Leonel Vicente
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Archive for the ‘Sociedade’


José Torres (1938-2010)

Com toda a propriedade, o bom gigante.

Casa Pia – 8 anos depois

A 25 de Novembro de 2002, Carlos Silvino era detido, despoletando o “processo Casa Pia” que tanta tinta faria (e virá a fazer ainda, durante largo tempo…) correr; a 31 de Janeiro de 2003, Carlos Cruz, a figura mais mediática do processo, era igualmente detido. Passaram-se quase 8 anos, e já 6 desde o início do julgamento!

Recuperando a memória (virtual), um breve flashback do que aqui tive oportunidade de escrever:

- 08.10.2003 – E agora?

Como diz o Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, “o sistema (judicial) está a funcionar”.

Paulo Pedroso viu a medida de coacção que lhe era aplicável passar do grau máximo de privação de liberdade (4 meses e meio de prisão preventiva, a qual havia sido confirmada pelo juiz Rui Teixeira há pouco mais de 1 mês), para a de nível mais baixo (“fixação de termo de identidade e residência”).

Ao ouvir as declarações de Paulo Pedroso, retenho: “Esta era uma prisão ilegal e injusta…”; “… a certeza da minha inocência…”; “A pedofilia é um crime horrendo!”.

Conforme escrevia Pacheco Pereira, a (quebra da) “palavra de honra” será de facto o último estágio da “perda de dignidade” de um ser humano?

A ser assim, crendo nas palavras de Paulo Pedroso – ou estarei a ser naif? -, poderemos estar perante um grosseiro erro judicial de proporções tremendas (?).

E como ficará a credibilidade da justiça se, de facto, algum (ou alguns) dos indiciados deste processo da “Casa Pia” não for provado culpado?

- 09.10.2003 – E agora? (II)

lgumas provas testemunhais de menores que contribuíram para a decisão da prisão preventiva de Paulo Pedroso são consideradas pelo Acórdão do Tribunal da Relação, como: “frágeis, irrelevantes e inverosímeis”!!!

Depois da mensagem “cifrada” da Provedora da Casa Pia, Catalina Pestana, (pré)-avisando para o que “aí virá” (mais personalidades “famosas” envolvidas?), é a credibilidade das investigações e das provas testemunhais que é assim (seriamente) colocada em causa.

Em que é que ficamos?

Estes factos “novos” não deixam de constituír uma fortíssima pressão para que a justiça aja com a máxima celeridade; não é sustentável continuar a prolongar por muito mais tempo esta situação de indefinição, em que se vai começar a duvidar de tudo…

- 18.10.2003 – E agora? (III)

Hugo Marçal, que chegou a ser advogado do ex-funcionário da Casa Pia Carlos Silvino da Silva (“Bibi”), arguido num outro processo de pedofilia, sendo suspeito de 72 crimes de abuso sexual de menores, quatro de lenocínio (incentivo à prostituição com fins lucrativos), três de violação de segredo de justiça e um de violação de sigilo profissional, viu, à semelhança do anteriormente ocorrido com Paulo Pedroso, reduzir-se a medida de coacção que lhe fora aplicada do grau máximo (prisão preventiva), passando à de nível mais baixo (termo de identidade e residência) – isto após três dias de interrogatório.

Isto após outro Acórdão do Tribunal da Relação, contrariando um outro anterior, que originara a revisão da medida de coacção aplicada a Paulo Pedroso.

E agora?

O que é que “quem de direito” estará à espera para resolver urgentemente este caso? As investigações já duram há um ano!

- 20.10.2003 – Casa Pia / PS

Uma associação improvável?

A desgraça de uma arrasta a “queda” do outro?

O tema a que não se pode fugir nestes dias de colectivo “delírio febril” atingiu já um estágio tal que, aqui e agora, o que se pode pedir (exigir) é que todos os intervenientes (directos ou indirectos; voluntários ou involuntários) no processo parem um pouco para pensar e deixem de alimentar este “circo”.

Basta de quebras de segredo de justiça; basta de declarações de juízes, advogados, presumíveis arguidos. Já não há paciência para ouvir falar em escutas telefónicas…

Como dizia alguém, “deixem-nos (aos responsáveis envolvidos no sistema judicial) trabalhar” com a calma e serenidade que for possível.

As crianças envolvidas merecem, acima de tudo, que se apure a verdade, sem que se faça disto uma telenovela (“da vida real”).

Ainda iremos a tempo de conseguir que a justiça seja “justa”?

Por mim, não gostaria de ter de voltar ao assunto enquanto não se concluir o processo. Será possível?

