Archive for Julho, 2003
O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (III)
“- Mas que lindo pezinho de Laranja Lima! Veja que não tem nem um espinho. Ele tem tanta personalidade que a gente de longe já sabe que é Laranja Lima. Se eu fosse do seu tamanho, não queria outra coisa.
– Mas eu queria um pé de árvore grandão.
– Pense bem, Zezé. Ele é novinho ainda. Vai ficar um baita pé de laranja. Assim ele vai crescer junto com você. Vocês dois vão se entender como se fossem dois irmãos.”
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NOVOS LINKS
A propósito, uma nova actualização de links para “blogues” recomendados (obviamente, a lista nunca estará concluída e, nesta fase, a tendência será para continuar a crescer… já vamos em 40!), incluindo também duas novas secções (em fase “de arranque”), remetendo para alguns dos “melhores blogues” brasileiros e, para já, em língua estrangeira, apenas um em inglês (nos próximos dias, tentarei também pesquisar a “blogosphère française”).
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"OS BLOGS EM PORTUGAL E NO BRASIL"
Apresento a seguir extractos de uma interessante análise, escrita por Binoc (“O Meu Problema é Sexo”) no passado 31 de Maio.
“Iniciei o meu primeiro blog em 2001. Na época, não conhecia nenhum blog português. A minha aprendizagem, na falta de referências lusas, fez-se naturalmente, com a “escola brasileira”. O meu primeiro “mestre” foi o Iberê Rodrigues, que escreve o pic-ceu e que apesar de praticamente desconhecido, continua a ser para mim, o melhor blogueiro de língua portuguesa que li até hoje.
É evidente que este termo “escola brasileira”, é algo muito amplo e de contornos difusos. Basta-nos comparar os “destaques” do Weblogger Brasil com os “Blogs of Note” do blogger.br para verificar que a “gurizada” (a gaiatagem) está quase toda no Weblogger e o pessoal mais velho, no blogger (uns no brasileiro, outros no americano) e que entre ambos, existem diferenças abismais. Mas ainda assim, penso que é real a existência dessa “escola brasileira”, porque independentemente da idade do blogueiro, é comum aos blogs “made in brasil” a existência duma festa de cor e arte visual, que raramente encontramos paralelo nos blogs anglo-saxónicos, sempre austeros na sua aparência.
Comparando os blogs do Brasil com os de Portugal, diria que a grande diferença entre eles, deriva do enorme atraso que os portugueses sofrem em relação aos do Brasil.
Em Portugal, o movimento blog só agora começa a “mexer”, enquanto no Brasil as coisas vão já naquela triste fase, que um dia Portugal também há-de viver, em que os blogs são algo tão comum que, até mesmo qualquer adolescente retardado, desde que se interesse por internet, tem o seu blog.
A tristeza reside, evidentemente, em o blog desses adolescentes consistir assim numa “coisa” com música e uma mistura anárquica de bonecada, erros grosseiros de ortografia e abreviaturas.
Em Portugal, muito boa gente ainda julga que um blog deverá conter textos repletos de pérolas literárias e ter uma utilidade superior qualquer, que não seja irmã daquela que leva multidões a fazer sexo sem objectivos de procriação: o mero prazer.
…
Mas independentemente de me sentir à margem do mundo blogueiro português, tal não me impede de acompanhar a sua evolução e talvez até, por causa desse meu distanciamento, verificar com certa objectividade, o autismo de que muitos blogs portugueses padecem. Muitos vão ao ponto de não possuirem sequer links para outros blogs, nem sistemas de comentários. Tratam-se de blogs ensimesmados.
…
Conheço alguns blogs (brasileiros) escritos por jornalistas. Costumam apresentar-se antes de tudo como seres humanos e entre amigos, pelo que nessa condição, o traje é informal e a conversa é, apesar de escrita, próxima das conversas de café. Nestas circunstâncias, quase todos sabemos que é conveniente não só falar, mas também ouvir. Senão, a conversa tranforma-se em monólogo, ou pior ainda, em aula de faculdade.
Para terminar, só referir que no Brasil já se passou essa invasão de vips armados em blogueiros e ninguém morreu. Cada vez há mais blogs. (Mas apesar de serem milhares e milhares, falam uns com os outros, faz parte).”
