Archive for Janeiro, 2005

"LES CHORISTES"

Em 1949, Clément Mathieu, um professor de música desempregado e, por isso, “frustrado”, é nomeado vigilante num internato de reeducação de menores.

Procurando alcançar uma nova via para além do autoritário e repressivo sistema de sanções da casa de correcção, Mathieu aposta numa experiência inédita: com a formação de um grupo coral, revelando talentos ocultos, os “difíceis” alunos (crianças infelizes e carentes) vêem a sua vida ser transformada, ganhando novo sentido.

O filme de Christophe Barratier, com uma vertente autobiográfica, tornou-se no maior êxito do cinema francês de 2004, conseguindo superar as barreiras impostas pelo “mainstream” americano, sendo candidato ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2005.

Fazendo recordar “O Clube dos Poetas Mortos”, “Les Choristes” envolvem inevitavelmente o espectador, com um papel determinante da excelente banda sonora no reforço da carga emocional do filme.

[1966]

7 Janeiro, 2005 at 8:23 am

DESEMBARQUE EM SAN SALVADOR (BAHAMAS) / CARTA DE COLOMBO AOS REIS CATÓLICOS

SanSalvadorCartaColombo

 

 

 

 

Desembarque em San Salvador (Bahamas) / Carta de Colombo, relatando a viagem ao “Novo Mundo” (Arquivo de Simancas, Espanha) (fotos: revista Hola! especial, Madrid, 1992)

[1965]

6 Janeiro, 2005 at 6:14 pm

CRISTÓVÃO COLOMBO (IV)

Entretanto, juntamente com o seu irmão Bartolomeo, havia fundado a capital de Santo Domingo, ao qual atribuiu o governo das novas terras, mas que viria também a sofrer uma rebelião, devido às pesadas taxas impostas.

Teria muitas dificuldades em conseguir formar a tripulação para a sua terceira viagem, para o que teve de recorrer a condenados pela justiça. Entre 1498 e 1500, chegou às ilhas de Granada e Trinidad e Tobago. Apenas nesta terceira viagem, chegaria efectivamente ao continente americano.

Para além da escassez das prometidas riquezas, Colombo viria mesmo a ser acusado de tirania e abuso de poder, levando os reis a nomear uma comissão para analisar a situação. Em 1500, Francisco de Bobadilla é enviado à América, mandando prender Colombo e o irmão, que seriam deportados para a Europa. Viriam contudo a ser absolvidos e recompensados pela coroa espanhola.

Colombo viria a realizar a sua quarta viagem entre 1502 e 1504, navegando nas Antilhas, chegando à Martinica. O governador de La Hispaniola proibiria o desembarque de Colombo, que depois de ancorar por um período em Santo Domingo, seguiria para as Honduras e, finalmente, chegando ao Panamá.

Em 1504, retornou definitivamente à Europa. Após a morte da rainha Isabel, nesse ano, viria a desentender-se com o Rei Fernando, sendo-lhe retirados todos os privilégios como governador das novas terras.

Cristóvão Colombo faleceu em Valladolid a 20 de Maio de 1506, sem ver devidamente reconhecidos os seus feitos que abriram novos mundos à humanidade. Até ao fim da vida, acreditou ter chegado à Ásia, sem saber que tinha descoberto um novo continente.

Em 1542, o corpo seria exumado e levado novamente para a R. Dominicana, até que, em 1899, retornaria a Espanha, onde repousa na Catedral de Sevilha.

[1964]

6 Janeiro, 2005 at 8:37 am

CRISTÓVÃO COLOMBO (III)

Colombo A 11 de Outubro, finalmente era avistada terra; no dia seguinte (12 de Outubro) Colombo chegava ao arquipélago das Bahamas, nas Pequenas Antilhas, pensando ter alcançado Catai (China) ou o reino de Cipango (Japão), baptizando a terra com o nome de San Salvador.

Pouco depois, chegaria a Cuba e à ilha de La Hispaniola (ilha onde se localizam hoje a R. Dominicana e o Haiti), chamando aos seus habitantes índios.

Em Dezembro de 1492, a caravela Santa Maria naufragava próximo da costa de La Hispaniola, passando então Colombo a comandar a Niña.

Ainda antes do regresso a Espanha em Março de 1493, manda construir em La Hispaniola, o forte de La Navidad. Voltaria ao “Novo Mundo” por mais três vezes.

