Archive for Agosto, 2003
A EUROPA DAS LÍNGUAS (I)
A partir de hoje, introduzo uma nova .secção. . também bastante difundida noutros .blogues. ., neste caso, a do .Livro do Mês.: todos os meses, em sucessivas .entradas. (ao longo de uma semana), pretendo proceder à apresentação / divulgação de um livro.
Para começar, na sequência do que foi um pouco o percurso deste .blogue. no seu primeiro mês, inicio mais esta .viagem. com .A EUROPA DAS LÍNGUAS..
.Mais do que nunca, não basta duas pessoas sentarem-se, uma diante da outra, para tratar de qualquer assunto. Precisam de usar uma língua que seja compreensível para ambos, pois não será possível chegarem a um acordo, sem tal recurso, isto é, sem recorrer a uma língua que se torne .comum..
Numa Europa que tem a pretensão de ser cada vez mais unida . mas uma Europa em que a diversidade linguística é de uma riqueza extraordinária ., o problema assume uma importância que poderá ser decisiva, para bem ou para mal, tornando-se indispensável conhecer e compreender toda a realidade que lhe está subjacente.
É tendo em vista tudo isto que o livro do Prof. Miquel Siguan surge como um precioso instrumento de trabalho, mostrando-nos as raízes históricas e as consequências políticas da diversidade linguística da Europa. Mas não só: também as formas de vida nas sociedades em que convivem línguas diferentes, a influência do desenvolvimento técnico sobre a evolução dessas mesmas sociedades e a tendência para fazer de determinadas línguas um veículo de comunicação entre comunidades diferentes..
É desta forma que é apresentado pelo editor, o livro .A EUROPA DAS LÍNGUAS., de Miquel Siguan (coedição da Terramar com a SILC . Sociedade de Intercâmbio de Línguas e Culturas, com publicação original em 1996).
Um livro estruturado em torno dos seguintes grandes temas: Raízes históricas; Línguas nacionais e nacionalismos linguísticos; Unidade e diversidade . As políticas linguísticas dos Estados europeus; Línguas e sociedade na Europa; Línguas de comunicação internacional; Política linguística das instituições europeias; e Línguas e ensino na Europa.
Ao longo dos próximos dias, apresentarei alguns interessantes extractos desta obra.
P.S. A propósito desta temática, não posso deixar de fazer uma remissão para um excelente .post., no margaritas a los cerdos.
[127]
1903 – VOO NUM AEROPLANO
“Os americanos Wilbur Wright e seu irmão Orville realizam, com a ajuda de um motor a gasolina, o primeiro voo num aeroplano, na Carolina do Norte (EUA).”
[126]
CALAMIDADE
Este é um assunto sério.
A calamidade parece não ter um fim à vista.
“O país está a arder”.
É aterrador.
Os bombeiros estão esgotados e não têm meios.
Será que ninguém pode fazer nada para evitar que isto continue?
[125]
“LÉXICO BLOG”
O tema tem sido já discutido neste “fórum”, em particular no que respeita à tradução de “Post” (tendo sido sugeridas nomeadamente as seguintes equivalências: “Poste”, “Posta” – sendo inequívoca a minha preferência por “Entrada” ou “Artigo”).
Aqui deixo também uma pequena “contribuição” para a constituição de um “Dicionário” dos “blogues”:
“Arquivo” – Agrupamento, geralmente por ordem cronológica, de todas as “entradas” e “artigos” de um “blogue”. São geralmente acessíveis a partir da página principal. Podem ser também organizados com base em índices temáticos.
“Artigo” – Texto publicado num “blogue”, tendo por característica ser mais longo que “Entrada” e reflectindo, de alguma forma, uma linha editorial ou opinião do autor.
“Blogar” – Acção de editar um texto num “blogue”. Por extensão, acção de ler “blogues”. Em inglês, “blogging”.
“Blogável” – Tema ou assunto que é susceptível de ser tratado num “Artigo” ou “Entrada” de um “blogue”.
“Blogofobia” – “Aversão” ou reticência aos “blogues”.
“Blogolista” – Relação de “links” para outros “blogues”. Em inglês, “blogroll”.
