Archive for Dezembro, 2003

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO – DO LADO DE SWANN (II)

“Como eu não tinha qualquer noção da hierarquia social, a impossibilidade que há muito o meu pai decidira de que frequentássemos a senhora e a menina Swann, ao fazer-me imaginar entre elas e nós grandes distâncias, tivera antes o efeito de lhes atribuir prestígio a meus olhos. Lamentava que a minha mãe não tingisse o cabelo nem pintasse os lábios, como eu ouvira dizer à nossa vizinha, a senhora Sazerat, que a senhora Swann fazia para agradar, não ao marido, mas ao senhor de Charlus, e pensava que devíamos ser para ela objecto de desprezo, o que me desgostava, sobretudo por causa da menina Swann, que me haviam dito ser uma menina tão bonita e com quem eu sonhava muitas vezes atribuindo-lhe sempre um mesmo rosto arbitrário e encantador. Mas, quando soube nesse dia que a menina Swann era um ser de uma condição tão rara, mergulhada como no seu elemento natural em tantos privilégios que, quando perguntava aos pais se vinha alguém jantar, lhe respondiam com estas sílabas cheias de luz, com o nome desse conviva de oiro que para ela não passava de um velho amigo da família: Bergotte; que, para ela, a conversa íntima à mesa, o que para mim correspondia à conversa da minha tia-avó, eram palavras de Bergotte acerca de todos aqueles assuntos que não pudera abordar nos seus livros, e sobre os quais eu bem gostaria de o ouvir emitir os seus oráculos; e que, por fim, quando ia visitar cidades, ia com ele ao seu lado, desconhecido e glorioso, como os deuses que desciam ao meio dos mortais – então senti, ao mesmo tempo que o valor de um ser como a menina Swann, como eu havia de lhe parecer grosseiro e ignorante, e experimentei tão vivamente a suavidade e a impossibilidade que para mim existiria em ser seu amigo que me enchi ao mesmo tempo de desejo e desespero. Agora, a maioria das vezes, quando pensava nela, via-a diante do pórtico de uma catedral, explicando-me o significado das estátuas, e, com um sorriso que me lisonjeava, apresentando-me a Bergotte como seu amigo. E sempre o encanto de todas as ideias que as catedrais em mim faziam nascer, o encanto das encostas da Ilha de França e das planícies da Normandia, faziam refluir os seus efeitos sobre a imagem que formava da menina Swann; era estar pronto para amá-la”.

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30 Dezembro, 2003 at 8:56 am

1998 – EXPO’98

“Seis anos depois de ter sido escolhida para acolher a última exposição mundial do século, Lisboa recebe milhões de pessoas e representações de 145 países, construindo para o efeito uma cidade dentro da cidade, com a recuperação urbana da zona oriental. A exposição, consagrada aos oceanos e ao 500º aniversário da chegada de Vasco da Gama à Índia, assenta em quatro edifícios idealizados para o evento: Oceanário, Pavilhão do Conhecimento dos Mares, Pavilhão da Utopia e Pavilhão do Futuro”.

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30 Dezembro, 2003 at 8:14 am

1998 – NOVA PONTE

“Inaugurada a Ponte Vasco da Gama, entre Sacavém e Montijo. É a maior da Europa, tendo custado 180 milhões de contos”.

P. S. Novos agradecimentos, ao Abrangente (pela simpática referência) e ao Placard.

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30 Dezembro, 2003 at 8:13 am

1998 – FOZ CÔA

“Depois de intensa polémica em torno da sua validade, as gravuras rupestres do Côa (posteriormente classificadas pela Unesco como património mundial) são preservadas. Para o efeito, é suspensa a construção de uma barragem naquele local”.

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30 Dezembro, 2003 at 8:11 am

2003 – ANO DOS "BLOGUES" (XXX)

A 30 de Outubro, realiza-se na Sociedade de Geografia, em Lisboa, o Encontro Informal de Blogues, sob o lema “Blogues, moda efémera ou meio de comunicação de futuro?”.

No suplemento “Computadores” do “Público” de 3 de Novembro, Pedro Fonseca relata o ocorrido no Encontro Informal de Blogues de 30 de Outubro, artigo no qual se baseia – para além de outros relatos, nomeadamente os apresentados na página antes referida – o resumo apresentado de seguida.

Foi anunciado o lançamento de uma nova plataforma portuguesa de “blogues”: Blogs.sapo.pt.

Paulo Querido “explicou o que são os “blogues””, falando também da sua experiência com a plataforma Weblog.com.pt.

Pedro Lomba (Flor de Obsessão) afirmou serem os “blogues” um excelente exercício de escrita, uma “disciplina que nos obriga a ir lá todos os dias”, defendendo ainda que, mesmo procurando só escrever o que lhe apetece nos jornais, “a imprensa tem um público mais institucional e, num jornal, a liberdade não é total”, além de que certos textos apenas fazem sentido nos blogues.

José Mário Silva (Blog de Esquerda) salientou a necessidade de se guardar alguns destes “retratos do país”. Eles são complemento dos médias tradicionais, “antecipam temas dois ou três meses” antes de a comunicação social atentar neles e dão resposta a uma carência nos espaços de opinião. Por outro lado, há também uma “experimentação da língua” na blogosfera, com “algumas dezenas ou mais de blogues muito bem escritos”.

Pedro Mexia, do Dicionário do Diabo, referiu que: “Um blogue ou uma coluna de opinião é de alguém que tem a presunção – pateta, com certeza – de que tem algo a dizer”, quer ser citado e ter algum retorno comunicacional dos leitores. Por isso, “é necessário descriminalizar essa ideia do sucesso, da audiência.” Lembrando que “um blogue é um ‘hobby’ não remunerado”, Pedro Mexia salientou ainda como conseguiu mais inimigos num único ano a escrever em blogues do que em toda a sua vida.

