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João Noronha Lopes

Completei, este ano, 30 anos de sócio do Benfica. Por um Benfica “que voa mais alto”, para um novo rumo, e pela recuperação da credibilidade e dos princípios, o meu voto amanhã, é, obviamente, na equipa liderada por João Noronha Lopes!

27 Outubro, 2020 at 11:00 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1ª jornada – Lech Poznan – Benfica

Lech PoznańLech Poznan – Filip Bednarek, Alan Czerwiński, Tomasz Dejewski, Đorđe Crnomarković, Tymoteusz Puchacz (74m – Vasyl Kravets), Michał Skóraś (90m – Mohammad Awaed), Pedro Tiba, Jakub Moder, Jakub Kamiński (67m – Filip Marchwiński), Daniel Ramirez (67m – Karlo Muhar) e Mikael Ishak (74m – Nikoloz “Nika” Katcharava)

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Gilberto Moraes, Nicolás Otamendi, Jan Vertonghen, Alejandro “Álex” Grimaldo (67m – Nuno Tavares), Adel Taarabt (62m – Julian Weigl), Gabriel Pires, Luís Fernandes “Pizzi” (45m – Rafael “Rafa” Silva), Everton Soares (87m – Jardel Vieira), Gian-Luca Waldschmidt (62m – Pedro “Pedrinho” da Silva) e Darwin Núñez

0-1 – Luís Fernandes “Pizzi” (pen.) – 9m
1-1 – Mikael Ishak – 15m
1-2 – Darwin Núñez – 42m
2-2 – Mikael Ishak – 48m
2-3 – Darwin Núñez – 60m
2-4 – Darwin Núñez – 90m

Cartões amarelos – Đorđe Crnomarković (17m) e Karlo Muhar (90m)

Árbitro – Nikola Dabanović (Montenegro)

Depois da ainda não “digerida” eliminação da Liga dos Campeões, o Benfica estreava-se na Liga Europa, defrontando um adversário modesto (vice-campeão da Polónia, todavia, presentemente, no 9.º lugar do seu campeonato), que apresentou um futebol pouco evoluído, mas que, ainda assim, causou alguns calafrios, mantendo a incerteza sobre o desfecho da partida até final.

Não obstante a vitória, fruto da eficácia na concretização – com destaque para o “hat-trick” de Darwin Núñez -, o comportamento “europeu” do Benfica continua a suscitar muitas interrogações.

E, assumindo o favoritismo, a turma encarnada até entrou praticamente a ganhar no jogo, mercê de uma grande penalidade conquistada por Waldschmidt, em função de intercepção do defesa com a mão, a qual Pizzi converteu, pese embora sem grande convicção.

Ao contrário do que seria de esperar, em vez de ganhar confiança e embalar para uma boa exibição, o golo tão cedo alcançado pareceu ter feito mal à equipa portuguesa…

Que começara, desde logo, a denotar inquietante desacerto na sua zona defensiva, pelo que acabaria por não surpreender o tento do empate da formação polaca. O Lech Poznan voltaria a assustar, com uma bola na trave.

Até que começaria o “festival” Darwin Núñez, a recolocar o Benfica em vantagem pouco antes do intervalo, num lance de classe superior, culminando o cruzamento do lateral direito, Gilberto – a substituir o lesionado André Almeida, com paragem para mais de seis meses -, com uma potente cabeçada, depois de uma extraordinária impulsão, num remate inapelável para o guardião polaco.

No recomeço, a turma benfiquista poderia beneficiar novamente de mais esse tónico de confiança, mas as coisas logo começariam a correr mal; no lance imediato a uma ocasião soberana, desperdiçada – com um defesa contrário a salvar sobre a linha de baliza – o conjunto polaco restabeleceria, outra vez, o empate, expondo uma vez mais as notórias fragilidades da organização defensiva do Benfica, é verdade, com um quarteto muito pouco “rodado”nesse sector.

Passando por uma fase de alguma oscilação, com o jogo “partido”, podendo o golo cair para qualquer dos lados, acabaria por ser Darwin a bisar, de novo, num lance de grande categoria. Não obstante pela terceira vez estar em vantagem, o Benfica nunca deu mostra de ter o jogo “fechado”, ou, se quisermos, o Lech Poznan nunca deixou de manter em sobressalto a defesa benfiquista, apesar de, com alguma naturalidade, ir baixando de rendimento.

O quarto golo do Benfica, terceiro do jovem uruguaio, que se estreou a marcar neste desafio – já depois de Jorge Jesus ter “dado ordem” de salvaguardar o resultado, com a entrada de um terceiro defesa central, Jardel -, veio dar ao marcador uma expressão ilusória de superioridade da equipa portuguesa, a qual, contudo, ficou por demonstrar de forma categórica, pelo menos ao nível do que é a (grande) diferença de potecial entre ambos os plantéis.

Em qualquer caso, ficam sinais positivos a nível ofensivo, e, principalmente, os primeiros três pontos, somados, em terreno alheio, um estímulo para novos triunfos, preferencialmente mais convincentes.

Para a história fica igualmente o registo da 200.ª vitória do Benfica em provas da UEFA (excluindo-se desta contagem a “Taça das Cidades com Feiras”) e o atingir dos 500 pontos (dado contar igualmente com 100 empates) – marca apenas superada pelos “colossos” Real Madrid, Barcelona, Bayern München, Juventus e Liverpool!

