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Liga Europa – 2ª Pré-Eliminatória – Benfica – FC St. Gallen
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah (77m – Amar Dedić), Clément Lenglet, António Silva, Samuel Dahl, Leandro Barreiro (66m – Richard Ríos), Enzo Barrenechea, Rafael “Rafa” Silva (75m – Dodi Lukébakio), Heorhiy Sudakov, Jakub Kamiński (75m – Andreas Schjelderup) e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (77m – Jhon Durán)
FC St. Gallen – Lukas Watkowiak, Tom Gaal (33m – Joel Ruiz), Jozo Stanić, Chima Okoroji, Hugo Vandermersch, Lukas Daschner, Carlo Boukhalfa (56m – Leon Frokaj), Lukas Görtler (71m – Corsin Konietzke), Mihailo Stevanović, Aliou Baldé (71m – Enoch Owusu) e Christian Witzig (56m – Andrin Hunziker)
1-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 11m
2-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 55m
3-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis – 66m
4-0 – Evangelos “Vangelis” Pavlídis (pen.) – 74m
5-0 – Clément Lenglet – 81m
Cartões amarelos – Jozo Stanić (21m) e Chima Okoroji (50m)
Cartão vermelho – Jozo Stanić (57m)
Árbitro – Florian Badstübner (Alemanha)
O desfecho deste encontro traduz apenas ilusórias facilidades, num jogo que o Benfica (naturalmente) venceu, mas sem convencer em pleno, com uma exibição falha de consistência, que foi de “menos a mais”, e a revelar ainda alguma falta de confiança.
Dispondo já de outras alternativas, face ao desafio da 1.ª mão, Marco Silva fez apenas duas alterações, no miolo, fazendo alinhar Leandro Barreiro e Enzo Barrenechea, nos lugares que haviam sido ocupados, na Suíça, por Manu e Miguel Figueiredo.
Porém, nos minutos iniciais, o que se voltou a ver foi, outra vez, uma equipa muito intranquila, denotando dificuldades em sair a jogar, com várias perdas de bola, que o St. Gallen tentava aproveitar para voltar a assustar e a ameaçar a baliza contrária.
Valeu, então, um crucial momento de inspiração, com Bah a fazer um rápido lançamento de linha lateral, para Rafa, que se desmarcara, efectuando uma boa assistência para Pavlídis, que, liberto de oposição, à entrada da área, rematou na passada, abrinco – estavam completados apenas os primeiros dez minutos – a sua magnífica contagem desta noite.
Ainda assim, a formação suíça dispôs de mais algumas ocasiões para poder igualar: logo depois, com Baldé a ver negado o golo por Trubin, e, de seguida, a procurar tirar partido de uma má saída do guarda-redes ucraniano, surgindo Lenglet a salvar; vindo ainda, mais tarde, a rematar ao poste.
Mas, talvez até mais que o tento inaugural, terá sido uma iniciativa de António Silva – a realizar o seu último jogo pelo Benfica, transferido para o Bournemouth – a despertar e fazer acreditar a sua equipa.
A turma portuguesa começava, finalmente, a empurrar o adversário para o seu reduto defensivo, e o perigo passou a rondar a baliza de Watkowiak. Não obstante algumas oportunidades criadas, o resultado não se alteraria até ao intervalo.
No recomeço, tal como sucedera na metade inicial, o Benfica voltou a marcar cedo, logo aos dez minutos. O guardião ainda começara por evitar o golo de Barreiro, fazendo a mancha, mas tal fora o aviso, para, logo de seguida, o segundo tento de Pavlídis, a culminar um bom lance de envolvência, abrindo a defesa contrária, colocando, pela primeira vez, a equipa portuguesa em vantagem na eliminatória.
Corajoso, como demonstrara já na Suíça, o treinador Enrico Maaßen operou, de imediato, duas substituições (após ter sido já forçado a uma alteração, por lesão, no primeiro tempo). Só que, desta feita, tal temeridade jogaria contra si, quando, apenas mais um minuto volvido, a sua equipa ficou reduzida a dez unidades, por expulsão do algo imprudente defesa central, Stanić, a travar, sobre a linha divisória de meio-campo, uma rápida transição.
A partir daí, com o St. Gallen descompensado, sem conseguir organizar-se dentro de campo, abrindo muitos espaços, surgiriam as facilidades que possibilitaram ao Benfica marcar, até final, de forma cadenciada, mais um golo a cada dez minutos, elevando o score para um pesado 5-0.
O terceiro tento teve origem em mais uma investida de Bah, na pequena área, numa jogada de insistência (só à terceira tentativa, in extremis, já sobre a linha de fundo!), a centrar atrasado, aparecendo o grego a cabecear.
Seguiu-se nova arrancada de António Silva, com um passe em profundidade para Ríos, travado em falta, sancionada com grande penalidade, o que proporcionou a Pavlídis completar um notável poker.
O placard seria fixado pelo defesa Lenglet, com boa antecipação, num remate de primeira, em posição difícil, a dar sequência a um cruzamento de Lukébakio, a partir do flanco esquerdo.
Como seria lógico esperar, o Benfica rectificou processos em relação ao que mostrara na Suíça, acabando, também mercê dos erros contrários, por dominar a partida, perante um oponente que deixou patenteadas as suas fragilidades.
Ainda que por números excessivos, o triunfo benfiquista, neste jogo, tal como na eliminatória (com um agregado de 6-2!), justifica-se pelo significativo desfasamento de argumentos entre os dois conjuntos.
A expectativa é que o consolidar dos princípios e ideias do treinador, assim como a confiança proporcionada pelas vitórias permita ir elevando o nível exibicional, já a partir da próxima ronda, num histórico reencontro – 66 anos depois – com os escoceses do Heart of Midlothian.
