Archive for 23 Julho, 2003

O MEU PÉ DE LARANJA LIMA (IV)

« . Quando eu crescer vou comprar um carro bonito como o de seu Manuel Valadares. Aquele do Português, você se lembra? Aquele que passou pela gente uma vez na Estação quando a gente estava dando adeus para o Mangaratiba. Pois bem vou comprar um carrão lindo daqueles cheio de presente e só para você.»

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23 Julho, 2003 at 8:11 pm

“UN SAÚDO”

É com prazer que transcrevo esta mensagem, recebida da Galiza: 

“Olá! Acabo xusto de descubrir o teu blog ao ler a referencia en “Carta aberta”, do César Valente. Conhezo e visito diversos blogs brasileiros, “Carta aberta” por suposto, pero tamén a “Montanha Mágica” (http://montanhablog.cjb.net/), o “Lugar Incomum” (http://lugarincomum.blogger.com.br/) ou o “De tudo um pouco” (http://www.falandodetudo.blogger.com.br/); pero curiosamente non conhezo apenas nada de blogs portugueses (ben, non é curioso, é o de sempre: eu escríboche desde A Corunha, na Galiza, e por razóns que se me escapan e que nunca entenderei os nosos dous países viven permanentemente de costas, ignorando que mesmo temos unha lingua en común). Estou, pois, encantado de achar o teu e de ver nel un feixe de bos enlaces que irei visitando en próximos días. 

Eu mantenho un blog en lingua galega; non emprego en senso estricto a normativa oficial, precisamente, pero ao parecer entendéseme e todo. Chámase “días estranhos” e o enderezo é http://pawley.blogalia.com. Tómome a licencia de che recomendar tamén o blog dun amigo galego residente en Río, “desde o sovaco de cristo”, http://omar.blogalia.com No meu blog incluín enlaces a todos os blogs escritos en galego que eu conhezo, por se tes interese neles.” 

Aqui fica a nota. É claro que vou tentar visitar tudo! (O dias estranhos passa imediatamente para a coluna da direita, dos recomendados…). 

Este é o admirável mundo novo que temos por descobrir. 

P. S. Ainda mais um agradecimento, também ao Cris Dias (do lado de lá do Atlântico). 

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23 Julho, 2003 at 6:26 pm

"LIVE JOURNAL"

A propósito da minha leitura sobre o fenómeno dos “blogues”, diz-me o Retorta

“Sobre as notas que colocou acerca dos blogues em Portugal, só queria dar uma achega. 

Muito antes da explosão do último mês, já havia blogues em Portugal, alguns muito mais antigos. Pessoalmente comecei o meu em finais de 2001, quando não se falava cá disso. Uma das diferenças é que o comecei no Live Journal e não no blogspot. Já na altura havia lá alguns blogues de portugueses, depois como é óbvio o número deles foi crescendo, mas muito antes desta “febre”. Um dos problemas que eu vejo tem a ver com a noção de que isto começou de repente, e que fazer um blogue é sinónimo de o começar no blogspot. Fora de esfera de todos estes blogues há muitos outros, alguns bem mais interessantes (serão poucos, concedo, mas existem) e que são ignorados porque não pertencem ao “mainstream” e não são feitos para a citação cruzada. 

Outra das coisas com a qual não concordo é a classificação de interessante atribuída a um blogue, derivada essencialmente à forma como está escrito. Acho que com esses critérios se despreza outras formas de expressão, nomeadamente visuais. Sendo fotógrafo é claro que as imagens constituirão uma boa parte da minha contribuição e daí a minha referência a esse facto. 

De qualquer forma, a antiguidade de um blogue não lhe dá nenhuma mais valia em termos de qualidade à partida, pelo que todos são sempre julgados pelo seu conteúdo.” 

São sempre novas perspectivas / novos horizontes que se abrem (para além do que é mais “visível”) e, obviamente, tal será sempre enriquecedor. Evidentemente, concordo com a sua ideia de que há outras formas de expressão, para além da escrita. 

P.S. Mais um agradecimento (acho que não fica mal ser “cortês” para quem nos refere pela positiva) também ao Terras do Nunca

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23 Julho, 2003 at 6:21 pm

"METABLOGUISMO"

Ontem na NTV, no “Livro Aberto”, debate sobre os “blogues”, moderado por Francisco José Viegas (Aviz), com as participações de: Pedro Mexia (Dicionário do Diabo); Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento); Nuno Jerónimo (Blogue dos Marretas); Bernardo Rodrigues (Desejo Casar) e Cristina Fernandes (Janela Indiscreta). 

