Archive for 13 Novembro, 2003

MÚSICA CLÁSSICA (IV)

Mas seria Beethoven, já no denominado período do romantismo, o primeiro grande compositor a ter uma carreira .independente. de sucesso.
A música clássica transformou-se finalmente num entretenimento para as classes médias, ao mesmo tempo que as sociedades musicais patrocinavam concertos públicos; a Nona Sinfonia de Beethoven foi escrita, em parte, para responder a uma encomenda da London Philarmonic Society, fundada em 1813, inspirando a criação de outras sociedades do género em Viena, Berlim e Paris.

Já na segunda metade do século XIX, seriam criadas muitas das grandes orquestras independentes e muitas das salas de concerto.

No início do século XX, o concerto de orquestra e a ópera continuaram a ser as principais formas musicais. Proliferaram as sociedades e os festivais.
A I Guerra Mundial acelerou o desenvolvimento da tecnologia de emissão radiofónica; em 1920, havia já várias estações de rádio nos EUA; a BBC foi fundada em 1922, oferecendo generosos patrocínios musicais, tendo criado a sua própria orquestra sinfónica em 1930.

No período do romantismo, destacam-se (entre muitos outros.): Ludwig van Beethoven (1770-1827), com a obra-prima da música, .Nona Sinfonia. – mas também a 3ª (.Heróica.), 5ª, 6ª (.Pastoral.) e 7ª Sinfonias; Niccolo Paganini (1782-1840), com os seus .Concertos para Violino.; Felix Mendelssohn (1809-1847), com a .Sinfonia nº 4); Frédéric Chopin (1810-1849), com os seus .Concertos para piano.; Robert Schumann (1810-1856), com os .Concertos para piano.; Franz Liszt (1811-1886), com a .Sonata para piano. e as .Rapsódias Húngaras.; Johann Strauss (1825-1899), com as suas valsas; Pyotr Tchaikowsky (1840-1893), com a Sinfonia nº 6 (.Patética.), .A Bela Adormecida., .O Quebra-Nozes. e .O Lago dos Cisnes.; Giuseppe Verdi (1813-1901), com .Otello., .La Traviata. e .Falstaff.; Richard Wagner (1813-1883), com .O Anel do Nibelungo., .A Valquíria., .Tristão e Isolda. e .Parsifal..

Até início do século XX, no período pós-romantismo, destacam-se: Giacomo Puccini (1858-1924), com a .Tosca., .La Bohème. e .Madame Butterfly.; Claude Debussy (1862-1918), com os seus prelúdios; Richard Strauss (1864-1949), com .Assim Falava Zaratustra.; Maurice Ravel (1875-1937), com o .Bolero..

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13 Novembro, 2003 at 7:12 pm 2 comentários

PRESTIGE (III)

Breve cronologia dos acontecimentos:

13.11.02 . O petroleiro Prestige, com 77 000 toneladas de fuel a bordo, está em risco de naufrágio, cinco milhas ao largo do Cabo Finisterra.

14.11.02 . Os 14 tripulantes são resgatados de helicóptero, sendo o comandante entregue às autoridades marítimas.

16.11.02 . As autoridades espanholas ordenam que o Prestige, com um grande rombo no casco, navegue para Sul, em direcção à Zona Económica Exclusiva Portuguesa. Uma fragata da marinha portuguesa impede a entrada do petroleiro nessa área.

19.11.02 . O navio não resiste, parte-se em dois e naufraga, cerca de 20 milhas ao largo do Cabo Finisterra. As manchas de fuel na água atingem uma grande dimensão, tornando claro que a maré negra seria inevitável.

20.11.02 . O fuel, muito espesso e gorduroso, começa a dar à costa, confirmando as piores previsões.

23.11.02 . Uma quantidade assinalável de voluntários chega à .Costa da Morte. para ajudar na limpeza das praias, operação de grande envergadura que decorreu ao longo de cerca de três meses.

30.11.02 . O Rei de Espanha e o Príncipe Felipe visitam Muxia, uma das zonas mais afectadas, e ouvem a população desesperada a pedir a intervenção do exército.

10.12.02 . A recém-formada plataforma .Nunca Mais. realiza uma monumental manifestação em Santiago de Compostela, alertando as autoridades para o drama da maré negra.

28.02.03 . É dada por concluída a limpeza das praias, depois de recolhidas manualmente quase 50 000 toneladas de crude.

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13 Novembro, 2003 at 1:58 pm

PRESTIGE (II)

.Às 15:15 do dia 13 de Novembro de 2002, o petroleiro .Prestige., que navegava junto à costa da Galiza, lançava um S. O. S., alertando sobre as suas grandes dificuldades. À deriva durante seis dias, acabou por afundar-se, originando uma catástrofe ecológica e social sem precedentes na nossa história.

