MUNDIAL 2006 – 1/8 FINAL – PORTUGAL – HOLANDA

25 Junho, 2006 at 9:53 pm 1 comentário

PortugalHolanda1-0

Portugal Ricardo, Miguel, Fernando Meira, Ricardo Carvalho e Nuno Valente, Costinha, Maniche, Luís Figo (82m – Tiago), Deco, Cristiano Ronaldo (33m – Simão Sabrosa) e Pauleta (46m – Petit)

Holanda Edwin van der Sar, Khalid Boulahrouz, Joris Mathijsen (56m – Rafael van der Vaart), Giovanni van Bronckhorst, Dirk Kuyt, Phillip Cocu (85m – Jan Hesselink) , Arjen Robben, Andre Ooijer, Robin van Persie, Mark van Bommel (67m – John Heitinga) e Wesley Sneijder

Logo desde o primeiro minuto, a Holanda a trocar a bola no seu meio campo defensivo, parecendo querer adormecer a equipa portuguesa… mas, quando subiu no terreno, a jogada foi finalizada com um perigoso remate de Van Bommel, ligeiramente ao lado da baliza de Ricardo.

Aos 3 minutos, a Holanda chegava novamente ao meio-campo português, com Arjen Robben a rematar bastante ao lado.

Ao quinto minuto, van Bronckhorst marcou um livre, rasteiro, com a bola a ir “à figura” de Ricardo, sem dificuldade para deter a bola.

Nos minutos seguintes, Portugal procurou “pegar no jogo”, mas sem conseguir suplantar a barreira defensiva holandesa, e, nas jogadas em profundidade, com Pauleta a ser apanhado em posição irregular por duas vezes (aos 8 e 12 minutos) – situação que repetiria aos 40 minutos.

Aos 14 minutos, a Holanda voltou a chegar à zona defensiva portuguesa, com Van Persie a rematar novamente ao lado.

Aos 16 minutos, Robben, escapando-se pelo lado esquerdo, leva uma vez mais o perigo à área portuguesa, conseguindo mesmo fazer dois ou três dribles, até perder a bola.

O primeiro canto da partida, a favor de Portugal, surgiu aos 18 minutos. Marcou Deco, com cabeceamento defeituoso de Fernando Meira, a sair paralelo à baliza.

O jogo assumia contornos muito tácticos, com a Holanda “à espera” de Portugal, até que, aos 23 minutos, numa bela jogada de envolvência, iniciada em Cristiano Ronaldo, solicitando a corrida de Deco pelo flanco direito, que cruzou para Pauleta, com um ligeiro toque, surgindo Maniche, entrando de trás, e depois de, com muita classe, desviar um adversário do caminho, a disparar para um excelente golo, dando vantagem a Portugal, repetindo o feito do EURO 2004.


Foto – Associated Press

No minuto seguinte, um canto a favor da Holanda, acabou… com um “balão” para o ar, sem nexo.

Para, logo de seguida, aos 26 minutos, Maniche tentar reeditar o melhor golo do EURO 2004… desta vez, com a bola a sair ligeiramente por cima da baliza.

Aos 29 minutos, mais um canto para a Holanda, igualmente sem consequências.

Entre os 7 e os 15 minutos, Portugal jogara com Cristiano Ronaldo a “meio-gás” (sendo assistido por duas vezes, com o jogo a decorrer), na sequência de uma entrada faltosa do lateral direito holandês, Boulahrouz, que lhe valeu ser admoestado com o cartão amarelo. O português foi procurando resistir, mas, aos 33 minutos, viu-se forçado a solicitar a substituição, por Simão Sabrosa.

Aos 36 minutos, um corte que saiu mal a Ricardo Carvalho, originou novo canto para a Holanda. Fernando Meira disse presente, afastando a bola da zona de perigo.

No minuto seguinte, Van Persie, desta vez do lado direito, imitou a jogada de Robben aos 16 minutos, driblando na área portuguesa (à espera da falta…), acabando por rematar, com muito perigo, ligeiramente ao lado.

