Archive for 13 Junho, 2004

ELEIÇÕES PARLAMENTO EUROPEU – RESULTADOS

A última informação de que disponho sobre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu aponta os seguintes números:

PS – 44,5 % (12 mandatos)
PPD-PSD/CDS-PP – 33,2 % (9 mandatos)
PCP-PEV – 9,1 % (2 mandatos)
BE – 4,9 % (1 mandato)
PCTP-MRPP – 1,1 %
PND – 1,0 %

Como referiu o “cabeça de lista” da coligação derrotada, estas foram umas eleições que se realizaram num “contexto muito especial”: pelo acontecimento trágico do falecimento de Sousa Franco; com uma forte taxa de abstenção (61,2 %).

Independentemente destas condicionantes – que, acredito, não terão tido influência significativa nos resultados finais – objectivamente, constata-se:

(i) a mais clara vitória “de sempre” dos partidos “de esquerda”: mais de 60 % dos votos (!);

(ii) a mais baixa votação “de sempre” dos partidos coligados na “Força Portugal”;

(iii) neste contexto de forte abstenção, a coligação PCP-PEV consegue um “mínimo de resistência” (representando eventualmente os 9,1 % que obtém uma percentagem bastante superior ao seu actual “efectivo peso eleitoral”);

(iv) da mesma circunstância beneficiará o Bloco de Esquerda (com um eleitorado “mais militante”) para obter um muito bom resultado e conseguir eleger Miguel Portas para o Parlamento Europeu – podendo inclusivamente supor-se que a força política que representa terá hoje um peso eleitoral superior ao do partido do seu irmão Paulo Portas, o que não deixa de ser uma “novidade”;

(v) A “Nova Democracia” (1,0 %) não consegue uma “visibilidade mínima”, no que constitui uma derrota pessoal de Manuel Monteiro, embora numa conjuntura difícil (quedou-se mesmo atrás do PCTP-MRPP – que continuará, ainda hoje, a beneficiar da “confusão de símbolos” com o PCP (?)).

… Podendo depreender-se que, hoje por hoje, o “peso eleitoral do CDS-PP” será muito reduzido.

E, extrapolando, que a coligação governamental não traduzirá qualquer valor acrescentado ao PPD-PSD, antes pelo contrário, eventualmente penalizará mesmo os seus resultados.

Concluindo que, parece tornar-se notório, que a coligação sai muito abalada destas eleições – em que é claro o “cartão amarelo” mostrado ao governo -, dificilmente podendo “sobreviver” até à próxima legislatura.

A nível europeu, o Partido Popular Europeu mantém a maioria no Parlamento Europeu; o Partido Socialista Europeu não conseguiu atingir resultados nos “grandes países” que lhe permitissem inverter a composição da “Assembleia Europeia” (tendo o PS português obtido o melhor resultado de todos os socialistas na Europa).

Segundo as projecções disponíveis, o Partido Popular Europeu e os Democratas Europeus (PPE- DE), alcançará entre 247 a 277 eurodeputados (dos quais, 7 do PPD-PSD); o Partido dos Socialistas Europeus (PSE), entre 189 a 209 eurodeputados (12 do PS); a Esquerda Unitária Europeia, entre 30 a 40 deputados europeus (2 do PCP); e a União para a Europa das Nações, entre 22 e 30 deputados (2 do CDS-PP).