- 01.06.2004 – E agora? (IV)

Hoje, ficamos a saber que: «Os reconhecedores nada sabiam do arguido Paulo Pedroso: nem o seu nome, nem a profissão (apenas um deles achava que era “político”). Nenhum deles mencionou características faciais de relevo (indivíduo de óculos, mais novo que o arguido Jorge Ritto) nem outros elementos distintivos perceptíveis no contexto (como por exemplo, a marca do carro)», diz a juíza no despacho.»

Tenho de colocar a questão: Quais as bases que suportam a decisão de prisão preventiva em Portugal?

Como poderão ser os presos preventivos (em situações de “equívoco” como esta) ser ressarcidos dos prejuízos morais e materiais que lhes foram causados?

Será possível que, algum dia, deixe de pairar sobre eles a “sombra” da dúvida sobre a sua real e completa inocência?

E agora?

Dinheiro virtual vs. privacidade

Um tema muito interessante e de crescente actualidade, o da desmaterialização do dinheiro (nunca como hoje as notas tiveram uma conotação tão negativa, com as de valores mais elevados, como as de 200 e 500 euros, praticamente não utilizadas), face à perda de privacidade que decorre do controlo a que implicitamente nos sujeitamos ao recorrer ao dinheiro virtual, na sua actualmente mais difundida vertente de cartões de plástico.

É a questão abordada num muito pertinente artigo hoje publicado no El País, «El dinero, de plástico, por favor», que aponta os casos da Islândia, Finlândia e Japão, em que as notas e moedas ameaçam tornar-se uma espécie em “vias de extinção”.

E em que são elencados os prós e contras: a maior segurança proporcionada pelo dinheiro virtual, assim como a transparência acrescida, facilitando o combate à fraude e ao uso ilícito de dinheiro “vivo” (conhecido por branqueamento de capitais); em contraponto à perda de privacidade, com toda a nossa vida financeira a ficar registada, podendo eventualmente ser alvo de escrutínio – situação que poderá ser minorada pela implementação de sistemas de autenticação como o reconhecimento de voz ou de retina.

Laurent Fignon (1960-2010)

Há uma idade – da inocência – em que, quantas vezes sem sabermos explicar porquê, adoptamos como ídolos personalidades que se destacam em determinada área, com frequência particular no caso de desportistas.

Com os meus 16 anos, acompanhava com fervor a carreira de Joaquim Agostinho, em especial as suas proezas no “Tour de France”, que correria pela última vez nesse ano de 1983, terminando num muito honroso 11º lugar – para o veterano do pelotão, então já com 40 anos -, a escassos segundos da posição que lhe daria direito à tradicional “volta de honra” nos Champs Elysées.

Enquanto os franceses suspiravam pelo sucessor de Bernard Hinault, ausente por lesão, que pensavam ter encontrado em Pascal Simon – que lideraria a prova durante vários dias, inclusivamente mesmo depois de, na sequência de uma queda, ter fracturado um braço, o que inevitavelmente o viria a obrigar a desistir – um herói improvável surgiria.

Estreante na maior competição velocipédica do mundo, Laurent Fignon era um jovem parisiense de apenas 22 anos, que “chegou, viu e venceu”. E assim, do nada, nascia o meu novo  ídolo!

Com o seu sucesso me entusiasmei na fase decisiva da prova de 1983, e, ainda mais vibraria, no ano seguinte, com a forma categórica como se impôs ao regressado “todo-poderoso” Hinault, com triunfos em 5 etapas!

Porventura não tanto quanto sofri com a decepção de 1989, perdendo ingloriamente a competição para o estado-unidense Greg LeMond por escassos 8 segundos, após mais de 3 000 km percorridos, e quase 100 horas a pedalar.

Retirado da competição, mas acompanhando o ciclismo até ao fim – agora como comentador televisivo -, ao mesmo tempo que lutava contra um implacável adversário, o meu ídolo teve hoje a última derrota da sua vida. Tinha apenas 50 anos…

The World’s Best Countries – Infografia Newsweek


(infografia Newsweek)

Os nomes da América – no bi-centenário das independências


Para o período de férias, uma interessante série no El País, sobre a origem dos nomes das nações sul-americanas, no ano em que se comemora o bi-centenário das primeiras independências

Mário Bettencourt Resendes (1952-2010)

Desta vez – apenas 3 dias depois da partida do actor e encenador António Feio -, foi a área do jornalismo a ser vitimada pela implacável doença…

Mário Bettencourt Resendes, natural de Ponta Delgada, Director do Diário de Notícias, entre 1992 e 2004, exercendo actualmente a função de Provedor do Leitor no mesmo jornal, era igualmente comentador / analista político na SIC Notícias.

