Posts filed under ‘Tomar’

O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada

(“O Templário”, 30.04.2026)

Poderia conjecturar-se que o Fazendense – com quatro pontos de avanço a cinco rondas do termo da prova – tivesse já “uma mão” no troféu de Campeão Distrital, mas a 26.ª jornada veio alertar que o perigo pode estar à espreita a qualquer momento, com o guia a sair derrotado no Entroncamento, permitindo a recolagem do Mação, agora somente a um escasso ponto.

Destaques – Se tivermos em atenção que o Fazendense não perdia há onze jogos (nos quais, aliás, tinha cedido um único empate) e que, por seu lado, o Entroncamento AC não ganhava há nove desafios, não se tratou de uma mera surpresa, mas sim de um resultado de sensação, o triunfo da formação da cidade ferroviária, por conclusivo 3-1! Os visitados inauguraram o marcador à passagem da meia hora, tendo ainda ampliado para 2-0. O comandante mais não conseguiu do que reduzir, para, já nos derradeiros cinco minutos, ser o EAC a marcar de novo, dando mais um importante passo na sua tentativa de escapar à descida de divisão, pese embora mantenha curta margem de apenas três pontos face ao At. Riachense, primeiro abaixo da “linha de água”.

No que, à partida, seria o “jogo grande” da jornada, colocando frente-a-frente o 2.º e o 3.º classificado, o Mação não vacilou, derrotando, por categórico 3-0, o Porto Alto, despachando a contenda ainda antes do intervalo. Esta foi a quarta vitória sucessiva dos maçaenses, de novo relançados na corrida ao título, em contraponto ao segundo desaire da AREPA em três jogos.

Em destaque esteve ainda o Coruchense, que prossegue a bom ritmo nesta segunda volta, tendo ido golear por 5-1 a Pontével, não obstante até tenham sido os visitados a marcar primeiro, ainda antes de completados dez minutos – tendo a turma do Sorraia chegado ao intervalo já com 3-1.

Surpresa – Não foi, de todo, um bom jogo o realizado pelo U. Tomar, na recepção ao Águias de Alpiarça, traduzido num bastante inesperado desfecho, que, em paralelo, se consubstancia no quinto desaire caseiro consecutivo dos nabantinos. Com uma má entrada em campo, duas desconcentrações resultaram em outros tantos tentos sofridos, praticamente de rajada, aos oito e dez minutos. Os tomarenses ainda reduziram, mas, o terceiro golo alpiarcense, logo no recomeço, abateu a equipa em termos anímicos, até final sem conseguir criar efectivas ocasiões de golo.

Em consequência, o União viu ampliar-se, de um para quatro pontos, o atraso face ao 7.º lugar.

O Cartaxo voltou, de alguma forma, a surpreender, dando nova “prova de vida”, arrancando, já em período de compensação, um empate nos Riachos, num confronto directo entre “aflitos”, respectivamente penúltimo e antepenúltimo classificados, ambos em zona de descida, mantendo-se separados por um ponto – portanto, com os cartaxeiros a quatro pontos da “salvação”.

Confirmações – Nos restantes três encontros, os homens da casa impuseram-se, confirmando o favoritismo que lhes seria já atribuído, à entrada para os correspondentes prélios.

O Torres Novas aproveitou o desaire do Porto Alto, para retomar o lugar no pódio, tendo batido o Abrantes e Benfica por 2-1, com o tento decisivo apontado à entrada do quarto de hora final.

Também o Amiense-At. Ouriense teve desfecho tangencial, neste caso, com o triunfo da turma dos Amiais mercê de um solitário golo, marcado no início da segunda etapa, um desfecho que proporcionou aos vencedores igualar o U. Tomar e o At. Ouriense na tabela (trio entre 8.º e 10.º).

O Alcanenense-Tramagal não teve maior história que o desenrolar dos seis tentos com que o grupo de Alcanena goleou o seu oponente (2-0 ao intervalo), agora já com a despromoção consumada.

II Divisão Distrital – Os grandes vitoriosos da derradeira jornada da primeira fase foram o Salvaterrense (2-1, na Glória do Ribatejo, em mais um “derby”) e Pego (goleando por 6-0 em Abrantes, frente à formação “B” local), que, sobre o risco de meta, lograram suplantar os rivais directos na corrida ao apuramento, com o Forense e o At. Pernes a ficarem de fora da fase final.

A equipa dos Foros de Salvaterra que fizera praticamente todo o campeonato em zona de qualificação (desde a 4.ª ronda), e que chegara a dispor de vantagem de seis pontos sobre o Salvaterrense (à 8.ª jornada) – e de cinco pontos a três jogos do fim –, acabou por baquear na recta final: derrota com o Marinhais, empate em Samora Correia, e, no dia decisivo, novo desaire caseiro, frente ao líder, Moçarriense (1-2), terminando três pontos atrás do conjunto de Salvaterra.

Por seu turno, o At. Pernes ocupou as posições de apuramento entre a 17.ª e a 21.ª jornadas, mas sem nunca conseguir descolar, vindo a ser penalizado pela inesperada derrota (1-2), também em casa, ante o Espinheirense, terminando em 5.º lugar. A U. Atalaiense ainda teve de passar por um grande susto, vendo-se a perder com o Mindense, mas o empate (2-2) garantiu-lhe a 2.ª posição.

De nada serviu a invulgar goleada do Caxarias em Alferrarede (9-3!), em jogo de “fim de estação”, que não lhe permitiu mais que a obtenção do 4.º lugar, a um ponto do Pego. O ainda Campeão Distrital em título, Ferreira do Zêzere, concluiu a prova no 6.º posto, quatro pontos mais abaixo.

O Vasco da Gama, que fez história – a que terá de dar-se o devido sublinhado – esteve tão perto de a fazer de forma plena: falhou, no último dia, a possibilidade de somar 22 vitórias em 22 jogos (do que não haverá memória), travado na Ortiga, apenas “in extremis” se mantendo invicto (1-1).

Garantiram o apuramento para a fase de apuramento de Campeão e de promoção à I Divisão Distrital os seguintes emblemas: Moçarriense e Vasco da Gama (vencedores destacados das suas séries); Ouriquense e U. Atalaiense (2.º classificados); e Salvaterrense e Pego (3.º classificados).

Liga 3 – Na 11.ª ronda da fase final, os principais perseguidores do guia (Amarante) – Académica (a três pontos) e Belenenses (a cinco) – desperdiçaram soberanas oportunidades de vencer (no caso dos “azuis” em confronto directo), consentindo o(s) tento(s) da igualdade em período de compensação, encontrando-se, em ambos os casos, em situação de superioridade numérica!

No caso dos academistas, deslocando-se a Santarém, jogaram contra 10 durante cerca de 70 minutos, isto depois de se terem já colocado em vantagem no marcador; o U. Santarém viria a empatar (1-1) aos 90+6 minutos. Em Amarante, o Belenenses por duas vezes esteve em vantagem, tendo o 2-2 final sido estabelecido pelos amarantinos já com oito minutos para lá dos noventa.

Nada de novo na frente, pois, tendo os cinco primeiros empatado; aliás, só o Mafra (6.º) saiu vencedor, por 1-0, com o Trofense, de novo relegado para último, pelo empate dos escalabitanos.

Campeonato de Portugal – No arranque da fase final, com os oito apurados repartidos em duas séries (Bragança, Leça, Rebordosa e Vianense, a Norte; e At. Malveira, Louletano, Oliveira do Hospital e V. Sernache, a Sul), os representantes da série C defrontaram-se logo na jornada inicial, prosseguindo a formação de Cernache do Bonjardim a excelente campanha desta temporada, tendo ido vencer ao terreno do adversário por 2-1 (mesmo desfecho do Louletano, na Malveira).

Antevisão – No escalão principal, a disputa pelo título desenrola-se em dois campos: o ainda líder Fazendense recebe o agora 3.º classificado, Torres Novas; enquanto o Mação visita Ourém. Na luta pela permanência, temos mais um embate de importância crucial: Cartaxo-Entroncamento AC; tendo o At. Riachense uma curta viagem até Alpiarça. O U. Tomar desloca-se ao Porto Alto.

Na primeira ronda da fase final da II Divisão, temos um “choque de titãs”, entre os vencedores de série, com o Vasco da Gama a receber o Moçarriense (numa espécie de reedição das meias-finais da Taça do Ribatejo); o Ouriquense tem a visita do Salvaterrense; e, a U. Atalaiense, a do Pego.

Na Liga 3, o U. Santarém volta a deslocar-se ao Restelo, para defrontar o Belenenses. No Campeonato de Portugal, cabe ao V. Sernache receber o At. Malveira, enquanto o Oliveira do Hospital, actuando de novo em casa, terá agora a visita do Louletano.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Abril de 2026)

3 Maio, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 25ª Jornada

(“O Templário”, 23.04.2026)

Com o Distrital da I Divisão a entrar na sua fase decisiva – e, sabendo-se já, agora, na sequência da conclusão da fase regular do Campeonato de Portugal, que serão três os clubes a despromover ao escalão secundário –, intensifica-se a luta pela permanência, proporcionando alguns desfechos menos expectáveis, tendo três dos quatro últimos classificados pontuado na 25.ª jornada.

Destaques – A primeira nota de realce vai para o categórico triunfo do Mação na visita a Tomar, repetindo, aliás, os números (3-0) com que ali vencera já, no final de Novembro, em partida da Taça do Ribatejo, mantendo sob mira o líder. Imprimindo forte intensidade, os maçaenses resolveram a contenda em curto período de dez minutos, marcando por três vezes entre os vinte e os trinta, não concedendo veleidades aos visitados. Com uma má entrada em jogo, os unionistas, mesmo que – tal como sucedera na recepção ao comandante – tenham reagido positivamente na segunda metade (mas, desta feita, sem ter conseguido marcar), somaram quarta derrota caseira sucessiva, após os desaires ante Torres Novas (4.º), Alcanenense (5.º) e Fazendense (1.º).

Jogando, sobretudo, pela honra, uns a procurar chegar à 5.ª posição, outros almejando um lugar no pódio, o Coruchense levou a melhor sobre o Torres Novas, ganhando por 3-1, na primeira vez, neste campeonato, em que os torrejanos – que, ainda assim, mantêm, agora a par da AREPA, a defesa menos batida da prova – consentiram três tentos (totalizam 15 golos sofridos em 25 jogos).

Em destaque esteve ainda, de novo, o Tramagal, recebendo o Pontével, e obtendo – depois dos vinte jogos iniciais sem conhecer o êxito – a segunda vitória nas cinco últimas rondas (nas quais averbou ainda um empate), impondo-se por 2-1, apontando o tento decisivo ao “cair do pano”.

Surpresas – Começando pelo Porto Alto-Amiense, a turma da casa, a lidar com a perda de invencibilidade, realizou exibição aquém do desempenho evidenciado ao longo da época, não tendo desfeito o nulo ante um oponente que mantém registo muito positivo na segunda volta (tendo somado já 18 pontos, marca apenas superada pelos três clubes do pódio e pelo Coruchense), e que, em termos práticos, estará já a salvo de maiores preocupações, não obstante subsista no 11.º lugar, mas com bem confortável margem, de doze pontos, face à “linha de água”.

O Abrantes e Benfica confirma a atravessar mau momento: depois de ter sido inesperadamente goleado nos Riachos, voltou a ceder pontos, na recepção ao Entroncamento AC, empatando a duas bolas, por duas vezes tendo deixado escapar situação de vantagem no marcador, com os forasteiros a fixar a igualdade já no período de compensação, o que, por ora, lhes permite manterem-se em zona de manutenção, pese embora um único ponto acima do Riachense.

