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O Pulsar do Campeonato – 2ª Jornada

(“O Templário”, 24.09.2026)

A 2.ª ronda do Distrital foi fértil em golos – nada menos de 32, em sete desafios (média superior a 4,5 golos/jogo) –, ficando ainda marcada por várias reviravoltas (em quatro dos sete encontros), com a incerteza nos desfechos das partidas a subsistir até ao apito final. Torres Novas, Samora Correia e U. Tomar, somando duas vitórias nas duas jornadas iniciais, lideram a prova (realçando-se o facto de torrejanos e nabantinos terem obtido ambos os triunfos na condição de visitantes). Ao invés, Águias de Alpiarça, Pontével, Vasco da Gama e At. Ouriense ainda não pontuaram.

Destaques – Começa por sublinhar-se a contundente goleada (5-0) aplicada pelo Torres Novas em Vila Chã de Ourique, ainda para mais obtida frente a um adversário que tinha surpreendido pela positiva na estreia, ao bater o Coruchense. Os torrejanos não concederam veleidades, construindo um resultado inequívoco: tendo inaugurado o marcador pouco depois da meia hora, sentenciaram o desfecho da partida com outros dois golos seguidos, entre os dez e os doze minutos da etapa complementar. A situação pioraria ainda, drasticamente, para o Ouriquense, que, logo depois, em apenas três minutos, se viu reduzido a nove elementos em campo. Os forasteiros fixaram o resultado – porventura aparentando ilusórias facilidades – aos 74 e 83 minutos.

O Porto Alto rectificou o desaire caseiro sofrido no arranque, tendo ido ganhar a Ourém, garantindo os três pontos, num jogo repleto de golos, no qual o At. Ouriense até começou por cedo se colocar em vantagem (logo aos seis minutos). Ainda assim, a turma da AREPA não vacilou, operando a reviravolta com dois golos apontados no último quarto de hora da primeira parte, ampliando para 1-3 a meio do segundo tempo. Os anfitriões ainda reduziram para a diferença mínima, mas, já em período de compensação, os visitantes fixaram o “placard” em 2-4.

A metade inicial da partida em Boleiros proporcionou um festival de golos, num encontro frenético entre Vasco da Gama e U. Tomar, que saiu fora de controlo de ambos os técnicos, em que os unionistas acabaram por voltar a levar a melhor. A equipa da casa entrou praticamente a ganhar (marcando aos 3 minutos), mas o União igualou pouco depois (aos dez minutos).

Num ritmo avassalador, os locais de imediato se adiantaram de novo, mas a eficácia tomarense impôs uma reviravolta, com dois golos entre os 32 e os 35 minutos. A formação visitada repôs o empate (3-3); todavia, novo golo, já para lá dos 45 minutos, proporcionou aos nabantinos sair para o intervalo a vencer. No segundo período, a incerteza prolongou-se até ao minuto 94, altura em que o U. Tomar estabeleceu o 5-3 final. Com um total de sete golos já marcados, o grupo de Tomar partilha com o de Torres Novas a condição de ataques mais concretizadores; porém, o sector defensivo tem denotado alguma permeabilidade, já com quatro tentos consentidos.

Destaca-se ainda o triunfo tangencial (2-1) arrancado pelo Amiense em Alpiarça, a ir recuperar os pontos perdidos em casa na semana precedente. Também neste caso se registou reviravolta no marcador, tendo o Águias aberto o activo já na segunda parte, a que ripostou de pronto o conjunto de Amiais de Baixo. O golo decisivo só surgiria já com seis minutos de tempo de compensação.

Confirmações – Numa ronda sem especiais surpresas, os resultados das restantes três partidas enquadram-se nas expectativas, embora as equipas vencedoras estivessem longe de experimentar apenas facilidades, com a turma abrantina a assinar também uma notável “remontada”.

Começando pelo candidato, Samora Correia, obteve um triunfo assertivo, na recepção ao Entroncamento AC, com os tentos a surgir em momentos estratégicos: a meio da primeira parte, consolidando a vantagem no recomeço, chegando ao 3-0 final já prestes a fechar o encontro.

Por seu lado, o Coruchense, que tivera uma “entrada em falso”, com o imprevisto desaire sofrido em Vila Chã de Ourique, averbou uma tão magra quanto preciosa vitória, por tangencial 1-0, frente a um adversário de valia, como é o caso do Alcanenense, tendo o resultado sido estabelecido com um solitário tento, obtido ainda na metade inicial do primeiro tempo.

Fica para o fim o feito alcançado pelo Abrantes e Benfica diante do Pontével, ao dar a volta a um resultado fortemente desfavorável, de 0-2 ao intervalo, para o 4-2 registado no termo do encontro. A equipa visitante – batida no seu reduto, pelo U. Tomar, na jornada inaugural – entrou determinada, colocando-se em vantagem logo aos sete minutos, que ampliaria à beira do descanso. O intervalo terá sido crucial para os abrantinos, que, com uma segunda metade demolidora, carimbaram a primeira vitória da época. Foram quatro golos marcados num intervalo de pouco mais de quinze minutos – tendo, aliás, concretizado a reviravolta com dois tentos de rajada (a passar de 1-2 para 3-2), aos 58 e 59 minutos!

O prélio entre Moçarriense e Mação foi adiado devido à participação dos maçaenses na Taça de Portugal; as equipas terão, entretanto, acertado o calendário nesta quarta-feira, dia 23.

Taça do Ribatejo – Teve início no último Domingo a fase de Grupos da Taça do Ribatejo, abrangendo um total de 23 dos clubes inscritos na II Divisão Distrital (com a excepção das equipas “B” de Abrantes e Benfica, Samora Correia e do U. Santarém) – sendo de assinalar os regressos à competição, por parte de um clube clássico do futebol distrital, Académica de Santarém (após demorada ausência, em que competira apenas nos escalões de formação), assim como de outros emblemas históricos, como o U. Almeirim e Vilarense.

Na jornada de abertura destes “mini-torneios” (seis séries, disputadas em três rondas), começa por salientar-se a goleada (4-0) aplicada pelo recente Campeão Distrital (em 2025), Ferreira do Zêzere, na recepção ao Alferrarede. Por seu turno, as formações da U. Atalaiense (triunfo por 5-3 na visita ao Sardoal), Forense (4-2, ante o Rebocho), Salvaterrense (3-0 em Minde), Pego (1-0 em Vilar dos Prazeres) e Tramagal (igualmente 1-0, em Benavente), ganhando fora de portas, colocaram-se em posição mais favorável para a qualificação para a fase a eliminar.

Anota-se ainda a curiosidade do empate a três bolas entre Ortiga e Académica de Santarém, enquanto num duelo entre turmas que sucedem a outros dois recentes vencedores da I Divisão Distrital, U. Almeirim (2020) e QT-SC Rio Maior (2022), os almeirinenses venceram por 1-0.

Taça de Portugal – Na 2.ª eliminatória da “prova rainha”, em que participaram quatro clubes representantes do Distrito, apenas o Mação não foi bem-sucedido. Efectivamente, U. Santarém (5-0, perante o Merelinense, do Distrital de Braga), Fazendense (6-1, ao Ginásio Figueirense, de Figueira de Castelo Rodrigo, do Distrital da Guarda) e Fátima (4-1, frente ao Vinhais, que, tal como os fatimenses, milita no Campeonato de Portugal) apuraram-se com goleadas categóricas.

Quanto aos maçaenses, foram batidos por 3-0 no terreno do Alpendorada, equipa de escalão superior (disputando também o Campeonato de Portugal).

Antevisão – Na 3.ª ronda do Distrital, destacam-se, em especial, os desafios que envolvem o actual trio da liderança: Alcanenense-Torres Novas; Ouriquense-U. Tomar (com torrejanos e tomarenses a realizar o terceiro encontro sucessivo fora de casa); e Samora Correia-At. Ouriense.

A Liga 3 e o Campeonato de Portugal continuam em pausa, só sendo retomada a sequência regular das provas no fim-de-semana de 10 e 11 de Outubro. Não obstante, o Fazendense tem agendado, para este Domingo, jogo que se encontrava em atraso, em Alverca, frente à equipa “B” local.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Setembro de 2026)

27 Setembro, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 1ª Jornada

(“O Templário”, 17.09.2026)

No arranque do Distrital da I Divisão da época de 2026-27, assinala-se, desde logo, a curiosidade de nenhuma equipa ter logrado marcar mais de dois golos: houve quatro vitórias por 2-0 e três por 2-1, para além de um empate a 2-2. Ao vencer, num “derby” entre vizinhos, no reduto do Porto Alto, o Samora Correia (de regresso às provas distritais após uma curta passagem pelo Campeonato de Portugal) terá mostrado já as primeiras credenciais como candidato. É de realçar também o triunfo, porventura menos expectável, do Ouriquense face ao Coruchense.

Para além do Samora, também U. Tomar e Torres Novas obtiveram êxitos extramuros, confirmando o favoritismo que, à partida, lhes seria atribuído nas visitas a Pontével e a Boleiros.

Anota-se, neste início de temporada, que o Amiense é o único totalista na competição nos últimos quinze anos, com presença ininterrupta na divisão principal do futebol distrital desde (pelo menos) 2011-12. Nesse mesmo período, Mação, Torres Novas e U. Tomar apenas não participaram numa edição, por terem disputado uma temporada nos campeonatos nacionais, cada um deles.

O emblema dos Amiais de Baixo é também – de entre os 16 clubes que disputam o campeonato deste ano – o recordista, atingindo a sua 52.ª participação na prova, à frente de Alcanenense e Coruchense (48) e de Torres Novas e U. Tomar (45 cada).

Destaques – O maior destaque da ronda inaugural vai para a vitória do Samora Correia no “derby” ante o Porto Alto, num duelo em estreia absoluta neste escalão. Este embate tinha ainda o acréscimo de interesse decorrente da notável campanha que a turma da AREPA realizou na época passada, terminando à beira de um lugar no pódio. Pois, os samorenses não deixaram os créditos por mãos alheias, saindo vencedores por 2-0 – com dois tentos apontados já na recta final da etapa complementar –, impondo, logo na abertura, o primeiro desaire a um conjunto que, no campeonato precedente, prolongara a invencibilidade ao longo de 23 jornadas!

O U. Tomar quebrou uma incrível sequência de quase seis meses sem ganhar – período em que somara apenas três pontos, nos últimos nove encontros do campeonato anterior –, desde que, a 22 de Março, fora vencer a… Pontével, por categórico 3-0. Foi, pois, necessário retornar a Pontével, para voltar “a ser feliz”.

Os unionistas colocaram-se em vantagem à beira do intervalo, na conversão de uma grande penalidade, a materializar a superioridade que tinham evidenciado, após desperdício de algumas ocasiões de golo. No segundo tempo, os donos da casa foram acreditando que seria possível evitar a derrota, e acabariam por empatar, também na conversão de castigo máximo, já dentro dos derradeiros dez minutos. Numa fase em que o jogo estava “partido”, os tomarenses chegaram à vitória mesmo em cima do minuto noventa, conquistando, por fim, os três pontos em disputa.

O Torres Novas foi também vencer em terreno alheio, em Boleiros, ante o novo primodivisionário (recente vice-campeão da II Divisão Distrital), Vasco da Gama. A formação torrejana impôs-se por 2-0, com um tento apontado em cada parte do desafio, confirmando os superiores argumentos de que disporá, depois de, na época finda, ter concluído a prova no pódio.