22 Outubro, 2020 at 7:55 pm Deixe um comentário

Liga dos Campeões – 3ª Pré-Eliminatória – P.A.O.K. – Benfica

PAOKP.A.O.K. – Živko Živković, José Ángel Crespo, Sverrir Ingason, Fernando Varela, Giannis Michailidis, Dimitris Giannoulis, Christos Tzolis (80m – Anderson Esiti), Stefan Schwab, Omar El Kaddouri, Dimitris Pelkas (66m – Andrija Živković) e Chuba Akpom (70m – Karol Świderski)

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jan Vertonghen, Álex Grimaldo, Julian Weigl, Everton, Adel Taarabt (76m – Rafa Silva), Pizzi, Pedrinho (65m – Darwin Núñez) e Haris Seferović (72m – Carlos Vinicius)

1-0 – Dimitris Giannoulis / Jan Vertonghen (p.b.) – 63m
2-0 – Andrija Živković – 75m
2-1 – Rafa Silva – 90m

Cartões amarelos – Dimitris Pelkas (1m), Fernando Varela (29m), Giannis Michailidis (45m), Stefan Schwab (79m) e Anderson Esiti (90m); André Almeida (44m)

Árbitro – Felix Brych (Alemanha)

No que constitui um péssimo arranque de temporada, tendo sido eliminado por um dos, porventura, menos credenciados adversários que o suplantaram ao longo de seis dezenas de edições das provas europeias (fazendo recordar outra vexatória eliminação, frente ao clube rival da cidade, o Aris, em 1979), o Benfica falha a presença na Liga dos Campeões pela primeira vez desde 2010, após um ciclo de dez participações consecutivas! Mais, é necessário recuar a 2004 para registar a última vez que o clube fora afastado nas eliminatórias prévias desta competição…

É verdade que se tratou do primeiro jogo “a sério” da época (enquanto o PAOK tivera de derrotar já, na eliminatória anterior, a 25 de Agosto, o Besiktas), mas, ainda assim – e, pese embora, no actual contexto anómalo de pandemia – Jorge Jesus teve mais de um mês de pré-temporada para preparar este desafio, cuja importância crucial era sobejamente conhecida.

Como era (ou deveria ser) bem conhecida a forma de actuar da formação grega, orientada pelo português Abel Ferreira, também ele (e o seu perfil e predicados) muito familiares de todos nós.

Mesmo considerando a particularidade de esta eliminatória ser decidida num único encontro, no terreno do adversário (por curiosidade, o Benfica até tinha vencido, frente a este mesmo opositor, em todas as três anteriores visitas a Salónica), tal não deveria constituir, nas circunstâncias presentes – jogos realizados sem assistência – um “handicap”, antes dependendo a forma de abordagem do desafio de uma atitude mental, que, neste caso, deveria ser a de enfrentar esta partida como ela era – decisiva -, como se de uma “final” em campo neutro se tratasse.

E, nesse contexto, o Benfica, com um potencial incomensuravelmente superior ao seu adversário, deveria ter-se imposto, desde início, marcando o ritmo, garantindo uma vantagem que o deixasse a coberto de qualquer imprevisto.

Na realidade, tendo sido o Benfica a assumir a iniciativa do jogo, com um largo predomínio de posse de bola, tal domínio – estrategicamente consentido pelo oponente – revelar-se-ia estéril, ora mercê do desacerto dos seus avançados (em especial, o desastrado Seferović), ora de algumas boas intervenções de Živković (o guarda-redes). E, à medida que o tempo ia avançando, cada vez com menor intensidade, portanto, de mais fácil anulação, começando a adivinhar-se o que poderia vir a suceder (e que acabaria mesmo por se confirmar).

Ao contrário, o PAOK, tendo sabido “esperar” (mesmo que com alguma felicidade na primeira metade, culminando no remate de Pizzi a embater com estrondo no poste, a par de boas oportunidades de Taarabt e de Pedrinho), revelou-se, esta noite, mais competente, quer a defender (onde chegou a forma duas linhas, com nove elementos – tendo, já na etapa complementar, o guardião negado outra vez o golo, agora a Everton), como, sobretudo, na concretização das escassas oportunidades que criou, com um aproveitamento quase integral das (já recorrentes) falhas adversárias.

Pouco depois da hora de jogo, num lance rápido, enleando a defesa contrária, com um passe atrasado para a zona nevrálgica da área, surgindo Dimitris Giannoulis (que iniciara a arrancada) e o central Jan Vertonghen a “dividir” o desvio fatal para a baliza portuguesa; pouco mais de dez minutos volvidos, numa lesta contra-ofensiva conduzida pelo mesmo Giannoulis, após uma perda de bola no ataque benfiquista (Vinicius), o esférico chegou a um desmarcadíssimo Živković (o avançado, que, ainda há pouco mais de uma semana, integrava o plantel do… Benfica), o qual, flectindo da direita para o centro, tirando o adversário mais próximo (Grimaldo) do caminho, desferiu um remate “seco”, sem hipótese de defesa para Vlachodimos, selando o desfecho desta eliminatória (instantaneamente como que “pedindo desculpa” por tal).

O tento de Rafa, ao 95.º minuto (último do período de compensação) – já depois de o outro Živković ter, “miraculosamente”, salvado um remate subtil de Grimaldo, que levada “selo de golo” -, chegaria tarde demais…

De forma triste, falhando rotundamente este fulcral (em termos desportivos e, principalmente, financeiros) compromisso, o Benfica vê-se – logo de entrada, após um único jogo na prova – despromovido à Liga Europa, com um estranhamente conformado Jesus a ter de mostrar muito “mais serviço”, e rapidamente.