Liga Europa – 2ª Pré-Eliminatória – FC St. Gallen – Benfica
FC St. Gallen – Lawrence Ati-Zigi, Tom Gaal, Jozo Stanić (90m – Joel Ruiz), Chima Okoroji, Hugo Vandermersch, Lukas Daschner, Carlo Boukhalfa (72m – Leon Frokaj), Lukas Görtler, Mihailo Stevanović, Aliou Baldé (72m – Diego Besio) e Christian Witzig (72m – Andrin Hunziker)
Benfica – Anatoliy Trubin, Alexander Bah, Clément Lenglet, António Silva, Samuel Dahl, Manuel “Manu” Silva (84m – João Rego), Miguel Figueiredo (66m – Enzo Barrenechea), Jakub Kamiński (66m – Tiago Gouveia), Heorhiy Sudakov, Rafael “Rafa” Silva e Evangelos “Vangelis” Pavlídis (76m – Franjo Ivanović)
1-0 – Aliou Baldé – 37m
1-1 – Rafael “Rafa” Silva – 44m
2-1 – Tom Gaal – 80m
Cartões amarelos – Lukas Görtler (30m), Jozo Stanić (62m) e Tom Gaal (90m); Evangelos “Vangelis” Pavlídis (64m)
Árbitro – Luca Pairetto (Itália)
Foi mais uma derrota humilhante do Benfica em jogos das competições europeias – na senda da sofrida, na temporada anterior, ante o Qarabag –, frente a um adversário de “4.ª linha”, que, à parte tratar-se do clube mais antigo da Europa continental (fundado em 1879) não dispõe de outros pergaminhos notórios em termos de desempenho competitivo.
Mas, muito pior que o desfecho deste desafio, foi a forma como ele decorreu, com a modesta equipa suíça sempre em posição de controlo, a mostrar maior ambição e a superiorizar-se nas várias vertentes do jogo, justificando plenamente o histórico triunfo alcançado.
No primeiro encontro oficial da temporada, ao Benfica faltou tudo – e as ausências de meia dúzia de titulares, ainda em período de férias, na sequência do Mundial, não podem justificar tantas insuficiências –, denotando grandes dificuldades em termos físicos, de entrosamento, sem a intensidade necessário para um jogo “a doer”, sem, sequer, conseguir sair a jogar, forçado a recorrer a sucessivos lançamentos em profundidade, quase sempre mal sucedidos.
Com três estreias absolutas: Lenglet, a “substituir” Otamendi, o jovem Miguel Figueiredo (sagrado Campeão Mundial sub-17 no final do ano passado) e Jakub Kamiński, a equipa benfiquista pareceu estar numa fase ainda atrasada de assimilação de processos e das ideias do novo treinador, Marco Silva, tendo sido surpreendida pela forma desinibida e intensa com que o seu opositor enfrentou esta partida.
O St. Gallen desde cedo se mostrou mais “arrumado” dentro de campo, com a lição bem estudada, não só não deixando o Benfica construir o jogo, como, por seu lado, criando perigo nas suas investidas. Quando surgiu o tento inaugural, na parte final do primeiro tempo, o conjunto suíço criara já um par de situações embaraçosas, não sendo inesperado o golo.
Acusando o revés sofrido – na sequência de uma perda de bola –, a formação portuguesa desuniu-se e, logo depois, Baldé teve soberana ocasião para bisar, não fosse, nessa circunstância, a notável intervenção de Trubin, a salvar a sua baliza de maiores engulhos.
Pelo rumo que, já então, o jogo levava, foi quase que um lance de sorte, algo fortuito, o golo do empate, mesmo a findar a metade inicial, com Rafa, isolado frente ao guardião contrário, a dar a melhor sequência a uma boa solicitação de Pavlídis.
Apesar de o resultado ao intervalo ser bem simpático, face à exibição realizada, esperava-se, naturalmente, que o Benfica surgisse na segunda parte com outra atitude. Ao invés, as coisas não melhoraram, não tendo as alterações tentadas por Marco Silva resultado.
A equipa portuguesa nunca revelou capacidade para aproveitar as fraquezas que a turma suíça ia patenteando, nomeadamente a nível defensivo, vindo a ser castigada, a dez minutos do final da partida, com o golo da derrota, numa “bola parada”, em que o central Gaal beneficiou da enorme passividade da defesa contrária, cabeceando sem dificuldade, livre de oposição, para o fundo das redes.
A verdade é que o St. Gallen, e o seu treinador, com a tripla substituição operada aos 72 minutos, evidenciara maior vontade de procurar desfazer o empate a seu favor. E conseguiu-o.
Uma noite não para esquecer, mas para revisitar, de forma a procurar, com a maior urgência, rectificar erros.
Perante um adversário deste calibre, não passará pela cabeça de ninguém que o Benfica não supere, em casa, a eliminatória, mas, para tal, há muito trabalho a realizar, em curto período de tempo, entrando, por agora, em situação desvantajosa, que terá de inverter.
Mundial 2026 – Portugal – Espanha
0-1
Diogo Costa, João Cancelo (71m – Diogo Dalot), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes (56m – Nélson Semedo), João Neves, Vítor Ferreira “Vitinha” (83m – Bernardo Silva), Pedro Neto (83m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes, João Félix (71m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo
Unai Simón, Pedro Porro, Pau Cubarsí, Aymeric Laporte, Marc Cucurella, Rodrigo “Rodri” Hernández, Daniel “Dani” Olmo (85m – Mikel Merino), Pedro “Pedri” González (85m – Fabián Ruiz), Lamine Yamal, Alejandro “Álex” Baena (75m – Ferran Torres) e Mikel Oyarzabal (90m+7 – Borja Iglesias)
0-1 – Mikel Merino – 90m+1
Cartões amarelos – Bernardo Silva (89m) e Renato Veiga (90m+4); Ferran Torres (90m+8)
Árbitro – Anthony Taylor (Inglaterra)
AT&T Stadium, Arlington – Dallas (14h00 / 20h00)
O que mais poderá ter surpreendido neste (há bastante anunciado) desfecho da participação da selecção portuguesa no Mundial foi o golo ter chegado tão tarde, já depois do tempo regulamentar.
Isto, apesar de, em termos gerais, na primeira metade, se ter registado alguma toada de equilíbrio, com as duas equipas a mostrar respeito mútuo – não obstante a maior posse de bola da Espanha, mas falha de eficácia –, e pese embora tenha havido boas oportunidades de ambos os lados.
Logo aos sete minutos, anota-se uma tentativa de João Cancelo, com um remate de meia distância, por alto. Na resposta, a Espanha teria a primeira ocasião soberana para marcar, com um remate cruzado de Oyarzabal (que se conseguira isolar), sem hipótese para Diogo Costa, mas a sair ligeiramente ao lado.