“Blogosfera” – Conjunto de todos os “blogues”; os “blogues” enquanto “comunidade”.
“Blogue” – Adaptação do inglês “blog” (contracção de “weblog”): forma de escrita “online”, caracterizada geralmente por um formato de coluna única, compreendendo um conjunto de textos / fotos, ordenados cronologicamente (geralmente por ordem cronológica inversa), frequentemente actualizada, normalmente com uma coluna lateral (de “links” ou outros destaques). Caracteriza-se pela “liberdade editorial” do autor “(bloguista”).
“Bloguista” – Pessoa que publica um “blogue”. Por extensão, pessoa que visita “blogues”.
“Categoria” – Forma de agrupamento de “artigos” ou “entradas”, com base no respectivo tema. Em inglês, “category”.
“Comentário” – Funcionalidade disponível em alguns “blogues”, possibilitando ao leitor emitir uma opinião, apresentar uma sugestão ou responder a uma questão.
“Contador” – Ferramenta que permite obter informações sobre o número de visitantes e páginas visitadas.
“Datador” – Texto incluído na maior parte das “entradas” ou “artigos”, com referência à data e hora de edição.
“Diarista” – Autor de um “diário” de carácter pessoal.
“Entrada” – Texto publicado num “blogue”, tendo por característica ser mais curto que um “artigo”. Em inglês, “post” ou “entry”.
“Fotoblogue” – “Blogue” cujas “entradas” são compostas essencialmente por fotografias.
“Geolocalização” – Estudo “demográfico” da “localização dos “blogues”.
“Hiperligação” – Ligação hipertexto (“link”).
“Ligação cruzada” – Ligação hipertexto a outro “blogue” que faça também referência ao mesmo “blogue”.
“Metablogue” – “Blogue” cuja temática é a actualidade da “blogosfera” e o estudo do fenómeno dos “blogues”.
[124]
TIMOR-LESTE
A primeira nação do século XXI atravessa naturais dificuldades, associadas ao início de uma longa .caminhada., no sentido da criação das infra-estruturas mínimas.
O Prémio Nobel e Ministro dos Negócios Estrangeiros, Ramos Horta, faz o diagnóstico da situação, apontando os pontos positivos e os aspectos a melhorar no desenvolvimento do seu país.
Do lado dos pontos positivos, destaque para a melhoria dos indicadores de saúde, a fixação das fronteiras marítimas e o avanço do processo de preparação da exploração de petróleo.
Nos aspectos a melhorar, salienta-se a ineficácia do sistema judicial (uma prioridade), para além da falta de um quadro legal relativamente ao investimento estrangeiro e às sociedades, do Código Comercial e lacunas a nível das leis laborais.
Para conhecer melhor a situação actual deste país, remeto para um bom .blogue., mantido por Paulo Gorjão.
[123]
TEXTOS PRÉ-BLOGUES / “DN JOVEM” (II)
Outro texto seleccionado para publicação, o qual, contudo, por circunstancial “falta de espaço” acabou por ficar na “gaveta”… Até hoje! (Como não existe o conceito de “falta de espaço” na Internet, este texto velhinho de quase 15 anos, pode ser hoje divulgado ao mundo; obviamente, a título de curiosidade “histórica” pessoal).
Acabo de ler o DN Jovem e estou triste. Uma descarga de matéria poluente no Rio Nabão provocou a morte, na cidade, de Tomar, de inúmeros peixes, causando graves danos à fauna e flora do curso fluvial.
Assomam-me ao espírito, os casos da Ria Formosa ou do Alviela e continuo triste. A mesma tristeza que sinto ao olhar o Tejo, em Lisboa. Quem se recordará dos golfinhos do Tejo, hoje em dia? Infelizmente, os jovens não tiveram o prazer de os observar. Por culpa do Homem.
Por associação de ideias, lembro-me de Chernobyl e interrogo-me se os homens estarão conscientes do que está a acontecer.
É urgente reflectir e passar à acção. Cabe aos agentes económicos, a todos nós, a prevenção destes casos e a criação de condições que evitem a sua repetição.