Porventura ainda menos previsível seria que o Cartaxo voltasse, enfim – após uma longa série de doze derrotas consecutivas, sofridas nos últimos quatro meses –, a pontuar, na deslocação a Alpiarça. Os cartaxeiros começaram por surpreender o Águias, inaugurando o marcador logo aos cinco minutos, tendo, ainda assim, os alpiarcenses ripostado, chegando ao descanso empatados, para, no quarto de hora inicial do segundo tempo, elevarem a contagem até aos 3-1, a seu favor. Porém, não evitariam ser de novo aturdidos, com a imprevista recuperação dos cartaxeiros, que estabeleceram o 3-3 final à entrada para os últimos quinze minutos do prélio.

Confirmações – O Fazendense confirmou o favoritismo que lhe era atribuído, somando mais três pontos, vencendo, não sem experimentar dificuldades, o At. Riachense, por 2-0, só na etapa complementar chegando ao golo, vindo a obter o tento da confirmação já para lá dos noventa.

Por fim, At. Ouriense e Alcanenense repartiram os pontos, tendo empatado a uma bola; os anfitriões marcaram a meio da primeira parte, tendo os forasteiros restabelecido a igualdade nos minutos iniciais da etapa complementar – passando a dispor de um escasso ponto de vantagem face ao Coruchense, se considerarmos o desfecho da partida antecipada já realizada entre ambos.

II Divisão Distrital – A penúltima ronda da fase regular da prova não trouxe novidades em termos das equipas já qualificadas para a fase final (Vasco da Gama, Moçarriense e Ouriquense), nem dos candidatos a tal apuramento (Forense e Salvaterrense, igualados em pontos, na Série A; e U. Atalaiense, At. Pernes, Pego e Caxarias, que disputam ainda duas vagas disponíveis na Série B).

As equipas do QT-SC Rio Maior e da Glória do Ribatejo, que não foram além de empates (em Santarém e em Benavente, respectivamente) ficaram matematicamente arredadas de quaisquer aspirações; mas o desfecho mais surpreendente foi outra igualdade, a zero, do Forense perante a equipa “B” do Samora Correia, que poderá eventualmente vir a revelar-se crucial.

A Norte, o Vasco da Gama (7-1, na recepção aos “Lagartos” do Sardoal), apresta-se a fazer história. Caxarias e At. Pernes empataram a um, do que tirou maior partido a U. Atalaiense (boa vitória, por 3-2, no Espinheiro), para além do Pego (natural triunfo, por 4-0, ante o Alferrarede).

Liga 3 – Na 10.ª jornada da fase final, o U. Santarém deu um “ar da sua graça”: após um ciclo negativo, de cinco desaires (em casa com o Belenenses, Amarante e Trofense; na Póvoa e em Mafra), deslocou-se a Guimarães, averbando um empate (1-1), ante a equipa “B” do Vitória (4.º classificado), tendo deixado escapar a vitória já com oito minutos de tempo de descontos…

No “jogo grande”, num clássico entre dois emblemas históricos do futebol nacional, a Académica triunfou por 2-1 diante do Belenenses. A quatro rondas do termo, o Amarante lidera destacado, com mais três pontos que os “estudantes”, e cinco de vantagem face aos “azuis” do Restelo.

Campeonato de Portugal – Os clubes do Distrito voltaram a bisar a vitória, o que, como previsto, proporcionou ao Fátima a manutenção no Nacional (para uma terceira época sucessiva nesta competição), não tendo porém os quatro triunfos com que concluiu a prova sido suficientes para que o Samora Correia pudesse evitar o regresso ao Distrital na temporada imediata após a subida.

Os fatimenses bateram o Benfica e Castelo Branco (que ocupava o 3.º posto, ambicionando ainda à qualificação para a fase final – vindo, contudo, a baixar à 4.ª posição) por categórico 4-1, depois de, praticamente, terem entrado a ganhar, marcando logo aos dois minutos. Passaram ainda por um susto, com o tento da igualdade escassos minutos volvidos, mas – mesmo que o empate lhes bastasse – repuseram a vantagem a meio do segundo tempo, marcando ainda outros dois tentos.

Os samorenses, que enfrentavam um cenário demasiado desfavorável (dependentes de derrota da Juv. Lajense, da não vitória do Peniche, e necessitando recuperar nove golos face aos açorianos), rapidamente se aperceberam que a missão seria mesmo impossível; mas, perante as adversidades, começando por se ver em desvantagem, operando a reviravolta, consentindo o empate a duas bolas, teriam ainda forças (físicas e mentais) para marcar mais dois golos (4-2) nos minutos finais.

O Fátima (32 pontos) terminou no 8.º lugar, igualado com a Juv. Lajense (9.º); baixam aos regionais: Peniche (30), Samora Correia (11.º, com 29), Marinhense (24), Eléctrico de Ponte de Sor (19) e Lusitânia (17). O V. Sernache e o Oliveira do Hospital apuraram-se para a fase final.

Antevisão – No escalão principal, destaca-se o embate entre o 2.º e o 3.º classificados, com o Mação a ser visitado pela AREPA; mas o guia, Fazendense, não se poderá desconcentrar, na deslocação ao Entroncamento. O U. Tomar volta a jogar em casa, recebendo o Águias de Alpiarça.

Na derradeira ronda da II Divisão, tudo ainda para decidir em seis campos. A Sul, o Forense recebe o líder, Moçarriense, enquanto o Salvaterrense enfrenta a Glória do Ribatejo, em reduto alheio, em mais um “derby”; a turma dos Foros tem vantagem no confronto directo, pelo que lhe “bastará” obter resultado similar ao do conjunto de Salvaterra. A Norte, todos os candidatos são favoritos a ganhar: U. Atalaiense (41 pontos), recebe o Mindense; At. Pernes (39), tem a visita do Espinheirense; Pego (38), com deslocação a Abrantes; e Caxarias (37), de visita a Alferrarede; a confirmar-se a lógica, os grupos da Atalaia e de Pernes acompanhariam o Vasco da Gama.

Na Liga 3, o U. Santarém recebe o vice-líder, Académica, em partida de capital importância para os conimbricenses, também na expectativa do desfecho do embate entre Amarante e Belenenses.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Abril de 2026)

26 Abril, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 24ª Jornada

(“O Templário”, 16.04.2026)

A derrota da AREPA foi, necessariamente, o facto mais relevante da 24.ª jornada, enaltecendo-se a “proeza” do Alcanenense, que não retira mérito à excelente campanha realizada neste campeonato pela equipa do Porto Alto. Numa jornada de goleadas (cinco!), realce para a obtida pelo Coruchense – a par do surpreendente desfecho do jogo At. Riachense-Abrantes e Benfica.

Destaques – Foi necessário um lance de infelicidade, resultando num golo na própria baliza, à beira do intervalo (e ainda outro, com uma grande penalidade defendida pelo guardião do Alcanenense), para que a formação da AREPA acabasse por vir a ser – pela primeira vez na prova, já em fase tão adiantada da época – desfeiteada, vendo travada a excepcional série de 23 jogos consecutivos de invencibilidade, perdendo por tangencial 1-0, em Alcanena, um desfecho que, em paralelo, permite aos anfitriões continuar, por ora, a almejar a preservação do 5.º lugar.

Também com um solitário tento, o Pontével colocou termo a um ciclo negativo, de seis jogos sem ganhar (nos quais acumulara cinco derrotas), tendo caído em zona algo inquietante, logrando sair vencedor na recepção ao At. Ouriense, o que lhe confere uma boa margem de segurança, agora ampliada para nove pontos (a faltar realizar seis jornadas), em relação a zona de descida.

Nos Amiais, recorrendo a actuação de alguma forma astuta – também bastante condicionada pelo facto de se ter visto em inferioridade numérica muito cedo, tendo de jogar bem mais de uma hora reduzido a dez unidades –, o U. Tomar obteve um positivo empate, a uma bola.

Com uma melhor entrada em jogo, os unionistas, surpreendendo o adversário, começaram por dominar, mas sem efectividade. Até que, logo aos 25 minutos, se deu a expulsão de um jogador tomarense, o que forçou o reagrupamento da equipa nabantina. Ainda assim, encaixando bem no sistema contrário, seria o União a colocar-se em vantagem, próximo do intervalo. Na segunda metade, com naturalidade, o Amiense pressionou ainda mais, vindo a empatar a dez minutos do termo da partida. Os donos da casa foram algo perdulários, mas também os visitantes tiveram ocasiões para poder ter voltado a marcar, pelo que a repartição de pontos será justificada.

Antes deste encontro, no passado dia 8 de Abril (quarta-feira), em recuperação de partida que se encontrava em atraso da 17.ª jornada, já os tomarenses tinham oferecido boa réplica ao comandante (Fazendense), perdendo por 1-2, mas mantendo o oponente “em sentido” até ao fim.

Surpresa – Seria já, de certo modo, surpreendente o triunfo do At. Riachense face ao Abrantes e Benfica – mesmo que a turma dos Riachos venha transmitindo sinais de inconformismo com a delicada posição que ocupa na pauta classificativa –, mas, de todo imprevista foi a amplitude de tal vitória, com os anfitriões a golear um adversário de créditos firmados por robusto 4-0, depois de terem chegado ao descanso já com o jogo decidido a seu favor, com vantagem de três golos.

Confirmações – Vista esta primeira goleada, as quatro outras goleadas registadas nos restantes desafios do passado domingo enquadram-se mais dentro do que seriam as expectativas, vindo confirmar o amplo favoritismo que, “a priori”, era já atribuído aos clubes vencedores.

Ainda assim, como antes assinalado, o retumbante triunfo (5-0) do Coruchense no Entroncamento (dois golos na meia hora inicial, a que se seguiram mais três, no segundo tempo) permitirá conjecturar que o grupo do Sorraia estará na firme disposição de questionar a posição do Alcanenense, numa disputa, que se antevê interessante, até final, pelo 5.º lugar.

De resto, os dois primeiros da classificação, Fazendense e Mação – agora separados por quatro pontos, após o acerto de calendário – parecem ter feito “marcação directa”, ganhando pelo mesmo “placard”, de 5-1, cedo tendo, ambos, resolvido os respectivos compromissos.

O conjunto das Fazendas, actuando no Cartaxo, com dois tentos nos primeiros vinte minutos, não obstante tenha consentido aos visitados a redução para 1-2, logo na abertura da etapa complementar; mas, de pronto, repondo a diferença (1-3), ampliada ainda com outros dois golos.

Por seu turno, a turma maçaense, visitada pelo Águias de Alpiarça, entrou “a todo o gás” em cada uma das partes, estabelecendo vantagem de três golos, ainda na metade inicial do primeiro tempo; e marcando por outras duas vezes, de novo, no arranque dos segundos quarenta e cinco minutos, dilatando a vantagem para 5-0, antes de os alpiarcenses alcançarem o seu “ponto de honra”.

“Sem história” foi também o Torres Novas-Tramagal, com os torrejanos a golear por 6-0, tendo chegado ao intervalo já com vantagem de quatro golos – o que, em função da derrota sofrida pela equipa do Porto Alto, lhes permitiu igualar pontualmente este rival, na luta por um lugar no pódio.

II Divisão Distrital – O resultado de maior sensação da 20.ª ronda foi a categórica vitória (4-1) do Marinhais (7.º) no terreno do Forense (3.º), em mais um “derby”, a lançar a dúvida sobre o terceiro clube a apurar para a fase final. A Norte, o Vasco da Gama atingiu a bela marca redonda de 20 vitórias em 20 jogos, tendo sido intenso o prélio At. Pernes-Pego – em disputa directa pela qualificação –, em que os forasteiros, depois de terem chegado a vantagem de 3-0, acabaram, sensacionalmente, por ser desfeiteados por 4-3, com os tentos decisivos aos 90 e 90+2 minutos.