Aos 16 minutos, Yamal, também a surgir solto, desta vez pelo flanco direito do ataque, a internar-se e a rematar sem oposição, com o guardião atento, a fazer uma primeira defesa de recurso, a soco, tendo a bola ressaltado para os pés de Baena, que rematou um arco, a solicitar nova sensacional estirada de Diogo Costa, a salvar o golo.
À passagem da meia hora, outra vez Diogo Costa em acção, desta feita a defender qual guarda-redes de andebol, com a perna esticada, tendo a recarga saído fraca e desenquadrada.
Seis minutos volvidos, Cristiano Ronaldo, com um remate algo acrobático, em posição muito difícil, a sair frouxo, possibilitando a recuperação de Unai Simón.
Até que, estavam completados 40 minutos, Portugal teve a sua melhor oportunidade de marcar, num excelente remate de Nuno Mendes, em cima da linha de grande área, quase no seu vértice direito (no sentido atacante), com a bola ainda a desviar num adversário, antes de embater com estrondo na trave, estando o guardião “batido”.
Ao intervalo, Diogo Costa parecia bastante moralizado pela forma como lhe correra a primeira parte; bem precisaríamos que o jogo lhe continuasse de feição.
Porém, a configuração do desafio mudaria substancialmente na etapa complementar, sobretudo a partir da saída de Nuno Mendes, por lesão, com 55 minutos jogados.
A partir daí, Portugal ver-se-ia forçado a recuar no terreno, perante a sucessão das investidas contrárias, em paralelo com a fadiga que os seus jogadores-chave iam denotando, em especial Bruno Fernandes – também em função das substituições operadas por Martínez, que provocariam que a equipa ficasse como que “partida”, sem conseguir interligar os seus sectores, primeiro com a entrada de Rafael Leão, e, já nos últimos dez minutos, de Francisco Conceição e Bernardo Silva.
Logo à hora de jogo, outra ocasião de perigo para a Espanha, mas com um remate desastrado de Pedri, muito por alto. E, aos 65 minutos, nova jogada de insistência, após uma série de “carambolas”, com a bola a morrer nas mãos de Diogo Costa.
A selecção portuguesa estava, notoriamente, necessitada da “pausa para hidratação”…
Aos 73 minutos, mais uma intervenção atenta do guardião português, a desviar para canto um remate de Yamal, na marcação de um livre, sensivelmente na mesma posição do remate de Nuno Mendes à barra.
Apenas mais três minutos decorridos, a única ocasião em que a selecção nacional como que “estrebucharia”, com o remate de Bruno Fernandes a poder dar a ilusão de golo, mas a bola embater nas malhas laterais.
Outros três minutos, Diogo Costa chamado a interceptar a bola, num cruzamento perigoso, na conversão de um canto, e, na continuação da jogada, a ter de intervir novamente. Ainda esse mesmo minuto 79, como que numa “terceira vaga”, outra vez a sensação de perigo na área portuguesa, com um corte de um defesa.
Quando parecia expectável o prolongamento, tudo se “desmoronou”, apenas oito segundos após se ter completado o minuto noventa: boa triangulação pela faixa central do terreno, à entrada da área, a isolar Merino (recém-entrado em campo, cinco minutos antes) entre os centrais portugueses, que, à saída de Diogo Costa, lhe desviou a bola do alcance, inapelavelmente para o fundo das redes.
O árbitro determinara que se jogassem seis minutos de tempo de compensação, e as notícias não eram boas para Portugal: por um lado, a Espanha ultrapassara já os 600 minutos consecutivos sem sofrer golos em encontros do “Mundial”; por outro, tendo sido, entretanto, esgotadas já as cinco substituições, o único “ponta-de-lança”, Gonçalo Ramos, ficara refém no banco de suplentes.
Ainda assim, já em desespero, só nos cinco derradeiros minutos Portugal tentaria “jogar à bola”, então forçado a atacar…
Aos 90m+6, um bom centro de Francisco Conceição, para a cabeça de Bernardo Silva, à entrada da pequena área, mas com a bola a sair mal direccionada, por cima. Para, já aos 90m+9, na marcação de um livre para a área, João Neves a surgir muito oportuno, antecipando-se à defesa contrária, e a cabecear, mas ao lado… mesmo no último suspiro do jogo (aos 98:39, tendo o árbitro apitado pela última vez aos 98:42!).
Numa partida em que a Espanha estivera praticamente sempre na “mó de cima”, não se pode dizer que o golo sofrido tivesse sido por “azar”, pelo que o resultado terá de se considerar justo.
Portugal queda-se pelos 1/8 de final, mesmo que eliminado pelo Campeão Europeu em título, com um desempenho aquém das expectativas, sobretudo em termos exibicionais.
Na conferência “pós-jogo”, de imediato Roberto Martínez anunciaria a sua saída, num fim de ciclo, em que, porventura, terá sido mais vítima da sua dificuldade de afirmação, nomeadamente perante o impacto mediático e financeiro de uma figura central e omnipresente como foi Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, necessariamente já distante das suas melhores épocas, incapaz de cumprir como titular de uma selecção com ambições; a verdade é que, terminado o desafio, havia 9 câmeras em torno de Cristiano, em pleno relvado…
Ao seleccionador agora demissionário fica, inevitavelmente, associada uma interrogação determinante: porque é que praticamente todos os jogadores estiveram aquém da bitola exibicional que, regularmente, apresentam nos seus clubes? Tal deveu-se a questões tácticas ou estratégicas? De organização e posicionamento dentro de campo? De sistema de jogo? De opções a nível do grupo de seleccionados? Ou do “onze” titular?
Parece, por outro lado, haver alguma tendência genérica de sobrevalorizar a excelência dos jogadores portugueses (mesmo que alguns militem nos principais clubes europeus, tendo-se, quatro deles, sagrado recentemente bicampeões europeus pelo Paris Saint-Germain) – mas, por exemplo (e para além do caso singular de Cristiano Ronaldo), também Bruno Fernandes, Bernardo Silva e João Cancelo não estão já no auge; Rafael Leão e João Félix (que não fez um mau torneio) pecam pela falta de consistência; Pedro Neto revela-se inconsequente, etc..
Mas, fundamentalmente, o mais determinante terá sido a falta de colectivo que pudesse potenciar a valia das individualidades.
