Archive for 5 Janeiro, 2004

QUAL O LUGAR DO "BLOGUE"?

A propósito do tempo que nos toma e da forma como (está a) afecta(r) as nossas vidas, remeto para os textos recentemente editados pelo “Terras do Nunca” e pelo “Viva Espanha”.

Dizia o “Terras do Nunca“:

“O blogue até te tem dado gozo. Obriga a pensar, ordenar ideias, ou simplesmente mandar a boca e ficar à espera. Traquinas!

O blogue às vezes não dá gozo. Escreves sempre que queres? Só quando queres? Ou já deste contigo a escrever por obrigação? Escrever por encomenda?

E há os outros. Que são o teu Inferno, mas que te salvam. Porque lês todos os dias tipos que no fundo te irritam? Não te basta a vidinha?”

E, depois de um “compasso de espera”:

“O blogue entra assim na nossa vida. Assim.

No meu caso, o blogue veio roubar tempo onde ele já não existia.

Escrevi há dias um texto fruto de algum desencanto. Quem nunca teve?

Mas descubro que, com este ou outro ritmo, este ou outro registo, vou continuar. Até um dia, mas isso agora pouco importa. Quem guarda os nossos dias?

Nestes dias, recebi palavras de incentivo. E descubro que todas elas eram sinceras. Isso reconforta-me, não apenas pelo incentivo, mas por perceber que outros há procurando essa sinceridade”.

E reforça o “Viva Espanha“, questionando-se “Que lugar ocupa o blogue na minha vida pessoal?”:

“O tempo que os blogues ocupam é um tempo egoísta. É um tempo só nosso e que dificilmente se partilha. Pode-se recomendar a leitura de um post ou de um blogue como se recomenda um livro, mas ninguém lê livros em conjunto. Lê-se sozinho. Da mesma forma, também a escrita de um post é um acto muito íntimo. Paradoxalmente íntimo, é certo, porque se trata de um pedaço de nós que se partilha, mas que não se quer desnudado antes de ser dado por finalizado. É-me totalmente impossível escrever na iminência de que alguém assome por cima do meu ombro a perscrutar as palavras, as frases, as ideias.

No fim-de-semana que antecedeu o interregno, constatei que o blogue já ocupava muito mais tempo do que aquele que eu lhe tinha destinado inicialmente. Obviamente, roubava tempo a outras coisas e a outras pessoas. Uma situação destas não me agradava. Gosto muito deste meio. Gosto do meu blogue, mesmo com todas as limitações que lhe reconheço. Mas um dos meus ideais de vida é que entre uma pessoa e outra coisa qualquer, a pessoa vem primeiro.

A interactividade blogosférica é um pau de dois bicos. Se por um lado enriquece o espaço de intervenção, por outro vai exigindo cada vez mais tempo. Estar inserido num meio tão dinâmico, acompanhando os temas da actualidade, tem o que quê de gratificante. No entanto, facilmente evolui para uma situação desgastante e até desconfortável.

Sem estar a querer negligenciar os que visitam este espaço, que me merecem todo o respeito e gratidão, sempre assumi que o blogue deve agradar em primeiro lugar ao seu autor. Se assim não for, este espaço não tem sentido.”

Todos passa(re)mos por “esta fase”; da minha parte (como se pode constatar) não é o entusiasmo pelos “blogues” que diminui, mas sim o tempo que sinto a “contrair-se”; será necessário ser imaginativo para “fazer aumentar as horas do dia”…

(Texto também editado no “Bloga!?“).

[889]

5 Janeiro, 2004 at 6:50 pm 1 comentário

2003 – "PEQUENO BALANÇO" (I)

2003 foi um ano muito difícil para os portugueses, atravessando uma crise geral de auto-estima, num contexto de depressão, marcado pela crise económica, pelo desemprego, pelo processo “Casa Pia”, pelos incêndios. Mas poderá também ter sido um ano de transição, para um 2004 que se espera de retoma económica e social e de reafirmação de um orgulho de ser português.

O défice das contas públicas e as “manobras” para o reduzir constituíram mais um episódio triste, de uma história que já tivera início em anos anteriores. Mais preocupante é a situação de crescimento do desemprego, afectando prioritariamente pessoas cuja idade lhes provoca sérias dificuldades em “refazer” a vida, assim como as mulheres, com complexas consequências pessoais e sociais.

Sobre o processo “Casa Pia”, um forte golpe na nossa moral colectiva, afectando crianças cujo cuidado estava a cargo do Estado (!) . cujas investigações haviam tido já início em 2002, e que, possivelmente, não será encerrado antes de 2005… – como escrevi antes, não gostava de voltar a referi-lo antes da sua conclusão; tanto se tem escrito e dito, que qualquer “ruído” adicional me parece dever ser evitável.

Cerca de 430 000 hectares de mata e floresta (4,4 % do território português) foram consumidos pelos mais de 3 800 incêndios e 12 000 pequenos fogos, que custaram a vida a 20 pessoas. A área queimada quase atinge a dimensão da afectada nos incêndios dos 3 anos anteriores; o pior ano havia sido o de 1991, então com 180 000 hectares devastados. Um triste “espectáculo” de sofrimento e clara impotência de quem tem a sacrificada missão de combater esta tragédia. Uma situação que apela à nossa consciência cívica, à vigilância e a uma reestruturação geral da forma de lidar com o problema (o governo já prometeu uma “reforma estrutural”…). Não podemos esquecer também o impacto das alterações climáticas, nem a “contribuição” que o descuido dos homens tem proporcionado nessa matéria.

[888]

5 Janeiro, 2004 at 12:38 pm

SEQUEIRA COSTA INTERPRETA BEETHOVEN

Hoje e amanhã, às 19 horas, no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian, Sequeira Costa continua a interpretação do ciclo integral das sonatas de piano de Beethoven.

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5 Janeiro, 2004 at 8:48 am 1 comentário

"A DOIS"

“Nasce” hoje, o novo canal de televisão (da chamada “sociedade civil”), sucedendo à RTP2: “A Dois“.

O destaque maior da programação para o “Magazine”, um espaço de entrevistas, agenda e noticiário cultural, abordando ainda, em cada dia da semana, um tema diferente: literatura, música, cinema, artes cénicas e artes plásticas; com apresentação de Anabela Mota Ribeiro, de Segunda a Sexta-feira, às 21 horas, durante 30 minutos (o “substituto” do “Acontece”).

Às Quartas-feiras, às 23 horas, Nuno Santos modera o “Conselho de Estado”, debates sobre temas da actualidade política, com a duração de 50 minutos.

Aos Sábados, às 20h30, Raquel Dias apresenta o “Pop-Up”, programa sobre “cultura urbana”.

Transitam da RTP2, nomeadamente: o “Jornal2”, “Bombordo”, “Magazine 2010”, “Clube da Europa” e “A Alma e a Gente”.

A ver!

[886]

5 Janeiro, 2004 at 8:08 am


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