Merece ainda realce o triunfo alcançado pelo Entroncamento AC, na recepção ao Abrantes e Benfica. A turma da cidade ferroviária operou a reviravolta no marcador, com dois golos nos instantes finais, fixando o resultado em 2-1, depois de os abrantinos terem aberto o “placard”, já a meio da segunda parte. Um bom começo para a equipa agora orientada por Daniel Kenedy.

Surpresas – A maior surpresa da jornada foi a vitória do Ouriquense ante o Coruchense, por 2-0, com os golos obtidos também na segunda parte. Foi um desfecho que não estaria nas expectativas gerais, marcando o regresso do grupo de Vila Chã de Ourique à I Divisão, após uma longa ausência, de cerca de 15 anos – desde a desistência da competição, em Novembro de 2011. Os locais foram capazes de se superiorizar ao conjunto do Sorraia, 6.º classificado no ano anterior, e que revelara então potencial para fazer melhor. Mais adiante se poderá aquilatar se este terá sido um “passo em falso” dos visitantes, ou se os anfitriões vão continuar a surpreender pela positiva.

Algo imprevisto foi também o empate (2-2) no “derby” entre Amiense e Moçarriense. O grupo dos Amiais, na sua “fortaleza”, começou por dispor de vantagem de dois tentos, apontados ainda na metade inicial do primeiro tempo. Contudo, a turma da Moçarria reduziu antes da meia hora, acabando por restabelecer a igualdade já no quinto minuto do tempo de compensação.

Confirmações – O Mação – que deixara escapar o título de Campeão Distrital na temporada anterior por um único ponto, voltando a perfilar-se como um dos principais candidatos nesta nova edição da prova – recebeu e bateu o At. Ouriense, também por 2-0, com um golo a fechar cada uma das partes do desafio. Os maçaenses entraram cientes de que foram precisamente os dois empates cedidos ante a equipa de Ourém que lhe custaram o troféu, não vacilando desta feita.

Também o Alcanenense (5.º classificado no ano anterior), visitado pelo Águias de Alpiarça (7.º) confirmou o favoritismo que lhe era creditado. A equipa de Alcanena venceu por tangencial 2-1, tendo, aliás, chegado ao intervalo com vantagem de dois golos. Os alpiarcenses ainda assustaram, reduzindo a diferença, não tendo, todavia, evitado a derrota.

Liga 3 – Já com cinco rondas disputadas, o U. Santarém alcançou, no passado fim-de-semana, a sua primeira vitória nesta época. Com este resultado, passa a somar quatro pontos, posicionando-se no 9.º (penúltimo) lugar, só à frente do V. Sernache (que regista um único ponto). Ainda assim, os escalabitanos estão, por ora, a apenas três pontos do quarto classificado, precisamente o Louletano, terreno onde foram ganhar por 2-1. A reviravolta em Loulé consumou-se nos últimos cinco minutos, revertendo a situação de desvantagem que registaram durante quase todo o jogo.

Campeonato de Portugal – Tendo-se atingido, neste caso, a 4.ª jornada, os dois representantes do Distrito têm denotado algumas dificuldades: o Fátima, com quatro pontos (fruto de uma vitória e um empate) partilha o 9.º/10.º posto com o At. Malveira, dois pontos acima do Sertanense; por sua vez, o Fazendense é 12.º (antepenúltimo), só com um ponto (contando um jogo em atraso).

Ambas as formações sofreram desaires caseiros no último Domingo: os fatimenses foram batidos pelo Oliveira do Hospital (actual vice-líder, a um ponto do Mortágua), por via de um solitário tento, sofrido num “penalty” à beira do fim do encontro; já o conjunto das Fazendas de Almeirim (recente Campeão Distrital) perdeu por 1-2 ante O Elvas (5.º classificado), tendo registado o seu ponto de honra também já no final da partida.

Antevisão – Na 2.ª jornada do Distrital, destacam-se os seguintes confrontos: Coruchense-Alcanenense, Moçarriense-Mação (este adiado para dia 23); e Ouriquense-Torres Novas e Vasco da Gama-U. Tomar (nestes dois últimos casos, devido a inversão da ordem de jogos).

Participam na 2.ª eliminatória da Taça de Portugal quatro clubes da região: o U. Santarém recebe o Merelinense (Distrital de Braga), tendo o Fátima a visita do Vinhais, “lanterna vermelha” da Série B do Campeonato de Portugal, emblema que conta por derrotas os quatro jogos realizados; por seu turno, o Fazendense será anfitrião do Ginásio Figueirense (Castelo Rodrigo – Distrital da Guarda). Já o Mação desloca-se a Alpendorada (11.º da Série B do Campeonato de Portugal).

Na ronda inicial da prova rainha, o U. Santarém ficara isento por sorteio, ao passo que Fátima, Mação e Fazendense eliminaram, respectivamente, Benfica e Castelo Branco (3-1), Gavionenses (5-0) e Moçarriense (1-0) – sendo este o terceiro desafio sucessivo entre os grupos das Fazendas e da Moçarria, após os duelos na Final da Taça do Ribatejo e na Supertaça Dr. Alves Vieira.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Setembro de 2026)

20 Setembro, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

Apresentação do Livro de Alexandre Rosa Freitas

  1. Introdução

Boa tarde a todos. Estamos, hoje, aqui reunidos para celebrar a partilha de uma vivência.

Cruzei-me, pela primeira vez, com o Alexandre Rosa Freitas em Maio de 2010, há já 16 anos, no contexto de homenagem promovida pelos Veteranos do União de Tomar aos Campeões Nacionais da II Divisão de 1973-74 – ele que fora um dos obreiros da histórica subida do União à I Divisão, em 1968.

Reencontrei-o, algum tempo depois, no final de 2016, a propósito da publicação do meu livro sobre a Matrena, em que o Alexandre teve importante participação, quer na recolha de imagens históricas, na revisão do texto, como, especialmente, na promoção e divulgação do livro, contribuindo para assegurar que pudesse ser dado à estampa.

Mais recentemente, há cerca de dois anos, o Alexandre concedeu-me também pertinente testemunho enquanto antigo aluno da Escola Industrial e Comercial, no contexto da publicação de outro livro, que escrevi, sobre os 140 anos da Escola Jácome Ratton.

Nutro, pois, especial apreço e simpatia pelo Alexandre, pelo que, decerto, não serei absolutamente neutro nesta apresentação. Mas, o livro, a forma como está escrito, e o que narra e descreve, fala por si.

Confesso que, ao ser informado pelo Alexandre que estava a escrever este livro – de que me facultou uma primeira versão –, foi com grande curiosidade que me abalancei à sua leitura, tendo dado, com muito gosto, algum apoio a nível de aspectos práticos relacionados com a edição.

É um prazer apresentar uma obra tão genuína, em que se manifesta uma memória prodigiosa, com recurso abundante ao discurso directo, imprimindo extraordinária vivacidade ao livro, que se lê de um fôlego… mesmo que nos deixe a pensar durante muito tempo.

Quando lemos o título “A vida que me fez como sou”, logo depreendemos que não se trata de um livro de ficção. De facto, estamos prestes a abrir a porta para uma vida real.

Como que olhando num espelho retrovisor, o Alexandre faz algo, nestas páginas, que exige muita coragem: relata os êxitos, mas sem esconder os “fantasmas”, colocando a sua verdade, bem como toda a sua vulnerabilidade nas nossas mãos.

Num livro de grande força humana, partilha o seu percurso, mostrando que a matéria-prima da vida não são os erros que cometemos, mas sim a folha em branco que, a partir deles, conseguimos escrever.

A narrativa arranca com as origens do autor. Mostra as fundações da sua infância e juventude, os cenários e as primeiras pessoas que influenciaram a sua caminhada.

O núcleo da história foca-se nas grandes viragens. Sejam desafios profissionais, provações pessoais ou escolhas difíceis, o livro centra-se na ideia de que os momentos de pressão são aqueles que definem quem somos.

A tragédia que viveu e a superação que revelou também o fizeram como ele é. Um homem moldado pelo papel, pelos recintos da prática desportiva, mas também pela capacidade de se levantar depois da queda mais dura.

Destaco, sobretudo, a sinceridade da escrita: é uma partilha transparente, sem filtros, onde o leitor se sente quase como se estivesse a ter uma conversa de café com o próprio Alexandre.

O facto de ser uma obra relativamente curta é uma das suas virtudes. Em cerca de 200 páginas, não se perde em floreados inúteis. A escrita é directa, autêntica, orientada para o essencial das memórias, tornando a leitura fluida, dinâmica e muito visual, qual filme a ser projetado numa tela.

Embora seja a história do Alexandre, o livro toca em sentimentos universais. A leitura interpela-nos a reflectir sobre a nossa própria vida: Quais foram os momentos que me fizeram como sou hoje?

  1. O Homem, o Acidente e a Prisão

A primeira parte destas memórias assenta no percurso de um homem moldado pelo trabalho e pela superação, na exigente indústria de fabricação de papel, como na prática desportiva a nível amador, mas de patamar muito considerável, tendo contribuído activamente para a subida da sua equipa à I Divisão Nacional.

Mas, também, na fragilidade: as nossas vidas podem mudar numa fracção de segundo.

O Alexandre transporta-nos para um dia de Julho de 1972. Um domingo de calor sufocante, com 38 graus. Um dia que tinha tudo para ser feliz — o casamento de amigos na Charola do Convento de Cristo, um jogo de futebol pelo Carregueiros onde até marcou um golo de canto direto… Depois, o regresso à festa, o cansaço acumulado, uma discussão acesa e a fatal decisão de pegar no carro.

O Alexandre entra no seu Toyota vermelho, percorre poucas centenas de metros, ultrapassa uma camioneta e “apaga-se”, só acordando no dia seguinte, numa clínica. Sofrera um trágico acidente de viação em São Lourenço, à entrada de Tomar.

A forma como descreve a gravidade daquele momento e o rescaldo no Tribunal de Tomar é de uma honestidade brutal. Assumindo a responsabilidade, escreve: «Estive “morto”, ressuscitei, atenderam os feridos, o condutor do primeiro carro faleceu, e, o do segundo, faleceu dias mais tarde.»

Levado a Julgamento, foi condenado a cumprir pena de seis meses e meio de detenção. Um momento muito sombrio na vida de qualquer jovem. Mas é na forma como encara esta provação que percebemos o homem que ele é.

Quero ler-vos a frase com que encerra esse capítulo, uma das mais fortes do livro: «Aprendi no berço, com pais que nada ou pouco sabiam ler e escrever, na rua, na escola, no desporto, no trabalho, mas onde mais aprendi, foi neste Estabelecimento Prisional. Sem rebuço, nem vergonha por dizê-lo.»

Os capítulos sobre a Cadeia Regional de Leiria e a Prisão Escola de Leiria são verdadeiramente singulares, de enorme riqueza de conteúdo.

Em vez de se deixar abater pelo ambiente hostil, demonstrando resiliência, o Alexandre adaptou-se com inteligência e astúcia prática, ocupando o tempo com trabalhos agrícolas, tarefas na capela e como responsável pela biblioteca.

O relato humaniza a experiência do cárcere, revelando detalhes do quotidiano, como a partilha de tarefas e pequenos estratagemas para garantir a sobrevivência e a dignidade na prisão.