Só com duas rodadas por disputar, têm já garantida a presença na fase de apuramento de Campeão e de disputa dos três lugares de promoção, três (do total de seis) emblemas: Vasco da Gama, Moçarriense e Ouriquense. Na série A, o 3.º lugar deverá estar em discussão entre Forense (39 pontos) e Salvaterrense (37) – com QT-SC Rio Maior (34) e Glória do Ribatejo (33) porventura já sem mais do que meras esperanças na “matemática”. Na série B, as duas vagas ainda por atribuir serão decididas entre At. Pernes (38), U. Atalaiense (38), Caxarias (36) e Pego (35 pontos).

Liga 3 – Mais uma jornada (9.ª) da fase de subida, mais um desaire (7.º) do U. Santarém, batido em casa pelo anterior “lanterna vermelha”, Trofense, por 0-1, na sequência de um “penalty”, já nos dez minutos finais. Os escalabitanos, imobilizados nos seis pontos, baixaram à 8.ª e última posição, tendo, em termos gerais, a sua época já “feita”, mediante a qualificação para esta fase.

No topo, os quatro primeiros empataram entre si: 1-1 no Académica-Amarante; 0-0 no Belenenses-V. Guimarães “B”. O Amarante lidera (20 pontos), mais dois que o Belenenses, seguidos pela Académica, um ponto abaixo, e a equipa “B” vimaranense, a seis pontos do guia.

Campeonato de Portugal – Fátima (3-0 em Ponte de Sor, ante o Eléctrico) e Samora Correia (2-1 em Castelo Branco, frente ao Benfica local) obtiveram assinaláveis vitórias, o que, no caso dos samorenses (e pese embora tenham averbado terceiro triunfo sucessivo) terá chegado tardiamente.

À entrada para a derradeira jornada, o Fátima subiu ao 8.º posto, igualado com o 9.º classificado, Juv. Lajense, ambos com 29 pontos; o Peniche (27) caiu abaixo da “linha de água”, estando o Samora (26) em 11.º. As equipas do Marinhense, Eléctrico de Ponte de Sor e Lusitânia desceram já aos regionais, destino que terão também, adicionalmente, dois dos clubes do referido quarteto.

Aos fatimenses, com vantagem no confronto directo sobre todos aqueles rivais, “bastará” o empate (e até poderiam perder, num cenário, não muito provável, de o Peniche não ganhar); ao invés, os samorenses, para além de partirem com desvantagem (que se afigura “irrecuperável”) de nove golos face à Juv. Lajense, necessitariam, igualmente, que os penichenses não ganhassem.

Antevisão – Neste fim-de-semana as atenções estarão centradas, a nível da I Divisão Distrital, nas partidas U. Tomar-Mação, Fazendense-At. Riachense e Coruchense-Torres Novas. No escalão secundário destaca-se o embate entre os dois primeiros da série A, com o líder, Moçarriense, a receber o Ouriquense (sendo Forense e Salvaterrense amplamente favoritos nos respectivos jogos); e, a Norte, o confronto Caxarias-At. Pernes, para além do Espinheirense-U. Atalaiense.

Na Liga 3, o U. Santarém tem uma longa deslocação, a Guimarães. Por seu turno, na decisiva ronda da fase regular do Campeonato de Portugal, a realizar neste Sábado, o Fátima recebe o Benfica e Castelo Branco (actual 3.º classificado, ainda em contenda pela qualificação para a fase final), enquanto o Samora Correia é visitado pelo União da Serra (5.º). A Juv. Lajense recebe o Marialvas (6.º), cabendo ao Peniche jogar, também em casa, ante o Lusitânia (último da tabela).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Abril de 2026)

19 Abril, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Meias-finais

(“O Templário”, 09.04.2026)

Em fim-de-semana de Páscoa, os campeonatos Distritais estiveram em pausa (apenas com a realização de dois jogos de acerto de calendário na divisão secundária, a par da antecipação de um outro encontro, do escalão principal), dando lugar à realização, na passada sexta-feira, da 2.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo, tendo ambas as partidas tido desfecho idêntico (1-1), acabando por resultar no apuramento para a final das equipas do Fazendense e do Moçarriense.

O “Rei da Taça”, Fazendense, com um “record” de cinco troféus conquistados (em 2006, 2012, 2014, 2016 e 2022) disputará a sua sétima final (apenas tendo sido batido na primeira, no ano de 1989, por coincidência, pelo Vasco da Gama); quanto ao Moçarriense, emblema a militar nesta época na II Divisão Distrital, atinge o jogo decisivo da competição pela primeira vez no seu historial, sendo que, até agora, o melhor registo que obtivera fora a presença nos quartos-de-final, por três vezes (2006, 2010 e 2016), para além de dez outras participações nos 1/8 de final.

A turma das Fazendas disputou até agora, na presente edição, apenas quatro jogos, tendo vencido, dentro de campo, uma única vez, contando três igualdades: começou por empatar a zero em Coruche, na pré-eliminatória (impondo-se no desempate da marca de grande penalidade); beneficiou da falta de comparência do Cartaxo nos 1/8 de final, goleando o At. Pernes (5-0) nos quartos-de-final; por fim, nas meias-finais, ante o Mação, registou outros dois empates (ambos por 1-1) e, de novo, garantindo maior eficácia da marca dos onze metros.

Por seu turno, o Moçarriense, com um total de seis desafios realizados, averbou quatro triunfos, e dois empates: na fase de grupos, vitória por 2-0 em Salvaterra de Magos e goleada, também por 5-0, na recepção ao Caxarias; isento por sorteio na pré-eliminatória; foi “tomba-gigantes” nos 1/8 de final, indo ganhar aos Amiais por 2-0; repetiu o feito nos quartos-de-final, afastando o Torres Novas, no desempate por “penalties”, após 2-2 no final dos noventa minutos; nas meias-finais quebrou a invencibilidade do Vasco da Gama, vencendo por 2-1 em casa, empatando em Boleiros.

Destaques – Começando, então, pela “final antecipada”, entre os dois primeiros classificados do campeonato, depois da igualdade a uma bola em Mação, cabia ao Fazendense receber o rival. Não obstante, seria a formação maçaense a entrar melhor em jogo, assumindo a iniciativa e dominando em termos de posse de bola, mesmo que não tenha criado soberanas ocasiões de golo; contra a corrente do jogo, os donos da casa colocar-se-iam em vantagem à passagem do quarto de hora.

Acusando o tento sofrido, os visitantes passaram por fase de menor acerto posicional, tendo, a partir daí, proporcionado aos anfitriões, apostando em rápidas transições, diversas situações de perigo, mas – incluindo remate ao poste, defesas do guardião contrário e desacerto na finalização – também sem que o Fazendense tivesse conseguido “fechar o jogo” (e a eliminatória).

No segundo tempo, em que a intensidade, naturalmente, se foi reduzindo, os anfitriões tiveram ainda nova (tripla) oportunidade de marcar, com o “keeper” Afonso Pissarreira a grande nível. Por curiosidade, acabaria por ser o Mação a empatar, já nos minutos finais, levando a decisão para a marca de grande penalidade, com o Fazendense, então, com o pleno de eficácia, e o seu guarda-redes, André Cotovio, a defender uma das tentativas contrárias, garantindo a qualificação (5-3).

Num embate entre os dois emblemas que lideram, destacados, as séries da II Divisão Distrital, o Vasco da Gama – que regista 18 vitórias em 18 jogos disputados no campeonato –, exerceu, desde início, forte pressão, colocando-se em vantagem ante o Moçarriense logo aos cinco minutos, igualando a eliminatória. Contudo, não tendo ampliado o marcador, viria a ser penalizado com o golo que restabeleceu o empate (1-1), alcançado pelos visitantes à passagem da meia hora de jogo.

Na segunda parte o grupo da Moçarria reequilibrou a tendência do jogo, sabendo gerir a vantagem adquirida na eliminatória, em contraponto com alguma ansiedade dos homens da casa, que necessitavam de voltar a marcar, não tendo, todavia, o “placard” sofrido qualquer nova alteração.

I Divisão Distrital – Em encontro antecipado da 27.ª ronda, o Coruchense recebeu e bateu o Alcanenense por 2-1 – com todos os tentos apontados na meia hora inicial, tendo o grupo do Sorraia chegado a dispor de vantagem de dois golos –, o que proporcionou aos visitados reduzir para apenas três pontos a diferença entre ambos os concorrentes, na disputa pelo 5.º lugar.

II Divisão Distrital – Em prélio que se encontrava em atraso da 13.ª jornada, QT-SC Rio Maior e Salvaterrense empataram a uma bola, o que deixou os dois clubes mais longe de poderem aspirar ainda ao 3.º lugar, distando agora, respectivamente, seis e a cinco pontos do Forense.

Por seu turno, o Ferreira do Zêzere, recebendo o Caxarias, foi algo inesperadamente batido, por categórico 4-1 (e depois de até ter marcado primeiro), pouco mais lhe restando que remotas possibilidades matemáticas de apuramento para a fase final, devido ao atraso de oito pontos para o trio formado por At. Pernes, Caxarias e Pego. Os ferreirenses, ainda actuais Campeões Distritais em título, deverão ter de passar mais um ano no escalão inferior do futebol do Distrito.

Liga 3 – Na 8.ª ronda (primeira da segunda volta) da fase de apuramento de Campeão e de promoção à II Liga, o U. Santarém, deslocando-se a Mafra, deixou escapar a oportunidade de pontuar, tendo sofrido o golo decisivo já em tempo de compensação, saindo derrotado por tangencial 2-1. Este foi o sexto desaire dos escalabitanos, que averbaram apenas dois triunfos, precisamente ante este mesmo oponente, em casa, e na Trofa, ocupando a 7.ª (penúltima posição), só à frente do Trofense, já a distantes dez pontos do 3.º classificado, Académica; tendo o Amarante reforçado a liderança, dois pontos adiante do Belenenses (e três à maior face aos “estudantes”).

Campeonato de Portugal – Acabou por ser positiva a 24.ª jornada (antepenúltima) desta prova: o Fátima, recebendo o líder, V. Sernache, começou por inaugurar o marcador, logo na fase inicial, mas permitiu a reviravolta ao adversário, que chegou ao intervalo já em vantagem por 2-1; não se dando por vencidos, os fatimenses, porfiando, lograram chegar ao empate final (2-2) já dentro dos derradeiros cinco minutos, obtendo um ponto que poderá vir a revelar-se determinante nas contas finais (para já, no imediato, voltando a colocar o Fátima acima da “linha de água”).

Por seu turno, o Samora Correia, motivado pela goleada aplicada ao Peniche, jogando de novo no seu reduto, impôs-se “in extremis” ao Eléctrico de Ponte de Sor, ganhando por 2-1. Neste caso, foram os forasteiros a marcar primeiro, tendo os samorenses reposto o empate no início do segundo tempo. Mesmo tendo ficado em inferioridade numérica já no período de “descontos”, o Samora Correia conseguiria chegar ainda à vitória, mercê de uma grande penalidade, aos 90+6.

Tratava-se, aliás, de um confronto em que o empate não serviria a nenhum dos contendores, que, a ter subsistido, praticamente condenaria ambos à despromoção; tendo sido derrotado, o Eléctrico viu confirmado o regresso ao Distrital de Portalegre (tendo também o Lusitânia descido já).