Aliás, num balanço geral, tendo em consideração a forma como a selecção portuguesa quase acabou por se “auto-sabotar” nos últimos três anos, os resultados obtidos (1/4 de final no “EURO”, eliminada pela França no desempate por penalties; vitória na Liga das Nações; e, agora, os 1/8 de final no Mundial), acabam até por ser bastante positivos. Claro, almejávamos mais…
Mundial 2026 – Portugal – Croácia
2-1
Diogo Costa, João Cancelo (62m – Nélson Semedo), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes, João Neves, Vítor Ferreira “Vitinha” (62m – Bernardo Silva), Pedro Neto (62m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes (62m – Gonçalo Ramos), Rafael Leão e Cristiano Ronaldo (81m – Rúben Neves)
Dominik Livaković, Josip Stanišić, Josip Šutalo, Marin Pongračić, Ivan Perišić, Luka Modrić, Mateo Kovačić (90m+6 – Andrej Kramarić), Nikola Vlašić (90m+2 – Joško Gvardiol), Petar Sučić, Martin Baturina (68m – Mario Pašalić) e Ante Budimir (45m – Igor Matanović)
0-1 – Ivan Perišić – 53m
1-1 – Cristiano Ronaldo (pen.) – 68m
2-1 – Gonçalo Ramos – 90m+4
Cartões amarelos – Rúben Dias (17m); Luka Modrić (59m) e Ivan Perišić (90m+8)
Árbitro – Espen Eskås (Noruega)
BMO Field, Toronto (19h00 / 00h00)
Este viria a revelar-se – à medida que o tempo avançava (e a contagem prolongou-se até aos 90m+19!) – um jogo caótico, em que Portugal acabou por ter maior dose de felicidade, alcançando uma vitória, que (pese embora tenha feito por isso durante largos períodos) chegou a ter colocada em causa, podendo, aliás, ter sofrido forte dissabor.
Naturalmente noutro patamar, mas com alguma similitude com o que se verificara na partida com o Uzbequistão, a selecção nacional voltou a entrar em campo com boa atitude, dominadora, assumindo a iniciativa desde início, perante um opositor que denotava privilegiar a defesa, procurando apostar em rápidas transições.
À excepção de um muito curto intervalo de tempo (não mais do que três minutos), logo após a pausa para hidratação, em que a Croácia pegou na bola e fez dela o que quis, perante a passividade contrária, a equipa portuguesa controlou toda a primeira parte, chegando ao intervalo a dever a si própria não estar em situação de vantagem, tendo desaproveitado cinco oportunidades para marcar. Tinha sido um bom exemplo de uma modalidade “inventada”, a do “futebol sem baliza”.
No recomeço, logo no minuto inicial, Nuno Mendes pecou por falta de “egoísmo”, talvez na mais flagrante ocasião de golo, já dentro da área, ao tentar fazer a assistência (lateral) para Cristiano Ronaldo, ao invés de, como se impunha em tal circunstância tão favorável, rematar, permitindo à defensiva croata afastar a bola.
Mas, de imediato, foi a Croácia a criar perigo, em jogadas consecutivas. E, ainda antes de completados dez minutos, a formação croata chegava mesmo ao golo, aproveitando o espaço concedido, quer do lado esquerdo da defesa, a permitir o cruzamento, quer no flanco oposto, onde surgiu, “à vontade”, Perišić a empurrar para a baliza.
Rafael Leão, desligado das tarefas defensivas, com dificuldade na recuperação, esteve em evidência num par de ocasiões, determinantes para a história do jogo, primeiro, só cinco minutos volvidos após o tento sofrido, com um notável remate a embater na trave (um par de centímetros mais abaixo e seria um “golaço”).
Para, pouco depois, Cristiano Ronaldo, num lance de excelente execução técnica (numa recepção de elevado grau de dificuldade), a “picar” a bola para o fundo das redes, lance que, todavia, seria invalidado pelo “VAR”, por deslocação, “à pele” (no momento do passe, os pés estavam “em jogo”, mas não a cabeça…).
Ainda a decisão não tinha sido comunicada e já Roberto Martínez surpreendia com uma revolução no “onze”, numa espécie de “tudo ou nada”: de uma assentada, efectuou quatro substituições, apostando no ataque, com as imprevistas saídas de Vitinha e Bruno Fernandes (para além de Cancelo e Pedro Neto), fazendo entrar Gonçalo Ramos, para formar dupla de ataque com Ronaldo.
O risco seria retribuído cinco minutos depois, quando o “VAR”, desta feita a “proteger” Portugal, assinalou grande penalidade, na sequência de contacto (tentativa de “agarrão”), a fazer cair Renato Veiga, no seu impulso para tentar cabecear a bola, na conversão de um pontapé de canto (dos muitos de que a turma portuguesa dispôs). Cristiano, sem vacilar, rematou muito seguro, pela zona central, quando o guardião já caía para o seu lado direito, restabelecendo a igualdade.
Entrava-se na fase decisiva, e o jogo estava “partido”, muito como consequência de Portugal estar praticamente sem meio-campo – jogava como que em “4-2-4”, com Francisco Conceição e Rafael Leão nas alas, a apoiar os pontas-de-lança, Cristiano e Gonçalo Ramos –, com João Neves e Bernardo Silva, desamparados, a experimentar muitas dificuldades em “dar conta do recado”.
Foi o momento de sorte da selecção nacional, quando a Croácia desperdiçou, por três vezes sucessivas, a possibilidade de se recolocar em vantagem, duas delas por Kovačić (na “mesma” acção ofensiva) e outra por Matanović (que viria, também ele, a ter papel decisivo…), com Diogo Costa, atento, a “salvar” a sua baliza – ficam na retina as defesas “in extremis”, com uma palmada a desviar a bola, que ainda embateu no poste, e, de seguida, a crescer para fazer a “mancha”.
De tal forma que Martínez foi forçado a operar “marcha atrás”, fazendo sair Cristiano Ronaldo, por troca com Rúben Neves, para procurar repor algum equilíbrio defensivo. E a mudança resultaria.
Depois de um lance de golo invalidado à Croácia, Renato Veiga teve ocasião para marcar, na sequência de mais um canto.
