GOA OU O GUARDIÃO DA AURORA (IV)
12 Outubro, 2005 at 8:37 am Deixe um comentário
Regressando ao período de prisão, ao fim de um ano de cativeiro, continuava a questionar-se sobre quem o poderia ter traído.
Presente a “julgamento”, Tiago confessaria perante o Inquisidor os seus crimes: “Sou judeu, e muitas vezes pratiquei os rituais do meu povo com o meu pai”. Mas, pior do que ser judeu, o seu pai fora um“cristão-novo”.
Apesar da confissão, Tiago via-se agora confrontado com uma enigmática charada, que, remotamente, por via do seu trisavô, era afinal responsável pela sua prisão: “Falo-te durante a minha jornada – e só a ti – desde o ponto de partida até ao final. E, embora morra sempre no mesmo local, podes ouvir-me a falar do meu túmulo se prestares atenção. Quem sou eu?”.
Em Outubro de 1593, após 23 meses de cativeiro, Tiago estava decidido a revelar o nome das testemunhas que o teriam incriminado, traindo-se a si próprio, como única forma que pensava lhe poderia proporcionar a liberdade.
Confessaria mesmo que “passáramos diante da catedral dezenas de vezes sem sequer entrar para rezar, e nos recusáramos a agradecer ao Senhor as nossas refeições quando os meus tios o faziam. – Até declinámos dizer «se Deus quiser» ao falar do futuro nas conversas do dia-a-dia”.
Na sequência das suas confissões, assinara um documento com o rol dos seus crimes, mas continuava sem saber se tal significaria a morte ou a vida e a liberdade; os seus algozes apenas lhe indicavam ser aquele o único caminho para Cristo.
Tinha de se limitar a esperar…
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