A América (cujo nome apenas seria mais tarde atribuído, em homenagem a Américo Vespucci – amercador e navegador italiano, que seria o primeiro a constatar que as recém-descobertas terras do Novo Mundo constituíam um continente e não parte da Ásia) descoberta por Colombo centra-se nas ilhas do Caribe, nas costas da América Central e na “terra firme” da Venezuela.

Na segunda viagem, partiu de Cádiz com 17 navios. Entre 1493 e 1496, explorou o Caribe, descobrindo as ilhas de Dominica, Guadalupe, Jamaica e Porto Rico.

Em Novembro de 1493, o forte de La Navidad seria atacado e destruído. Na mesma época, fundou a primeira colónia europeia nas Américas, na actual R. Dominicana, a que deu o nome de Isabela. Contudo, os seus colonizadores (cerca de 1 500 homens), não encontrando nela as riquezas esperadas rebelam-se também, pretendendo regressar a Espanha.

[1963]

5 Janeiro, 2005 at 6:33 pm

MEMÓRIA DE 2004 (V)

Personalidades nacionais do ano

O ano de 2004 é, inquestionavelmente, o ano de José Mourinho!

À frente do FC Porto, construiu uma equipa na verdadeira acepção da palavra, motivando e transmitindo uma confiança quase ilimitada aos seus jogadores, que os levaram a vencer praticamente tudo (perderiam apenas a Taça de Portugal… para o Benfica).

Um profissional a tempo inteiro, vivendo para o futebol, praticamente perfeito na “leitura do jogo”, o que, aliado a um grande rigor e capacidade de organização, potencia quase inevitavelmente a vitória das equipas que comanda, como bem tem demonstrado ao serviço do Chelsea, liderando o campeonato inglês e tendo vencido categoricamente a fase de grupos da Liga dos Campeões.

José Mourinho é hoje o treinador de futebol mais conceituado a nível europeu, possivelmente o melhor treinador do mundo.

Paula Rego – Com uma perspectiva artística que não é necessariamente “fácil”, nem de “consumo imediato”, a exposição de Paula Rego em Serralves, no Porto, inaugurada a 15 de Outubro, apresentando uma selecção de 150 obras da artista, tem batido sucessivos recordes de afluência (mais de 100 000 visitantes), na consagração nacional da que é considerada já, a nível internacional, um dos maiores vultos vivos da pintura.

António Lobo Antunes – Celebrando em 2004 as “Bodas de Prata”, comemorando o 25º aniversário da publicação de “Memória de Elefante” e de “Os Cus de Judas”, o “eterno candidato” ao Nobel foi distinguido em 2004 com os prémios Fernando Namora e Jerusalém Prize, consagrando-se como um dos principais autores a nível internacional.

[1962]

5 Janeiro, 2005 at 12:31 pm

MEMÓRIA DE 2004 (IV)

Personalidades internacionais do ano

O destaque de 2004 vai para a Prémio Nobel da Paz, a militante ecologista queniana Wangari Maathai, com uma acção de mais de 30 anos contra o processo de desflorestação em África, pela sua contribuição para o desenvolvimento sustentável, democracia e paz no mundo.

Lance Armstrong – Numa época de grande massificação e pressão competitiva, em que as grandes figuras são cada vez menos perenes, o norte-americano Lance Armstrong, um profissional com uma rigorosa planificação e organização de cada uma das épocas, conquistando em 2004, pela 6ª vez consecutiva (!) a vitória no “Tour de France” entra definitivamente na lenda, superando todos os recordes.

Michael Schumacher – Também num contexto de grande competitividade, no mais elitista dos desportos mundiais (apenas cerca de 20 pilotos participam, em cada ano, no Campeonato do Mundo de Fórmula 1), Michael Schumacher é um verdadeiro “caso à parte”, conquistando títulos atrás de títulos (7, dos quais 5, de forma consecutiva, nos últimos 5 anos).

Tal como no caso de Armstrong, em desportos com tradições de muitas décadas, estamos a acompanhar, na actualidade, o domínio dos que serão talvez as suas maiores figuras de sempre (o que, a nível de títulos conquistados, já demonstraram).

[1961]

5 Janeiro, 2005 at 8:24 am

CRISTÓVÃO COLOMBO (II)

Em 1485, já viúvo, fixa-se em Espanha com o filho Diego, vindo a conhecer, em Córdoba, Beatriz Enríquez, de quem teria o filho Fernando, posteriormente um dos seus biógrafos.

