Archive for Novembro, 2003

GALIZA E ESPANHA

No passado Domingo, em Santiago de Compostela, a propósito do primeiro ano da tragédia do Prestige, mais de 100 000 pessoas manifestaram-se contra as autoridades regionais e nacionais, responsabilizando-as pela catástrofe, por não terem tomado as medidas adequadas para que fosse evitada e, pior que isso, por, passado esse ano, nada ter mudado e subsistir o risco de novos desastres.

Teria essa manifestação, com um importante carácter regional . Galego ., outros contornos, para além da motivação primária associada ao Prestige? Teria implícito um sentimento nacionalista, ou até algo mais que isso?

Na verdade, não existirá na Galiza um forte sentimento independentista, de forma diferente do que que se verifica no País Basco ou mesmo na Catalunha, em que há partidos abertamente secessionistas com representação (por vezes importante) no Parlamento Regional.

Na Galiza, o BNG, sendo um partido nacionalista, não é explicitamente independentista; os galegos não terão ainda uma ideia definitiva sobre o seu futuro, enquadrados numa hipotética Galiza independente ou numa Espanha federal (eventualmente .Republicana.!), com reforço da autonomia governativa face àquela de que agora dispõem.

Estarão possivelmente mais orientados para um livre relacionamento com Portugal e, por exemplo, chegar a acordos que não tivessem de passar por Madrid; com projectos comuns em matérias decisivas, como é o caso dos transportes (o grande aeroporto internacional para os Galegos acaba sendo o do Porto, e até o de Lisboa, preferencialmente ao de Madrid.).

O que parece claro é que deverá ser possível um debate sobre o modelo de Estado, mas que deve ser realizado de uma forma tranquila e racional, com absoluta normalidade / naturalidade, até porque, no limite, mesmo uma hipotética independência não implicaria necessariamente . de todo . .cortar relações. ou .fechar as fronteiras..

Não obstante, no momento actual, tal debate não parece, no imediato, possível, como se depreende das reacções ao Plano Ibarretxe, uma proposta que sugeria um novo modelo de relação do País Basco com o Estado Espanhol, ao que o governo central retorquiu que, hoje por hoje, .não se pode tocar na Constituição..

O assunto continuará portanto pendente por mais algum tempo.

(Agradeço ao Martin Pawley a decisiva colaboração para este texto, pelos esclarecimentos prestados sobre a posição geral dos Galegos em relação ao enquadramento da Galiza na Espanha).

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20 Novembro, 2003 at 6:32 pm 1 comentário

NOVOS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – HUNGRIA (IV)

A Hungria viria a aliar-se à Alemanha nazi na II Guerra Mundial, recuperando parte dos territórios perdidos (na Eslováquia e nos Cárpatos). Não obstante, em 1944, a Alemanha viria a invadir militarmente o país; na sequência da evolução da Guerra, ainda no mesmo ano, a URSS expulsou os nazis e ocupou a nação, que voltou a ter as fronteiras de 1918.

Em 1946, torna-se numa república popular. O comunismo é oficializado na Hungria em 1949.

Na sequência da morte de Staline na União Soviética (que tutelava o regime húngaro), em 1953 o poder é tomado por Imre Nagy, de linha mais moderada, que tentou uma abertura política, mas que viria a ser destituído em 1955; uma rebelião popular reconduziu-o ao poder em 1956, tendo então proclamado a neutralidade da Hungria e abandonado o Pacto de Varsóvia.

Tal resultou na invasão soviética em Novembro de 1956, que colocou János Kádár no poder, em que se manteria até 1988.

Não obstante, pelas medidas económicas liberalizantes, o país tornara-se percursor da .perestroika.. Desde os anos 60, o chamado novo mecanismo económico fizera da Hungria um dos países do bloco de leste com melhor nível de vida.

Em Outubro de 1989, impulsionado por gigantescas manifestações, o Partido Comunista é dissolvido e reconstituído sob o nome de Partido Socialista; a Hungria abandona o comunismo; em 1990, a oposição chega ao poder com a vitória do Fórum Democrático Húngaro.

O país viria a iniciar o processo de negociações para adesão à União Europeia em 1998. Em Fevereiro de 1999, o Parlamento aprovou a adesão da Hungria à NATO.

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20 Novembro, 2003 at 12:34 pm

"AGENDA"

Dizia a Catarina que, finalmente, descobriu para que serve o “blogue”: funciona como uma agenda!

