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O Pulsar do Campeonato – 5ª Jornada

(“O Templário”, 21.10.2021)

Pela terceira semana sucessiva o União de Tomar mantém a liderança isolada do Distrital da I Divisão, o que não sucedia há 24 anos, desde a época de 1997-98 (a última vez que o emblema tomarense tinha sido assim comandante isolado de um campeonato fora na temporada de 2005-06, mas, então, no segundo escalão). E – depois do “tropeção” da ronda anterior – os unionistas fizeram uma clara demonstração de força, batendo inapelavelmente o Fazendense (que, recorde-se, arrancara a prova a golear em Ferreira do Zêzere, por 7-1, tendo ainda empatado em Rio Maior).

Destaques – No seu jogo n.º 800 na I Divisão Distrital, em 34 participações neste campeonato (com um balanço global de 368 vitórias, 163 empates e 269 derrotas), o U. Tomar impôs-se por categórico 3-0 face ao Fazendense (equipa que, antes deste jogo, encabeçava o grupo posicionado no 4.º lugar da tabela, somente dois pontos abaixo dos nabantinos).

Encarando este desafio com forte personalidade, a equipa da casa assumiu, desde início, a iniciativa do jogo, em busca do golo, o qual até podia ter chegado logo aos dois minutos. Não obstante a boa réplica que o conjunto forasteiro ia oferecendo – inclusivamente com fases de maior tempo de posse de bola –, os “rubro-negros” teriam ainda um par de boas oportunidades, antes de, espaçados por pouco mais de dois minutos, à passagem da meia-hora, surgirem dois tentos quase de “rajada”, a conferir vantagem que proporcionou confiança acrescida no triunfo.

Na segunda metade a toada não se alteraria, com os unionistas a chegar ao 3-0 pouco depois da hora de jogo, aproveitando um rápido lance de transição. Pouco depois seria expulso o guardião contrário; até final, os homens das Fazendas de Almeirim não viraram a cara à luta, em busca do “ponto de honra”, mas seriam os locais a desperdiçar uma “mão-cheia” de boas ocasiões.

Foi apenas a 34.ª vez que o União ganhou por 3-0 nesta competição, o que não acontecia há dois anos (3-0 ao Samora Correia, em Outubro de 2019). Antes disso, e considerando apenas os cinco anos mais recentes, registam-se três vitórias por tal marca na época de 2017-18 (Amiense, Torres Novas e Empregados do Comércio); outro 3-0 ao Torres Novas em 2016-17; e ainda outro 3-0… ao Fazendense, em Março de 2016.

Mas o jogo de maiores emoções estava reservado para Salvaterra de Magos, a saldar-se por um empolgante 4-4 no final, no Salvaterrense-Mação, com os maçaenses – em que esteve em grande evidência Hélio Ocante, autor de todos os quatro golos da sua equipa – a deixarem escapar vantagens de que dispuseram, a 2-0, 3-1 e 4-3, consentindo o restabelecimento do empate (na conversão de grande penalidade, na sequência de lance do qual resultou lesão do guarda-redes, que teve de ser assistido no Hospital, por choque com um adversário) no derradeiro minuto, o que possibilitou aos visitados preservar a sua invencibilidade na prova, até à data.

Outra nota de destaque vai para o Rio Maior – o outro clube que subsiste também ainda invicto – que, tal como seria expectável, foi vencer a Ferreira do Zêzere, por 2-0 (terceiro triunfo em outros tantos encontros fora de casa, a que, por curiosidade, soma duas igualdades no seu terreno, ante o Mação e o Fazendense), mantendo a 2.ª posição, somente um ponto abaixo do U. Tomar.

Surpresas – De alguma forma surpreendentes se afiguram ter sido os empates (dois nulos) averbados por Amiense e Benavente, respectivamente nas deslocações a Abrantes (para defrontar o Abrantes e Benfica) e ao Cartaxo, com os visitados a não conseguirem desbloquear o marcador, infirmando, pois, o favoritismo que lhes poderia ser creditado. Abrantinos e cartaxeiros repartem agora o 5.º posto com os benaventenses, estando o Amiense mais abaixo, no 12.º lugar.

Também a igualdade registada no Torres Novas-Samora Correia, neste caso a duas bolas – com a particularidade de, por duas vezes, os torrejanos se terem colocado em vantagem (a segunda delas já em período de compensação), para de imediato virem a consentir o(s) golo(s) do empate – não seria o desfecho mais expectável, atendendo aos bons resultados dos samorenses nas duas semanas precedentes, com vitórias em Ourém (frente ao agora 3.º classificado, At. Ouriense) e ante o guia, U. Tomar.

Confirmações – Precisamente, o At. Ouriense, confirmando as boas indicações que vem transmitindo, derrotou, com alguma tranquilidade, o Alcanenense (que baixou a antepenúltimo), por 2-0. Por seu lado, o U. Almeirim teve de sofrer para se impor por tangencial 3-2 a uma sempre aguerrida turma da Glória do Ribatejo, apesar de não ter ainda conseguido pontuar nesta época.

II Divisão Distrital – Teve início o campeonato distrital do escalão secundário, com um total de 27 concorrentes (incluindo três equipas “B”, do U. Santarém e Coruchense – clubes a militar nos Nacionais – e do U. Tomar; para além do conjunto “Sub-23” do Abrantes e Benfica), repartidos em três séries de nove clubes cada, portanto, sempre com uma equipa a folgar, em cada série.

Na jornada inaugural começa já a verificar-se grande desfasamento em termos do nível competitivo de algumas equipas, com destaque para goleadas por “números que já não se usam”, no U. Santarém “B” – Benfica do Ribatejo (12-1) e no Paço dos Negros – Forense (0-9), ambos na série A; ainda neste agrupamento, menção ao bom triunfo (2-1) do Águias de Alpiarça no sempre difícil reduto do Marinhais. Na série B o U. Tomar “B” perdeu por 2-0 no Entroncamento, ante um dos principais candidatos à subida. Na série C salientam-se os êxitos obtidos “fora de portas”, pelo Moçarriense em Alferrarede (3-0) e pelo Tramagal em Pernes (2-0).

Antevisão – Na 6.ª ronda da divisão principal são múltiplos os pontos de interesse: desde o Mação-U. Almeirim (embate entre dois dos últimos vencedores do campeonato, em 2018 e em 2020), ao Rio Maior-At. Ouriense (colocando frente-a-frente os actuais 2.º e 3.º classificados), passando pelo Alcanenense-U. Tomar (mais um exigente teste ao líder); tal como se apresentam de desfecho algo incerto as partidas Samora Correia-Salvaterrense, Benavente-Abrantes e Benfica e Glória do Ribatejo-Cartaxo.

No escalão secundário temos um embate entre os dois grupos que obtiveram estrondosas goleadas na estreia, com o Forense-U. Santarém “B”, realçando-se ainda, por outro lado, a curiosidade de três “derbies”: Fátima-Caxarias; Vilarense-Vasco da Gama; e Moçarriense-At. Pernes.

No regresso da Liga 3 o U. Santarém (actualmente no 11.º e penúltimo lugar, contando um jogo em atraso) recebe o Cova da Piedade (recém-despromovido da II Liga, devido a questões financeiras, presentemente na 9.ª posição, apenas um ponto acima dos escalabitanos).

Também o Campeonato de Portugal é retomado, depois de paragem de duas semanas, com o Coruchense (4.º classificado, após as três jornadas iniciais) a ser visitado pelo Sintrense (8.º).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 21 de Outubro de 2021)

24 Outubro, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 4ª Jornada

(“O Templário”, 14.10.2021)

Pela “amostra” (as quatro jornadas iniciais entretanto decorridas) este poderá vir a ser o campeonato mais disputado dos últimos (largos) anos – por agora, com os oito primeiros classificados separados por apenas dois pontos –, uma competição muito aberta, na qual se pode desde já projectar que todos os concorrentes irão perder bastantes pontos.

Efectivamente, dos três primeiros classificados no final da semana anterior, só o Cartaxo conseguiu pontuar, não tendo, aliás, ido além do nulo em Amiais de Baixo. O que, em paralelo, significa que o União de Tomar perdeu a invencibilidade, tendo vista interrompida em Samora Correia a sua trajectória triunfal… mantendo, não obstante, a liderança isolada!

Destaques – Numa ronda repleta de desafios a suscitar forte interesse, dada a imprevisibilidade dos respectivos desfechos, tivemos várias “surpresas”, com duas equipas em especial evidência.

