Archive for Janeiro, 2005
MEMÓRIA DE 2004 (II)
O ano de 2004 ficou, também a nível nacional, marcado por alguns acontecimentos negativos, de que aqui destaco:
09.06.04 – Morte de Sousa Franco em plena campanha eleitoral, após incidentes na lota de Matosinhos.
Incêndios – Um ano depois, o flagelo dos incêndios voltou a assolar o país, colocando em evidência a inexistência de um plano estratégico de prevenção, a falta de condições dos bombeiros e a ineficácia dos meios de salvamento, não obstante os efeitos terem sido de alguma forma minorados por condições climatéricas não tão adversas como as de 2003.
Crise no Governo – Após a indigitação de Durão Barroso para candidato a Presidente da Comissão Europeia, o Presidente da República nomearia como Primeiro-Ministro Pedro Santana Lopes, vice-presidente do partido. Sem conseguir corresponder nunca ao pressuposto de manutenção da estabilidade política, que fora a justificação da sua nomeação, o Primeiro-Ministro acabaria por ser confrontado, 4 meses depois, com a decisão da dissolução do Parlamento.
Processo “Casa Pia” – Depois de uma aparentemente infindável série de polémicas, teria finalmente início, em Dezembro, o julgamento do processo Casa Pia. As incoerências e inconsistências de toda a fase processual prévia, passando pela aplicação e posterior anulação ou redução das medidas de coacção aplicadas aos arguidos, assim como o atribulado início do julgamento, continuam a fazer recear que não venha a ser possível fazer cabal justiça.
06.10.04 – Demissão de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI. Na sequência de uma intervenção do Ministro Rui Gomes da Silva, contestando o perfil da intervenção televisiva semanal de Marcelo Rebelo de Sousa (“sem contraditório”) e de uma reunião com o Presidente da televisão (Miguel Paes do Amaral), o Professor, alegando ter sofrido pressões, considerou que não estavam reunidas as condições para a continuidade do programa.
Foi também o ano em que nos deixaram algumas figuras de destaque na vida portuguesa, desde o genial Carlos Paredes, à grande poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, mas também de dois homens de televisão que quase víamos como integrando a “nossa família”, Fialho Gouveia e Henrique Mendes; partiram também Jacinto Ramos, Thilo Krassman, António Champallimaud, Maria de Lurdes Pintassilgo e, com um desfecho trágico que emocionou o país, em directo na televisão, a morte no estádio do jovem Miklos Féher.
[1956]
MEMÓRIA DE 2004 (I)
2004 foi um ano que não deixa muitas saudades, tantos os destaques negativos a relembrar, iniciando com os factos de maior relevo a nível internacional:
26.12.04 – Maremoto na Ásia – Na sequência do maior sismo das últimas quatro décadas (atingindo entre 8,9 a 9,0 graus na escala de Richter), com epicentro no mar, próximo da costa oeste da ilha de Sumatra, provocando um número indeterminado de vítimas, cuja contagem provisória se aproxima já das 150 000.
Darfur – Mais de 70 000 mortos e cerca de dois milhões de refugiados são os números decorrentes da tragédia humanitária que afecta o Sudão, já desde o ano de 2003, na sequência de um conflito étnico, que opõe a população árabe à população negra.
11.03.04 – Atentados em Madrid – Um triplo atentado bombista – atribuído à Al-Qaeda – nas estações de comboios de Atocha, El Poco e Santa Eugenia, provocou cerca de 200 mortos.
01.09.04 – Massacre na Escola de Beslan – Um grupo de 30 terroristas tchetchenos tomou de assalto a escola de Beslan, na Ossétia do Norte, resultando na morte de 323 pessoas, cerca de metade das quais crianças, no pior sequestro de sempre na Rússia.
Iraque – Os efeitos da guerra prolongam-se indefinidamente, com constantes atentados de grupos radicais islâmicos, praticamente a cada dia que passa, colocando o país em estado de emergência.
11.11.04 – Com o anúncio oficial da morte do líder da autoridade palestiniana Yasser Arafat, o processo de paz no Médio Oriente continua a parecer um objectivo distante.
Foi também o ano em que partiram algumas figuras marcantes a nível internacional, de aqui recordo: Christopher Reeve (o inesquecível “Super-Homem”), Marlon Brando (o “mais charmoso” e talvez melhor actor de cinema de sempre), Henri Cartier-Bresson, Ray Charles, Serge Reggiani e, bem recentemente, Susan Sontag.
