Leonel Vicente
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Archive for the ‘"Blogosfera" em 2004’


“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXXII)

Concluída a “viagem pela blogosfera” em 2004, estavam em falta os agradecimentos a quem teve a simpatia de, a propósito desta retrospectiva que tanto prazer me proporcionou, se referir ao Memória Virtual.

(Esperando não me esquecer de ninguém…) aqui deixo o meu Obrigado a todos!

- “Waldorf” (Blogue dos Marretas)

- Nuno Guerreiro (Rua da Judiaria)

- José Flávio Pimentel Teixeira (Ma-Schamba)

- Rodrigo Moita de Deus (O Acidental)

- “Nikonman” (Praça da República em Beja)

- Pedro Fonseca (Contra Factos & Argumentos)

- Walter Rodrigues (Forum Comunitário)

- “Santa Cita

- Paulo Querido / Luís Ene (Weblog.com.pt)

P. S. Uma referência especial ao 2º aniversário do Blogue de Esquerda. Parabéns e votos de continuação de bom trabalho!

E também, com algum atraso, para o 2º aniversário da Íntima Fracção, de Francisco Amaral, comemorado no passado dia 30 de Dezembro.

[1920]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXXI)

A 17 de Dezembro, Paulo Querido anuncia o primeiro caso de pedido de informação por parte de um tribunal relativamente a um conteúdo do weblog.com.pt.

Também em Dezembro, e no espaço de poucos dias, o jornal “Público” edita dois artigos, baseando-se em “entradas de blogues”, sem contudo referir as fontes. A 26 de Dezembro, Joaquim Furtado aborda a questão, em “A Coluna do Provedor do Leitor: Copyright na Net“, concluindo:

“O jornal cometeu, em conclusão, dois erros, reconheceu-os nas suas páginas como era, aliás, seu dever, deixando claro quais deveriam ter sido os procedimentos correctos. O processo de reflexão interna produzido pelos responsáveis do jornal e exposto nesta coluna, responde à transparência reclamada pelo leitor.”

A fechar esta resenha sobre a “blogosfera” em 2004, que melhor final do que esta sensacional “entrada” (“Exposição de Coelhos Suicidas“) de João Pedro da Costa, nas Ruínas Circulares (há por lá muitas outras “entradas” a admirar!…):

“Sejam bem vindos à exposição dos Coelhos Suicídas na Galeria de Arte AS RUÍNAS CIRCULARES. O meu nome é João Pedro da Costa e irei ser o vosso guia durante a visita. Peço o favor de desligarem os telemóveis e de guardarem eventuais perguntas ou comentários para a caixa que estará à vossa disposição no final da visita. Lembro igualmente que, nesta galeria, podem fumar à vontade, que não faltam por aí cinzeiros. (Se tenho lumes? Claro. Ora, com licença. De nada).

Para os que não sabem, a presente exposição reúne os trabalhos enviados pelos leitores de um certo blog, tendo por mote a obra clássica de Andy Riley, THE BOOK OF THE BUNNY SUICIDES, cujo primeiro volume já se encontra editado em Portugal pelas Publicações Europa-América.”

E, já quase em “post-scriptum”, as palavras de Pacheco Pereira no “Veritas Filia Temporis” em 29.12.04 (originalmente publicadas na revista “Sábado”): “Os blogues portugueses foram a mais importante alteração positiva do sistema comunicacional nacional. Têm, todos sabemos, coisas péssimas: leviandade, cobardia anónima, agressividade balofa, arrogância moral, manipulação, militantismo sectário. Mas são miasmas que vêm da nossa atmosfera pequena e asfixiante, cheia de ressentimentos e escassez de bens e lugares, para a blogosfera. Mas, da blogosfera para fora, saiu qualidade, debate, controvérsia, imaginação e notícias.”

[1918]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXX)

Na edição de 16 de Dezembro da revista “Visão”, é apresentada, sob o título “A nossa selecção – Elegemos os melhores recantos da blogosfera, onde se fala de política de não só”, referência particular a alguns “blogues”, da autoria de Mário Rui Cardoso:

- Abrupto“Uma instituição na blogosfera – José Pacheco Pereira foi o primeiro responsável pela mediatização dos blogues. JPP – sigla com que assina os posts – contribuiu sobremaneira para o incremento da popularidade da blogosfera e para a subsequente explosão do número de bloggers.”

- Barnabé“É o blogue do momento da esquerda portuguesa – com direito a livro em destaque nos hipermercados e tudo. Sendo dos mais visitados, é dos mais comentados. Os seus posts, muitas vezes redigidos em tom provocatório, desencadeiam longas discussões na zona de comentários.”

- Portugal dos Pequeninos“De João Gonçalves, um crítico refinado de Santana Lopes e do seu Governo, é um blogue culto, informado, consistente e com memória.”

- Causa Nossa“Políticos e comentadores que, até ao aparecimento da blogosfera, se limitavam a dois, no máximo três comentários semanais em órgãos de comunicação social, com os blogues ganharam um espaço de exposição permanente das suas opiniões.”

- O Acidental“É uma espécie de negativo do Barnabé. [...] Lançado por Paulo Pinto de Mascarenhas, jornalista da área da direita, próximo de Paulo Portas, este blogue opta, também, muitas vezes, pelo tom irónico e provocatório.”

- Gato Fedorento“Há muito que o gato não fede nem cheira. Os posts de jeito continuam ausentes [...] mas, até à data, ainda não foi anunciado o encerramento do blogue. Pelo que se mantém a esperança de, um dia, o Gato Fedorento regressar, com a corda toda.”

