Archive for 29 Junho, 2004

DURÃO BARROSO PRESIDENTE DA COMISSÃO EUROPEIA

Num mesmo dia (hoje), o Primeiro-Ministro de Portugal, Durão Barroso, anuncia ao país a sua intenção de aceitar o convite para presidir à Comissão Europeia, substituindo o italiano Romano Prodi:

Nenhum líder se deve furtar a dar o seu contributo para uma União Europeia mais forte e mais justa”… “Portugal deve muito à Europa e, quando esta pede o contributo do país, não se deve dizer não“.

…Para, poucas horas depois, ser nomeado oficialmente, pelos líderes europeus reunidos em cimeira extraordinária, em Bruxelas, Presidente da Comissão Europeia (devendo agora esta nomeação ser aprovada pelo Parlamento Europeu):

Designa-se José Manuel Durão Barroso como a personalidade que o Conselho se propõe nomear presidente da Comissão para o período compreendido entre 1 de Novembro de 2004 e 31 de Outubro de 2009“.

Recorrendo às palavras do Comissário Europeu António Vitorino, agora demissionário (o mandato da Comissão termina amanhã, 30 de Junho), “felicito Durão Barroso pela sua indigitação…”. “Os portugueses devem sentir-se orgulhosos da escolha ter recaído num português“.

É claro que há a outra “face da moeda”; ao aceitar um cargo a nível internacional, com a inerente demissão do cargo de Primeiro-Ministro, o Governo de Portugal cessará automaticamente o exercício das suas funções.

Já aqui referi que o Presidente Jorge Sampaio tem “em mãos” uma difícil decisão (dada a contestação que inevitavelmente implicará), mas simultanamente, uma decisão fácil, que é a de – num contexto em que os pressupostos que levaram à formação deste Governo estão colocados em causa – convocar eleições… tal como reforça e justifica hoje, Freitas do Amaral, em “Carta Aberta ao Presidente da República”.

Ou será que alguém tem dúvidas que um Governo chefiado por um Primeiro-Ministro “indigitado” no seio de um partido, na actual conjuntura política e económica portuguesa será um Governo a (curto) prazo? Que seria adiar… o inadiável?

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29 Junho, 2004 at 10:35 pm 3 comentários

LEONARDO (I)

LEONARDO – Pintor, Escultor, Arquitecto, Teórico da arte, Naturalista e Inventor . nasceu na aldeia florentina de Vinci (na Toscana italiana), em 15 de Abril de 1452.

Nos seus primeiros anos de vida, aprendeu as primeiras letras e regras da matemática e, possivelmente, estudou latim, tendo-se iniciado também na arte da pintura.

Em 1469, transferiu-se para Florença com a família, passando a aprendiz na oficina do escultor e pintor Andrea del Verrocchio, onde se manteve até 1478 (então já como .oficial.).

Anunciação

Entretanto, em 1472, Leonardo já se encontrava inscrito na Compagnia di San Luca dos pintores florentinos, tendo iniciado nessa data .A Anunciação., uma tela para o Convento de São Bartolomeo de Monteoliveto.

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29 Junho, 2004 at 6:25 pm

1 ANO DE "MEMÓRIA VIRTUAL" – RETROSPECTIVA (VI)

ANGOLA – PRESENTE E FUTURO

Estive em Angola, em missão profissional, faz agora 2 anos.

Foi uma estadia muito curta (apenas uma semana), em que (razões de segurança oblige…) o circuito diário pouco foi além de Hotel – Empresa e vice-versa.

As imagens mais fortes que retive foram as de um trânsito absolutamente caótico, essencialmente na marginal da bela baía de Luanda, o “enxame” de vendedores ambulantes (circulando pela rua, a pé, em “fila indiana”, vendendo tudo o que se possa imaginar); para tentar fugir ao trânsito da marginal, o atravessar (da zona do porto até à zona das Embaixadas) de uma encosta absolutamente degradada, com “casas” edificadas a partir de todo o tipo de materiais (desde ferro-velho de carros, passando por pedaços de madeira, até todo o tipo de latas…

Não foi possível portanto formar uma ideia mínima sobre o que é Angola hoje.

Pude sentir, não obstante, uma vontade de paz (após 40 anos de guerras ininterruptas – dada a reduzida esperança média de vida no país, uma parte significativa da população não conheceu outra envolvente, sempre tendo (sobre)vivido numa economia de guerra), de reconciliação nacional, de – não obstante o duro passado – esperança no futuro, com objectivos de reconstrução, de reiniciar uma “nova” vida.