A duas rondas do termo da fase regular, há cinco clubes envolvidos na luta pela permanência, apenas dois podendo ser “premiados”: o Peniche é 8.º, com 27 pontos, mais um que Fátima e Juv. Lajense (com vantagem dos fatimenses no desempate), estando o Marinhense (11.º) dois pontos mais abaixo, seguido pelo Samora Correia, ainda um ponto atrás (portanto, a três da “salvação”).

Antevisão – Na retoma do campeonato Distrital da I Divisão, com a realização da 24.ª jornada, destacam-se as seguintes partidas: Alcanenense-Porto Alto; Amiense-U. Tomar; e o clássico Torres Novas-Tramagal. Fazendense (deslocando-se ao Cartaxo) e Mação (visitado pelo Águias de Alpiarça) perfilam-se com grande dose de favoritismo nos respectivos compromissos.

Antes disso, agendado para esta quarta-feira (8 de Abril), para acerto de calendário, em embate de grande importância para a definição dos lugares cimeiros, o U. Tomar recebia o Fazendense.

No escalão secundário (20.ª ronda) realce para os seguintes desafios: o “derby” Forense-Marinhais; Glória do Ribatejo-QT-SC Rio Maior; At. Pernes-Pego; e U. Atalaiense-Caxarias.

Na Liga 3, o U. Santarém recebe o “lanterna vermelha”, Trofense, na expectativa de poder obter mais uma vitória. Na penúltima jornada do Campeonato de Portugal os clubes do Distrito enfrentam saídas de grau de dificuldade diferenciado, mas em que terão de procurar superar-se, para poder angariar pontos cruciais: o Fátima viaja até Ponte de Sor, onde encontrará o já despromovido Eléctrico; o Samora Correia visita Castelo Branco, com o Benfica local em luta pelo acesso à fase final (ocupa o 2.º posto, dois pontos acima da Naval e do Oliveira do Hospital).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Abril de 2026)

12 Abril, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 23ª Jornada

(“O Templário”, 02.04.2026)

Ao contrário do sucedido na semana anterior, desta feita todos os cinco primeiros da pauta classificativa saíram vencedores dos respectivos desafios, mesmo que, em alguns jogos, os triunfos tenham sido “arrancados a ferros” (em especial nos casos do Mação e do Torres Novas), não se podendo, aliás, dizer que algum deles tenha tido vida facilitada. Tudo “ficou na mesma”, excepto que passa a faltar menos uma jornada para o termo do campeonato, agora já com mais de metade da segunda volta cumprida, a entrar em contagem decrescente, para as sete rondas finais.

Por outro lado, enquanto o Fazendense se desembaraçou de mais um adversário em terreno alheio, os seus principais concorrentes na luta pelo título ficaram com menos um jogo em casa – pese embora até seja o grupo das Fazendas quem terá ainda mais deslocações a realizar (a Tomar, em partida em atraso; e ao Cartaxo, Entroncamento, Pontével e Amiais de Baixo); tendo o Mação de ir ainda a Tomar, Ourém e Coruche; e, a AREPA, com visitas a Alcanena, Mação e Ourém.

Destaques – A primeira nota de destaque vai, precisamente, para a vitória, averbada de modo categórico, goleando por 4-1, do Fazendense em Alpiarça, não obstante o nulo tivesse subsistido até ao intervalo. Um golo logo a abrir a segunda parte desbloqueou a contenda, tendo o líder chegado a 3-0, antes de, já nos minutos derradeiros, cada uma das equipas ter ainda marcado. Essa foi, também, uma das particularidades desta 23.ª ronda, com uma catadupa de golos no último quarto de hora (do total de 26 golos apontados, só seis haviam sido obtidos no primeiro tempo).

Bem mais difícil foi o triunfo do Torres Novas em Ourém, mercê de um solitário tento, mesmo ao “cair do pano”, quando se antecipava já que o nulo poderia prevalecer. Os torrejanos, continuando a realizar boa campanha, não desarmam na disputa por um lugar no pódio.

Também o Alcanenense foi a Tomar somar mais três pontos, firmando a 5.ª posição, beneficiando amplamente de apenas o Abrantes e Benfica ter também vencido, de entre as (onze) equipas que se posicionam abaixo na tabela. Num desafio bastante repartido, o conjunto de Alcanena só logrou chegar ao golo igualmente já dentro dos últimos dez minutos, e num lance de contra-ataque.

E, por curiosidade, os forasteiros até poderiam ter marcado logo no primeiro minuto, tendo, na metade inicial, rematado por duas vezes aos ferros da baliza tomarense. Recompondo-se, os unionistas obrigariam o guardião contrário a intervenções apertadas, para preservar as suas redes. Na segunda metade, a toada não se alterou substancialmente, com ocasiões de parte a parte, mas outra vez com o guarda-redes José Guilherme em maior destaque. Numa partida cujo desfecho poderia ter pendido para qualquer dos lados, talvez a repartição de pontos se pudesse ajustar.

Realce, por fim, para o entretido encontro entre Tramagal e Entroncamento AC, que se saldou por um empate a três golos, numa jornada em que três dos quatro últimos classificados somaram mais um “pontinho”, em qualquer caso, magro pecúlio face às respectivas necessidades – quando cresce o risco de poderem vir a ser quatro os clubes a despromover ao escalão secundário, no cenário em que Fátima e Samora Correia não consigam alcançar a manutenção no Nacional.

Os tramagalenses marcaram primeiro, tendo a turma da cidade ferroviária operado reviravolta ainda antes do descanso. No segundo tempo, seriam os donos da casa a passar o resultado de 1-2 para 3-2, acabando o Entroncamento AC por vir a repor a igualdade, já mesmo a findar a partida.

Surpresa – Não seria previsível, atendendo ao desempenho das duas equipas, que o Riachense conseguisse pontuar em Coruche, onde manteve o nulo até final. Com o Tramagal (que conta só cinco pontos – quatro deles nos últimos três jogos) prestes a ter a confirmação matemática da descida, o grupo dos Riachos (penúltimo) reduziu a um ponto a diferença face ao Cartaxo, continuando a três do Entroncamento AC, e – porventura inacessível – a nove do Pontével (12.º).

Confirmações – Os restantes três encontros registaram desfechos que confirmaram o favoritismo dos visitados, mas em que, numa das situações, a surpresa pareceu poder estar à espreita.

O caso mais simples foi o do Abrantes e Benfica, que goleou, com naturalidade, o Cartaxo, por 5-0 (2-0 ao intervalo), no que constitui a 11.ª derrota sucessiva dos cartaxeiros, cada vez mais ameaçados pela descida à II Divisão, não se afigurando provável que adreguem vir a recuperar.

No Porto Alto, a turma local impôs-se, também de acordo com a lógica, por 3-1 (com um “hat-trick” do melhor marcador do campeonato, Filipe Cabaço, que soma já 16 golos), ante o Pontével, que apenas obteve um ponto nas seis rondas mais recentes. Tal como ocorreu em Alpiarça, também neste jogo se chegou ao final da primeira parte sem golos. Depois de inaugurado o “placard”, a diferença mínima subsistiria ainda durante largo período, até à aceleração final: o 2-0 ao abeirar-se o último quarto de hora, e, igualmente, ainda um golo para cada emblema até final.

Resta tratar do Mação-Amiense, em que os donos da casa foram para o descanso em desvantagem, vendo complicar-se sobremaneira a sua tarefa, perante um oponente que tinha sido derrotado uma única vez nesta segunda volta (em casa, ante o Alcanenense). E o espectro de um inesperado desaire subsistiu até próximo do fim, altura em que os maçaenses, num último “forcing”, alcançaram, com dois golos de rajada (aos 83 e 84 minutos), a reviravolta, vindo ainda, já em tempo de compensação, a confirmar o triunfo, ampliando a contagem para 3-1. Perante as (grandes) dificuldades, o grupo local deu cabal “prova de vida”, mantendo-se colado à liderança.

II Divisão Distrital – Tal como na I Divisão, também os clubes de topo da tabela das duas séries saíram vitoriosos, pese embora com graus de dificuldade diferenciados: o Moçarriense, goleando em Rio Maior por assertivo 5-0, enquanto o Ouriquense teve de reverter o resultado, com dois tentos num minuto, acabando por ganhar por 3-2 em Marinhais; a Norte, o Vasco da Gama venceu no Espinheiro por 2-0. Na disputa pelo apuramento para a fase final, anotam-se os empates entre Salvaterrense e Forense (1-1) e Pego e U. Atalaiense (0-0), mais vantajosos para os visitantes. O Ferreira do Zêzere voltou a triunfar: depois da Atalaia, agora em casa, com o At. Pernes (4-2).

Restando três rondas (mas alguns jogos em atraso), está acesa a luta pela qualificação: a Sul, entre Forense (3.º com 39 pontos), Salvaterrense (33), Rio Maior e Glória do Ribatejo (32); a Norte, entre U. Atalaiense (2.º, com 37), At. Pernes e Pego (35), Caxarias (32) e Ferreira do Zêzere (27).

Liga 3 – Com a prova em pausa no passado fim-de-semana, realizou-se um único jogo, de acerto de calendário, que se encontrava em atraso desde a 2.ª jornada, colocando frente-a-frente os actuais líderes, Amarante e Académica, que se neutralizaram, empatando a uma bola, dispondo – no termo da primeira volta desta fase de apuramento de Campeão – de dois pontos de vantagem face ao Belenenses (3.º classificado) e já seis pontos à maior em relação ao 4.º, V. Guimarães “B”.

Campeonato de Portugal – Também em recuperação de partidas que se encontravam em atraso, o Fátima sofreu muito comprometedora derrota caseira, ante o Oliveira do Hospital por 2-0; em contraponto, o Samora Correia goleou o Peniche por 5-2, obtendo um triunfo que poderá ainda fazer alimentar a esperança. Também com três por rondas por disputar, a situação é delicada: os fatimenses são os primeiros abaixo da “linha de água” (10.º), a um ponto da Juv. Lajense e a dois do Peniche, enquanto os samorenses subiram ao 12.º posto, a seis pontos da zona de “salvação”.

Antevisão – O Distrital sofre breve interregno neste fim-de-semana, abrindo espaço à disputa – já esta sexta-feira – dos jogos da 2.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo, com o Fazendense a receber o Mação (1-1 na 1.ª mão) e o Vasco da Gama a ter a visita do Moçarriense (tendo a turma da Moçarria vencido, em casa, por 2-1). Estão também agendados para 3 de Abril os prélios: Coruchense-Alcanenense (antecipado da 27.ª jornada da I Divisão Distrital); e QT-SC Rio Maior-Salvaterrense e Ferreira do Zêzere-Caxarias (em atraso, da 13.ª ronda do escalão secundário).

A contar para a 8.ª jornada (primeira da segunda volta) da fase final da Liga 3, o U. Santarém desloca-se a Mafra, para defrontar o “lanterna vermelha”. Quanto ao Campeonato de Portugal, realiza-se, no Sábado, a 24.ª (antepenúltima) ronda, com o Fátima a receber o líder, V. Sernache, cabendo ao Samora Correia ter a visita do penúltimo classificado, Eléctrico de Ponte de Sor.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 2 de Abril de 2026)

4 Abril, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 22ª Jornada

(“O Templário”, 26.03.2026)

O 4.º e o 3.º classificados, Torres Novas e AREPA, teriam decerto a aspiração (que, aliás, ainda acalentarão) de poder chegar mais acima na pauta classificativa, porventura, até ao degrau mais alto do pódio; porém, num jogo “inflamado”, no qual acabaram por se neutralizar, ficaram mais longe desse desiderato, agora, respectivamente, a sete e a quatro pontos do novo guia (Fazendense), que, adicionalmente, poderá vir ainda a beneficiar do facto de manter uma partida em atraso, a disputar em Tomar (entretanto agendada, para a noite do próximo 8 de Abril).