15 Setembro, 2020 at 8:53 pm Deixe um comentário

I Liga – 2019-20 – Classificação final

     Equipa             J     V     E     D    GM   GS     P
 1.º FC Porto          34    26     4     4    74 - 22    82
 2.º Benfica           34    24     5     5    71 - 26    77
 3.º Sp. Braga         34    18     6    10    61 - 40    60
 4.º Sporting          34    18     6    10    49 - 34    60
 5.º Rio Ave           34    15    10     9    48 - 36    55
 6.º Famalicão         34    14    12     8    53 - 51    54
 7.º V. Guimarães      34    13    11    10    53 - 38    50
 8.º Moreirense        34    10    13    11    42 - 44    43
 9.º Santa Clara       34    11    10    13    36 - 41    43
10.º Gil Vicente       34    11    10    13    40 - 44    43
11.º Marítimo          34     9    12    13    34 - 42    39
12.º Boavista          34    10     9    15    28 - 39    39
13.º Paços Ferreira    34    11     6    17    36 - 52    39
14.º Tondela           34     9     9    16    30 - 44    36
15.º B. SAD            34     9     8    17    27 - 54    35
16.º V. Setúbal        34     7    13    14    27 - 43    34
17.º Portimonense      34     7    12    15    30 - 45    33
18.º D. Aves           34     5     2    27    24 - 68    17

Campeão – FC Porto – Entrada directa na Fase Grupos da Liga dos Campeões
2.º classificado – Benfica – 3ª eliminatória acesso à Fase Grupos Liga Campeões
3.º classificado – Sp. Braga – Entrada directa na Fase Grupos da Liga Europa
4.º classificado – Sporting – 3ª eliminatória acesso à Fase Grupos Liga Europa
5.º classificado – Rio Ave – 2ª eliminatória acesso à Fase Grupos Liga Europa

Despromovidos – Portimonense e D. Aves
Promovidos – Nacional e Farense

Melhores marcadores:

1. Carlos Vinicius (Benfica) – 18
2. Mehdi Taremi (Rio Ave) – 18
3. Pizzi (Benfica) – 18

Palmarés – Campeões:

Benfica (37) – 1935-36; 1936-37; 1937-38; 1941-42; 1942-43; 1944-45; 1949-50; 1954-55; 1956-57; 1959-60; 1960-61; 1962-63; 1963-64; 1964-65; 1966-67; 1967-68; 1968-69; 1970-71; 1971-72; 1972-73; 1974-75; 1975-76; 1976-77; 1980-81; 1982-83; 1983-84; 1986-87; 1988-89; 1990-91; 1993-94; 2004-05; 2009-10; 2013-14; 2014-15; 2015-16; 2016-17; 2018-19

FC Porto (29) – 1934-35; 1938-39; 1939-40; 1955-56; 1958-59; 1977-78; 1978-79; 1984-85; 1985-86; 1987-88; 1989-90; 1991-92; 1992-93; 1994-95; 1995-96; 1996-97; 1997-98; 1998-99; 2002-03; 2003-04; 2005-06; 2006-07; 2007-08; 2008-09; 2010-11; 2011-12; 2012-13; 2017-18; 2019-20

Sporting (18) – 1940-41; 1943-44; 1946-47; 1947-48; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1953-54; 1957-58; 1961-62; 1965-66; 1969-70; 1973-74; 1979-80; 1981-82; 1999-00; 2001-02

Belenenses (1) – 1945-46

Boavista (1) – 2000-01

26 Julho, 2020 at 9:48 pm Deixe um comentário

Jorge Jesus

A contratação de Jorge Jesus pelo Benfica – cinco anos depois da sua dispensa pela Direcção, por não se enquadrar na estratégia e no projecto do clube – é, de algum modo, como se se estivesse a começar agora a especular na Bolsa, no preciso momento em que as cotações atingiram o pico e, previsivelmente, virão por aí abaixo num futuro próximo; ou, de outra forma, qual jogada de Casino, um “all-in”, apostando todas as fichas numa única opção, na ilusória esperança de vir a ser bafejado com a sorte de um “jackpot”.

Isto numa altura em que o Benfica negociou os termos da contratação em posição de absoluta fraqueza (em desespero, mesmo, numa luta contra o tempo, perante os “nãos” que terá recebido e outras hipóteses irrealistas, de entre nomes como Mauricio Pochettino, Julian Nagelsmann, Massimiliano Allegri, Unay Emery, Leonardo Jardim, Jorge Sampaoli e Marcelo Gallardo, para além do “clássico” José Mourinho – entre tantos outros que foram apontados pela comunicação social como potenciais alvos)…

Em contraponto a um Jorge Jesus no auge do seu valor de mercado, pelo (conjuntural) sucesso obtido no Flamengo, em boa medida fruto de uma enorme discrepância de poderio face à concorrência nacional, e, a nível sul-americano, com bastante felicidade (após ter começado por ganhar o seu grupo de apuramento em igualdade de pontos com o 2.º e 3.º classificados, ainda sob o comando técnico de Abel Braga), desde logo, com um desempate da marca de grande penalidade, nos 1/8 de final, ante o Emelec após comprometedora derrota por 0-2 no Equador, defrontando equipas brasileiras nos 1/4 de final e nas meias-finais, culminando na final ante o River Plate, com a equipa argentina a dominar todo o jogo, acabando por ser inesperadamente derrotada em função de dois golos marcados por Gabriel Barbosa, nos minutos 89 e 92.