Desde logo, o Samora Correia, que recebeu e bateu o líder, por claro 3-1. Num embate cujo histórico apontava já para uma notória supremacia dos donos da casa, estes confirmaram tal tendência, somando o quinto triunfo em seis confrontos disputados face aos unionistas na última década. Por curiosidade, num total de 27 jogos entre os dois clubes para o campeonato (nos dois campos), regista-se agora um absoluto equilíbrio, com onze vitórias para cada lado e, inclusivamente, uma igualdade no “score” agregado de golos marcados e sofridos (40-40).

E o União até entrou praticamente a ganhar, outra vez com Tiago Vieira, muito oportuno, a materializar em golo – logo de início – uma fase que seria de maior ascendente dos tomarenses, durante largo período do primeiro tempo. Porém, embora em vantagem e assumindo maior iniciativa, a verdade é que o jogo esteve sempre bastante dividido, muito “nervoso”, devido à atitude inconformada e irrequieta dos samorenses.

Se a primeira parte abrira com o golo dos visitantes, a segunda metade começou com o tento do empate por parte dos homens da casa, a aproveitar um lance infeliz do guardião contrário. Os locais reforçaram o ânimo e a crença de que poderiam obter resultado favorável; ao invés, os unionistas atravessaram período de natural oscilação. Não demoraria muito tempo até que a contenda acabasse por ficar “resolvida”: primeiro, por via de uma grande penalidade, a sancionar entrada mais impetuosa; e, logo de seguida, o terceiro golo, numa rápida transição.

Até final (faltando jogar cerca de 25 minutos), o União procuraria ainda a possibilidade de vir a retirar algo de positivo do encontro, mas o melhor lance que conseguiu criar, já em período de compensação, na conversão de um livre, seria travado por uma soberba defesa do guarda-redes; pagando bem caro as falhas cometidas, regressava a casa com o primeiro desaire na prova.

A propósito do desfecho da partida, ainda outra curiosidade: em cerca de oito centenas de jogos até hoje disputados pelo U. Tomar na I Divisão Distrital esta foi apenas a 27.ª vez (pouco mais de 3% do total) que os nabantinos perderam por 1-3 (o que não sucedia desde Fevereiro de 2018), sendo que, nas quatro últimas ocasiões em que se verificou tal desfecho, desde Dezembro de 2016, duas delas ocorreram frente ao U. Almeirim e, outras duas, perante o Samora Correia.

Ainda assim, os tomarenses mantêm-se no comando, uma vez que o seu, até então, mais directo perseguidor, o Fazendense, jogando mais tarde (às 18 horas – portanto já conhecedor dos resultados), seria surpreendido por um desconcertante At. Ouriense (que vinha de uma derrota caseira, ante o… Samora Correia) – a outra equipa em maior evidência nesta ronda –, o qual se impôs, sem apelo nem agravo, por 4-2, em pleno reduto adversário, nas Fazendas de Almeirim.

Destaque ainda para nova afirmação de força por parte do Rio Maior, indo vencer a Alcanena por 2-1, assim como, por outro lado, deve realçar-se também o triunfo obtido pelo Benavente ante o U. Almeirim (3-2), com o conjunto almeirinense (recém-despromovido do Nacional) a cair até ao 13.º posto da tabela.

No “derby” do município de Salvaterra de Magos, o Salvaterrense levou a melhor, ganhando por 2-1. A par do Rio Maior, os salvaterrenses são já os únicos dois grupos ainda invictos, partilhando a 2.ª posição, um ponto apenas abaixo do União de Tomar. Ao invés, a turma da Glória do Ribatejo somou a quarta derrota em outros tantos desafios, mantendo a indesejada “lanterna vermelha”.

Confirmações – Nos outros três jogos confirmaram-se as expectativas: a repartição de pontos (0-0) no Amiense-Cartaxo; e as vitórias, por números porventura escassos (2-0 em ambos os casos), de Abrantes e Benfica e do Mação, respectivamente sobre o Ferreira do Zêzere e o Torres Novas, para já penúltimo e antepenúltimo da pauta classificativa, ambos a começarem já a denotar dificuldades na árdua disputa que terão pela frente, pela manutenção.

Taça do Ribatejo – Terminou já a fase de grupos, na qual participaram 23 clubes do escalão secundário, tendo-se qualificado 10 para a fase seguinte – com base em fórmula de apuramento algo complexa (os seis vencedores de série e os quatro melhores de entre os 2.º classificados, desconsiderando, para esse cômputo, os resultados dos jogos em que defrontaram o 4.º classificado, no caso das cinco séries compostas por quatro clubes): Porto Alto, Marinhais, Entroncamento AC, Espinheirense, Fátima, Forense, U. Atalaiense, Moçarriense e as “novidades”, do Paço dos Negros e Vasco da Gama.

Da terceira e última ronda desta fase preliminar, destacam-se várias goleadas, a suscitar alguma interrogação sobre a competitividade do campeonato da II Divisão Distrital, que se seguirá: 9-0 no Fátima-Ortiga; 8-0 no Entroncamento-Pego; um deveras surpreendente 0-6 no Riachense-Espinheirense; 6-1 no Águias Alpiarça-Caxarias; e 4-0 no Vasco da Gama-Benfica do Ribatejo.

Antevisão – A 5.ª jornada do Distrital da I Divisão tem como “prato forte” o U. Tomar-Fazendense, um “choque de titãs”, para além do Abrantes e Benfica-Amiense e do Salvaterrense-Mação. O Rio Maior visita Ferreira do Zêzere, perfilando-se como favorito a somar os três pontos.

No arranque da divisão secundária, parecem mais apelativos os seguintes embates: Marinhais-Águias de Alpiarça; Entroncamento AC-U. Tomar “B”; e Alferrarede-Moçarriense.

A Liga 3 e o Campeonato de Portugal mantêm-se em pausa, para disputa da eliminatória relativa aos 1/32 de avos de final da Taça de Portugal – já sem representantes do Distrito –, com a curiosidade de um reencontro entre Belenenses e Sporting, pouco mais de três anos depois de os “azuis” do Restelo terem optado por começar a reconstituir direitos desportivos a partir do escalão mais baixo do futebol em Portugal (III Divisão Distrital de Lisboa – equivalente ao 7.º nível).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Outubro de 2021)

17 Outubro, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 3ª Jornada

(“O Templário”, 07.10.2021)

Estão disputadas apenas as três rondas iniciais (de um total calendarizado de 30) do Distrital da I Divisão, mas – tendo sido o único clube a triunfar em todos os seus três desafios – o União de Tomar isolou-se já no comando do campeonato, o que não sucedia desde 1 de Fevereiro de 2015, na 17.ª jornada da época de 2014-15 (por curiosidade, tendo a liderança sido então perdida, no jogo seguinte, em função de um empate caseiro ante o Mação).

Destaques – Ora, foi precisamente frente à turma de Mação que os tomarenses venceram no passado Domingo, por 3-1. E até começaram mal, sofrendo o primeiro golo, na sequência de um lance de “bola parada”, apenas com dez minutos jogados; não obstante, com pronta resposta, restabeleceriam a igualdade logo dois minutos volvidos, por intermédio de Tiago Vieira. O segundo tento seria da autoria do seu irmão, Fábio Vieira, ainda antes do intervalo, a colocar os unionistas em merecida vantagem, face à superioridade até então demonstrada.

Na segunda metade, o União optou por, de alguma forma, conceder a iniciativa ao adversário, mantendo a segurança defensiva, estratégia que frutificaria, mesmo no final, com o terceiro golo, a confirmar o triunfo, apontado por Pedro Pires – anote-se o regresso aos golos de três jogadores que há bastante tempo se encontravam em “jejum”: Tiago Vieira desde Junho (na última ronda do campeonato anterior); Fábio Vieira (tendo, entretanto, feito uma interrupção na actividade) e Pedro Pires (também com prolongada paragem, por lesão), ambos desde Janeiro de 2020.

Mesmo tratando-se ainda de uma fase muito prematura da prova, é de assinalar que a generalidade dos clubes perdeu já bastantes pontos, apenas em três encontros disputados, o que faz transparecer uma competição muito disputada, com grande nivelamento: de entre os candidatos aos lugares cimeiros, por exemplo, o Mação leva já sete pontos de atraso; Abrantes e Benfica, At. Ouriense, Amiense e U. Almeirim perderam cinco pontos cada um; o Rio Maior, quatro; e o Cartaxo, três.

Em destaque esteve também, justamente, o Cartaxo, que recebeu e bateu o Abrantes e Benfica por 2-1. Depois de um passo em falso na estreia, em Almeirim, e de um triunfo “arrancado a ferros” ante o Ferreira do Zêzere, a verdade é que os cartaxeiros, ocupam já o 3.º posto, apenas atrás de U. Tomar e Fazendense.

