GOA OU O GUARDIÃO DA AURORA (III)
11 Outubro, 2005 at 8:42 am Deixe um comentário
Desde crianças, a relação do inicialmente inseparável trio formado com a sua irmã Sofia e o primo “Wadi” tomara um rumo não ideal, com o “pequeno mouro” a revelar o seu pouco confiável carácter.
Francisco Xavier rapidamente afirmara um duvidoso ascendente sobre Sofia que como que se transfiguraria no contacto com ele, desenvolvendo-se entre ambos uma relação secreta que, potenciando a sua obstinação, iria repercutir-se dolorosamente sobre as pessoas que mais prezava: o pai e o irmão – impelindo-a a uma escolha entre o amor de um homem e o amor filial, que viria a perturbar decisivamente a harmonia familiar.
Paralelamente, vendo assim ferido de morte o amor filial que nutria pela irmã, Tiago – que havia conhecido entretanto a doce Tejal, estudante numa escola conventual de Goa, que, nos seus 15 anos, com o seu imponente sari, o conquistara definitivamente – aprestava-se a tomar uma decisão de oficializar o seu amor, o que, contudo, implicava quebrar uma nova barreira: para além de provirem de meios tão diversos e da diferença de castas sociais entre ambos, o maior obstáculo que agora se colocava entre eles parecia ser o de convencer o pai a aceitar que uma rapariga hindu pudesse ser a sua noiva, implicando a “necessidade” da sua conversão ao judaísmo.
Berequias encarregar-se-ia pessoalmente das lições de judaísmo, ficando acordado que iriam ler a Torá juntos; a Tejal era conferida a faculdade de poder fazer a sua opção final relativamente a uma eventual conversão.
Este estado de coisas seria abruptamente interrompido com a prisão do pai de Tiago pela Inquisição.
Não tardaria muito até que ele próprio tivesse o mesmo destino…
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