- Blogue dos Marretas“Os velhos Marretas foram outros que deram enorme fama aos blogues em 2003, e que se mantêm no activo, com a verve intacta.”

- Janela Indiscreta“Infelizmente, a Janela Indiscreta encerrou. Ao fim de quase dois anos a propor-nos filmes, livros, músicas e artes plásticas, depois de todo este tempo a inspirar-nos como nenhum outro, o blogue fechou.”

- A montanha mágica“É um paraíso das letras, na blogosfera. Ganhou expressão a fazer divulgação literária [...] continua a constituir uma paragem obrigatória para nos informarmos sobre os livros que temos de ler, mas também das músicas que devemos ouvir.”

- Xupacabras“Um fotoblogue, um blogue que nos cativa pelas imagens e não pelas palavras.”

- Médico Explica Medicina a Intelectuais“com um programa de intenções meritório à nascença, o de prestar esclarecimentos sobre aquilo que, alegadamente, os jornalistas tentam mas não conseguem explicar aos seus leitores, espectadores ou ouvintes, no que à saúde diz respeito. Obrigatório.”

- Dias com árvores“Um completo roteiro para conhecer as árvores do Porto. [...] Onde há árvores ou onde há problemas com árvores na Invicta, está este blogue. E ensina. Explica tudo sobre as árvores de que nos fala.”

- Ponto Media“Do jornalista António Granado, foi distinguido pela estação alemã Deutsche Welle com o prémio para o melhor blogue jornalístico em Português.”

[1915]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIX)

A crise política associada à dissolução do Parlamento passou também – inevitavelmente – pela blogosfera, conforme destaque no Diário de Notícias de 2 de Dezembro (ver texto abaixo).

E, para além dos “suspeitos do costume” (os “blogues” de cariz mais político), a referência particular vai, neste caso, para a análise da Catarina (100nada).

O mês de Dezembro fica ainda assinalado pelo prémio de melhor blog jornalístico em português do “Best Of the Blogs” (da Deutsche Welle), atribuído ao Ponto Media, de António Granado.

“Internet Blogues

Blogosfera concorreu com ’sites’ na cobertura da crise

Marina Almeida

Opinião. A blogosfera usou as suas potencialidades na análise da crise

Terça-feira ao fim-do-dia, a genica dos sites de breaking news nacionais voltou a ser posta à prova.Todos se apressaram em actualizar, ao segundo, os desenvolvimentos da crise política. Nos primeiros minutos de «aflição», tiveram alguns concorrentes de peso na blogosfera. E muitos foram os que fizeram zapping no ciberespaço.

O Barnabé, do porta-voz do Bloco de Esquerda, Daniel Oliveira, apanhou a notícia no ar. O relógio do blogue marcava 18.23, quando entra em linha o post: «Treme-se em Belém. Eu não acredito, mas lá que se treme, treme».

Dez minutos depois, já se tremia nas redacções. A SIC Notícias estava em directo de Belém, na TSF entraram as notícias da meia hora (e não mais pararam até à meia-noite). Os sites informativos fervilhavam. Às 18.32 é conhecido o comunicado da Presidência da República, dois minutos depois estavam online as primeiras notícias. Marcava também 18.34 no Barnabé quando surge: «Tudo indica que Santana acabou». À mesma hora, José Mário Silva publicava no Blog de Esquerda uma fotografia do Presidente e escrevia: «Olha, olha, Sampaio acordou!». No Blasfémias, às 18.40, João Miranda começava a sua odisseia com o post «Lá vai o bébé. Espero que ao menos se consiga salvar a água do banho».

Nos sites de breaking news pontuavam as notícias curtas e os títulos informativos. A blogosfera soltou a criatividade. A grande arma destes espaços é a opinião, que começou a pontuar nas horas seguintes ao anúncio formal da intenção de dissolução do Parlamento. No Causa Nossa Vital Moreira começou com «A corda quebrou» e nas horas seguintes partilhou com os cibernautas as suas reflexões.

No Blasfémias, os bloguistas reagiram e a reflexão de CCC, «Mais uma asneira do Presidente que não devíamos ter», mereceu várias referencias na blogosfera. Pacheco Pereira, no Abrupto, escrevia (premonitoriamente?) às 17.20 «Venha a moeda boa». Ontem de manhã, em «Notas da crise da incubadora», criticou o cinismo de alguns jornalistas.

Terça-feira, os blogues registaram um pico de acessos e alguns anunciaram-no publicamente. O Blog de Esquerda recebeu 141 visitas numa hora («Um record absoluto»). De acordo com o Sitemeter (que mede as audiências dos sites), recebeu 2058 visitas no dia. Ao Blasfémias acederam 1900 cibernautas. O recordista do dia parece ter sido o Barnabé com 4884 visitas.”

(artigo de Marina Almeida no Diário de Notícias de 2 de Dezembro)

[1913]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXVIII)

Na Revista “Sábado” de 26 de Novembro, Pacheco Pereira publica o artigo “O outro debate público: os blogues políticos”:

“O Causa Nossa, o blogue de um grupo de simpatizantes e militantes socialistas, com relevo para Vital Moreira, fez um ano. Na blogosfera, um ano é um século, pelo que aguentar a parada durante tanto tempo é mérito. No caso do Causa Nossa, o mérito é tanto maior quanto este blogue é um dos animadores do debate político na rede e este, no seu conjunto, está a milhas de qualidade do que se pratica no espaço público dos átomos, em particular no sistema político-jornalístico. Nesse debate exterior há vozes individuais fortes e indispensáveis, a mecânica dos jornais dá à opinião um papel vigoroso e eficaz, mas é a preponderância de vozes individuais que sobreleva a um debate colectivo. Na blogosfera existe a informação, a interacção, a rapidez e a qualificação do debate sem paralelo “lá fora”. Como em todas as coisas, há o bom, o mau e o muito mau, mas havendo o bom já não estamos mal.