Realce ainda para mais uma goleada (6-1), obtida pelo Torres Novas (que somou os seus primeiros pontos no campeonato), frente ao Glória do Ribatejo, a registar um muito mau arranque de temporada, contando por desaires os três jogos disputados, acumulando já 11 golos sofridos.

Surpresas – A maior surpresa da jornada ocorreu em Ourém, com a formação local a ser derrotada (0-1) pelo Samora Correia, equipa que perdera nas duas primeiras rondas.

Depois dos bons sinais evidenciados nesta fase inicial, não seria talvez esperada a perda de pontos do Salvaterrense, em casa, ante o Benavente, com o desfecho a saldar-se por uma igualdade a um.

Confirmações – Nos restantes três encontros não houve golos, portanto com outros tantos empates, no Rio Maior-Fazendense, U. Almeirim-Amiense, e no Ferreira do Zêzere-Alcanenense.

No primeiro caso tal significou a perda dos primeiros pontos do até então líder, Fazendense, num resultado de alguma forma expectável, perante o equilíbrio de forças que se antecipava entre duas das equipas de maior potencial neste campeonato, atendendo também ao peso do factor casa.

No que respeita ao confronto entre U. Almeirim e Amiense, o grupo de Amiais de Baixo rectificou, de certo modo, o deslize da semana anterior, em que havia sido derrotado, no seu reduto, pelo Salvaterrense, perante uma equipa a “lamber as feridas” do 0-3 sofrido em Abrantes.

Por fim, em Ferreira do Zêzere, o conjunto local vai procurando dar passos mais seguros, tendo averbado o primeiro ponto, face ao Alcanenense, adversário que, depois de se ter estreado no campeonato com uma vitória, até tinha dado boa conta de si nas Fazendas de Almeirim.

Taça do Ribatejo – Na segunda ronda da fase de grupos estiveram em especial evidência o Entroncamento AC (goleada de 4-0 no terreno do Aldeiense) e o Pego (goleando também, por 6-2, em Pernes), para além do Fátima (vencedor, por 4-2, fora de casa, face ao Paço dos Negros).

Num total de 23 concorrentes são sete os emblemas que somaram triunfos nas duas partidas até agora realizadas, os quais estarão virtualmente já apurados para a fase a eliminar da competição: Porto Alto, Marinhais, Entroncamento AC, Riachense, Fátima, Forense e Moçarriense.

Liga 3 – Afinal o U. Santarém teve folga “forçada”, em função do imprevisto adiamento do encontro ante o histórico V. Setúbal, devido ao falecimento da esposa do capitão da equipa sadina.

Campeonato de Portugal – O Coruchense averbou um empate a zero, na deslocação aos Açores, frente ao Operário Lagoa (actual 3.º classificado). Após a 3.ª jornada, o conjunto do Sorraia, somando quatro pontos, partilha o 4.º lugar com o Sacavenense e O Elvas, numa série em que surpreende pela negativa a posição (no grupo dos 7.º classificados) do Belenenses, que somou o segundo desaire em outros tantos jogos fora de casa, desta feita no reduto do líder, Pêro Pinheiro.

Antevisão – A 4.ª ronda do Distrital da I Divisão integra um lote de vários embates de grande interesse, desde logo com a deslocação do U. Tomar ao sempre difícil terreno do Samora Correia; mas, também, o Amiense-Cartaxo (equipas que terminaram empatadas em pontos, no 4.º e 5.º lugar, na última temporada), o Fazendense-At.Ouriense, o Benavente-U. Almeirim, o Alcanenense-Rio Maior, isto para além do “derby” Glória do Ribatejo-Salvaterrense.

Pode antever-se que, em qualquer dos casos, os visitantes não deixarão de enfrentar dificuldades, projectando-se, ainda assim, que o Fazendense possa ser o visitado com maior grau de favoritismo.

Na 3.ª e última jornada da fase de grupos da Taça do Ribatejo, por coincidência, defrontam-se os dois primeiros classificados de cada uma das séries 1 (Marinhais-Porto Alto), 2 (Entroncamento AC-Pego), 3 (Riachense-Espinheirense) e 4 (Fátima-Ortiga), tendo também o U. Atalaiense-Alferrarede (série 5) cariz determinante para o escalonamento das equipas.

Entretanto, quer a Liga 3, quer o Campeonato de Portugal terão agora duas semanas de interregno, pelo que apenas serão retomadas estas competições no fim-de-semana de 23 e 24 de Outubro.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Outubro de 2021)

10 Outubro, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 2ª Jornada

(“O Templário”, 30.09.2021)

Após a disputa das duas rondas iniciais do Distrital da I Divisão, Fazendense e U. Tomar, únicos clubes que venceram os seus dois encontros, partilham a liderança da competição, seguidos de perto por nada menos de nove concorrentes, que se estrearam também já a ganhar. Ao invés, Torres Novas, Glória do Ribatejo, Samora Correia e Ferreira do Zêzere ocupam, por agora, os lugares da cauda da tabela, todos com derrotas nos dois jogos que realizaram.

Destaques – O primeiro destaque da jornada vai para o categórico triunfo do Abrantes e Benfica (2.º classificado no último campeonato), batendo por 3-0 o U. Almeirim (que dominara amplamente a edição da prova de há dois anos), recém-despromovido do Nacional, o qual vinha de uma boa vitória na partida inaugural, ante o Cartaxo.

Confirmando o seu potencial, o Rio Maior aplicou uma inequívoca goleada (4-0) na deslocação a Samora Correia, posicionando-se já, mesmo que ainda em fase tão prematura do certame, no 3.º posto, denotando ser um competidor a ter em consideração.

Também com um arranque muito positivo segue o At. Ouriense, promovido do escalão secundário, o qual, depois de ter começado por golear a formação da Glória do Ribatejo, foi impor uma igualdade (2-2) na visita a Mação, equipa que, por seu lado, soma já dois empates, o que lhe confere, nesta altura, uma posição bastante modesta na pauta classificativa (12.º lugar), pese embora situação ainda sem grande significado.

Por fim, é de realçar a vitória (outra vez por tangencial 2-1, tal como na semana anterior) averbada pelo U. Tomar num reduto sempre difícil como é o da Glória do Ribatejo (onde, na época passada, em nove desafios, apenas o Alcanenense conseguira triunfar, ali tendo perdido o Coruchense, no seu único desaire em toda a prova, e o Abrantes e Benfica – dois primeiros classificados do campeonato –, sendo que os tomarenses haviam então cedido um empate).

Entrando em campo de forma assertiva, os unionistas cedo inauguraram o marcador, mas vindo a consentir a igualdade ainda na primeira metade; não obstante terem desperdiçado algumas ocasiões de perigo, os nabantinos voltariam a colocar-se em vantagem mesmo à beira do intervalo. Na segunda parte, a turma da Glória deu boa réplica, procurando repartir o jogo, mas as oportunidades de golo de alguma forma escassearam, de parte a parte, e o resultado não se alterou.

Surpresa – Depois da boa estreia no campeonato (empate ante o Abrantes e Benfica), o Salvaterrense voltou a protagonizar a surpresa da jornada, tendo ido vencer por 3-1 a Amiais de Baixo, frente ao Amiense (que vinha de uma vitória em Torres Novas), pelo que, somando já quatro pontos, integra o grupo dos 3.º classificados.

Confirmações – O Fazendense confirmou a retumbante entrada na competição (goleada em Ferreira do Zêzere), com um outro claro triunfo (3-1) na recepção ao Alcanenense, pelo que – tendo, a par do U. Tomar, vencido as duas primeiras partidas – ocupa o lugar cimeiro da pauta classificativa, dada a ampla vantagem que regista em termos de diferença geral de golos.

Por seu lado o Cartaxo somou os três primeiros pontos, batendo, mercê de um solitário tento, o Ferreira do Zêzere, equipa que, ainda assim, mostrou uma imagem completamente distinta da que deixara transparecer na semana precedente.

Outro dos promovidos da II Divisão, o Benavente, que já dera boa conta de si em Tomar, ganhou por 2-1 ao Torres Novas, deixando antever que os torrejanos poderão vir a ter outra época difícil.

Taça do Ribatejo – Teve início no passado fim-de-semana a edição desta temporada da Taça do Ribatejo, com a jornada inicial da fase de grupos, na qual participam apenas os clubes inscritos na II Divisão Distrital (exceptuando-se naturalmente as equipas “B” e de “sub-23”), com os 23 concorrentes agrupados em seis séries (cinco de quatro clubes cada e uma apenas com três).

