“PONTAPÉ DE SAÍDA
“Aviso à navegação: este é o ‘post’ de apresentação deste recém inaugurado blog. Link: www.contra-a-corrente.blogspot.com. Contacto (para comentários, sugestões, críticas, etc.): carlosccc@mail.telepac.pt. Tratarei de os colocar aqui, à medida da minha (in)disponibilidade.
Chamo-me MacGuffin. Nickname, ou alter-ego, de inspiração Hitchcokiana. Eles não o sabem (nem, aliás, me conhecem), mas foi graças ao blog A Coluna Infame (provavelmente, a minha principal referência no universo bloguiano) – do triunvirato Pedro Mexia, Pedro Lomba & João Pereira Coutinho – que resolvi aventurar-me nestas andanças. Como inflo-excluído assumido, é obra!
Para começar, e para efeitos de apresentação (confesso que tenho pouco jeito para «pontapés de saída»), tratemos já de abusar do name dropping. Vale mais fazê-lo agora, de uma vez por todas.
Se tivesse de escolher alguma fonte de inspiração para este espaço, escolheria… Nelson Rodrigues. Há anos que a qualidade literária e postura deste brasileiro ensombram (no bom sentido) os meus pensamentos. Para um conservador assumido, com uma costela liberal e outra ligeiramente anarquista (lá iremos, lá iremos…), o carácter desalinhado e saudavelmente «reaccionário» das suas posições, o seu apego incondicional à liberdade, a sua verve e humor têm constituído um nutriente precioso para o meu espirito, e um aconchego para a alma.
Nelson Rodrigues, para muitos o maior dramaturgo brasileiro de sempre, foi, para a época, um delicioso reaccionário - em contraponto relativamente à atitude disseminada do revolucionário de serviço. Conduziu um notável trabalho de decomposição do assombramento gratuito, servido por dogmas e iminências pardas, de inspiração esquerdista (by the way: sei que não sou de esquerda; de resto tenho algumas dificuldades em assumir-me como «de direita». Sobretudo em Portugal…). O seu olhar lúcido, incómodo e desassombrado da realidade, representou, e representa ainda hoje, uma verdadeira lição sobre o que significa pensar livremente, pela própria cabeça, contra certos modelos de alienação. Combatia, em particular, aquilo a que hoje denominamos de “politicamente correcto”, bem como o culto do unanimismo, da falsa e gratuita solidariedade, das bebedeiras colectivas e das “vagas de fundo”. A tentativa de imposição de modelos supostamente perfeitos de sociedade, por parte da esquerda, repugnava-o. Amante da diversidade e da liberdade, para ele, o indivíduo - o ser humano - estava acima de tudo. Qualquer tentativa para torná-lo em mais um parafuso de uma engrenagem superior revoltava-o.
Geniais e hilariantes foram, também, as suas posições relativamente à onda do “amor livre” e daquilo a que ele chamaria de “culto da imaturidade”: a glorificação do pior sentido da palavra «jovem».
Se Nelson fosse vivo, estaria hoje aí, na frente de combate contra a «esquerdite» aguda e a «estalinização» sub-reptícia da sociedade. Contra a palavrosa e cega obsessão, que a esquerda teima em repetir ciclicamente, em torno das mesmas falsas aparências, dos mesmo dogmas, da mesma forma simplista e maniqueista de olhar o mundo. Contra o seu moralismo de pacotilha e a arrogância de tentar empurrar, por decreto, os seus modelos e as suas certezas superiores, para cima de nós.
É um bocadinho desse espírito que pretendo trazer para aqui. Farei deste espaço um espaço de comentário e desabafo livre, sem conotações politiqueiras ou pretensões de qualquer ordem. Não pretendo mudar consciências ou moldar opiniões. Não quero que concordem comigo, ou lançar bases para «capelinhas». Move-me o prazer de discutir pontos de vista. Educada e cortesmente.”
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