Quando se esperava o prolongamento, já no quarto dos dez minutos de tempo de compensação determinados pelo árbitro, Portugal chegaria ao golo da vitória, na tal intervenção de Rafael Leão, com um cruzamento perfeito, teleguiado para a cabeça de Gonçalo Ramos, com magnífico sentido de oportunidade, a elevar-se entre os centrais contrários, a desviar a bola fora do alcance de Livaković, inapelavelmente para lá da linha de baliza.
Só que os episódios “hitchcockianos” ainda não tinham terminado. Passavam já doze minutos e meio dos noventa, quando o recém-entrado Gvardiol bateu Diogo Costa. Era um “balde de água gelada”.
Mas o “VAR” teria ainda uma palavra final: a bola terá desviado (de acordo com o sensor nela introduzido) na cabeça de Matanović, antes de chegar a Pašalić (que fizera a assistência para Gvardiol), que, nesse caso, se encontrava em posição irregular, pelo que este lance foi também invalidado, perante o desalento dos croatas.
Seria preciso sofrer até aos 108 minutos e cinquenta, até que o norueguês Espen Eskås confirmasse o apuramento de Portugal!
Foi um comportamento demasiado instável da turma portuguesa para que se possa classificar como boa a exibição. Roberto Martínez arriscou, aparente e estranhamente em desespero – faltava jogar ainda mais de meia hora – e acabaria premiado.
Porém – e sem esquecer o amplo domínio exercido pela selecção na primeira parte –, o resultado poderia ter caído para qualquer dos lados, com Portugal a colocar-se demasiado à mercê de poder ter sido eliminado, perante um adversário que, em teoria, não lhe será superior.
Em função das incidências do jogo, não surpreenderia se este desafio tivesse terminado com um resultado de 4-4, ou outro similar, com a vitória de uma ou da outra formação.
Foi indisfarçável a sensação de que a equipa estará fatigada física e mentalmente, com vários jogadores, em diversas ocasiões, a jogar a passo, a denotar alguma falta de solidariedade e espírito de colectivo.
Será necessário muito maior rigor, mais intensidade e objectividade no encontro dos oitavos-de-final, frente à Espanha. Mas, em paralelo, ficaram também sinais positivos, o principal o de que há soluções de ataque no banco.
Mundial 2026 – Colômbia – Portugal
0-0
Camilo Vargas, Santiago Arias (87m – Daniel Muñoz), Davinson Sánchez, Jhon Lucumí, Deiver Machado, Jhon Arias (76m – Kevin Castaño), Jefferson Lerma (60m – Richard Ríos), Gustavo Puerta, James Rodríguez (76m – Juan Quintero), Luis Díaz e Jhon Córdoba (60m – Luis Suárez)
Diogo Costa, João Cancelo (45m – Diogo Dalot), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes (90m – Matheus Nunes), Rúben Neves (45m – João Neves), Vítor Ferreira “Vitinha” (70m – Samuel “Samú” Costa), Pedro Neto, Bruno Fernandes, João Félix (70m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo
Cartão amarelo – Gustavo Puerta (86m)
Árbitro – Alireza Faghani (Austrália)
Hard Rock Stadium, Miami Gardens (19h30 / 00h30)
Oscilando entre o “8 e o 80”, a imagem que ficou não foi nada boa: bastou o nível de exigência aumentar um pouco e Portugal não logrou estar à altura; estivemos sempre mais perto de perder do que outra coisa.
Se era à equipa portuguesa que competiria ir em busca da vitória, único resultado que lhe serviria para alcançar o 1.º lugar do Grupo, o que se passou dentro de campo foi tudo ao contrário.
Contra a sua suposta matriz e identidade, a selecção nacional não conseguiu ter a bola, voltou a não mostrar qualquer tipo de “futebol associativo”, mais não lhe restando que procurar ir dando alguns esporádicos (mas quase sempre inconsequentes) esticões, pelos flancos.
A Colômbia teve sempre mais iniciativa, maior intensidade e amplo domínio, controlando praticamente todo o jogo, e, por várias ocasiões, ameaçando a baliza, com Diogo Costa com uma “mão cheia” de atentas defesas, a justificar o prémio de “Homem do jogo” (isto para além das vezes em que os defesas centrais tiveram que intervir qual “pronto socorro”).
As raras excepções ocorreram num curto período, após a pausa a meio da primeira parte, em que a turma portuguesa terá tido um par de oportunidades, mas que não materializou em golo. Fora isso, a sensação foi de que a equipa esteve ausente do jogo, como que adormecida, conformada com o resultado e consequente ordenação da tabela classificativa.
Na segunda metade, em especial na fase final, após as substituições operadas pelos dois responsáveis técnicos, o desequilíbrio acentuou-se ainda mais, a favor dos colombianos, que pareciam ter outro tipo de combustível.
Os lances de perigo sucediam-se – por exemplo, pelo benfiquista Richard Ríos, logo depois de ter entrado em campo, a que seguiram algumas outras, quase sempre pelo flanco direito do ataque da Colômbia. Adivinhava-se o golo, o que viria a suceder já em tempo de compensação, invalidado pelo VAR, por milimétrico fora-de-jogo.
O nulo final foi bastante lisonjeiro para a Portugal. Foi um princípio de madrugada muito mal-empregada. A não ser que o grupo português volte a “mudar de cara” (e de atitude, e de um conjunto de várias outras vertentes) serão mínimas as expectativas para o jogo dos 1/16 avos de final, frente à Croácia.
Mundial 2026 – Portugal – Uzbequistão
5-0
Diogo Costa, João Cancelo (45m – Nélson Semedo), Rúben Dias, Renato Veiga, Nuno Mendes, João Neves (76m – Bernardo Silva), Vítor Ferreira “Vitinha” (83m – Rafael Leão), Pedro Neto (45m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes, João Félix (63m – Francisco Trincão) e Cristiano Ronaldo
Abduvohid Nematov, Abdukodir Khusanov, Abdulla Abdullaev, Rustam Ashurmatov, Bekhruzdjon Karimov (90m – Ruslanbek Jiyanov), Odiljon Hamrobekov (45m – Akmal Mozgovoy), Otabek Shukurov (90m – Sherzod Esanov), Sherzod Nasrullayev (45m – Khojiakbar Alijonov), Abbosbek Fayzullaev (73m – Igor Sergeev), Azizjon Ganiev e Eldor Shomurodov
1-0 – Cristiano Ronaldo – 6m
2-0 – Nuno Mendes – 17m
3-0 – Cristiano Ronaldo – 39m
4-0 – Abduvohid Nematov (p.b.) – 60m
5-0 – Rafael Leão – 87m
Cartões amarelos – Renato Veiga (68m); Odiljon Hamrobekov (14m)
Árbitro – Jalal Jayed (Marrocos)
NRG Stadium, Houston (12h00 / 18h00)
Como não poderia deixar de ser, a selecção de Portugal reagiu de forma positiva, realizou um jogo sério, competente (peso embora tenha ainda pecado na finalização) e, desta vez, a mostrar “trabalho de casa”. E, naturalmente, o resultado é o reflexo de uma boa actuação, mas, também, necessariamente, de um opositor com notórias debilidades.
