EURO 2004 – GRUPO A – 2ª JORNADA
16 Junho, 2004 at 10:34 pm 3 comentários

1-1
Segundo as crónicas – sabendo ambas as equipas que o empate não seria um “mau resultado” – este foi um jogo controlado pela Espanha, que assumiu sempre a iniciativa da sua condução.
O golo surgiria de forma algo “fortuita”, na sequência da intercepção de um passe atrasado de um defesa grego.
Na segunda parte, mesmo a ganhar, foi a Espanha a continuar a dominar; o empate da Grécia surgiria, de alguma forma, “contra-a-corrente”.
Para os gregos, significa uma excelente opção para o apuramento: apenas será eliminada se Portugal vencer a Espanha e se perder o seu jogo com a Rússia por uma desvantagem superior à que os espanhóis eventualmente registem no jogo com Portugal.
Nikopolidis, Seitaridis, Dellas, Kapsis, Fyssas (86m – Venetidis), Giannokopoulos (49m – Nikolaidis), Zagorakis, Karagounis (53m – Tsartas), Katsouranis, Vryzas, Charisteas
Casillas, Raul Bravo, Helguera, Marchena, Puyol, Baraja, Albelda, Etxeberria (45m – Joaquín), Vicente, Morientes (65m – Valerón), Raul (80m – Fernando Torres)
0-1 – Morientes – 28m
1-1 – Charisteas – 66m
“Melhor em campo” – Raul
Amarelos – Katsouranis (7m), Giannakopoulos (24m), Karagounis (27m) Zagorakis (61m) e Vryzas (90m); Marchena (16m) e Helguera (36m)
Árbitro – Lubos Mitchell (Eslováquia)
Estádio do Bessa Séc. XXI – Porto (17h00)

0-2
“Serviços mínimos”… Portugal teve tudo a seu favor neste jogo: marcou cedo; jogou toda a segunda parte em superioridade numérica; evitou o sofrimento nos últimos 5 minutos, ao conseguir o 2-0 praticamente “em cima” do tempo regulamentar.
Et pourtant… soube a pouco! A sensação que ficou foi que a equipa portuguesa estava a jogar “dois jogos ao mesmo tempo”: o empate no Grécia-Espanha implica que Portugal necessite “obrigatoriamente” de vencer a Espanha no último jogo.
O “fantasma” da Espanha pairou durante todo o tempo. A equipa portuguesa denotou uma enorme “falta de confiança” em si própria e, em alguns momentos da segunda parte, evidenciou mesmo sintomas de intranquilidade.
Como se “a cabeça estivesse noutro lado”. É que, embora, fosse importante ganhar à Rússia, todos sabíamos (dentro e fora das “quatro linhas”) que o jogo decisivo será o de Domingo.
E essa falta de confiança foi sendo transmitida para a bancada, pouco convincente no apoio à equipa, sendo, por várias ocasiões, os adeptos portugueses “abafados” pelos (“desesperados”) apelos russos. Aliás, o ambiente de festa que se esperava começou a “falhar” precisamente por aí: em vez de um Estádio repleto de público, havia uma grande clareira no sector russo (terão ficado “desocupados” perto de 10 000 lugares…).
Em termos tácticos, Scolari fez uma “pequena revolução”: trocou as posições de Figo e Simão Sabrosa; trocou 3/4 da defesa (apenas manteve Jorge Andrade, substituindo Paulo Ferreira, Fernando Couto e Rui Jorge, por Miguel, Ricardo Carvalho e Nuno Valente); colocou Deco de início, como “playmaker”, em vez de Rui Costa.
E, embora não se compreenda muito bem como pode Scolari – depois de um ano de jogos-treino – mudar tanto de um jogo para outro, a verdade é que “no papel”, as mudanças pareciam fazer bastante sentido (especialmente as de Ricardo Carvalho e Deco).
Contudo, na prática, “as coisas não saíram bem”, pela tal “falta de confiança” e, a meio da segunda parte, a equipa não conseguia progredir no terreno, começando a “jogar para o lado”… e aí, surgiram, “implacáveis” os primeiros assobios da bancada (precisamente o oposto do que os jogadores necessitam neste momento – não foi bonito o momento da substituição de Figo, com o Estádio dividido entre os aplausos e as recriminações).
Algumas oportunidades criadas iam sendo desperdiçadas, notando-se também o receio em “assumir a responsabilidade” por rematar à baliza.
A equipa portuguesa “jogou sobre brasas” e só com vitórias poderá consolidar a sua motivação.
A Rússia foi tentando fazer o que podia (assumindo alguns riscos na segunda parte), parecendo, nesta altura “poder pouco” (e não só por causa da expulsão de Ovchinnikov – alegadamente, por ter tocado a bola com a mão fora da grande área, na antecipação ao avançado português).
Para a história, fica a vitória (justa) de Portugal, com dois bonitos golos, de Maniche e Rui Costa.
E, na retina, fica uma bela jogada construída por Deco, Nuno Gomes e Figo, que terminou ingloriamente no poste da baliza russa…
Cumpridos os “serviços mínimos” de ganhar à Rússia – primeira equipa eliminada neste Europeu – Scolari vai ter um importante trabalho de moralização dos jogadores, para os convencer de que é possível eliminar também a Espanha (todos nós conhecemos alguém que, este ano, foi capaz de convencer os jogadores que eram os melhores da Europa e que iam ser campeões…).
Ovchinnikov, Sennikov, Bugayev, Smertin, Evseev, Kariaka (79m – Bulykin), Loskov, Aldonin (45m – Malafeev), Alenitchev, Izmailov (72m – Bystrov), Kerzhakov
Ricardo, Miguel, Ricardo Carvalho, Jorge Andrade, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Simão Sabrosa (62m – Rui Costa), Deco, Figo (78m – Cristiano Ronaldo), Pauleta (57m – Nuno Gomes)
0-1 – Maniche – 7m
0-2 – Rui Costa – 88m
“Melhor em campo” – Maniche
Amarelos – Smertin (16m), Evseev (21m) e Alenitchev (86m); Ricardo Carvalho (24m) e Deco (85m)
Vermelho – Ovchinnikov (45m)
Árbitro – Terje Hauge (Noruega)
Estádio da Luz – Lisboa (19h45)
P. S. À “regressada” Catarina (ao 100nada – cujo “regresso a casa” saúdo): espero ser mais optimista/entusiasta no final do Portugal-Espanha… Os jogadores portugueses sabem jogar futebol; muitas vezes, mais importante que os aspectos físicos são os mentais, psicológicos ou motivacionais; se conseguirmos acertar nessa área, podemos ir longe!
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catarina | 16 Junho, 2004 às 10:05 pm
Venha de lá o post, quando regressar do estádio, que estou ansiosa por ler como foi lá mesmo!
2.
catarina | 17 Junho, 2004 às 12:26 am
Se o publico nas bancadas não ‘puxou’ como deveria pelos jogadores (até se compreende com os nervos), aqui pelas redondezas era uma gritaria pegada. 🙂 É curioso ler o relato de quem lá esteve, pois pela televisão parecia um publico muito entusiasmado. A ver vamos: o jogo dos nervos é realmente o pior, como se viu pelo Portugal-Grécia. Mas eu continuo esperançada, mesmo não percebendo nada do assunto. Obrigada, Leonel.
3.
Nelson Santos | 17 Junho, 2004 às 10:21 am
Excelente análise. Leonel. Perfeitamente de acordo…agora esperemos um jogo com a Espanha para ficar na história…têm que dar tudo, e mai-nada!