Mais do que tudo o resto, o que me intriga é esta crença “irracional” (com muito pouca fundamentação) de que Jesus será o (único) “salvador da Pátria”, quando – até pela experiência anterior de 6 anos (mais 3 no Sporting) – se sabe ter muitas limitações e pontos fracos, que nunca possibilitarão, por exemplo, ter sucesso na Europa, onde, sobretudo na Liga dos Campeões, não deixou de ter alguns desempenhos sofríveis.

A nível nacional, a memória que retenho é que Jesus, de forma sistemática (foi aprendendo com os erros, denotando algumas melhorias em 2013-14 e 2014-15), apostando “cegamente” nos mesmos jogadores, esgotava física e mentalmente as suas equipas (até pela exigência que lhe é commumente reconhecida), que chegavam à fase decisiva das épocas (meses de Março/Abril) já em notório sub-rendimento.

Isto, claro, associado a uma política muito agressiva (e dispendiosa) de contratações, privilegiando o curto prazo e, nunca, projectos de futuro, praticamente não dando oportunidades a valores surgidos da formação do clube (tendo por “pecado capital” o imperdoável caso de Bernardo Silva).

Não tenho nenhum “parti pris” contra Jesus. Compreendi perfeitamente que tivesse aceitado o convite do Sporting (para além de ser profissional, acresce que é o seu clube, até por motivos de ordem familiar, pelo que, inclusivamente pela forma como fora dispensado do Benfica, se afigurou uma oportunidade irrecusável), pelo que não vi qualquer problema nisso. Apenas entendo que era desnecessário ter destratado o Benfica, e, principalmente, Rui Vitória, que procurou “apoucar” de forma inaceitável (sem esquecer a infeliz atitude face a Shéu, ainda no Benfica). Acabaria, aliás, em 2015-16, por ser vítima da sua própria “basófia”.

O que não lhe reconheço é a competência extrema que outros parecem ver, como se se tratasse da “última bolacha do pacote”.

Até 2010, ao longo de 20 anos de carreira como treinador – na maior parte do tempo, é verdade, em clubes sem grandes aspirações: Amora; Felgueiras; U. Madeira; E. Amadora; V. Setúbal; V. Guimarães (14.º lugar em 2003-04); Moreirense; U. Leiria; Belenenses (5.º e 8.º lugar em 2007 e 2008); e Sp. Braga (5.º em 2008-09, atrás do Nacional, de Manuel Machado) – nunca registou qualquer desempenho que se possa considerar efectivamente notável.

Nos 9 anos de Benfica e Sporting ganhou (apenas) três vezes o campeonato, pecúlio manifestamente escasso para os investimentos realizados. De facto, nunca se lhe conheceu perspectiva realista de poder vir a ser candidato a assumir um clube de nível europeu (nunca mais que, em Espanha, uma equipa de tipo Valencia).

Por fim, o investimento que se está a fazer na sua contratação parece-me absolutamente desmesurado, dificil de rentabilizar, e, no limite, se as coisas correrem mal – e receio exista uma probabilidade não negligenciável de tal vir a ocorrer -, poderá revelar-se mesmo ruinoso.

Com eleições previstas para daqui a três meses, trata-se de uma jogada de alto risco, que, mais do que procurar defender o interesse do Benfica, visa, fundamentalmente, perpetuar a sua liderança. E, na hipóstese improvável de mudança de presidência do clube e da SAD, deixando os eventuais futuros responsáveis reféns de uma escolha – de médio prazo – que não foi sua.

Tudo isto dito – ficando claro que Jorge Jesus (que, obviamente, dispõe de qualidades) nunca seria o “meu” treinador (e não faltariam perfis que poderiam proporcionar um projecto futuro de desenvovimento mais sustentado, de que, a título exemplificativo, no imediato sem possibilidade de prova contra-factual, deixo os nomes de Luís Castro, Paulo Fonseca, Abel Ferreira e, porque não, João Henriques) – só desejo é que venha a alcançar no Benfica êxito a uma escala como nunca antes teve…

18 Julho, 2020 at 12:49 pm Deixe um comentário

Bruno Lage

Confesso que me sinto como se ainda estivesse em negação, incrédulo e sem conseguir compreender o que se passou desde Fevereiro.

Bruno Lage estreou-se no comando técnico do Benfica a 6 de Janeiro de 2019, no Estádio da Luz, recebendo o Rio Ave, em jogo da 16.ª jornada do campeonato.

Vindo de uma traumatizante derrota em Portimão – a qual sentenciou a carreira de Rui Vitória no clube -, por via de dois auto-golos (e que colocava então a equipa no 4.º lugar, a sete pontos do líder, FC Porto), aos vinte minutos de jogo, o Benfica, jogando em casa, via-se em desvantagem por 0-2… Era difícil começar pior. Mas o grupo uniu-se, revoltou-se e operou uma notável reviravolta, acabando por vencer por 4-2.

Até final da temporada de 2018-19, Bruno Lage acumularia um absolutamente incrível registo de 18 vitórias em 19 jornadas, tendo cedido um único empate, ante a B. SAD… depois de ter chegado a dispor de vantagem de 2-0.

Aos 4-2 frente ao Rio Ave, somaram-se outras doze (!) impressivas goleadas: 5-1 ao Boavista; 4-2 em Alvalade, frente ao Sporting; 3-0 nas Aves; 4-0 ao Chaves; 4-0 em Moreira de Cónegos; 4-1 em Santa Maria da Feira; 4-2 ao V. Setúbal; 6-0 ao Marítimo; 4-1 em Braga; 5-1 ao Portimonense (também numa épica reviravolta, com todos os cinco golos apontados na derradeira meia hora); 4-1 ao Santa Clara; para além do fantástico 10-0 ao Nacional (retenho especialmente a humildade de Bruno Lage nesse dia, quase como que a “pedir desculpa”).

