Archive for Agosto, 2003

A EUROPA DAS LÍNGUAS (VII)

.Deste modo, os europeus de hoje vêem-se perante uma situação difícil. Por um lado, sabemos que o inglês se está a tornar na língua de comunicação internacional e que é inútil tentar ignorá-lo. Por outro lado, negamo-nos a admitir o inglês como meio de comunicação obrigatório nas nossas relações mútuas. O dilema só tem uma saída: negar que o papel de língua de comunicação seja atribuído a uma só língua. Aprender e utilizar o inglês, mas aprender e utilizar também outras línguas, as que em cada caso forem as mais apropriadas. Um exemplo: se um cidadão alemão se instala em Madrid por uma temporada não parece desejável que tenha que recorrer ao inglês e é preferível que faça um esforço para comunicar em espanhol e, ao mesmo tempo, que encontre espanhóis interessados pelo alemão e mesmo capazes de o falar. Se se instala em Amsterdão, é bom que os seus esforços se dirijam para o neerlandês e se for para Barcelona, que esteja consciente de que aí se fala espanhol e catalão, ou se for para Bruxelas, que aí se fala francês e neerlandês.

O facto de a Europa ser um conjunto de países cada um com uma ou várias línguas não pode significar o sacrifício desta variedade a favor de uma língua determinada mas sim, pelo contrário, o assegurar da continuidade desta variedade.

É evidente que nem todas as línguas têm o mesmo peso nem as mesmas possibilidades históricas e que umas avançam enquanto outras retrocedem, mas a política linguística da construção europeia tem de ter por objectivo a manutenção da diversidade..

Com este último extracto, assim se conclui a apresentação da obra .A EUROPA DAS LÍNGUAS., de Miquel Siguan (coedição da Terramar com a SILC).

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10 Agosto, 2003 at 9:15 am 1 comentário

1909 – “MANIFESTO FUTURISTA”

“Da autoria do poeta Filippo Marinetti, é publicado em Paris, em 20 de Fevereiro, na primeira página de “Le Fígaro”.”

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10 Agosto, 2003 at 9:15 am

A EUROPA DAS LÍNGUAS (VI)

“Embora estas tentativas tenham sido numerosas limitar-me-ei ao esperanto, dado a conhecer por Zamenhof em 1887, e que, se não foi a primeira nem será a última tentativa, é sem dúvida aquela que conseguiu a maior difusão.

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Zamenhof concluiu que no nosso tempo era imprescindível dispor de uma língua de comunicação internacional e que esse papel não podia ser representado por nenhuma das línguas já existentes porque todas tinham implicações culturais e nacionais tão fortes que nenhuma delas conseguiria uma adesão generalizada. Era assim necessário inventar uma língua que, ao contrário das já existentes, apresentasse um máximo de racionalidade e de simplicidade de forma a que a sua aquisição fosse muito fácil. Zamenhof, que era um linguista distinto, não pretendeu inventar a língua da cabeça aos pés e tomou por modelo a estrutura básica do latim . portanto, das línguas românicas ., combinando-a com elementos tirados tanto das línguas germânicas como das eslavas e procurando integrar estes diferentes elementos num sistema claro e coerente que respondesse aos objectivos que pretendia alcançar.

A nova língua logo encontrou adeptos e também imitadores que tentaram melhorá-la com novas propostas de línguas internacionais auxiliares. Embora algumas destas propostas tenham conseguido alguma atenção, nenhuma alcançou a popularidade do esperanto, que cedo ganhou adeptos em todo o mundo.

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Graças ao entusiasmo dos seus partidários, o esperanto não só se começou a utilizar para comunicações privadas como alcançou também um certo uso impresso em jornais e livros, tanto para passar informações como enquanto suporte de obras de criação literária originais ou traduzidas. Praticamente todas as grandes obras da literatura universal foram entretanto traduzidas para esperanto.

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Passado um século e meio sobre a sua introdução, a verdade é que o esperanto, embora conserve nalguns países núcleos de partidários fiéis, não conseguiu os objectivos que pretendia alcançar.

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E a ironia da história é que o inglês simplificado que se utiliza maioritariamente para essas funções apresenta algumas das características mais próprias do esperanto: simplicidade e ausência de conotações culturais sem que seja, porém, tão fácil de aprender.”

