Leonel Vicente
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Archive for the ‘Pessoal’


Idade da inocência

A propósito de Idade da inocência – que há já largos anos ficou para trás no que à blogosfera respeita -, ao entusiasmo inicial de ter um blogue em que pensamos poder escrever coisas que irão interessar muitos, vamos descobrindo que, finalmente, não interessarão assim tanto(s).

E a esse entusiasmo sucede-se necessariamente a rotina e a inevitável saturação, acabando por atravessar-se uma fase em que o blogue se transforma em obrigação; em que a liberdade do prazer de não «cumprir um dever» se torna superior ao de poder dispor de um espaço aberto e livre de escrita.

Do período de férias, com o blogue naturalmente em pousio, ressalta que se parece ter transformado em obituário (três referências no intervalo de apenas um mês…).

Com o aproximar do final do Verão, como que num renascimento, será porventura tempo de ajustamentos na “linha editorial”. A ver vamos…

Laurent Fignon (1960-2010)

Há uma idade – da inocência – em que, quantas vezes sem sabermos explicar porquê, adoptamos como ídolos personalidades que se destacam em determinada área, com frequência particular no caso de desportistas.

Com os meus 16 anos, acompanhava com fervor a carreira de Joaquim Agostinho, em especial as suas proezas no “Tour de France”, que correria pela última vez nesse ano de 1983, terminando num muito honroso 11º lugar – para o veterano do pelotão, então já com 40 anos -, a escassos segundos da posição que lhe daria direito à tradicional “volta de honra” nos Champs Elysées.

Enquanto os franceses suspiravam pelo sucessor de Bernard Hinault, ausente por lesão, que pensavam ter encontrado em Pascal Simon – que lideraria a prova durante vários dias, inclusivamente mesmo depois de, na sequência de uma queda, ter fracturado um braço, o que inevitavelmente o viria a obrigar a desistir – um herói improvável surgiria.

Estreante na maior competição velocipédica do mundo, Laurent Fignon era um jovem parisiense de apenas 22 anos, que “chegou, viu e venceu”. E assim, do nada, nascia o meu novo  ídolo!

Com o seu sucesso me entusiasmei na fase decisiva da prova de 1983, e, ainda mais vibraria, no ano seguinte, com a forma categórica como se impôs ao regressado “todo-poderoso” Hinault, com triunfos em 5 etapas!

Porventura não tanto quanto sofri com a decepção de 1989, perdendo ingloriamente a competição para o estado-unidense Greg LeMond por escassos 8 segundos, após mais de 3 000 km percorridos, e quase 100 horas a pedalar.

Retirado da competição, mas acompanhando o ciclismo até ao fim – agora como comentador televisivo -, ao mesmo tempo que lutava contra um implacável adversário, o meu ídolo teve hoje a última derrota da sua vida. Tinha apenas 50 anos…

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7 anos de Memória Virtual

Homenagem aos Campeões Nacionais 1973-74

Na vida, há coisas que dinheiro nenhum do mundo pode comprar…

Como o dia cheio, repleto de emoções, como que um sonho irreal, que me foi proporcionado no Sábado – ao longo do dia dei por mim a interrogar-me, por várias vezes, se “aquilo” estava mesmo a acontecer; se era realmente eu que estava ali, ao lado de ídolos da minha meninice, de quem coleccionei os famosos cromos (alguns ainda do tempo das figurinhas enroladas em rebuçados!…) e cujos nomes ouvi em tantos relatos pela rádio.

Os mesmos cromos que Conhé conserva ainda na sua carteira, com uma mini-colecção de diversos exemplares retratando os seus tempos de glória e que, orgulhosamente, me mostrava.

Ao regressar 36 anos no tempo, foi também como se regressasse à minha infância, ao meu próprio passado, à época em que morava ali, a “dois passos” do Estádio onde tantas tardes de festa se viveram.

