Leonel Vicente
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Archive for the ‘Blogosfera’


Era uma vez na América

O regresso de Era uma vez na América – blogue sobre política e cultura nos EUA – agora reunindo José Gomes André e Nuno Gouveia.

eBook Portugal

ebookportugal

eBook PortugalEntre o presente e futuro da leitura é a designação de um novo projecto de Sérgio Bastos na blogosfera, visando acompanhar a evolução do mercado livreiro, ebook, e ereaders no nosso país.

Entrevista ao diário2.com

A propósito das resenhas anuais que tenho vindo a preparar sobre a blogosfera em Portugal, foi com gosto que acedi ao convite de Sérgio Bastos para responder a uma entrevista para o diário2.com, a qual transcrevo de seguida:

Leonel Vicente: “As notícias da morte da blogosfera foram claramente exageradas”

Um ano depois de decretado o fim da blogosfera como comunidade, o cenário português mantém vitalidade. Como analisas o anúncio do “apocalipse” à luz de 2009?

Recordando a famosa máxima de Mark Twain, as notícias da sua morte foram claramente exageradas.

A blogosfera vem revelando, já ao longo de quase uma década, uma sistemática capacidade de renovação e de regeneração, sem prejuízo de registar naturais evoluções, com tendências que se vão afirmando, como a dos blogues colectivos – numa incessante busca de massa crítica… e de audiências – e o surgimento em força, desde o início de 2009, de novas plataformas da “Web social”, primeiro com um autêntico turbilhão no Twitter, mais recentemente com o Facebook, mas que não deixam de apresentar alguns traços de complementaridade com a “blogosfera tradicional”, operando em muitos casos como mais um canal de comunicação e encaminhando leitores para os blogues associados.

Se tivesses de eleger três grandes momentos da blogosfera no ano que finda, quais seriam?

O encerramento de alguns projectos de referência, como os casos dos blogues “Atlântico” – com contraponto quase directo no reforço dos quadros do “31 da Armada” e do “Cachimbo de Magritte” – e “Avenida Central”.

Dentro da lógica de renovação, o surgimento do “Delito de Opinião”, uma primeira sangria no “Corta-Fitas”, que sofreria nova debandada já próximo do final do ano.

Num ano particularmente marcado pelas três eleições realizadas em Portugal, com o país em campanha durante largos meses, a inevitável referência à criação – numa parceria do jornal “Público” e de um grupo plural de autores – de um blogue colectivo para acompanhamento desses actos eleitorais, a par de uma sucessão de “blogues de campanha”, de apoio às diferentes áreas políticas em disputa, com a relevância da blogosfera a ser compreendida e a ficar bem patente em iniciativas como a visita de bloggers às instituições da União Europeia, a convite do eurodeputado Carlos Coelho, ou na conferência de blogues com José Sócrates e na tertúlia promovida por Paulo Rangel.

Extra esses eventos que incluiria entre os mais marcantes, um momento particularmente infeliz, que não poderia deixar de assinalar, de tal forma ele marcou – de forma transversal – a comunidade: o prematuro desaparecimento de Jorge Ferreira, um dos mais activos e entusiastas bloggers em Portugal.

Papa MyZena, SIMplex, Jamais, Rua Direita, blogues de apoio a áreas políticas foram e vieram, assim como blogues de campanha. Não faria sentido uma acção prolongada no tempo por parte dos seus autores? Ou será que esse espaço já é preenchido por blogues como o 31 da Armada e Jugular?

Ao longo dos anos, a blogosfera vem ditando algumas regras ou “leis” implícitas: para se fazer parte integrante e activa da comunidade é pressuposto que haja intercâmbio e debate de ideias, que haja abertura a comentários (não obstante algumas excepções…), sobretudo que haja uma presença (minimamente) perene.

