Archive for 7 Março, 2005

CARTA DE PÊRO VAZ DE CAMINHA (I)

“SENHOR

Posto que o capitão-mor desta vossa frota e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que se ora nesta navegação achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que para o bem contar e falar o saiba pior que todos fazer.

Mas tome Vossa Alteza minha ignorância por boa vontade, a qual, bem certo, creia que por afremosentar nem apear haja aqui de pôr mais do que aquilo que vi e me pareceu.

Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer e os pilotos devem ter esse cuidado.

E, portanto, Senhor, do que hei-de falar começo e digo que a partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de Março.

E sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achámos entre as Canárias, mais perto da Grã Canária. E ali andámos todo aquele dia, em calma, à vista delas, obra de três ou quatro léguas.

E domingo, 22 do dito mês, às 10 horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas do Cabo Verde, isto é, da ilha de S. Nicolau, segundo dito de Pêro Escobar, piloto. E a noute seguinte, à segunda-feira, quando lhe amanheceu, se perdeu da frota Vasco d’Ataíde, com a sua nau, sem aí haver tempo forte nem contrairo para poder ser. Fez o capitão suas diligências para o achar, a umas e a outras partes, e não apareceu mais.

E assim seguimos nosso caminho por este mar e longo, até terça-feira d’oitavas de Páscoa, que foram 21 dias d’Abril, que topámos alguns sinais de terra, sendo da dita ilha, segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas, os quais eram muita quantidade d’ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho e assim outras, a que também chamam rabo d’asno.

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E à quarta-feira seguinte, pela manhã, topámos aves, a que chamam fura-buchos. E neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra, isto é, primeiramente d’um grande monte, mui alto e redondo, e d’outras serras mais baixas a sul dele e de terra chã com grandes arvoredos, ao qual monte alto o capitão pôs nome o Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz.

Mandou lançar o prumo, acharam 25 braças, e, ao solposto, obra de 6 léguas de terra, surgimos âncoras em 19 braças; ancoragem limpa. Ali ficámos toda aquela noute.

E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimos direitos à terra e os navios pequenos diante, indo por 17, 16, 15, 14, 13, 12, 10 e 9 braças até meia légua de terra, onde todos lançámos âncoras em direito da boca dum rio. E chegaríamos a esta ancoragem às 10 horas, pouco mais ou menos.

E dali houvemos vista d’homens, que andavam pela praia, de 7 ou 8, segundo os navios pequenos disseram, por chegarem primeiro. Ali lançámos os batéis e esquifes fora e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do capitão-mor e ali falaram. E o capitão mandou no batel, em terra, Nicolau Coelho, para ver aquele rio.”

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7 Março, 2005 at 6:15 pm

PAULA REGO EM SELOS BRITÂNICOS

O Royal Mail britânico acaba de lançar uma colecção especial de selos evocativos dos 150 anos da morte da escritora Charlotte Bronte, tendo por base 6 litografias da pintora portuguesa Paula Rego, radicada em Inglaterra desde os anos 70.

Esta colecção, com uma tiragem de cerca de 100 milhões de cópias, apresenta motivos relacionados com os ambientes e personagens da mais conhecida novela da escritora, “Jane Eyre”.

[2128]

7 Março, 2005 at 12:35 pm

LÍNGUAS MINORITÁRIAS NA EUROPA (VI)

O Galego é essencialmente falado na Galiza, no noroeste da Espanha, região que tem, desde 1981, o estatuto de Comunidade autonómica (agrupando quatro províncias: La Coruña, Lugo, Orense e Pontevedra) com capital em Santiago de Compostela, tendo uma população de cerca de 2,7 milhões de habitantes. É também utilizado em áreas das Astúrias e Castilla-León.

Cerca de 90 % da população galega é capaz de falar a língua, a par do Castelhano (virtualmente falado por 100 % da população); mais de 1,5 milhão de pessoas terão mesmo o Galego como língua nativa.

A língua provém do mesmo ramo da família das línguas românicas que o português; nos séculos XIII e XIV (“era dourada” da poesia trovadora), as diferenças entre as duas línguas eram praticamente imperceptíveis. Posteriormente, o Galego tornou-se no meio de comunicação de uma população rural, enquanto que o Português se normalizaria na base do dialecto de Lisboa, tornando-se na língua da corte, começando a acentuar-se as diferenças entre ambas.

O Galego moderno não integra dialectos diferentes, embora haja distinções entre os blocos linguísticos da região da Galiza e das Astúrias e Castilla-León; a linguagem falada foi assimilando numerosos “castelhanismos”. A recente normalização da língua não se encontra isenta de polémica entre os “Lusistas” e os “Galeguistas”.

O estatuto autonómico galego de 1981 declara o Galego como a língua própria da Galiza, conferindo-lhe um estatuto de língua oficial, a par do Castelhano, a língua oficial do Estado Espanhol, estatuto que garante a todos os cidadãos o direito a aprender e usar a língua. O Governo da Galiza deve assegurar o seu uso em todas as áreas de actividade e promover a sua aprendizagem.

Efectivamente, o Governo autónomo (Xunta Galega), constituído em 1981, adoptou algumas medidas de promoção do conhecimento e uso do Galego, embora a efectividade dessas medidas seja muitas vezes questionada.

Não tendo sido claramente definida a norma escrita a utilizar, pelo que o Galego permanecia espartilhado entre o “castelhanismo” da norma imposta pela Xunta e os defensores de uma maior aproximação ao português (os “lusistas” viriam a perder esta contenda, nomeadamente pela iniciativa da Xunta de co-financiar todas as obras escritas segundo a norma oficial).

Não obstante o seu conhecimento praticamente generalizado por parte da população, o Galego experimenta dificuldades em libertar-se do seu passado rural; dada a predominância do seu carácter oral, não criou fortes raízes na população jovem e na sociedade urbana. As autoridades espanholas pouco mais que se limitam a tolerar a existência da língua.

Links a consultar:
http://europa.eu.int/comm/education/policies/lang/languages/langmin/euromosaic/es6_en.html

A propósito da norma linguística do Galego:
http://akin.blogalia.com/historias/9784
http://pawley.blogalia.com/historias/8464
http://pawley.blogalia.com/historias/8701
http://pawley.blogalia.com/historias/9888

[2127]

7 Março, 2005 at 8:26 am 1 comentário


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