Da primeira ronda destacam-se especialmente as goleadas sofridas por dois clubes históricos do futebol distrital: o Tramagal, severamente batido, no seu próprio terreno, por 1-7, pela equipa do Porto Alto; enquanto o Alferrarede foi goleado por 5-1 pelo Forense. Realce ainda para as vitórias folgadas do Fátima ante o Vilarense (6-0) e do Entroncamento AC frente ao At. Pernes (4-0).

Mais equilibrados foram os embates da série 3, entre Espinheirense-Caxarias e Riachense-Águias de Alpiarça, com triunfos tangenciais (2-1 em ambos os casos) dos visitados. O Moçarriense ganhou (2-0) em terreno alheio, face ao Benfica do Ribatejo.

Taça de Portugal – Após a 2.ª eliminatória não subsiste já em prova qualquer clube do Distrito, tendo o Coruchense sido eliminado, ao perder (1-3) em Anadia, ante um adversário de escalão superior, a militar na nova “Liga 3”. Foi uma edição da prova bastante negativa, em que nenhum dos quatro representantes do Distrito conseguiu vencer qualquer jogo.

Numa ronda sem grandes surpresas destaca-se a eliminação do Chaves (II Liga) pelo Felgueiras (Liga 3), sendo que, por outro lado, avançam em prova apenas três clubes dos Distritais (Águias Moradal, Moitense e Cinfães), os quais eliminaram adversários de escalão idêntico.

Antevisão – A 3.ª jornada da I Divisão Distrital, agendada para este fim-de-semana, tem como pontos altos, nos quais estarão, em especial, focadas as atenções, os seguintes três embates, envolvendo clubes com fortes aspirações aos lugares da frente da classificação: U. Tomar-Mação, Cartaxo-Abrantes e Benfica e Rio Maior-Fazendense. Afiguram-se, em qualquer caso, jogos de “tripla”, dada a dificuldade em apontar claro favoritismo de algum dos contendores.

Na 2.ª ronda da fase de grupos da Taça do Ribatejo destacam-se os jogos: Aldeiense-Entroncamento, Caxarias-Riachense, Águias de Alpiarça-Espinheirense e U. Atalaiense-Forense.

Na “Liga 3”, que atinge já a sua 5.ª jornada da primeira fase, o U. Santarém visita as margens do Sado, para defrontar o histórico V. Setúbal, em desafio com transmissão televisiva em directo no “Canal 11” (agendado para dia 2 de Outubro, às 19h30). De recordar que se apuram para a fase de apuramento de Campeão (e promoção) os quatro primeiros classificados de cada uma das duas séries; os restantes oito clubes de cada série disputarão a fase de manutenção (repartidos em quatro séries de quatro clubes, sendo despromovido o último classificado de cada série dessa fase final).

Em encontro a contar para o Campeonato de Portugal o Coruchense actuará nos Açores (ilha de São Miguel), frente ao Operário Lagoa, equipa que, após as duas rondas iniciais, partilha a liderança da série com o Pêro Pinheiro. Nesta edição da prova, os dois primeiros de cada série disputam a fase de apuramento de Campeão (total de 12 clubes, sendo promovidos quatro); os restantes 49 clubes serão divididos em 12 séries, mantendo-se os dois primeiros de cada série.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Setembro de 2021)

3 Outubro, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 1ª Jornada

(“O Templário”, 23.09.2021)

No arranque da nova temporada futebolística, que se deseja possa vir a ser cumprida na íntegra, ao invés do que sucedeu nas duas épocas precedentes, em que não foi possível concluir o campeonato distrital da I Divisão, o Fazendense, que se apresenta bastante reforçado, esteve em grande evidência, impondo uma retumbante goleada no terreno do Ferreira do Zêzere.

Destaques – Num encontro entre duas equipas que visam alcançar melhor desempenho relativamente ao registado no campeonato anterior, o grupo das Fazendas de Almeirim não deu hipóteses ao seu adversário, goleando por 7-1 (não obstante até tenham sido os homens da casa a abrir o marcador)! Um desfecho que – para além de factores circunstanciais, relacionados com diferentes estágios de preparação – traduzirá, em paralelo, a ambição com que o Fazendense se apresenta, tal como indicia que os ferreirenses poderão ter mais um ano de intensa disputa pela manutenção no principal escalão, o que conseguiram, não sem dificuldade, no último ano.

As atenções estavam centradas, nesta ronda inaugural, no embate entre U. Almeirim – clube que exercera forte supremacia no campeonato de há dois anos, o que resultou então na promoção aos campeonatos nacionais, onde, contudo, não conseguiu alcançar o nível competitivo necessário, tendo sido novamente despromovido ao Distrital – e o Cartaxo, sempre um candidato aos lugares de topo. O resultado saldou-se por um tangencial 1-0 a favor dos almeirinenses, o que, no contexto presente, terá contrariado algum suposto favoritismo que poderia ser atribuído aos cartaxeiros.

Noutro desafio entre clubes também com ambições no campeonato, igualmente reforçados para esta época, o Rio Maior e o Mação neutralizaram-se, tendo empatado a uma bola, o que, claro, não compromete ainda quaisquer aspirações de um e outro emblema.

Em destaque esteve também o At. Ouriense, regressado à I Divisão Distrital, depois de, na época passada, ter vencido a série Norte do escalão secundário, na retoma da competição, após a suspensão da actividade registada no final de 2018-19. A turma de Ourém recebeu e bateu por categórica marca de 3-0, o conjunto da Glória do Ribatejo, que vem da mais brilhante temporada de todo o seu historial, culminada com a conquista da Taça do Ribatejo.

Surpresa – A surpresa da jornada inicial terá sido o empate (1-1) cedido pelo 2.º classificado do campeonato precedente (Abrantes e Benfica) em Salvaterra de Magos, frente ao recém-promovido Salvaterrense, com os golos apontados já ao “cair do pano” e ambos na conversão de grandes penalidades. Mas este será, provavelmente, um terreno que apresentará dificuldades para a generalidade dos adversários.

Confirmações – O Amiense confirmou a notável campanha realizada no último campeonato (em que obteve o 4.º posto), indo vencer, com alguma naturalidade, a Torres Novas: dois golos obtidos no quarto de hora inicial praticamente selaram o desfecho do desafio, não tendo os torrejanos – cujo objectivo será o da manutenção – conseguido melhor do que reduzir para a margem mínima.

Em Alcanena, os locais conseguiram, já à entrada do quarto de hora final do encontro, o tento solitário que lhes proporcionou o triunfo, na recepção ao Samora Correia, confirmando a importância do factor casa, entre duas formações que serão de valor equilibrado.

Por fim, o União de Tomar, que recebeu outro dos promovidos, o histórico Benavente, revelou algumas dificuldades em quebrar a organização defensiva contrária, com o nulo no marcador a manter-se ao intervalo, pese embora a insistência ofensiva dos nabantinos.

Na segunda parte tudo se modificou, com o primeiro tento obtido nos minutos iniciais, a que se seguiria o segundo golo, que parecia ser o da tranquilidade. Até que, já dentro dos derradeiros cinco minutos, um lance fortuito, com o guardião local a procurar aliviar a bola, mas que viria a embater contra um oponente, resultou em golo para os forasteiros, lançando a dúvida para o tempo restante, fase na qual, todavia, os benaventenses não conseguiriam criar perigo. A diferença mínima não espelha adequadamente a superioridade patenteada pelos nabantinos nos 90 minutos.

Liga 3 – Em estreia absoluta nesta temporada, a “Liga 3” é um novo escalão que se veio intercalar entre a II Liga e o Campeonato de Portugal (que passou, pois, a corresponder ao 4.º nível do futebol em Portugal). O U. Santarém é o único representante do Distrito nesta competição, que atingiu já a sua 4.ª jornada desta primeira fase, sendo que os escalabitanos – que foram desfeiteados, no Domingo passado, no seu reduto, pelo Torreense (1-3) – apenas alcançaram, até agora, um único triunfo (logo na jornada inicial, ante o Oriental Dragon, no Lavradio, por 2-1), ocupando o 9.º lugar, entre 12 concorrentes, na série Sul.