Sendo injusto, como se é sempre quando se escolhe poucos entre muitos, esse debate político é fomentado essencialmente por um pequeno número de blogues, de que aqui cito cinco. Embora a política tenha uma representação em muitos outros blogues, mais pessoais ou mais especializados, os exemplos que vou dar são de blogues predominantemente sobre política, a maioria próximos dos socialistas e do Bloco de Esquerda, e um mais à direita do espectro político, para utilizar os descritores habituais. A composição política da blogosfera conheceu uma evolução para a esquerda, que a coloca mais próxima dos equilíbrios do sistema político-comunicacional, em grande parte favorecida pela saída de alguns pioneiros que se assumiam como de direita e que migraram para a comunicação social tradicional.

[…]

Para além do Causa Nossa, são relevantes os Blogue de Esquerda II e Barnabé, ambos próximos do Bloco de Esquerda e da esquerda radical. O Barnabé é o mais lido, mas o menos influente pela sua duplicação da agenda jornalística e grande previsibilidade, enquanto o Blogue de Esquerda, um pioneiro dos primeiros tempos da blogsofera, tem uma voz com identidade e qualidade. Perdeu o ambiente de polémica dos primeiros tempos, que hoje é assumido essencialmente pelo Barnabé, mas os interesses dos seus autores estão longe de se limitar à agenda político-jornalista e isso dá-lhe uma respiração própria.

Alinhado no campo do socialismo moderado, o Bloguitica é de todos os que cito o único que é de autoria individual, escrito por Paulo Gorjão, o que representa um enorme esforço e trabalho do autor. No Bloguitica encontra-se uma análise sempre acertada do spin goveramental, revelando, com exemplos, aquilo que muitas vezes escapa ao jornalismo superficial que se deixa usar e serve de eco para passar “mensagens” políticas com origem em sectores do governo.

[…]

Para servir de contraponto a esta hegemonia da esquerda, o Blasfémias é o herdeiro colectivo de um grupo de blogues ligados ao pensamento liberal e aos dissidentes do PP, mas que ganharam em conjunto uma dimensão e uma massa crítica que o fazem a melhor voz liberal na blogosfera. Nele escreve João Miranda, um caso muito interessante de humor e perspicácia política, traduzida nas notas recentes sobre a pergunta do referendo, muito mais imaginativo que os imitadores nacionais do Spectator.

A influência destes blogues é grande, mas ainda demasiado invisível. Já são lidos hoje por milhares de pessoas por dia, e os mais lidos têm mais leitores do que alguns jornais diários como A Capital. Todos são lidos pela generalidade dos jornalistas, e muitos deles fornecem um suplemento mais fresco de questões, debates, pontos de vista, informações que a imprensa tradicional aproveita quase sem citar. Enquanto nos blogues há uma cultura de citação, pelas características de hipertexto que tem a rede, nos jornais só se cita interpares, quando a visibilidade de um artigo ou de uma opinião a torna inevitavelmente de autor.

[…]

Leiam os blogues que vale a pena.”

[1909]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXVII)

A 25 de Novembro, o Barnabé anuncia o lançamento de livro com textos editados no “blogue”:

“O Barnabé saiu em livro. O lançamento está marcado para dia 7 de Dezembro. Mas já se pode encontrar em muitas livrarias. São os melhores posts escritos entre de 10 de Setembro de 2003 (quando o Barnabé nasceu) e 10 de Setembro de 2004. Editado pela Oficina do Livro. Daremos mais notícias.”

O lançamento deste livro é também referido em artigo de Paulo Pena na Revista “Visão”, na sua edição de 25 de Novembro : “O que é que tem o ‘Barnabé’? É um blogue «diferente dos outros». É de esquerda, bem-humorado, e vai sair em livro.”

“Rui é anarquista. Daniel é dirigente do Bloco. André é de esquerda. Pedro e Celso são sociais-democratas. São amigos há mais de 15 anos.

[…]

Pedro Oliveira aponta uma razão para este sucesso. «Os portugueses gostam de conversar, e de opinar, e houve uma rarefacção dos espaços onde isso era possível, como os cafés e as tertúlias.»

[…]

O Barnabé é o terceiro blogue editado em papel (pela Oficina do Livro), e será lançado no próximo dia 7 de Dezembro. Os seus antecessores foram o best-seller, O Meu Pipi (também da Oficina) e o Fora do Mundo, de Pedro Mexia (da Cotovia).”

Efectivamente, também Rita Ferro Rodrigues publicou em livro os textos anteriormente editados no “blogue” que manteve (“No Parapeito”), escrevendo sobre as alegrias, tristezas, amores e afectos – com lançamento a 16 de Novembro.

[1906]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXVI)

E, se o início de Novembro fica assinalado pelo abandono de actividade de dois “blogues históricos”, o Janela Indiscreta (página de relevância cultural) e o Valete Fratres! (“blogue” de referência, situado à direita do espectro político), respectivamente a 2 e a 3 de Novembro, no dias imediatos (4 e 5) nasciam o Esquerdices e o Torre de Menagem (este último agrupando autores de diversos “blogues” alentejanos).