Pude aperceber-me também que Angola será concerteza, pelo menos em termos de potencial, um dos países mais ricos de África: o petróleo e os diamantes que foram usados para financiar a guerra deverão constituir a base (para além de outros recursos naturais, como a madeira) da reconstrução do país, com uma redistribuição da riqueza que permitirá que todos os angolanos tenham um nível de vida muito superior ao actual e à altura dos países mais desenvolvidos do mundo.

Portugal terá – e não apenas em função dos laços históricos que unem os dois países, mas também da aposta que alguns portugueses mantiveram ao longo dos últimos anos, que permitiram atingir a liderança em sectores “vitais” da economia como são a construção civil, banca e telecomunicações – um papel activo e de relevo nesse futuro, numa perspectiva de parceria, num jogo de “win-win“, em que ambas as partes só terão a ganhar.

Ainda hoje, farei remissão para uma visão mais objectiva da Angola de hoje, por quem lá vive o seu dia-a-dia; um texto cuja leitura recomendo vivamente.

Texto editado originalmente em 01.11.03.

29 Junho, 2004 at 6:10 pm

1 ANO DE "MEMÓRIA VIRTUAL" – RETROSPECTIVA (V)

GUINÉ-BISSAU – PAÍS DE FUTURO (II)

A chegada a Bissau – para quem contactava pela primeira vez com a realidade africana – foi um “choque”, começando pelo clima tropical (um “bafo” extremamente quente, à saída do avião, no início de Janeiro, com o “ar pesado” devido ao elevado nível de humidade), pelas sumárias “infra-estruturas” do aeroporto; a primeira visita à cidade de Bissau não deixou de ser uma experiência “enriquecedora”: a singeleza da cidade, os seus edifícios degradados, em contraste com a “agressiva” dinâmica do trânsito automóvel (talvez com cerca de 60 % de “táxis”) e com a imensidão de gente que se acumulava à beira da estrada (entre o aeroporto e a cidade) e no “Mercado do Bandim” (se bem me lembro do nome), vendendo de tudo um pouco (principalmente produção agrícola básica, nomeadamente frutas tropicais).

Mas, ao mesmo tempo, a simpatia calorosa do povo guineense, a sua “reverência” para com os portugueses e o instinto de “portugalidade” que transportavam ainda (durante a semana, era fácil ouvir em espaços públicos a RDP Internacional; ao fim-de-semana, toda a gente vibrava com os relatos de futebol; na segunda-feira, discutiam-se as exibições do Benfica, Porto e Sporting como em qualquer localidade portuguesa…).

Um povo que aparentava contentar-se com pouco; não dispondo de uma infinidade de recursos materiais que temos normalmente no nosso dia a dia, mas, não obstante, um povo “feliz”. A esplanada da “Baiana”, numa das principais praças (“Che Guevara”, mesmo ao lado da EAGB) era o ponto de encontro da comunidade portuguesa, assim como o restaurante “Asa Branca” (se bem me recordo dos nomes, a esta distância temporal). Havia até uma discoteca “Kapital”!

A Guiné era um país absolutamente tranquilo, onde era possível, sem qualquer tipo de receio, andar sozinho na rua à noite (por exemplo, na estrada que ligava o aeroporto à cidade, tendo o Hotel a “meio do caminho”), sem qualquer iluminação pública, ou seja, completamente às escuras.

Nada indicava que, cerca de um mês depois, fosse desencadeada uma guerra, nunca completamente esclarecida, mas que terá sido despoletada tendo por motivação a defesa de interesses de um conjunto de militares. Foi um processo doloroso, em que a Guiné terá sofrido grande destruição.

Procurou-se depois instaurar um regime democrático, mas o processo tem sido muito complexo, desde logo com as divergências entre o primeiro-ministro do governo de transição e o Presidente da República (Kumba Ialá) e, mais tarde, com a morte do líder dos revoltosos de 1998 (Ansumane Mané).

Passaram cinco anos. Em que o país esteve “parado”. Um compasso de espera demasiado longo para quem tem tanto (quase tudo) por fazer.

Ontem, novo “golpe de Estado”, como sempre partindo dos militares; que interesses estarão na sua base? Quais os seus objectivos e consequências? Haverá condições para a realização de eleições minimamente livres? Poderemos esperar alguma evolução na democracia guineense no curto prazo?

Para que a Guiné-Bissau possa vir a singrar no contexto dos países da África Ocidental, para que seja um “país de futuro”, é absolutamente imprescindível (passe o pleonasmo e a evidência que se segue) que possa ser “bem governada”; não dispondo de particulares recursos naturais, é essencial que a cooperação internacional seja utilizada em proveito de todos os guineenses e do real desenvolvimento do país. É fundamental que haja estabilidade política que permita criar as condições para atrair o investimento estrangeiro. Não será uma tarefa fácil, mas depende principalmente dos guineenses!

