Archive for Outubro, 2004
REVISTA DA SEMANA
Visão (7 Outubro)
“Sampaio quer entidade reguladora forte – Mais do que caso concreto do afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, o que leva o Presidente da República defender entidades reguladoras fortes para a comunicação social é a «opacidade» do relacionamento entre os proprietários dos órgãos de informação e o poder político.
Jerónimo diz que não é candidato – O deputado comunista afirmou que não é «candidato a coisa nenhuma» e considera que as notícias que dão como provável o seu nome para a sucessão de Carlos Carvalhas no cargo de secretário-geral do PCP não passam de «palpites da comunicação social».
Nobel da Paz para Wangari Maathai – O Prémio Nobel da Paz de 2004 foi atribuído à militante ecologista queniana Wangari Maathai, a primeira mulher africana a ser distinguida com este galardão.
Grupo de al-Zarqaui executou refém inglês – O engenheiro de 62 anos tinha sido raptado a 16 de Setembro, juntamente com dois norte-americanos, também eles já executados. Segundo testemunhas citadas pela Televisão de Abu Dhabi, Kenneth Bigley foi, à semelhança dos outros, decapitado.
Atentado no Egipto – Duas explosões num hotel na península do Sinai, Egipto, provocaram a morte a, pelo menos, 19 pessoas, entre as quais israelitas que passavam férias no local. Há mais de uma centena de feridos e perto de 40 desaparecidos.”
Há 1 ano no Memória Virtual – Adeus, Lenine
[1769]
"O ESTADO DA NAÇÃO"
Nota prévia: por motivos profissionais, estive, desde o final de Terça-feira, 5 de Outubro, “em retiro no Portugal profundo” (no Alentejo, próximo de Espanha), como monitor de acção de formação de acolhimento a novos colaboradores da firma em que exerço actividade.
Uma “agenda preenchida” (e a falta de acesso à Internet…) impediram-me de “blogar” ou, sequer, de “frequentar a blogosfera” (as “entradas” editadas de 6 a 8 de Outubro, já previamente preparadas, foram publicadas com recurso ao sistema disponibilizado pelo Movable Type 3.11 de “pré-publicação”).
Nestes dias aconteceu uma “revolução” em Portugal!
O abandono de Marcelo Rebelo de Sousa da sua colaboração como comentador na TVI provocou ondas de choque talvez inimagináveis: desde uma convocatória para esclarecimento da situção por parte do Presidente da República (no exercício, porventura com excesso de zelo, do seu “dever de vigilância”), a nervosas e “atabalhoadas” declarações do Primeiro-Ministro (refugiando-se em vagas promessas de que o que é importante é governar o país, e que as suas preocupações maiores são a de tentar reduzir um pouco os impostos e de aumentar um pouco as reformas… e com um “peregrino anúncio” de que iria prestar novas declarações daí a 3 dias!), finalizando ontem com a intervenção do Director Geral da estação de televisão, rejeitando qualquer tipo de pressões e “entreabrindo a porta” ao regresso do “Professor”.
O que se passa é que, directa (por via das declarações de Gomes da Silva) ou indirectamente (pela recomendação de Paes do Amaral de adaptação do formato do programa… e suavização dos comentários), foram exercidas pressões inaceitáveis sobre o direito à livre expressão de um cidadão! Que não é um cidadão “qualquer”, mas alguém com grande reputação e cujos comentários são atentamente ouvidos, não deixando indubitavelmente de ter reflexos na formação da opinião pública.
Este (triste) episódio é apenas mais um exemplo (depois do surrealista processo da publicitação das listas de colocação de professores e da absolutamente inoportuna decisão de concessão de tolerância de ponto na véspera do feriado de 5 de Outubro) de um Governo sem qualquer linha de rumo ou orientação visível, que “navega à vista”, de desastre em desastre, no pior exercício de “desgovernação” que a democracia portuguesa alguma vez viveu.
É claro que a blogosfera não deixou de analisar em detalhe a situação, mais uma vez com comentários bastante pertinentes de que aqui deixo referência a alguns exemplos (na comunicação social “tradicional”, destaque para o artigo de Miguel Sousa Tavares): José Pacheco Pereira, no Abrupto (textos de 7 de Outubro, “Pasmo, Tristeza e Revolta” e “Rigorosos e Especiosos”); Francisco José Viegas, no Aviz (“Liberdade”, “entrada” de 8 de Outubro); Daniel Oliveira, no Barnabé; Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias (“Qual a Importância do Caso Marcelo?” e “Agora a Sério“); João Paulo Meneses, no Blogouve-se (“Marcelo Gomes da Silva – o contraditório”, de 7 de Outubro); Paulo Gorjão, no Bloguítica (“A Eterna Questão do Ser e do Parecer” e “A Recolha de Provas Já Começou“); Vital Moreira, no Causa Nossa; João Morgado Fernandes, no Terras do Nunca; Paulo Querido, em O Vento Lá Fora; …
E como urge “fazer qualquer coisa”, aqui fica também a referência a um movimento mais ou menos “idealista”, lançado por dois dos meus amigos “blogosféricos” Rui Branco e Nuno Peralta: “Queremos uma alternativa real ao bloco central“.