A 24 de Novembro, o “Primeiro de Janeiro” atribui ao Abrupto, de Pacheco Pereira, o “Prémio Inovação”:

“O Abrupto, de Pacheco Pereira, recebe o primeiro prémio português atribuído a um blogue
«Imprensa deve estar atenta aos blogues»

Porque inovar é preciso, O PRIMEIRO DE JANEIRO, apesar de secular, não se esquece daqueles que se destacam pela criação e pela novidade. Assim, Pacheco Pereira viu o seu blogue Abrupto ser distinguido com o Prémio Inovação, o primeiro prémio a ser atribuído a um blogue.

Ana Caridade

“E o Prémio Inovação vai para… José Pacheco Pereira e o seu blogue Abrupto”. Ao anúncio feito aos microfones do salão Preto e Prata do Casino da Póvoa seguiu-se a apresentação do premiado, num dos momentos altos da noite. Lobo Xavier, colega de debate de Pacheco Pereira no programa «A quadratura do círculo», da SIC Notícias, ficou encarregue de falar sobre “o amigo Zé Pacheco Pereira”. Políticas à parte, Lobo Xavier optou por falar da pessoa, das suas qualidades de “independência”, “rigor” e “tenacidade”. Referindo as inúmeras áreas do saber nas quais Pacheco Pereira se distingue, até das menos conhecidas do público, como “aprendiz de astronomia”, o seu colega de debate salientou o facto de o autor do Abrupto nunca ficar “refém dos vícios dos sectores que domina”. Talvez por isso o Abrupto seja um diário “eclético”, exclusivamente “assente em Pacheco Pereira, na sua vontade indomável, mas também no enorme número de visitantes que o blogue já registou”. O diário digital de Pacheco Pereira é um reflexo seu, onde aqui e ali “despe a capa de comentador duro e cruel e deixa entrever a capacidade de se emocionar, quer seja no texto que escreveu sobre o envelhecimento do Papa, quer seja num poema ou na imagem de um quadro”.

Apesar de se considerar um amigo do “Zé”, Lobo Xavier sente que nunca se está “muito próximo de um espírito assim” atribuindo esse lugar de eleição “à Teresa”, mulher do premiado. E assim é ele, “o único pensador estruturado à direita”, embora Lobo Xavier saiba que Pacheco Pereira “não gosta de rótulos”. E tinha razão. Depois de agradecer a atribuição do prémio, e os elogios de Lobo Xavier, Pacheco Pereira fez questão de dizer que o puseram “num clube ao qual ele não pertence”. Quanto ao galardão, espera que este tenha o condão de avivar o debate político e cultural, pois afinal é esse o intuito dos blogues. Comparando esta nova forma de comunicar com os jornais anarquistas do início do século, “jornais que proliferavam no Porto e que tinham uma personalidade satírica e jovem”, Pacheco Pereira lembrou a importância que estes diários digitais têm no mundo da comunicação social. “São dois mundos complementares porque nos blogues encontra-se vivacidade e espírito crítico, qualidades que escasseiam na imprensa tradicional, e que, por isso, devem segui-los com atenção. Nos blogues encontra-se um retrato do Portugal que está a aparecer”. A terminar, Pacheco Pereira realçou que “a liberdade assenta no pluralismo e os blogues são o exemplo daquilo que desejamos para o Portugal do futuro”.”

[1905]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXV)

A 27 de Outubro, a “blogosfera” é “sacudida” com o caso “Do Portugal Profundo“, com a Polícia Judiciária a confiscar o computador do autor do “blogue” por alegada quebra do sigilo judicial a propósito do caso de pedofilia na Casa Pia, conforme relatado em artigo do Correio da Manhã:

“Casa Pia – PJ confisca computador a autor de blogue

PORTUGAL PROIBIDO

Eram 7h00 quando dois agentes da Polícia Judiciária (PJ) de Leiria, acompanhados por um procurador adjunto do Ministério Público (MP), bateram à porta de António Caldeira, autor do blogue ‘Do Portugal Profundo’. Um caso de “censura” e “tentativa de intimidação”, considera o professor universitário de Alcobaça, que tem divulgado na internet pormenores do processo Casa Pia.

“Eles entraram e apreenderam disquetes, CD e o meu computador. Fizeram isso também em casa da minha mãe, de onde levaram um computador que eu já não usava há dez anos”, contou Caldeira ao CM. O professor de Marketing terá sido constituído arguido do crime de desobediência, por ter desrespeitados os autos que proibiram a reprodução das peças processuais ou documentos incorporados no processo Casa Pia. “Sou notificado de desobediência, mas isso pressupõe que eu conhecesse os autos. Como podem eles ter a certeza disso?”Caldeira terá também sido sujeito a termo de identidade e residência.

ENTRE A BÉLGICA E A ITÁLIA

António Caldeira não tem dúvidas: “há uma rede pedófila de controlo do Estado a tentar silenciar o meu blogue e intimidar a minha acção”, considera, dizendo ter sido essa rede a fazer a denúncia que motivou o MP.

O blogue ‘Do Portugal Profundo’ nasceu há mais de um ano como um ‘site’ generalista, e a dada altura passou a dar grande atenção ao processo Casa Pia. “Tomei conhecimento de que a questão era equivalente ao escândalo de pedofilia da Bélgica, só que mais grave. A rede pedófila é semelhante à Máfia de Itália, com a diferença de que ainda não fez mortos”, diz o professor. “Escrevo em nome do País e da democracia. Move-me a necessidade de limpeza do Estado desta rede pedófila.”

