Archive for Julho, 2003

O DEBATE SOBRE A BLOGOSFERA CONTINUA

Diz o blogue dos marretas (que, por uma grave falha minha, apenas agora incluí nos links): 

“A quantidade e a diversidade – e mesmo a especificidade – só pode ser benéfica. Tal como na imprensa tradicional, quantos mais títulos houver, mais escolha tem o público. Depois, os leitores decidem os que preferem. Os blogues têm ainda a enorme vantagem de não dependerem do número de leitores para garantir a sua sobrevivência. Ela depende apenas da vontade do autor e não das escolhas de quem os (não) visita.” 

Concordo plenamente! 

[52]

17 Julho, 2003 at 8:39 am

"AS OBRAS COMPLETAS DE WILLIAM SHAKESPEARE EM 97 MINUTOS"

Mantém-se em cena há mais de 6 anos na Companhia Teatral do Chiado. É obra!

[51]

17 Julho, 2003 at 7:55 am

"LEVIATHAN"

“É talvez o livro mais sedutor de Paul Auster. Nele o autor renova de forma cativante … o tema do eu-sombra, do Outro. Quando Peter Aaron, o narrador da história, lê a notícia de que um homem não identificado explodiu numa estrada do Norte do Wisconsin, sabe tratar-se de Benjamim Sachs, o seu melhor amigo e um promissor romancista. A partir desse momento Aaron impõe-se a si próprio a árdua missão de desvendar o mistério que envolve a vida e morte de Sachs, empreendendo uma jornada que é, simultaneamente, uma autodescoberta. Com o objectivo único de repor a verdade e dizê-la, revive a amizade que o ligara ao amigo ao longo de quinze anos. Leviathan é uma história sobre a amizade, a traição, o desejo, as incursões do imprevisto no quotidiano, mas é, sobretudo, uma história audaciosa pela complexidade dos mundos criados, pelo intrincado dos enredos, pelas coincidências bizarras, pelas perturbantes ambiguidades. Um romance onde Auster dá asas à sua arte exemplar de criar ambientes densos, labirínticos e sedutoramente envolventes.”

[50]

16 Julho, 2003 at 7:39 pm

JACINTA

10 000 discos vendidos (“Disco de Prata”) de “A Tribute to Bessie Smith”!

O jazz na voz (portuguesa) de um novo talento que se começa a afirmar.

Jacinta estará hoje na FNAC Norte Shopping.

[49]

16 Julho, 2003 at 7:52 am

A REVOLUÇÃO NA "BLOGOSFERA"

Mais um texto magnífico de Pacheco Pereira (Abrupto) sobre o diagnóstico do state of the art actual da “Blogosfera”:

“O que se está a dar é a democratização da blogosfera com a entrada de muita gente no duplo sentido: novos blogues e novos leitores. Por outro lado, a exposição exterior dos blogues introduziu diferentes critérios de avaliação que não coincidiam com os dominantes no seu interior. 

Este efeito acabou com a blogosfera cosy , fortemente estratificada entre blogues a quem ninguém ligava nenhuma e blogues que através de um permanente diálogo, do auto-elogio, de um espírito de elite que ultrapassava claramente qualquer barreira ideológica, se apresentavam como primus inter pares. 

… 

Era também natural que a maioria das pessoas se conhecessem umas às outras e fossem amigos. Quando, num meio de comunicação qualquer, todos se conhecem, ou todos tem a mesma idade, ou todos tem a mesma formação, ou todos lêem os mesmos livros, ou frequentam todos os mesmos restaurantes, é porque esse meio está na infância.

Tudo isto gera muitas tensões e uma certa irritação era inevitável (“os “de cima” não podem continuar vivendo à moda antiga”). Nalguns blogues mais antigos há uma clara evolução do blogue-optimismo para o blogue-cepticismo, que nada justifica, porque só um cego é que pensa que a blogosfera está pior porque não é um clube de vinte amigos. É natural que tenham vontade de migrar e para isso, por razões psicológicas, desvalorizam o que deixam para trás. 