Mas esta ronda foi ainda bem mais favorável à turma das Fazendas, uma vez que foi a única a sair vencedora de entre os anteriores seis primeiros da tabela, tendo aproveitado o deslize do comandante, Mação, em Alcanena, para recuperar a liderança, com um ponto de vantagem (e o tal jogo de “reserva”); de facto, para além das igualdades registadas nos embates entre 5.º e 1.º e entre 4.º e 3.º, o Águias de Alpiarça (até então 6.º classificado) foi derrotado nos Amiais de Baixo.

Destaques – A principal nota de destaque terá, pois, de ir para o empate a zero cedido pelo Mação ante o Alcanenense (tal como se registara, três semanas antes, em Torres Novas), o que – acrescendo às derrotas sofridas nos terrenos do Fazendense e do Porto Alto – denota bem as dificuldades que os maçaenses vêm patenteando no confronto directo com as outras quatro equipas do topo, frente às quais deixaram escapar treze dos quinze pontos até agora perdidos no campeonato (tendo averbado oito pontos, nos sete embates já realizados).

Em Torres Novas, a turma do Porto Alto logrou alargar – já para 22 jogos – a sua excelente série de invencibilidade, tendo somado o nono empate na prova. Os torrejanos por duas vezes se colocaram em vantagem (marcando aos quinze e aos 35 minutos); os forasteiros, outras tantas, de pronto restabeleceram a igualdade, por coincidência, de ambas as ocasiões, apenas seis minutos volvidos. Com 2-2 ao intervalo, antecipava-se uma segunda parte intensa, mas, não sendo possível manter o ritmo, o apetite pelo risco decresceu, e o “placard” acabaria por não se alterar até final.

O Fazendense, recebendo o Abrantes e Benfica, enfrentava talvez – mesmo que no seu terreno – um dos maiores obstáculos com que terá de se deparar até à conclusão do campeonato (sem esquecer que terá ainda de receber Torres Novas e Alcanenense e deslocar-se aos Amiais… e a Tomar). Mas, bastante afirmativo, tal como sucedera na semana anterior em Coruche, o grupo das Fazendas, ripostou de pronto ao tento inaugural dos abrantinos, operando a reviravolta no marcador em cerca de dez minutos, e tendo chegado ao intervalo já em vantagem de dois golos (3-1). Na segunda metade, teria ainda de sofrer, perante o cenário da vantagem mínima (tendo, entretanto, os visitantes reduzido a meio dessa etapa complementar, para 3-2), mas o mais importante foi assegurado, com a conquista de três preciosos pontos.

A última nota de realce vai para a notável vitória obtida pelo U. Tomar num reduto tradicionalmente difícil como o de Pontével, impondo-se por categórico 3-0, mesmo que o desfecho aparente maiores facilidades do que o que, efectivamente, se verificou dentro de campo. Cedo se tendo colocado em vantagem (logo ao segundo minuto), os nabantinos ampliariam para 2-0 à passagem dos dez minutos, firmando, desde logo, a forte possibilidade de êxito final.

No segundo tempo, porém, os anfitriões chegaram a assustar, podendo, caso tivessem concretizado um golo, de alguma forma ter mudado o rumo do desafio. As veleidades do Pontével seriam afastadas, todavia, ainda em fase relativamente prematura, com o terceiro tento unionista, fixando o desfecho que lhes confere o quarto triunfo em cinco jogos, agora somente a um ponto do sexto lugar… e a cinco do tal objectivo (5.º) declarado no início da temporada, posição ocupada precisamente pelo próximo adversário dos tomarenses, Alcanenense.

Confirmações – Numa jornada sem especiais surpresas, confirmou-se o favoritismo dos visitados, nos restantes quatro encontros, realçando-se, ainda assim, o regresso às vitórias por parte do At. Riachense, após uma série de cinco derrotas, e, em contraponto, o quinto desaire sucessivo do Entroncamento AC, para além da décima derrota consecutiva do Cartaxo.

Precisamente, o Coruchense, batendo os cartaxeiros por 3-0 – tendo, praticamente, entrado a ganhar, estabelecendo o resultado final ainda antes do intervalo – ascendeu à 6.ª posição, beneficiando do desaire sofrido (terceiro, nos últimos quatro jogos) pelo Águias de Alpiarça, perante o Amiense, com os visitados a levar a melhor, por 2-0, com um tento em cada parte.

O At. Ouriense, depois da vitória ante o Riachense, voltou a ganhar, agora por 2-0 (igualmente com um golo em cada metade, um a fechar o primeiro tempo, e outro antes da hora de jogo), na recepção ao Entroncamento AC, partilhando a formação de Ourém o 8.º posto com o U. Tomar.

No frente-a-frente, entre os dois últimos classificados, o At. Riachense, ainda com esperança na manutenção, não terá tido grandes dificuldades para se desembaraçar do já conformado Tramagal, triunfando por 3-0: os donos da casa marcaram mesmo à beira do descanso, confirmando a vantagem logo nos minutos iniciais da etapa complementar, fixando o resultado com cerca de meia hora decorrida no segundo tempo. Passando a somar 14 pontos, o conjunto dos Riachos reduziu para dois a diferença para o Cartaxo, e, para três, em relação ao Entroncamento AC – sendo, nesta altura, virtualmente, quatro os emblemas em posição de eventual descida.

II Divisão Distrital – Os factos mais relevantes da 18.ª ronda foram: o empate (2-2) no Ouriquense-Salvaterrense, com os visitados a recuperar de desvantagem de dois tentos; a estrondosa goleada (outro 10-0…) aplicada pelo At. Pernes à equipa “B” do Abrantes e Benfica; e, a inesperada derrota do vice-líder da Série B, U. Atalaiense, na recepção ao Ferreira do Zêzere: os ferreirenses chegaram ao 4-0, consentiriam ainda dois golos, acabando por golear por 5-2!

Taça do Ribatejo – Intercalada a meio da passada semana, disputou-se a 1.ª mão das meias-finais, com igualdade (1-1) no embate entre Mação e Fazendense; tendo, num confronto entre líderes da II Divisão, o Moçarriense quebrado a invencibilidade do Vasco da Gama (após um total de 21 jogos, com o pleno de 16 vitórias no campeonato, e só dois empates na Taça), ganhando por 2-1.

Liga 3 – O U. Santarém voltou a ser derrotado (1-0), na Póvoa de Varzim, mesmo “in extremis”: na conversão de uma grande penalidade, já aos oito minutos do tempo de compensação – tendo, desde modo, baixado à 6.ª posição, já a considerável distância (oito pontos) do 3.º classificado, Belenenses (e a nove do par da liderança, Académica e Amarante), no termo da primeira volta.

Campeonato de Portugal – Vai-se complicando a situação dos clubes do Distrito, derrotados na 23.ª ronda: o Fátima, por 2-0, em Cantanhede, pelo Marialvas; o Samora Correia, no campo do líder, V. Sernache, por tangencial 1-0. Com quatro jogos por disputar, os samorenses estão já a quase insuperáveis nove pontos da “linha de água”; tendo os fatimenses (mesmo que igualmente com um jogo em atraso) caído também em zona de despromoção, a um ponto da Juv. Lajense (vencedora face ao Lusitânia) e a dois do Peniche (8.º, este outrossim com um jogo a menos).

Antevisão – Na 23.ª jornada da I Divisão Distrital, as atenções estarão centradas nas partidas: Águias de Alpiarça-Fazendense; Mação-Amiense; e U. Tomar-Alcanenense (em que uma vitória dos nabantinos poderia ser determinante para avivar a “chama” da disputa pelo 5.º lugar).

Na divisão secundária, realce, a Sul, para os desafios: Marinhais-Ouriquense, QT-SC Rio Maior-Moçarriense, e mais um “derby” municipal, entre Salvaterrense e Forense. A Norte, destacam-se o Espinheirense-Vasco da Gama, Ferreira do Zêzere-At. Pernes e Pego-U. Atalaiense.

A Liga 3, tal como o Campeonato de Portugal, terão o respectivo curso regular em pausa, aproveitando-se o fim-de-semana para acerto de calendário: teremos um aliciante confronto entre os guias da Liga 3, Amarante-Académica, em atraso da 2.ª jornada; no quarto escalão (ronda 17), o Fátima recebe o Oliveira do Hospital, enquanto o Samora Correia terá a visita do Peniche.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 26 de Março de 2026)

29 Março, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 21ª Jornada

(“O Templário”, 19.03.2026)

A “notícia” da 21.ª jornada do Distrital foi a primeira vitória do Tramagal no campeonato, nesta temporada, no regresso ao escalão principal, após longo interregno de 18 épocas, de um clube histórico, com um palmarés dos mais ricos do Distrito. De resto, Mação e Porto Alto voltaram a golear; o Fazendense obteve crucial triunfo em Coruche; e, no “clássico dos clássicos”, o Torres Novas foi ganhar a Tomar, nivelando o “frente-a-frente” entre os dois emblemas: em 103 desafios entre ambos, os torrejanos passam a contar 41 vitórias, face a 42 dos unionistas (e vinte empates).

Destaques – Desta feita os últimos são os primeiros: o Tramagal, que, até então, havia averbado um único ponto (empate caseiro com o At. Riachense, na já distante 7.ª ronda), não só quebrou uma série extremamente negativa, de treze desaires consecutivos, como, por fim, se estreou a ganhar, impondo-se frente ao Cartaxo, por 2-1, com uma reviravolta nos últimos minutos. Os cartaxeiros ainda chegaram a colocar-se em vantagem, pouco antes da hora de jogo, mas, muito fragilizados, não conseguiram evitar que os tramagalenses marcassem por duas vezes, aos 87 e 93 minutos, comprometendo ainda mais os seus anseios à manutenção na I Divisão.

Antecipava-se que o Fazendense teria de enfrentar um sério desafio na deslocação a Coruche, ante um oponente que atravessa bom momento, tendo somado três triunfos e um único empate nas quatro rondas anteriores, sendo que os forasteiros não tinham logrado ainda vencer no Sorraia, em cinco partidas realizadas na última década. Pois, o grupo das Fazendas, muito focado, não vacilando perante o “deslize” caseiro da passada semana, ante o Porto Alto, fez questão de “tornar fácil” o que se afigurava difícil, tendo chegado ao intervalo já com vantagem de dois golos. Só mesmo a fechar o encontro o Coruchense reduziria para o 1-2 final, mas não evitando a derrota.

Não foi um jogo bonito o que U. Tomar e Torres Novas disputaram, que se saldou por um triunfo dos visitantes, por tangencial 1-0. Vindo de três triunfos nas três rondas anteriores, os nabantinos não conseguiram, no último domingo, impedir que os torrejanos, a disputar os lugares de topo da tabela, assumissem maior controlo, assente, desde logo, na solidez do seu sector recuado (defesa menos batida da prova, somente com dez golos sofridos). O solitário tento da partida foi apontado à beira do intervalo, na rápida marcação de um livre, aproveitando a desatenção contrária.

Na segunda parte, tendo os forasteiros ficado reduzidos a dez elementos desde cedo, os tomarenses disso procuraram tirar partido para restabelecer a igualdade, mas faltou-lhes discernimento, denotando alguma precipitação: um pouco mais de paciência e de calma na elaboração de lances ofensivos poderia ter gerado melhor efeito. É verdade que o grupo de Torres Novas, experiente, usou as armas de que dispunha, de modo a reduzir a fluidez do jogo, que se tornou numa disputa com muitas quezílias, acabando o União por ver também um seu jogador expulso, já em tempo de compensação. Pese embora os esforços, o resultado não se alterou.

