miraculosas” de Vlachodimos, bolas nos “ferros”, ou… pela intervenção do “VAR” (que não validaria dois lances em que a bola foi introduzida nas redes benfiquistas).

Ainda assim, há que dizê-lo, a equipa parece que foi animando com o perdurar do nulo, e teve um par de saídas para o ataque, uma delas em que esteve à beira de inaugurar o marcador, não fosse a fantástica intervenção de Neuer, por volta dos 40 minutos.

Ao intervalo ficava a sensação que era necessário acreditar mais, que seria possível procurar “jogar o jogo”, e, em paralelo, conceder ao sector defensivo algum momento de repouso, das várias fases de sufoco por que tinha passado.

Mas o Bayern voltou a entrar fortíssimo para a segunda parte, logo com Vlachodimos a defender com a ajuda do poste. O jogo estava “partido”, com o Benfica – mesmo sem conseguir prolongar os tempos de posse de bola – de quando em vez a procurar libertar-se do espartilho… e a conseguir chegar lá à frente.

A turma germânica já ameaçara marcar por duas ou três vezes, mas o Benfica teria outra soberana ocasião: num remate de Diogo Gonçalves, que levava “selo de golo”, Neuer voltava a fazer o que parecia impossível, mantendo a sua baliza inviolada.

Foi o “canto do cisne”… Frente a um adversário da mais elevada craveira a nível mundial não se podem desperdiçar oportunidades deste tipo, desaproveitamento que não fica sem “perdão”. “Quem não marca, sofre” e foi o que aconteceu.

Privada do seu treinador (retido no Hotel, tendo sido conhecido mais tarde que acusou positivo a teste à “COVID-19”), seriam os seus adjuntos a desferir a “machadada final”, com a entrada do “ultrasónico” Gnabry, que iria desmantelar por completo a organização defensiva contrária. O Benfica resistira estoicamente durante 70 minutos, mas o Bayern acabaria mesmo por chegar ao golo, na conversão de um livre, por Sané.

Nos dez minutos seguintes, procurou ainda o Benfica recompor-se desse “golpe psicológico”, mas o infeliz desvio de cabeça de Everton para a sua baliza arruinou mentalmente os seus companheiros. Num curtíssimo intervalo de apenas quatro minutos (entre os 80 e os 84), o Bayern marcava três golos e consumava a tão receada goleada, não tendo surtido qualquer efeito a tripla substituição no entretanto operada por Jorge Jesus.

Valeu que, nos poucos minutos que restavam, a turma alemã como que se mostrou “saciada”, não tendo, pois, dilatado ainda mais o que era um já pesadíssimo resultado.

Numa noite de múltiplos contrastes – entre o poderio de um e outro clube; o ritmo e a intensidade dos jogadores de uma e outra equipa dentro de campo; o atrevimento ofensivo do Benfica (numa tentativa de “pressão alta”) e as suas agudas deficiências e lacunas defensivas – perduram duas imagens bem contraditórias: o modo como ficou patente que, afinal, teria sido possível marcar frente ao Bayern; a par da forma como, qual “castelo de cartas”, a equipa ruiu por completo, em termos anímicos e físicos, entregando-se, como que desistindo do jogo, após o 2-0, culminando no tal desfecho extremamente negativo, que não deixa de envergonhar (a somar aos vários já averbados perante este mesmo adversário, em Munique), o qual, de alguma forma, se antecipava e que, também algo inexplicavelmente, não se conseguiu prevenir nem evitar.

20 Outubro, 2021 at 9:55 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 2ª Jornada – Benfica – Barcelona

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Lucas Veríssimo, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Valentino Lazaro (45m – Gilberto Moraes), Julian Weigl, João Mário, Alejandro “Álex” Grimaldo (75m – André Almeida), Rafael “Rafa” Silva (86m – Luís Fernandes “Pizzi”), Darwin Núñez (86m – Gonçalo Ramos) e Roman Yaremchuk (75m – Adel Taarabt)

Barcelona – Marc-André ter Stegen, Eric García, Gerard Piqué (33m – Pablo Gavira “Gavi”), Ronald Araújo, Sergi Roberto (89m – Óscar Mingueza), Frenkie de Jong, Sergio Busquets (68m – Nicolás “Nico” González), Pedro “Pedri” González (68m – Philippe Coutinho), Sergiño Dest, Luuk de Jong (68m – Anssumane “Ansu” Fati) e Memphis Depay

1-0 – Darwin Núñez – 3m
2-0 – Rafael “Rafa” Silva – 69m
3-0 – Darwin Núñez (pen.) – 79m

Cartões amarelos – Nicolás Otamendi (33m), Rafael “Rafa” Silva (56m), Alejandro “Álex” Grimaldo (62m) e Julian Weigl (72m); Gerard Piqué (12m), Eric García (54m), Sergiño Dest (78m) e Nicolás “Nico” González (86m)

Cartão vermelho – Eric García (87m)

Árbitro – Daniele Orsato (Itália)

Era preciso já recuar alguns anos para encontrar uma vitória do Benfica sobre um gigante do futebol europeu: 1-0 ao Borussia Dortmund em Fevereiro de 2017 (numa eliminatória da “Champions” que, na 2.ª mão, não deixou boas memórias); 2-1 no Vicente Calderón, frente ao At. Madrid, há precisamente seis anos (a 30 de Setembro); 2-1 à Juventus em Abril de 2014, nas meias-finais da Liga Europa.