Também em Espanha, não foi inicialmente bem sucedido na sua tentativa de levar por diante o projecto da sua vida. Conheceria então, em Palos, Martím Alonso Pinzón, posteriormente seu aliado na expedição que o levou a descobrir a América, o qual assumiria um papel relevante na obtenção das embarcações utilizadas na viagem: as caravelas Niña e Pinta e a nau Santa Maria.

Finalmente, em 1491, conseguiria obter o apoio dos “Reis Católicos”, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, conseguindo ainda assegurar alguns privilégios, como o de se tornar vice-rei das terras a conquistar, assim como de receber um décimo das riquezas que encontrasse.

A 3 de Agosto de 1492, partia do porto de Palos a expedição, composta por uma tripulação de cerca de 90 homens condenados, não incluindo qualquer representante religioso.

Fariam uma paragem forçada nas Ilhas Canárias, para reparar danos na caravela Pinta, retomando, em 6 de Setembro, a sua rota, a qual seria alterada a 7 de Outubro, por sugestão de Pinzón, dirigindo-se a Sudoeste.

Ao longo da viagem, foi aumentando o descontentamento da tripulação, tendo associado elevado risco de motim, com os tripulantes a exigir o regresso a Espanha.

[1960]

4 Janeiro, 2005 at 6:02 pm

LIVRARIA BUCHHOLZ

A Livraria Buchholz, lugar de referência do nosso (pequeno) universo cultural encontra-se em situação financeira difícil, apelando a todos quantos a frequentaram que a voltem a visitar.

“A Buchholz é uma livraria com história. Foi fundada em 1943 pelo livreiro alemão Karl Buchholz, que deixou Berlim depois da sua galeria de arte e livraria terem sido destruídas pelos bombardeamentos. A actividade de Buchholz era incompatível com o regime de Berlim, nomeadamente a venda de autores considerados proscritos, como Thomas Mann. No entanto, a relação de Buchholz com o regime era algo dúbia pois tanto compactuava em manobras de propaganda alemã como salvava da fogueira obras de Picasso e Braque, condenadas pela fúria nazi.

No início, a livraria estava situada em Lisboa na Avenida da Liberdade e só em 1965 se instalou na rua Duque de Palmela. O interior foi projectado pelo próprio livreiro ao estilo das livrarias da sua terra natal. O espaço estende-se por três andares unidos por uma escada de caracol, com recantos e sofás que proporcionam uma intimidade dos leitores com os livros. A madeira das escadas, chão e estantes torna o espaço acolhedor e agradável. Durante os anos 60, a tertúlia artística lisboeta – entre eles, Escada, Noronha da Costa, Eduardo Nery e Malangatana -, passou pela cave da Buchholz que funcionou como galeria até 1974. Hoje, a galeria continua a ser uma referência cultural com um público fiel que preza o espaço de convívio que a livraria sugere. A selecção dos títulos é vasta e inclui várias áreas: artes, ciência, humanidades, literatura portuguesa e estrangeira, livros técnicos e infantis, na cave funciona uma secção de música clássica e etnográfica. Apesar de não ser especializada em nenhuma área, a secção dedicada à ciência política é frequentada por muitos políticos da nossa praça. A Buchholz acolhe ainda eventos especiais como lançamentos de livros, sessões de leitura, e o “Domingo Especial” que são os saldos anuais da livraria, uma vez por ano, no último domingo de Novembro. Na Buchholz on-line pode percorrer as estantes da livraria sem sair de casa e ainda encomendar livros nacionais e alguns estrangeiros.”

Lisboa, R. Duque de Palmela, 4
Telefone – 213170580

(Recebido via e-mail)

[1959]

4 Janeiro, 2005 at 1:55 pm 1 comentário

MEMÓRIA DE 2004 (III)

As “coisas boas” de 2004 acabariam por girar sobretudo à volta do desporto, tendo como núcleo central o EURO 2004, a par de outras grandes manifestações desportivas mundiais, os Jogos Olímpicos e Jogos Paralímpicos, em Atenas.