Ou, também, como a emoção e a extraordinária alegria do reencontro que, conforme pude testemunhar, vi estampada nos rostos daquelas estrelas do futebol dos anos 70: foi impossível não vibrar com as carinhosas saudações que, em especial, foram atribuídas – e largamente retribuídas – por um Camolas, feliz que nem um menino! E, também, por Bolota, viajando expressamente desde o Canadá, onde se encontra radicado.

Ainda outro, de muitos momentos de emoções fortes, também a partir do Canadá, com a intervenção em directo para o Cine-Teatro Paraíso, via telemóvel, do capitão João Carlos, saudando os seus colegas Campeões ali reunidos (no que seria seguido também por Fernandes, a partir de França).

Intervenções bem complementadas pelas palavras da Presidente da Assembleia Geral do União de Tomar, Graça Costa, assim como pela emocionada alocução de Maria Júlia Filipe, recordando o seu pai João Lopes da Costa, e dando o grito de alerta de que o União irá prosseguir, a caminho e para além do centenário, com vitalidade reforçada.

O dia começou cedo, pelas 10 horas, com a inauguração da Exposição “Os Campeões de 1974”, patente na Galeria Templários, onde, em plena Rua Serpa Pinto, se começaram a juntar os Campeões, com oportunidade para apreciar as fotos e outro material alusivo ao evento – com destaque para a taça de Campeão Nacional -, também com a passagem emécran de imagens disponibilizadas pela RTP referentes à Final disputada a 23 de Junho de 1974, no Estádio Municipal de Coimbra, entre o União de Tomar e o Sporting Clube de Espinho, com o triunfo tomarense por 4-3, com três golos de Bolota e um do capitão João Carlos.

Seguindo-se para o Estádio Municipal, iniciar-se-ia o torneio triangular de veteranos, entre as equipas do União, do Espinho e do Benfica (“Sport Lisboa e Saudade”), que esta última, dirigida por Artur Santos, treinador da equipa do União que se sagrou campeã em1974, viria a vencer.

A começar a tarde, a sessão especial comemorativa, de homenagem aos Campeões, no Cine-Teatro Paraíso, com a excelente apresentação de Paulo Pereira, que, como referi já, teve oportunidade de dialogar via telefone com João Carlos e Fernandes.

De regresso ao Estádio, tempo para animadas conversas, recordando os “bons velhos tempos”, com inúmeras e curiosas histórias, como as que o sempre esfusiante Kiki (um entusiasmo contagiante) me contava, também com a participação de Faustino, recordando o dia em que passou de “não ter carro nenhum a ter dois carros e meio!…”, ou como, na célebre “liguilla” de 1970-71, num jogo disputado com o Marinhense, após ser substituído, teve de “fugir” do campo, ainda equipado, dadas as intenções “pouco amistosas” da claque da equipa adversária…

Assim como a recordação do generoso Faustino, ainda a propósito do jogo da Final de 1974, em que – dado que apenas os jogadores que jogavam recebiam o prémio de jogo – e com o marcador em 4-1, favorável ao União, “simulou” uma lesão para ser substituído, de forma a possibilitar que Fernando fosse também premiado…

Ou as histórias de Manuel José, com um magnetismo especial, que lhe é conferido – não só pelo seu estatuto no futebol nacional e internacional – também, talvez principalmente, pelas suas origens algarvias, sempre congregando à sua volta um grupo ávido de ouvintes, também com tempo para recordar junto com a comitiva espinhense, os tempos passados naquele clube, como jogador e o seu início como treinador.

Tendo vindo também à baila algumas das brincadeiras que, no fundo, contribuíram para uma grande união de grupo, factor chave nas conquistas do União, como o dia em que Raul Águas descobriu que tinha um gafanhoto dentro da camisola, a passear pelas costas…

Tal como, passando na rua, a caminho do Cine-Teatro, um tomarense se dirigir de forma espontânea a Nascimento, questionando-o se tinha vindo visitar a “sua baliza”…

Ocasião ainda para assinalar a simpatia com que fui tratado por Alexandre (proveniente da velhinha CUF) ou por José Jorge, grande unionista, árbitro do torneio.