[1955]
REVISTA DA SEMANA
Visão (30.12.04)
“Solidariedade global – A maior operação de assistência humanitária está em curso: no Sudeste Asiático, aproximadamente 5 milhões de pessoas precisam desesperadamente de água, comida e medicamentos, mas, para muitos, a ajuda está ainda a alguns dias de distância. Entre 48 a 72 horas, são as previsões mais optimistas em algumas áreas.
131 milhões para combater e prevenir fogos – O Governo anunciou um investimento para 2005 de 131 milhões de euros na prevenção e combate aos incêndios florestais e o «significativo reforço» de meios humanos e aéreos.
Iuchtchenko ganhou, mas Ianukovich impugna – Alegando que ocorreram fraudes, desta vez é o candidato do poder que vai impugnar os resultados da repetição da segunda volta das presidenciais da Ucrânia. Mas a maioria dos observadores garantem que as eleições foram justas. Iuchtchenko obteve 52,2% dos votos.”
P. S. Parabéns ao António Granado pelo 4º aniversário (!) do Ponto Media, um verdadeiro “jornal diário” (passe a redundância).
[1954]
MENSAGEM (VI)
A III Parte – “Encoberto” integra: (i) “Os Símbolos” (“D. Sebastião”, “O Quinto Império”, “O Desejado”, “As Ilhas Afortunadas” e “O Encoberto”; (ii) “Os Avisos” (“O Bandarra”, “António Vieira” e “Terceiro”); (iii) “Os Tempos” (“Noite”, “Tormenta”, “Calma”, “Antemanhã” e “Nevoeiro”).
Começa por mostrar-se a convicção no regresso do “Desejado” – o mito central do sebastianismo (“É Esse que regressarei”), não correspondendo porém, necessariamente, a um ente individual, devendo, em alternativa, consubstanciar-se no conjunto do povo português, agindo sob a vontade de Deus.
O “Encoberto” surge como uma alusão à misteriosa Ordem dos Rosa-Cruz, em cujos princípios se deverá basear o Quinto Império (“Grécia, Roma, Cristandade, / Europa … os quatro se vão”):
“Quando virás, ó Encoberto,
Sonho das eras português,
Tornar-me mais que o sopro incerto
De um grande anseio que Deus fez?”
Também o Padre António Vieira foi um dos profetas do Quinto Império, manifestando na “História do Futuro” o seu místico sebastianismo. No decurso das suas missões no Brasil, escreveu um tratado designado “Esperanças de Portugal, Quinto Império do Mundo”.
Em “Os Tempos”, os irmãos “Poder” e “Renome” representam, respectivamente, o Império português e a fama que universalizou Portugal.
E, depois da “Tormenta”, vem a “Calma”. O “Antemanhã” representa aquilo por que é necessário passar antes do despertar.
O “Nevoeiro” antecede a chegada da luz (segundo o mito, D. Sebastião voltaria numa manhã de nevoeiro); na confusão do nevoeiro:
“Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem…
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro.
É a Hora! ”
“Valete, Fratres”.
(“Republicação”)
[1953]
"BLOGOSFERA" EM 2004 (XXXII)
Concluída a “viagem pela blogosfera” em 2004, estavam em falta os agradecimentos a quem teve a simpatia de, a propósito desta retrospectiva que tanto prazer me proporcionou, se referir ao Memória Virtual.
(Esperando não me esquecer de ninguém…) aqui deixo o meu Obrigado a todos!
– “Waldorf” (Blogue dos Marretas)
– Nuno Guerreiro (Rua da Judiaria)
– José Flávio Pimentel Teixeira (Ma-Schamba)
– Rodrigo Moita de Deus (O Acidental)
– “Nikonman” (Praça da República em Beja)
– Pedro Fonseca (Contra Factos & Argumentos)
– Walter Rodrigues (Forum Comunitário)
– “Santa Cita“
– Paulo Querido / Luís Ene (Weblog.com.pt)
P. S. Uma referência especial ao 2º aniversário do Blogue de Esquerda. Parabéns e votos de continuação de bom trabalho!
E também, com algum atraso, para o 2º aniversário da Íntima Fracção, de Francisco Amaral, comemorado no passado dia 30 de Dezembro.
[1952]



