Archive for 6 Outubro, 2003

“CONSTITUIÇÃO EUROPEIA” (I)

Decorrendo do próximo (agendado para 1 de Maio de 2004) alargamento da União Europeia a 25 países, revela-se necessária a definição de um novo quadro institucional europeu.

Desde Sábado, em Roma, a Conferência Intergovernamental começou as negociações para a revisão dos tratados e definição do novo tratado constitucional da União.

Se, até agora, os 15 países membros foram percorrendo cada etapa – não obstante haver um pelotão da frente e um outro mais atrasado – em “conjunto” (posicionando-se geralmente Portugal num delicado penúltimo lugar, mas tendo conseguido superar a prova mais difícil, a da integração no Euro), a maior complexidade associada a uma União a 25 implicará provavelmente uma evolução no sentido de permitir a tão falada “Europa a duas (ou mais…) velocidades”, com uns países a “andar” mais rapidamente que outros – no limite, com cada país a poder adoptar o seu próprio ritmo de integração.

A assinatura formal da futura “Constituição Europeia” deverá ocorrer após a adesão dos novos países-membros (1 de Maio de 2004), mas antes das eleições europeias de Junho de 2004; a sua ratificação poderia realizar-se a partir de Outubro, processo que se pode estender pelos anos de 2005 e 2006 – pretendendo vários países proceder a referendo sobre o novo Tratado (incluindo Portugal, assunto a que voltarei proximamente). A entrada em vigor da nova Constituição seria apenas em 2009 (já depois da prevista adesão da Bulgária e Roménia, em 2007).

Na perspectiva da realização de amplos referendos nacionais, os responsáveis de cada país transportam a “espinhosa missão” de conseguir a aprovação de um texto que possa ser aceite pelas respectivas opiniões públicas.

Portugal parte para a conferência, aberto à negociação, mas pretendendo defender até onde for possível o princípio da igualdade entre todos os Estados membros, essencialmente no que respeita à garantia da manutenção de um Comissário por país (“ministro” integrante da Comissão Europeia).

[356]

6 Outubro, 2003 at 1:41 pm

NOBEL DA MEDICINA

O Prémio Nobel da Medicina 2003 foi atribuído conjuntamente ao norte-americano Paul Lauterbur e ao britânico Peter Mansfield pelas suas descobertas no campo das imagens obtidas por ressonância magnética.

[355]

6 Outubro, 2003 at 1:41 pm

DIÁRIO – XII – MIGUEL TORGA (I)

De Miguel Torga, escreveu José Saramago: “Algumas vezes, nestes últimos tempos, os nossos nomes apareceram juntos, e sempre que tal sucedia não podia evitar o pensamento de que o meu lugar não era ali… Achava que havia em Torga algo que eu gostaria de ter, e não tinha, o direito ganho por uma obra com uma dimensão em todos os sentidos fora do comum (…)”.

Durante esta semana, como “Livro do Mês”, apresentarei extractos da obra de Miguel Torga, “Diário – XII”, que me pareceu bastante indicada para apresentação neste suporte dos “blogues”, em que a componente “diarística” é tão característica.

“Luanda, 18 de Maio de 1973 – Revolvo-me insofrido na cama escaldante, a registar, ainda atordoado, as primeiras impressões de um cometimento a que eu próprio não consigo encontrar clara motivação.

O sentimento obscuro de que não podia ser protelado por mais tempo um encontro há largos anos apetecido e a crepuscular premonição de um adeus eterno talvez não sejam descabidos na crónica desta aventura que de tão longe me trouxe e tantas resistências me obrigou a vencer. Fisiológicas até. Mas venci-as, e aqui estou ao cabo de oito horas de pavor e deslumbramento que tiveram fim numa espécie de baque da alma. Angola!

Não foi certamente a mesma emoção que sentiu um mareante de quinhentos ao pisar estas paragens, mas quase. Dentro de mim ressoavam mil alvoroços, a par de cavos sussurros menos solares. Apenas o avião descolou, uma bisarma que parecia um comboio aéreo, depois de dar voltas na cadeira como os cães na palha do ninho fresco, tentei ler, ouvir música, ver cinema e, finalmente, imitar os restantes passageiros e dormir. Qual o quê!

Não se distrai facilmente o espírito empenhado numa descoberta tão medularmente necessitada, e muito menos o instinto de conservação vigilante.

Quando o monstro mecânico, numa leveza de pena, tocou o rectângulo negro que traços de luz balizavam, até me envergonhei do romantismo pretérito do meu terror. Saí então daquele espaço reservado e condicionado, onde nem o medo natural era legítimo, e respirei o ar livre das contingências. Um ar quente, húmido, pesado, pegajoso, que se me colou instantaneamente ao corpo como um grude invisível e me trouxe à pele a lembrança esquecida do Brasil. O bafo escaldante de uma terra onde sei que estou, de que já vi sinais concretos, e que só através desta respiração morna e pastosa me parece real.”

[354]

6 Outubro, 2003 at 8:41 am

1945 – MUD

“No ambiente de fim de guerra, propício à democracia, opositores ao regime constituem o Movimento de União Democrática e subscrevem listas em que se reclamam eleições livres e o fim da censura à Imprensa”.

[353]

6 Outubro, 2003 at 7:14 am

1945 – NAÇÕES UNIDAS

“Na Conferência de São Francisco, a 26 de Junho, 50 nações assinam a Carta da Organização das Nações Unidas, sucessora da extinta Sociedade das Nações.”

[352]

6 Outubro, 2003 at 7:13 am


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