Blogosfera em 2008 (XXIV)

26 Dezembro, 2008 at 12:01 am Deixe um comentário

O mês de Novembro assinala – logo a 2 – o regresso do Melancómico, de Nuno Costa Santos: «Este melancómico vai ser menos conceptual do que o anterior. Venho como quase toda a gente: para publicar o que me apetecer, às horas que me apetecer.»

No dia seguinte, uma iniciativa original, a de reeditar a memória do jornal “Blitz”. Antecipando o 24º aniversário do início da publicação do jornal, surgia o blogue “O Velho Blitz – Edições do ano I do Jornal Blitz“, como forma de «tributo a esse jornal».

A 4, João Gomes apresentava-nos “O Amor nos Tempos da Blogosfera“, antecipando o lançamento (a 16 de Dezembro) do seu livro “Mulheres 2.0 – O amor nos tempos da blogosfera”.

E, a 5 de Novembro, José anunciava a sua saída da Grande Loja do Queijo Limiano, retomando a escrita no “Porta da Loja” (que criara em Novembro de 2003, entretanto suspenso desde Novembro de 2006). Com este abandono, a “Grande Loja do Queijo Limiano” parece ter perdido parte significativo do seu “fôlego”.

Para, a 7, e a pretexto do lançamento do mais recente livro do escritor estado-unidense Paul Auster (“Homem na Escuridão”) ser criado o blogue “Paul Auster“.

No mesmo dia em que a TSF apresentava o “Governo Sombra“, blogue associado ao programa do mesmo nome, com João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira, sob a coordenação de Carlos Vaz Marques – «Querem, podem, mas não mandam».

A 8 de Novembro, a propósito de nova grande manifestação de professores em protesto contra o sistema de avaliação preconizado pelo Governo, o blogue “A Educação do Meu Umbigo“, da autoria de Paulo Guinote – um caso paradigmático de extraordinário sucesso entre a classe, congregando a atenção e opiniões dos docentes -, seria objecto de destaque no Público:

A força do blogue Educação do Meu Umbigo
08.11.2008, Isabel Leiria

Com uma média de 18 mil visitas diárias, o blogue de Paulo Guinote, professor do ensino básico, é actualmente um dos mais lidos.

Durante praticamente toda a carreira, Paulo Guinote, de 43 anos, foi apenas mais um professor “raso”, anónimo como a esmagadora maioria dos seus colegas. Hoje é lido diariamente na Internet por milhares de pessoas, solicitado por jornais e televisões, e sim, tem consciência, que o que escreve e comenta tem alguma influência.

“Passei a ter acesso a algumas informações que não tinha antigamente, recebi algumas pressões indirectas. Às vezes escrevia alguma coisa e 15 minutos depois estava a receber um SMS”, conta.

Quando Paulo Guinote, professor do 2.º ciclo de História e Língua Portuguesa no Agrupamento de Escolas Mouzinho da Silveira, na Baixa da Banheira, decidiu criar um blogue, a que deu o nome de Educação do Meu Umbigo, estava longe de imaginar a popularidade que viria a ter. “Era uma coisa mais para os amigos, onde ia pondo textos relacionados com o doutoramento que tinha concluído [em História da Educação]”. Em Abril de 2006, o contador do Google registava umas modestas 200 visitas mensais.

As políticas educativas em curso levaram-no a mudar o objecto dos seus posts. O Estatuto da Escravidão Docente, escrito a propósito das alterações à carreira dos professores, marcou o início da mudança. Gradualmente, cada vez mais docentes assumiram o hábito diário de ler e comentar o blogue de Guinote.

Dois anos depois, em Março de 2008, o mês em que mais de cem mil professores saíram à rua, disparou para as 550 mil visitas, fazendo da Educação do Meu Umbigo um dos blogues mais lidos em Portugal. Actualmente, tem uma média diária de 18 mil visitas, contabiliza o professor.

“Não sou uma figura pública. A educação é uma área para um nicho de mercado que não estava explorado [na blogosfera], mas que, teoricamente, não tinha grande potencial”, diz. Os números vieram provar o contrário. “A certa altura tornou-se estranho receber e-mails de pessoas que não conhecia a pedir opiniões, a apresentar casos…”

100 a 150 mails por dia

Agora, ler e seleccionar os 100 a 150 mails que recebe todos os dias é só mais uma das suas tarefas diárias. “São sobretudo moções aprovadas contra a avaliação [de desempenho dos professores], fichas e grelhas, sugestões de acções de luta”. É a consequência dos apelos que faz no seu blogue e que merecem resposta quase imediata dos docentes.

“Os professores habituaram-se a funcionar em circuito fechado. A escola fecha-se sobre si mesmo. Os blogues permitiram disponibilizar informação sobre o que se passava noutras escolas do país, partilhar experiências. Muitos dizem aí o que têm receio de dizer na sua sala de professores. É uma forma de evasão e até de terapia para situações de frustração a nível da escola e do quotidiano. Vão lá [ao blogue] como se fossem falar com os amigos. Depois geram-
-se minitertúlias. Uns ficam a falar de BD, de música [os vídeos retirados do You Tube são um dos posts obrigatórios]”, descreve Paulo Guinote.

Por vezes, geram-se ondas de solidariedade entre pessoas que apenas se conhecem no espaço virtual. Quando Guinote se viu a braços com uma ameaça de processo judicial por parte do presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Albino Almeida, foram muitos os mails enviados por professores a disponibilizarem-se para o que fosse preciso e até para abrir contas bancárias, recorda.

Paulo Guinote assegura que o que leva a dedicar três horas por dia ao blogue – passar a deitar-se bem mais tarde é a mudança mais visível na sua rotina – não é qualquer agenda política. Nunca se filiou num partido, nunca se sindicalizou, nem pensa fazê-lo. “Não gosto de organizações. Cartões só tenho o de dador de sangue”, garante.

“Sou um professor raso, que dá aulas há 20 anos e que estava cansado de ver publicadas coisas escritas por pessoas que não andam pelas escolas. Dois anos depois, escrever no Educação do Meu Umbigo tornou-se quase uma “obrigação”. Mas tornou-se também num “vício”, explica sentado à frente do computador, entre pilhas de revistas, livros e recortes de jornais que se amontoam à sua volta. […]

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