Um ano depois, continuamos à espera que se demitam os responsáveis públicos que, com as suas decisões inapropriadas, converteram o acidente numa tragédia para um país.

Este .blogue. não esquece os culpados do desastre, nem compartilha do discurso triunfalista das autoridades, e está consciente de que o governo não adoptou ainda nenhuma medida que possa evitar que algo de semelhante volte a acontecer.

Continuaremos exigindo responsabilidades.

Nunca Mais..

Martin Pawley

..E tal dia fez um ano.. Costuma dizer-se assim para encomendar ao esquecimento os acontecimentos a que damos uma importância desmesurada. Imagino que ao longo destes trezentos e sessenta e cinco dias, os políticos envolvidos no desastre do Prestige repetiram essa sentença com a esperança de conseguir para as suas responsabilidades um esconderijo seguro.

E esta semana completa-se o primeiro aniversário deste acontecimento, um dos mais trágicos da nossa história, que eles converteram em inesquecível com a sua incompetência e sua soberba. Pior seria para nós se fosse cumprido o desejo que o seu negro coração oculta de não sabermos tirar aprendizagem e experiência do que aconteceu.

Agora sabemos que não temos .Estadinho., que a sua autonomia e o seu estatuto são apenas mais uma forma de nos manter submetidos e de anular a nossa capacidade de decisão e de reacção: que ninguém faça nada, porque isto é para se tratar em Madrid, parece ter dito alguém com muito mando. Podem ir caçar, insistiu. E os de cá (que são os mesmos de lá) foram obedientes .a corcear., como diria Ánxel Fole, que quem paga é o .El Corte Inglés..

Mas também aprendemos que não temos Estado. Que aquele ao qual pertencemos por imperativo legal tampouco não serve para nada além de andar com o navio de cima para abaixo soltando merda como quem caga num ventilador. Enquanto uns tantos caçavam e os outros olhavam para o lado, assobiando para o ar.

Naquele momento soubemos de uma vez por todas que o nosso só terá saída se formos capazes de agarrar o futuro com as nossas mãos. Que são as nossas mãos nuas o único instrumento com que contamos para sermos alguém. Que nada podemos esperar de uns políticos mentirosos e falsários que nem se atreviam a vir, porque além disso são cobardes e estúpidos.

E comprovamos com tristeza mas com orgulho como soavam mais de duzentas mil vozes em coro no Obradoiro; como se uniam as mãos das crianças galegas para encadear esta tragédia com um futuro mais esperançoso. Como crescia a indignação enquanto se descobria a indignidade que os cobria e cobrirá. Como as janelas e varandas se enchiam de gritos em branco e negro, enquanto o seu coração remoía ódio e rancor ao contemplar que não aparecia em nenhum lado a resignação e a submissão que esperavam.

E assim, aprendizagem após aprendizagem, fomos construindo uma experiência nova, que vale tanto como dizer, um conhecimento da realidade que nos aproxime um pouco a fazermo-nos donos do nosso futuro. A dizer-lhes que não podemos confiar em ninguém senão em nós mesmos, porque nos demonstraram que nos desprezam tanto quanto são capazes, como de facto fizeram, de insultar e blasfemar impunemente. Dizer-lhes que sabemos que no fundo sabem como grande foi o nosso sofrimento, mas ignoram como é grande agora o nosso conhecimento. Provocaram-nos um grande dano, mas proporcionaram-nos o poder de vislumbrar o caminho da sabedoria: os sábios são livres.

Também nos deixaram um rosário de tristes palavras: .fiozinhos de plasticina., .fuel que se converterá em pedra., .só sabemos que não sabemos.. E outras pérolas das quais só quero destacar mais uma: .cães que ladram nas esquinas., porque na Costa da Morte se diz que os cães que ladram em vésperas de Natal fazem isso para avisar que chegam os esbirros de Herodes para degolar os inocentes.

Haverá quem me diga que não aprecia tais aprendizagens na realidade de hoje, mas quero dizer a quem assim o pense, que as mudanças que se produzem nos corações demoram para se manifestar na sociedade. Por isso me atrevo agora a dizer que faz um ano que começou para muitíssimos galegos um tempo novo e, com a sua força, já NUNCA MAIS nada vai ser como antes..

Xabier P. Docampo
Novembro 2003

P. S. Não pretendendo imiscuir-me em questões do foro interno espanhol, não quis deixar de apresentar o texto (em cuja tradução para português colaborei), tendo em consideração a sua vertente de protesto contra a catástrofe do Prestige, que .não se pode repetir. NUNCA MAIS!