Aos 39 minutos, Costinha, procurando jogar a bola, atinge o pé do adversário; o árbitro não viu a falta… que poderia ter significado a expulsão do médio português.

Ao minuto 42, o árbitro assinala posição de “fora-de-jogo” a Robben, precisamente antes de ser atingido por um “pé alto” de Nuno Valente (que, caso o jogo não tivesse sido interrompido, originaria uma grande penalidade… e, provavelmente, a expulsão do português).

Aos 44 minutos, a Holanda beneficia de um livre perigoso, mas Sneijder a rematar bastante ao lado.

Na jogada imediata, Pauleta tem o golo nos pés, a centro de Simão, rodou na pequena área, preparava-se para “fuzilar” van der Sar, que desviou.

E, precipitada e desafortunadamente, na continuação do lance, já com o jogo a meio-campo, Costinha interceptou a bola com a mão… e foi expulso.

Tal obrigaria a (mais) uma substituição forçada, com Petit a ocupar o lugar de Costinha, sendo Pauleta o “sacrificado”. Portugal passava a jogar com Simão Sabrosa como elemento mais avançado.

No reinício, logo na primeira jogada, Kuyt ameaçou Ricardo, que pareceu desconcentrado, defendendo com bastante dificuldade.

Aos 49 minutos, numa jogada de muita atrapalhação na defensiva portuguesa, a bola embateu com estrondo na barra da baliza, na mais flagrante oportunidade de golo da Holanda.

No minuto imediato, primeiro foi Miguel a fazer todo o corredor direito, entrando na área e rematando para as mãos de Van der Sar… para, logo de seguida, na resposta, Van Bommel rematar com perigo, com a bola a bater no chão à frente de Ricardo, obrigado a uma difícil defesa.

A Holanda entrava de rompante, assustando bastante a equipa portuguesa. Que, passados os primeiros 5 minutos, conseguiu começar a repelir as investidas holandesas, com Figo a rematar com perigo à baliza holandesa, aos 53 minutos… para, 4 minutos volvidos, ser Maniche a tentar de novo a sua sorte, ameaçando uma vez mais Van der Sar.

Aos 58 minutos, a Holanda voltava a carregar, com uma grande defesa de Ricardo. Dois minutos depois, Simão, na transformação de um livre directo, quase chegava ao 2-0… Na jogada seguinte, Deco procurava isolar-se, mas, muito pressionado, não conseguiu dominar a bola.

Na sequência de um quarto de hora “electrizante” – com a Holanda a atacar em força, e Portugal a conseguir alguns contra-ataques perigosos -, de forma inteligente, Figo conseguia forçar Boulahrouz a fazer falta, vendo o segundo amarelo, sendo portanto expulso, e repondo a igualdade de elementos em campo (10 para cada lado).

O jogo entraria depois numa fase de enorme nervosismo e muitas picardias, com o árbitro a ver-se obrigado a mostrar vários cartões (um total de 9 cartões em pouco mais de um quarto de hora!); as interrupções de jogo, desconcentrando os holandeses e quebrando o ritmo de jogo, convinham a Portugal.

Retomado o jogo, aos 75 minutos, a Holanda voltava a ameaçar, com um desvio de cabeça ao lado.

E, poucos minutos de seguida, Deco (por reter a bola, na sequência de uma falta que cometera) via o segundo amarelo e Portugal ficava reduzido a 9 jogadores, novamente em inferioridade numérica.

Aos 80 minutos, o árbitro não sanciona uma situação de fora-de-jogo de Kuyt, com Ricardo a sair da baliza para evitar o golo e a lesionar-se no choque com o avançado holandês.

A Holanda, embora em vantagem numérica, denotava começar a entrar em “desespero” à medida que os minutos se escoavam.