P. S. É a seguinte a composição final do Parlamento Europeu, por países e por “famílias partidárias”:

             PPE  PSE ELDR Verdes  EUE  UEN  EDD Outros Total
Alemanha      49   23    7    13     7    -    -     -    99
França        28   31    -     6     3    -    -    10    78
Itália        28   15    9     2     7    9    -     8    78
Reino Unido   28   19   12     5    -    -    12     2    78
Espanha       23   24    1     5     1    -    -     -    54
Polónia       18    8    4     -     -    7    -    17    54
Países Baixos  7    7    5     2     2    -    2     2    27
Bélgica        7    7    5     2     -    -    -     3    24
Grécia        11    8    -     -     4    -    -     1    24
Hungria       13    9    2     -     -    -    -     -    24
Portugal       7   12    -     -     2    2    -     1    24
R. Checa      11    2    -     -     6    -     -    5    24
Suécia         5    5    3     1     2    -    -     3    19
Áustria        6    7    -     2     -    -    -     3    18
Dinamarca      1    5    4     -     2    1    1     -    14
Eslováquia     8    3    -     -     -    -    -     3    14
Finlândia      4    3    5     1     1    -    -     -    14
Irlanda        4    2    -     1     -    4    -     2    13
Lituânia       3    2    3     -     -    -    -     5    13
Letónia        3    -    1     1     -    4    -     -     9
Eslovénia      4    1    2     -     -    -    -     -     7
Chipre         2    -    1     -     2    -    -     1     6
Estónia        1    3    2     -     -    -    -     -     6
Luxemburgo     3    1    1     1     -    -    -     -     6
Malta          2    3    -     -     -    -    -     -     5
             276  200   67    42    39   27   15    66   732

PPE . Partido Popular Europeu
PSE . Partido Socialista Europeu
ELDR . Liberais, Democratas e Reformistas
Verdes . Verdes / Aliança Livre Europeia
EUE . Esquerda Unitária Europeia / Esquerda Verde Nórdica
UEN . União para a Europa das Nações
EDD . Europa das Democracias e das Diferenças

[1415]

13 Junho, 2004 at 11:25 pm 1 comentário

EURO 2004 – RESULTADOS E CLASSIFICAÇÕES

GRUPO A           Jg  V  E  D   G  Pt   Portugal-Grécia....1-2
1 Grécia     Grécia   1  1  -  -  2-1  3   Espanha-Rússia.....1-0
2 Espanha    Espanha   1  1  -  -  1-0  3   Grécia-Espanha.....
3 Portugal   Portugal   1  -  -  1  1-2  -   Rússia-Portugal....
4 Rússia     Rússia   1  -  -  1  0-1  -   Espanha-Portugal...                                        
                                        Rússia-Grécia......

GRUPO B           Jg  V  E  D   G  Pt   Suíça-Croácia......0-0
1 França     França   1  1  -  -  2-1  3   França-Inglaterra..2-1
2 Suíça      Suíça   1  -  1  -  0-0  1   Inglaterra-Suíça...
3 Croácia    Croácia   1  -  1  -  0-0  1   Croácia-França.....
4 Inglaterra Inglaterra   1  -  -  1  1-2  -   Croácia-Inglaterra.                                     
                                        Suíça-França.......

GRUPO C           Jg  V  E  D   G  Pt   Dinamarca-Itália...
1 Suécia     Suécia   -  -  -  -  ---  -   Suécia-Bulgária....
2 Bulgária   Bulgária   -  -  -  -  ---  -   Bulgária-Dinamarca.
3 Dinamarca  Dinamarca   -  -  -  -  ---  -   Itália-Suécia......
4 Itália     Itália   -  -  -  -  ---  -   Itália-Bulgária....
                                        Dinamarca-Suécia...

GRUPO D           Jg  V  E  D   G  Pt   Alemanha-Holanda...
1 R. Checa   R. Checa   -  -  -  -  ---  -   R. Checa-Letónia...
2 Letónia    Letónia   -  -  -  -  ---  -   Letónia-Alemanha...
3 Alemanha   Alemanha   -  -  -  -  ---  -   Holanda-R. Checa...
4 Holanda    Holanda   -  -  -  -  ---  -   Holanda-Letónia....
                                        Alemanha-R. Checa..

[1414]

13 Junho, 2004 at 10:55 pm

EURO 2004 – GRUPO B – 1ª JORNADA

SuíçaCroácia0-0

De acordo com as crónicas do jogo, a Croácia procurou impor o seu poderio físico, dominando em termos de tempo de posse de bola.