P. S. 2 – Xabier P. Docampo recebeu o Prémio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil em 1995.

P. S. 3 – Estes textos estão editados, em 8 línguas (galego, castelhano, catalão, euskera, português, francês, inglês e italiano), numa página que nos apela a não esquecer a tragédia.

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13 Novembro, 2003 at 8:52 am 1 comentário

UNIÃO EUROPEIA – 1968

Em 1 de Julho, entra em vigor a união aduaneira.

Os direitos aduaneiros aplicados às trocas comerciais intracomunitárias são suprimidos 18 meses antes da data prevista no Tratado de Roma, sendo introduzida a Pauta Aduaneira Comum, que substitui os direitos aduaneiros nacionais aplicáveis ao comércio com o resto do mundo.

O Conselho, o Parlamento e a Comissão debatem a necessidade de democratizar os mecanismos institucionais das Comunidades, bem de os reforçar e alargar, de garantir o futuro da Euratom e de instituir uma cooperação estreita no domínio monetário.

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13 Novembro, 2003 at 7:55 am

1968 – QUEDA DE SALAZAR

“Um hematoma craniano provocado pela queda de uma cadeira determina o internamento de Salazar (que morre em 1970) e a sua substituição por Marcelo Caetano na chefia do governo”.

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13 Novembro, 2003 at 7:54 am

1968 – REVOLUÇÃO DE MAIO

“Na sequência de agitações juvenis verificadas um ano antes em vários pontos do mundo, desencadeia-se em Paris um movimento revolucionário que, durante semanas, instala a anarquia nas universidades (com a ocupação da Sorbonne e Nanterre), alastrando para a rua e propagando-se a toda a França. A contestação, liderada por Daniel Cohn Bandit, põe em causa toda a autoridade (do Estado, do patronato, dos sindicatos, dos pais, dos professores). Começa por ter eco em vastos sectores do operariado, originando uma greve geral, mas a assinatura dos acordos de Grenelle isola os estudantes dos trabalhadores. De Gaulle é alvo de uma gigantesca manifestação de apoio e retoma o controlo da situação”.

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13 Novembro, 2003 at 7:53 am

PRESTIGE (I)

No dia 13 de Novembro de 2002, o petroleiro “Prestige”, com casco simples e 26 anos de idade, de origem liberiana, mas administrado por uma empresa grega, cumpria a rota Letónia-Gibraltar quando enfrentou uma tempestade a 45 quilómetros da região de Finisterra, no noroeste da Espanha. Após sofrer várias avarias, a tripulação pediu ajuda da Guarda Costeira espanhola, que usou helicópteros para resgatar os marinheiros. No mesmo dia, as primeiras manchas negras foram avistadas no mar, tendo atingido as praias no dia 17.

Entretanto, o governo espanhol decidiu rebocar o navio para o sul, procurando águas mais calmas que permitissem a trasfega da carga com segurança. Todavia, durante a operação, o petroleiro não resistiu, tendo-se, a 19 de Novembro, partido em dois, afundando-se no Oceano Atlântico, onde permanece, a 3 500 metros de profundidade, a cerca de 270 quilómetros da costa da Galiza.

Ainda antes do naufrágio, pelo menos 10 000 toneladas (até 20 000 toneladas, segundo os ambientalistas) foram derramadas no mar. Dos 1 120 quilómetros da costa da Galiza, cuja economia se baseia na pesca, no marisco e no turismo, foram atingidos pela maré negra 913 quilómetros. Foram mobilizados mais de 20 000 colaboradores para ajudar na limpeza das quase 200 praias atingidas.

No total, foram recolhidas do mar e de terra firme mais de 50 mil toneladas de fuel, tendo sido recolhidas mais de 150 000 toneladas de resíduos (mais de 100 000 toneladas em terra, em Espanha e França); remanescerão no casco do Prestige cerca de 13 800 toneladas de fuel . não obstante, com base nos números inicialmente divulgados, o petroleiro transportaria uma carga de 77 000 toneladas de fuel.

Todo o ecossistema local foi afectado, dado que o material forma uma capa que impede a entrada da luz na água. Desde o plânctum até aos mamíferos, todos os seres sofreram com o acidente, sendo as vítimas mais evidentes as aves, peixes e crustáceos.

Ainda hoje (Quinta-feira), apresentarei dois textos sobre esta catástrofe, escritos por Martin Pawley e por Xabier P. Docampo (Prémio Nacional de Literatura Infantil e Juvenil em 1995), podendo este último ser considerado um texto polémico, nomeadamente dada a culpabilização que faz das autoridades oficiais.

Amanhã (Sexta-feira), apresentarei algumas citações de (infelizes) declarações proferidas por responsáveis nos dias imediatos à tragédia, também compiladas pelo Martin Pawley.

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13 Novembro, 2003 at 12:00 am 2 comentários


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