É verdade, muitas vezes, ao escrever ou ler os “blogues”, vou-me apercebendo (e surpreendendo): já passou mais uma semana; já estamos outra vez no fim do mês!…

Hoje, “já passou mais 1 ano”…

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20 Novembro, 2003 at 8:29 am 1 comentário

1973 – PAZ PARA O VIETNAME

“Assinados em Paris acordos de paz entre o Vietname do Norte e Sul, EUA e Frente de Libertação Nacional, pondo fim a 12 anos de envolvimento americano na guerra, que só termina oficialmente em 1975”.

P. S. Novos agradecimentos, ao Socioblogue (um bom regresso!) e ao Cidadão do Mundo.

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20 Novembro, 2003 at 7:56 am

1973 – GOLPE NO CHILE

“Em 11 de Setembro, uma junta militar liderada pelo general Pinochet assume o poder no Chile, onde institui a ditadura. O golpe verifica-se com uma acção armada violenta, em que é bombardeado e assaltado o palácio presidencial de La Moneda. Salvador Allende, na iminência de cair nas mãos dos insurrectos, suicida-se. Três anos antes, tornara-se o primeiro presidente marxista eleito democraticamente num país sul-americano. O facto iria gerar hostilidades insanáveis, designadamente nos EUA, onde a CIA tem contribuição decisiva para o golpe. A repressão que se segue dará ensejo a que, anos mais tarde, Pinochet seja detido em Londres em função de um pedido de extradição para responder pelos seus crimes”.

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20 Novembro, 2003 at 7:54 am

PORTUGAL-KUWAIT – 8-0

Não é muito relevante – o jogo foi um simples “amigável” – mas Portugal conseguiu hoje a maior “goleada” da sua história futebolística, ao vencer a selecção do Kuwait por 8-0, na inauguração do novo Estádio de Leiria, igualando o resultado que conseguira contra o Liechtenstein na fase de apuramento para o Campeonato da Europa.

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19 Novembro, 2003 at 11:10 pm 3 comentários

EURO 2004 – 16 FINALISTAS

Os .favoritos. acabaram por impor a .lei do mais forte. e a (grande) surpresa acabou por surgir de onde seria talvez mais improvável: a Letónia consegue, pela primeira vez na sua (curta) história, o apuramento para a fase final de uma grande competição internacional de futebol, juntando-se à Espanha, Holanda, Croácia e Rússia; a .fava. acabou por sair à Turquia (3ª classificada no último Mundial . portanto 2ª selecção da Europa no ano passado . e que não consegue agora fazer parte das 16 finalistas.

Assim, marcarão presença em Portugal no próximo ano, na Fase Final do EURO2004, as seguintes selecções (ordenadas de acordo com o ranking mundial da FIFA):
1. França (2ª no ranking mundial, após o Brasil e Campeão Europeu em título); 2. Espanha (3ª); 3. Holanda (6ª); 4. Inglaterra (8ª); 5. Alemanha (9ª); 6. R. Checa (10ª); 7. Itália (11ª); 8. Dinamarca (13ª); 9. Suécia (17ª); 10. Portugal (18ª); 11. Croácia (20ª); 12. Rússia (29ª); 13. Grécia (30ª); 14. Bulgária (40ª); 15. Suíça (43ª); 16. Letónia (56ª).

Os principais ausentes serão portanto: Turquia (7ª no ranking mundial); Irlanda (15ª); Bélgica (16ª); Polónia (24ª); Roménia (25ª); Eslovénia (27ª); Sérvia e Montenegro (36ª) e Noruega (39ª).

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19 Novembro, 2003 at 9:46 pm 2 comentários

COMPORTAMENTOS "IRRACIONAIS"

Porque são assobiados / “vaiados” aqueles que são os ídolos de quem se desloca aos Estádios expressamente para os ver jogar?

Porque se alteram drasticamente os comportamentos individuais no seio de um grupo alargado (“psicologia de massas”)?

Porque “tratamos mal” a quem mais queremos?

Porque cultivamos “jogos de sedução” (do tipo, “não dar o braço a torcer”) em que magoamos quem amamos?

Porque fazemos sofrer os nossos amores ou amigos com “birras” de ciúmes?

Porque, algumas vezes, “quanto pior” (for uma determinada situação), “quanto melhor” (nos sentimos (?))?

Porque adoptamos determinadas práticas que sabemos serem “destrutivas” (como consumir drogas, álcool, tabaco, …)?

Noutra área, porque abrimos – “cavalheirescamente” – a porta do restaurante, para uma “senhora” entrar e porque, ao conduzir um automóvel, temos tanta relutância em deixar “meter-se” à frente uma “mulher”?

Mais grave: porque nos transformamos em potenciais criminosos quando temos um volante nas mãos (por exemplo, na “pista de corridas” da 2ª Circular)?

A lista pode ser quase interminável e completada por si mesmo.