Sublinho ainda os trechos que narram a passagem do autor ao serviço como Polícia Militar, num relato de rara força, que não tenta heroificar ninguém nem simplificar a realidade. Mostra homens dentro de uma máquina militar, cada um a tentar sobreviver – física, moral e humanamente – num tempo muito duro de Portugal.

Impressionam em particular, quer a descrição, com enorme detalhe, da parte operacional de uma escolta – comandada pelo então Furriel Miliciano Alexandre Rosa Freitas – a um militar “desertor” (palavra de que não gostava, preferindo antes “militar evadido”), assim como a forma como vai sendo suscitado, ao longo da narrativa, o conflito entre disciplina militar e consciência humana.

Alternando tensão e humor, a autenticidade está bem expressa nos procedimentos, nos toques regimentais militares, nas responsabilidades, no medo real da eventual fuga do detido, na tensão hierárquica entre oficiais, no peso disciplinar que incumbia sobre quem escoltava presos, no orgulho próprio da Polícia Militar, como, também, na mistura tipicamente portuguesa de dureza e humanidade. Nada soa inventado. Pelo contrário: soa vivido.

Recorda-nos que os militares eram instruídos não «para matar», mas «para não morrer»; ilustra de forma notável a forma como manteve a autoridade sem humilhar o evadido; culminando no abraço final, entre polícia e detido, que fecha simbolicamente esse episódio: até aí, o evadido era um homem sob custódia; naquele instante voltou a ser apenas um homem.

A frase do evadido à chegada a Penamacor é devastadora: «se fosse tratado como fui hoje pelo nosso Furriel e pelos seus mandados, jamais voltaria a fugir.»

Porque expõe uma verdade simples: a autoridade firme, mas digna, resulta melhor do que a brutalidade.

O retrato do Portugal desse tempo também aparece inteiro: a guerra colonial, a emigração clandestina, a pobreza, o medo da mobilização, os quartéis, os comboios humanos enviados para África, até à erosão silenciosa do regime antes do 25 de Abril.

  1. A Saga Industrial: Da “rejeição” ao “Topo”

Este livro atravessa temas como a redenção pessoal, a resiliência e a dedicação profissional. Após cumprir a pena que lhe fora imposta, o Alexandre levantou-se. Especializou-se na arte do papel e a sua competência cruzou fronteiras.

Retomou a carreira profissional, na fábrica de Porto de Cavaleiros, onde o seu trabalho foi de tal forma reconhecido que a Administração lhe pagou os salários do período em que esteve detido.

Nos anos seguintes, o Alexandre notabilizou-se de tal forma na indústria do papel, que liderou modernizações tecnológicas significativas, após ter “estagiado” em Paris e Viena. E o reconhecimento definitivo chegou em 1985, com um convite irrecusável para se mudar para Espanha, para ser Director Técnico de uma grande fábrica em Villarreal, a Clariana.

Aí, enfrentou o preconceito daqueles que não aceitavam que um, cito, “portuguesito” mandasse em centenas de trabalhadores. O livro partilha connosco, com humor e detalhe, este choque cultural. Foi alvo de ardis e sabotagens, mas, com determinação, provou o seu valor pelo trabalho. Mais tarde, na Tiscel, viu a fábrica arder e liderou a reconstrução em 21 dias de trabalho contínuo, sem folgas.

O “Topo” da carreira chega em 1992, quando aceita o convite para regressar a Portugal, como Director-Geral da IPT (Indústrias de Papel de Tomar), passando, numa conjuntura muito complexa, a liderar três fábricas: Porto de Cavaleiros, Matrena e Góis.

  1. O Regresso às Origens e o “Puto” de Santa Cita

O livro oferece-nos uma das reflexões mais tocantes sobre esta reviravolta da vida. Vou ler-vos o que o Alexandre escreveu ao revisitar o seu percurso:

«Um “puto” de Santa Cita, que, até aos seis anos, tomava banho nu no rio Nabão, que alguma vez, aos onze anos, não pagou bilhete no comboio […] “desviou” fruta na horta […], foi Polícia Militar, esteve privado da liberdade em Leiria, meteu a cabeça em máquinas onde muitos não meteram as mãos, veraneou por Espanha, agora convidado para Director Geral da IPT. Será que tinha de usar fato e gravata, ser cliente no café Paraíso […]? Não creio, não é possível. Mas foi.»

Aproveito para abrir um breve parêntesis: o desporto puro e amador – o futebol, o basquetebol e o voleibol – fora também uma grande escola. E a vida deu voltas tão bonitas que aquele mesmo miúdo que começara por jogar descalço, viria a ser vencedor da Zona Norte na II Divisão Nacional pelo U. Tomar, e também Campeão Distrital pelo Matrena, aí terminando a sua trajectória desportiva como treinador do lendário Ernesto Figueiredo, o “Altafini de Cernache”, jogador do Sporting Clube Portug. e internacional pela Selecção de Portugal, participante do Mundial de 1966.

Por fim, depois daquele regresso “triunfal” a Tomar em termos profissionais, a vida desafiou-o, ainda nos anos 90, a rumar a Norte, para Espinho (Fábrica de Azenha), e para a Gopaca, em Paços de Brandão, onde também assumiu a Direcção de Produção.

  1. O Encerramento: O Rio da Vida e o Juízo Final

Mas é no último capítulo, no “Encerramento”, que o Alexandre nos abre, por completo, o coração.

Aos 81 anos de idade, a viver sozinho em São Félix da Marinha — onde caminha diariamente seis quilómetros pelo passadiço da praia —, ele olha para o espelho sem medos.

Assume o seu forte carácter, o humor acutilante, a ironia mordaz e a intolerância perante a mentira e a injustiça. E escreve: «A solidão é o preço da liberdade».

No momento mais poético do livro, o autor desvenda o seu último desejo: que as suas cinzas fossem depositadas na praia do Agroal, imaginando uma deslumbrante viagem pelas águas do Nabão, passando por Porto de Cavaleiros (onde trabalhou), Tomar (onde estudou), Santa Cita (onde nasceu), Matrena (onde aprendeu), juntando-se ao Zêzere e ao Tejo em Constância, circundando o Castelo de Almourol, Santarém, Lisboa, Cacilhas… até desaguarem no Mar. É a geografia perfeita da sua alma.

E com uma lucidez desarmante, desafia as próprias convenções da fé. Afirmando-se um homem católico e praticante, que reza todas as noites, escreve com uma honestidade provocadora:

«Deus e o Diabo, não se entenderiam sobre a minha pessoa e personalidade. Teriam de decidir por moeda ao ar. Cara ou coroa. Se me perguntassem: Céu ou Inferno, que escolherias? Inferno, diria. […] Diz a Igreja que, quem merecer o Céu, tem a vida eterna. Não, vida eterna, Não. Para sofrimento, foi suficiente o que sofri na terra.»

  1. Conclusão

Em suma, «A vida que me fez como sou» é uma lição para todos nós. Lembra-nos de que as nossas memórias têm valor e que a nossa história merece ser contada, sem pruridos de tal poder ser considerado, de alguma forma, um exercício narcísico.

Mas esta obra é mais do que um mero registo de memórias; é um manifesto de autodescoberta de um homem livre, que se recusa a aceitar migalhas, que prefere a solidão crua a uma farsa, e que sabe que – como ele próprio diz – «ontem passou, hoje é para viver, amanhã não sei se chego. Um dia de cada vez […].»

Um dos grandes méritos deste livro é que o autor não escreve como quem queira “ajustar contas”, mas como quem quer compreender o que viveu. Isso dá credibilidade ao texto.

O Alexandre convida-nos, no final do livro, a fazer algo muito simples enquanto aqui andamos: «façamos do tempo, paz, alegria e boa vivência na comunidade».

Esta é, pois, uma leitura recomendada não só para quem conhece o trajecto do autor, mas para todos os que apreciam histórias reais de resiliência e identidade.

Termino, dando os Parabéns ao Alexandre Rosa Freitas pela coragem de escrever e publicar este livro, sobre uma vida de que certamente sentirá orgulho, deixando-nos um exemplo de que o nosso passado não nos prende, mas constrói-nos.

Obrigado por este contributo, e, acima de tudo, pela generosidade desta partilha.

Convido todos os presentes a mergulhar nas páginas deste livro memorável e a descobrir o homem por trás da história.

Muito obrigado a todos, e a palavra, agora, é do Alexandre!

12 Setembro, 2026 at 4:00 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Supertaça

(“O Templário”, 11.06.2026)

Tal como sucedera na época passada (entre Ferreira do Zêzere e Samora Correia), os dois confrontos realizados em semanas sucessivas entre os mesmos clubes, na final da Taça do Ribatejo e da Supertaça, voltaram a ter vencedor distinto. Se não houvera surpresa na Taça, ela ficou reservada para o reencontro entre o Campeão Distrital da I Divisão e o actual líder do Distrital da II Divisão, com o Moçarriense a conquistar o seu primeiro troféu de nível absoluto (depois de se ter sagrado já Campeão do escalão secundário por duas vezes: em 2017 e 2023).

A partida do passado sábado, disputada, como vem constituindo tradição, no Estádio Municipal Dr. Alves Vieira, em Torres Novas, não teve configuração muito distinta da realizada sete dias antes, em Fátima, com o Fazendense, naturalmente, a registar maior iniciativa e posse de bola.

Até ao intervalo o grupo das Fazendas teve três soberanas oportunidades, que, contudo, não conseguiu materializar – com destaque para as intervenções do guardião, Bernardo Piedade. Depois, à medida que o tempo ia decorrendo e o nulo subsistia, o Moçarriense foi acreditando cada vez mais nas suas possibilidades, enquanto, ao invés, o Fazendense ia perdendo intensidade.

Nuns dez minutos finais bem recheados de incidências, também a equipa da Moçarria se poderia lamentar de ter desperdiçado uma grande penalidade (defendida pelo guarda-redes, Diogo Sousa), tendo, por seu lado, o conjunto das Fazendas rematado ainda aos ferros da baliza contrária.

O solitário golo, que conferiu – pela primeira vez na história desta competição (em 32 edições já disputadas) – o triunfo de um emblema a militar na II Divisão Distrital, foi apontado a escassos dois minutos do termo do tempo regulamentar, com o jovem Afonso Zibaia a ser o “herói” que deixa o seu nome gravado na história do clube.

A agremiação dos arredores de Santarém, à beira de completar 70 anos de existência, e que, até à data, conta oito participações na divisão principal, todas elas nas duas últimas décadas (2006-07, 2011-12, 2012-13, 2015-16, 2017-18, 2019-20, 2020-21 e 2023-24 – tendo por melhor classificação o 9.º lugar em 2012), alcançou o ponto mais alto do seu palmarés desportivo.

Anota-se, desta forma, que, já há onze anos, nenhuma equipa consegue alcançar o “triplete” de troféus (Campeonato Distrital, Taça do Ribatejo e Supertaça Dr. Alves Vieira), desde que o Coruchense obteve tal proeza, em 2015; antes, outros cinco emblemas já o tinham realizado também: At. Riachense (2010); Monsanto (2004); Abrantes FC (2003); U. Rio Maior (2002); e Samora Correia (1994) – sendo que, desde que a Supertaça passou a ser disputada no final da época (a partir de 2018-19), ainda nenhum clube logrou conquistar as três provas em disputa.