Para encontrar uma vitória por três (ou mais) golos ante um desses colossos é necessário recuar ainda muito mais: 5-1 ao Feyenoord em Março de 1972; ou, igualmente, 5-1 ao Real Madrid em Fevereiro de 1965. Para encontrar uma (a única, até à data) vitória face ao Barcelona, teremos de regressar no tempo, até 31 de Maio de 1961 (há mais de 60 anos!), à final de Berna, na qual o Benfica se sagrou Campeão Europeu pela primeira vez.

Só isto já permitirá bem dar uma noção da grandeza do feito alcançado pelo Benfica esta noite. É verdade que foi obtido ante uma equipa do Barcelona a atravessar uma enorme crise, desfalcada de Messi, e, porventura ainda mais importante que isso, forçada, por motivos financeiros, a reestruturar o seu plantel, recorrendo à sua formação. Mas o Benfica teve o grande mérito de, em mais uma gloriosa noite europeia, materializar – de forma categórica – o seu “favoritismo” (de que muitos desconfiámos) para este jogo.

As coisas não poderiam ter começado melhor (para o Benfica), nem pior (para um Barcelona, por estes dias, a duvidar imenso de si próprio): estavam apenas completos os dois minutos iniciais quando Darwin, no seu jeito muito “em força”, rompeu a defesa contrária, descaído sobre o lado esquerdo, ultrapassando um frágil Eric García, antes de se internar ligeiramente e rematar junto ao poste mais próximo, sem hipótese de defesa para Ter Stegen. O Benfica entrava a ganhar e adquiria, desde logo, um fantástico suplemento anímico, a reforçar a sua confiança.

Não obstante, no imediato, o Barcelona não se descompôs, assumindo até o controlo da posse de bola, evidenciando a qualidade individual dos seus jogadores, em especial Frenkie de Jong e, sobretudo, Pedri, fazendo a equipa portuguesa sofrer durante bastantes largos minutos. A turma catalã criou, pelo menos, três soberanas ocasiões para marcar, mas a desinspiração de Luuk de Jong, a par da grande concentração de Lucas Veríssimo, proporcionaram que a baliza benfiquista se mantivesse inviolada. Um período em que o Benfica foi feliz, com a sorte do jogo pelo seu lado.

Entretanto Piqué, já a começar a acusar alguma natural veterania, vira, logo aos 12 minutos, um cartão amarelo, tendo beneficiado do indulto do árbitro, que lhe poupou, ainda antes da meia hora de jogo, o segundo amarelo e consequente expulsão. Koeman, avisado, retirou-o de campo logo aos 33 minutos, optando por fazer baixar Frenkie de Jong para o eixo da defesa. Tal revelar-se-ia um fulcral erro estratégico.

Privado da influência do neerlandês na condução da manobra da equipa na zona nevrálgica do meio-campo, o Barcelona possibilitaria então ao Benfica começar a “ter bola”, com a dupla Weigl-João Mário em destaque, procurando explorar a potência física de Darwin, no ataque à profundidade, assim como a velocidade de Rafa, a baralhar a defesa contrária. Numa saída intempestiva de Ter Stegen da baliza, o uruguaio contornou o guardião, mas, de bastante longe e com ângulo apertado, mais não conseguiu que rematar à base do poste.

Koeman voltaria a ser infeliz quando, precisamente a meio da segunda parte, optou por fazer uma tripla substituição, em simultâneo, fazendo sair de campo um já muito desgastado Pedri. Os três substitutos não tinham entrado há mais de um minuto, portanto, procurando ainda posicionar-se no terreno, quando o Benfica ampliou a vantagem: João Mário, à entrada da área, contemporizou, tabelando no momento preciso com Yaremchuk, que lhe devolveu a bola de imediato; João Mário rematou, mas Ter Stegen fez a mancha, rechaçando a bola para a zona central, onde, muito oportuno, Rafa, de primeira, não perdoou, desferindo um míssil teleguiado para o fundo da baliza. O Barcelona estava derrotado.