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19 Novembro, 2003 at 6:39 pm

GRUPOS DE PERTENÇA

Não conheço pessoalmente nenhum autor de .blogues..

Nunca sequer falei com nenhum, mesmo que telefonicamente.

Não obstante, tal não me impede de me sentir integrado num determinado .grupo de pertença. informal.

Sem explicação conclusiva (?), há autores de .blogues. de que me sinto muito mais próximo, com os quais me identifico mais.

Reflectindo um pouco sobre o assunto: porque me identifico mais com o 100nada, Terras do Nunca, Bloguítica, Socioblogue, Adufe, O Carimbo, Janela Para o Rio, Retorta, Innersmile, Dias Estranhos e Carta Aberta (os dois últimos, .compagnons-de-route. internacionais, respectivamente da Galiza e do Brasil)?

É claro que, mais importante que tudo, é a .imagem. que vamos construindo dos outros, a partir do que escrevem, os seus .comportamentos., as suas .atitudes., os seus estados de espírito, que nos permitem ir começando a dar forma a um esboço do seu .retrato., com o qual nos .sentimos mais cosy. (aqui se enquadrando, por exemplo, o 100nada, o Socioblogue, o Retorta, o Innersmile); como dizia há tempos, uma pequena informação agora, uma .confissão. depois, e vamos compondo na nossa mente o puzzle.

Muitas vezes, sem darmos por isso, uma troca de comentários aqui, outra ali e começam a gerar-se algumas .cumplicidades virtuais. (de que são exemplo o 100nada, o Socioblogue, o Dias Estranhos, o Carta Aberta, o Retorta, o Innersmile, o Adufe).

Mas há também aqueles que terão uma maior proximidade .natural., em termos de idade (assim o imagino relativamente ao Adufe e ao Janela Para o Rio, por exemplo); formação (aqui, pelo menos, com similitudes com o Adufe); data de início do .blogue. (aqui se enquadrando o Adufe e o Janela Para o Rio), orientações clubísticas (novamente o Janela Para o Rio) ou ideológicas (por exemplo, o Terras do Nunca ou O Carimbo . apesar de, podendo tal parecer um contra-senso, das diferentes ideias que aparentam deixar transparecer a nível político.).

Ou aqueles que têm revelado maior compulsão para .blogar. (em primeiro lugar, destacadíssimo, o Bloguitica, mas também o Adufe, o Janela Para o Rio, o 100nada.).

Curiosamente (ou talvez não…), a BLOGA!? reúne alguns daqueles que considerava já como fazendo parte do meu .grupo de pertença.: 100nada, Adufe, Janela Para o Rio e, como .observadores., o Bloguítica e o Terras do Nunca.

Texto também editado no BLOGA!?

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19 Novembro, 2003 at 1:59 pm 6 comentários

NOVOS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – HUNGRIA (III)

Em 1849, a heróica luta pela independência foi selada com o pacto entre o Imperador Francisco José I e o czar russo, na sequência do qual o exército russo de 200 000 efectivos atravessou os Cárpatos, marchando contra os húngaros, que não puderam oferecer resistência às forças unificadas dos exércitos austríaco e russo.

A Hungria foi integrada no Império Habsburgo unificado. No entanto, nos anos de 1860, as guerras fracassadas dos Habsburgo isolaram internacionalmente a Áustria, que se encontrava numa posição de fragilidade, que viria a proporcionar, em 1867, a conversão do Império numa monarquia dualista de Áustria e Hungria (Império Austro-Húngaro), tendo as duas partes total soberania sobre os seus assuntos internos. Francisco José agia como Imperador em Viena e como Rei em Budapeste, com dois governos separados.

No seguinte meio século, assistiu-se a um florescimento económico e cultural, associado a uma estabilidade política nunca antes vivida.

A I Guerra Mundial colocou termo a esta fase de prosperidade. Em 1918, na sequência do desmoronar da aliança alemã-austríaca-húngara, a integridade histórica do território húngaro foi posta em causa, com a Roménia a reclamar a Transilvânia, a estado eslavo do sul (Jugoslávia) a reclamar a região sul e o estado checoslovaco a reclamar a região norte.

É então proclamada a República. Em 1919, Bela Kun instaura um regime comunista que dura quatro meses. Em 1920 é restaurada a monarquia, tendo sido assinado o tratado de paz de Versalhes, resultando no reconhecimento do desmembrar da Hungria histórica.

A Hungria perdeu 2/3 dos seus antigos territórios e mais de metade da população. No início dos anos 30, a crise económica mundial levou a novos extremismos políticos e nacionalistas; no caso da Hungria, revoltada com o Tratado de Versalhes, formou-se uma estreita relação com a Alemanha e a Itália.

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19 Novembro, 2003 at 8:07 am

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