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HUMAN DEVELOPMENT INDEX (II)
Numa primeira análise à tabela geral, constata-se que os países de mais elevado índice de desenvolvimento humano são os países nórdicos (Noruega, Islândia e Suécia. a Dinamarca e a Finlândia ocupam, respectivamente, a 11ª e 14ª posições).
Em termos gerais, os 15 países membros da União Europeia posicionam-se nos 24 primeiros lugares: Suécia em 3º; Holanda em 5º; Bélgica em 6º; depois, do 11º ao 19º, temos, respectivamente, Dinamarca, Irlanda, Reino Unido, Finlândia, Luxemburgo, Áustria, França, Alemanha e Espanha; a Itália é 21º; Portugal e Grécia .fecham o pelotão europeu., em 23º e 24º.
Nas primeiras 25 posições, as excepções à predominância europeia resumem-se a apenas seis: Austrália, EUA, Canadá, Japão, N. Zelândia (20º) e Israel (22º).
Os futuros membros da União Europeia surgem a partir do 25º lugar (Chipre . vidé post nº 4, de 29 de Junho) e, depois, Eslovénia (29º), R. Checa (32º), Malta (33º), Polónia (35º), Hungria (38º), Eslováquia (39º), Estónia (41º), Lituânia (45º) e Letónia (50º) . a propósito da próxima adesão (daqui a menos de 1 ano) destes países, tenciono escrever alguns textos tendo por objectivo dar a conhecer um pouco da sua realidade actual.
Os países de expressão oficial portuguesa (o estudo, reportado a 2001, não inclui ainda Timor Lorosae) posicionam-se da seguinte forma: Brasil (65º); Cabo Verde (103º); S. Tomé e Príncipe (122º – espero poder escrever algo de positivo nos próximos dias sobre o desfecho da situação conturbada pelo que o país passa nestes dias, até na sequência do protagonismo assumido na obra de Miguel Sousa Tavares, “EQUADOR”, que foi o primeiro tema deste “blogue”); Angola (164º); Guiné-Bissau (166º) e Moçambique (170º).
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O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (II)
“Tínhamos chegado na beira da Estrada Rio-São Paulo.
Passava tudo nela. Caminhão, automóvel, carroça e bicicleta.
– Olhe, Zezé, isso é importante. A gente primeiro olha bem. Olha para um lado e para outro. Agora.
Atravessamos correndo a estrada.
– Teve medo?
Bem que tive mas fiz não com a cabeça.
– Nós vamos atravessar de novo juntos. Depois quero ver se você aprendeu.
Voltamos.
– Agora você sozinho. Nada de medo que você está ficando um homenzinho.
Meu coração acelerou.
– Agora. Vai.”
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AS VOZES DA RÁDIO
Sempre exerceu sobre mim grande fascínio tentar “adivinhar” como será o rosto das “vozes da rádio”.
Aquelas vozes que nos são familiares, que nos habituámos a ouvir diariamente, com um estilo próprio e característico, marcantes como se de uma “impressão digital” se tratasse, que nos permitem com facilidade uma perfeita identificação da pessoa, mantendo-se contudo o mistério sobre a sua figura, a sua aparência, o seu aspecto.
Tentar imaginar qual a pessoa que corresponderá à voz: mais ou menos idosa, mais ou menos alta, mais ou menos magra… com ou sem óculos – talvez com um início de “entradas capilares”?
E depois, quando, para além da voz, também a figura ganha notoriedade (por via desse grande “mecanismo” chamado televisão), não será esse “feitiço” quebrado?
Não será essa uma das “magias” da rádio: a “construção” / idealização que proporciona, no imaginário individual (por parte de cada um de nós, ouvintes), de uma “imagem” para aquela voz que nos encanta?
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HUMAN DEVELOPMENT INDEX (I)
A ONU publicou recentemente o seu último relatório do “Índice de Desenvolvimento Humano“, em que são analisados, para um “universo” de 175 países, um vasto conjunto de indicadores de desenvolvimento humano.
Ao longo desta semana, proponho-me apresentar – tendo presente o objectivo genérico deste “blogue” – numa série de sete pequenos “artigos”, um resumo dos principais aspectos desse relatório. Um modesto contributo para que se possa discutir as suas conclusões com um maior conhecimento de causa.
E, começando pelo princípio, pelo imediato, “a classificação” mundial surge assim ordenada:
1. Noruega . 94,4
2. Islândia . 94,2
3. Suécia . 94,1
4. Austrália . 93,9
5. Holanda . 93,8
6. Bélgica . 93,7
7. EUA . 93,7
8. Canadá . 93,7
9. Japão . 93,2
10. Suíça . 93,2
.