Nesta hora, recordo o seu exemplo de profissional sempre sereno e ponderado, de grande bom-senso e equilíbrio nas opiniões que expressava, que me habituei a respeitar.

75 anos de rádio pública em Portugal

Comemoram-se hoje 75 anos de rádio pública em Portugal.

(a propósito, a ler os artigos nos blogues A Rádio em Portugal e Indústrias Culturaisa Antena1 evoca a efeméride com o programa “27 000 dias de rádio” e com esta página especial na Internet)

António Feio (1954-2010)

Se pudesse matava o bicho a rir

“Aproveitem a vida, ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento, agradeçam e não deixem nada por dizer, nada por fazer.”

(A inevitável referência a “um dos nossos”, que partiu ontem ao final da noite)

Manuscritos e livros antigos digitalizados

São cada vez mais os casos de instituições que facultam o acesso digital a documentos manuscritos antigos, de que constituem exemplo nomeadamente:

Também a nível de livros impressos, é possível consultar algumas das primeiras edições da história:

(via ReadWriteWeb)

Alma Mater – Biblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra

A Alma MaterBiblioteca Digital de Fundo Antigo da Universidade de Coimbra, recentemente lançada, disponibiliza a pesquisa dos documentos digitais existentes nas bibliotecas da Universidade, possibilitando a consulta em pormenor de cada um desses documentos, nomeadamente livros antigos, manuscritos, cartas, fotografias e desenhos. Agrega um vasto acervo, constituído por cerca de quatro mil documentos, publicados na sua maioria antes de 1940, aos quais correspondem perto de 500 mil imagens.

France.fr – Portal oficial da França


Celebrando o 14 juillet, dia nacional de França, é lançado hoje o portal oficial da França: France.fr – também o primeiro país a marcar presença com uma página oficial no Facebook.

O site oficial http://www.france.fr visa promover a imagem, os valores e as especificidades da França no mundo, propondo conteúdos de actualidade, informações práticas e serviços, agrupados com base em 6 temáticas:

- Connaître: aprofundar os conhecimentos sobre a França (geografia, história, valores, instituições)

- Visiter: descobrir a França, preparar a sua estadia

- Vivre: informar e utilizar os serviços práticos da vida quotidiana francesa (alojamento, saúde, justiça, desporto…)

- Etudier: orientação e formação ao longo da vida

- Travailler: conhecer as especificidades do mercado do trabalho francês e as informações práticas sobre a vida activa

- Entreprendre: apoio à implantação e desenvolvimento da actividade a nível internacional.

Futebol e política

Ontem, em Barcelona, realizou-se a maior manifestação de sempre da história democrática da Catalunha. Mais de um milhão de catalães vieram para rua em defesa do Estatuto autonómico referendado em 2006. Hoje, a selecção de Espanha joga, pela primeira vez, uma final do campeonato do mundo de futebol. Afinal, como se prova, e ao contrário do que por aí se diz, o futebol não desvia a atenção das pessoas da defesa do que consideram os seus interesses.

(Tomás Vasques, no Hoje à conquilhas amanhã não sabemos)

A propósito, a ler também “Adéu Espanya“, por Rui Bebiano (A Terceira Noite).

Das mais belas notas do Mundo

(no Telegraph)

Crise na Zona Euro – Infografia BBC News

Um excelente trabalho da BBC News, incluindo um sumário das medidas adoptadas por cada país

Lisboa Bike Tour 2010

(imagens publicadas no blogue “Cheiro a Pólvora“, de Luís Castro)

Um grupo de 40 jornalistas portugueses uniu-se em torno de uma boa causa, contribuindo para uma ONG na Guiné, “SOS-Crianças Talibés”, com as receitas da publicação de um livro, crianças às quais pretendem também fazer chegar as bicicletas com que hoje participaram no “Lisboa Bike Tour 2010″.

Expresso ado(p)ta novo acordo ortográfico

Fotobiografia de Tito de Morais

Com apresentação de Guilherme d’Oliveira Martins e de Nuno Tito de Morais Ramos de Almeida, vai ser lançada na Livraria Bertrand do Chiado, hoje, dia 24 de Junho de 2010, pelas 18:30 horas, a fotobiografia de Manuel Tito de Morais, um trabalho da Comissão Executiva das Comemorações do Centenário de Tito de Morais.

Editada pela Guerra e Paz, a fotobiografia com prefácio da autoria de Mário Soares, resultou da pesquisa e texto de Luísa Tito de Morais, Maria José Gama, Álvaro Sales Lopes, Jaime Mendes e Luís Novaes Tito.

(via A Barbearia do Senhor Luís)