Campeonato de Portugal – Esta temporada com um formato novamente ajustado, disputado por 61 clubes, repartidos em seis séries (cinco de dez equipas cada e uma série com onze), o distrito de Santarém conta também apenas um representante, precisamente o Campeão Distrital em título, Coruchense, enquadrado na série E, na qual pontifica o histórico Belenenses (de regresso aos campeonatos nacionais, após uma travessia de três temporadas no Distrital de Lisboa, na qual, sucessivamente, obteve outras tantas promoções, isto na sequência da corajosa decisão dos seus sócios de (re)começar – desde a época de 2018-19 – a constituir direitos desportivos, a partir do escalão mais baixo do futebol português, num caminho de enorme dignidade que decidiu trilhar).

Na 2.ª ronda da prova, disputada no passado fim-de-semana, o Coruchense recebeu e venceu “O Elvas” por 3-2, integrando, para já, o lote dos 3.º classificados, com 3 pontos (depois de ter começado por perder em Loures, por 1-3, na jornada inicial).

Antevisão – Na 2.ª jornada da I Divisão Distrital teremos os seguintes embates que concitarão maiores atenções: Abrantes e Benfica-U. Almeirim, Mação-At. Ouriense, Fazendense-Alcanenense e Glória do Ribatejo-U. Tomar.

À partida os donos da casa terão maior dose de favoritismo, à excepção, porventura, do encontro da Glória – devendo, não obstante, recordar-se que União e Glória terminaram empatados em pontos na última edição, respectivamente no 6.º e 7.º lugares. Pese embora os números algo pesados sofridos nos dois primeiros jogos da temporada (para a Taça e no arranque do Distrital), a formação da Glória pretenderá potenciar o factor casa, visando “surpreender” o opositor.

A “Liga 3” e o Campeonato de Portugal terão nova pausa, para disputa da 2.ª eliminatória da Taça de Portugal. Após as eliminações de U. Santarém (pelo Loures, no desempate da marca de grande penalidade), Abrantes e Benfica (2-4 ante o Caldas, após prolongamento) e Glória do Ribatejo (0-4 com o Sintrense), subsiste em prova o Coruchense (isento na ronda inicial), que se desloca a Anadia, para defrontar uma turma supostamente de maior potencial, a militar na “Liga 3”.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Setembro de 2021)

25 Setembro, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

José-Augusto França (1922-2021)

Com 98 anos de idade faleceu hoje em França (em Jarzé, próximo de Angers), José-Augusto França – nascido em Tomar (na então Travessa da Saboaria) a 16 de Novembro de 1922 -, historiador, sociólogo e crítico de arte, grande referência da cultura portuguesa, ao longo de mais de sete décadas de actividade, e nome maior da historiografia da Arte em Portugal, tendo sido fundador do primeiro curso de História de Arte (na Universidade Nova de Lisboa, a partir de 1974).

No final da década de 40 do século passado, integrou o movimento artístico e intelectual, aquando da criação do Grupo Surrealista de Lisboa, com Mário Cesariny, Alexandre O’Neill ou Marcelino Vespeira.

Licenciou-se em Ciências Históricas e Filosóficas, diplomado pela École d`Hautes Études de Paris, tendo-se doutorado em História (sobre a reconstrução pombalina de Lisboa, em 1962) e em Letras (sobre o romantismo português, em 1969) na Universidade de Sorbonne, em Paris. Presidiu à Academia Nacional de Belas-Artes.

Foi autor de mais de cem obras escritas – para além de centenas de artigos escritos -, destacando-se, em especial, “Lisboa Pombalina e o Iluminismo”, “A Arte em Portugal no Século XIX”, “A Arte em Portugal no Século XX”, “História da Arte Ocidental, 1750-2000” e “Lisboa, História Física e Moral”, para além das suas monografias sobre Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso ou Rafael Bordalo Pinheiro.

Foi também agraciado com a Ordem do Infante D. Henrique (1991), a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (2006) e a Medalha de Mérito Cultural (2012), assim como a medalha de Honra da Cidade de Lisboa (1992) e a Medalha de Ouro da Cidade de Tomar (2014).

Doou parte do seu espólio ao museu da cidade de Tomar, possibilitando a criação do “Núcleo de Arte Contemporânea José-Augusto França”, inaugurado em 2004, integrando uma centena de obras de arte da sua colecção, de que o próprio destacou: “Signos desmemoriados, momentos IX”, de Fernando Lemos, pintado em 1972; e a grande pintura em duas tábuas, de Noronha da Costa, sem título, de cerca de 1970. Ofertou também parte dos seus livros à Biblioteca de Tomar. Na ocasião, apontara como justificações para as doações:

[…] de ordem moral uma, sentimental, a outra. Ao termo de sessenta anos de vida útil (dir-se-ia de carreira, mas detesto tal coisa), entendeu o doador arrumar o que neles foi acumulando, pinturas e outros objetos de arte, livros e manuscritos, o que seria, mas ainda não é, o seu espólio, distribuindo-os por sítios apropriados de cultura, os quadros para museus (e foram, principalmente, o do Chiado, e este de Tomar, consoante adequação histórica das espécies), os livros para várias bibliotecas, entre as quais a de Tomar, a da Fundação Gulbenkian (que guarda, desde 1992, o total da bibliografia ativa, em volumes singulares e coletivos, folhetos, catálogos e publicações periódicas do que se fez nessa altura, exposição e catálogo de 3400 números e ainda arquivos de doutoramentos no Departamento de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa e da Cinemateca Nacional.

A moral da história está em se acrescentar assim a utilidade que a vida do doador, isto é, a minha, possa ter tido, mostrando em permanência o que ele tinha guardado para uso próprio, gozo com certeza, mas também, e indispensavelmente, instrumentação do seu trabalho – uma coisa e outra no seu quotidiano de 60 anos”.

18 Setembro, 2021 at 11:35 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – Final

(“O Templário”, 01.07.2021)

Culminando uma época memorável, que entra para a história da colectividade, o Sport Clube Desportos Glória do Ribatejo, fundado em 21 de Agosto de 1975, sagrou-se vencedor da edição de 2020-21 da Taça do Ribatejo, conquistando o mais importante troféu do seu palmarés, que junta aos títulos de Campeão Distrital averbados nas temporadas de 1976-77 e 1995-96 (II Divisão Distrital) e 2008-09 (3.º escalão).

Destaque – Glória do Ribatejo (que alcançara já um notável 7.º lugar no campeonato da I Divisão Distrital da presente época, aliás, em igualdade pontual com o 6.º classificado, U. Tomar) e Rio Maior SC (10.º no campeonato) disputaram uma inédita Final da 44.ª edição da Taça do Ribatejo, prova instituída pela Associação de Futebol de Santarém em 1976-77 (competição apenas interrompida logo na época imediata, de 1977-78 – sendo que em 2019-20 a prova fora suspensa, devido à pandemia, após a realização da 1.ª mão das meias-finais).

Na partida disputada no passado Domingo no Estádio Municipal do Cartaxo, com transmissão televisiva em directo no “Canal 11”, em paralelo com o regresso do público aos campos do Distrito (pese embora ainda sujeito a lotação limitada), repetiu-se o desfecho dos jogos das meias-finais (igualdade), implicando, portanto, novo desempate da marca de grande penalidade.

Após um primeiro tempo em branco, muito repartido, sem flagrantes oportunidades de golo, a formação da Glória começou por inaugurar o marcador aos 52 minutos, por via de um lance infeliz de um jogador riomaiorense, a introduzir a bola na sua própria baliza, quando procurava aliviar um lançamento em profundidade para a área. Ainda assim, a turma de Rio Maior, reagindo bem, criaria duas ocasiões de algum perigo antes de, aos 70 minutos, conseguir restabelecer o empate (1-1), o qual subsistiria até final do tempo regulamentar.

Passando-se de imediato ao desempate – não estando previsto, no regulamento da competição, a disputa de prolongamento –, o grupo da Glória voltou a ser mais eficaz (tal como sucedera nas meias-finais), com o pleno de cinco tentativas concretizadas, tendo a equipa de Rio Maior falhado uma das suas tentativas, com um remate bastante por alto.

Após cinco presenças nos 1/4 de final e três nas meias-finais, nos últimos oito anos, o clube da Glória do Ribatejo sagrou-se vencedor da Taça, logo na sua estreia na Final.

No palmarés da prova, após as 43 edições concluídas, o Fazendense é o único emblema com quatro títulos conquistados, seguido por um quarteto (formado por Tramagal, Riachense, Amiense e Coruchense), cada um com três Taças, e um pequeno “pelotão” de sete clubes, cada qual com dois títulos na “prova rainha”; o Glória do Ribatejo passou, agora, a ser o 25.º detentor do troféu.

