Archive for 2 Junho, 2006

O "MUNDIAL" E A PUBLICIDADE

Distante ainda do arranque do Mundial de Futebol, já desde há algumas semanas haviam tido início diversas campanhas publicitárias, que se vêm intensificando nos últimos dias, tendo este evento como motivo central.

Sendo leigo em absoluto no que à matéria respeita, questiono-me não obstante sobre a aderência da forma e / ou conteúdo de alguma(s) dessa(s) campanha(s) – visando nomeadamente potenciar as expectativas criadas no público alvo por uma hipotética campanha bem sucedida da selecção nacional – a um código de conduta ou de “ética e deontologia” pelo qual, necessariamente, presumo que a actividade será regulada.

Recordo de seguida 5 das campanhas actualmente em curso:

– Na mais “inocente” das campanhas de que aqui faço menção, o Continente “oferece-nos” (pelo módico preço de apenas 9,90 euros) a camisola que Eusébio “mostrou pela primeira vez ao mundo há 40 anos”, prometendo-nos “por amor à camisola” o reviver do espírito e da mística dos “Magriços”, deixando ao destinatário da publicidade a projecção dos sucessos da selecção portuguesa no Mundial de Inglaterra para a prova a disputar na Alemanha a partir da próxima sexta-feira.

– A SPORTV, apelando à decisão (de subscrição do canal) por impulso, mostra-nos sucessivas jogadas protagonizadas por algumas das principais figuras do futebol mundial, cujo desfecho é o golo; contudo, no “momento M” (como se se tirasse o “doce à criança”, deixando-nos de “água na boca”), o écran é preenchido a negro, sendo apenas audível o som do entusiástico relator celebrando o golo, regressando as imagens imediatamente após a conclusão da jogada; a (irónica) mensagem forte é “foi um excelente golo e você pôde ver tudo na SPORTV” (o que não acontece no anúncio publicitário, mas – mensagem subliminar – será proporcionado a quem aderir aos serviços do canal). Uma campanha, no mínimo, um pouco “irritante”.

– A “Capital do Móvel ” (Associação Empresarial de Paços de Ferreira) promove a campanha “Compre móveis e não pague”: se Portugal vencer o Campeonato do Mundo de Futebol, o dinheiro gasto em compras nas lojas aderentes será integralmente devolvido.

– Já o Feira Nova e Electric Co. publicita o “reembolso” integral – por via da atribuição de vales de compras – das despesas efectuadas em compras de electrodomésticos (televisores, plasmas, gravadores de DVD, home cinema, câmaras de vídeo, frigoríficos, fogões, computadores, máquinas fotográficas, entre outros), caso Portugal se sagre Campeão do Mundo; o valor a “restituir” ao cliente reduzir-se-ia a 50 % se a selecção nacional “apenas” vencer as 1/2 finais, ou a 25 %, caso a equipa portuguesa consiga somente ser vitoriosa nos 1/4 final. “Quando a Selecção ganha o Feira Nova é que paga”.

– E se não se poderá qualificar de “publicidade enganosa” a(s) campanha(s) anterior(es), questiono-me – numa perspectiva de “não especialista”, baseada apenas no “senso comum” – se o mesmo se aplicará também à campanha lançada pelos Centros Comerciais “Dolce Vita” (de que sou cliente, em particular do que foi galardoado a nível internacional, aquando da sua recente inauguração, com a atribuição do prémio de “melhor centro comercial do mundo”), “Dolce Vita com Portugal nos 1/8 Final”, que anuncia – em particular no “spot” radiofónico – oferecer bilhetes para o jogo de Portugal; cito de cor: “Vá com os Dolce Vita ver Portugal aos 1/8 Final contra a Argentina ou Holanda”. Ora, esta “liberdade” dos criativos parece-me exorbitar a comum mensagem publicitária; na realidade, ninguém pode prometer que Portugal jogará os 1/8 Final e, ainda menos, anunciar que será contra determinado adversário (mais apelativo ou com maior “chamariz”). Caso Portugal não se apure para essa fase da prova, ou caso o opositor não seja um dos “pré-anunciados”, em que consistiria afinal a promoção dos “Dolce Vita”? Um concurso sem contrapartida?

(Devo anotar aqui que, sendo no panfleto a mensagem mais cuidada: “Os Centros Comerciais Dolce Vita acreditam tanto na passagem de Portugal à 2ª fase que estão a sortear 2 bilhetes + viagem para o jogo de Portugal contra, provavelmente, a Holanda ou a Argentina nos 1/8 Final – Vá com os Dolce Vita ver Portugal aos 1/8 Final“, tal não parece invalidar porém as interrogações anteriores).

2 Junho, 2006 at 1:55 pm 1 comentário

“TOMAR", DE JOSÉ-AUGUSTO FRANÇA (V)

“A povoação iria desde então crescendo, apesar da crise do fim do século, passava em breve para fora das muralhas, na «Vila de Baixo», e Gregório IX daria indulgências a quem visitasse Sta. Maria de Tomar, no segundo quartel de Duzentos. S. João Baptista foi então edificado e na segunda metade do século ter-se-á aberto, entre olivais, a Corredoura, ainda hoje a grande rua tomarense.

A vila vinha então, em importância, logo após Santarém e Leiria, a par de Coimbra e Abrantes, à frente de Ourém, Pombal, Torres Novas, Montemor (M. S. A. Conde, 1988).

Sucederam-se vinte e três Mestres na poderosa Ordem que ia somando terras e bens, na região de Soure e Pombal, que fora seu anterior território, na de Castelo Branco e Idanha, até ao Fundão e nesta de Tomar, com limites a sul na Quinta da Cardiga e no Castelo de Almourol – ao todo perto de 3700 quilómetros quadrados de domínio (F. Franco Nogueira, 1991).

Até que o Templo foi levado à extinção e à liquidação por reforma da Ordem no grande movimento internacional determinado por Filipe, o Belo, de França e apoiado pelo papado, a que D. Dinis naturalmente obedeceu – mas ressalvando a sua estrutura em 1319, numa nova Milícia ou Ordem de Cavalaria de Jesus Cristo que, depois de ocupar Castro Daire e Castelo Branco e com outras indecisões, se sediou finalmente e de novo em Tomar, em 1357, a pedido dos próprios freires que se queriam então menos expostos a encontros com os Mouros – se acreditarmos no que nos diz Frei Bernardo de Brito na Monarquia Lusitana.”

Tomar – «Thomar Revisited», José-Augusto França, Editorial Presença, 1994, p. 13

2 Junho, 2006 at 8:50 am Deixe um comentário


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