Em primeiro lugar, o Estado, por via da sua faceta legislativa, é responsável pelo acautelar dos interesses do ambiente, devendo sensibilizar os indivíduos para estas questões e contribuir para a resolução dos problemas.
Contudo, o papel das empresas não pode ser o de remeter para o Estado, a criação de infra-estruturas despoluentes. São elas que têm de procurar novas formas de produzir, preservando a natureza, recorrendo a energias alternativas, como a energia solar, por exemplo. Por sua vez, os resíduos da produção deveriam se encaminhados, não para os nossos rios, mas para centrais de tratamento de detritos.
Um indicador positivo é o facto de, a nível empresarial, se começar a conceder relevo à defesa do ambiente, pelo menos em termos de promoção, em que, a par do realce da qualidade do produto, se destaca as suas características não poluentes, o que constitui uma nova fase, conhecida por “societal marketing concept”, ou seja o marketing que visa corresponder à responsabilidade para com o meio social em que a empresa se insere.
Também as famílias, no seu dia-a-dia, têm um papel importante na defesa do ambiente em que vivem. Até porque o reciclar de produtos já sem utilidade, terá dupla finalidade; além de preservar a vida na Terra, poderá trazer contrapartidas económicas (recordem-se as campanhas de recuperação do vidro e do papel).
Acima de tudo, é imperioso que se abandone a ideia de transferir as soluções dos problemas de hoje para amanhã, adiando-as “sine die”, indefinidamente.
Mais importante que pedirmos socorro, teremos de socorrer-nos a nós próprios. E, por vezes, seria tão fácil…
A esta distância, não me parece que esteja muito desactualizado…
P.S. Como bem lembra o Rui Branco, também “passaram” pelo “DN Jovem” (entre muitos outros, e para além do próprio), José Mário Silva, Pedro Lomba e Tiago Rodrigues.
[122]
1902 – REFLEXO CONDICIONADO
“O fisiologista russo Pavlov apresenta em Madrid, durante o Congresso Médico Internacional, a noção de reflexo condicionado.”
[121]
DANTE (?)
São sensações estranhas estas…
Nunca vividas antes, pelo menos com esta intensidade.
Lisboa teve ontem o dia mais quente de sempre (desde que há registos, desde há 130 anos), a atingir os 42º C.
Não é, de todo, uma coisa normal. Não é, de todo, normal, atingir os 47º C (na Amareleja).
Hoje, o dia teve o aspecto mais estranho que alguma vez me lembro, com o céu de várias cores (não se tratava de um arco-íris…), mas em tons ora cinzentos, ora alaranjados.
Não é uma brincadeira.
Agora, aqui onde escrevo, no interior, por trás das serras, vêem-se nuvens de fumo e o céu continua, a esta hora, com uma cor alaranjada.
Não estamos muito longe da visão de Dante.
É triste. É grave. É preocupante. É pena.
[120]
“O DOSSIER DA VIDA”
A propósito de “Diário de Notícias”, em (mais uma) brilhante entrevista de Anabela Mota Ribeiro, hoje publicada no “DNa”, o Ministro do Trabalho e da Segurança Social, António Bagão Félix diz nomeadamente, entre outras ideias de grande beleza, que a vida do homem deve ter por objectivo responder ao “porquê?” e ao “para quê?”, mais do que ao “como?” e, mais adiante: “A felicidade não se faz querendo ter mais, faz-se querendo ter menos. Faz-se pela renúncia, não pelo excesso. Somos muito mais felizes quando temos de escolher.”
Não resisto a transcrever um extracto da entrevista, em que Bagão Félix fala do “dossier da sua vida”:
“A quem é que tem vontade de mostrar isto? À sua neta, que tem meses?
– Tenho muita vontade. Também para lhe ensinar geografia, política… Tenho aqui o ranking das cidades, distâncias percorridas. Já dei o equivalente, pelo ar, a 22 voltas à Terra pelo Equador, ou fiz 2,3 viagens à lua.”
O mais extraordinário é que tenha tempo para esta contabilidade.
– É aquilo que lhe disse: quanto mais se trabalha mais tempo livre se tem. Que a pessoa não está num estado entediante.
Sabe estar sem fazer nada?
– Não. É preciso um esforço brutal para não fazer nada.