.A EUROPA DAS LÍNGUAS., de Miquel Siguan (coedição da Terramar com a SILC)

P.S. Mais um agradecimento, ao iloveamerica.

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9 Agosto, 2003 at 12:14 pm 3 comentários

1908 – REGICÍDIO

“A família real é alvo de um atentado, em que morrem o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe. D. Manuel II sobe ao trono apenas com 18 anos.”

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9 Agosto, 2003 at 10:52 am

"CARTA ABERTA"

É impressionante como as mais opostas sensações se podem confundir num mesmo momento (os tais “mixed feelings” de que já aqui falei há tempos)!

Não, desta vez, não é de “blogues” que se trata.

Como escrevia há dias, as pessoas que escrevem nos “blogues” têm ocupações, têm profissões, têm “carreiras”.

E, quando o trabalho é desenvolvido em equipa, geram-se, diria diariamente, trocas enriquecedoras entre os membros do “grupo de trabalho” (esta é uma expressão muito usada no “futebolês”… mas perfeitamente aplicável no caso).

Reforçadas quando, no seio da equipa, temos alguém que, dia após dia, ao longo de 5 anos, nos apoia, nos proporciona o melhor dos seus esforços para contribuir decisivamente para o “sucesso” – que, sendo comum, acaba sempre por ser, sobretudo, “creditado” a quem “tem mais responsabilidades” ou experiência, a quem “dirige” a equipa -, assumindo e desempenhando na plenitude o papel de “braço direito”, proporcionando uma verdadeira “parceria”.

Hoje, o “braço direito”, pelo “crescimento” que sempre soube manter ao longo desta “caminhada”, ganhou o direito a assumir-se, “de corpo inteiro”, como um novo “líder”, de uma equipa que passará a ser “sua”, onde terá como maior responsabilidade – mas simultaneamente como desafio mais aliciante – fazer com que, nesse grupo, venha, um dia, a surgir um outro “novo líder”.

E, para finalizar, sendo um momento de “tristeza” por ver “partir” quem tão de perto nos acompanhou, lado a lado, neste percurso, é também um dos dias mais gratificantes da minha vida profissional.

Sem esquecer todos aqueles que dão também o seu melhor contributo diário – nem aqueles que tomaram, entretanto, outras opções profissionais -, não podia deixar de particularizar esta referência.

Um grande beijo de agradecimento e votos de muitos sucessos. “O futuro começa hoje mesmo”.

Já não direi: “Conto contigo”; mas continuarei a dizer: “Count on me!”.

Um “blogue” serve também (ou principalmente?) para “isto”!

P.S. Mais agradecimentos: ao desblogueador de conversa pela referência; trata-se de um “blogue” que, para além do bonito lay-out, tem sempre temas de interesse; além do mais, é um exemplo precisamente no que respeita à transparência, uma vez que (e é o único que conheço que o faz) indica claramente quem são os seus membros e quais as suas ocupações; ao How to learn Swedish in 1000 difficult lessons pela inclusão na sua lista de links (também um modelo, servindo de inspirador a muitos “blogues”; no caso – e claro, também depois de ler o socioblogue – levou-me à ideia de, em cada dia, “passar em revista” um ano do século XX).

[143]

8 Agosto, 2003 at 7:05 pm

A EUROPA DAS LÍNGUAS (V)

“As línguas da Europa utilizam basicamente três alfabetos: o alfabeto grego, o latino e o cirílico. O grego é o mais antigo e, embora tenha sofrido alterações ao longo dos séculos, utiliza-se ainda na Grécia para transcrever a língua grega. Do alfabeto grego, os Romanos fizeram derivar o latino, adoptado pela Igreja ao longo da Idade Média e que foi aquele que se utilizou para conservar a cultura antiga em forma de manuscritos, o qual veio a ser utilizado posteriormente na imprensa. Nos países germânicos, a tradição manuscrita cristalizou no gótico . um alfabeto diferente, que ao longo do séc. XIX se foi abandonando em favor do latino, mais claro. A reacção nacionalista de Hitler impôs o uso obrigatório do alfabeto gótico, mas foi precisamente essa imposição e a sua conotação política que fizeram com que, acabada a guerra, se abandonasse o seu uso.