Dez minutos volvidos, um subtil contacto de Dest com o braço na bola foi sancionado com grande penalidade, que Darwin, imperturbável, converteu no terceiro tento benfiquista. Estava consumada a goleada. A finalizar mais uma noite terrível, a formação da Catalunha ficaria reduzida a dez elementos, mas já não havia tempo para mais.

O Benfica, que teve, esta noite, a possibilidade de exponenciar as suas maiores qualidades – e beneficiando da inconsistência exibicional do adversário -, vencia de forma incontestável, por números expressivos, ante um Barcelona, com jogadores de indiscutível qualidade, mas que – repleto de equívocos tácticos, apresentando-se de forma desorganizada e em enorme crise de confiança – necessitará de muito trabalho para se poder constituir numa efectiva equipa.

29 Setembro, 2021 at 9:52 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 1ª Jornada – D. Kyiv – Benfica

D. Kyiv – Denys Boyko, Tomasz Kędziora, Illia Zabarnyi, Oleksandr Syrota, Vitaliy Mykolenko, Viktor Tsyhankov (76m – Oleksandr Karavaev), Serhiy Sydorchuk, Mykola Shaparenko, Carlos de Peña (76m – Benjamin Verbič), Vitaliy Buyalskiy e Ilya Shkurin (59m – Denys Harmash)

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Felipe Silva “Morato”, Gilberto Moraes (59m – Valentino Lazaro), João Mário (85m – Adel Taarabt), Julian Weigl, Alejandro “Álex” Grimaldo, Rafael “Rafa” Silva (90m – Luís Fernandes “Pizzi”), Everton Soares (59m – Nemanja Radonjić) e Roman Yaremchuk (59m – Darwin Núñez)

Cartões amarelos – Serhiy Sydorchuk (52m), Illia Zabarnyi (73m) e Denys Harmash (82m); Rafael “Rafa” Silva (21m), Roman Yaremchuk (44m) e Julian Weigl (71m)

Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)

No regresso à Liga dos Campeões, num grupo com dois “tubarões”, o Benfica tinha em Kiev um primeiro confronto com um rival “directo”, do qual era fundamental sair com um resultado positivo.

E a verdade é que a equipa benfiquista – confirmando a sua superioridade sobre o adversário – evidenciou uma boa atitude, assumindo a iniciativa, tendo sido sempre quem mais procurou o golo… e a vitória.

Mas também é verdade que, neste caso concreto, nem sequer se poderá falar de falta de eficácia; simplesmente, a formação portuguesa – pese embora os números avassaladores em termos de posse de bola, a rondar os 70% (!) – praticamente não conseguiu criar efectivas oportunidades de golo, perante um opositor que abdicou de jogar o jogo pelo jogo, remetendo-se à sua zona defensiva, procurando apostar na possibilidade de transições rápidas.

Com liberdade de acção logo a partir da zona intermediária do meio-terreno contrário, mas falho de velocidade, o ataque benfiquista esbarrava sistematicamente no bloqueio defensivo ucraniano. Rafa ia procurando alternativas, criando alguns desequilíbrios, mas nunca encontrou a solução, voltando a pecar na definição.

No final da primeira metade um único remate à baliza a registar, por Yaremchuk, com o guardião contrário com intervenção a dois tempos. Logo na fase inicial, na sequência de um livre, o D. Kiev tivera também a sua única ocasião de perigo, para defesa atenta de Vlachodimos.

Após o reatar da partida, novo duelo entre Yaremchuk e Boyko, infrutífero para as cores benfiquistas. Decidindo mexer na equipa, relativamente cedo (ainda antes da hora de jogo), com uma tripla substituição, Jesus procurava dar maior intensidade à sua frente de ataque, mas a aposta saiu claramente falhada, perante a ausência de espaço decorrente da concentração de elementos da turma ucraniana nas imediações da linha de grande área.

Já algo conformado com o resultado, o Benfica passaria por dois grandes sustos, já em período de compensação: primeiro, com uma bola a embater na trave da baliza de Vlachodimos (e que ressaltaria ainda para o poste, pese embora na sua face externa); logo depois, Shaparenko, a conseguir isolar-se e a fazer mesmo a bola ultrapassar o risco fatal… valeu a intervenção do “VAR” a chamar a atenção para uma situação de fora-de-jogo, do homem que fez o cruzamento para tal remate.

Estes minutos derradeiros acabariam por deixar uma imagem algo errónea do que fora quase todo o resto do encontro. A exibição da equipa portuguesa foi positiva durante a maior parte do tempo; o resultado não foi o pretendido, ficando a ideia – perante a larga supremacia exercida a nível de controlo de jogo – que se desperdiçou boa oportunidade de somar uma primeira preciosa vitória, mas, do “mal o menos”…

14 Setembro, 2021 at 9:55 pm Deixe um comentário

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