Algumas notas / “referências ao correr da pena” (ou, no caso, com mais propriedade, “ao correr do teclado”): 

Francisco José Viegas – “Poderão os blogues ser encarados como alternativa aos meios de comunicação tradicionais? Os blogues são “umbiguistas”? Existe uma referência permanente aos livros: links, referências, citações, “blogues temáticos” dedicados à literatura. Há pessoas que são viciadas (addicted) na escrita nos blogues? Os blogues vão sobreviver ao Verão? Os políticos podem aprender alguma coisa com os blogues?” 

Pedro Mexia – “Comecei por ler o Andrew Sullivan (“Como fazer um blogue”; foi como um “manual de instruções”). O blogue é um diário (não íntimo), público, na Internet. Começa a haver como que regras “deontológicas”: “um blogue, depois de escrito e publicado, não se apaga”. Nos blogues, há uma pluralidade de links para a imprensa genérica. É muito difícil manter um blogue sem estar informado (sem ler jornais). O blogue não pode ser nunca um substituto do jornalismo. O que mais me agrada nos blogues é a qualidade de escrita: hoje em dia, é claramente superior à dos jornais. Com a quantidade de blogues a aumentar, é impossível seguir todos os blogues; começa a haver blogues temáticos. A actualização constante é muito importante; se o blogue não for actualizado, os “leitores”, após um conjunto de visitas sem que haja novos textos vão começar a abandonar esse blogue; procuro escrever todos os dias. Não é uma questão de audiência; principalmente, isto é um hobby para todos nós!” 

Ricardo Araújo Pereira – “Estamos a manifestar as nossas opiniões num obscuro recanto da Internet! Os outros meios de comunicação social também se comentam muito uns aos outros. Os blogues recuperam a tradição da tertúlia. O blogue permite manter uma “conversa”, através de uma linguagem por escrito (sem ser ao nível da “linguagem degradada” do chat); há uma linguagem cuidada nos blogues. A linguagem do blogue não é uma linguagem “comercial” como a utilizada pelas “Produções Fictícias”. No fundo, essencialmente, nós somos pessoas que gostam de escrever.” 

Nuno Jerónimo – “Nós somos professores universitários; por definição não há vida íntima… Qualquer profissão que tenha por pressuposto a exposição pública (por exemplo, ser professor) pode ser considerada uma forma de exibicionismo? A leitura do blogue é um gesto activo; só lê quem quer; não é um veículo de comunicação passivo, como a televisão, que “impõe a sua presença”. Os blogues apenas poderão ser entendidos como complemento aos restantes meios de comunicação. Os blogues têm – talvez surpreendentemente – um conjunto de pessoas a escrever bem. Pode parecer pretensioso, mas deixamos mensagens do tipo: “Este fim-de-semana vamos estar ausentes” (é um cuidado para com o “leitor”). Tenho tantos blogues para ler! Agora só leio blogues; blogues, exames e o “Corto Maltese”.” 

Bernardo Rodrigues – “A prova do mês de Julho / Agosto vai ser determinante para ver qual será a evolução deste fenómeno, para avaliar até que ponto se trata de uma “moda” mais ou menos passageira. O blogue é de reacção imediata; a escrita é um gesto imediatista, mas que deixa rasto … “não se apaga um texto que tenha sido escrito”. A questão do “tempo” é fulcral, no sentido em que há um “feedback quase online”.” 

Cristina Fernandes – “Não há “umbiguismo”, nem exibicionismo; estamos a falar para poucos, em circuito fechado, entre nós; a “audiência” ainda é muito restrita.” 

E assim disseram… Está dito! E bem dito! (por eles, obviamente…). 

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23 Julho, 2003 at 7:50 am

OS "BLOGUES" NO BRASIL E EM PORTUGAL

Tem muita razão Binoc no texto que escreve sobre os “blogues” em Portugal e no Brasil, o qual me parece uma análise pertinente e interessante. 

Numa outra “visão” (de quem apenas conhece o “lado de cá do Atlântico”), é a seguinte a leitura (numa perspectiva meramente pessoal, em “10 pontos” – porventura ainda algo imediatista) que faço deste fenómeno: 

1. Os “blogues” acabam de nascer em Portugal (enquanto que no Brasil, têm um historial já “velho”, de mais de 2 anos…).

2. Temos portanto um “atraso enorme” relativamente aos blogues do Brasil (com uma divulgação e “circulação” incomparáveis – bem patente na abissal diferença do número médio de visitantes de qualquer “blogue”, entre os dois países – o Brasil é um “país-continente”); em termos de número de “blogues”, a “relação de forças” será qualquer coisa do tipo: 1 300 (dos quais mais de metade com menos de 1 mês!!!) em Portugal, para algumas dezenas de milhares (mais de 30 000?) no Brasil. 