Com o jantar de encerramento e entrega de troféus, no Hotel dos Templários, ficou reforçado o espírito de sã convivência que se viveu durante todo o dia, com a glória aos vencedores e a honra aos vencidos, os convidados espinhenses, também a caminho do centenário em 2014, curiosamente tal como o União de Tomar, quais “equipas-gémeas”.

Depois das intervenções dos Presidentes da Câmara Municipal de Tomar e de Espinho e dos vereadores da Câmara Municipal de Tomar, assim como dos representantes das equipas de veteranos do Espinho e do Benfica (Artur Santos), a derradeira intervenção ficaria a cargo de Raul Águas que manifestou a sua alegria pela ocasião – a par da tristeza em ver o Estádio sem bancada -, lembrando os que partiram já (Quim Pereira, João Lopes da Costa, Florival e Pavão) e deixando um apelo às autoridades no sentido de continuarem a apoiar o União de Tomar.

“Last but not least”, endereço os meus Parabéns à magnífica organização, da responsabilidade dos veteranos do União de Tomar, superiormente coordenados pelo incansável José Martins, com a excelente colaboração de outras figuras do clube, como Paulo Moura ou Ferreira, entre muitos outros, traduzindo um verdadeiro espírito de equipa.

Pessoalmente, é com imenso gosto que expresso o meu sentido agradecimento por esta inolvidável experiência que me foi proporcionada, grato pelo tratamento que me foi dispensado, que a todos apresento, nas pessoas do José Martins (a quem reitero o obrigado pelo amável convite) e do José Tapadas.

Adeus a Jorge Ferreira – Um testemunho

Na hora do adeus a Jorge Ferreira, um testemunho na primeira pessoa, certamente apenas um exemplo, de entre muitos outros que aqui poderia mencionar:

Conheci o professor Jorge Ferreira, no ano de 2004, sendo eu seu aluno no Instituto Politécnico de Tomar. Foi um dos professores, se não O professor que me marcou mais no meu percurso académico. A lembrança que me irá acompanhar da sua forma de ser, resume-se ao facto de ter sido um docente rigoroso, com um humor por vezes irónico (do qual sou bastante apreciador), directo, frontal e extremamente cativante a dar aulas de Introdução ao Direito. Sempre disse, que o Dr. Jorge Ferreira, estava para as aulas de Direito, assim como o Professor José Hermano Saraiva estava para a História! Ou seja, mesmo que uma pessoa não gostasse de Direito, ficava vidrado com a forma como ele explicava e incentivava os alunos ao leccionar as aulas. Só quero com isto, pondo as cores partidárias de parte, tentar dar a conhecer às pessoas o docente e homem que o Professor Jorge Ferreira foi… Os meus sinceros sentimentos à sua família.

Ricardo Ferreira

(via Público)

Nabantia – O último “post” de Jorge Ferreira

Jorge Ferreira mantinha – sob a discrição de um anonimato de que os mais atentos anteviam a autoria -, completaram-se ontem precisamente dois anos, o melhor blogue sobre uma cidade que aprendeu a amar, em cujo Instituto Politécnico dava aulas e a que se dedicou com todas as suas forças e energias nos últimos anos, Tomar.

Numa trágica ironia, o blogue Nabantia perfez ontem o seu 2º aniversário, ainda evocado pelo já muito gravemente doente Jorge Ferreira. Aqui fica a minha singela homenagem, transcrevendo o seu último escrito:

Considerando o facto de em dois anos não ser possível, ainda, pesem todos os avanços da ciencia, assegurar uma vida em plenitude quer no aspecto físico, quer mental, vê-se a Gerência Nabantia na contingência de descansar um diazito desta lufa-lufa. O estado social também tem o direito de dar uma folguita aos blogues

Que descanse em paz!