Bruno Lage - 10-0

Numa caminhada que ninguém podia antecipar, o Benfica triunfaria em Guimarães, Alvalade, “Dragão”, Moreira de Cónegos, Braga e Vila do Conde, derrotando sucessivamente – em terreno alheio – todos os clubes classificados do 2.º ao 7.º lugares no final do campeonato!

Como consequência, o Benfica – com um sensacional registo de 103 golos marcados em 34 jogos – recuperou o significativo atraso com que partia, chegando, de forma brilhante, ao título.

A senda triunfal prosseguiu, na época de 2019-20, com um percurso quase a “papel químico”: nas primeiras 19 rondas, outra vez 18 vitórias, e um único desaire, em casa, com o FC Porto.

Isto é, sob a direcção de Bruno Lage, foi alcançado um impressionante ciclo de 18 vitórias consecutivas fora de casa, a que se somaram outros 18 triunfos (em 20 jogos) no Estádio da Luz, numa fenomenal série – a melhor de sempre da centenária história do Benfica – de 36 vitórias, 1 empate e 1 derrota, nos seus primeiros 38 jogos, com 119 golos marcados e 24 golos sofridos.

Subitamente, desde a 20.ª jornada, em dez jogos, apenas duas vitórias, quatro empates e quatro derrotas, invertendo-se os papéis: de sete pontos de avanço, na liderança, para seis pontos de atraso, em relação ao FC Porto.

O que se terá passado?

É verdade que Bruno Lage deixara entrever, no seu percurso triunfal, algumas fragilidades: se na primeira derrota, com o FC Porto, para a Taça da Liga, o resultado pareceu ser fortuito e injusto, perante a exibição efectuada, a eliminação nas meias-finais da Taça, em Alvalade, e, sobretudo, a oscilante campanha europeia não deixaram de suscitar alguma inquietude. Mas que, até certo ponto, tinha justificação na deliberada aposta na reconquista do título de Campeão.

Já esta época, no jogo com o FC Porto, na Luz – logo na 3.ª jornada -, o Benfica denotara absoluta incapacidade para conseguir contrariar a forma como o adversário se dispôs em campo. O desempenho a nível europeu voltou a ser titubeante; a participação na Taça da Liga, com três empates em outros tantos jogos, foi obviamente medíocre.

Mas a “roda” começou, claramente, a “desandar”, a partir do início de 2020: vitórias muito sofridas, em casa, ante o D. Aves, a B. SAD e, para a Taça, com o Famalicão, evidenciavam que algo não estava bem. A derrota no Porto seria o ponto culminante, do qual a equipa não conseguiria, nunca mais, recuperar.

As conferências de imprensa que eram um bálsamo (Bruno Lage nunca deixava de, pedagogicamente, de forma entusiasmada e completamente aberta, explicar as opções tomadas e dissecar as incidências de cada jogo) começaram gradualmente – à medida que os resultados negativos se iam tornando recorrentes – a banalizar-se, como se o discurso se tivesse de alguma forma esgotado, passando a socorrer-se de chavões e generalidades, “jogando mais à defesa”.

A contagiante alegria que transmitia, assim como alguma inocência e a genuinidade que transparecia foram-se esvaindo. Jogo após jogo, Bruno Lage parecia carregar um fardo cada vez mais pesado, aparentando crescente impotência para dar a volta à situação, pese embora, teimosamente, nunca tivesse deixado de acreditar, até ao fim (mesmo após a derrota na Madeira?).

O empate em Famalicão, que proporcionou o apuramento para a final da Taça, e as igualdades com Moreirense e V. Setúbal – ainda antes da interrupção do campeonato – eram sinais inequívocos. Depois de três meses de paragem, a retoma revelou-se penosa: outros dois empates, com Tondela e Portimonense, antes dos fatais desaires com o Santa Clara e Marítimo, função de erros defensivos primários (a par de uma quase total eficácia dos adversários).

Lamentável foi a forma como – ainda no cargo – a Direcção do Benfica logo começou, de forma atabalhoada, em notório desespero, a busca do seu sucessor, fragilizando ainda mais a sua posição, de incómodo extremo no que viria a ser o seu último desafio, na Madeira, em que, uma vez mais, faltou uma “pontinha” de felicidade, para evitar o descalabro.

Por tudo o que deu ao Benfica, Bruno Lage – um de nós, que tanto gostava de, no centro do relvado, fitar os adeptos nas bancadas – não merecia, nem a infeliz sucessão de resultados, que acabariam por ditar a sua saída, nem, sobretudo, a forma como foi “destratado” pela “estrutura” do clube.

Recupero as palavras de Vasco Mendonça, no “Expresso“:

Lembro-me que, depois de confirmado o 37, tinha elaborado mentalmente uma série de agradecimentos que partilharia se por acaso voltasse a cruzar-me contigo. Pelo título, claro, mas também pela cultura desportiva e pelos momentos dentro do 37: a reviravolta no primeiro jogo, a vitória no Dragão, o 10-0, outra reviravolta contra o Portimonense, uma das celebrações mais viscerais que este estádio da Luz viveu. […]

Há uma frase da qual tão cedo não me vou esquecer. Depois da vitória no Dragão, uma daquelas que dá a um treinador aquele capital que os benfiquistas reservam para os grandes, disseste humildemente que os jogadores fizeram de ti treinador. Tudo aquilo soou estranhamente decente no contexto do futebol português e foi-se prolongando ao ponto de até os adeptos dos rivais reconhecerem essa qualidade, um acontecimento muito raro por cá.