Apesar daquilo que considera ser uma “tentativa de intimidação e limitação da liberdade de expressão”, António Caldeira promete continuar a alimentar o seu blogue, que continua activo no endereço http://doportugalprofundo.blogspot.com. “Enquanto eu puder, no cumprimento da lei, continuarei a falar do que acho importante”.

Contactado pelo CM, Jorge van Krieken, autor do ‘site’ ‘ReporterX’, que também publica informação de cariz semelhante, não quis revelar se alguma vez foi alvo de acções do MP. “Não vou prestar quaisquer declarações ao vosso jornal”, disse.

AINDA NO AR

Na sua mensagem mais recente o blogue ‘Do Portugal Profundo’ publica na íntegra o relatório do Serviço de Informações e Segurança (SIS), concluído em 1999, intitulado ‘A Pedofilia em Portugal: ponto da Situação’. “Este documento, apresentado no Conselho de Informações e Segurança, foi transmitido à Polícia Judiciária e motivou a investigação consequente”, explica Caldeira. O ‘site’ nunca divulgou os nomes das vítimas.”

Rodrigo de Matos

[1904]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIV)

A 11 de Outubro, a blogosfera vive mais um episódio caricato, com um “blogue” de um deputado madeirense, instalado na plataforma de “blogues” disponibilizada pela Assembleia da República – com a curiosa denominação de “Os cães ladram e a caravana passa” -, que, num tom algo polémico, parecia deixar antever tendências separatistas. O episódio ficaria por aí, dado que o “blogue” teria uma vida muito efémera, de poucos dias (ver “entradas” de Paulo Querido, de Paulo Gorjão e do deputado José Magalhães).

A 15 de Outubro, numa iniciativa de Nuno Peralta e Rui Branco, é lançado um repto – em primeira análise à comunidade “bloguística”, mas extensível a todos os portugueses – o de encontrar uma “alternativa ao bloco central“:

“Queremos uma Alternativa Real ao Bloco Central. Acreditamos na liberdade. Na liberdade de expressão. Na liberdade de iniciativa. Mas também defendemos a responsabilidade. E defendemos que quem clama por direitos não se pode esquecer dos seus deveres. Não há por aí mais gente desiludida com os partidos de poder, que se posicione ideologicamente ao centro, interessada em criar um movimento político que condicione o actual “bloco central”? Alguém que se preocupe com o futuro do país e que queira fazer algo, levar avante as reformas necessárias, sem objectivos de carreirismo partidário? Como fazer? Vamos a ver.”

[1902]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXIII)

A 6 de Outubro, dá-se o “Caso Marcelo“, com a suspensão dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, devido a alegadas pressões sofridas, também na sequência de críticas do Ministro dos Assuntos Parlamentares ao formato da sua intervenção televisiva, “sem contraditório”.

A blogosfera – como sempre – reagiu de imediato (conforme destacado em artigo de Cristina Bernardo Silva no “Expresso” online – ver em “entrada estendida”):

- Causa Nossa“Factos: a) Um Ministro condena duramente o comentário político dominical de MRS na TVI; b) O visado reserva-se o direito de responder no próximo programa; c) Depois de uma conversa com o proprietário da estação, por inicitiva deste, MSR anuncia a imediata cessação do seu programa; d) MRS não dá explicações para esta súbita decisão, dizendo somente que durante mais de quatro anos sempre pôde conceber e executar “livremente” o seu programa, deixando entender que essa liberdade teria deixado de existir. As perguntas são óbvias: (i) O que é que Paes do Amaral disse a MRS, para forçar este a abandonar o programa, que claramente fazia com inexcedível gozo? (ii) O que é que levou Paes do Amaral a provocar o fim de um programa que evidentemente trazia enormes vantagens à estação? (iii) O que é que o Governo teve a ver com isso?”

- Tugir“Deduz-se, do nevoeiro ainda envolto nesta rescisão de serviços, que há dedo do Governo e que um canal de televisão cedeu ao poder político.”

- Bloguitica (“entrada” nº 1988, a 06.10.04) – “Em poucas linhas, Marcelo Rebelo de Sousa sai da TVI fazendo estragos demolidores. Em primeiro lugar, o comentador dominical da TVI deixa bem claro que Paes do Amaral vergou perante as pressões de Pedro Santana Lopes. O presidente da Media Capital solicitou uma conversa com Marcelo Rebelo de Sousa que não foi certamente para discutir fait-divers. Em segundo lugar, Marcelo Rebelo de Sousa deixa bem claro que sempre comentou livremente na TVI. Infere-se das suas palavras que agora não o poderá continuar a fazer, precisamente devido à interferência de Paes do Amaral e de… Santana Lopes!”

- Barnabé“O que se passou hoje – o afastamento de Marcelo da TVI – foi o caso mais grave de censura em Portugal desde os tempos revolucionários. [...] Um ministro atacou agressivamente um comentador e exigiu que a Alta-autoridade agisse sobre esse comentador. O patrão da Media Capital chamou esse comentador para uma conversa. Esse comentador demitiu-se e já nem sequer faz o seu próximo comentário, onde em princípio responderia ao ataque do ministro.”

- Blogue de Esquerda“Respondendo às perguntas dos jornalistas, há pouco mais de 10 minutos, Santana Lopes não evitou os mais eloquentes sinais de embaraço, quando confrontado com o affaire Marcelo. Ou seja, o que começou por ser um simples tiro no pé, ameaça transformar-se agora numa ameaçadora gangrena política, de consequências imprevisíveis. Pior: em vez de encarar com frontalidade o problema, esclarecendo o que fosse passível de explicação (se é que existe explicação para um cada vez mais evidente caso de pressão política censória), o primeiro-ministro limitou-se, na sua conferência de imprensa, a ensaiar desajeitadíssimas manobras de fuga à responsabilidade que lhe cabe, inteira, nesta barafunda.”