Um dos aspectos mais saudáveis da democratização da blogosfera é que hoje é mais difícil “competir” (tomem a palavra com a latitude que quiserem), ter influência, já há muitas vozes qualificadas, muito saber em muitas áreas, uma diversificação temática, de opiniões e de escritas, que a capacidade para se afirmar já não depende do elogio mútuo, mas de se ter ou não uma voz própria e persistência. Este último factor é o que mais falta na blogosfera, onde um mês é um século e se chega a conclusões taxativas lendo cinco ou seis blogues de um dia para o outro. 

Eu sou liberal no sentido antigo, prezo a chuva e o mau tempo, a fúria e a calma das discussões, e gosto de ouvir muitas vozes diferentes. Como já disse e repito, na blogosfera, a “mão invisível” está dentro da cacofonia e para exercer o seu efeito positivo é suposto ser mesmo “invisível”. A blogosfera portuguesa passou de ter uma mão “visível” para ter uma “invisível” e foi, em primeiro lugar, o número que provocou esse efeito. Mais gente, mais vozes, tudo mais árduo. Esta é a revolução.”

[48]

16 Julho, 2003 at 7:45 am

"LULU ON THE BRIDGE"

“Como todos os romances do autor, Lulu on the Bridge combina o mito, a magia e a realidade para nos desvendar os aspectos mais profundos da experiência humana. Izzy, um músico de jazz, é acidentalmente atingido por uma bala quando actua num clube de Nova Iorque e, na última hora que lhe resta de vida, graças às virtudes mágicas de uma pedra misteriosa, é conduzido em sonho ao labirinto estranho e por vezes assustador da sua alma. Ao mesmo tempo thriller e conto de fadas, Lulu on the Bridge é acima de tudo uma extraordinária história sobre as possibilidades redentoras do amor.” 

[47]

15 Julho, 2003 at 7:55 pm

TOUROS DE MORTE, PRÓS E CONTRAS

Um tema que muita polémica tem levantado nos últimos anos, cujo último episódio foi a condenação de “Pedrito de Portugal” ao pagamento de uma coima de 100 000 euros, pela morte (ilegal) de um touro na Moita, em 2001. 

Sem pretender tomar partido (a minha opinião transparecerá claramente dos “prós e contras” que a seguir refiro), deixo algumas pistas de reflexão sobre o tema. 

A primeira vez que vi uma tourada com “touros de morte”, em Espanha, ao fim de alguns minutos – ainda na fase inicial da “lide” – confesso que me senti um pouco lívido (comecei a ficar “pálido”); o espectáculo é de facto um pouco “bárbaro”, não recomendável a pessoas impressionáveis. 

Em termos mais latos, as associações de defesa do animal, condenam qualquer tipo de tourada, considerando que se trata de um espectáculo desumano, com tradições que remontam a uma época medieval, não defensáveis nos dias de hoje; considera-se que haverá sempre “sofrimento” do animal e que se trata de uma “luta desigual”. 

Ao contrário, é inegável também a arte, a bravura, o destemor, o movimento “templado” e contemplativo do toureiro. Não deixa de ser um espectáculo que impressiona também pela sua “beleza plástica”. 

Defendem os “aficionados” (e profissionais da modalidade) que os touros de lide são uma raça especialmente apurada, cuja única finalidade é o toureio; se não houvesse toureio, não existiriam esses touros (criados com grande “carinho e devoção” por grandes ganadeiros, tendo por objectivo máximo apurar a sua bravura e combatividade). 

Uma das questões que se coloca também é a dificuldade de quantificação do sofrimento do animal … depois de lidado, esperar mais 12 ou mais horas até ser abatido; ou, como defendem os puristas da “festa”, ter o seu fim, em “glória e apoteose” na praça. 

A verdade é esta: para que hoje seja legal o toureio de morte (por exemplo, em Barrancos, reconhecido que foi o seu estatuto de excepção), foram necessários 50 anos de práticas ilegais ininterruptas. 

Na modalidade “à espanhola”, não matar o touro no final de uma “brilhante faena” seria como se o Maradona “driblasse” todos os adversários e, em cima da linha de baliza, fosse impedido de marcar o golo … 

Talvez não seja unanimemente conhecido que, quando a actuação do “binómio toureiro/touro” é considerada extraordinária, existe mesmo uma figura que é o “indulto”, consistindo no “perdão” daquele touro, que pela sua bravura e nobreza, é “poupado”, para apuramento da raça. 