A atitude foi a melhor, desde início, com uma entrada a “todo o gás”, a empurrar a equipa do Uzbequistão para as imediações da sua área, e, tendo a selecção nacional, por coincidência, voltado a chegar ao golo logo aos seis minutos (tal como sucedera na partida inaugural), já antes disso criara um par de situações de perigo, primeiro numa excelente execução de Bruno Fernandes, mas com um defesa a oferecer o corpo à bola, salvando “in extremis”, e, de seguida, Cristiano Ronaldo a ficar a centímetros de conseguir desviar para o golo.
O mesmo Cristiano, num remate ao seu melhor estilo, “em raquete”, estreava-se a marcar – depois da sofrível exibição no primeiro desafio, em que, praticamente, “passara ao lado” do jogo – , o que o levaria, no final, a gritar, para as câmaras: “I’m back”. Mesmo que tal não corresponda à realidade, a verdade é que se tornou no primeiro jogador a marcar em 6 edições do Campeonato do Mundo (num período de [mais de] vinte anos ao mais alto nível, entre 2006 e 2026), uma proeza fantástica, porventura insuperável!
A turma portuguesa, imbuída de uma forte vontade de mostrar serviço, continuou a acelerar, criando um turbilhão de lances ofensivos – quase se esquecendo de defender, o que, neste caso em concreto, acabou por não se revelar necessário –, não surpreendendo que tenha ampliado a contagem pouco depois de completado o primeiro quarto de hora. Num livre, de que o árbitro demorou eternidades a autorizar a sua marcação, o guarda-redes Nematov foi surpreendido pela postura de Ronaldo, com todo um demorado ritual de preparação, acabando por, subitamente, ser Nuno Mendes a desferir um inapelável tiro, muito colocado, directo para o fundo da baliza.
A famigerada pausa para hidratação, adoptada nos jogos deste “Mundial” (na prática a fazer dividir os encontros em “quatro partes”, com evidente aproveitamento com intuitos comerciais) teve associada, nos minutos seguintes, alguma quebra de foco e de intensidade. Mas por pouco tempo, porque, ainda antes do intervalo, Cristiano Ronaldo, numa boa desmarcação, sobre o lado direito da grande área, bisava, chegando aos dez golos em “Mundiais”, superando a marca de nove tentos apontados por Eusébio (este, numa única edição, em 1966!…).
E poderia bem ter chegado ao “hat-trick” (ou mais!…), noutras oportunidades, uma delas em que houve uma “embrulhada” com a defesa contrária, no momento em que procurava visar as redes contrárias, com a bola ainda a ressaltar, tendo Khusanov salvado em cima da linha de golo; e, noutro livre, em que, de novo, ficou patente a preparação das “bolas paradas”, desta feita com Cristiano (sempre ele!) como que a desinteressar-se do lance, mas a correr rapidamente por entre a barreira, surpreendendo todos os adversários, e o livre a ser marcado com a bola “picada”, para Ronaldo ir captar mais à frente, isolado frente ao guardião, com o qual chocaria, acabando a bola por se perder.
Na segunda metade a toada do jogo não se alteraria, mesmo que a ritmo mais moderado, vindo Portugal a chegar ao 4-0 à passagem do quarto de hora, na sequência de um pontapé de canto, com a bola, depois de um toque subtil de Cristiano na pequena área, a tabelar num defesa e, ainda, no guarda-redes, acabando por anichar-se no fundo das redes.
Aos 74 minutos, Cristiano Ronaldo – desta feita muito em jogo –, teve mais uma notável acção, com dois toques dentro da área e um remate bem direccionado, a requerer apertada intervenção de Nematov, a evitar o que poderia ter sido mais um golo. Mais dez minutos volvidos seria também Bruno Fernandes a testar a atenção do guarda-redes, com um pontapé de meia distância.
O quinto golo acabaria mesmo por chegar, numa exímia intervenção de Rafael Leão, a rematar de baixo para cima, com a bola a sair muito colocada, sem hipóteses de defesa. E, a fechar, já em tempo de compensação, num remate cruzado de Francisco Trincão, a bola sairia muito ligeiramente ao lado do poste mais distante.
Em síntese, foram cinco, poderiam ter sido até dez. O corolário de uma boa exibição da equipa portuguesa, a querer demonstrar que sabe jogar bem mais do que tinha feito na abertura. Mas, terá de assinalar-se, perante uma oposição bastante frágil.
Em qualquer caso, o mais importante nesta fase – o apuramento para os 1/16 avos de final – deverá ter sido já assegurado, com os quatro pontos já averbados (dependendo das pontuações finais que os 3.º classificados dos vários grupos venham a obter, mas não sendo crível que – para mais com a boa margem de golos de que dispõe – possa haver oito dessas selecções com melhor registo).
Mundial 2026 – Portugal – R. D. Congo
1-1
Diogo Costa, João Cancelo, Tomás Araújo, Renato Veiga, Nuno Mendes (72m – Nélson Semedo), João Neves, Vítor Ferreira “Vitinha” (83m – Gonçalo Ramos), Bernardo Silva (45m – Francisco Conceição), Bruno Fernandes, Pedro Neto (72m – Rafael Leão) e Cristiano Ronaldo
Lionel Mpasi-Nzau, Aaron Wan-Bissaka (85m – Gédéon Kalulu), Chancel Mbemba, Axel Tuanzebe, Steve Kapuadi, Fuka-Arthur Masuaku (74m – Joris Kayembe), Samuel Moutoussamy, Ngal’ayel Mukau (57m – Noah Sadiki), Edouard “Edo” Kayembe (74m – Charles Pickel), Cédric Bakambu (85m – Simon Banza) e Yoane Wissa
1-0 – João Neves – 6m
1-1 – Yoane Wissa – 45m
Cartões amarelos – Bernardo Silva (13m), Nélson Semedo (88m) e Tomás Araújo (90m); Chancel Mbemba (32m)
Árbitro – Abdulrahman Al-Jassim (Qatar)
NRG Stadium, Houston (12h00 / 18h00)
Na estreia portuguesa no Mundial, o resultado foi mau. Poderia ter sido pior; poderia ter sido melhor. Mas, pior que o resultado foi a exibição, completamente desinspirada.
