"BLOGOSFERA" EM 2004 (VIII)
A 11 de Março, é comunicado o final do “Desejo Casar“; algum tempo depois (a 8 de Julho), nasceria o “Esplanar“, agrupando, entre outros, dois membros do antigo “Desejo Casar”.
A 13 de Março, era anunciado o lançamento do livro de Rebecca Blood, “O Livro de Bolso do Weblogue“
“Rebecca Blood: já saiu o livro
Já foi publicado o livro de Rebecca Blood intitulado “Livro de Bolso do Weblogue”, segundo a Campo das Letras que se encarregou de o traduzir (a informação da Editora refere sempre “Livro de Bolso DA Weblog”, mas suponho que será lapso. Refere ainda uma definição de weblogs que é, no mínimo, original: “Os Weblogues, actualizados regularmente, produzidos de forma independente e curiosamente viciantes, são hoje os sítios mais populares da Web”).”
A 13 de Março, Paulo Querido destaca, em artigo publicado na revista “Única”, do “Expresso”, “Os Blogues do Interior” (ver também em entrada estendida).
A 18 de Março, inicia-se o Olissipo, um “blogue” que tem por temática Lisboa.
A 24 de Março, Pedro Lomba regressa à blogosfera, com a criação, juntamente com Francisco José Viegas e Pedro Mexia, do “Fora do Mundo“, um pouco o “regresso às origens” da blogosfera.
Há 1 ano no Memória Virtual – Solidariedade – Abraço
Texto de Paulo Querido, no Expresso, de 13.03.04:
“Os blogues do Interior
Estão a ganhar terreno na blogosfera: promovem e debatem vilas e cidades do Interior, colmatando as deficiências informativas regionais.
(Texto publicado no Expresso de sábado, 13 de Março, e aqui reproduzido a pedido de várias famílias…)
Com 167 comentários em sete dias e mais de 500 no total, o Sadinos (www.sadinos.weblog.com.pt) é um dos mais participados blogues portugueses. Tem apenas dois meses meses de existência, tempo suficiente para o tornar num website de referência para a região de Setúbal. É um dos bons exemplos de como os blogues de carácter regional estão a mudar a forma de comunicação – e em alguns casos de intervenção – nas regiões afastadas dos principais centros urbanos. «Na única vez que reunimos, num almoço, quase todos os “redactores” do blog, ficámos a conhecer reacções. Há até um caso em que a Câmara Municipal foi de imediato alindar um jardim que havia sido alvo de um “post”», referiu ao EXPRESSO a dupla responsável pelo Sadinos, Paulo Simões e Jorge Santos.
Um pouco mais abaixo, em Beja, passa-se o mesmo. O blogue Praça da República (www.pracadarepublica.blogspot.com) distinguiu-se como um espaço de crítica e debate dos problemas da cidade. O seu autor, João Espinho, recorda que tudo começou no dia em que decidiu publicar no blogue, que era (e continua a ser) o seu espaço opinativo pessoal, algumas críticas pessoais à intervenção do POLI em Beja. «Até então (Verão de 2003), só muito pontualmente se ouviam críticas, e estas eram oriundas dos arqueólogos. Depois houve a “crise PSD/Beja”, quando o directório PSD Distrital vem para as rádios dizer que vai instaurar processoas disciplinares a militantes seus tendo em vista a sua expulsão».
Espinho escreveu sobre o assunto, as suas opiniões foram comentadas e o blogue desceu da Internet até à Praça da República propriamente dita, levando o debate aos cidadãos. Quando tomou consciência de que o seu humilde blogue estava a dar que falar em Beja sentiu «que o blog estava a ser visto já não como uma simples página de desabafos, tipo diário, mas como mais um meio de informação. Comecei a ter “feedback” de vários quadrantes. E a caixa de correio começou a encher-se de mails anónimos – uns a criticar as minhas posições, outros a pedirem para denunciar determinadas situações. Não publiquei nada do que me mandaram. (só publiquei um e-mail em que eu era acusado de andar a perseguir os comunistas)».
Histórias como esta repetem-se cada vez mais por todo o Interior do País, longe de Lisboa e Porto. Tirando partido das ferramentas simples e poderosas dos blogues, vários editores fizeram páginas que, sem perderem os tiques de diário de autor, surgem como um complemento à informação regional ou local. Luis Tata, um dos editores do Blog do Alandroal (http://alandroal.blogs.sapo.pt), explica: «Nota-se por parte da população um grande entusiasmo em relação ao “blog” e aos seus conteúdos. Numa localidade como o Alandroal em que o acesso a meios de comunicação local, como os jornais e as rádios, é muito limitado, para não dizer mesmo inexistente, o Blog do Alandroal desempenha muitas vezes essas funções, levando a população a uma maior interacção com a Internet e em especial com a blogoesfera. Mesmo os que não possuem computador participam e tomam conhecimento sobre os temas tratados no Blog, uma vez que as páginas são imprimidas por muitos particulares que as fazem circular entre os grupos de amigos».
Luis Tata chama ainda a atenção para outro fenómeno: «participação de naturais do Alandroal residentes noutras áreas geográficas, aos quais o “blog” veio permitir uma ligação diária à sua terra natal». Tradicionalmente a função de aproximação dos “emigrantes” à sua terra foi desempenhada pelos jornais regionais, através das assinaturas. Mas os blogues têm duas vantagens sobre os jornais: são de distribuição instantânea e permitem a interactividade, a participação. E quanto menor é a localidade ou a região, mais importante se pode tornar um blogue virado para ela.
É o caso de Ourém, que viu nascer em Janeiro O Castelo (http://o.castelo.vai.nu). Redigido por um grupo de oito amigos a quem as profissões levaram para fora do concelho, e que não se revêem no jornalismo regional, visa «a discussão de qualquer assunto sobre Ourém e o seu concelho, portanto o âmbito é local embora não se pode descurar a característica regional onde se insere Ourém e suas vizinhas: Fátima, Leiria, Tomar, etc. Claramente que podemos defender causas locais, mas O Castelo é sobretudo um blog feito por várias pessoas, com várias opiniões e é nesse mosaico de idéias que queremos afirmar a nossa diferença», explica um deles, Frederico Marques. Que realça: «queremos sobretudo que O Castelo não seja conotado com o propósito único do objectivo político. Somos um fórum independente, cívico e apartidário em termos de identidade».”
Há 1 ano no Memória Virtual – Solidariedade – Abraço
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