Os referidos blogues são um epifenómeno na medida em que agregam temporariamente – tendo por motivação uma acção de campanha com duração limitada e previamente definida (até ao dia das eleições…) –, um conjunto de diversos autores de outros blogues, que têm como factor de unidade a referida campanha, finda a qual se esgota o objectivo e conteúdo do blogue, regressando naturalmente “às suas origens”.

O debate continuado, de forma mais estrutural, com carácter de permanência ao longo do tempo, vem sendo mantido por outro tipo de blogues –  essencialmente também blogues colectivos – posicionados nos vários segmentos do espectro político-partidário português. Para além dos citados 31 da Armada e Jugular, mencionaria também os casos d’O Insurgente, Cachimbo de Magritte, Portugal dos Pequeninos, Blasfémias, Mar Salgado, Câmara de Comuns, Aspirina B, Da Literatura, A Regra do Jogo e Ladrões de Bicicletas.

Vivemos tempos de cruzamento entre a “publicação instantânea” (blogues) e a opinião em “tempo real” (Twitter / Facebook). Pelo teu relato, a blogosfera não definhou em 2009. É de esperar o contrário em 2010?

Como referi anteriormente, estas novas ferramentas de publicação instantânea assumem uma dupla vertente: por um lado, o papel de mensagens com carácter mais imediatista, potenciando o diálogo – dentro das condicionantes do limitado número de caracteres –, por outro, um canal complementar de difusão dos artigos publicados em blogues, em paralelo com a função de encaminhamento de leitores para esses blogues.

Sendo natural que haja algumas opiniões mais imediatistas, que são orientadas de forma privilegiada e natural para o Twitter – tem um código de linguagem específico, que se proporciona a frases curtas, como que “aforismos”, com contraponto na limitação de conteúdo que obriga a remeter discursos mais articulados para o blogue –, não antevejo alterações significativas neste padrão de comportamento, pese embora alguma eventual diminuição de frequência de publicação nos blogues, mas que não deverá colocar em causa a sua posição de charneira como ferramenta de publicação.

Público, Expresso, Sábado têm redes de blogues. O que esperar do futuro desta confluência entre media e bloggers?

Esta tendência de complementaridade e interpenetração entre blogues e a “mediaesfera” vem já de trás – desde logo com a captação de novos colunistas e “opinion makers” revelados na blogosfera e, num momento seguinte, com o progressivo afluir de jornalistas aos blogues  –, tendo-se acentuado nos anos mais recentes, quer com a consolidação de sistemas de blogues “afiliados”, a par de blogues mantidos por colunistas da própria publicação, como no Expresso, Público, SIC, Sol ou Visão.

Por outro lado, a versão online do Público permite ligações directas aos “posts” de blogues que fazem referência aos seus artigos, enquanto o Expresso passou a enviar previamente a determinados autores de blogues algumas das “matérias” a publicar na edição seguinte, a par do comentário sobre assuntos em destaque na blogosfera, como faz também o Jornal de Notícias.

As redes de blogues de jornais não deixam de defrontar uma limitação, a de não estarem à partida integradas na “comunidade geral” da blogosfera, o que implica – a par de um posicionamento que pode ser de alguma forma apercebido como sendo mais institucional – esforços adicionais no sentido de partilha e integração dessa comunidade.

Em 2009, a iniciativa do Público, lançando um blogue para acompanhamento dos actos eleitorais, participado por uma quarentena de bloggers, veio dar mais um claro sinal dessa interpenetração e do crescente papel do “jornalismo de cidadão”, que será de prever se venham a reforçar e intensificar no futuro, beneficiando também das potencialidades tecnológicas, de captação e retransmissão de imagem (foto e vídeo).

(diário2.com)

Albergue Espanhol

E as prometidas novidades aí estão: Alexandra Carreira, António Figueira, António Nogueira Leite, Bruno Pires, Carlos Abreu Amorim, Filipa Martins, Francisco Almeida Leite, ITM, José Adelino Maltez, José Aguiar, José Fialho Gouveia, João Villalobos, Luís Naves, Maria Inês de Almeida, Nilton, Nuno Saraiva, Pedro Correia e Pedro Múrias inauguram hoje o novo Albergue Espanhol.

