Archive for 17 Dezembro, 2004

PRÉMIOS "PELOURINHO"

O Praça da República acaba de atribuir os prémios de “blogs do ano”, tendo distinguido:

Pelourinho d’Ouro – Blogotinha

Pelourinho de Prata – Navego, Logo Existo II

Pelourinho de Bronze – Ma-Schamba, Almariado, Aliciante

Pelourinho de Mármore – Doutroladodomar, Memória Virtual, Iluminado

Pelourinho de Madeira – Ene Coisas, Erotismo na Cidade, Amanhã.

Pela minha parte, aqui fica o agradecimento pela distinção atribuída ao Memória Virtual.

[1920]

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17 Dezembro, 2004 at 11:27 pm 1 comentário

FERNANDO PESSOA – CARTA A ADOLFO CASAIS MONTEIRO (I)

“Carta a Adolfo Casais Monteiro
Caixa Postal 147
Lisboa, 13 de Janeiro de 1935

Meu prezado Camarada:

Muito agradeço a sua carta, a que vou responder imediata e integralmente. Antes de, propriamente, começar, quero pedir-lhe desculpa de lhe escrever neste papel de cópia.

Acabou-se-me o decente, é domingo, e não posso arranjar outro. Mas mais vale, creio, o mau papel que o adiamento.

Em primeiro lugar, quero dizer-lhe que nunca eu veria «outras razões» em qualquer cousa que escrevesse, discordando a meu respeito. Sou um dos poucos poetas portugueses que não decretou a sua própria infalibilidade, nem toma qualquer crítica, que se lhe faça, como um acto de lesa-divindade. Além disso, quaisquer que sejam os meus defeitos mentais, é nula em mim a tendência para a mania da perseguição. À parte isso, conheço já suficientemente a sua independência mental, que, se me é permitido dizê-lo, muito aprovo e louvo. Nunca me propus ser Mestre ou Chefe – Mestre, porque não sei ensinar, nem sei se teria que ensinar; Chefe, porque nem sei estrelar ovos. Não se preocupe, pois, em qualquer ocasião, com o que tenha que dizer a meu respeito. Não procuro caves nos andares nobres.

Concordo absolutamente consigo em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz com um livro da natureza da «Mensagem». Sou, de facto, um nacionalista místico, um sebastianista racional. Mas sou, à parte isso, e até em contradição com isso, muitas outras cousas. E essas cousas, pela mesma natureza do livro, a «Mensagem» não as inclui.

Comecei por esse livro as minhas publicações pela simples razão de que foi o primeiro livro que consegui, não sei porquê, ter organizado e pronto. Como estava pronto, incitaram-me a que o publicasse: acedi. Nem o fiz, devo dizer, com os olhos postos no prémio possível do Secretariado, embora nisso não houvesse pecado intelectual de maior. O meu livro estava pronto em Setembro, e eu julgava, até, que não poderia concorrer ao prémio, pois ignorava que o prazo para entrega dos livros, que primitivamente fora até fim de Julho, fora alargado até ao fim de Outubro. Como, porém, em fim de Outubro já havia exemplares prontos da «Mensagem», fiz entrega dos que o Secretariado exigia. O livro estava exactamente nas condições (nacionalismo) de concorrer. Concorri.

Quando às vezes pensava na ordem de uma futura publicação de obras minhas, nunca um livro do género de «Mensagem» figurava em número um. Hesitava entre se deveria começar por um livro de versos grande – um livro de umas 350 páginas -, englobando as várias subpersonalidades de Fernando Pessoa ele mesmo, ou se deveria abrir com uma novela policiária, que ainda não consegui completar.

Concordo consigo, disse, em que não foi feliz a estreia, que de mim mesmo fiz, com a publicação de «Mensagem». Mas concordo com os factos que foi a melhor estreia que eu poderia fazer. Precisamente porque essa faceta – em certo modo secundária – da minha personalidade não tinha nunca sido suficientemente manifestada nas minhas colaborações em revistas (excepto no caso de Mar Português, parte deste mesmo livro) – precisamente por isso convinha que ela aparecesse, e que aparecesse agora. Coincidiu, sem que eu o planeasse ou o premeditasse (sou incapaz de premeditação prática), com um dos momentos críticos (no sentido original da palavra) da remodelação do subconsciente nacional. O que fiz por acaso e se completou por conversa, fora exactamente talhado, com Esquadria e Compasso, pelo Grande Arquitecto.

(Interrompo. Não estou doido nem bêbado. Estou, porém, escrevendo directamente, tão depressa quanto a máquina mo permite, e vou-me servindo das expressões que me ocorrem, sem olhar a que literatura haja nelas. Suponha – e fará bem em supor, porque é verdade – que estou simplesmente falando consigo.)”

[1919]

17 Dezembro, 2004 at 6:22 pm

“BLOGOSFERA” EM 2004 (XVII)

Também a 29 de Maio, o Expresso fazia referência a texto de Vital Moreira no Causa Nossa, sobre a nomeação de novo Director-Geral dos Impostos, “requisitado” ao BCP.

A 31 de Maio, assiste-se a um “takeover na blogosfera”: “o Blasfémias lançava OPA amigável sobre o Liberdade de Expressão“.

A 10 de Junho – fundada por dois weblogs, o Hollywood e o CineBlog – nasce a primeira “Academia de Blogs de lingua portuguesa”: a “Academia de Blogs de Cinema” que reuniu na sua primeira fase 20 “blogues” membros, 18 dos quais de Portugal e dois do Brasil.

A propósito das eleições para o Parlamento Europeu (realizadas, em Portugal, a 13 de Junho), e tendo por objectivo “Navegar contra a abstenção”, apelando aos “Blogs, de todas as cores e feitios, pela discussão e participação nas eleições europeias de 13 de Junho de 2004”, surgia o Ter Voz nas Europeias 2004, página agregadora de “entradas” de diversos “blogues” sobre o tema.

A 22 de Junho, na “Festa do Solstício“, promovida pelo Causa Nossa, seriam atribuídos alguns prémios “blogosféricos”:

– Prémio “Carreira” – Paulo Querido, António Granado e Pacheco Pereira (cada um, à sua maneira, dando um contributo decisivo para a afirmação da blogosfera em Portugal);

– Melhor “blogger” – Pedro Mexia (um dos “fundadores” e dinamizadores d’A Coluna Infame, tendo continuado a oferecer-nos “grandes textos” no Dicionário do Diabo; infelizmente, apenas o podemos encontrar agora “Fora do Mundo” – em livro e, no “blogue”, bastante “espaçadamente”…);

– Melhor “blogue de esquerda” – Barnabé (uma “vasta” equipa, liderada por Daniel Oliveira, sempre incansável);

– Melhor “blogue de direita” – Mar Salgado (que se distingue pela pluralidade de opiniões dos membros da “tripulação”).

Há 1 ano no Memória Virtual – 100 anos a voar

[1918]

17 Dezembro, 2004 at 8:29 am


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