Num jogo bastante faltoso, o árbitro português vê-se obrigado a exibir o cartão vermelho a um jogador suíço, obrigando a equipa Suíça a jogar em inferioridade numérica desde os 50 minutos.

A Croácia procurou tirar vantagem da situação mas não mostrou “engenho e arte” para chegar ao golo, desperdiçando duas ou três jogadas de perigo; a Suíca conseguiria, ainda assim, levar também o perigo à baliza croata, mas sem consequências.

Um jogo algo desinteressante, não muito bem jogado.

Suíça Jörg Stiel, Bernt Haas, Patrick Mueller, Murat Yakin, Christoph Spycher, Raphael Wicky (83m – Stéphane Henchoz), Johann Vogel, Benjamin Huggel, Hakan Yakin (87m – Daniel Gygax), Stephane Chapuisat (54m – Fabio Celestini), Alexander Frei

Croácia Tomislav Butina, Dario Simic (61m – Darijo Srna), Robert Kovac, Josip Simunic, Boris Zivkovic, Ivica Mornar, Niko Kovac, Nenad Bjelica (73m – Giovanni Rosso), Ivica Olic (45m – Milan Rapaic), Dado Prso, Tomislav Sokota

“Melhor em campo” – Jörg Stiel

Amarelos – Johann Vogel (5m), Benjamin Huggel (41m) e Jörg Stiel (73m); Dado Prso (13m), Nenad Bjelica (30m), Milan Rapaic (48m), Josip Simunic (51m) e Ivica Mornar (53m)

Vermelho – Johann Vogel(50m – Acumulação amarelos)

Árbitro – Lucílio Baptista (Portugal)

Estádio Dr. Magalhães Pessoa – Leiria (17h45)


FrançaInglaterra2-1

E, ao 2º dia, “ela” aí está: a “magia do futebol”!…

Começando pelo fim (pelos dois golos de Zidane): a vitória da França parece-me justa.

Até aos 38 minutos, momento em que Lampard marcou o primeiro golo, para a Inglaterra, a “única equipa” em campo tinha sido a da França, segura, confiante, e, decididamente, a querer ganhar o jogo; com um período “alto”, entre os 10 e os 20 minutos, em que, por três vezes (14, 16 e 20 minutos) levou o perigo à área da Inglaterra – que até aí não conseguira ainda “entrar no jogo”, não denotando capacidade para jogar “de igual para igual” com a França.

A partir dos 20 minutos, a Inglaterra conseguiu de alguma forma “equilibrar” o jogo; até que, aos 38 minutos, num livre (do lado direito) superiormente marcado por Beckam, apareceu Lampard a antecipar-se a toda a defesa francesa e a marcar um golo, claramente “contra-a-corrente”.

Contudo, esse golo viria a “abalar” bastante a poderosa equipa francesa que nunca mais se encontrou, ao longo de quase uma hora (mostrando que mesmo o Campeão Europeu pode “acusar” significativamente um golo sofrido), tentando jogar em “rendilhados” dentro da área, com Zidane pouco feliz e Henry e Trezeguet “desastrados” na finalização.

Uma França que dava já a imagem de não ser capaz de inverter a situação (tendo inclusivamente Beckam desperdiçado, aos 70 minutos, a possibilidade de “resolver” o jogo, ao permitir a Barthez uma magnífica defesa de um penalty)… até que surgiu então a magia de Zidane: primeiro, num livre magistralmente executado, já em período de descontos; quando todos pensariam que a Inglaterra tinha deixado escapar a vitória, eis que, aos 93 minutos, surge um penalty, que possibilitou a reviravolta no marcador; foi o desespero inglês, sofrendo uma punição que não esperava, um remake (desta vez de sentido contrário) da final da Liga dos Campeões entre o Manchester United e o Bayern, de há alguns anos atrás.