Mário Pires (Retorta) falou sobre as comunhões que é possível estabelecer na “blogosfera”, manifestando o seu desejo que, por exemplo, a fotografia, possa beneficiar de maior interesse e atenção.

João Nogueira, do Socioblogue, colocou em causa a meritocracia que Pedro Lomba afirmava entrever na blogosfera, assinalando a existência de “blogues muito bons que ninguém lê”.

P. S. Pode também ver excelentes fotos do “Encontro”, pelo Mário Pires, no Retorta: aqui, aqui e aqui.

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29 Dezembro, 2003 at 6:25 pm 2 comentários

1º "POST" – GRANDE LOJA DO QUEIJO LIMIANO – 01.09.2003

“Caros Bloguistas, blogueiros…

Como já repararam este é um blogue diferente. Primeiro, porque é diferente; segundo, porque não é igual aos outros; terceiro, porque não venho para aqui escrever sobre tudo e sobre nada; quarto, porque nem sempre escrevo.

Por isso mesmo, este blogue está já no top 10 dos blogues mais vistos, lidos e relidos em todo o mundo. Daí que brevemente haverá alterações de fundo – Mais colunistas, mais informação, mais reflexão.

Haverá um painel fixo de colunistas que será constituído por jornalistas activos e passivos, politicos activos e passivos, cidadãos activos e passivos, homens públicos e homens secretos – também activos e passivos…

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29 Dezembro, 2003 at 6:19 pm

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO – DO LADO DE SWANN (I)

A fechar o ano, nesta semana, breves excertos do primeiro volume desta grande obra de Marcel Proust, “Em Busca do Tempo Perdido”, recentemente editada em Portugal, com a tradução de Pedro Tamen.

“Durante muito tempo fui para a cama cedo. Por vezes, mal apagava a vela, os olhos fechavam-se-me tão depressa que não tinha tempo de pensar: «Vou adormecer.» E, meia hora depois, era acordado pela ideia de que era de tempo de conciliar o sono; queria poisar o volume que julgava ter nas mãos e soprar a chama de luz; dormira, e não parara de reflectir sobre o que acabara de ler, mas tais reflexões haviam tomado um aspecto um tanto especial; parecia-me que era de mim mesmo que a obra falava: uma igreja, um quarteto, a rivalidade entre Francisco I e Carlos V. Esta crença sobrevivia alguns segundos ao despertar; não me chocava a razão, mas pesava-me nos olhos como escamas, e impedia-os de verificar que a palmatória já não estava acesa. Depois começava a tornar-se-me ininteligível, tal como, após a metempsicose, os pensamentos de uma existência anterior; o assunto do livro soltava-se de mim, e ficava livre de me adaptar ou não a ele; logo recuperava a vista, e ficava muito admirado de encontrar em meu redor uma obscuridade, doce e repousante para os olhos, mas talvez ainda mais para o espírito, ao qual se revelava como coisa sem causa, incompreensível, como coisa verdadeiramente obscura. A mim mesmo perguntava que horas poderiam ser; ouvia o apito dos comboios que, mais ou menos afastado, como o cantar de um pássaro numa floresta, acentuando as distâncias, me descrevia a extensão dos campos desertos onde o viajante se apressa para a próxima paragem; e o estreito caminho para onde segue vai ficar-lhe gravado na memória pela excitação que deve a lugares novos, a actos inusitados, à conversa recente e às despedidas à luz do candeeiro alheio, que o acompanhavam ainda no silêncio da noite, à doçura próxima do regresso”.

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29 Dezembro, 2003 at 12:36 pm

UNIÃO EUROPEIA – 1998

Em Março, realiza-se em Londres uma conferência europeia, que reúne os 15 Estados-Membros e os países que solicitaram formalmente a adesão à UE.

A Comissão adopta um relatório sobre a situação em matéria de convergência e recomenda a onze Estados-Membros a adopção do euro, a partir de 1 de Janeiro de 1999.

Em Maio, o Conselho extraordinário decide que onze Estados-Membros preenchem as condições necessárias para a adopção da moeda única em 1 de Janeiro de 1999. A Comissão e o Instituto Monetário Europeu especificam as condições para a fixação das taxas de conversão irrevogáveis do euro.

Os governos dos Estados-Membros adoptam a moeda única e nomeiam, de comum acordo, o presidente, o vice-presidente e os outros membros da Comissão Executiva do Banco Central Europeu. Em Junho, é instituído o Banco Central Europeu.

Em Dezembro, o Conselho adopta as taxas de conversão fixas e irrevogáveis entre as moedas nacionais dos onze Estados-Membros participantes e o Euro.

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29 Dezembro, 2003 at 8:58 am

1998 – NOBEL DA LITERATURA

“A Academia Sueca distingue, pela primeira vez, um escritor de língua portuguesa com o Prémio Nobel da Literatura. O contemplado é José Saramago, já distinguido com o Prémio Camões em 1995, autor de uma vasta obra de ficção singularmente escrita sobretudo a partir dos 60 anos. Antigo jornalista, o Nobel da Literatura exerceu, em 1975, o cargo de subdirector do “Diário de Notícias””.

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29 Dezembro, 2003 at 8:40 am

1998 – "RELAÇÃO IMPRÓPRIA"

“O caso Bill Clinton – Monica Lewinsky coloca o presidente dos EUA perante o risco da destituição, devido à confessada “relação imprópria” com uma estagiária da Casa Branca. O escândalo é explorado pelos adversários do presidentes, mas sem o afectar politicamente”.

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29 Dezembro, 2003 at 8:39 am

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