12.06.04 – 04.07.04 – O período do EURO 2004 proporcionou o “renascer” do orgulho nacional, com uma verdadeira mobilização e mesmo euforia nacional, com milhares e milhares de bandeiras de Portugal desfraldadas ao vento, das maiores cidades aos recantos mais recônditos do país. No aspecto desportivo, Portugal alcançou o maior feito de sempre em termos colectivos, sagrando-se vice-campeão da Europa. Mas também a organização da prova seria elogiada internacionalmente, considerando-se o melhor Campeonato da Europa de sempre.

26.05.04 e 12.12.04 – O F. C. Porto volta ao topo do mundo: campeão nacional, sagrar-se-ia, em Maio, em Gelsenkirchen, Bi-Campeão Europeu, batendo claramente o Monaco por 3-0, no termo de uma campanha quase perfeita de rigor, organização e competitividade. Já no final do ano, em Dezembro, conquistaria, também pela segunda vez, a Taça Intercontinental, frente ao campeão da América do Sul, o Once Caldas, da Colômbia.

13 a 29.08.04 – A delegação portuguesa aos Jogos Olímpicos de Atenas alcançaria a melhor prestação de sempre, traduzida, não só nas 2 medalhas de prata alcançadas por Francis Obikwelu e Sérgio Paulinho e na medalha de bronze de Rui Silva, mas também no número de posições entre os 8 primeiros classificados.

17 a 28.09.04 – Nos Jogos Paralímpicos, os atletas portugueses, verdadeiros heróis no desporto e na vida, conquistariam um total de 12 medalhas: 2 de ouro, 5 de prata e 5 de bronze.

Râguebi – Portugal sagrar-se-ia, num feito inédito, campeão do Torneio Europeu das Nações, com 9 vitórias em 10 jogos, assumindo assim a 7ª posição no ranking europeu, imediatamente após os participantes no “mítico” torneio das 6 nações (Inglaterra, França, Irlanda, P. Gales, Escócia e Itália).

19.11.04 – Com a aprovação do Parlamento Europeu, Durão Barroso assumia funções como Presidente da Comissão Europeia, sucedendo a Romano Prodi, tornando-se no 11º Presidente da história da instituição.

01.05.04 – A União Europeia concretizava o maior alargamento da sua história, passando de 15 a 25 países membros, com a extensão a leste, do Báltico ao Mediterrâneo: Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, Chipre e Malta. Passa a abranger um universo de 380 milhões “cidadãos europeus”. A 29 de Novembro, a União Europeia dava mais um importante passo, com a assinatura, em Roma, do Tratado da Constituição Europeia (que unifica e substitui um conjunto de tratados aprovados desde o início do processo de integração europeia, nos anos 50 do século passado), o qual carece ainda de ratificação pelos 25 Estados-membros.

[1958]

4 Janeiro, 2005 at 8:30 am

CRISTÓVÃO COLOMBO (I)

Colombo Supõe-se que Cristóvão Colombo tenha nascido em Génova, Itália, cerca de 1451, filho de Domenico Colombo, artesão e tecelão em Génova, não sendo conhecidas muitas informações sobre os seus primeiros anos de vida, julgando-se que não tenha adquirido uma formação escolar muito desenvolvida.

Cedo iniciou as suas experiências no mar, iniciando-se como marinheiro aos 14 anos, viajando pela Europa e pela costa africana, chegando até à Guiné.

Em 1476, naufragou na costa portuguesa, ao largo do Algarve, aportando a Lagos, de onde partiram vários exploradores de África. Estabelecer-se-ia então em Lisboa, onde já vivia o seu irmão Bartolomeo.

Em 1480, casaria com Filipa Moniz, a filha do navegador Bartolomeu Perestrelo (donatário da ilha do Porto Santo), aí se fixando. Na biblioteca do sogro, estudaria as rotas marítimas. Adquiriria então conhecimentos ligados à navegação e à cartografia, havendo quem defenda que foi Portugal que fez de Colombo, “Colombo”, ao reunir às suas características de navegador mediterrânico (na tradição genovesa e catalã), o conhecimento português do Atlântico.

Começava então a desenvolver o projecto de chegar à Índia por mar, navegando sempre para ocidente, antevendo a forma esférica da Terra. Apresentou o seu projecto ao Rei de Portugal, D. João II, que, não dando crédito às ideias de Colombo, resolveu não o apoiar na sua expedição.

Durante muitos anos, procurou obter financiamento em Portugal, mas o projecto português passava pela descoberta de uma nova rota para o Oriente contornando África.

[1957]

3 Janeiro, 2005 at 6:11 pm

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