GALIZA E ESPANHA

20 Novembro, 2003 at 6:32 pm 1 comentário

No passado Domingo, em Santiago de Compostela, a propósito do primeiro ano da tragédia do Prestige, mais de 100 000 pessoas manifestaram-se contra as autoridades regionais e nacionais, responsabilizando-as pela catástrofe, por não terem tomado as medidas adequadas para que fosse evitada e, pior que isso, por, passado esse ano, nada ter mudado e subsistir o risco de novos desastres.

Teria essa manifestação, com um importante carácter regional . Galego ., outros contornos, para além da motivação primária associada ao Prestige? Teria implícito um sentimento nacionalista, ou até algo mais que isso?

Na verdade, não existirá na Galiza um forte sentimento independentista, de forma diferente do que que se verifica no País Basco ou mesmo na Catalunha, em que há partidos abertamente secessionistas com representação (por vezes importante) no Parlamento Regional.

Na Galiza, o BNG, sendo um partido nacionalista, não é explicitamente independentista; os galegos não terão ainda uma ideia definitiva sobre o seu futuro, enquadrados numa hipotética Galiza independente ou numa Espanha federal (eventualmente .Republicana.!), com reforço da autonomia governativa face àquela de que agora dispõem.

Estarão possivelmente mais orientados para um livre relacionamento com Portugal e, por exemplo, chegar a acordos que não tivessem de passar por Madrid; com projectos comuns em matérias decisivas, como é o caso dos transportes (o grande aeroporto internacional para os Galegos acaba sendo o do Porto, e até o de Lisboa, preferencialmente ao de Madrid.).

O que parece claro é que deverá ser possível um debate sobre o modelo de Estado, mas que deve ser realizado de uma forma tranquila e racional, com absoluta normalidade / naturalidade, até porque, no limite, mesmo uma hipotética independência não implicaria necessariamente . de todo . .cortar relações. ou .fechar as fronteiras..

Não obstante, no momento actual, tal debate não parece, no imediato, possível, como se depreende das reacções ao Plano Ibarretxe, uma proposta que sugeria um novo modelo de relação do País Basco com o Estado Espanhol, ao que o governo central retorquiu que, hoje por hoje, .não se pode tocar na Constituição..

O assunto continuará portanto pendente por mais algum tempo.

(Agradeço ao Martin Pawley a decisiva colaboração para este texto, pelos esclarecimentos prestados sobre a posição geral dos Galegos em relação ao enquadramento da Galiza na Espanha).

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NOVOS MEMBROS DA UNIÃO EUROPEIA – HUNGRIA (IV) 1973 – GUERRA DO YOM KIPPUR

1 Comentário

  • 1. Martin Pawley  |  21 Novembro, 2003 às 2:33 am

    As atitudes que algúns dirixentes políticos e meios de comunicación están adoptando na España a respeito dos nacionalismos periféricos ten moito de paranoico. A total oposición a reformas na Constitución vixente, aprobada apenas tres anos despois da morte do dictador Franco, con todo o que iso implica, é verdadeiramente unha loucura. Esa visión cativa e estreita do modelo de estado que ten o governo do PP acabará traéndolhes resultados opostos aos que desexan. Vexan se non o nervosismo que se aprecia desde o pasado domingo, cando nas eleicións catalanas ERC (partido de esquerdas, republicano e nacionalista, moi partidario de revisar as relacións de Catalunya co estado español) ergueuse como forza con peso decisivo á hora de conformar governo na Generalitat. Estean atentos, porque os próximos anos han de ser moi interesantes.


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