Deixe-me voltar ao momento em que de repente se sente invadido pela presença de Deus. Pode acontecer quando está entretido a fazer um destes gráficos?
– Sim, absolutamente. Vou-lhe contar uma coisa. Tenho duas semaninhas de férias, vou para o Alentejo; uma das coisas que estou a antever como mais “gozoso”?: actualizar isto, que já não actualizo há um ano e meio. Tenho aqui os nomes dos 123 aeroportos onde estive; roteiro de regiões, províncias, estados, territórios, ilhas e ilhéus; onde é que andei de comboio, de embarcação, de carro, de autocarro, de helicóptero, de trenó, de camelo.
A partir daí pode reconstituir-se a sua vida toda.
– Toda. Tenho tudo escrito.
Não tem segredos?
– Não, não gosto de ter. Gosto de partilhar conhecimento. Gosto de redistribuir tudo.”
Um retrato humano de um político, que “cultiva o espírito, a inteligência, a cultura, o saber”. Que interessante seria se decidisse ter um “blogue”…
[119]
TEXTOS PRÉ-BLOGUES / “DN JOVEM”
Há 15 anos, não existia Internet (!?).
Não havia portanto “blogues”.
Mas havia (ainda há…) o “DN Jovem” (no qual se revelou, por exemplo, Pedro Mexia).
E eu era jovem…
E assim, publiquei no Diário de Notícias, o meu primeiro artigo “a sério”: intitulava-se “Assimetrias”.
É esse texto “histórico” que hoje recupero, para uma “nova audiência”, num novo “veículo comunicacional”.
É geralmente reconhecido que a histórica dicotomia litoral-interior é uma realidade profundamente implantada na estrutura socioeconómica. Basta, para o confirmar, consultar qualquer estatística, por mais elementar que seja.
Todos sabemos, por exemplo, que houve uma deslocação da população do interior, por um lado, para o estrangeiro, através do fenómeno da emigração, e por outro, para o litoral, em particular para as áreas urbanas de Lisboa e Porto, cidades que centralizam a autoridade política e o poder económico.
Essa assimetria manifesta-se em muitos e variados campos; um deles, enquadrável no tema proposto, é o do futebol, enquanto desporto de multidões, acarretando grandes movimentações a nível financeiro.
Desta forma, temos, na época de 1988-89, na disputa do Campeonato Nacional da I Divisão de futebol, 16 clubes sediados no litoral (80 %), face a dois do interior (G. D. Chaves e CAF – Ac. Viseu), o que corresponde a 10 %, além dos insulares Marítimo e Nacional, ambos da Madeira.
Se alargarmos o campo de estudo até ao Campeonato Nacional da III Divisão, os números não oscilam muito: o litoral é sede de 134 dos 182 clubes concorrentes às três divisões (73,6 %), cabendo ao interior 41 clubes, apenas 22,5 %, sendo os restantes sete repartidos pelas Regiões Autónomas dos Açores (três representantes militando na III Divisão) e da Madeira.
É sintomático o facto de os distritos de Beja e da Guarda, além de Viana do Castelo, este do litoral, não terem qualquer representante na I e II Divisões, o que é mais estranho ainda no caso de Santarém, que chegou a ter, há pouco mais de dez anos, representação na I Divisão, por via do U. Tomar.
Outro aspecto se destaca nesta análise: a macrocefalia do futebol português, centralizado por completo, no que se refere a campeões da I Divisão, em apenas duas cidades, 44 títulos (81,5 %) para três clubes de Lisboa e dez (18,5 %) para um do Porto.
Todos estes números devem suscitar uma reflexão e o desejo de que os desequilíbrios de ordem económica e social sejam atenuados, de forma a permitir também uma expressão desportiva mais uniforme e condizente com padrões europeus, ao nível das Comunidades em que nos pretendemos integrar de forma plena.
15 anos depois, malheureusement, as coisas não se alteraram muito… mantêm-se os dois clubes da Madeira e os 16 representantes do litoral; porém, considerando que a competição foi reduzida a 18 clubes, deixou de haver (já desde há 3 anos), qualquer representante do interior do país!
[118]