Arrastão a sete

A blogosfera portuguesa inicia o ano de 2010 em ebulição: depois do novo Córtex Frontal, o Arrastão passa a um septeto de autores, com Bruno Sena Martins, João Rodrigues, Rui Bebiano e Sérgio Lavos a juntarem-se a Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira. E, para amanhã, estão já prometidas mais novidades

Córtex Frontal

Córtex Frontal

Córtex Frontal é o nome de um novo blogue, coincidindo com o início do ano de 2010, da autoria de José Medeiros Ferreira e Joana Amaral Dias.

Centenário de Tito de Morais – Blogue

Numa iniciativa de Luís Novaes Tito – tendo «por objecto divulgar todas as acções relacionadas com as comemorações bem como outras matérias, imagens e informação, que conduzam à promoção do conhecimento da vida ímpar de um dos mais persistentes lutadores pela liberdade do povo português no Século XX» – foi ontem lançado o blogue da “Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais” .

Adeus a Jorge Ferreira – Um testemunho

Na hora do adeus a Jorge Ferreira, um testemunho na primeira pessoa, certamente apenas um exemplo, de entre muitos outros que aqui poderia mencionar:

Conheci o professor Jorge Ferreira, no ano de 2004, sendo eu seu aluno no Instituto Politécnico de Tomar. Foi um dos professores, se não O professor que me marcou mais no meu percurso académico. A lembrança que me irá acompanhar da sua forma de ser, resume-se ao facto de ter sido um docente rigoroso, com um humor por vezes irónico (do qual sou bastante apreciador), directo, frontal e extremamente cativante a dar aulas de Introdução ao Direito. Sempre disse, que o Dr. Jorge Ferreira, estava para as aulas de Direito, assim como o Professor José Hermano Saraiva estava para a História! Ou seja, mesmo que uma pessoa não gostasse de Direito, ficava vidrado com a forma como ele explicava e incentivava os alunos ao leccionar as aulas. Só quero com isto, pondo as cores partidárias de parte, tentar dar a conhecer às pessoas o docente e homem que o Professor Jorge Ferreira foi… Os meus sinceros sentimentos à sua família.

Ricardo Ferreira

(via Público)

Nabantia – O último “post” de Jorge Ferreira

Jorge Ferreira mantinha – sob a discrição de um anonimato de que os mais atentos anteviam a autoria -, completaram-se ontem precisamente dois anos, o melhor blogue sobre uma cidade que aprendeu a amar, em cujo Instituto Politécnico dava aulas e a que se dedicou com todas as suas forças e energias nos últimos anos, Tomar.

Numa trágica ironia, o blogue Nabantia perfez ontem o seu 2º aniversário, ainda evocado pelo já muito gravemente doente Jorge Ferreira. Aqui fica a minha singela homenagem, transcrevendo o seu último escrito:

Considerando o facto de em dois anos não ser possível, ainda, pesem todos os avanços da ciencia, assegurar uma vida em plenitude quer no aspecto físico, quer mental, vê-se a Gerência Nabantia na contingência de descansar um diazito desta lufa-lufa. O estado social também tem o direito de dar uma folguita aos blogues

Que descanse em paz!

(via Fumaças)

Obrigado, Jorge Ferreira!

É mais uma notícia que nos deixa sem palavras.

Para além de toda a sua vida pessoal e profissional, com múltiplas actividades, desde a política, à advocacia, passando pela docência (no Instituto Politécnico de Tomar) e pelo papel de colunista, Jorge Ferreira era um dos mais entusiastas da blogosfera, desdobrando-se por vários blogues, permanentemente atento e acompanhando a actualidade no dia a dia.

