"TOUR DE FRANCE"

29 Julho, 2007 at 10:55 pm 2 comentários

Encerrado o (não isento de polémica) consulado de Lance Armostrong, com 7 vitórias consecutivas (entre 1999 e 2005) – e na sequência da exclusão das maiores figuras da modalidade (Ivan Basso e Jan Ullrich) na véspera da partida do ano transacto -, pensava-se que o “Tour de France”, maior prova velocipédica mundial, tinha definitivamente “batido no fundo” com o resultado positivo do vencedor da competição (o também estado-unidense Floyd Landis) no controlo anti-doping, que provocou que, ainda hoje, não tenha sido declarado o vencedor da prova de 2006 (decorre processo em Tribunal, interposto pelo ciclista, alegando a sua inocência).

Mas a questão do doping no ciclismo é ainda mais profunda e transversal; não se limita apenas a alguns casos pontuais de “grandes figuras”.

Numa modalidade que tem a particularidade de requerer rápidas recuperações de esforço (os ciclistas deparam-se, dia após dia, ao longo de 3 semanas, com longas e exigentes etapas), todo o pelotão recorre – hoje, como ao longo dos tempos – a suplementos vitamínicos, que foram sendo alvo de gradual processo de sofisticação, visando escapar ao controlo, num contexto em que o ténue limiar entre a legalidade e a ilegalidade é constantemente testado.

As principais equipas rodearam-se de experimentadas equipas médicas, investigando e desenvolvendo substâncias sintéticas, doseadamente administradas, procurando a maximização do rendimento competitivo dos seus atletas, a par de uma complexa gestão dos limites: as substâncias proibidas apenas se tornam efectivamente ilícitas em termos das regras desportivas quando excedem determinados níveis fixados em regulamento.

Assiste-se portanto a uma competição paralela – extra-estrada ou extra-pista – entre a investigação desenvolvida pelas equipas médicas e as técnicas, cada vez mais sofisticadas, de controlo anti-doping.

O “pecado da gula” levou a que – também este ano – dois dos principais candidatos à vitória, Mickael Rasmussen (tendo faltado a alguns controlos durante a época) e Alexander Vinokourov (apanhado nas malhas do controlo depois de ter vencido o contra-relógio) acabassem excluídos da prova.

A atitude da equipa Rabobank, retirando o seu ciclista da competição (e rescindindo o seu contrato!) – quando Rasmussen era camisola amarela e tinha a vitória quase adquirida – não deixará de constituir um decisivo sinal positivo para a credibilização da modalidade. Já o ano passado, a equipa Phonak (de Floyd Landis) havia transmitido uma mensagem no mesmo sentido.

Será ainda possível “salvar o ciclismo”?

Com significativos interesses económicos envolvidos, dados os fortes investimentos realizados pelos patrocinadores, a modalidade não parece ter “dois caminhos”; caso as principais equipas (na sua generalidade) não invertam o rumo (da competitividade baseada em sofisticadas equipas médicas e práticas ilícitas de dopagem), acabará por – consequência da ruína da credibilidade desportiva – sofrer o afastamento desses mesmos financiadores, com reflexos calamitosos a todos os níveis, num verdadeiro “efeito-dominó”, qual ciclo vicioso de que dificilmente se poderá sair: desinvestimento publicitário / redução drástica nas remunerações dos ciclistas / quebra de nível competitivo / afastamento do público / alheamento das televisões e dos media em geral.

No meio de tudo isto, a prova teve de prosseguir – quantas vezes terá passado pela mente dos organizadores suspender esta edição? – com a vitória (inevitavelmente diminuída por todas as circunstâncias envolventes) de um prometedor jovem (estreante na competição!), o espanhol Alberto Contador, da equipa Discovery Channel, em que milita também o português Sérgio Paulinho, com uma sofrível participação, a concluir a prova na 65ª posição da classificação geral final:

1. Alberto CONTADOR (Espanha) – DISCOVERY CHANNEL TEAM – 91h 00′ 26″
2. Cadel EVANS (Austrália) – PREDICTOR – LOTTO – + 00′ 23″
3. Levi LEIPHEIMER (EUA) – DISCOVERY CHANNEL TEAM – + 00′ 31″
4. Carlos SASTRE (Espanha) – TEAM CSC – + 07′ 08″
5. Haimar ZUBELDIA (Espanha) – EUSKALTEL – EUSKADI – + 08′ 17″
6. Alejandro VALVERDE (Espanha) – CAISSE D’EPARGNE – + 11′ 37″
7. Kim KIRCHEN (Luxemburgo) – T-MOBILE TEAM – + 12′ 18″
8. Yaroslav POPOVYCH (Ucrânia) – DISCOVERY CHANNEL TEAM – + 12′ 25″
9. Mikel ASTARLOZA (Espanha) – EUSKALTEL – EUSKADI – + 14′ 14″
10. Oscar PEREIRO SIO (Espanha) – CAISSE D’EPARGNE – + 14′ 25″

65. Sérgio PAULINHO (Portugal) – DISCOVERY CHANNEL TEAM – + 2h 23′ 31″

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