Não sei se os mesmos jogadores que fizeram de ti treinador campeão decidiram fazer de ti, por agora, treinador sem clube. Não sei exactamente em que parte do caminho é que te perdeste, ou se era eu que estava demasiado inebriado pelo milagre da época passada para ver o que estava à nossa frente. Talvez seja um pouco das duas coisas.

Suspeito que um dia saberemos todos melhor o que se passou e porque é que, de forma meio angustiante, te foste tornando parte do problema. Será que aceitaste ser parte do problema? Ou será que parte desse problema te foi imposto? Sinceramente ainda não percebi, mas uma coisa é evidente: acabaste por ser a única parte do problema que esta direcção pareceu interessada em resolver, ou seja, resolvendo pouco ou nada. Tu dirás de forma simples que é a vida de um treinador. E a vida de um adepto do Benfica é pedir a tua cabeça quando se ganha 2 jogos em 13. Faz parte. É um final triste, mas tenho a certeza que foi um dos maiores privilégios da tua vida.

Disseste uma vez, quase sem voz na noite mais feliz da tua passagem pelo clube, que era importante reconhecer a mais valia do adversário no momento das derrotas para que este reconhecesse a nossa mais valia no momento das vitórias. Obrigado pela decência que emprestaste ao cargo na maioria dos momentos. Não serviu para ganhar todos os jogos, mas penso que conquistou o respeito de muitos benfiquistas. Felicidades.

3 Julho, 2020 at 11:37 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/16 Final (2.ª mão)

                                2ª mão      1ª mão       Total
Espanyol - Wolverhampton          3-2         0-4         3-6
Istanbul Başakşehir - Sporting    4-1 (a.p.)  1-3         5-4
Ajax - Getafe                     2-1         0-2         2-3
FC Porto - Bayer Leverkusen       1-3         1-2         2-5
Celtic - København                1-3         1-1         2-4
Basel - APOEL                     1-0         3-0         4-0
Sevilla - CFR Cluj                0-0         1-1         1-1
Arsenal - Olympiakos              1-2 (a.p.)  1-0         2-2
LASK Linz - AZ Alkmaar            2-0         1-1         3-1
Manchester United - Brugge        5-0         1-1         6-1
Inter - Ludogorets                2-1         2-0         4-1
RB Salzburg - E. Frankfurt        2-2         1-4         3-6
Benfica - Shakhtar Donetsk        3-3         1-2         4-5
Malmö - Wolfsburg                 0-3         1-2         1-5
Gent - Roma                       1-1         0-1         1-2
Sp. Braga - Rangers               0-1         2-3         2-4

Um (inesperado) descalabro total, com as quatro equipas portuguesas a serem eliminadas!

Seguem para os 1/8 de final três clubes da Alemanha; dois da Espanha, Inglaterra e da Itália; e um da Áustria, Dinamarca, Escócia, Grécia, Suíça, Turquia e Ucrânia.

Assinalam-se também as surpreendentes eliminações do Ajax, finalista da Liga Europa em 2017 e semi-finalista da Liga dos Campeões da época passada, e do Arsenal, também finalista na última edição da Liga Europa, duas das equipas que tinham fortes aspirações nesta competição.

27 Fevereiro, 2020 at 10:57 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/16 de final – Benfica – Shakhtar Donetsk

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Francisco Ferreira “Ferro”, Alejandro “Álex” Grimaldo, Francisco “Chiquinho” Machado (67m – Haris Seferović), Julian Weigl, Adel Taarabt, Rafael “Rafa” Silva, Luís Fernandes “Pizzi” (79m – João Filipe “Jota”) e Dyego Sousa (79m – Carlos Vinicius)

Shakhtar DonetskShakhtar Donetsk – Andriy Pyatov, Domilson dos Santos “Dodô”, Serhiy Kryvtsov, Mykola Matviyenko, Ismaily dos Santos, Marcos Antônio, Taras Stepanenko, Marlos Bonfim (62m – Mateus “Tetê” Martins), Alan Patrick Lourenço (90m – Davit Khocholava), Taison Freda (86m – Yevhen Konoplyanka) e Júnior Moraes

1-0 – Luís Fernandes “Pizzi” – 9m
1-1 – Rúben Dias (p.b.) – 12m
2-1 – Rúben Dias – 36m
3-1 – Rafael “Rafa” Silva – 47m
3-2 – Taras Stepanenko – 49m
3-3 – Alan Patrick Lourenço – 71m

Cartões amarelos – Rafael “Rafa” Silva (50m); Ismaily dos Santos (43m), Taison Freda (83m) e Yevhen Konoplyanka ((87m)

Árbitro – Björn Kuipers (Holanda)

Frustração e apreensão são as palavras que prevalecem no fim deste jogo, desta eliminatória e de mais uma campanha europeia do Benfica.

Ser eliminado assim – por um adversário supostamente ao alcance, de nível reconhecidamente inferior, e de forma tão prematura (logo no primeiro confronto a eliminar) – custa bastante.

