Archive for 10 Março, 2005

CARTA DE PÊRO VAZ DE CAMINHA (IV)

“Ao sábado, pela manhã, mandou o capitão fazer vela e fomos demadar a entrada, a qual era mui larga e alta de seis, sete braças. E entraram todas as naus dentro e ancoraram-se em cinco, seis braças, a qual ancoragem dentro é tão grande e tão segura que podem jazer dento nela mais de 200 navios e naus. E tanto que as naus foram pousadas e ancoradas, vieram os capitães todos a esta nau do capitão-mor.

E da daqui mandou o capitão Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias que fossem em terra e levassem aqueles dous homens e os deixassem ir com seu arco e setas, a cada um dos quais mandou dar uma camisa nova e uma carapuça vermelha e um rosairo de contas brancas d’osso, que eles levavam nos braços, e um cascavél e uma campainha.

E mandou com eles para ficar lá um mancebo degradado, criado de João Telo, a que chamam Afonso Ribeiro, para andar lá com eles e saber de seu viver e maneira e a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho. Fomos assim de frecha direitos à praia.

Ali acudiram logo obra de 200 homens, todos nus, e com arcos e setas nas mãos. Aqueles que nós levávamos acenaram-lhes que se afastassem e pusessem os arcos e eles os puseram e não se afastavam muito. E, mal tinham posto os arcos, então saíram os que nós levávamos e o mancebo degradado com eles, os quais, assim como saíram, não pararam mais, nem esperava um por outro senão a quem mais correria.

E passaram um rio, que por aí corre, d’água doce, de muita água, que lhes, dava pela braga e outros muitos com eles. E foram assim correndo além do rio entre umas moitas de palmas, onde estavam outros, e ali pararam. E, naquilo, foi o degradado com um homem que logo ao sair do batel, o agasalhou e levou-o até lá. E logo o tornaram a nós. E com ele vieram ou outros que nós levámos, os quais vinham já nus e sem carapuças. E então se começaram de chegar muitos. E entravam pela beira do mar para os batéis até que mais não podiam.

E traziam cabaços d’água e tomavam alguns barris que nós levávamos e enchiam-nos d’água e traziam-nos aos batéis. Não que eles de todo chegassem a bordo do batel, mas, junto com ele, lançavam-nos da mão e nós tomávamo-los. E pediam que lhes dessem alguma cousa. Levava, Nicolau Coelho cascavéis e manilhas e a uns dava um cascavél e a outros uma manilha, de maneira que, com aquela encarna, quase nos queriam dar a mão.

Davam-nos daqueles arcos e setas por sombreiros e carapuças de linho e por qualquer cousa que lhes homem queriam dar. Dali se partiram os outros dois mancebos que não os vimos mais. Andavam ali muitos deles ou quase a maior parte que todos traziam aqueles bicos d’osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles traziam beiços furados e nos buracos traziam uns espelhos de pau que pareciam espelhos de borracha. E alguns deles traziam três daqueles bicos a saber: um na metade e os dous nos cabos.

E andavam aí outros quartejados de cores, isto é: deles a metade da sua própria cor e a metade de tintura negra, maneira d’azulada, e outros quartejados d’escaques. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis com cabelos muito pretos, compridos, pelas espáduas; e suas vergonhas tão altas e tão çarradinhas e tão limpas que de as nós muito bem olharmos não tínhamos nenhuma vergonha.”

[2137]

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10 Março, 2005 at 6:08 pm

LÍNGUAS MINORITÁRIAS NA EUROPA (IX)

“Entre os séculos XII e XIV o galego convértese na lingua por excelencia de toda a lírica da Península. Propiamente debemos falar de lírica galego-portuguesa.

Dese período datan composicións como: as Cantigas de Santa María, a Historia Troiana, a Crónica Troiana, os Miragres de Santiago, as Cantigas de Martín Codax…

O asentamento dunha nobreza estranxeira, intransixente coa cultura e a lingua de Galicia, a diminución da poboación, a perda de autonomía da igrexa galega… provocan que o galego estea practicamente ausente dos usos escritos. Son os chamados Séculos Escuros e abranguen desde o XVI ó XVIII.

No s. XVIII xorden as voces de denuncia dos chamados “ilustrados”, que reivindican a normalización da lingua galega. Entre eles destaca a figura de Frei Martín Sarmiento.

“Rexurdimento” é o nome co que se coñece o século XIX na nosa historia e expresa nitidamente o que foi unha traxectoria de recuperación non só literaria, senón tamén cultural, política e histórica. A publicación en 1863 de Cantares Gallegos, obra escrita integramente en galego por Rosalía de Castro, inaugura o Rexurdimento Pleno.

A comezos do s. XX, o galeguismo evoluciona cara ó nacionalismo, provocando un salto cualitativo na utilización da lingua. Nacen as Irmandades da Fala e Galicia queda incluída na Sociedade de Nacións de Xenebra.

No ano 20 comeza a publicación de NÓS, revista que dá nome a unha xeración que procurou (e conseguiuno) saca-la cultura galega do folclorismo e do influxo unilateral da cultura castelá. A cultura galega entra en contacto coas ideas estéticas europeas e o galego é usado en obras de carácter científico.

Nos anos vinte hai un importante avance no estatus do galego, crease o Seminario de Estudios Galegos, os movementos europeos de vangarda non lle resultan alleos á lírica galega, os autores da “Xeración do 25” demostran unha grande orixinalidade creativa…”

(continua)

Links a consultar:
http://galego.org/historia8.html
http://galego.org/historia9.html
http://galego.org/historia10.html
http://galego.org/historia11.html

[2136]

10 Março, 2005 at 8:25 am


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