Passa a ser o seguinte o resumo do Palmarés do futebol a nível distrital, desde a temporada inaugural, de 1924-25, até à época agora finda, de 2025-26, ao longo de mais de um século de competições (com um total de 37 clubes com troféus conquistados – 31 dos quais de Campeão Distrital; tendo sido 25 os vencedores da Taça do Ribatejo; e 17 os que ganharam já a Supertaça), com o Fazendense, mercê dos dois títulos este ano alcançados, a aproximar-se da liderança:

Nota – Não é consensual a “atribuição” dos títulos de “Campeão Distrital” nos primórdios, a qual varia consoante as fontes, desde logo, entre o que se encontra publicitado no site oficial da Associação de Futebol de Santarém e outras publicações da mesma entidade, assim como de investigadores como João Carlos Lopes (por último, no seu livro “O Futebol no Ribatejo e os 100 Anos do Torres Novas”) ou Frederico Trancoso (divulgada no blogue https://futebolarquivadopt.blogspot.com/) – até porque, em rigor, tal conceito não existiria então, sendo atribuídos títulos com base em diferentes modelos competitivos: relativos ao campeonato (da cidade) de Santarém; títulos da província do Ribatejo (por vezes enquadrados no âmbito do Campeonato Nacional da II Divisão); ou, mais simplesmente, jogos entre vencedores de “zonas” (inicialmente, entre os vencedores dos campeonatos de Santarém e da “Liga Tomarense”); até épocas (1939-40 a 1945-46) em que apenas a série de Santarém era designada de “I Divisão”.

São as seguintes as temporadas em que se constata a existência de dissensões (tendo sido retida, como hipótese de trabalho, nos casos em apreço, a lista publicada por João Carlos Lopes):

Por outro lado, se se considerar a extensão do âmbito de análise, também à conquista de troféus de âmbito nacional, teríamos, adicionalmente, os seguintes títulos por clube:

II Divisão Distrital – A 6.ª jornada ficou marcada por um importante triunfo (2-1) do Salvaterrense, na recepção ao Ouriquense, o que veio nivelar ainda mais as pontuações dos quatro primeiros classificados, agora concentrados num intervalo de somente dois pontos, faltando disputar ainda quatro rondas (tendo sido adiado o encontro entre Moçarriense e Vasco da Gama).

De facto – e pese embora tal jogo em atraso – Moçarriense e Salvaterrense repartem o comando, com doze pontos, seguidos de perto por Vasco da Gama e Ouriquense (dez pontos), sendo que, como sabido, apenas três destes emblemas virão a ser premiados com a subida de escalão.

Na fuga ao último lugar, Pego e U. Atalaiense empataram a zero, mantendo-se os pegachos no 5.º posto, com quatro pontos; e a formação da Atalaia no 6.º, tendo averbado o seu primeiro ponto.

Antevisão – Tendo sido agendada para o feriado de 10 de Junho a 7.ª ronda da fase final do Distrital da II Divisão, a prova avançará para a sua antepenúltima (8.ª) jornada, neste domingo, com os desafios: Salvaterrense-Moçarriense, Ouriquense-U. Atalaiense e Pego-Vasco da Gama. Nas duas rondas finais, calendarizadas para dias 21 e 28 de Junho, destaque para as partidas entre candidatos à subida: Vasco da Gama-Ouriquense (9.ª); e Ouriquense-Moçarriense (10.ª) – faltando também realizar (17 de Junho) o jogo em atraso entre Moçarriense e Vasco da Gama.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 11 de Junho de 2026)

14 Junho, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final

(“O Templário”, 04.06.2026)

Não houve surpresa no passado sábado, no Estádio Municipal Papa Francisco, em Fátima, com o novo Campeão Distrital a superiorizar-se, com naturalidade, a um adversário que milita no escalão secundário. Em sete finais da Taça do Ribatejo disputadas, a equipa do Fazendense conquistou o seu sexto troféu na prova (apenas fora batida – no desempate da marca de grande penalidade – na primeira presença no jogo decisivo, em 1989), ampliando a sua vantagem sobre a concorrência em termos de palmarés na competição, agora com o dobro dos títulos dos mais directos seguidores (Tramagal, At. Riachense, Amiense, Coruchense e Ferreira do Zêzere, cada um com três Taças).

Após os triunfos alcançados em 2006, 2012, 2014, 2016 e 2022, o Fazendense confirma a tendência de ganhar a prova em (vários) ciclos de dez anos – tendo “falhado” apenas na edição de 2024, época em que se quedou pelas meias-finais, então superado pelo Alcanenense (finalista).

Esta foi já a 14.ª vez que o Campeão se sagrou também vencedor da Taça, fazendo a “dobradinha”, repetindo os feitos de: Amiense (1977); Samora Correia (1983 e 1994); Águias de Alpiarça (1985); Benavente (1991); U. Rio Maior (2002); Abrantes FC (2003); Monsanto (2004); At. Riachense (2009 e 2010); Coruchense (2015); U. Santarém (2019); e Ferreira do Zêzere (2025).

Taça do Ribatejo – Num prélio entre dois emblemas com histórico (e palmarés) tão díspar na competição – com o Moçarriense a marcar presença na final da Taça pela primeira vez no historial do clube (o melhor registo que, até então, obtivera fora a presença nos quartos-de-final, por três vezes, nos anos de 2006, 2010 e 2016) – e que integraram, nesta época, diferentes escalões (pese embora a equipa da Moçarria se encontre activamente a disputar a promoção à I Divisão Distrital), projectava-se já um claro favoritismo do recentemente sagrado Campeão Distrital, Fazendense.

O conjunto das Fazendas, tendo disputado um total de cinco desafios, assegurou a invencibilidade na presente edição, mas registando apenas duas vitórias dentro de campo (5-0 ao At. Pernes, nos quartos-de-final, e 2-0 ao Moçarriense… na final); para além de três empates (em Coruche, na pré-eliminatória, assim como nas duas partidas das meias-finais, ante o Mação – tendo, de ambas as ocasiões, sido mais eficaz no desempate da marca de grande penalidade). Beneficiara ainda da falta de comparência do Cartaxo no encontro dos 1/8 de final.

Por seu lado, o Moçarriense chegava ao derradeiro embate também ainda invicto, tendo somado quatro triunfos e dois empates, tendo, por duas vezes, envergado a veste de “tomba-gigantes”: indo ganhar ao Amiense, no Campo da Azenha, por 2-0, nos 1/8 de final; e repetindo a proeza, nos 1/4 de final, superando o Torres Novas, mesmo que no desempate por “penalties”.

A estratégia que o grupo da Moçarria teria delineado para este confronto cedo ficou abalada, com o primeiro tento sofrido, apontado pelo Fazendense ao 13.º minuto, o que, desde logo, proporcionou maior tranquilidade à equipa que, à partida, dispunha já de superiores argumentos.

Tendo a diferença mínima no marcador subsistido até final do primeiro tempo, o desfecho desta final ficou praticamente sentenciado no recomeço do desafio, com o segundo golo da turma das Fazendas de Almeirim, decorria o segundo minuto da etapa complementar.

Dando forte réplica, o Moçarriense ia esboçando tentativas de contrariar a supremacia do adversário, deixando imagem bem positiva, não tendo o marcador voltado a funcionar, traduzindo o resultado de 2-0 certo equilíbrio a nível do desempenho dos dois contendores, mesmo que seja inquestionável a vitória do Fazendense, que foi controlando o desenrolar da partida.

II Divisão Distrital – A encerrar a primeira volta da fase final deste campeonato, ficou, necessariamente, adiado (agendado para esta quarta-feira, dia 3 de Junho) o que seria o “jogo-grande” da jornada, entre os então dois primeiros classificados, Moçarriense-Ouriquense.

Nas duas partidas disputadas no último domingo, os candidatos à subida confirmaram o favoritismo, mas tiveram de correr bem mais do que esperariam, obtendo árduos triunfos.

O Vasco da Gama, recebendo o “lanterna vermelha”, U. Atalaiense (que viria a somar o quinto desaire em outros tantos encontros realizados), experimentou grandes dificuldades para conseguir desbloquear o jogo, com o nulo a subsistir até ao intervalo, só já em fase adiantada vindo a chegar ao solitário golo que lhe conferiu os três pontos.

Em Salvaterra, a formação local, enfrentando o Pego (5.º e penúltimo classificado, que, até agora, apenas conseguiu vencer na Atalaia), arrancou uma vitória “in extremis”, quase ao “cair do pano”. Os pegachos marcaram primeiro, chegando ao descanso em vantagem. Com dois golos apontados em curto período de cinco minutos, a meio da segunda parte, poderia julgar-se que o mais difícil estaria feito, por parte do Salvaterrense. Mas não: a turma do Pego prontamente repôs a igualdade, que só viria a ser desfeita, com o 3-2 para os donos da casa, a três minutos do fim.

Em qualquer caso, os resultados da 5.ª ronda vêm confirmar que, de facto, há quatro candidatos assumidos às três vagas de promoção à I Divisão Distrital, agora separados por um único ponto – mesmo atendendo a que há dois concorrentes com um jogo a menos – Ouriquense e Vasco da Gama lideram, com dez pontos; seguindo-se de imediato Moçarriense e Salvaterrense, com nove!

Liga 3 – Não houve golos no Restelo, no jogo da 2.ª mão do “play-off”, entre Belenenses (3.º da Liga 3) e Farense (16.º classificado da II Liga), pelo que a turma algarvia – que se havia imposto, na 1.ª mão, por 1-0 – mantém a sua posição na segunda divisão do futebol profissional; ao invés, o Belenenses perde a eliminatória de acesso a esse escalão pelo segundo ano sucessivo (depois de, na temporada precedente, ter sido superado pelo Paços de Ferreira), subsistindo na Liga 3.

Campeonato de Portugal – Terminada a segunda fase, é de destacar o notável desempenho do V. Sernache, vencedor da Zona Sul, garantindo uma fantástica presença na final desta prova, a disputar no Estádio do Jamor, no próximo dia 10 de Junho, ante o Leça (vencedor da Zona Norte).

Na última jornada, a turma de Cernache do Bonjardim, recebendo o Louletano – dispondo até da faculdade de, no limite, perder por um golo de diferença –, obteve um empate a uma bola (golo do “tomarense” Mauro Santos, igualando o desafio, à entrada do último quarto de hora), confirmando o 1.º lugar na sua série, com doze pontos, mais três que a formação do Algarve. No outro jogo, Oliveira do Hospital (3.º) e At. Malveira (4.º) empataram também a um golo.

Garantiram a subida à Liga 3 os dois primeiros classificados de cada uma das séries: Leça e Vianense (Série A), tendo-se superiorizado face à concorrência de Bragança e Rebordosa; e V. Sernache e Louletano (Série B).

Antevisão – A culminar a época de 2025-26 do futebol distrital, teremos, já este sábado, o pronto reencontro entre Fazendense (Campeão Distrital e vencedor da Taça, almejando a conquista de um possível “triplete”) e Moçarriense (finalista da Taça do Ribatejo, que garantiu também já a presença na próxima edição da Taça de Portugal), para disputa da Supertaça Dr. Alves Vieira, desafio tradicionalmente realizado em Torres Novas, no Estádio com o mesmo nome.