A forma como se consumou o desfecho – depois de, por três vezes, o Benfica ter estado em vantagem na eliminatória (a primeira delas ainda na Ucrânia, aquando do golo do empate), e, de igualmente, ter visto esfumar-se tal posição em menos de cinco minutos, em cada uma dessas três ocasiões -, a par do histórico recente na Europa, suscita dupla inquietude: de forma mais lata, sobre a dificuldade que o clube vem manifestando em se afirmar a este nível competitivo; no imediato, para o que resta desta temporada, e depois de um mês de Fevereiro bastante negativo, se será possível a equipa “regenerar-se” a tempo de conseguir ainda segurar o 1.º lugar no campeonato…

Vindo da Ucrânia com uma desvantagem, mesmo que pela margem mínima, mas, pelo menos, tendo marcado fora, o Benfica sabia que o 1-0 seria suficiente para seguir em frente, mas também estava consciente – o próprio Bruno Lage o reconheceu – dos riscos que a equipa adversária (uma bem trabalhada miscelânea ucraniano-brasileira) apresentava, pelo que, em bom rigor, seria expectável a necessidade de marcar mais do que o tal golo solitário.

E as coisas até começaram da melhor forma, com uma entrada assertiva, com uma equipa a procurar mostrar-se “mandona”, e, melhor que isso, a conseguir resultados práticos ainda não estavam decorridos dez minutos, com o golo de Pizzi, num remate que surpreendeu a defensiva contrária – sendo que, já antes, Taarabt dispusera de oportunidade flagrante para ameaçar a baliza contrária.

Contudo, logo de seguida, começaria a manifestar-se o que, afinal, seria a tónica desta eliminatória: a incapacidade benfiquista em preservar a vantagem. Apenas três minutos volvidos, na primeira descida do Shakhtar, na sequência de um cruzamento perigoso, numa embrulhada na área com Júnior Moraes e Ferro, Rúben Dias acabaria por ser infeliz, com o contacto na bola a provocar que ela se introduzisse na sua própria baliza.

O Benfica acusou o toque, passou por uma fase de alguma instabilidade, que o Shakthar aproveitou para voltar a criar perigo – Ismaiy rematou ao poste -, valendo então, principalmente, as intervenções atentas de Vlachodimos.

Conseguindo serenar, e voltando a assumir a iniciativa do jogo, o Benfica veria os seus esforços recompensados com o segundo golo, com o mesmo Rúben Dias a redimir-se, marcando de novo, desta vez na “baliza certa”, com um excelente cabeceamento, na sequência de um canto. A eliminatória estava empatada.

Até final do primeiro tempo, o Benfica manteria a toada ofensiva, mas Dyego Sousa permitira a defesa a Pyatov, quanto tinha Pizzi na expectativa da assistência.

Após uma boa exibição do conjunto benfiquista, jogando com intensidade, o resultado tangencial ao intervalo era até algo lisonjeiro para a formação ucraniana…

E se o jogo tinha começado sob bons auspícios, seria difícil que a segunda parte tivesse melhor início, com o Benfica a ampliar a vantagem para 3-1, logo ao segundo minuto!

Num atraso mal medido para o guardião, surgiu, muito oportuno, Dyego Sousa, a interceptar a bola, e, tendo perdido o “timing” para visar as redes, teve ainda a lucidez para, num centro atrasado, solicitar o remate fulgurante de Rafa.

Porém, este “desafogo” do Benfica – com a eliminatória então ganha, e quando se esperaria que pudesse continuar a dominar e, porventura, voltar a marcar, um pouco à imagem do jogo precedente, com o Zenit – não duraria outros dois minutos, altura em que sucedeu o momento determinante da partida e, consequentemente, da eliminatória; Vlachodimos ainda começou por sacudir para canto uma bola que levava muito perigo, mas – há sempre um “mas”… -, também na sequência desse lance de bola parada, Stepanenko voltou a colocar a diferença num tangencial 3-2, o que acabaria por ser decisivo.

O Benfica voltava a necessitar marcar – e, bem vistas as coisas, até tinha quase toda a segunda parte para tal -, mas a verdade é que nunca mais conseguiu explanar o futebol que apresentara na metade inicial do encontro, ao mesmo tempo que continuava a denotar intranquilidade no sector defensivo.

A meio desssa etapa complementar, Bruno Lage arriscou, fazendo entrar Seferović – que, de imediato, até teria uma boa ocasião para chegar ao tal ansiado quarto golo, todavia cabeceando ao lado -, e, desta feita, não obstante o Benfica não tenha marcado, bastariam dois minutos para, em mais um de vários contra-ataques rápidos, o Shakhtar marcar o seu terceiro golo, num cruzamento atrasado de Taison, com Alan Patrick a empatar a 3-3, e, virtualmente, a sentenciar o desfecho da eliminatória.

As apostas ofensivas do Benfica para os derradeiros dez minutos seriam já em “desespero de causa” e, como é regra nestas situações, não frutificariam (pese embora Vinicius pudesse ter sido mais feliz). Chegou, aliás, a pairar a eventual ameaça de a turma portuguesa poder mesmo acabar por vir a perder o jogo, o que, a ter ocorrido, seria castigo excessivo. O empate já foi suficientemente amargo…

27 Fevereiro, 2020 at 10:53 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/16 de final (1.ª mão)

Wolverhampton – Espanyol – 4-0
Sporting – Istanbul Başakşehir – 3-1
Getafe – Ajax – 2-0
Bayer Leverkusen – FC Porto – 2-1
København – Celtic – 1-1
APOEL – Basel – 0-3
CFR Cluj – Sevilla – 1-1
Olympiakos – Arsenal – 0-1
AZ Alkmaar – LASK Linz – 1-1
Brugge – Manchester United – 1-1
Ludogorets – Inter – 0-2
E. Frankfurt – RB Salzburg – 4-1
Shakhtar Donetsk – Benfica – 2-1
Wolfsburg – Malmö – 2-1
Roma – Gent – 1-0
Rangers – Sp. Braga – 3-2