II Divisão Distrital – Na última jornada da série Norte, tendo sido antecipado, já para o passado dia 5 de Junho, o jogo entre o Caxarias e o Abrantes e Benfica “B”, então vencido pelos visitados por 1-0, apenas foi realizado, no passado fim-de-semana, um único encontro, com o Vasco da Gama a receber e a bater o Espinheirense por 2-1, trespassando, assim, a posição de “lanterna vermelha” (6.º classificado, de entre os clubes que finalizaram a prova) à jovem equipa abrantina.

A Sul, o Salvaterrense confirmara já, a meio da semana passada, o objectivo crucial, a subida ao principal escalão, ao empatar (1-1) em Alpiarça, em partida que se encontrava em atraso da 14.ª jornada – o que, em paralelo, proporcionou ao Benavente, ganhando, no Sábado, em Fazendas de Almeirim, por 4-1, confirmar o 1.º lugar final nesta série.

A formação de Salvaterra de Magos, que venceu também, igualmente no Sábado, na derradeira ronda do campeonato, o Forense, em terreno alheio, por 3-2, beneficiou de, enquanto 2.º classificado, ter registado melhor média pontual (43 pontos em 18 jogos disputados) que o 2.º da série Norte, Fátima (28 pontos em 13 jogos), para garantir a promoção, a par dos vencedores das duas séries, At. Ouriense e Benavente – com este trio a substituir, na próxima época, na I Divisão, os clubes entretanto despromovidos: Entroncamento AC, Moçarriense e Riachense.

Torneio “Sub-21” – Não tendo sido possível realizar, na temporada agora finda, os Campeonatos Distritais de Juniores e de Juvenis – tal como os dos restantes escalões de formação –, a Associação de Futebol de Santarém promoveu a disputa, nos meses de Maio e Junho, de um Torneio “Sub-21”, no qual se inscreveram, de início, 19 equipas (antes, ainda em Janeiro, tinha já procurado arrancar-se com a realização desta prova, então com um total de 27 equipas inscritas; contudo, não fora sequer possível concluir-se, então, a jornada inaugural, pelo que teve de ser remodelada a estrutura do torneio).

Após a disputa de duas fases de grupos (na segunda dessas fases, os dois grupos principais integraram os dois primeiros classificados de cada um dos quatro grupos da 1.ª fase), realizaram-se no passado fim-de-semana, os jogos decisivos, para estabelecimento da classificação final.

Em Tomar, na Final do Torneio, o U. Tomar (vencedor dos seus grupos de qualificação, quer na 1.ª, como na 2.ª fase), recebeu a Ac. Santarém (vencedora do outro grupo principal da 2.ª fase). Alinhando com sete jogadores que, nesta época, chegaram a integrar, pontualmente, a equipa principal do clube, o U. Tomar teria, porém, uma má entrada em jogo, sofrendo um golo logo aos 3 minutos; depois, tendo restabelecido a igualdade já próximo do final da primeira parte, viria a sofrer novo tento mesmo em cima do intervalo, fixando o que viria a ser o desfecho: 1-2.

A jovem formação escalabitana sagrou-se, assim, vencedora deste Torneio, tendo o U. Tomar, com uma participação muito meritória, terminado no 2.º lugar. No jogo de apuramento de 3.º e 4.º classificados (entre as equipas que tinham terminado na 2.ª posição dos grupos principais da 2.ª fase da prova), o Entroncamento AC ganhou, igualmente por 2-1, ao Salvaterrense.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Julho de 2021)

1 Julho, 2021 at 6:00 pm Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/2 finais

(“O Templário”, 24.06.2021)

Rio Maior SC e Glória do Ribatejo garantiram – ambos no desempate da marca de grande penalidade, após as igualdades verificadas no termo dos noventa minutos – a presença numa inédita Final da Taça do Ribatejo, a disputar no Cartaxo, no próximo Domingo, pelas onze horas da manhã, com transmissão televisiva em directo no “Canal 11”.

Destaques – O Rio Maior SC, clube de formação ainda recente (completará cinco anos da sua fundação no início do próximo mês de Julho), 10.º classificado no campeonato, estreia-se na Final da “prova rainha” – sendo que, até agora, não conseguira ainda chegar além dos 1/8 de final, fase em que se quedara nos anos de 2019 e 2020.

Esta época – depois de ter começado por afastar o Amiense (4.º classificado do campeonato), ganhando em casa por 2-1, para, de seguida, golear o Alcanenense por 5-0, antes de, nos 1/4 de final, ir ganhar a Salvaterra de Magos, por 3-2, frente ao “tomba-gigantes” Salvaterrense (o qual eliminara o Cartaxo) – os riomaiorenses acabariam por ser mais eficazes no desempate, nas meias-finais, ante o U. Tomar, vencendo por 4-2, após o nulo registado no tempo regulamentar.

Tendo noção da valia do adversário, que surgiu reforçado no recomeço das competições, e mesmo actuando em terreno alheio, a formação tomarense assumiu, logo de início – como costuma fazer regra geral –, a iniciativa do jogo, instalando-se no meio campo contrário, registando predomínio em termos de posse de bola e lances de ataque, contudo, sem conseguir criar efectivas situações de perigo. A maior oportunidade de golo decorreria, aliás, de um alívio defeituoso de um defesa da casa, com a bola a embater no poste da baliza do Rio Maior.

Na segunda metade, os nabantinos apenas teriam outra ocasião para criar perigo, num contra-ataque, após Hélio Ocante ter recuperado a bola, mas a defensiva contrária conseguiria anular o lance. Já numa fase de menor controlo, com o jogo mais “partido”, a turma da casa teve também uma oportunidade soberana para marcar, porém o avançado local remataria ao lado.

A quinze minutos do final do desafio, os visitados ficaram reduzidos a dez unidades, mas os unionistas não conseguiriam tirar partido de tal superioridade, dadas as sucessivas interrupções de jogo e quebra de ritmo. O União não foi capaz de evitar a “armadilha dos penalties”, para a qual estaria já de sobreaviso, no que pareceu ser, quase sempre, o objectivo do Rio Maior.

Com duas defesas do guarda-redes da casa, nas duas primeiras tentativas, e pese embora Nuno Ribeiro ter também defendido um dos remates, a formação riomaiorense alcançava o “passaporte” para a ansiada Final, no que constitui uma grande desilusão para os tomarenses – eliminados sem ter perdido qualquer jogo, não tendo conseguido marcar na fase decisiva, após um “score” global de 15-1 –, no dia das anunciadas despedidas, precisamente do guardião Nuno Ribeiro e do capitão Nuno Rodrigues, após terem envergado a camisola rubro-negra durante várias temporadas, e que bem justificavam ter concluído a carreira em cenário mais festivo.

Na Glória do Ribatejo, o grupo local continua a fazer história: depois do 7.º lugar no campeonato, atinge agora uma formidável presença na Final da Taça, prova em que tem já tradição, com cinco presenças nos 1/4 de final e três nas meias-finais, nos últimos oito anos.

Esta temporada, depois de terem deixado pelo caminho o Benfica do Ribatejo (4-1), o Entroncamento AC (2-1) e, de forma sensacional, o Abrantes e Benfica (3-2), jogando sempre em terreno adverso, os homens da Glória registaram, em casa, uma igualdade a dois golos ante o Samora Correia, numa partida repleta de cambiantes no marcador, acabando por superiorizar-se no desempate da marca de grande penalidade, também por 4-2, como na outra meia-final.

II Divisão Distrital – Na série Norte o Espinheirense foi apenas a segunda equipa (após o Caxarias) a conseguir travar a marcha triunfal do vencedor da série, At. Ouriense – posição que garantira já, a meio da semana, em jogo de acerto de calendário, ao ganhar ao Fátima por 1-0, assegurando, pois, a consequente promoção à I Divisão Distrital –, empatando 3-3.

A Sul os dois primeiros golearam: o Benavente, em Alpiarça, ante o Águias, por 4-1, enquanto o Salvaterrense bateu o Marinhais, no “derby” do município, por categórico 4-0. O Forense, actual 3.º classificado, impôs-se no terreno do Benfica do Ribatejo, ganhando por 3-1.

Em função dos resultados desta penúltima ronda – assim como do registado na quarta-feira anterior, com a equipa benaventense a vencer a de Salvaterra de Magos por tangencial 3-2 –, o Benavente garantiu também já (seja como 1.º ou 2.º classificado) a subida ao escalão principal.