3. Em Portugal, há alguns “blogues” sem links e, muitos outros (incluindo o meu), sem sistema de comentários (o que não quererá significar necessariamente que sejam “ensimesmados”, desde logo, porque terão, na maior parte dos casos, indicação de e-mail de contacto). 

4. Os “comentários” nos “blogues” brasileiros parecem-se, muitas vezes, com um diálogo (tipo “chat”) alargado a um grupo mais ou menos vasto de pessoas – é como se se tivesse substituído a “comunicação” via e-mail (ou a mais juvenil via “SMS”) pela “comunicação” via “comentários” nos “blogues”. 

5. Os “blogues” portugueses serão, na generalidade, bastante “mais sérios” (fará talvez parte da diferente “matriz genética cultural” dos dois povos…) – mas também os há (e “bons”) em que o humor é a “pedra de toque”.

6. Efectivamente, os “blogues” brasileiros caracterizam-se geralmente por uma “festa de cor e arte visual” (tendencialmente exagerada – que, em alguns casos, impossibilita, na prática, qualquer tentativa de leitura, tal a quantidade de “bonecos”, “gadgets”, “imagens saltitantes”, sortido de cores …). 

7. Os “blogues” brasileiros são, muitos deles, do tipo “Meu querido diário” (portanto, com um interesse geral limitado). 

8. Os “blogues” brasileiros parecem ser mantidos, em número importante, por mulheres (aparentemente, de todas as idades – desde as jovens adolescentes, com as suas “historinhas” de flirts, até às “mais maduras”, já avós, que não hesitam em postar as fotos dos netinhos e das reuniões sociais com as amigas, quando não do “chá das cinco de ontem”). 

9. Cá, como lá, há “bons” (vidé links “Brasil”, cujo primeiro levantamento coloquei ontem na minha lista de “favoritos”) e “menos bons” “blogues”; nem sempre a quantidade fará a qualidade, mas o número de opções disponíveis deverá resultar, em termos médios, numa maior diversidade, potencialmente enriquecedora de conteúdo. 

10. Acima de tudo – concluindo, concordando com Binoc – o que deverá contar realmente, é o prazer que se tira da experiência da escrita (e, porque não reconhecê-lo também, de “ser lido” por outros e de se saber que “se é lido”). 

P. S. – Obrigado ao Carta Aberta pela referência. Fico muito satisfeito que tenha valido a pena a “rápida incursão” que fez pelos blogues portugueses. Volte sempre! 

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23 Julho, 2003 at 7:36 am

HUMAN DEVELOPMENT INDEX (III)

Ao longo dos anos, os países mais bem posicionados no .Índice de Desenvolvimento Humano. apresentaram a seguinte tendência de evolução (nos estudos relativos, respectivamente, aos anos de 1975; 1980; 1985; 1990; 1995; 2001):

– Noruega: 8º / / 7º / / 4º / (94,4)

– Islândia: 6º / (88,4) / 3º / / 9º /
– Suécia: 7º / / 9º / 10º / 5º /

– Austrália: 12º / 11º / 11º / 14º / 2º /
– Holanda: 5º / / 5º / / 3º /

– Bélgica: 13º / 13º / 13º / 12º / 6º /
– EUA: 4º / / 2º / / 7º /

– Canadá: 3º / / 1º (90,4) / (92,4) / 1º (92,9) /

– Japão: 9º / / 6º / / 8º /
– Suíça: 1º (87,2) / / 4º / / 12º / 10º

.
– Portugal: 24º (78,5) / 27º (79,9) / 25º (82,1) / 26º (84,7) / 23º (87,6) / 23º (89,6)

A posição relativa de Portugal tem apresentado portanto ligeiras flutuações, tendo sido possível recuperar 4 lugares entre 1980 e 1995, conseguindo-se manter a posição em 2001.

O Canadá, que fora o líder mundial entre 1985 e 1995 regista uma .forte queda., para a 8ª posição. A Suíça teve também uma evolução menos favorável, tendo perdido os primeiros lugares.

Inversamente, a Noruega, para além da Austrália, Bélgica e Suécia, foram os países com melhores evoluções no período em análise.

Têm conseguido manter posições de relevo, de uma forma estável e permanente, a Islândia e a Holanda.

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23 Julho, 2003 at 7:23 am


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