Há 1 ano no Memória Virtual – E agora?
[1768]
TORRE VASCO DA GAMA / EXPO’98
A EXPO’98 – Exposição Internacional, decorreu em Lisboa de 22 de Maio a 30 de Setembro de 1998, organizada em torno de 6 grandes pavilhões temáticos: Pavilhão dos Oceanos (“Oceanário”), Pavilhão da Utopia (actual “Pavilhão Atlântico”), Pavilhão de Portugal, Pavilhão do Conhecimento dos Mares, Pavilhão da Realidade Virtual e Pavilhão do Futuro.
Tendo por grande tema “Os Oceanos, Um Património para o Futuro”, comemorou os Descobrimentos portugueses e a grande figura que foi Vasco da Gama e o seu épico empreendimento marítimo (primeira viagem marítima à Índia, 500 anos antes), assim como a chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil (em 1500) – tendo ainda presente a responsabilidade colectiva da humanidade no que respeita à preservação dos oceanos.
Registou a presença de representações de 146 países e 14 organizações internacionais, tendo sido visitada por mais de 11 milhões de pessoas!
Há 1 ano no Memória Virtual – E agora?
[1767]
PONTE VASCO DA GAMA (II)

A Ponte Vasco da Gama é composta por:
Viaduto Norte – Com 488m e tabuleiro de largura variável, recebe vias secundárias de acesso e saída da ponte.
Viaduto da Expo – Com 672m, feito a partir de aduelas pré-fabricadas assentes em pilares de altura variável.
Ponte Principal – Estrutura atirantada por cabos com um vão principal de 420m e dois vãos laterais de 203m, apoiados em dois pilares de betão com 150m de altura, permitindo uma altura livre para navegação de 45m em maré cheia.
Viaduto Central – Com 6.351m, é constituído por secções de tabuleiro pré-fabricadas com o comprimento de 78m e 2.200 toneladas (trazidas do estaleiro para a obra pelo navio-grua gigante Rambiz), que são colocadas sobre 81 pilares assentes sobre conjuntos de 8 estacas com diâmetro de 1.7m cravadas até 95m de profundidade. A altura do tabuleiro varia de 14m (maior parte do percurso) a 30m (sobre os dois canais navegáveis, de 130m de extensão). Os pilares foram reforçados para suportar o impacto de barcos e existem zonas de abrigo de emergência de 2 em 2 Km e postos SOS de 400 em 400 metros.
Viaduto Sul – Tem 3.825m constituídos por tramos de 45m betonados no local utilizando vigas de lançamento em duas frentes. Existem 85 alinhamentos de pilares em terra e sobre estacas moldadas no rio.
Acesso Sul – Com 3.900m, liga a travessia ao Nó Sul e à Auto-estrada A12 e ao Anel Regional de Coina, incluindo a praça das portagens.
Há 1 ano no Memória Virtual – “Diário – XII” – Miguel Torga
[1766]
PONTE VASCO DA GAMA (I)
Outra “grande homenagem”, a Ponte Vasco da Gama é a maior ponte da Europa, com 17 185 metros, dos quais cerca de 10 km sobre o rio Tejo.

Foi projectada para, com o seu tabuleiro com 3 faixas de rodagem em cada sentido, reduzir o congestionamento que se verificava na Ponte 25 de Abril, servindo de ligação ao tráfego que viaja entre o Norte e o Sul do país.
A obra arrancou em Fevereiro de 1995, e foi inaugurada em 4 de Abril de 1998. Compreende 12 345 metros de viadutos: Viaduto Norte, com 488 metros; Viaduto da Expo, com 672 metros; Viaduto Central, com 6 531 meteos (80 vãos), Viaduto Sul, com 3 825 metros.
O acesso Norte tem 945 metros; o acesso Sul estende-se por 3 895 metros.
Colaboraram na construção desta monumental obra, 3 300 trabalhadores.
[1765]
ONDE É QUE NÓS FALHÁMOS?
A TVI anuncia impante e “orgulhosa” (estará mesmo?!…) que a estreia da sua “Quinta” teve uma audiência de cerca de 4,5 milhões de portugueses, com um “share” de 60 %.
Ainda há três dias, muito se falou do que foi talvez o programa de maior impacto social na televisão portuguesa, o “Zip Zip”. É curioso que tanto se fale tanto de um programa de que as pessoas com menos de 40 anos não terão, na generalidade, qualquer memória (não é do “meu tempo”…) e, em que as pessoas que tiveram o privilégio de a ele assistir, não deixariam de ser (nos finais da década de 60, inícios dos anos 70) uma “minoria”.
Mas já muitos mais tiveram a oportunidade de ver, por exemplo, espectáculos televisivos e culturais como o concurso “A Visita da Cornélia”.