Surpresas – Terão sido, com maior propriedade, duas “meias surpresas” as vitórias, alcançadas fora de portas, de Alcanenense (nos Amiais de Baixo) e de Abrantes e Benfica (em Alpiarça).

No que respeita ao Amiense-Alcanenense, um confronto entre vizinhos e rivais, registava-se a curiosidade de os donos da casa virem exercendo completa supremacia, tendo vencido todos os cinco encontros anteriores entre ambos em anos recentes, sem que o conjunto de Alcanena tivesse conseguido, sequer, obter um golo. Pois, desta vez, os visitantes conseguiram mesmo marcar esse golo, ainda no quarto de hora inicial, que lhes proporcionou saboroso triunfo – perante um adversário em boa fase, que contava quatro vitórias e um empate na segunda volta –, consolidando assim o seu 5.º lugar, beneficiando ainda da derrota dos três perseguidores mais próximos.

Quanto ao Águias de Alpiarça, denotando algum decrescendo de forma, somente com uma vitória nos seis jogos da segunda volta, foi derrotado por 1-2 por uma equipa do Abrantes e Benfica, que vinha tardando em alcançar regularidade no seu desempenho competitivo. Os alpiarcenses marcaram primeiro, próximo do intervalo; mas os abrantinos não acusaram o toque, e ripostaram, igualando a contenda antes de completado o primeiro quarto de hora da etapa complementar, vindo a culminar a reviravolta com o segundo tento, a quinze minutos do termo do desafio. Um desfecho que abre novos horizontes à turma de Abrantes (subindo do 12.º ao 10.º posto), agora a dois pontos do U. Tomar e At. Ouriense, e a três do Coruchense (7.º classificado).

Confirmações – Não houve “história” nos restantes três prélios da jornada: novas goleadas do Mação (5-1 ao Pontével) e do Porto Alto (4-0 ao Entroncamento AC); tendo o At. Ouriense batido o At. Riachense pela margem mínima, mercê de um único golo, apontado cerca dos vinte minutos.

II Divisão Distrital – A 17.ª jornada da Série A ficou marcada por uma rara coincidência de empates em todos os cinco jogos disputados (e, isto, porque não se realizou o QT-SC Rio Maior-Samora Correia “B”, por falta de comparência dos visitantes). Anota-se, ainda assim, as perdas de pontos dos dois primeiros classificados: o Moçarriense, não tendo desfeito o nulo na recepção ao Marinhais; o Ouriquense, com uma igualdade a duas bolas em Benavente, no que constitui já o terceiro empate sucessivo da turma de Vila Chã de Ourique.

A Norte, esteve prestes a acontecer “surpresa”, com o que poderia ter sido a primeira derrota do Vasco da Gama no campeonato, no Pego, tendo o comandante operado, “in extremis”, reviravolta no marcador (de 2-1 para 2-3, a seu favor) já nos derradeiros instantes (igualando aos 88 minutos, e só em tempo de compensação acabando por chegar ao seu 16.º triunfo em 16 jogos)!

Liga 3 – A fase final, de apuramento de Campeão e de promoção à Segunda Liga, vem-se revelando de índice competitivo muito exigente, tendo o U. Santarém sofrido o quarto desaire em seis rondas, desfeiteado, no seu reduto, por um dos guias, Amarante. Os escalabitanos adiantaram-se, e mantiveram mesmo a vantagem até à entrada dos derradeiros dez minutos, ocasião em que consentiram o empate, vindo a sofrer o golo decisivo em cima do final do tempo regulamentar.

O comando é partilhado por Académica e Amarante (com um jogo a menos, entre ambos, em atraso da 2.ª ronda), com doze pontos, mais um que o Belenenses, seguindo-se o V. Guimarães “B”, um ponto mais abaixo, repartindo o U. Santarém (seis pontos) o 5.º lugar com o Varzim.

Campeonato de Portugal – A 22.ª jornada foi aziaga para os clubes do Distrito, ambos derrotados, em casa, por igual marca (0-1): o Fátima, recebendo a Naval 1893 (3.º), não conseguiu ripostar ao golo apontado pelos figueirenses à passagem dos vinte minutos; por seu turno, o Samora Correia deixou escapar um ponto, ante o Marialvas (7.º), mesmo ao “cair do pano”.

Sendo que, quer fatimenses, quer samorenses (com um jogo em atraso), têm ainda cinco encontros por disputar, a situação vai-se complicando, em especial no caso do Samora, já a oito pontos do último classificado acima da “linha de água”, justamente o Fátima (que dispõe de muito escassa margem, de dois pontos, face aos dois mais directos perseguidores, Marinhense e Juv. Lajense).

Antevisão – O “jogo grande” da 22.ª ronda coloca frente-a-frente o 4.º e o 3.º classificados, separados por três pontos, com o Torres Novas a receber o Porto Alto; o Mação não esperará tarefa fácil na visita a Alcanena, também o Fazendense estando em alerta, mesmo actuando no seu terreno, ante o Abrantes e Benfica. Por seu lado, o U. Tomar visita o Sul do Distrito (Pontével).

Na II Divisão, realce para o embate Ouriquense-Salvaterrense (2.º e 4.º classificados da Série A), assim como para o desafio entre Vasco da Gama e Caxarias (5.º da Série B).

A fechar a 1.ª volta da fase final da Liga 3, o U. Santarém desloca-se à Póvoa de Varzim, para defrontar precisamente o rival com o qual partilha a posição. No Campeonato de Portugal, aproximando-se a hora das decisões, Fátima e Samora Correia enfrentam deslocações difíceis: no caso dos fatimenses, viajam até Cantanhede, para defrontar o Marialvas, sendo importante pontuar; para os samorenses, parece começar a perspectivar-se uma “missão (quase) impossível”, de longada até Cernache do Bonjardim, onde encontrarão o guia destacado da série, V. Sernache.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 19 de Março de 2026)

22 Março, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 18ª Jornada

(“O Templário”, 12.03.2026)

Em tarde de (mais três) goleadas, não foi marcado, ao invés, qualquer golo no “jogo grande” da 18.ª ronda (em atraso há precisamente um mês, devido às intempéries, agora recuperada), que colocava frente-a-frente o 1.º e o 3.º classificado. Do nulo registado no Fazendense-Porto Alto beneficiou o Mação, que, sendo um dos vencedores com goleada, se guindou, uma vez mais (mesmo que, por agora, à condição) à posição de liderança. Ainda assim, o trio da frente subsiste concentrado num intervalo de apenas três pontos, à entrada para o último terço do campeonato.

Destaques – Começando então pelo Fazendense-Porto Alto, uma partida de alta rotação e grande intensidade, em que os anfitriões – depois dos dez golos apontados na semana anterior – não lograram, desta feita, atingir as redes contrárias (nem de “penalty”), com a turma da AREPA a continuar a dilatar a sua fantástica série de invencibilidade, somando doze triunfos e oito empates.

O grupo das Fazendas, puxando dos “galões” do estatuto de comandante, que ostentava, e da sua condição de visitado, começou por assumir a iniciativa do jogo, tendo exercido supremacia na metade inicial da primeira parte do encontro; porém, sem ter conseguido materializar em golo tal domínio, com o guardião contrário em evidência, tendo defendido uma grande penalidade.

A partir daí os forasteiros reequilibraram a contenda, e, no decurso do segundo tempo, mantiveram sempre o adversário “em sentido”, tendo de se preocupar também com o seu sector mais recuado, numa fase em que o Fazendense já não conseguia apresentar a fluidez com que começara a partida. No cômputo geral, a repartição de pontos ajusta-se ao que ambas as equipas exibiram em campo.

A noutra nota de maior destaque vai para o triunfo alcançado pelo Amiense na deslocação ao Entroncamento, por 2-0: um tento já na parte final do primeiro tempo e outro logo a abrir a segunda metade sentenciaram o encontro, com o conjunto dos Amiais de Baixo a confirmar a excelente segunda volta que vem registando, tendo cedido um único empate (em casa, com o Torres Novas) nas cinco jornadas já realizadas, incluindo três triunfos fora de portas, no Cartaxo, Pontével e, agora, na cidade ferroviária, o que lhe proporciona já “respirar” bastante melhor.

No que respeita às goleadas, em bom rigor, traduzirão mais as fragilidades que os emblemas derrotados vêm patenteando que, propriamente, a pujança das turmas vitoriosas; de facto, trata-se dos três últimos classificados, que, no seu conjunto, seguem com um acumulado de 25 derrotas consecutivas (treze no caso do Tramagal; oito do Cartaxo; e quatro pelo At. Riachense)!

Analisando cada um de “per se”: o Tramagal, que vinha de um 10-0, sofrido nas Fazendas de Almeirim, actuando outra vez em terreno alheio, foi, desta feita, goleado por 6-0 pelo Coruchense, novamente após ter chegado ao intervalo com desvantagem de dois golos. Tal não invalida, claro, a boa recuperação que a formação do Sorraia vem evidenciando, com dez pontos já somados na segunda volta, fruto de três vitórias e um empate, apenas tendo sido desfeiteada pela AREPA.

Por seu turno, o penúltimo classificado, Riachense, perdera por 4-2 em Tomar, tendo sido goleado por 1-6, no seu próprio reduto, na última semana, pela turma do Porto Alto, repetindo a diferença de cinco golos (0-5) na recepção ao novo guia, Mação, a voltar a triunfos por margem categórica.

Em relação ao Cartaxo, já muito foi dito e escrito. Goleado por 9-0 em Torres Novas (há cerca de mês e meio) e por 5-0 no Porto Alto, sofreu agora o seu desaire caseiro mais avolumado até à data, tendo sido também concludentemente derrotado pelo U. Tomar, por 6-1, no que constitui a terceira vitória sucessiva dos nabantinos, a reforçar o 8.º posto, não só deixando para trás quaisquer eventuais preocupações com a zona perigosa da tabela (tendo passado a totalizar 29 pontos, dispõe de confortável margem de segurança de 12/13 pontos face à “linha de água”), como, inclusivamente podendo “olhar para cima”, agora a quatro pontos do 5.º lugar.

Em função dos resultados que vêm averbando mais recentemente, em especial com um total de vinte golos apontados nos últimos seis encontros, os unionistas apresentam, nesta altura – mesmo com um jogo a menos –, o terceiro melhor registo ofensivo, apenas superado por Mação e AREPA.

Sobre a partida no Cartaxo em concreto, tendo começado por inaugurar o marcador, os tomarenses sofreram o golo do empate praticamente de imediato, numa desatenção defensiva; não obstante, não demorariam a recolocar-se em vantagem, indo para o descanso já a ganhar por 3-1. Na etapa complementar, com naturalidade, o marcador continuou, gradualmente, a aumentar.

Neste caso específico, mais do que a expressão dos números, importará salientar a seriedade com que a equipa do União encarou este compromisso, perante um oponente muito combalido, devendo reconhecer-se também, por seu lado, a dignidade e carácter dos homens que continuam, contra todas as adversidades, a envergar a camisola e a defender o emblema cartaxeiro, tendo talvez como missão principal procurar levar até ao termo a sua participação neste campeonato.

Confirmações – Numa ronda sem particulares surpresas, o Torres Novas confirmou o seu favoritismo, na recepção ao Alcanenense, num bom triunfo perante um rival de valor, mesmo que por tangencial 1-0. Nas outras duas partidas, o resultado foi idêntico: 2-2 no Abrantes e Benfica-At. Ouriense, bem como no Pontével-Águias de Alpiarça, porventura com os visitantes a ter ficado mais satisfeitos com a distribuição de pontos verificada.