A finalizar, pela positiva, quer se goste ou não, acho que só pode ser um orgulho ter aquele que foi considerado o melhor cavaleiro do mundo (João Moura) e – embora não concretizando tudo aquele que prometeu quando se iniciou, altura em que era também um dos melhores do mundo – um digno representante do toureio a pé (Pedrito).

[46]

15 Julho, 2003 at 8:12 am

"O CADERNO VERMELHO" (II)

Na sequência das referências que tenho vindo a indicar, atrevo-me hoje a apresentar-vos um capítulo completo (!!!) de “O Caderno Vermelho” (Edições Asa), ou seja, uma das diversas histórias que o compõem: 

“Na mesma ordem de ideias, embora abrangendo um período de tempo mais curto (alguns meses em vez de vinte anos), um outro amigo, R., falou-me de um livro marginal que ele tentava localizar sem sucesso, esquadrinhando livrarias e catálogos à procura daquilo que devia ser uma obra admirável que ele ansiava ler; e contou-me como, uma tarde em que fazia o seu caminho pelo centro da cidade, tomou um atalho para a Grand Central Station, subiu o lanço de escadas que leva à Vanderbilt Avenue, e viu de repente uma jovem ao lado do friso de mármore com um livro à frente dela: o mesmo livro que ele tão desesperadamente tentava encontrar. 

Embora não tivesse por hábito dirigir a palavra a desconhecidos, R. estava demasiado atordoado pela coincidência para ficar calado. “Acredite ou não”, disse à jovem, “tenho andado à procura desse livro por toda a parte.” 

“É maravilhoso”, respondeu a jovem, “acabei agora mesmo de o ler.” 

“Sabe dizer-me onde poderei encontrar outro exemplar?”, perguntou R. “Não consigo explicar-lhe o que isso significaria para mim.” 

“Este é para si”, respondeu a mulher. 

“Mas é seu”, replicou R. 

“Era meu”, disse a mulher, “mas agora já acabei de o ler. Vim aqui hoje para lho dar”.”

[45]

14 Julho, 2003 at 7:15 pm

"BLOGOSFERA"

Ainda a propósito da tal “mini-revolução” provocada pelos “blogues”, escreve José Mário Silva no Blogue-de-Esquerda: 

“AVISO À NAVEGAÇÃO (ESCRITO APÓS UMA NOITE LONGA EM QUE NÃO CONSEGUI LER NEM METADE DOS BLOGUES QUE ME INTERESSAM). Caros bloggers, companheiros de armas, é escusado lutar contra a evidência: já ninguém consegue acompanhar, com a devida atenção, tudo o que se passa de importante neste mundo (a blogosfera) em que a Terra Incognita cresce mais depressa que a nossa capacidade de desenhar novos mapas. Eu tentei pôr-me à la page (horas a fio em frente ao ecrã) e não consegui. Pior, arrependi-me da tentativa inglória. Porque neste momento, há que dizê-lo, ou se lê ou se escreve. E eu quero escrever. É uma realidade dura (um pouco triste, mesmo) mas é a que temos.”

[44]

14 Julho, 2003 at 7:09 pm

"O CADERNO VERMELHO"

“Paul Auster tem mesmo um caderno vermelho, onde desde há anos regista os acontecimentos bizarros, as coincidências, os factos estranhos e outras inverosimilhanças de que algum dia tenha sido vítima, confidente ou testemunha. Em relatos de escassas páginas, por vezes mesmo de escassos parágrafos, podemos ler aqui, retiradas desse caderno, treze histórias arquibreves onde o autor se revela um coleccionador apaixonado (e algo inquieto) dos bons e dos maus momentos que a realidade lhe reservou. (…) Eis pois, ao dispor dos conhecedores, um caderno verdadeiro que é, ao mesmo tempo, uma fascinante miniatura do universo austeriano”.

[43]

14 Julho, 2003 at 7:57 am

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