Como ponto prévio, de enquadramento, deverá atentar-se que, dos 16 jogadores que alinharam pela equipa da R. D. Congo, somente três são naturais do país (os defesas centrais Mbemba e Tuanzebe, e Kayembe); sendo nada menos de oito os nascidos em França, para além de três originários da Bélgica. Por seu lado, quinze deles militam em clubes europeus (a única excepção é Banza, ex-Braga, actualmente no Al Jazira, nos Emiratos Árabes Unidos): destacam-se os contingentes de Inglaterra (cinco, no Newcastle, Sunderland, West Ham, Burnley e Watford) e de França (quatro jogadores, dois no Lille, Lens e Havre).
Isto dito, não se trata de uma selecção “qualquer”, mas, que, obviamente, não justifica que a turma nacional não tivesse tido a competência para se impor em termos do desfecho da partida.
Até porque, completados apenas os cinco minutos iniciais, Portugal logo se colocou em vantagem, num oportuno desvio de cabeça de João Neves, mais rápido (e melhor posicionado) que os defesas contrários. Esse golo não alterou a toada de jogo da formação congolesa, que persistiu remetida à sua zona recuada, oferecendo a iniciativa – e a bola – ao conjunto português. Os dados estatísticos eram avassaladores, quase a aproximar-se de 80% de posse bola, mas uma posse absolutamente estéril, com escasso número de remates à baliza.
A equipa nacional ter-se-á (mesmo que subconscientemente) mentalizado que outro(s) golo(s) acabariam por surgir, em contraponto à falta de criatividade que, sobre o relvado, ia evidenciando, notoriamente falha de dinâmica e intensidade, e com elementos que pareciam como que alheados do jogo, em que nada lhes saía bem (com exemplos mais evidentes nos péssimos desempenhos de Bernardo Silva, Nuno Mendes e João Cancelo). Do lado do opositor, o seu guarda-redes, Mpasi-Nzau, tinha uma tarde “descansada”, como porventura não imaginaria.
Há, necessariamente, que abordar ainda o “elefante na sala”: o grande problema que, hoje em dia, Cristiano Ronaldo representa, sem participação a nível de futebol associativo, sem o fulgor (físico e de explosão) que o caracterizou, e, objectivamente, ineficaz.
Cristiano não soube “sair a tempo”, com a ânsia dos records, e até nisso (do maior número de golos marcados na carreira) é bem provável que acabe também por vir a ser ultrapassado (a “breve prazo”, por Messi).
Ronaldo foi, neste desafio, quase que “um jogador a menos”… ou, pior, ao interpor-se, com um remate falhado, num lance em que a bola iria sobrar para Bruno Fernandes, muito melhor posicionado para visar a baliza. Na minha perspectiva, uma opção inconcebível para alinhar como titular, numa selecção com aspirações a fazer (boa) figura na prova.
Voltando ao colectivo, perante a exibição efectuada, suscita-se igualmente a interrogação: o que farão nos treinos?… Uma vez que não foi visível qualquer “trabalho de casa”, tal a falta de ligação entre sectores, parecendo cada um por si. E, também aqui, há um inevitável “bode expiatório”, Roberto Martínez.
E, naturalmente, à medida que o tempo ia passando, o conjunto congolês ia adquirindo maior confiança, começando, aqui e ali, a despontar, e a conseguir levar algumas investidas até ao sector defensivo contrário.
Estávamos a entrar já no último dos cinco minutos de tempo de compensação concedido pelo árbitro, quando, na sequência de um pontapé de canto, mas com uma jogada trabalhada, de alguma envolvência, a R. D. Congo chegou ao golo do empate, num lance em que, pela passividade demonstrada, não saindo dos postes, Diogo Costa também não poderá passar incólume, a par, claro está, dos centrais, que permitiram que Wissa tivesse todo o espaço disponível para visar com êxito a baliza.
Na segunda parte, o jogo continuou a arrastar-se, agora já sem uma tendência de “domínio” tão definida, sendo que o grupo africano ia ameaçando, a espaços, em mais de um par de ocasiões, poder tentar chegar de novo ao golo. O futebol estereotipado da equipa portuguesa, com insistentes lateralizações (e algumas vãs tentativas de cruzamento para a área), não dava sinais de uma reacção positiva, e, na realidade, o lance de maior perigo terá sido o tal em que a bola acabou por não chegar a Bruno Fernandes…
Se Portugal foi “superior” em termos de controlo de jogo, sim, claro. Se essa “superioridade” seria de molde a justificar a vitória, será decerto mais discutível.
Os sinais transmitidos são preocupantes, tanto mais que não se vislumbra, em Roberto Martínez (tradicionalmente muito conservador), o necessário “golpe de asa”, que permita à equipa ter outro tipo de desempenho, muito mais assertivo e efectivo, perante adversários que, tendencialmente, privilegiam o risco mínimo e a protecção da sua baliza.