A pergunta é simples (a resposta é que será mais complexa…): “Onde é que nós (todos) falhámos, na nossa evolução social, económica, cultural, para termos feito este percurso, de “nivelamento por baixo”, de primado da “televisão fast-food”, de grande pulsão voyeuristica“?
P. S. Desde domingo até agora, vi (no total) cerca de 15 minutos da “Quinta”; pareceu-me um “one man show” (rodeado por mais um conjunto de “maus actores”), sem qualquer interesse que possa sustentar as anunciadas audiências, no que espero venha a ser mais uma confirmação do esgotamento do modelo “Big Brother”.
Há 1 ano no Memória Virtual – Constituição Europeia
[1764]
5 DE OUTUBRO (DE 1910… E DE 1143)
Sem procurar criar divisões mais ou menos “artificiais” entre os portugueses, no dia de hoje, não se comemora apenas a implantação da República, a 5 de Outubro de 1910.
No mesmo dia, em 1143, pelo Tratado de Zamora, “oficializava-se a fundação de Portugal”.
Sobre a evolução dos símbolos nacionais (em particular da bandeira), vidé esta página:
“A bandeira nacional, da autoria de Columbano, João Chagas e Abel Botelho, foi adoptada pelo regime revolucionário de 5 de Outubro de 1910. De acordo com o Decreto-lei de 19 de Junho de 1911, a bandeira tem as cores verde (dois quintos) e vermelha (três quintos), com o escudo de armas na linha divisória.”
Significado dos símbolos e cores:
– As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros que D. Afonso Henriques venceu na batalha de Ourique.
– Os pontos dentro das quinas representam as 5 chagas de Cristo. Diz-se que na batalha de Ourique, Jesus Cristo crucificado apareceu a D. Afonso Henriques, e disse: “Com este sinal, vencerás!”. Contando as chagas e duplicando as chagas da quina do meio, perfaz-se a soma de 30, representando os 30 dinheiros que Judas recebeu por ter traído Cristo.
– Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros.
–
A esfera armilar simboliza o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.
– O verde simboliza a esperança.
– O vermelho simboliza a coragem e o sangue dos Portugueses mortos em combate.
[1763]
POINTBLOG.COM / SIXHAT
Regressando à blogosfera francesa, queria deixar aqui referência a um “blogue” muito bom, o Pointblog.com, de que alguns dos autores acabam de lançar o primeiro livro em francês consagrado ao fenómeno dos “blogues, o “Blog Story” (já à venda via internet, devendo ser progressivamente disponibilizado em livrarias em França e países francófonos).
Trata-se de um livro que “visa principalmente explicar porque é que os “blogues” representam um importante fenómeno, quer do ponto de vista social, quer político e técnico.” É complementado com uma selecção de “100 “blogues” que contam”, franceses e estrangeiros, mostrando uma parte da diversidade deste mundo.
Entretanto, em Portugal, o Sixhat Agridoce, de David Rodrigues, vai “um pouco à frente” de (quase) todos nós e acaba de completar (já!) o 2º aniversário de actividade. Parabéns! Força para mais um ano…
Há 1 ano no Memória Virtual – Agradecimentos sem fronteiras
[1762]
HOMENAGENS A VASCO DA GAMA
Duas das homenagens ao navegador, que perduram até hoje, tendo comemorado o seu centenário em 1998, são o Aquário Vasco da Gama, em Lisboa e o Clube de Regatas Vasco da Gama, do Brasil (clube dos descendentes lusos no Rio de Janeiro).
O Aquário Vasco da Gama nasceu graças à paixão de D. Carlos I pelo mar, que tinha por objectivo a divulgação da fauna aquática. Conforme noticiava o Diário de Notícias de 22 de Maio de 1898: “A direcção do Aquário Vasco da Gama, em Algés, resolveu franqueal-o ao publico ainda hoje, apesar de não estar concluido. A visita será do meio dia às 6 da tarde. O aquário fecha amanhã, e depois de completamente concluida a sua installação, ficará então aberto diariamente ao publico“.
O Clube de Regatas Vasco da Gama constitui-se numa das maiores marcas da colonização portuguesa no Brasil. O clube nasceu para o remo, a grande paixão no final do século XIX. O primeiro título (estadual) no remo surgiria em 1905. O futebol apenas teria início no clube em 1915, na sequência da fusão de três clubes da colónia portuguesa: o Lusitano Futebol Clube, o Centro Esportivo Português e o Lusitânia Esporte Clube. Até então praticado por jovens de classe média, o Vasco levantaria grande polémica, ao apresentar uma equipa de negros e mulatos; tornar-se-ia num clube popular, ganhando a simpatia das camadas mais pobres da sociedade.
[1761]
"URGÊNCIAS"
É o nome de um novo “blogue”, tendo por mote sete peças curtas contemporâneas, com textos de Filipe Homem Fonseca, Luís Filipe Borges, Nuno Artur Silva, Nuno Costa Santos, Pedro Mexia, Susana Romana e Tiago Rodrigues.
[1760]