Texto editado originalmente em 15.09.03.

29 Junho, 2004 at 12:30 pm 1 comentário

OBRIGADO

A todos os amigos que me enviaram palavras simpáticas, o meu muito obrigado! Vou gostar muito de poder continuar a “receber as vossas visitas”…

Catarina (100nada), Vítor (A Verdade da Mentira), Rui (Adufe), Almocreve das Petas, Gabriel (Blasfémias), Paulo Gorjão (Bloguitica), Carla (Bomba Inteligente), Fernando (Cidadão do Mundo), MacGuffin (Contra a Corrente), Cruzes Canhoto, Martin Pawley (Dias Estranhos), Duende (Doendes & Duente), Walter (Forum Comunitário), João (Fumaças), Pedro (Icosaedro), Carlos (Ideias Soltas), Innersmile, Isabel, Nuno P. (Janela para o rio), Jcd (Jaquinzinhos), José Manuel, Nuno (Mar Salgado), Alexandre (No Arame), C. A. P. (Prima Desblog), Joaquim (Respirar o mesmo ar), Mário (Retorta), Nuno Guerreiro (Rua da Judiaria), Santa Cita, Homem Neves (Sob a Estrela do Norte), João (Terras do Nunca), The Serendipitous Cacophonies, Jorge Ferreira (TomarPartido), Luís e Carlos (Tugir).

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29 Junho, 2004 at 8:58 am 3 comentários

1 ANO DE "MEMÓRIA VIRTUAL" – RETROSPECTIVA (IV)

GUINÉ-BISSAU – PAÍS DE FUTURO (I)

Estive na Guiné-Bissau no ano de 1998, por duas vezes, nos meses de Janeiro e Abril (regressei cerca de um mês antes do “golpe de Estado” de Ansumane Mané), prestando colaboração profissional na EAGB – Electricidade e Águas da Guiné-Bissau, em missão ao serviço do Banco Mundial.

O Banco Mundial concedera financiamento ao Estado da Guiné-Bissau, a afectar especificamente ao investimento em infra-estruturas de distribuição de água e energia eléctrica. A missão seria recorrente, caso não se tivesse seguido uma época conturbada na história do país, com a paralização quase integral da economia, que terá levado a que o Banco Mundial tivesse de vir a perdoar a dívida.

No segundo semestre de 1998, e também na primeira parte de 1999, as instituições bancárias na Guiné-Bissau estiveram inoperacionais; na época, foi Cardoso e Cunha (antigo Comissário Europeu e depois responsável de primeira linha na EXPO98) que investia numa fábrica de cervejas, a qual viria a funcionar como “banco”, pela intermediação que proporcionava, a nível da disponibilização de fundos.

A EAGB reflectia um pouco a realidade do país: fora dirigida nos anos anteriores por responsáveis franceses (da EDF – Electricité de France), que haviam contribuído para que a empresa se organizasse e equipasse, nomeadamente, em termos administrativos, a nível informático, mas com elevados custos decorrentes das “comissões de gestão” impostas. Encontrava-se em processo de reestruturação, com avultados investimentos em grupos geradores eléctricos (operando a fuel/gasóleo, uma fonte de produção de energia extremamente dispendiosa, uma vez que, na ausência de barragens, o país não dispunha de produção hidro-eléctrica) e em infra-estruturas de distribuição de água.

A gestão francesa acabara de partir (a meio de 1997) e deixara os guineenses um pouco “entregues à sua sorte”. Previa-se a abertura de um processo de privatização da empresa, ao qual se supunha viessem a concorrer, pelo menos, a EDP (portuguesa) e a EDF (francesa); projectos que ficaram adiados.

Os franceses tinham uma presença importante, inclusivamente a nível cultural, mas os resultados da sua intervenção não eram efectivamente visíveis. Podia talvez sublinhar-se como intervenção mais “desinteressada” a cooperação prestada pela Suécia.

As infra-estruturas do país, não obstante os então recentes investimentos em curso, transitavam ainda, em larga medida, da época colonial; o país parecia ter parado nos últimos 25 anos, com traços visíveis de degradação, nomeadamente nos próprios edifícios mais importantes de Bissau.

Texto editado originalmente em 15.09.03.

Há 1 ano no Memória Virtual – Sérgio Godinho no (velho) Estádio de Alvalade – “O Irmão do Meio”

29 Junho, 2004 at 8:44 am


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