O alfabeto grego teve uma derivação quando, no séc. IX, os santos Cirilo e Metódio, evangelizadores dos países eslavos, inspirando-se nos caracteres gregos desenharam um alfabeto que julgaram adequado para representar a fonética eslava e que, de facto, se generalizou nestes países, estreitamente ligado à religião ortodoxa e, posteriormente, ao império dos czares. Com a União Soviética, perdeu estas conotações, mas continuou ligado à língua russa e à sua expansão, de tal modo que, quando os comunistas russos decidiram revitalizar as línguas minoritárias da URSS, mesmo várias que nunca tinham tido um uso escrito, impuseram o alfabeto cirílico para a sua transcrição.

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Com excepção da Grécia, todos os outros países da União Europeia utilizam caracteres latinos e, portanto, o mesmo alfabeto, o qual não é exactamente o mesmo para todas as línguas pois há particularidades locais em princípio menores ou mesmo insignificantes, mas que na prática põem problemas às vezes graves.”

.A EUROPA DAS LÍNGUAS., de Miquel Siguan (coedição da Terramar com a SILC)

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8 Agosto, 2003 at 7:09 am

1907 – CUBISMO

“O espanhol Pablo Picasso dá início ao cubismo, com o quadro “Les Demoiselles d’Avignon”, que representa uma revolução artística.”

“Notícias do Milénio”, publicação dos jornais do “Grupo Lusomundo”, Julho de 1999

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8 Agosto, 2003 at 7:08 am

“BLOGUES” EM ÁFRICA

“Desafia-me” o Martin Pawley, questionando-me se conheço “blogues” africanos de expressão portuguesa. Não conheço ainda, mas pretendo pesquisar a sua existência.

Para já, deixo a referência aos que foram considerados os melhores “blogues” africanos nos “Blogs d’or”: alors s’il vous plaît je vous en priehou hou blog.

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7 Agosto, 2003 at 9:24 pm 1 comentário

MATEUS ROSÉ – LÍDER MUNDIAL

Com 60 anos de vida, regista um estrondoso sucesso, tendo conquistado milhões de apreciadores um pouco por todo o mundo.

O conceito da garrafa, inspirada no formato de um cantil militar, adaptada à estética do século XXI, contrasta com a sua imagem de paz e beleza, reproduzindo no rótulo o belo Palácio de Mateus.

O vinho mais famoso de Portugal (talvez não em Portugal…) é um campeão de vendas a nível mundial no seu segmento e, claro, um dos nossos maiores “embaixadores”.

Merecedor portanto desta referência especial… (é claro que não se trata de publicidade paga!).

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7 Agosto, 2003 at 6:31 pm 1 comentário

A EUROPA DAS LÍNGUAS (IV)

“Há países na Europa cuja política linguística se dirige exclusivamente à defesa e promoção de uma só língua, ou porque no território realmente só se fala uma língua e as diferenças linguísticas são pequenas, ou porque apesar de haver diferenças linguísticas importantes o país procura o monolinguismo como objectivo.

Os países verdadeiramente monolíngues são a excepção e não a regra. No seio da Comunidade, Portugal pode ser um exemplo, tal como a Áustria, que aderiu recentemente. No extremo oposto, e como exemplo de países que apesar de uma diversidade de facto se propõem o monolinguismo como objectivo, podemos considerar a França.

Em Portugal, como em qualquer espaço linguístico relativamente extenso, a língua culta comum a todo o país coincide com diferenças dialectais que podem relacionar-se com a história da língua, que se difundiu de norte para sul a partir da Reconquista Cristã aos Árabes e, em último lugar, com o substrato linguístico anterior à ocupação romana e difusão do latim, mas são diferenças pouco significativas. A única excepção que se pode apontar é o mirandês ou fala de Miranda do Douro, uma pequena povoação na fronteira com Espanha, onde se fala uma variante do dialecto hispano-leonês, vestígio do núcleo linguístico asturo-leonês.

Que o mirandês seja a única excepção é um indicador claro da uniformidade do espaço linguístico português. O que não significa que a língua portuguesa não tenha problemas com implicações políticas, mas estes referem-se à unidade da língua no plano internacional e aos esforços por conseguir um acordo para uma norma ortográfica comum.”

.A EUROPA DAS LÍNGUAS., de Miquel Siguan (coedição da Terramar com a SILC)

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7 Agosto, 2003 at 7:10 am

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