Por seu lado, o Salvaterrense necessitará ainda um ponto, nos dois jogos que tem a disputar, nos campos do Águias de Alpiarça (em atraso da 14.ª jornada) e do Forense (sendo que este clube terá ainda hipóteses matemáticas de poder eventualmente chegar ao 2.º lugar), para confirmar também a promoção – dado registarem ambos (Benavente e Salvaterrense) melhor média pontual que o Fátima, 2.º classificado da série Norte.

Antevisão – Na festa do futebol distrital, este ano a realizar no Cartaxo, com a Final da Taça do Ribatejo, a disputar entre Rio Maior SC e Glória do Ribatejo, parece difícil apontar um favorito, perspectivando-se um jogo bastante repartido, possivelmente a decidir nos pormenores.

O Rio Maior poderá eventualmente dispor, nesta fase, de superiores argumentos individuais, mas a turma da Glória já demonstrou, ao longo desta temporada, e por mais de uma ocasião, formar uma verdadeira equipa, capaz de surpreender até os mais poderosos – recorde-se que foi o único clube a derrotar o vencedor do campeonato, Coruchense, tendo, adicionalmente, eliminado o 2.º classificado, Abrantes e Benfica, nos 1/4 de final da Taça, em Abrantes!

Entretanto, não tendo a equipa de seniores do U. Tomar conseguido o apuramento para aquela final, fica a nota de realce para a equipa de “sub-21” do União, que, tendo vencido os seus grupos de qualificação nas duas fases deste Torneio distrital, se apurou para a respectiva Final, a disputar em Tomar, no Sábado, frente ao Salvaterrense ou à Ac. Santarém.

Na II Divisão Distrital, disputa-se (no Sábado) a 18.ª e derradeira jornada da prova: a Norte, apenas com um jogo agendado, já sem consequências de relevo a nível da pauta classificativa, caberá ao Vasco da Gama receber o Espinheirense.

A Sul (quase) tudo poderá ter ficado já decidido, na quarta-feira, caso o Salvaterrense tenha pontuado em Alpiarça; caso contrário, teríamos um aliciante embate Forense-Salvaterrense, que, nessa hipótese, seria decisivo para a definição do clube a promover. Por seu lado, o Benavente, que se desloca às Fazendas de Almeirim, terá em mira a possibilidade de confirmação do 1.º lugar final (dependente de o conjunto de Salvaterra não vencer os seus dois encontros).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Junho de 2021)

27 Junho, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/4 de final

(“O Templário”, 17.06.2021)

A Taça do Ribatejo entra também na sua fase decisiva, tendo garantido o apuramento para as meias-finais da prova – a disputar já no próximo Domingo – os clubes classificados no 6.º (U. Tomar), 7.º (Glória do Ribatejo), 9.º (Samora Correia) e 10.º lugares (Rio Maior) do campeonato distrital da I Divisão, não subsistindo, portanto, qualquer representante do 2.º escalão, após a eliminação de Salvaterrense e Fátima.

Dos cinco primeiros da divisão principal, o vencedor (Coruchense) desistira da competição; o 3.º (Mação) tinha sido eliminado nos 1/8 de final pelo 2.º; o 4.º (Amiense) fora afastado pelo Rio Maior logo na primeira eliminatória; e o 5.º (Cartaxo) caíra, também na ronda precedente, perante um primeiro “tomba-gigantes”, o Salvaterrense. Agora, nos 1/4 de final, foi a vez de o 2.º classificado do campeonato (Abrantes e Benfica) ficar também arredado desta competição.

Destaques – O destaque maior vai, pois, para a sensacional vitória (3-2) da equipa da Glória do Ribatejo em Abrantes, a assumir-se também como “tomba-gigante”, afastando, com grande surpresa, o que seria um dos maiores candidatos à conquista do troféu, o Abrantes e Benfica.

Mais, a turma da Glória – com tradição na Taça, tendo marcado presença nos 1/4 de final em cinco ocasiões nos últimos oito anos (atingindo as meias-finais pela terceira vez, depois de ter alcançado tal fase já em 2014 e 2015) – teve sempre a liderança do marcador, começando por abrir a contagem logo aos oito minutos, chegando depois, ainda antes do intervalo, ao 2-1, para, já, à entrada dos dez minutos finais, se colocar em vantagem pela terceira vez (a qual seria, então, definitiva). Um brilhante desempenho, a somar à excelente campanha realizada também no campeonato, por um grupo que “promete” não ficar por aqui…

Por seu lado, o Rio Maior – que surgiu, na retoma das competições, após a paragem de quase quatro meses, reforçado e com grande pujança, tendo somado seis vitórias nos sete jogos entretanto disputados, aplicando mesmo três goleadas – colocou ponto final no “sonho” do Salvaterrense, vencendo em Salvaterra de Magos, também pela marca de 3-2 (neste caso, depois de, por duas vezes, ter chegado a dispor de vantagem de dois golos, a 2-0 e 3-1, apenas no derradeiro minuto tendo sofrido o tento que estabeleceu a diferença mínima).

Os outros dois semi-finalistas repetem a presença nas meias-finais da Taça, que haviam registado já na época passada; por curiosidade, U. Tomar e Samora Correia tinham-se defrontado então, com triunfo dos tomarenses em Samora, não tendo sido já disputada a 2.ª mão, a qual estava agendada para 15 de Março de 2020, precisamente o dia em que, devido à declaração da pandemia, se daria a (que viria a ser definitiva) suspensão das competições.

O U. Tomar, defrontando, pela terceira vez nas três eliminatórias disputadas na presente edição da prova, uma equipa do 2.º escalão, manteve a consistência nos resultados, averbando a sua terceira goleada: depois do triunfo por 4-0 em Marinhais e da vitória por 6-1 no Espinheiro, goleou agora, por 5-0, o Fátima, somando, portanto, um retumbante “score” agregado de 15-1!

Depois da “derrapagem” verificada nas três últimas rondas do campeonato, a turma unionista encarou com grande seriedade este desafio da Taça, respeitando o adversário, tendo entrado praticamente a ganhar (inaugurou o marcador logo aos três minutos), ampliando para 2-0 à passagem do quarto de hora, resolvendo a eliminatória em 25 minutos, com o terceiro golo apontado. Na segunda metade, o “placard” seria ainda, com naturalidade, ampliado até aos 5-0 (golo marcado a cerca de vinte minutos do fim), antes de alguma descompressão final.

Já o Samora Correia (com três presenças nos 1/4 de final nos últimos quatro anos, apenas tendo falhado tal fase em 2019) voltou a apurar-se para as meias-finais, também de forma algo surpreendente, afastando a equipa com melhor palmarés na competição (quatro troféus conquistados como vencedor da Taça do Ribatejo), o Fazendense (também semi-finalista no ano passado), beneficiando da superior eficácia demonstrada no desempate da marca de grande penalidade, isto depois de ter mantido o nulo até final do tempo regulamentar (90 minutos).

II Divisão Distrital – A Norte jogou-se um único desafio, entre Caxarias e Espinheirense, com o empate a duas bolas possivelmente a definir a classificação final dos dois clubes: aliás, o Caxarias concluiu já a sua participação no campeonato, que termina no 4.º posto; por seu lado, o Espinheirense dificilmente conseguirá melhor que um inglório 3.º lugar.

Na série Sul realça-se a goleada (5-1) imposta pelo Marinhais ao Benfica do Ribatejo, assim como, por outro lado, o tangencial triunfo (1-0) do Forense ante o Porto Alto, a permitir ainda uma ténue réstia de esperança em poder ainda imiscuir-se na luta pelos dois primeiros lugares.

Antevisão – Na Taça do Ribatejo, as meias-finais, agendadas para dia 20, colocam frente-a-frente, por um lado, Rio Maior e U. Tomar, e, por outro, Glória do Ribatejo e Samora Correia. Trata-se de dois embates que se antevêem repartidos, em que qualquer desfecho que venha a verificar-se não deverá traduzir grande surpresa.

Em Rio Maior os tomarenses – que disputam as meias-finais da competição pela terceira vez nos quatro anos mais recentes – poderiam ter, pelo potencial que lhes é reconhecido, algum favoritismo (anotando-se que as duas equipas empataram, no jogo do campeonato, em Outubro do ano passado), mas terão de contar com a forte oposição de uma muito revigorada equipa local, a beneficiar também desse factor casa, pelo que os unionistas terão de estar ao melhor nível para voltar a atingir a desejada Final, este ano agendada, para dia 27, no Cartaxo.

Na Glória, num confronto entre duas equipas que, na eliminatória precedente, afastaram dois “candidatos”, não haverá propriamente um “favorito” declarado – sendo que os visitados ganharam, por tangencial 1-0, no desafio a contar para o campeonato –, mas a expectativa é de que o conjunto da casa possa eventualmente culminar com uma histórica presença na Final da Taça uma temporada já memorável.