O Pontével por duas vezes esteve em vantagem, por duas vezes possibilitou a recuperação aos alpiarcenses, depois de ter chegado ao intervalo a ganhar por 2-1. Em Abrantes fora o grupo de Ourém a marcar primeiro (1-0 no termo dos primeiros 45 minutos), tendo, já na parte final do desafio, voltado a beneficiar de momentânea superioridade no “placard” (2-1), antes de os abrantinos estabelecerem o empate final.

II Divisão Distrital – Houve surpresa(s) na 14.ª ronda, na série mais a Sul: se não seria expectável que o Moçarriense cedesse pontos na recepção à equipa da Glória do Ribatejo, atendendo ao favoritismo conferido ao guia, ante aquele que é apenas o 7.º classificado, muito maior foi o deslize do Ouriquense, visitado pelo “lanterna vermelha”, Benfica do Ribatejo, tendo também perdido pontos, de forma absolutamente imprevista, empatando pelo mesmo resultado (1-1).

Nessa série, quem terá dado passo determinante na disputa pelo apuramento para a fase final foi o Forense, goleando por 5-0 o QT-SC Rio Maior, abrindo um fosso de oito pontos face a esse rival (5.º classificado), agora com Salvaterrense (4.º, a quatro pontos) como principal concorrente.

A Norte, o Vasco da Gama “soma e segue”: depois de 5-1 ao Abrantes e Benfica “B” e de 5-0 ao Ferreira do Zêzere, goleou, no passado Domingo, o Alferrarede, por retumbante 8-0! Quinze jogos, quinze vitórias, é o fantástico registo do incontestado comandante, já doze pontos à maior face ao vice-líder, U. Atalaiense (vencedor, por 2-1, ante os “Lagartos” do Sardoal). De notar ainda o desaire do Pego no terreno do Caxarias (2-0) e a vitória (4-0) do At. Pernes na Ortiga.

Liga 3 – Após dois triunfos na fase regular, o U. Santarém foi desfeiteado (0-2), em casa, pelo Belenenses, isto depois de, a meio da semana, ter vencido o Mafra, por 3-1. À 5.ª jornada desta fase final, os escalabitanos ocupam o 5.º lugar, a três pontos de Académica (2.º) e Amarante (3.º).

Campeonato de Portugal – O Fátima obteve importante triunfo em Mortágua, por 1-0, tendo ainda desperdiçado um “penalty”; passando a contar 25 pontos, subiu à 8.ª posição, com três pontos de vantagem sobre a zona de descida. Ao invés, o Samora Correia, em inferioridade numérica desde muito cedo, não evitou a derrota na Figueira da Foz, por 2-1, mantendo o 12.º posto, agora já com um atraso de sete pontos da “linha de água”, quando restam seis rondas.

Antevisão – Na I Divisão Distrital o Fazendense volta a ter um sério teste, na deslocação a Coruche, enquanto Mação (recebendo o Pontével) e o Porto Alto (visitado pelo Entroncamento AC) dispõem de claro favoritismo; realce ainda para o grande clássico: U. Tomar-Torres Novas. Na II Divisão, destacam-se: o Glória-Forense, Benavente-Ouriquense e Pego-Vasco da Gama.

Na Liga 3, o U. Santarém é visitado pelo Amarante. No Campeonato de Portugal, cabe, desta vez, ao Fátima receber a Naval 1893 (3.º), enquanto o Samora Correia é anfitrião do Marialvas (9.º).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 12 de Março de 2026)

15 Março, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 20ª Jornada

(“O Templário”, 05.03.2026)

A 20.ª jornada do Distrital da I Divisão ficou marcada, em especial, pela goleada de 10-0 imposta pelo (de) novo líder, Fazendense, ao Tramagal. Não se tratando de desfecho inédito, é, ainda assim, bastante raro: ao longo do vasto historial do Distrital – em mais de 15 mil jogos disputados –, identificam-se menos de três dezenas de resultados com dez (ou mais) golos de diferença.

O “record” absoluto, de 15-0, é partilhado por Cartaxo (frente ao At. Pernes, em 1972) e por U. Rio Maior (ante o Azinhaga, em 2001) – duas equipas que são, aliás, “repetentes” nesta matéria: 13-1 no Cartaxo-Alferrarede (2000), 12-0 no Cartaxo-Ferreira do Zêzere (2006) e 10-0 no Cartaxo-Tramagal (2006); assim como, por seu turno, 10-0 no U. Rio Maior-S. Torcatense (1999).

Tendo-se registado ainda outros casos de goleadas retumbantes (igualmente por 10-0), também em anos relativamente recentes, nas seguintes partidas: At. Riachense-ACR Linhaceira (2001), Samora Correia-Caxarias (2005) e, por último, desta vez com o Cartaxo no “reverso da medalha”, no U. Tomar-Cartaxo (em 2022). Já esta época, salientava-se o 9-0 no Torres Novas-Cartaxo.

Destaques – Sobre o 10-0 do Fazendense-Tramagal pouco mais haverá a dizer, para além do facto de os tramagalenses terem chegado ao intervalo apenas com dois golos de desvantagem, não tendo, depois, conseguido suster a avalanche contrária, de forma a impedir o avolumar do marcador, perante o desnível de recursos de que cada equipa dispõe nesta altura.

Atrás dos tempos, tempos virão, e o Tramagal, emblema histórico, que superou a fasquia do centenário, com um palmarés dos mais ricos do Distrito, terá o carácter para conseguir reerguer-se uma e outra vez mais, enaltecendo-se a dignidade que tem mantido nesta fase muito difícil.

Em grande evidência esteve igualmente, ainda mais uma vez, o Porto Alto, também com uma goleada de excepção, por 6-1, nos Riachos, um desfecho que, pela sua magnitude, não estaria nas conjecturas. O grupo da AREPA, que não consentia qualquer golo desde 14 de Dezembro, não vacilou perante o tento sofrido (3-1 ao intervalo), afirmando-se como ameaça crescente na disputa pelo lugar do topo, de que, embora à condição, passou agora a distar escassos dois pontos.

Até porque o anterior comandante, Mação, parecendo passar por período, de certo modo, de “maré vaza”, não logrou desfazer o nulo na deslocação a Torres Novas, num desafio em que já se poderia antecipar que as duas equipas estariam muito “encaixadas”. Em função deste resultado os maçaenses perderam a liderança, agora um ponto abaixo do Fazendense, que beneficia ainda do facto de manter um jogo a menos, que terá de disputar em Tomar, ainda sem data definida.

O Coruchense prossegue a sua recuperação, tendo, desta feita, ido vencer a Abrantes, mercê de um solitário golo, apontado logo no regresso após o descanso, consolidando a 7.ª posição.

A última nota de realce vai ainda para o U. Tomar, que obteve segundo triunfo seguido, desta feita no Entroncamento, impondo-se por 2-0. Exibindo superioridade inquestionável, perante um adversário falho de argumentos que pudesse contrapor, o menos lógico terá até acabado por ser o 0-0 subsistir até ao segundo tempo, assim como o tento da confirmação da vitória só ter chegado precisamente no “último suspiro” do desafio. Ainda com doze encontros por disputar, o União somou já praticamente tantos pontos quantos os averbados na época passada (26, face a 27), tendo, aliás, superado o total de vitórias registadas nesse campeonato (oito, contra sete).

Surpresa – Atendendo ao desempenho que as duas equipas vinham apresentando nas últimas semanas terá sido, de facto, apenas “meia-surpresa” a vitória conquistada pelo Amiense em Pontével, por 2-1. O grupo dos Amiais chegou à vantagem de dois tentos, apontados, ambos, a meio da segunda parte, não tendo os anfitriões feito melhor que estabelecer a diferença mínima.

Confirmações – Num prélio que colocava frente-a-frente o 5.º e 6.º classificados, houve inversão de posições, em função do triunfo (2-0) do Alcanenense frente ao Águias de Alpiarça; depois do nulo registado ao intervalo, o grupo da casa, em nova sequência positiva de resultados, resolveu a contenda a seu favor logo no recomeço, dispondo agora de um ponto a mais que este rival.

O Cartaxo prolongou a sua série negativa, tendo averbado a sétima derrota consecutiva, isto pese embora tenha, enfim, quebrado longo jejum sem marcar golos, desde 30 de Novembro. Os cartaxeiros começaram por ver a turma visitante, At. Ouriense, chegar a 3-0 (com o segundo e terceiro golos no primeiro quarto de hora da segunda parte, depois de ter inaugurado o marcador logo aos dez minutos), vindo a reduzir para o 1-3 final, à entrada do derradeiro quarto de hora.

II Divisão Distrital – A novidade, na 16.ª ronda, foi a perda de pontos do Ouriquense – que só em tempo de compensação conseguiu resgatar um ponto, ao empatar a duas bolas, na recepção à Glória do Ribatejo –, o que, em paralelo, proporcionou ao Moçarriense – vencedor, com maiores dificuldades de que o “placard” (5-2) poderá indiciar, ante o Salvaterrense – isolar-se na liderança, agora com dois pontos a mais que a turma de Vila Chã de Ourique. A Sul, destaca-se ainda a goleada de 7-1, averbada pelo Marinhais em Samora Correia, frente à equipa “B” local.

A Norte, o Vasco da Gama prossegue a sua caminhada triunfal, qual “rolo compressor”, tendo goleado o Ferreira do Zêzere por 5-0, mantendo o pleno, de 14 vitórias! À semelhança do indicado no intróito, relativamente ao histórico de goleadas na divisão principal, também neste caso ficam bem patentes as voltas que os “alcatruzes da nora” podem dar, num curto intervalo de tempo: em Maio de 2024, o Vasco da Gama completava a sua participação no campeonato com 29 derrotas em 30 jogos (tendo obtido um único ponto); um ano volvido (Maio de 2025), o Ferreira do Zêzere culminava excelente campanha, coroada com a conquista do título de Campeão Distrital, com um “record” de 28 vitórias e um empate. No início de Março de 2026, assim estamos…

O notável trabalho de base que tem vindo a ser desenvolvido nas camadas de formação no Vasco da Gama haveria de frutificar, como se vem constatando e como, decerto, se continuará a verificar.

Liga 3 – O U. Santarém foi batido em Coimbra, pela Académica, por 3-1, não tendo ido além do “ponto de honra”, após ter chegado a registar desvantagem de três golos. Com três encontros disputados, subsistindo com três pontos, o grupo escalabitano baixou ao penúltimo posto (7.º), apenas à frente do Trofense… não obstante só a três pontos do trio que partilha a vice-liderança (Académica, Amarante e Varzim), e a quatro do novo guia, V. Guimarães “B”.

Campeonato de Portugal – Foi uma ronda com sensações mistas, para os clubes do Distrito: o Samora Correia obteve importante triunfo ante o 4.º classificado, Mortágua, por 1-0; enquanto o Fátima se quedou pela igualdade (1-1) na recepção à Juv. Lajense, num confronto com um rival directo na luta pela manutenção. Os fatimenses, com 22 pontos em 19 jogos, mantêm o último lugar (9.º) acima da “linha de água”, em igualdade pontual com os açorianos (estes já com 20 jogos realizados); os samorenses continuam na 12.ª posição, agora com diferença de cinco pontos.