Tal implicará novo adiamento (para dia 17 de Junho), do jogo da 6.ª ronda da fase final da II Divisão Distrital, de apuramento de Campeão e de promoção, entre Moçarriense e Vasco da Gama. Pelo que, para domingo, estão calendarizadas as seguintes duas partidas: Salvaterrense-Ouriquense, embate que se reveste de cariz determinante, na luta pela subida; e Pego-U. Atalaiense, com os dois clubes a procurar escapar à cauda da pauta classificativa

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Junho de 2026)

6 Junho, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 30ª Jornada

(“O Templário”, 28.05.2026)

No termo de um campeonato disputado “ponto a ponto”, o Fazendense conquistou o seu 3.º título de Campeão Distrital, repetindo as proezas das temporadas de 1995-96 (em que tivera a primazia face ao Coruchense e ao Tramagal) e 2006-07 (na qual batera, numa Final a duas mãos, o Torres Novas), garantindo, pois, a promoção ao Campeonato de Portugal, escalão em que se estreará.

Afinal, a derradeira ronda acabou por não gerar grande “frisson”: o Mação, vice-líder, na perseguição ao comandante, um único ponto atrás, cedo “resolveu” o seu desafio, com dois tentos apontados ainda no quarto de hora inicial – tendo marcado antes do Fazendense, chegara, por breves instantes, a ser “guia virtual”; mas o novo Campeão não vacilou, inaugurando o “placard” nos Amiais no minuto imediato, repondo o posicionamento com que se iniciara a jornada, o qual não se alteraria até final, vindo as duas equipas a chegar à “chapa 4” nos respectivos jogos.

Tendo completado a prova a um único ponto do vencedor, a turma maçaense poderá lamentar-se do empate cedido em Ourém, três semanas antes. Mas, por outro lado, só lograra manter-se na corrida até ao último dia, mercê também de um imprevisto desaire sofrido pelo grupo das Fazendas, no Entroncamento, na semana precedente. No cômputo geral, tendo ambos os rivais sofrido alguns deslizes, não é possível recorrer a uma qualquer espécie de “wild card” ou “joker”, que permitisse descartar os resultados desfavoráveis (e o Fazendense até começara por ter duas derrotas nas três primeiras rondas, que lhe haviam provocado, logo aí, atraso de seis pontos…).

Obviamente, não seria viável, no âmbito destes comentários semanais à evolução do campeonato, ter uma percepção objectiva sobre o eventual impacto que as arbitragens pudessem ter tido no desfecho de algumas partidas, situação relativamente à qual os suplantados vocalizam reiterado protesto. Isto dito, reconhecendo o mérito do Fazendense, há que endereçar os Parabéns e expressar os votos de boa época de 2026-27, em competição de cariz exigente, de índole nacional.

Destaques – A primeira nota de destaque vai, necessariamente, para a goleada aplicada pelo Fazendense, no tradicionalmente difícil Campo da Azenha, nos Amiais de Baixo, e, para mais, frente a um Amiense que realizou boa segunda volta, e que não perdia há seis jornadas! Tendo aberto o activo à passagem dos doze minutos, os forasteiros ampliariam a contagem antes do intervalo; para, entre os 72 e os 75 minutos, com mais dois golos, fixando o resultado num desnivelado 4-0, ratificar definitivamente a conquista do título – num desafio com a particularidade de três dos tentos terem sido apontados na conversão de grandes penalidades.

De pouco valeu, portanto, a goleada também imposta pelo Mação ao Abrantes e Benfica: dois golos de rajada, aos onze e treze minutos; e, de novo, outros dois, aos quatro e seis minutos da segunda metade, antes de os abrantinos reduzirem para 4-1. O grupo maçaense, enquanto vice-campeão, terá, como “lenitivo”, o apuramento para a próxima edição da Taça de Portugal, em que marcará presença apenas pela terceira vez no seu historial (após 2017-18 e 2018-19).

O U. Tomar – sabendo-se de antemão que enfrentava uma missão difícil – não foi capaz de alcançar o único resultado (a vitória) que lhe teria proporcionado ascender até à 8.ª posição, acabando por quedar-se pelo 10.º posto, aquém dos objectivos – pese embora, ainda assim, numa época de absoluta tranquilidade quanto à meta essencial, a da permanência no principal escalão.

Recebendo o Coruchense, que almejava ainda o 5.º lugar, os unionistas tiveram uma primeira parte positiva, assumindo a iniciativa, mas sem concretizar, com o nulo a subsistir ao intervalo. Na etapa complementar, o conjunto do Sorraia, com dois tentos, aos 59 e 67 minutos, sentenciou o desfecho, que reforçaria, ainda com um terceiro golo, já nos últimos dez minutos. Um resultado que, porém, não alterou a classificação, dada a natural vitória obtida pelo Alcanenense no Cartaxo.

Uma vez mais em evidência, o Águias de Alpiarça venceu, por 1-0, na visita a Ourém – sendo que o At. Ouriense vinha de três empates, dois deles ante o 2.º e o 4.º classificado –, finalizando a prova num assinalável e bem afirmativo 7.º posto, com quatro triunfos nas cinco últimas rondas.

Surpresa – Tal como na semana anterior, também neste caso se terá tratado, com maior propriedade, de uma semi-surpresa, a vitória do At. Riachense em Pontével, por 3-2. As duas equipas tinham já a respectiva situação definida: os visitados, tendo assegurado a manutenção, os forasteiros, com a despromoção consumada – sendo que vinham, em ambos os casos, de cinco jornadas sem conhecer o sabor da vitória, nas quais não foram além de duas igualdades, cada qual.

O conjunto dos Riachos marcou primeiro, à passagem da meia hora, mas o Pontével operou a reviravolta na fase inicial do segundo tempo; antes de os forasteiros restabelecerem a igualdade, para acabar mesmo por chegar ao triunfo, a cinco minutos do final. O Riachense termina o campeonato somente a um ponto da “linha de água”, mas foi tardia a sua tentativa de recuperação.

Confirmações – De outra forma, não houve qualquer surpresa nos outros três prélios da 30.ª jornada: o Torres Novas recebeu e goleou, por 4-0, o Entroncamento AC, precisamente o último clube a alcançar a permanência – tendo sido determinantes os seis pontos angariados entre a 25.ª e a 28.ª ronda, incluindo o tal triunfo ante o futuro Campeão, Fazendense, assim como os empates nos confrontos directos com dois dos clubes despromovidos (Cartaxo e At. Riachense). Os torrejanos confirmaram, deste modo, uma excelente classificação, integrando o pódio (3.º lugar).

Também o Porto Alto completou a sua melhor temporada de sempre nos campeonatos distritais – após se ter sagrado, na época anterior, Campeão da II Divisão, ao vencer o Tramagal na Final –, com um notável 4.º posto (a escassos três pontos do Torres Novas), tendo batido… o Tramagal, por via de um solitário golo, num “adeus” com dignidade, por parte do “lanterna vermelha”.

Pelo contrário, o Cartaxo, agora já de “braços caídos”, teve uma triste despedida da I Divisão, recebendo o Alcanenense, voltando a sofrer retumbante goleada, de 0-8 (depois dos 0-9 e dos 0-6 nos dois jogos com o Torres Novas); foi caso de “virar aos quatro”, e “acabar aos oito”, sem contemplações da turma de Alcanena, que, assim, preservou a 5.ª posição na pauta classificativa.

II Divisão Distrital – Após a quarta jornada (de um total de dez) da fase final deste campeonato, parece haver quatro pretendentes para três vagas de subida: Ouriquense, Moçarriense, Vasco da Gama e Salvaterrense – nesta altura separados (entre o 1.º e 4.º classificado) só por quatro pontos. Ao invés, a U. Atalaiense, batida no seu terreno, por 1-4, pelo conjunto de Salvaterra, somou quarto desaire em outras tantas partidas; enquanto o Pego sofreu também pesada derrota (0-4), igualmente no seu reduto, ante a formação da Moçarria. Num embate directo entre dois dos candidatos à subida, Ouriquense e Vasco da Gama neutralizaram-se, empatando a uma bola.

Liga 3 – Já em “tempo extra” desta competição, na 1.ª mão do “play-off” de acesso à II Liga, entre o 16.º classificado desse escalão e o 3.º da “Liga 3”, o Farense levou a melhor, ganhando ao Belenenses por tangencial 1-0, subsistindo, pois, em aberto, a definição do clube apurado.

Campeonato de Portugal – Ainda com uma ronda por disputar, ficou já decidida a promoção à Liga 3 do V. Sernache (vencedor na Malveira, por categórico 3-0) e do Louletano (que bateu o Oliveira do Hospital por 2-1, com o tento decisivo apontado em período de compensação).

Antevisão – Concluído o campeonato do principal escalão, abre-se espaço à Final da “prova rainha”, a Taça do Ribatejo, desta feita com o especial aliciante de ser disputada por clubes das duas divisões, com o Campeão, Fazendense, naturalmente, como claro favorito a conquistar o que, em caso de triunfo, será o seu 6.º troféu, ante o Moçarriense, finalista em estreia absoluta.

A concluir a primeira volta da fase final da II Divisão Distrital, destaque para o Moçarriense-Ouriquense (que, em função da participação do emblema da Moçarria na disputa da Taça), foi agendado para dia 3 de Junho (quarta-feira). Vasco da Gama, recebendo a U. Atalaiense; e Salvaterrense, que terá a visita do Pego, apresentam-se com notório favoritismo a ganhar.

No Campeonato de Portugal, o V. Sernache defronta, em casa, no Estádio Municipal D. Nuno Álvares Pereira, o Louletano – podendo até, no limite, perder por um golo de diferença, que garantiria, ainda assim, uma sensacional presença no Jamor, na Final desta competição.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 28 de Maio de 2026)

30 Maio, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 29ª Jornada

(“O Templário”, 21.05.2026)

Ao intervalo da penúltima jornada, com os resultados que então se verificavam (Fazendense a ganhar e Mação a perder), o grupo das Fazendas seria “virtual Campeão”; tendo, aliás, tal cenário subsistido até aos 87 minutos, pese embora os almeirinenses tivessem sofrido o empate. Só que, nos instantes derradeiros do seu desafio em Coruche, os maçaenses operariam a reviravolta no marcador, chegando ao triunfo “no último suspiro”, já no termo do tempo de compensação.

Fazendense e Mação abordam, pois, a 30.ª e última ronda separados por um único ponto, numa fase da época em que sofreram alguns deslizes – derrota no Entroncamento e igualdade caseira com o Alcanenense, por parte da formação das Fazendas; empate da turma maçaense em Ourém –, deixando todas as possibilidades em aberto quanto à conquista do almejado título de Campeão.

Destaques – Num Domingo em que se entrecruzavam as disputas pela 1.ª e pela 5.ª posição, com as partidas entre 1.º e 5.º (Fazendense-Alcanenense) e 6.º e 2.º classificados (Coruchense-Mação), a tarde foi recheada de sucessivas cambiantes, começando por realçar-se nova perda de pontos do guia, não obstante o conjunto das Fazendas se tivesse colocado em vantagem à passagem da meia hora. Porém, logo nos minutos iniciais da segunda parte, a equipa de Alcanena restabeleceria o empate, sendo que – ainda com mais de quarenta minutos por jogar – o 1-1 já não seria desfeito.

Disso acabaria por vir a tirar partido o Mação, mas só “in extremis”, quando o título parecia já (quase) entregue. Tendo a turma do Sorraia inaugurado o marcador à beira do intervalo, o panorama de um eventual desaire, que arredaria os visitantes das suas pretensões, foi-se avolumando, à medida que o tempo escasseava, e que as insistentes ofensivas maçaenses, em especial ao longo de toda a segunda metade, pareciam incapazes de lograr os seus intentos.

