“AOS INDIGNADOS COM A EXCLUSÃO DE BAÍA”:

20 Maio, 2004 at 11:21 am 1 comentário

Já por várias vezes aqui teve oportunidade de expressar a minha satisfação com as proezas (europeias) do FC Porto, reconhecendo a inegável capacidade competitiva da equipa.

Já aqui escrevi e reafirmo: desejo sinceramente que o FC Porto seja Campeão Europeu; sem querer “apropriar-me” de algo que pertencerá com mais propriedade aos portistas, acho que todos os portugueses deveriam ficar felizes com essa vitória que ansiamos e esperamos… e em que (todos) acreditamos (desde a vitória frente ao Manchester United, e também perante os restantes resultados dessa eliminatória, escrevi que o FC Porto passava a ser o principal favorito).

Uma das coisas que aprendemos (nós, os benfiquistas) com a ausência de vitórias ao longo destes 8 anos foi a ser “tolerantes”…

É claro que reconheço o direito à indignação de quem, convictamente, acha que estamos perante uma situação injusta.

Sem pretender advogar a causa de Scolari, a minha interpretação dos factos é a seguinte: Scolari ficou impressionado com a exibição que Ricardo fez no Portugal-Brasil (antes do Campeonato do Mundo de 2002) e, logo aí, fixou-o como sendo o melhor guarda-redes português (tinha aliás feito toda a campanha de apuramento para o Mundial e o lugar de titular da selecção não era objecto de grande discussão). Ricardo viria a fazer uma nova boa época (a última no Boavista), que levou a que fosse pretendido pelo Benfica e – gorada a transferência para a Luz – pelo Sporting.

Com alguma naturalidade, Scolari começou a chamá-lo à Selecção e “atribui-lhe o lugar” de guarda-redes. De boa fé, quero crer que Scolari decidiu, na primeira convocatória, não chamar Vitor Baía porque o “seu” guarda-redes titular era Ricardo e não “faria sentido” chamar Baía para o “banco”.

A partir do momento em que começaram “as pressões”, Baía ficou irremediavelmente afastado de qualquer hipótese; Scolari não iria aceitar que a sua “autoridade” fosse questionada; tinha já dado o exemplo no Brasil, com Romário.

O problema foi que Ricardo faria uma época “sofrível” no Sporting, começando também a revelar uma (inesperada?) insegurança nos jogos da Selecção. E aí, acho que Scolari cometeu um erro ao não “rodar” mais outros guarda-redes; a aposta quase exclusiva em Ricardo deixou-o numa posição difícil, embora irreversível no que respeita a Baía; não lhe era possível “voltar atrás” sem “perder a face” (apesar de ter pretendido “defender-se” com a chamada de Maniche).

Em conclusão (que já vai longa esta “carta aberta”): Scolari cometeu um erro de avaliação; apostou tudo em Ricardo, que não tem estado à altura. E ficamos agora na contingência de saber como reagirá o guarda-redes à pressão, numa situação de “alta competição”.

Agora, o que não vamos concerteza é “deixar de ser portugueses” porque Baía não foi convocado! A convocatória está feita, não é alterável. A oportunidade da contestação esgotou-se. São estes os nossos jogadores. Vamos apoiá-los? Claro que sim!

(Depois das “fracas provas no processo de avaliação contínua” – nos jogos de preparação – a avaliação final e definitiva terá de ser feita no termo do Campeonato da Europa).

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HERDEIROS (IV) EURO 2004 (XXXIX) – 1992

1 Comentário

  • 1. vmar  |  20 Maio, 2004 às 9:48 pm

    Concordo.


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