Aos 88 minutos, uma descida rápida de Miguel, que podia rematar à baliza, acaba num passe para Simão, em posição de fora-de-jogo. E, de imediato, a Holanda a atacar e a obrigar Ricardo a aplicar-se para defender. Para, no minuto seguinte, surgir um cruzamento a percorrer toda a área portuguesa, não aparecendo ninguém a desviar (Kuyt ficou a milímetros!); era a segunda grande oportunidade desperdiçada pelos holandeses.

Aos 92 e 93 minutos, Ricardo com duas intervenções defeituosas, embora na segunda tenha sido sancionada falta do atacante holandês.

Aos 94 minutos, a Holanda via-se também reduzida a nove jogadores, pela expulsão de Van Bronckhorst.

Com 95 minutos, Tiago, com o caminho completamente aberto para a baliza holandesa, desperdiça, de forma absolutamente incrível, a oportunidade de “acabar” o jogo, rematando para fora.

97 minutos – Portugal está nos 1/4 Final!

Depois de uma primeira parte “morna”, com as equipas a respeitarem-se mutuamente e, a Holanda – contrariamente ao que é sua tradição – a jogar na expectativa, viria, na sequência das expulsões, uma segunda parte absolutamente electrizante, de enorme intensidade nervosa e emocional, com Portugal a merecer uma justa vitória, em mais uma memorável exibição, pela solidariedade demonstrada, pela forma inteligente com que soube lidar com as desesperadas tentativas da Holanda de chegar ao golo, para o que, afinal, acabou por não beneficiar de muitas oportunidades.

Portugal poderia aliás ter ampliado a vantagem, por mais duas ou três vezes, evitando o sofrimento até ao minuto 97.

Maniche, o herói da partida, tal como há dois anos, marcando o golo do apuramento, seria eleito o melhor jogador em campo.

Em relação ao árbitro, desde início que demonstrara que não iria ser condescendente, punindo praticamente todas as jogadas faltosas com cartões amarelos, o que se viria a revelar uma abordagem inapropriada. No período mais complicado do jogo, entre os 60 e os 80 minutos, com os cartões a serem exibidos praticamente de minuto a minuto, perderia o discernimento e, inclusivamente, o controlo do jogo, sem capacidade de reacção às atitudes anti-desportivas dos jogadores holandeses. Com 16 cartões, Valentin Ivanov fica ligado ao encontro com mais cartões de sempre em Fases Finais de Campeonatos do Mundo (e o único da história com 4 cartões vermelhos!), sendo inevitavelmente associado ao facto de ter, de alguma forma, “estragado” a partida.

Apesar de, da “batalha de Nuremberga”, ter acabado por prevalecer uma imagem forte, a de Deco e Van Bronckhorst (colegas no Barcelona), ambos expulsos, conversando amigavelmente, no último minuto da partida.

Repete-se – no próximo Sábado – o ansiado jogo dos 1/4 Final contra a Inglaterra, para o qual a equipa portuguesa terá de delinear a estratégia adequada para superar as ausências de Deco e Costinha.

1-0 – Maniche – 23m

Melhor jogador – Maniche (Portugal)

Amarelos – Maniche (20m), Costinha (31m), Petit (50m), Luís Figo (60m), Deco (73m), Ricardo (76m), Nuno Valente (76m); Mark van Bommel (2m), Khalid Boulahrouz (7m), Giovanni van Bronckhorst (59m), Wesley Sneijder (73m), Rafael van der Vaart (74m)

Vermelhos – Costinha (45m) e Deco (78m); Khalid Boulahrouz (63m) e Giovanni van Bronckhorst (90m)

Árbitro – Valentin Ivanov (Rússia)

Nuremberg (20h00)

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1 Comentário Add your own

  • 1. DavidPontes Martins  |  8 Julho, 2006 às 7:01 am

    Li hoje,dia 8 de Julho, o seu relato da partida e fica-me a clara impressão que Portugal teve muita sorte em sair vencedor. Os holandeses construíram mais oportunidades de golo mas estavam em dia de azar. O mesmo veio a acontecer com os ingleses: a sorte jogou por nós. No jogo com a França secou a vaca leiteira da selecção. A sorte não dura sempre.

    Responder

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