Mas, não se entregando, não abdicando nunca do objectivo, o Mação viria a ser premiado: ao empate, alcançado a três minutos dos noventa, seguir-se-ia, num período algo caótico, já sem tácticas, mas com grande coração, a “explosão” do tento da vitória (2-1), no minuto 96. Dos seis pontos que, “virtualmente”, chegara a ter de atraso (ao intervalo) – entretanto reduzidos a quatro no início do segundo tempo –, a turma maçaense começara por repor os três de diferença com que entrara em campo, vindo a fechar a jornada somente a um ponto (70 vs. 71) do comandante… e com vantagem (superior diferença de golos) em caso de igualdade final na tabela classificativa.

Merece ainda destaque a recta final do Águias de Alpiarça, que, após uma sequência de cinco derrotas a meio da segunda volta, só não venceu um dos seus quatro últimos jogos (1-1, na semana precedente, no Porto Alto), tendo, desta feita, ido ganhar ao Entroncamento AC (que era ainda parte activa na contenda pela permanência) por 4-2, garantindo, pelo menos, um notável 7.º posto, podendo, aliás, sonhar ainda com um eventual 6.º lugar (dado estar a três pontos do Coruchense).

Surpresa – Terá sido, porventura, apenas “meia surpresa”, mas o U. Tomar não conseguiu sair vitorioso no Tramagal, no reeditar de um velho clássico do futebol distrital. Foram, inclusivamente, os tramagalenses a adiantar-se no marcador, logo aos dez minutos, tendo mantido a vantagem até ao descanso. Os nabantinos empatariam no início da etapa complementar, completando a reviravolta a um quarto de hora do fim, na conversão de uma grande penalidade. Contudo, mesmo reduzidos a dez elementos, os anfitriões prontamente lograriam restabelecer a igualdade (2-2), também a partir da marca dos onze metros, à entrada dos últimos dez minutos.

Confirmações – Os restantes quatro prélios tiveram desfechos que se enquadram nas expectativas. Começando pelo At. Ouriense-Porto Alto, o nulo subsistiu até final, tendo o grupo de Ourém voltado a pontuar ante um dos concorrentes do topo da pauta classificativa, depois da igualdade registada com o Mação, duas semanas antes (no entretanto empatara ainda em Tomar).

O Abrantes e Benfica-Amiense teve também um resultado que se pode considerar lógico: os abrantinos marcaram primeiro, chegando ao intervalo em vantagem; mas o conjunto dos Amiais, que não perde há seis jornadas, restabeleceu a igualdade na fase inicial do segundo tempo; tal como no caso do At. Ouriense, foi também o terceiro empate sucessivo do Abrantes e Benfica – numa jornada, que à semelhança da anterior, voltou a registar cinco igualdades, desta vez mais diversificadas, incluindo o 1.º (Fazendense) e o último (Tramagal) classificados.

Os resultados dos dois “derbies” do passado fim-de-semana confirmaram a descida à divisão secundária de outros dois clubes de grandes pergaminhos a nível distrital (a par do Tramagal): o At. Riachense, derrotado em casa pelo Torres Novas, em função de um solitário golo, a meio da segunda parte, de “penalty” (sendo que a formação dos Riachos acabaria com quatro jogadores expulsos, aos 79, 80 e 87 minutos, e no final do jogo); bem como o Cartaxo, que, recebendo o Pontével, não foi além do empate (1-1). Os quatro pontos de atraso face ao Entroncamento AC não serão recuperáveis, tendo, assim, ficado já definidas as três equipas despromovidas.

II Divisão Distrital – A terceira ronda da fase final terá resultado em algumas confirmações, nomeadamente com o Ouriquense – por agora, com o pleno de vitórias, tendo ido ganhar à Atalaia, por 3-1 – a colocar-se em boa posição para alcançar a subida, em contraponto, precisamente, à U. Atalaiense, que, com três desaires, começará a ficar distante de tais aspirações.

Por seu turno, Moçarriense (batendo o Salvaterrense por 2-1) e Vasco da Gama (triunfando por tangencial 3-2 na recepção ao Pego) parecem validar o favoritismo que lhes advém do desempenho patenteado na fase regular da competição. Não obstante, deverá atentar-se que os desfechos foram renhidos, e que a diferença pontual face aos derrotados é de apenas três pontos.

Liga 3 – Chegou ao seu termo a edição de 2025-26 desta prova, com o Amarante a sagrar-se Campeão, sendo acompanhado na promoção à II Liga pela Académica, que obteve convincente vitória (3-0), ante o Trofense. Quanto ao Belenenses (3.º classificado), mesmo tendo vencido o Mafra por 3-1, vê-se forçado a disputar o “play-off” com o 16.º do escalão secundário, Farense.

O U. Santarém alcançou, já bem para lá dos noventa minutos, uma igualdade a duas bolas, frente ao Varzim, o que lhe permitiu evitar o último lugar, completando esta fase final na 7.ª posição (mesmo que em igualdade pontual com o Trofense), numa época com balanço muito positivo.

Campeonato de Portugal – Tudo na mesma, tendo os dois primeiros empatado entre si (0-0 no V. Sernache-Oliveira do Hospital), enquanto os dois “últimos” registaram também uma igualdade (1-1 no Louletano-At. Malveira). Faltando disputar duas rondas, a turma de Cernache lidera, com mais três pontos que Oliveira do Hospital e Louletano, estando o At. Malveira três pontos abaixo.

Antevisão – Com a definição do Campeão da I Divisão Distrital adiada para a derradeira jornada, afigura-se difícil arriscar prognósticos. Se o Fazendense tem a grande vantagem de depender exclusivamente de si, enfrentará, todavia, um adversário valoroso, num reduto tradicionalmente difícil, como é o de Amiais de Baixo (sendo que a turma das Fazendas necessitará, no mínimo, de obter resultado similar ao do rival); por seu lado, o Mação – que só poderá almejar o título, mesmo ganhando, se o Fazendense não vencer (ou, até, em caso de empate, mas só se o seu concorrente perdesse ante o Amiense) – disporá de franco favoritismo, recebendo o Abrantes e Benfica.

Na disputa pelo 3.º lugar, o Torres Novas parece levar clara vantagem, jogando no seu terreno com o Entroncamento AC (mesmo que o Porto Alto seja também favorito na recepção ao Tramagal). Na luta pelo 5.º posto, o Alcanenense parte também em melhor situação, deslocando-se ao Cartaxo, ao passo que o Coruchense visita Tomar, com o União a necessitar de vencer para poder ainda melhorar a sua classificação final (face à 10.ª posição que ocupa nesta altura).

Na II Divisão Distrital, o “jogo grande” da quarta ronda (penúltima da primeira volta) coloca frente-a-frente o Ouriquense e o Vasco da Gama, revestindo-se também de grande relevância o Pego-Moçarriense; por fim, caberá à U. Atalaiense receber o Salvaterrense.

No Campeonato de Portugal, já na penúltima jornada da fase final, o V. Sernache desloca-se à Malveira – sendo que, num cenário de vitória, garantiria automaticamente a subida à Liga 3 –, enquanto o Oliveira do Hospital viaja até ao Algarve, para defrontar o Louletano.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 21 de Maio de 2026)

23 Maio, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 28ª Jornada

(“O Templário”, 14.05.2026)

Numa ronda – antepenúltima do Distrital da I Divisão – em que só os três clubes que agora ocupam os lugares do pódio venceram (sendo que dois dos três derrotados se posicionam nos dois últimos postos da tabela), dez das onze equipas classificadas entre o 4.º e o 14.º lugar empataram (assinalando-se a curiosidade adicional de três das cinco igualdades terem sido a duas bolas). Ou seja, o principal beneficiado da jornada foi o Torres Novas, que voltou a ultrapassar a AREPA.

Destaques – A primeira nota de realce vai, uma vez mais, para o líder Fazendense, que, repetindo os números da semana anterior (3-0) – então ante a equipa torrejana –, se desembaraçou, de forma categórica, da visita a Pontével, não obstante tenha chegado ao intervalo com a vantagem mínima, que confirmou, já na etapa complementar, com a obtenção de outros dois tentos.

O Torres Novas, em deslocação ao Cartaxo, confirmou a tendência histórica recente: desde 2011 que os anfitriões não conseguem derrotar os torrejanos, sendo que, em doze encontros disputados desde então, os visitantes triunfaram por oito vezes, para além de quatro empates. Mais, na presente temporada, os cartaxeiros sofreram duas pesadas goleadas, num impressivo “score” global de 15-0 (!): depois do 9-0 da primeira volta, perderam agora, no seu reduto, por 0-6.

Também com 0-1 ao intervalo, o Torres Novas ampliou a contagem logo no recomeço. Reduzido a dez elementos a partir dos 55 minutos, o Cartaxo foi incapaz de evitar o avolumar do marcador, tendo passado por período de grande “desnorte”, com quatro golos sofridos entre os 69 e os 76 minutos… Um forte revés nas esperanças de poder ainda evitar a descida à divisão secundária.

E isto, não obstante uma das igualdades se tenha verificado num confronto directo entre as outras duas equipas sob ameaça de despromoção. O Entroncamento AC, que entrava com quatro pontos de vantagem face ao At. Riachense, tinha ocasião soberana para arrumar definitivamente as contas, em caso de vitória. E esteve, por duas vezes, nessa situação, mas, em ambas, possibilitou ao grupo dos Riachos restabelecer o empate (2-2), adiando assim a definição desta disputa.

Destaque ainda para o embate entre Amiense e Coruchense, porventura duas das formações que chegam a esta fase em melhor forma, vindo, ambas, de sequências vitoriosas. O desafio não terá defraudado as expectativas, com cambiantes de resultado: o grupo dos Amiais marcou primeiro, tendo a turma do Sorraia empatado à beira do intervalo, para, a meio do segundo tempo, completar a reviravolta; já em tempo de compensação o Amiense fixaria o 2-2, desfecho que terá desagradado mais ao conjunto de Coruche, que não logrou tirar partido do deslize do Alcanenense.

Surpresas – O Abrantes e Benfica figura, desta feita, no lado “positivo” das surpresas, ao impor um empate, precisamente na deslocação a Alcanena. Num prélio entre equipas com posição díspar (5.º vs. 11.º), e tendo os donos da casa chegado ao descanso a ganhar, viriam a consentir, por duas vezes, que os abrantinos restabelecessem a igualdade. O 2-2 final só não foi mais penalizador para os visitados devido ao facto de o Coruchense ter averbado resultado idêntico nos Amiais.

Notoriamente a “perder gás”, o Porto Alto não foi além do empate (1-1) na recepção ao Águias de Alpiarça – tendo sido, aliás, os alpiarcenses a inaugurar o marcador, já a meio da segunda parte –, o que lhe custou ceder de novo o 3.º lugar ao Torres Novas, agora com um ponto a menos.

Confirmações – O Mação, não abdicando das suas pretensões ao título, e tendo a visita do “lanterna vermelha”, Tramagal, venceu, como expectável, por margem dilatada (6-1), isto depois de ter chegado ao intervalo já a ganhar por 5-0. Na etapa complementar, tendo os tramagalenses reduzido, os maçaenses viriam a estabelecer o “placard” final à entrada dos dez últimos minutos.