(via Fumaças)

Obrigado, Jorge Ferreira!

É mais uma notícia que nos deixa sem palavras.

Para além de toda a sua vida pessoal e profissional, com múltiplas actividades, desde a política, à advocacia, passando pela docência (no Instituto Politécnico de Tomar) e pelo papel de colunista, Jorge Ferreira era um dos mais entusiastas da blogosfera, desdobrando-se por vários blogues, permanentemente atento e acompanhando a actualidade no dia a dia.

Sem que tivesse tido o privilégio de o conhecer pessoalmente, foi-se criando entre nós uma ligação de cumplicidade / amizade ”virtual”, com uma empatia potenciada também pelos seus escritos sobre Tomar e pelo interesse e atenção que fazia a gentileza de ir dedicando aos meus blogues, sempre com uma palavra simpática de incentivo. Um homem naturalmente bom, cheio de energia e de vida.

De uma forma sempre discreta, deixara antever, por mais de uma vez, que a  doença que procurava combater, o ia atacando, o ia minando.

Deixa-nos hoje, aos 48 anos de idade. Costuma dizer-se que é uma perda irreparável; assim é com toda a propriedade: fica um espaço vazio, que não mais poderá ser preenchido.

Obrigado, Jorge Ferreira!

Mais um…

Mais um dia especial, desta vez na “era do Facebook” (obrigado Ana Silvério, Rui Oliveira, Tito de Morais, Rui Branco, Catarina Campos, Carlos Castro, João Gomes, Marta Botelho, Teresa Sampaio, João Canavilhas e Catarina Lira Pereira).

O meu obrigado sobretudo a ti, que - pela quinta vez – estás ao meu lado, de mão dada, nesta ocasião, tal como em todos os dias desde então.

Konversas Ponto Org|tomar café em Tomar

Foi com gosto que acedi ao convite de João Ferreira Dias para uma breve “conversa” sobre blogues e a blogosfera, em particular sobre Tomar e o Carreira da Índia, que pode ler aqui, no Køntråstës.org.

Paixão

O meu amigo Paixão despediu-se de nós hoje.

Reuniu-se à sua volta para lhe dizer adeus o mesmo grupo que – há já 28 anos – se juntou pela primeira vez, na casa dele, para uns intermináveis e inesquecíveis jogos de “Monopólio”. Ou para uns também memoráveis “load aspas aspas enter” no ZX Spectrum.

Não mais vamos poder voltar a tê-lo connosco, ele que - vencido por uma doença implacável e impiedosa, de que há pouco mais de um mês ainda ignorava padecer -, tendo a sua vida sido abruptamente coarctada quando estaria normalmente apenas a meio, deixou de ter existência física.

Mas a sua memória subsistirá para sempre entre nós, seus amigos, fortalecendo os laços que nos unem, a nós, e a ele.

Ao mesmo tempo que nos faz parar para pensar sobre a escala / hierarquia de valores que o nosso mundo nos impõe hoje em dia.

O meu amigo Paixão tinha algumas paixões; para além da infinitamente maior a qualquer outra, o filho que agora deixa, uma das que mais lhe dizia era a música. Através dela, aqui lhe presto a minha singela homenagem.

Paixão, sei que foi com muito gosto que escreveste estes textos para publicação no Memória Virtual, que nesta ocasião aqui recordo. Obrigado por eles e por tudo o resto!

P. S. Vou procurar recuperar o teu ZX Spectrum. E guardá-lo para sempre.

20 anos


…de uma experiência irrepetível, o primeiro dia de trabalho.

Imagens de Férias (VI)

Imagens de Férias (V)

Imagens de Férias (IV)

Imagens de Férias (III)

4 - IMGP3540

Imagens de Férias (II)

5-IMGP3631

Imagens de Férias (I)