LÍNGUAS MINORITÁRIAS NA EUROPA (VI)

7 Março, 2005 at 8:26 am 1 comentário

O Galego é essencialmente falado na Galiza, no noroeste da Espanha, região que tem, desde 1981, o estatuto de Comunidade autonómica (agrupando quatro províncias: La Coruña, Lugo, Orense e Pontevedra) com capital em Santiago de Compostela, tendo uma população de cerca de 2,7 milhões de habitantes. É também utilizado em áreas das Astúrias e Castilla-León.

Cerca de 90 % da população galega é capaz de falar a língua, a par do Castelhano (virtualmente falado por 100 % da população); mais de 1,5 milhão de pessoas terão mesmo o Galego como língua nativa.

A língua provém do mesmo ramo da família das línguas românicas que o português; nos séculos XIII e XIV (“era dourada” da poesia trovadora), as diferenças entre as duas línguas eram praticamente imperceptíveis. Posteriormente, o Galego tornou-se no meio de comunicação de uma população rural, enquanto que o Português se normalizaria na base do dialecto de Lisboa, tornando-se na língua da corte, começando a acentuar-se as diferenças entre ambas.

O Galego moderno não integra dialectos diferentes, embora haja distinções entre os blocos linguísticos da região da Galiza e das Astúrias e Castilla-León; a linguagem falada foi assimilando numerosos “castelhanismos”. A recente normalização da língua não se encontra isenta de polémica entre os “Lusistas” e os “Galeguistas”.

O estatuto autonómico galego de 1981 declara o Galego como a língua própria da Galiza, conferindo-lhe um estatuto de língua oficial, a par do Castelhano, a língua oficial do Estado Espanhol, estatuto que garante a todos os cidadãos o direito a aprender e usar a língua. O Governo da Galiza deve assegurar o seu uso em todas as áreas de actividade e promover a sua aprendizagem.

Efectivamente, o Governo autónomo (Xunta Galega), constituído em 1981, adoptou algumas medidas de promoção do conhecimento e uso do Galego, embora a efectividade dessas medidas seja muitas vezes questionada.

Não tendo sido claramente definida a norma escrita a utilizar, pelo que o Galego permanecia espartilhado entre o “castelhanismo” da norma imposta pela Xunta e os defensores de uma maior aproximação ao português (os “lusistas” viriam a perder esta contenda, nomeadamente pela iniciativa da Xunta de co-financiar todas as obras escritas segundo a norma oficial).

Não obstante o seu conhecimento praticamente generalizado por parte da população, o Galego experimenta dificuldades em libertar-se do seu passado rural; dada a predominância do seu carácter oral, não criou fortes raízes na população jovem e na sociedade urbana. As autoridades espanholas pouco mais que se limitam a tolerar a existência da língua.

Links a consultar:
http://europa.eu.int/comm/education/policies/lang/languages/langmin/euromosaic/es6_en.html

A propósito da norma linguística do Galego:
http://akin.blogalia.com/historias/9784
http://pawley.blogalia.com/historias/8464
http://pawley.blogalia.com/historias/8701
http://pawley.blogalia.com/historias/9888

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BIANCA KAPPLER – UM EXEMPLO PAULA REGO EM SELOS BRITÂNICOS

1 Comentário

  • 1. Martin Pawley's avatar Martin Pawley  |  11 Março, 2005 às 9:07 pm

    Fago notar un pequeno detalhe: o galego é lingua oficial da Galiza, si, mas non é obrigatorio o seu conhecemento. O Estatuto de Autonomía reconhece o dereito a empregalo, mas non fala nada do deber do seu conhecemento. Os galegos están pois obrigados a conhecer a lingua española mas non están obrigados en absoluto a conhecer a lingua galega. Así nos vai, claro.


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