- Abrupto (“Rigorosos e especiosos” – 07.10.04) – “Em qualquer democracia o que ele fez são pressões. São pressões para Marcelo, são pressões para a Media Capital, são pressões para a AACS, são pressões para toda a gente…”

- Blasfémias“Ver ou não ver, gostar ou não gostar dos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa é completamente indiferente. O Governo PSD/PP utilizou a pressão política e económica para silenciar alguém que é incómodo ao poder. É grave e muito preocupante.”

- Mar Salgado“O jogo mudou. Marcelo beneficia de efeitos conhecidos de há meio-século em Psicologia Social no campo da mudança de atitudes: o da “credibilidade da fonte ” e o da “confiança da fonte”. [...] Se a isto acrescentarmos o poder da simplificação da mensagem televisiva e a ausência de anti-corpos críticos na massa de indivíduos que julgavam receber um banho de cultura semanal do Prof. Marcelo, compreende-se o pânico do Governo. É humano.”
(mais…)

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXII)

A 3 de Outubro, a propósito do papel da blogosfera como fonte noticiosa – um tema que voltou a estar na “agenda” nos últimos dias (e, novamente, por via de artigos no jornal “Público”, “baseados em entradas de blogues”) -, Joaquim Furtado apresentava em “A coluna do provedor”, precisamente no “Público”, um interessante texto, “Contar com os blogues”, em que refere nomeadamente:

“[...] há dois ou três anos, se quisesse prestar o seu testemunho, Rogério Santos teria escrito para o provedor, ou para o jornal e aguardaria que os critérios destes divulgassem o seu contributo. Hoje, em vez desse caminho “tradicional”, escolheu intervir através de um veículo que lhe garante automaticamente a difusão da mensagem: a blogosfera, esse novo mundo que habita o mundo novo que é a Internet e que, cada vez mais se apresenta como incontornável aos “velhos” mundos da comunicação.

Dos efeitos da sua vitalidade crescente começa a haver todo o tipo de exemplos, quer no estrangeiro quer em Portugal, obrigando a reflexões e análises de que é exemplo recente, um texto da autoria de José Pacheco Pereira.

Afirma o colunista: “Os jornalistas, principalmente da imprensa escrita, vão hoje buscar imensa coisa aos blogues, umas vezes citam, outras não, e os leitores dos jornais desconhecem a importância dessa contribuição. Ainda recentemente uma notícia de primeira página do PÚBLICO teve origem num blogue. O jornal demorou uns dias a referir a fonte, mas depois fê-lo quando por todo o lado na blogosfera havia protestos. Num blogue, essa ausência de citação seria impossível porque a cultura do hipertexto torna a citação do outro um elemento identitário da blogosfera”.”

Há 1 ano no Memória Virtual – “Blogues no Sapo”

[1896]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XXI)

A 18 de Setembro, numa organização de Zecatelhado, realizou-se mais um grande jantar reunindo um conjunto alargado de “bloguistas”, retratado em diversas “entradas” publicadas no dia 21 de Setembro) pela Maria.

A partir de estudo realizado no âmbito de Tese de Licenciatura em Comunicação Social, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Joana Baptista apresentava em “blogue“, a sua metodologia de trabalho, hipóteses de reflexão e primeiras conclusões de inquérito realizado a alguns “bloggers”:

“Este estudo não pretende de todo ser um ponto de chegada, mas antes o início de um longo caminho a explorar em investigações futuras. De facto, trata-se de um fenómeno ainda pouco aprofundado, pelo que a informação e bibliografia disponíveis se revelaram escassas ao longo da investigação. Esta foi talvez a maior dificuldade que sentimos. No entanto, essa dificuldade foi amenizada pela sensação de descoberta e pela brilhante colaboração dos utilizadores da blogosfera. A sua empatia pelos blogues e a sua disponibilidade impulsionaram a nossa dedicação a este projecto”.

[1894]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XX)

A 16 de Setembro, no “Público”, Pacheco Pereira apresentava um novo balanço da “blogosfera”:

Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera
Por JOSÉ PACHECO PEREIRA
Quinta-feira, 16 de Setembro de 2004

“Há cerca de um ano, escrevi sobre os blogues no PÚBLICO, coincidindo com a sua descoberta por um público mais vasto. Houve, em seguida, o habitual surto de breve fama, centenas de blogues foram criados e dezenas de artigos mais ou menos apressados, mais ou menos informados, foram publicados. Tudo quanto era órgão de comunicação social publicou pelo menos um artigo sobre os blogues. Depois os blogues passaram de moda, muitos dos blogues criados desapareceram, embora a “audiência” global dos blogues tenha aumentado significativamente, mantendo-se esse efeito até hoje. É altura de fazer um balanço deste novo tipo de publicação electrónica.

A blogosfera portuguesa mudou muito durante este ano, deixou de ser constituída por um pequeno grupo pioneiro, que a usava quase como um “espaço íntimo”, para se tornar, de um dia para o outro (a rapidez é uma característica do meio), mais agressiva, politizada no mau sentido, ressentida e implicativa. Mas essa fase também já passou e o melhor dos primeiros tempos “íntimos” e o melhor da fase de democratização da blogosfera permaneceram. Cerca de 20 a 30 blogues portugueses fornecem todos os dias novas ideias, reflexões, informações, que um cidadão avisado e culto não deve perder.”