Sem que tivesse tido o privilégio de o conhecer pessoalmente, foi-se criando entre nós uma ligação de cumplicidade / amizade ”virtual”, com uma empatia potenciada também pelos seus escritos sobre Tomar e pelo interesse e atenção que fazia a gentileza de ir dedicando aos meus blogues, sempre com uma palavra simpática de incentivo. Um homem naturalmente bom, cheio de energia e de vida.

De uma forma sempre discreta, deixara antever, por mais de uma vez, que a  doença que procurava combater, o ia atacando, o ia minando.

Deixa-nos hoje, aos 48 anos de idade. Costuma dizer-se que é uma perda irreparável; assim é com toda a propriedade: fica um espaço vazio, que não mais poderá ser preenchido.

Obrigado, Jorge Ferreira!

Listas do Twitter – A função de “etiquetas”

Para além de filtros e de factores de autoridade, as listas do Twitter têm implícita uma outra função, a de “etiquetar” ou atribuir rótulos a cada um dos utilizadores.

Dito de outra forma: como é que os utilizadores me vêem, me “catalogam”?

Pela amostra junta, a minha conta surge associada: a blogues / blogosfera; a Portugal (e a Tomar); aos twitters portugueses; autor; “mundo digital”; às “letras”; e, ainda, como “power user” e “power lister”!

Minoria relativa

Minoria relativa é o nome de um novo blogue, da autoria de Madalena Duarte, Luís Branco, Miguel Cardina, Catarina Carneiro de Sousa, Hugo Dias e Tiago Ribeiro.

Jornalismo e Redes Móveis

Jornalismo e Redes Móveis é o nome de um novo blogue do Labcom (Universidade da Beira Interior – UBI), criado na sequência do “1º Encontro da Montanha”, exclusivamente dedicado a esta nova linha de investigação: jornalismo para dispositivos móveis.

Listas do Twitter: de filtros a factores de autoridade

Disponibilizadas publicamente esta semana, as listas do Twitter vêm finalmente dar resposta a uma necessidade há muito sentida pelos seus utilizadores, a de agrupar as suas preferências em diferentes categorias, personalizadas pelos próprios, facilitando o acompanhamento do imenso caudal que a ferramenta proporciona.

Nas palavras de Jose Luis Orihuela (@jlori), as listas deverão resultar num rápido crescimento do número de seguidores e de “RT’s”, dado que a timeline deixará de ser o único acesso às actualizações. Permitem filtrar os conteúdos, libertando os utilizadores da dependência face à referida timeline, ao mesmo tempo que constituem uma forma de “etiquetar” os nossos contactos.

Pedro Fonseca (@contrafactos) alerta também para o potencial multiplicador das listas: deixaremos de estar “limitados” a seguir determinados utilizadores, podendo passar também a acompanhar os interesses listados por cada um deles!

Por outro lado, vêm igualmente introduzir um novo factor de hierarquia de “autoridade” ou influência, por via do número de listas a que cada utilizador seja adicionado.

Noutro prisma, há quem antecipe que, num prazo de dois meses, as listas ficarão tão densas / “lotadas”, que acabarão por se tornar irrelevantes.

Para quem se possa mostrar ainda relutante em aderir ao Twitter, é agora possível acompanhar estas novas listas através de um leitor de feeds RSS.

Neste momento, a questão-chave que se coloca é a de onde encontrar as melhores listas? Para além daquelas que vão sendo criadas por alguns utilizadores de “referência” (por exemplo, as dos citados Jose Luis Orihuela e Pedro Fonseca, ou as de Dave Winer e Robert Scoble), foi também já apresentado um serviço independente, Listorious, facultando uma variedade de listas de diversas categorias ou temáticas, assim como as listas mais “populares”.

(também publicado no diário2.com)

diário2.com


Numa iniciativa de Paulo Querido, foi hoje lançado o diário2.com.