Antevisão – Para o próximo fim-de-semana está calendarizada a recuperação das jornadas dos campeonatos distritais que tinham sido adiadas devido às intempéries: na 18.ª ronda da I Divisão o “prato” principal será o embate entre Fazendense e Porto Alto, de grande relevância nas contas do título, deslocando-se o Mação aos Riachos, enquanto o U. Tomar viajará até ao Cartaxo; na 14.ª jornada da II Divisão, realce para mais um “derby”, Marinhais-Salvaterrense, sendo também de especial importância no apuramento para a fase final o Forense-QT-SC Rio Maior, cabendo ao Moçarriense receber a Glória do Ribatejo; a Norte, o Vasco da Gama terá a visita do Alferrarede.

Na Liga 3, o U. Santarém, que tinha agendado, para a última quarta-feira, jogo de acerto de calendário, recebendo o Mafra, actuará de novo em casa, no Domingo, ante o Belenenses. Por seu lado, no Campeonato de Portugal, Fátima e Samora Correia têm difíceis compromissos fora de portas, respectivamente em Mortágua e na Figueira da Foz (ante o 3.º classificado, Naval 1893).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 5 de Março de 2026)

8 Março, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 19ª Jornada

(“O Templário”, 26.02.2026)

Numa ronda em que imperou a lógica, os três clubes do pódio levaram de vencida, com maiores ou menores dificuldades, os respectivos adversários, subsistindo concentrados num intervalo de três pontos, com o líder (à condição), Mação, somente um ponto acima do Fazendense.

Quanto ao Porto Alto, que continua a prolongar a sua invencibilidade, já de 18 jogos nesta prova, averbou sexta vitória sucessiva, com um “score” acumulado de 16-0; isto é, não só se mantém invicto, como, adicionalmente, preserva as suas redes invioláveis desde 14 de Dezembro, altura em que consentiu o último golo, em partida ante o U. Tomar – a turma da AREPA partilha agora com o Fazendense e Torres Novas a condição de clubes com menos golos sofridos (dez).

Pela negativa, e ainda com números mais expressivos, anota-se que o Cartaxo não marca desde o passado dia 30 de Novembro, apresentando um “score” de 0-23 (!), tendo começado por obter um empate (0-0), a que seguiram seis derrotas consecutivas. Os problemas que o emblema cartaxeiro tem atravessado vêm, de alguma forma, desvirtuando a equidade desportiva, atendendo não só às faltas de comparência, assim como à evidência de que as condições do grupo se deterioraram significativamente nas últimas semanas, de que são sintomáticas as pesadas goleadas sofridas.

Destaques – A primeira nota de realce da 19.ª jornada (subsistindo por disputar os desafios da 18.ª ronda, entretanto recalendarizados para 8 de Março) vai para a vitória averbada pelo Fazendense – por ora, o concorrente com menos pontos perdidos no campeonato (um total de nove, decorrendo de três desaires sofridos) – perante o At. Ouriense, em Ourém, por tangencial 1-0, mercê de um tento apontado já no findar do primeiro tempo da partida.

Destaca-se ainda o outro triunfo em reduto alheio, com o Abrantes e Benfica a procurar superar a crise de resultados com que se tem deparado (vinha de seis derrotas nas sete jornadas precedentes), tendo ido ganhar ao Tramagal, por 2-0, resolvendo a contenda num intervalo de cerca de vinte minutos, ainda na metade inicial do encontro. Esta foi a 17.ª derrota dos tramagalenses (que subsistem com um único ponto na classificação), 11.ª sucessiva.

Frente a um adversário que, nesta altura, constitui uma incógnita em relação à forma como se poderá apresentar em campo, o Porto Alto mostrou uma atitude responsável, goleando o Cartaxo por 5-0, respeitando os homens que envergam a camisola do seu oponente. Pese embora todas as condicionantes que têm tido de enfrentar, os jogadores cartaxeiros procuram manter um desempenho digno, não se entregando, tentando oferecer a réplica possível. A formação da AREPA cedo se colocou em vantagem, tendo, ainda assim, experimentado alguma ansiedade em, rapidamente, ampliar a contagem, o que, com naturalidade, viria a consumar na segunda metade.

Se os três primeiros ganharam (já lá iremos, ao Mação, que, mesmo com dificuldades, confirmou o seu favoritismo ante o Entroncamento AC), situação distinta se verificou em relação aos seis clubes que se lhes seguem na pauta classificativa, dos quais apenas o Alcanenense logrou vencer.

Começa por notar-se nova perda de pontos por parte do Torres Novas, que não foi além do nulo na visita aos Amiais de Baixo, ante uma equipa do Amiense na melhor fase da época (com 14 dos seus 19 pontos conquistados nas sete últimas rondas); os torrejanos passaram a distar seis pontos do comandante (que poderão vir a converter-se em oito, se o Fazendense ganhar o jogo em atraso).

Por seu turno, o 5.º e 7.º classificados, respectivamente, Águias de Alpiarça e Coruchense, anularam-se também, tendo igualmente subsistido até final o 0-0.

Para além da já antes referida derrota caseira do At. Ouriense, também o Pontével (anterior 7.º classificado) foi batido pelo Alcanenense (6.º): não tendo havido golos no primeiro tempo, o conjunto de Alcanena marcaria por duas vezes no período de um quarto de hora, ainda na fase inicial da etapa complementar. Com este regresso aos triunfos, o Alcanenense reduziu para apenas dois pontos a diferença face ao Águias de Alpiarça, consolidando a sua posição, dispondo agora de avanço de seis pontos em relação ao perseguidor mais próximo (Coruchense).

Confirmações – Num Domingo sem surpresas de relevo, Mação e U. Tomar, actuando nos respectivos terrenos, saíram vencedores, ante o Entroncamento AC e o Riachense.

No caso dos unionistas – que estavam sem competir praticamente há um mês –, tal foi bem positivo em variadas vertentes: em primeira instância, dilatando ainda mais o diferencial face ao rival directo em causa (23 vs. 11 pontos); em paralelo, tendo cinco dos seis clubes posicionados na cauda da tabela sido derrotados (a excepção foi o empate do Amiense), tal deverá proporcionar maior tranquilidade (beneficiando agora de sete pontos de margem em relação à “linha de água”) e confiança, para o desafio da próxima jornada, de grande importância, no Entroncamento.

Não obstante os nabantinos tivessem um registo de diversas goleadas recentes perante o emblema dos Riachos (4-0 em 2017-18, 7-0 em 2019-20 e 7-1 em 2020-21; para além do 4-0 com que haviam vencido, na primeira volta, no reduto contrário), não seria talvez de esperar, atendendo à tentativa de recuperação que o Riachense vinha encetando, a forma assertiva como o União dominou o jogo, sustentada também nos dois golos obtidos ainda nos dez minutos iniciais.

Os tomarenses chegariam ainda ao 3-0, a meio da segunda parte, vindo a consentir um primeiro ponto do adversário, mas ripostando de pronto, repondo a vantagem de três golos; antes de, já prestes a findar o prélio, sofrerem novo tento, fixando-se o “placard” em 4-2. Com um total de 34 golos marcados (média exacta de dois por jogo), o U. Tomar apresenta bom registo ofensivo, porém muito penalizado pelos 30 golos sofridos, nos 17 encontros disputados.

O líder, Mação, a denotar passar por período menos afirmativo, teve de sofrer bastante para concretizar a vitória, face a um opositor que se mantinha invicto há seis jornadas. O Entroncamento AC começou, aliás, por surpreender, inaugurando o marcador a meio da primeira parte, e preservando a vantagem para além do intervalo, até à hora de jogo, ocasião em que os maçaenses restabeleceram a igualdade. Só a escassos seis minutos do termo os anfitriões operariam a reviravolta no marcador, vindo a estabelecer o 3-1 final em período de compensação.

II Divisão Distrital – Não houve novidades, também neste escalão: os líderes da Série A (Moçarriense e Ouriquense) e da Série B (Vasco da Gama) triunfaram de forma convincente: 2-0 do grupo da Moçarria, na deslocação a Benavente; 5-2 da turma de Vila Chã de Ourique no Rebocho; e 5-1 do Vasco da Gama com o Abrantes e Benfica “B”. Anotam-se ainda as vitórias do QT-SC Rio Maior, em casa, frente ao Marinhais, e da U. Atalaiense, em Pernes, ambas por 3-1.

Liga 3 – Depois da muito boa estreia, tendo ido ganhar à Trofa, o U. Santarém foi desfeiteado, no passado Sábado, no seu terreno, pela equipa “B” do V. Guimarães, por tangencial 0-1. Com os três pontos somados nos dois jogos já realizados, os escalabitanos integram um quarteto, entre o 4.º e o 7.º posto, a um ponto do Vitória, a dois do Belenenses, e a três do novo guia, Varzim.

Campeonato de Portugal – O embate entre os dois representantes do Distrito saldou-se por um empate a duas bolas, mais penalizador para o Fátima, que chegara ao intervalo em vantagem por 2-0, tendo, na segunda parte, permitido ao Samora Correia resgatar mais um ponto. Os fatimenses ascenderam, ainda assim, ao 8.º lugar, mas igualados em pontos (21) com o Peniche e Juv. Lajense, sendo o clube açoriano o primeiro abaixo da “linha de água”; por seu lado, os samorenses (14 pontos) trespassaram a “lanterna vermelha” ao Lusitânia, tendo subido à 12.ª posição.

Antevisão – Na I Divisão Distrital destacam-se as partidas: Torres Novas-Mação e Riachense-Porto Alto; visitando o U. Tomar, como referido, o Entroncamento, para um confronto de rivalidade histórica. O Fazendense recebe o Tramagal. No escalão secundário, realce para o Ouriquense-Glória do Ribatejo, Moçarriense-Salvaterrense, e Vasco da Gama-Ferreira do Zêzere.

Na Liga 3, o U. Santarém viaja até Coimbra, para defrontar a Académica. Por fim, no Campeonato de Portugal, já na 20.ª jornada, o Fátima volta a actuar em casa, em partida de crucial relevância, recebendo a Juv. Lajense; enquanto o Samora Correia terá a visita do Mortágua (4.º classificado).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 26 de Fevereiro de 2026)

1 Março, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

Older Posts


Autor – Contacto

Destaques


Literatura de Viagens e os Descobrimentos Tomar - História e Actualidade
União de Tomar - Recolha de dados históricosSporting de Tomar - Recolha de dados históricos

Calendário

Maio 2026
S T Q Q S S D
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Arquivos

Pulsar dos Diários Virtuais

O Pulsar dos Diários Virtuais em Portugal

O que é a memória?

Memória - TagCloud

Jogos Olímpicos

Categorias

Notas importantes

1. Este “blogue" tem por objectivo prioritário a divulgação do que de melhor vai acontecendo em Portugal e no mundo, compreendendo nomeadamente a apresentação de algumas imagens, textos, compilações / resumos com origem ou preparados com base em diversas fontes, em particular páginas na Internet e motores de busca, publicações literárias ou de órgãos de comunicação social, que nem sempre será viável citar ou referenciar.

Convicto da compreensão da inexistência de intenção de prejudicar terceiros, não obstante, agradeço antecipadamente a qualquer entidade que se sinta lesada pela apresentação de algum conteúdo o favor de me contactar via e-mail (ver no topo desta coluna), na sequência do que procederei à sua imediata remoção.

2. Os comentários expressos neste "blogue" vinculam exclusivamente os seus autores, não reflectindo necessariamente a opinião nem a concordância face aos mesmos do autor deste "blogue", pelo que publicamente aqui declino qualquer responsabilidade sobre o respectivo conteúdo.

Reservo-me também o direito de eliminar comentários que possa considerar difamatórios, ofensivos, caluniosos ou prejudiciais a terceiros; textos de carácter promocional poderão ser também excluídos.