Em qualquer caso, não passará pela cabeça de ninguém repetir um desempenho tão fraco, e, sobretudo, não ganhar o próximo jogo, frente ao Uzbequistão…
Liga dos Campeões – Final – Paris Saint-Germain – Arsenal
Paris St.-Germain – Matvey Safonov, Achraf Hakimi, Marcos Corrêa “Marquinhos” (105m – Illya Zabarnyi), Willian Pacho, Nuno Mendes, João Neves, Vítor Ferreira “Vitinha” (105m – Lucas Beraldo), Fabián Ruiz (95m – Warren Zaïre-Emery)), Désiré Doué, Ousmane Dembélé (90m – Gonçalo Ramos) e Khvicha Kvaratskhelia (83m – Bradley Barcola)
Arsenal – David Raya, Cristhian Mosquera (66m – Jurriën Timber), William Saliba, Gabriel Magalhães, Piero Hincapié, Declan Rice, Myles Lewis-Skelly (91m – Martín Zubimendi), Bukayo Saka (83m – Chukwunonso “Noni” Madueke), Martin Ødegaard (67m – Viktor Gyökeres), Leandro Trossard (83m – Gabriel Martinelli) e Kai Havertz (91m – Eberechi Eze)
0-1 – Kai Havertz – 6m
1-1 – Ousmane Dembélé (pen.) – 65m
Cartões amarelos – Cristhian Mosquera (47m), Bukayo Saka (54m), Viktor Gyökeres (98m) e Declan Rice (103m); João Neves (90m) e Nuno Mendes (118m)
Árbitro – Daniel Siebert (Alemanha)
Puskás Aréna, Budapeste – Hungria
Desempate da marca de grande penalidade:
1-0 – Gonçalo Ramos
1-1 – Viktor Gyökeres
2-1 – Désiré Doué
Eberechi Eze rematou ao lado
Nuno Mendes permitiu a defesa a David Raya
2-2 – Declan Rice
3-2 – Achraf Hakimi
3-3 – Gabriel Martinelli
4-3 – Lucas Beraldo
Gabriel Magalhães rematou por alto
O Paris Saint-Germain sagrou-se bi-Campeão Europeu, ao bater o Arsenal, no desempate da marca de grande penalidade, num desafio em que manifestou superioridade em todos os dados estatísticos, com um domínio esmagador em termos de posse de bola (75% / 25%), para além de 21-7 em remates, 4-1 em remates à baliza e 11-3 em cantos.
O jogo começou de feição para o Arsenal, que marcou estavam apenas completados os cinco minutos iniciais, apostando, desde logo, numa táctica de risco mínimo, procurando preservar o seu sector recuado, não obstante tenha tido uma ou outra ocasião de poder ter ampliado a vantagem. Denotando dificuldades em desmontar o posicionamento do adversário, a equipa francesa não conseguiria mais do que uma oportunidade no primeiro tempo.
Na segunda metade, a pressão intensificou-se, acabando por, de alguma forma, se fazer justiça com o tento do empate. Até final do tempo regulamentar a toada de jogo não se alteraria substancialmente.
Seria já no prolongamento que se registaria um maior “desencaixe” entre as duas formações, numa fase já de menor controlo, a resultar em alguns lances de perigo de parte a parte, mas sem que o marcador se alterasse.
No desempate da marca de grande penalidade, apesar de ter sido o guardião do Arsenal a conseguir a única defesa, dois dos seus colegas não lograram acertar na baliza, culminando na conquista do título pelo emblema parisiense.
O forte núcleo português – com Nuno Mendes, João Neves e Vitinha a alinhar de início, tendo ainda Gonçalo Ramos entrado no último minuto do segundo tempo – sagra-se também bi-Campeão da Europa!
Uma curiosidade, muito rara no historial da competição: o Paris Saint-Germain alinhou nesta Final exactamente com os mesmos (10) jogadores de campo que tinham iniciado a Final de há um ano, portanto, com uma única alteração no “onze” titular, a do guarda-redes (Safonov, em vez de Donnarumma)! (Anteriormente, o Real Madrid repetira o “onze” na totalidade, nas Finais de 2017 e 2018; o Ajax alterara um jogador de campo entre 1972 e 1973; tal como o AC Milan entre 1989 e 1990).
Depois de Real Madrid, Benfica, Inter, Ajax, Bayern, Liverpool, Nottingham Forest e AC Milan, o Paris Saint-Germain é apenas o nono clube a repetir a conquista da principal prova do futebol europeu em épocas sucessivas, sendo que, na “Era Champions” (desde 1993) apenas o Real Madrid o conseguira até agora.
A lista de vencedores, nas 71 edições já disputadas da competição (sob as designações de Taça dos Campeões Europeus e, desde 1992-93, Liga dos Campeões), passou a ser assim ordenada:
- Real Madrid – 15 (1955-56, 1956-57, 1957-58, 1958-59, 1959-60, 1965-66, 1997-98, 1999-00, 2001-02, 2013-14, 2015-16, 2016-17, 2017-18, 2021-22 e 2023-24)
- AC Milan – 7 (1962-63, 1968-69, 1988-89, 1989-90, 1993-94, 2002-03 e 2006-07)
- Liverpool – 6 (1976-77, 1977-78, 1980-81, 1983-84, 2004-05 e 2018-19)
- Bayern München – 6 (1973-74, 1974-75, 1975-76, 2000-01, 2012-13 e 2019-20)
- Barcelona – 5 (1991-92, 2005-06, 2008-09, 2010-11 e 2014-15)
- Ajax – 4 (1970-71, 1971-72, 1972-73 e 1994-95)
- Inter – 3 (1963-64, 1964-65 e 2009-10)
- Manchester United – 3 (1967-68, 1998-99 e 2007-08)
- Benfica – 2 (1960-61 e 1961-62)
- Nottingham Forest – 2 (1978-79 e 1979-80)
- Juventus – 2 (1984-85 e 1995-96)
- FC Porto – 2 (1986-87 e 2003-04)
- Chelsea – 2 (2011-12 e 2020-21)
- Paris Saint-Germain – 2 (2024-25 e 2025-26)
- Celtic (1966-67); Feyenoord (1969-70); Aston Villa (1981-82); Hamburg (1982-83); Steaua București (1985-86); PSV Eindhoven (1987-88); Crvena Zvezda (1990-91); Marseille (1992-93); Borussia Dortmund (1996-97); e Manchester City (2022-23).
Liga Conferência – Final – Crystal Palace – Rayo Vallecano

Um solitário golo, apontado no início da segunda parte, bastou para o Crystal Palace conquistar o primeiro título europeu da sua história, ao bater, na Final, disputada em Leipzig, o Rayo Vallecano.
Após a disputa de cinco edições da “Liga Conferência”, passamos a ter a seguinte lista de vencedores:
- 2021-22 – Roma
- 2022-23 – West Ham
- 2023-24 – Olympiacos
- 2024-25 – Chelsea
- 2025-26 – Crystal Palace