Na II Divisão estavam agendados para esta quarta-feira, 16, os decisivos embates (em atraso da 16.ª jornada) entre os dois primeiros classificados de ambas as séries, respectivamente, At. Ouriense-Fátima e Benavente-Salvaterrense, nos quais poderão, porventura, ter ficado já praticamente definidas as posições finais.

Para Domingo estão previstas as partidas da penúltima ronda, com o At. Ouriense a deslocar-se ao Espinheiro, para defrontar o 3.º classificado da série Norte, Espinheirense; destacando-se ainda, a Sul, o “derby” Salvaterrense-Marinhais.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Junho de 2021)

20 Junho, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

O Pulsar do Campeonato – 15ª Jornada

(“O Templário”, 10.06.2021)

É verdade que o Coruchense fez um campeonato “à parte” (apenas tendo cedido um empate, ante o Mação, e sofrido uma única derrota, na Glória do Ribatejo, nos 15 jogos disputados), sagrando-se destacadíssimo vencedor da prova, assim como o Abrantes e Benfica realizou muito boa campanha (tendo assegurado já, com o 2.º lugar obtido, a presença na próxima edição da Taça de Portugal – sendo que está, igualmente, bem encaminhado na Taça do Ribatejo), mas o Amiense, com uma notável “recta final”, ascendendo a um absolutamente inesperado 4.º lugar, tal como o emblema da Glória, com uma excelente 7.ª posição (em igualdade pontual com o 6.º, U. Tomar), merecem especial realce no balanço global do Distrital da I Divisão desta atípica temporada.

Destaques – O primeiro destaque da 15.ª e última ronda do campeonato vai precisamente para um impressionante desempenho do Amiense, que, muito motivado pela perspectiva de alcançar um sensacional 4.º lugar, conseguiu, já nos derradeiros dez minutos, uma então já inesperada reviravolta, acabando por vencer o Cartaxo, por 3-2, relegando assim o adversário para o 5.º posto.

Por seu lado, a turma da Glória do Ribatejo culminou de forma exemplar uma admirável época (está, também, ainda em prova na Taça do Ribatejo) – tendo sido, conforme referido, a única a conseguir derrotar o vencedor da competição –, impondo um empate a dois golos na recepção ao Mação (3.º classificado), terminando o campeonato apenas com três derrotas, fixando-se num brilhante 7.º lugar na tabela final, a par do 6.º classificado, U. Tomar.

Em jogo claramente de “fim de estação”, ainda assim o Abrantes e Benfica fez questão de não deixar os seus créditos por mãos alheias, goleando por robusta marca de 7-0 o já despromovido Moçarriense (penúltimo classificado), confirmando, pois, a posição de vice-líder.

Digno de realce foi também o triunfo averbado pelo Torres Novas, frente ao U. Tomar, impondo-se por 3-2 num desafio de características incomuns. Quando, aos 9 minutos, os tomarenses, chegaram à vantagem de 2-0, poucos poderiam adivinhar a reviravolta que viria a suceder, que premeia a abnegação com que os torrejanos encararam esta partida (o que, contudo, não lhes permitiu melhor que o 11.º lugar final, não obstante em igualdade pontual com o 9.º e o 10.º).

De forma algo “inexplicável”, tão depressa como obtivera tal superioridade – tendo, adicionalmente, desperdiçado mais uma “mão cheia” de ocasiões para ampliar a contagem – a equipa nabantina a deixaria escapar, também num período de apenas cerca de cinco minutos, após a meia hora de jogo. Para, na segunda metade, pese embora a insistência, os unionistas não só não conseguirem voltar a transpor com sucesso a barreira defensiva contrária, como, expondo-se ao risco, acabarem por sofrer o decisivo contra-golpe – não tendo tido já, nos cerca de 20 minutos que se jogaram ainda até final, o necessário “sangue frio” para ripostar a tal contrariedade.

Um desfecho inesperado, a deixar uma imagem bastante negativa neste fecho de campeonato – três desaires sucessivos nas três últimas jornadas, provocando uma queda do 3.º ao 6.º lugar, posição muito aquém das expectativas para esta época (o União teria sido 5.º classificado caso tivesse vencido) –, a qual urge procurar rectificar na Taça do Ribatejo.

Surpresa – A “surpresa” da jornada registou-se no Entroncamento, onde a equipa local, desanimada pela confirmação da despromoção, e num encontro do qual sabia não poder resultar já qualquer alteração na sua classificação (14.º) não conseguiu melhor que a igualdade (2-2) ante o “lanterna vermelha”, Riachense, que, nos onze jogos anteriores, sofrera dez derrotas (apenas tendo obtido um empate, já no final de 2020, ante o Moçarriense). Por curiosidade, o grupo dos Riachos conseguiu, neste campeonato, uma única vitória, sobre o 4.º classificado, Amiense.

Confirmações – Nas restantes três partidas, confirmou-se o favoritismo de (i) Coruchense (triunfando por 3-1 em Samora Correia), (ii) Fazendense (minimizando o decepcionante desempenho no campeonato, recuperando até ao 8.º lugar, ao bater por 4-1 uma equipa de Ferreira do Zêzere, que surgiu, nesta retoma da competição, claramente em esforço, denotando grandes dificuldades, mas tendo conseguido, ainda assim, ganhar a sua “final”, ante o Entroncamento AC, garantindo a permanência na I Divisão – isto, após a A. F. Santarém ter confirmado que a insolvente SAD do Fátima não poderia inscrever-se nas provas Distritais), e (iii) de Rio Maior (1-0, ante o Alcanenense), com os riomaiorenses, ao invés, a evidenciar, neste final de temporada, uma surpreendente vitalidade, com três vitórias em quatro jogos, o que lhes proporcionou subir até ao 10.º lugar.

Uma palavra final para o incontestável mérito do Coruchense na conquista do 1.º lugar: para além dos 10 pontos de vantagem sobre o mais “próximo” rival, goleou o vice-líder, Abrantes e Benfica, por 5-1; o Cartaxo (5.º), por 7-1; tendo vencido, nomeadamente, em Amiais de Baixo (4.º), Tomar (6.º), Fazendas de Almeirim (8.º – também com goleada, por 4-0) e Samora Correia (9.º).

II Divisão Distrital – Na série Norte, em jogo em atraso, o At. Ouriense derrotou o Espinheirense por 3-0, bastando-lhe apenas mais um ponto para confirmar o 1.º lugar e consequente promoção

A Sul, o Salvaterrense viu o seu jogo com o Águias de Alpiarça adiado, o que possibilitou ao Benavente (vencedor do Porto Alto, por tangencial 1-0) retomar, à condição, a liderança – mas, mais importante, somou pontos que poderão eventualmente, no cenário menos favorável, vir a revelar-se determinantes na definição do que virá a ser o melhor dos 2.º classificados das duas séries, o qual será também promovido à I Divisão Distrital.

Antevisão – Para o próximo fim-de-semana estão agendados os jogos dos 1/4 de final da Taça do Ribatejo, cujo alinhamento, porém, depende ainda da conclusão da eliminatória precedente, com a disputa, prevista para esta quinta-feira, do Fazendense-Riachense (favoritismo total para os visitados), Rio Maior-Alcanenense (com a curiosidade de reeditarem o confronto de há apenas quatro dias) e Entroncamento-Glória do Ribatejo.

Pelo que o único embate já com ambos os adversários definidos, é o U. Tomar-Fátima, com os tomarenses – depois de terem goleado, nas eliminatórias anteriores, em Marinhais e no Espinheiro – a receberem outra equipa do escalão secundário, 2.º classificado da série Norte (que se estreia nesta edição da Taça), necessitando, pois, confirmar dentro de campo o seu natural favoritismo.

Na II Divisão Distrital (em que se disputa, também nesta quinta-feira, a 15.ª jornada, e, no Domingo, a 16.ª e antepenúltima ronda), estavam agendados para aquele mesmo dia (13 de Junho), por coincidência, os embates entre 1.º e 2.º classificados de ambas as séries (At. Ouriense-Fátima e o decisivo Benavente-Salvaterrense), os quais deverão, assim, ter de ser adiados; destacam-se ainda, a Norte, o Fátima-Caxarias (já esta quinta-feira) e o Caxarias-Espinheirense (no Domingo); e, na série Sul, também neste dia 10, o Benfica do Ribatejo-Benavente.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 10 de Junho de 2021)

10 Junho, 2021 at 11:00 am Deixe um comentário

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