23. Portugal . 89,6
.
55. México . 80,0
56. Antígua e Barbuda . 79,8
.
141. Togo . 50,1
142. Camarões . 49,9
.
175. Serra Leoa . 27,5
Os países classificados até à 55ª posição, são considerados de “Elevado Desenvolvimento Humano”; os posicionados até ao 141º lugar, são apresentados como de “Médio Desenvolvimento Humano”; os restantes 34 países são indicados como de “Reduzido Desenvolvimento Humano”.
Numa perspectiva positiva, a posição de Portugal não pode, obviamente, deixar de nos fazer sentir alguma satisfação (é preciso ter presente a noção da nossa dimensão, da nossa evolução histórica, do nosso passado mais ou menos recente), mas, ao mesmo tempo, não poderá deixar de constituir um desafio para que seja possível superar as dificuldades e os aspectos ainda a melhorar.
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O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (I)
O prometido é devido: inicia-se hoje uma apresentação de 10 extractos da obra de José Mauro de Vasconcelos, “O Meu Pé de Laranja Lima”. Apreciem estes momentos de rara beleza na escrita; enjoy it.
“A gente vinha de mãos dadas, sem pressa de nada pela rua. Totoca vinha me ensinando a vida. E eu estava muito contente porque meu irmão mais velho estava me dando a mão e ensinando as coisas. Mas ensinando as coisas fora de casa. Porque em casa eu aprendia descobrindo sozinho e fazendo sozinho, fazia errado e fazendo errado acabava sempre tomando umas palmadas.”
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WORLD GYMNAESTRADA
Começa hoje em Lisboa (até 26 de Julho) o “maior espectáculo desportivo do Mundo”: a 12ª World Gymnaestrada.
De quatro em quatro anos, decorre a maior realização mundial envolvendo apenas uma única modalidade olímpica: 25 000 atletas de 50 países, em 1 600 espectáculos, a realizar em 24 locais (desde o Estádio do Jamor – cerimónias de abertura e encerramento – aos Pavilhões da FIL, Estádio Universitário de Lisboa, até ao Pavilhão Atlântico).
“Gymnaestrada significa “o caminho”, a “via”, o “palco” por excelência dos mais evoluídos espectáculos gímnicos do mundo: um misto entre Circo da China, Ballet Gulbenkian, Cirque du Soleil, Hip Hop, Maurice Bejar e finais de Ginástica dos Jogos Olímpicos.”
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"O LIVRO DAS ILUSÕES"
“Após a morte da mulher e dos filhos num acidente de avião, David Zimmer entra em depressão. Para tentar fugir ao desespero, entrega-se à escrita de um livro sobre Hector Mann, um virtuoso do cinema mudo dado como desaparecido em 1929. Publicada a obra, David aceita traduzir as Memórias do Túmulo, de Chateaubriand, e refugia-se num lugar perdido para fazer face à hercúlea tarefa que se impôs. É então que recebe uma estranha carta proveniente de uma pequena cidade do Novo México, supostamente escrita pela mulher de Hector: “Hector leu o seu livro e gostaria de encontrá-lo. Está interessado em fazer-nos uma visita?” Trata-se de uma impostura ou Hector Mann está realmente vivo? Zimmer hesita, até que uma noite uma jovem mulher lhe bate à porta e o obriga a decidir-se, transformando para sempre a sua vida. Contada pela jovem mulher, a história do extraordinário e misterioso Hector Mann é o fio condutor do presente romance. Mas o poder narrativo de Paul Auster transporta-nos bem para lá da magia do cinema mudo e mergulha-nos no coração de um universo muito pessoal, em que o cómico e o trágico, o real e o imaginado, a violência e a ternura se misturam e dissolvem. Com O Livro das Ilusões, Paul Auster – um dos mais talentosos e originais escritores americanos – oferece-nos aquela que é, porventura, a mais rica e empolgante das suas obras.”
Com a apresentação da mais recente obra de Paul Auster, termina este “mini-ciclo” dedicado a uma das maiores figuras da escrita actual a nível mundial.
Se tiver conseguido despertar – a quem não teve ainda oportunidade de o ler – a curiosidade de conhecer melhor a grandiosidade da sua escrita, terá sido plena e cabalmente atingido o objectivo a que me propus. “Bon apétit!”.
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