Archive for 21 Março, 2005

CARTA DE PÊRO VAZ DE CAMINHA (XI)

“Eu creio, Senhor, que não dei ainda aqui conta a Vossa Alteza da feição de seus arcos e setas. Os arcos são pretos e compridos e as setas compridas e os ferros delas de canas aparadas, segundo Vossa Alteza verá por- alguns, que creio que o capitão a Ela há-de enviar.

À quarta-feira não fomos em terra, porque o capitão andou todo o dia no navio dos mantimentos a despejá-lo e fazer levar às naus isso que cada uma podia levar. Eles acudiram à praia muitos, segundo das naus vimos, que seriam obra de trezentos, segundo Sancho de Tovar, que lá foi, disse.

Diogo Dias e Afonso Ribeiro, o degradado, a que o capitão ontem mandou que, em toda maneira, lá dormissem, volveram-sé já de noute, por eles não quererem que lá dormissem. E trouxeram papagaios verdes e outras aves pretas, quase como pegas, senão quanto tinham o bico branco e os rabos curtos.

E quando se Sancho de Tovar recolheu à nau, queriam-se vir com ele alguns, mas ele não quis senão dous mancebos dispostos e homens de prol. Mandou-os essa noute mui bem pensar e curar. E comeram toda vianda que lhes deram. E mandou-lhes fazer cama de lençóis, segundo ele disse. E dormiram e folgaram aquela noute. E assim não foi mais esse dia que para escrever seja.

À quinta-feira, derradeiro d’Abril, comemos logo quase pela manhã e fomos em terra por, mais lenha e água. E, em querendo o capitão sair, desta nau, chegou Sancho de Tovar com seus dous hospedes. E, por ele não ter ainda comido, puseram-lhe toalhas e veio-lhe, vianda e comeu. Assentaram cada um dos hóspedes em sua cadeira e de tudo o que lhes deram comeram mui bem, especialmente lacão cozido, frio, e arroz. Não lhes deram, vinho, por Sancho de Tovar dizer que o não bebiam bem.

Acabado o comer, metemo-nos todos no batel e eles connosco. Deu um grumete a um deles uma armadura grande de porco montês, bem revolta e, tanto que a tomou, meteu-a logo no beiço; e, porque se lhe não queria ter, deram-lhe uma pequena de cera vermelha e ele corregeu-lhe detrás seu adereço para se ter, e meteu-a no beiço assim revolta para cima. E vinha tão contente com ela, como se tivera uma grande jóia. E, tanto que saímos em terra foi-se logo com ela, que não apareceu aí mais.

Andariam na praia, quando saímos, oito ou dez deles e daí a pouco começaram de vir; e parece-me que viriam, este dia, à praia quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta. Traziam alguns deles arcos e setas e todos os deram por carapuças ou por qualquer cousa que lhes davam. Comiam connosco do que lhes dávamos e bebiam alguns dele vinho e outros o não podiam beber, mas parece-me que se lho avezarem que o beberão de boa vontade.

Andavam todos tão dispostos e tão bem feitos e galantes com suas tinturas, que pareciam bem. Acarretavam dessa lenha quanta podiam, com mui boas vontades, e levavam-na aos batéis. E andavam já mais mansos e seguros entre nós do que nos andávamos entre eles.”

[2157]

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21 Março, 2005 at 6:04 pm

LÍNGUAS MINORITÁRIAS NA EUROPA (XVI)

L’occitan, qu’es aquò?:

L’occitan e leis autrei lengas latinas
L’occitan es la lenga que se desvolopèt en Occitània, deis Aups a l’Ocean, dei Pirenèus au Lemosin, mentre que lo francés se desvolopava dins lei planas dau nòrd de França, de Touraine a la Valonia. Aquesta lenga es caracterisada per fòrça ponchs en comun ambé lei lengas vesinas au sud (especialament lo catalan), e partatja ambé lo francés que la disparicion de la terminason – o dau masculin (encara d’usatge en italian e en espanhòu per exemple).

L’Edat Mejana
L’occitan foguèt una dei promièras lengas literàrias en Euròpa. Ai sègles XIIen e XIIIen, èra la lenga de la poësia fins qu’en Anglatèrra, Alemanha, Itàlia e Portugau. Aquela renomada èra deguda a la riquesa de la poësia dei trobadors (mòt occitan que vòu dire “trobaire” de frasas bèlas e bònas), que suscitèron un molon d’adèptes dins l’Euròpa tota d’aqueu temps. Èra la lenga dei corts de Provença, d’Aquitània, de Lemosin, de Lengadòc e de Barcelona.

Après lo sègle XVIen
Fins qu’au sègle XVIen, l’occitan demorèt lenga d’administracion en parallèl ambé lo latin. Es ambé l’Edit de Villers-Côtterets, en 1539, que sortirà de l’usatge escrich, per lo tornar trobar qu’a la mitat dau sègle XIXen. Dins lo periòde que va dau sègle XVIen au sègle XIXen, l’occitan demorèt la lenga de cada jorn de la populacion. Mai lo ròlle de liame entre lei diferentas regions que la lenga de l’administracion jogava aviá disparegut, de diferéncias regionalas comencèron de se cavar, per arribar uei ai sièis grands dialèctes que son lo Provençau, lo Vivaro-Aupin, lo Lengadocian, lo Gascon, l’Auvernhàs e lo Lemosin.

Renaissença
Au sègle XIXen, quand dins l’Euròpa tota, leis identitats popularas commencèron de se voler exprimir, l’occitan conoguèt una renaisséncia literària. Fau mencionar per aquela epòca lo grand escrivan provençau, Frederic Mistral, Prèmi Nobel de Literatura per son òbra en occitan. De mai participèt a la creacion d’una escòla, lo Felibritge, qu’aguèt lo meriti de provesir un trabalh important sus la lenga d’aquela epòca (diccionnari) e d’inventar una faiçon d’escriure l’occitan, per remplaçar la notacion tradicionala de l’Edat Mejana qu’èra estada perduda despuei lo sègle XVIen. Fau pas oblidar tanpauc Aubanèl, Romanilha, Gelu en Provença, Jansemin a Agen, Mir a Carcassona, Palai a Pau, Besson en Roèrgue, etc…”

Artigo de Cristòu Stecòli et Matiàs Vandembòs

(continua…)

[2156]

21 Março, 2005 at 8:15 am


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