Em Tomar, o União colocou termo a uma série negativa, de cinco desaires caseiros, empatando a zero com o At. Ouriense. Os nabantinos começaram por ter maior ascendente, mas sem eficácia. Na segunda parte, as ocasiões de golo foram negadas por boas intervenções dos dois guardiões.

II Divisão Distrital – Na segunda jornada da fase final, só o Ouriquense conseguiu bisar a vitória, perfilando-se como candidato à subida; enquanto a U. Atalaiense somou segundo desaire; os restantes quatro clubes contam, cada um deles, um triunfo e uma derrota. Os desfechos registados, numa clara afirmação de força das equipas da zona sul – em dois dos casos, por números bem expressivos – terão sido elucidativos quanto às aspirações dos concorrentes: 5-0 no Moçarriense-U. Atalaiense e 0-4 no Pego-Ouriquense; sendo, por outro lado, de assinalar a perda de invencibilidade no campeonato (ao 24.º jogo) do Vasco da Gama, desfeiteado (2-0) em Salvaterra.

Liga 3 – Após a realização da penúltima ronda da fase de apuramento de Campeão e de promoção desta prova, a principal nota a realçar é a subida, já matematicamente garantida, do Amarante: um solitário golo, apontado já nos derradeiros dez minutos, na recepção ao U. Santarém, foi o bastante para proporcionar ao emblema do Tâmega (que, há apenas duas temporadas, se sagrara Campeão do “Campeonato de Portugal”; tendo, por curiosidade, terminado no 8.º e último lugar a fase final da Liga 3 da época passada) uma inédita promoção à II Liga!

Quanto aos escalabitanos, em função da derrota sofrida, e tendo o Trofense empatado na recepção à equipa “B” do Vitória de Guimarães, baixou à última posição. Por seu lado, da igualdade a três bolas, entre Mafra e Académica – numa notável recuperação dos “estudantes”, depois de os mafrenses terem chegado a vantagem de 3-0 – decorre também que restam dois clubes na disputa pela promoção: os históricos Académica e Belenenses, separados por dois pontos, sendo que um deles subirá directamente, enquanto o outro terá de disputar o “play-off” com o 16.º da II Liga.

Campeonato de Portugal – Na 3.ª jornada, já a findar a primeira volta desta fase final, as duas equipas da série em que participaram os representantes do Distrito (Fátima e Samora Correia) saíram ambas vencedoras: o V. Sernache foi ganhar ao Algarve, ante o Louletano, por 2-1; por seu turno, a turma de Oliveira do Hospital venceu na Malveira, por 2-0.

A formação de Cernache do Bonjardim isolou-se no 1.º lugar, com sete pontos, mais três do que os oliveirenses e o grupo de Loulé, com o At. Malveira no 4.º e último posto, só com um ponto.

Antevisão – Na I Divisão Distrital, já na penúltima jornada, o Mação tem um sério teste às suas pretensões de poder chegar ainda ao título, em viagem a Coruche. Num Domingo em que se entrecruzam a luta pelo 1.º e pelo 5.º lugar, o Fazendense não poderá esperar facilidades na recepção ao Alcanenense, sendo que, em caso de conjugação favorável (num cenário em que o grupo das Fazendas obtivesse melhor resultado pontual que os maçaenses) poderia até haver festa.

De grande relevância, mas a nível da disputa pela permanência, serão as partidas Entroncamento AC-Águias de Alpiarça, a par dos derbies Riachense-Torres Novas e Cartaxo-Pontével. Uma última nota para a reedição de um clássico do futebol distrital, no Tramagal-U. Tomar.

Na II Divisão Distrital, a ronda três da fase final pode ser de importância significativa: no U. Atalaiense-Ouriquense, um eventual triunfo dos visitantes extremaria posições, passando um dos clubes a contar três vitórias, e, o outro, três derrotas; também o Vasco da Gama-Pego poderá ser quase como que “eliminatório”, em caso de êxito dos anfitriões; Moçarriense e Salvaterrense disputam um encontro de crucial interesse na luta por uma vaga de promoção ao escalão principal.

Na Liga 3, o U. Santarém termina a temporada recebendo o Varzim, com a expectativa de poder livrar-se da “lanterna vermelha”. Mas as atenções estarão focadas, sobretudo, no Académica-Trofense e no Belenenses-Mafra, sendo as contas fáceis de fazer: a turma do Restelo só poderá alcançar a subida directa desde que vença e que, em paralelo, o conjunto de Coimbra não ganhe. Por seu lado, para tal desiderato, a Académica até poderia perder, se o Belenenses não triunfar.

No Campeonato de Portugal, defrontam-se os dois primeiros, com o V. Sernache a receber o Oliveira do Hospital; enquanto o Louletano terá a visita do At. Malveira.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Maio de 2026)

17 Maio, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 27ª Jornada

(“O Templário”, 07.05.2026)

Em fase crucial da temporada, quando restam três rondas por disputar, o Fazendense, regressando aos triunfos, ao bater o Torres Novas, beneficiou do facto de o Mação não ter ido além do empate em Ourém, para voltar a distanciar-se na liderança, agora com três pontos de vantagem, o que lhe torna a conferir a margem de erro que tinha perdido na semana passada – desta feita, podendo empatar um dos três jogos em falta até final. Mas os maçaenses acreditam ainda no título, confiando que, em caso de igualdade pontual, o desempate decerto lhes seria favorável.

Destaques – O primeiro destaque vai, necessariamente, para o “jogo grande” da jornada, que colocava frente-a-frente os então 1.º e 3.º classificados, com o Fazendense a ter a visita do Torres Novas. O “score” final de 3-0, a favor da turma das Fazendas, poderá dar ilusória sensação de facilidades, que não se verificaram de facto: o nulo subsistia ao intervalo, tendo os anfitriões inaugurado o marcador no recomeço; mas só depois de os torrejanos ficarem em inferioridade numérica, chegariam ao segundo e terceiro tentos, este já nos derradeiros cinco minutos.

Em qualquer caso, uma prova superada pelo comandante, com boa resposta ao inesperado desaire sofrido na ronda anterior, no Entroncamento – tendo sido apenas a segunda vez que o Torres Novas consentiu três golos (sucedera também em Coruche), partilhando agora, com o Fazendense e o Porto Alto, o estatuto de defesas menos batidas (19 tentos sofridos, à média de 0,7/jogo).

Em Ourém, a formação local impôs grandes dificuldades ao vice-líder, tendo-se chegado ao descanso igualmente a zero. O At. Ouriense marcou primeiro, à passagem dos dez minutos do segundo tempo, tendo os maçaenses ripostado de pronto, restabelecendo a igualdade apenas cinco minutos volvidos. Ainda com mais de meia hora para jogar, e pese embora o domínio exercido, o Mação não lograria completar a reviravolta, queixando-se de dois lances de golo não validados. Depois do 3-3 da 1.ª volta, o At. Ouriense volta a subtrair pontos capitais ao emblema maçaense.

Merece ainda realce o prélio Cartaxo-Entroncamento AC, entre dois clubes em luta pela manutenção, com os visitados a somar terceiro empate sucessivo (após uma série muito negativa, de doze derrotas consecutivas), dando sinal de que poderão cair na divisão secundária, mas, se tal vier a ocorrer, cairão “de pé”. Por duas vezes o grupo da cidade ferroviária esteve em vantagem – tendo marcado logo ao terceiro minuto, e, de novo, ainda antes de completados os vinte minutos iniciais –, mas os cartaxeiros recuperariam de ambas as ocasiões, acabando por fixar o 2-2 já para lá dos noventa, tendo os forasteiros deixado escapar o que teria sido uma espécie de “match point”.

Em partida que tinha sido antecipada, realizada já há um mês, o Coruchense derrotara o Alcanenense por 2-1, estando agora estas duas formações separadas somente por um ponto, nesta altura ainda com vantagem do grupo de Alcanena, numa activa disputa pela 5.ª posição.

Surpresa – O Abrantes e Benfica voltou a confirmar não atravessar bom momento, somando quarto jogo sem vencer, contando, aliás, um único triunfo nas seis últimas jornadas. Recebendo o Pontével, que se posiciona imediatamente abaixo na tabela (respectivamente 11.º e 12.º classificados), a turma abrantina, com má entrada em jogo, perdia já por 0-2, somente com doze minutos decorridos, vindo a reduzir próximo da meia hora. Mas o Pontével reporia os dois golos de vantagem aos 60 minutos; tendo os visitados conseguido, “in extremis”, resgatar um ponto, chegando ao 3-3 em período de compensação (depois de terem marcado também aos 64 minutos).

Do “mal o menos”, o Abrantes e Benfica garantiu já a manutenção, objectivo que o Pontével estará muito perto de atingir: dispõe de nove pontos de avanço face à “linha de água”… quando restam disputar nove pontos – mas terá de defrontar ainda, quer o At. Riachense, quer o Cartaxo.

Confirmações – O Amiense, ganhando por 2-1 no Tramagal, confirmou o favoritismo que lhe era atribuído, assim como a boa fase que atravessa, ascendendo ao 8.º lugar, deixando para trás At. Ouriense e U. Tomar. O mesmo se verificou no Águias de Alpiarça-At. Riachense, com os donos da casa a triunfar por expressivo 3-0, diferencial que não seria porventura expectável – após se ter chegado ao intervalo com 0-0 –, tendo o segundo e terceiro tentos sido apontados já dentro dos dez minutos finais, no que constitui importante revés nas aspirações do conjunto dos Riachos.

Também a AREPA – que, mercê do desaire do Torres Novas, recuperou a 3.ª posição – confirmou a condição de favorita na recepção ao U. Tomar, vencendo por 3-1, num jogo marcado pelo facto de os nabantinos muito cedo (logo aos vinte minutos) terem ficado reduzidos a dez unidades.

O Porto Alto entrou a ganhar, logo ao segundo minuto, mas os unionistas, reagindo bem, empataram pouco depois, ainda antes de completados os dez minutos, tendo, nesse período inicial, demonstrado boa atitude, em busca de um resultado positivo. A partir da expulsão, a equipa da casa ganhou ascendente, não surpreendendo o desfecho, com mais dois golos, um a fechar a primeira metade, e, outro, logo a abrir o segundo tempo. Penalizado pelo calendário (defrontou, nas últimas sete rondas, o 1.º, 2.º, 3.º, 4.º e 5.º classificados), o União vem “marcando passo”, com um único ponto angariado nas cinco partidas mais recentes, baixando ao 10.º lugar.

II Divisão Distrital – O Vasco da Gama teve entrada afirmativa na fase final, de apuramento de Campeão, num embate entre os dois vencedores de série da fase regular da prova, derrotando o que, em teoria, será o adversário mais difícil, Moçarriense, por 3-1. Em destaque esteve também o Pego, vencedor, por tangencial 1-0, na Atalaia. Por seu turno, o Ouriquense levou a melhor sobre o Salvaterrense, por 2-0, confirmando o posicionamento dos dois clubes na primeira fase.

Liga 3 – Na 12.ª (antepenúltima) jornada, o U. Santarém obteve, na deslocação ao Restelo, um resultado que poderá ser determinante nas contas finais da subida à II Liga, ao impor um empate a uma bola ao Belenenses. Depois de, na fase regular da prova, por duas vezes terem já derrotado os “azuis”, os escalabitanos voltaram a surpreender, praticamente entrando a ganhar, marcando logo no primeiro minuto. A turma de Belém não conseguiria melhor do que restabelecer a igualdade, à passagem dos quarenta minutos, sem que, contudo, o marcador se alterasse até final.