Num estádio da Luz transformado num “Wembley a 3/4” (os adeptos franceses estavam limitados a cerca de 1/4 da lotação), assisti durante cerca de uma hora, no meio de um “mar de ingleses” aos seus cânticos “de vitória”. Ingleses que ficariam completamente incrédulos com o que aconteceu no período de descontos.

Concluo como iniciei: a França é melhor equipa que a Inglaterra, mereceu a vitória, mas mostrou que também pode sofrer de “grande intranquilidade” quando (inesperadamente) se vê a perder.

E, claro, acabou por ter a “sorte dos campeões”… ou, “quem tem Zidane, tem tudo” (foi ele quem mais lutou para inverter o rumo do jogo e, talvez o único que sempre mostrou serenidade perante a situação adversa).

França Fabien Barthez, Lilian Thuram, William Gallas, Mikael Silvestre (79m – Willy Sagnol), Bixente Lizarazu, Robert Pires (76m – Sylvain Wiltord), Patrick Vieira, Claude Makelele, Zinedine Zidane, Thierry Henry, David Trezeguet

Inglaterra David James, Gary Neville, Ledley King, Sol Campbell, Ashley Cole, David Beckham, Frank Lampard, Steven Gerrard, Paul Scholes (76m – Owen Hargreaves), Wayne Rooney (76m – Emile Heskey), Michael Owen (69m – Darius Vassell)

“Melhor em campo” – Zidane

0-1 – Lampard – 38m
1-1 – Zidane – 91m
2-1 – Zidane – 93m (P)

Amarelos – Robert Pires (49m) e Mikael Silvestre (72m); Paul Scholes (53m) e Frank Lampard (70m)

Árbitro – Markus Merk (Alemanha)

Estádio da Luz – Lisboa (19h45)

[1413]

13 Junho, 2004 at 10:25 pm

REVISTA DA SEMANA

Visão (10 Junho)

“Os tempos são de festa do futebol, com o início do Campeonato Europeu em Portugal.

Marcelo Rebelo de Sousa tinha dado o mote, Luís Felipe Scolari renovou o apelo, e o País engalanou-se com bandeiras nacionais. Desde o início da semana, que a bandeira está à janela das residências, empresas, carros e táxis um pouco por todo o lado. É o Euro 2004 a dar um novo ânimo ao ego português.

A América de luto – A morte de duas importantes figuras do panorama político e artístico norte-americano marcam também os dias do outro lado do Atlântico. Por Ronald Reagan, o governo decretou luto nacional. Com o adeus de Ray Charles, a Soul fica também irremediavelmente mais pobre.

Homenagens no Parlamento – A Assembleia da Republica vai homenagear na próxima quarta-feira a memória do seu vice-presidente Lino de Carvalho, cujo funeral decorre esta sexta-feira, e do antigo parlamentar Sousa Franco.

Aprovada transferência da soberania – O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou por unanimidade a resolução que apoia a transferência da soberania para o novo governo iraquiano a partir de 30 de Junho. Os EUA acreditam que este será o «catalisador» para uma mudança no Médio Oriente.”

P. S. Não esqueça que ainda “vai a tempo” de exercer o seu “direito cívico” de votar!…

[1412]

13 Junho, 2004 at 3:45 pm

“ESTOU ALÉM”

Há 20 anos, partia António Joaquim Rodrigues Ribeiro (então com 39 anos), “imortalizado” como António Variações, em apenas 2 anos de carreira (1982 a 1984), de que relembro particularmente: Estou além; É pra amanhã; O corpo é que paga; Canção de engate; e Povo que lavas no rio (ver discografia).

“Variações é uma palavra que sugere elasticidade, liberdade. E é exactamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos”. (António Variações a “O País” – 14.04.84) – via Citi.pt.

A minha homenagem.

[1411]

13 Junho, 2004 at 9:09 am 3 comentários


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