20 Fevereiro, 2020 at 9:57 pm Deixe um comentário

Liga Europa – 1/16 de final – Shakhtar Donetsk – Benfica

Shakhtar DonetskShakhtar Donetsk – Andriy Pyatov, Serhiy Bolbat, Serhiy Kryvtsov, Mykola Matviyenko, Ismaily dos Santos, Alan Patrick Lourenço (80m – Marcos Antônio), Taras Stepanenko, Marlos Bonfim (83m – Yevhen Konoplyanka), Viktor Kovalenko, Taison Freda (90m – Mateus “Tetê” Martins) e Júnior Moraes

BenficaBenfica – Odysseas Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Francisco Ferreira “Ferro”, Alejandro “Álex” Grimaldo, Luís Fernandes “Pizzi” (90m – Andreas Samaris), Adel Taarabt, Florentino Luís, Franco Cervi, Francisco “Chiquinho” Machado  (79m – Rafael “Rafa” Silva) e Haris Seferović (69m – Carlos Vinicius)

1-0 – Alan Patrick Lourenço – 56m
1-1 – Luís Fernandes “Pizzi” (pen.) – 67m
2-1 – Viktor Kovalenko – 72m

Cartão amarelo – Florentino Luís (90m)

Árbitro – Robert “Bobby” Madden (Escócia)

Começam a faltar palavras para qualificar os sucessivos (maus) desempenhos do Benfica nas competições europeias, em anos recentes.

Quando o mínimo que se pode dizer é que o resultado foi o menos mau, numa noite em que a equipa benfiquista se apresentou completamente desconexa, perdida dentro de campo, falha de intensidade, os sinais não são animadores.

Depois da exibição no último jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões, em que o Benfica se superiorizou claramente ao líder da liga russa, Zenit, o comportamento evidenciado em Kharkiv traduz uma clara regressão.

Defrontando uma formação ucraniana – de regresso à competição após uma “pausa de Inverno” de dois meses – que, mais do que ataque organizado, privilegia as transições rápidas, o Benfica, entrando também na expectativa, ainda conseguiu começar por equilibrar a toada de jogo, no quarto de hora inicial.

Porém, a partir de meio da primeira parte, começaram a vir ao de cima as fragilidades defensivas que têm sido notórias nos últimos jogos, com a turma portuguesa incapaz de encontrar o posicionamento adequado dentro de campo, para contrariar o carrossel do Shakhtar, então a começar a rodopiar em crescente aceleração.

O primeiro susto – com Marlos, na sequência de um contra-ataque, a introduzir a bola na baliza contrária – foi “cancelado” pelo “VAR”, a não validar o que teria sido o tento inaugural do grupo ucraniano. Mas o Shakhtar continuaria a fazer “gato-sapato” das (inoperantes) marcações dos defesas contrários, valendo, nessa fase, a atenção e o acerto de Vlachodimos para evitar males maiores, a par de uma bola salva por Tomás Tavares.

O nulo no final da metade inicial do desafio era claramente lisonjeiro para o Benfica. Mas as coisas iriam piorar no segundo tempo…

O Shakthar necessitaria, então, de apenas dez minutos para, em mais uma jogada envolvente, materializar em golo a sua notória superioridade – isto depois de, no entretanto, o guardião benfiquista ter sido já chamado a outras duas intervenções apertadas (a deter os remates de Júnior Moraes e de Marlos), para além de ter visto uma bola embater no poste da sua baliza (a remate de Ismaily).

Procurando esboçar uma reacção, o Benfica teria a felicidade de, sem até então ter feito grande coisa por isso, rapidamente chegar ao golo, restabelecendo a igualdade no marcador. Tomás Tavares, já na pequena área contrária, surgiria a desviar um passe de Cervi, lance que seria também objecto de análise pelo “VAR”, na perspectiva de um “fora-de-jogo”, mas do qual acabaria por resultar, paralelamente, o assinalar de grande penalidade, por toque sobre o mesmo Cervi. Pizzi, muito focado, não desperdiçaria a ocasião.

Pensou-se que, motivada pelo golo, a formação portuguesa poderia então aproveitar alguma eventual oscilação dos ucranianos/brasileiros do Shakhtar, até em função da sua natural falta de ritmo para disputar noventa minutos em alta rotação.

Puro engano: os visitados não deram sinal de ter acusado o golo sofrido, mantendo a dinâmica e não seriam precisos mais do que cinco minutos para se voltarem a colocar em vantagem, aproveitando uma falha clamorosa de Rúben Dias – descaído sobre a direita, já próximo da linha de fundo, a não despachar, perdendo a bola para Júnior Moraes, que ofereceu o golo a Kovalenko.

A entrada em campo de Rafa parecia ser um sinal de algum inconformismo (Grimaldo tentaria ainda a sorte por duas vezes), mas, na verdade, nos minutos finais, o Benfica preocupar-se-ia, sobretudo, em não deixar ampliar a diferença, frente a um grupo versátil e hábil, muito bem orientado por Luís Castro.

No final, mantendo em aberto o desfecho da eliminatória, a tendência apenas poderá ser revertida se o Benfica conseguir, em Lisboa, uma exibição de sinal diametralmente oposto, assumindo a iniciativa e procurando não apenas controlar, mas dominar o jogo. Será capaz disso?

20 Fevereiro, 2020 at 8:50 pm Deixe um comentário

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