(ver continuação em “entrada” estendida)

Há 1 ano no Memória Virtual – “Almoços grátis”
(mais…)

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XIX)

De 12 de Junho a 4 de Julho, decorreu em Portugal a maior organização alguma vez levada a cabo no nosso país, o Campeonato da Europa de Futebol; 3 semanas em que o país se mobilizou, voltou a sentir orgulho de si próprio, reganhando a sua auto-estima, com milhares de bandeiras de Portugal desfraldadas ao vento.

Perdoe-se-me a imodéstia de incluir o Memória Virtual nesta resenha da “blogosfera” em 2004, mas não tenho conhecimento de uma cobertura tão ampla e exaustiva como a que aqui foi apresentada e que agora tenho o prazer de recordar.

A 22 de Julho, é a vez de Manuel Alegre lançar o seu “blogue” associado à candidatura ao cargo de Secretário-Geral do Partido Socialista.

A 1 de Agosto, os “blogues políticos” (Abrupto / Barnabé / Causa Nossa) são objecto de destaque no Telejornal da RTP1.

A 17 de Agosto, tem o início o Gávea, um “blogue” de dois portugueses (Francisco José Viegas e Pedro Mexia) sobre literatura brasileira:

“O Gávea Blog será um site dedicado à literatura brasileira, mantido por dois portugueses que gostam, intermitentemente, do Brasil ou da literatura do Brasil.”

A 1 de Setembro, Jorge van Krieken ameaça a Grande Loja do Queijo Limiano com uma queixa-crime por alegada “difamação e calúnia grave” – a propósito desta “entrada”, relacionada com o caso de pedofilia na Casa Pia.

No dia seguinte, Luis Ene propõe, no Ene Coisas, uma “antologia de blogues”, projecto ainda em standby.

Há 1 ano no Memória Virtual – Novos membros da União Europeia – Letónia

[1890]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XVIII)

A 23 de Junho, a propósito dos prémios atribuídos pelo Causa Nossa, “A Capital” dedica também 4 páginas aos “blogues”, com chamada de primeira página:

“A blogosfera chegou atrasada a Portugal, mas a sua pujança e expansão rapidamente a transformou num grande acontecimento.”

Incluindo entrevistas a Paulo Querido e Daniel Oliveira; referências aos “consagrados” Vital Moreira, José Pacheco Pereira e Francisco José Viegas; e aos “mediatizados” Daniel Oliveira, Pedro Mexia e João Pereira Coutinho. Fechando com a lista dos premiados na festa do Lux.

Uma nota final para o texto introdutório deste destaque d’A Capital: “Breve história da blogosfera em Portugal”, o qual efectivamente pouco acrescenta sobre a referida “história”, apresentando-se algo desactualizado, terminando com referências aos “blogues” de Pedro Mexia e Pedro Lomba, entretanto já inactivos.

“A Capital”, dando especial destaque ao fenómeno dos “blogues”, publicaria diariamente uma secção chamada “Blogmania”, com a reprodução de um ou dois “posts”.

Até que, a 29 de Junho, Durão Barroso anunciava ao país a sua intenção de se demitir do cargo de Primeiro-Ministro, de forma a aceitar o convite a cabdidato à Presidência da Comissão Europeia. Estava instalada uma crise política que seria alvo de amplo e alargado debate na “blogosfera”.

A título meramente exemplificativo, vejam-se as “entradas” no:

- Causa Nossa – aqui, aqui, aqui e aqui

- Abrupto – a 26 e Junho (“Pobre país” e “Congresso”) e a 27 de Junho (“Só há uma maneira” e “Pobre país”)

- Barnabé – aqui e aqui

- Blogue de Esquerda – aqui e aqui

- Bloguitica – aqui, aqui e aqui

- Tugir

- Blasfémias – aqui, aqui e aqui

- Mar Salgado – aqui e aqui

- Blogue da Crise Política em Curso (agregador de “entradas”).

A 18 de Julho, Paulo Querido daria o merecido destaque à intervenção da blogosfera a propósito da crise política, em artigo na Revista “Única”, do “Expresso”.

Há 1 ano no Memória Virtual – “Les Galapiats” (abordando um tema que eu julgava “esquecido nas brumas do tempo”, esta é a “entrada” mais comentada de sempre neste “blogue”!)

[1889]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XVII)

Também a 29 de Maio, o Expresso fazia referência a texto de Vital Moreira no Causa Nossa, sobre a nomeação de novo Director-Geral dos Impostos, “requisitado” ao BCP.

A 31 de Maio, assiste-se a um “takeover na blogosfera”: “o Blasfémias lançava OPA amigável sobre o Liberdade de Expressão“.

A 10 de Junho – fundada por dois weblogs, o Hollywood e o CineBlog – nasce a primeira “Academia de Blogs de lingua portuguesa”: a “Academia de Blogs de Cinema” que reuniu na sua primeira fase 20 “blogues” membros, 18 dos quais de Portugal e dois do Brasil.

A propósito das eleições para o Parlamento Europeu (realizadas, em Portugal, a 13 de Junho), e tendo por objectivo “Navegar contra a abstenção”, apelando aos “Blogs, de todas as cores e feitios, pela discussão e participação nas eleições europeias de 13 de Junho de 2004″, surgia o Ter Voz nas Europeias 2004, página agregadora de “entradas” de diversos “blogues” sobre o tema.