Com este resultado o U. Santarém passa a somar nove pontos (fruto de duas vitórias e três empates – para além de sete derrotas), continuando a partilhar o 7.º/8.º posto com o Trofense. A Académica (1-0, na recepção ao Varzim) foi a principal beneficiada, podendo tirar partido também do nulo registado pelo Amarante na Trofa. Com duas rondas por disputar, os amarantinos lideram, com mais um ponto que os “estudantes”, situando-se o Belenenses quatro pontos mais abaixo.

Campeonato de Portugal – Na 2.ª jornada da fase final, registaram-se empates, no V. Sernache-At. Malveira (0-0) e no Oliveira do Hospital-Louletano (1-1), mantendo-se o escalonamento: Louletano e V. Sernache, quatro pontos; Oliveira do Hospital e At. Malveira, com um ponto.

Antevisão – Na I Divisão Distrital, o Fazendense terá a sua penúltima saída, a Pontével (concluirá a prova nos Amiais), sendo favorito a somar os três pontos; menos complicada se antevê a tarefa do Mação, que recebe o “lanterna vermelha”, Tramagal. Na disputa pela manutenção, o Entroncamento AC-At. Riachense poderá ser decisivo, em caso de triunfo dos visitados. Ainda assim, anota-se que o Cartaxo já não terá mais nenhum encontro fora de casa, recebendo ainda o Torres Novas, Pontével e Alcanenense. Por seu turno, o U. Tomar, tem a visita do At. Ouriense.

No escalão secundário, poderão começar, desde já, a definir-se posições, realçando-se os jogos Salvaterrense-Vasco da Gama e Pego-Ouriquense, com o Moçarriense a receber a U. Atalaiense.

Na Liga 3, o U. Santarém desloca-se a Amarante, para defrontar o guia, sendo que, ao emblema do Tâmega, bastará o empate para confirmar, desde logo, a promoção à II Liga. Também a Académica poderá fazer a festa, caso vença em Mafra – anotando-se que os mafrenses estão ainda na corrida pelo acesso ao “play-off”, a quatro pontos do Belenenses (que viaja até à Póvoa de Varzim), sendo que está agendado, para o último dia, o confronto entre Belenenses e Mafra.

No Campeonato de Portugal, já a fechar a primeira volta desta fase final, o V. Sernache terá uma longa viagem, ao Algarve, para defrontar o Louletano, num embate entre os dois actuais líderes da Zona Sul; enquanto o At. Malveira recebe a visita do Oliveira do Hospital.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Maio de 2026)

10 Maio, 2026 at 12:00 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 26ª Jornada

(“O Templário”, 30.04.2026)

Poderia conjecturar-se que o Fazendense – com quatro pontos de avanço a cinco rondas do termo da prova – tivesse já “uma mão” no troféu de Campeão Distrital, mas a 26.ª jornada veio alertar que o perigo pode estar à espreita a qualquer momento, com o guia a sair derrotado no Entroncamento, permitindo a recolagem do Mação, agora somente a um escasso ponto.

Destaques – Se tivermos em atenção que o Fazendense não perdia há onze jogos (nos quais, aliás, tinha cedido um único empate) e que, por seu lado, o Entroncamento AC não ganhava há nove desafios, não se tratou de uma mera surpresa, mas sim de um resultado de sensação, o triunfo da formação da cidade ferroviária, por conclusivo 3-1! Os visitados inauguraram o marcador à passagem da meia hora, tendo ainda ampliado para 2-0. O comandante mais não conseguiu do que reduzir, para, já nos derradeiros cinco minutos, ser o EAC a marcar de novo, dando mais um importante passo na sua tentativa de escapar à descida de divisão, pese embora mantenha curta margem de apenas três pontos face ao At. Riachense, primeiro abaixo da “linha de água”.

No que, à partida, seria o “jogo grande” da jornada, colocando frente-a-frente o 2.º e o 3.º classificado, o Mação não vacilou, derrotando, por categórico 3-0, o Porto Alto, despachando a contenda ainda antes do intervalo. Esta foi a quarta vitória sucessiva dos maçaenses, de novo relançados na corrida ao título, em contraponto ao segundo desaire da AREPA em três jogos.

Em destaque esteve ainda o Coruchense, que prossegue a bom ritmo nesta segunda volta, tendo ido golear por 5-1 a Pontével, não obstante até tenham sido os visitados a marcar primeiro, ainda antes de completados dez minutos – tendo a turma do Sorraia chegado ao intervalo já com 3-1.

Surpresa – Não foi, de todo, um bom jogo o realizado pelo U. Tomar, na recepção ao Águias de Alpiarça, traduzido num bastante inesperado desfecho, que, em paralelo, se consubstancia no quinto desaire caseiro consecutivo dos nabantinos. Com uma má entrada em campo, duas desconcentrações resultaram em outros tantos tentos sofridos, praticamente de rajada, aos oito e dez minutos. Os tomarenses ainda reduziram, mas, o terceiro golo alpiarcense, logo no recomeço, abateu a equipa em termos anímicos, até final sem conseguir criar efectivas ocasiões de golo.

Em consequência, o União viu ampliar-se, de um para quatro pontos, o atraso face ao 7.º lugar.

O Cartaxo voltou, de alguma forma, a surpreender, dando nova “prova de vida”, arrancando, já em período de compensação, um empate nos Riachos, num confronto directo entre “aflitos”, respectivamente penúltimo e antepenúltimo classificados, ambos em zona de descida, mantendo-se separados por um ponto – portanto, com os cartaxeiros a quatro pontos da “salvação”.

Confirmações – Nos restantes três encontros, os homens da casa impuseram-se, confirmando o favoritismo que lhes seria já atribuído, à entrada para os correspondentes prélios.

O Torres Novas aproveitou o desaire do Porto Alto, para retomar o lugar no pódio, tendo batido o Abrantes e Benfica por 2-1, com o tento decisivo apontado à entrada do quarto de hora final.

Também o Amiense-At. Ouriense teve desfecho tangencial, neste caso, com o triunfo da turma dos Amiais mercê de um solitário golo, marcado no início da segunda etapa, um desfecho que proporcionou aos vencedores igualar o U. Tomar e o At. Ouriense na tabela (trio entre 8.º e 10.º).

O Alcanenense-Tramagal não teve maior história que o desenrolar dos seis tentos com que o grupo de Alcanena goleou o seu oponente (2-0 ao intervalo), agora já com a despromoção consumada.

II Divisão Distrital – Os grandes vitoriosos da derradeira jornada da primeira fase foram o Salvaterrense (2-1, na Glória do Ribatejo, em mais um “derby”) e Pego (goleando por 6-0 em Abrantes, frente à formação “B” local), que, sobre o risco de meta, lograram suplantar os rivais directos na corrida ao apuramento, com o Forense e o At. Pernes a ficarem de fora da fase final.

A equipa dos Foros de Salvaterra que fizera praticamente todo o campeonato em zona de qualificação (desde a 4.ª ronda), e que chegara a dispor de vantagem de seis pontos sobre o Salvaterrense (à 8.ª jornada) – e de cinco pontos a três jogos do fim –, acabou por baquear na recta final: derrota com o Marinhais, empate em Samora Correia, e, no dia decisivo, novo desaire caseiro, frente ao líder, Moçarriense (1-2), terminando três pontos atrás do conjunto de Salvaterra.

Por seu turno, o At. Pernes ocupou as posições de apuramento entre a 17.ª e a 21.ª jornadas, mas sem nunca conseguir descolar, vindo a ser penalizado pela inesperada derrota (1-2), também em casa, ante o Espinheirense, terminando em 5.º lugar. A U. Atalaiense ainda teve de passar por um grande susto, vendo-se a perder com o Mindense, mas o empate (2-2) garantiu-lhe a 2.ª posição.

De nada serviu a invulgar goleada do Caxarias em Alferrarede (9-3!), em jogo de “fim de estação”, que não lhe permitiu mais que a obtenção do 4.º lugar, a um ponto do Pego. O ainda Campeão Distrital em título, Ferreira do Zêzere, concluiu a prova no 6.º posto, quatro pontos mais abaixo.

O Vasco da Gama, que fez história – a que terá de dar-se o devido sublinhado – esteve tão perto de a fazer de forma plena: falhou, no último dia, a possibilidade de somar 22 vitórias em 22 jogos (do que não haverá memória), travado na Ortiga, apenas “in extremis” se mantendo invicto (1-1).

Garantiram o apuramento para a fase de apuramento de Campeão e de promoção à I Divisão Distrital os seguintes emblemas: Moçarriense e Vasco da Gama (vencedores destacados das suas séries); Ouriquense e U. Atalaiense (2.º classificados); e Salvaterrense e Pego (3.º classificados).

Liga 3 – Na 11.ª ronda da fase final, os principais perseguidores do guia (Amarante) – Académica (a três pontos) e Belenenses (a cinco) – desperdiçaram soberanas oportunidades de vencer (no caso dos “azuis” em confronto directo), consentindo o(s) tento(s) da igualdade em período de compensação, encontrando-se, em ambos os casos, em situação de superioridade numérica!

No caso dos academistas, deslocando-se a Santarém, jogaram contra 10 durante cerca de 70 minutos, isto depois de se terem já colocado em vantagem no marcador; o U. Santarém viria a empatar (1-1) aos 90+6 minutos. Em Amarante, o Belenenses por duas vezes esteve em vantagem, tendo o 2-2 final sido estabelecido pelos amarantinos já com oito minutos para lá dos noventa.

Nada de novo na frente, pois, tendo os cinco primeiros empatado; aliás, só o Mafra (6.º) saiu vencedor, por 1-0, com o Trofense, de novo relegado para último, pelo empate dos escalabitanos.

Campeonato de Portugal – No arranque da fase final, com os oito apurados repartidos em duas séries (Bragança, Leça, Rebordosa e Vianense, a Norte; e At. Malveira, Louletano, Oliveira do Hospital e V. Sernache, a Sul), os representantes da série C defrontaram-se logo na jornada inicial, prosseguindo a formação de Cernache do Bonjardim a excelente campanha desta temporada, tendo ido vencer ao terreno do adversário por 2-1 (mesmo desfecho do Louletano, na Malveira).

Antevisão – No escalão principal, a disputa pelo título desenrola-se em dois campos: o ainda líder Fazendense recebe o agora 3.º classificado, Torres Novas; enquanto o Mação visita Ourém. Na luta pela permanência, temos mais um embate de importância crucial: Cartaxo-Entroncamento AC; tendo o At. Riachense uma curta viagem até Alpiarça. O U. Tomar desloca-se ao Porto Alto.

Na primeira ronda da fase final da II Divisão, temos um “choque de titãs”, entre os vencedores de série, com o Vasco da Gama a receber o Moçarriense (numa espécie de reedição das meias-finais da Taça do Ribatejo); o Ouriquense tem a visita do Salvaterrense; e, a U. Atalaiense, a do Pego.

Na Liga 3, o U. Santarém volta a deslocar-se ao Restelo, para defrontar o Belenenses. No Campeonato de Portugal, cabe ao V. Sernache receber o At. Malveira, enquanto o Oliveira do Hospital, actuando de novo em casa, terá agora a visita do Louletano.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Abril de 2026)

3 Maio, 2026 at 11:00 am Deixe um comentário

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