A 22 de Junho, na “Festa do Solstício“, promovida pelo Causa Nossa, seriam atribuídos alguns prémios “blogosféricos”:

- Prémio “Carreira” – Paulo Querido, António Granado e Pacheco Pereira (cada um, à sua maneira, dando um contributo decisivo para a afirmação da blogosfera em Portugal);

- Melhor “blogger” – Pedro Mexia (um dos “fundadores” e dinamizadores d’A Coluna Infame, tendo continuado a oferecer-nos “grandes textos” no Dicionário do Diabo; infelizmente, apenas o podemos encontrar agora “Fora do Mundo” – em livro e, no “blogue”, bastante “espaçadamente”…);

- Melhor “blogue de esquerda” – Barnabé (uma “vasta” equipa, liderada por Daniel Oliveira, sempre incansável);

- Melhor “blogue de direita” – Mar Salgado (que se distingue pela pluralidade de opiniões dos membros da “tripulação”).

Há 1 ano no Memória Virtual – 100 anos a voar

[1886]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XVI)

A 2 de Abril, Pedro Mexia começara por anunciar que o “Dicionário do Diabo” iria fazer uma pausa. Depois de algumas fases de retoma e entrecortadas interrupções, o “blogue” acabaria mesmo por ser encerrado, a 29 de Maio, logo após ter anunciado (a 27 de Maio) a publicação de um livro compilando textos do “blogue” e outros editados já em “A Coluna Infame”, sob o título “Fora do Mundo”.

“Depois de amanhã, sábado, no Auditório 2 da Feira do Livro de Lisboa, será lançado «Fora do Mundo – textos da blogosfera», editado pela Cotovia. É uma selecção dos posts que escrevi para A Coluna Infame e o Dicionário do Diabo. A apresentação será feita por Abel Barros Baptista e Pedro Lomba. Todos os leitores habituais e ocasionais desta página estão obviamente convidados.”

“Estava programado que o Dicionário do Diabo acabasse a 18 de Junho, quando cumprisse um ano de existência. Um ano, na blogosfera, é muito, e nem sempre me tem sido possível actualizar o blogue regularmente, por causa de outros afazeres ou simplesmente por falta de disponibilidade mental. Julgo que um blogue não funciona bem com hiatos ou com actualizações prolixas mas esporádicas. Além disso, creio que esta minha experimentação com temas e modos de escrita está no essencial terminada. É o momento para mudar para outros registos e outras desafios.

Entretanto, como aqui deixei notícia, surgiu a proposta para a edição em livro, a qual implica que apague os posts seleccionados para o volume. Porque me pareceu estranho truncar o blogue, antecipo umas semanas o fim do Dicionário. E porque me desagrada manter sites mortos à tona no ciberespaço, apago primeiro os arquivos e depois farei simplesmente «delete blog».

Em breve penso escrever sobre algumas lições deste ano de Dicionário do Diabo e deste ano e meio de blogosfera. Por agora, apenas um agradecimento a todos os que leram o Dicionário do Diabo e A Coluna Infame, a todos os que comentaram, criticaram, elogiaram, sugeriram, corrigiram, polemizaram, linkaram, a todos os que mandaram mails, enfim, a esta rede que é a blogosfera. E em especial aos outros bloguistas, que deram sentido a isto. E às pessoas importantes fora da blogosfera.

Esta não é uma despedida definitiva. A partir de agora, escrevo no blogue Fora do Mundo, com o Francisco José Viegas e o Pedro Lomba. Mas com menos regularidade e intensidade, e num registo francamente menos diarístico. Por isso, vemo-nos fora do mundo. Ou no mundo. Obrigado por este bocadinho.”

Há 1 ano no Memória Virtual – Novos membros da União Europeia – Letónia

[1884]

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XV)

A 11 de Maio, a blogosfera volta a passar por uma fase de grande turbulência, na sequência de artigo na edição electrónica do “Expresso”:

“Alegando tendência para difamação
Autoridade quer acabar “blogs”

A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) pretende acabar com a existência dos chamados «blogs», páginas de opinião muito em voga na Internet, alegando que estes sítios são frequentemente utlizados para difamação, afirmou ao EXPRESSO Online Pedro Amorim, especialista em direito para as novas tecnologias da informação.

O jurista falava à saída do seminário «Ciberlaw’2004», organizado pelo Centro Atlântico, que decorreu na terça-feira no Centro Cultural de Belém.

«Os blogs estão cada vez mais a ter uma relação com o jornalismo, e prevê-se uma grande tendência para a difamação. O objectivo da ANACOM é acabar com a criação de “blogs” e espero que seja cumprido», disse Pedro Amorim.

Quando questionado acerca dos problemas que marcam a sociedade de informação, Pedro Amorim aponta os direitos de autor como um dos mais preocupantes – «será sempre um dos problemas do mundo digital. Mas isto leva também à tendência da segurança ‘versus’ liberdade de expressão, que vai ainda pôr em causa este último princípio».

A protecção dos consumidores é outra das preocupações, uma vez que eles «são os mais lesados, por exemplo, numa venda on-line. O consumidor é sempre a parte fraca».

«Devia haver apenas uma entidade para a defesa dos consumidores, contrariamente às “n” que existem», salientou. Pedro Amorim esteve presente no Seminário «Ciberlaw’2004», organizado pelo Centro Atlântico, que decorreu no Centro Cultural de Belém.”

Afinal, tudo não terá passado de uma “gaffe” de uma estagiária do Expresso… (ver aqui, aqui e aqui).

Há 1 ano no Memória Virtual – Novos membros da União Europeia – Letónia

[1881]