A EUROPA DAS LÍNGUAS (VI)
9 Agosto, 2003 at 12:14 pm 3 comentários
“Embora estas tentativas tenham sido numerosas limitar-me-ei ao esperanto, dado a conhecer por Zamenhof em 1887, e que, se não foi a primeira nem será a última tentativa, é sem dúvida aquela que conseguiu a maior difusão.
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Zamenhof concluiu que no nosso tempo era imprescindível dispor de uma língua de comunicação internacional e que esse papel não podia ser representado por nenhuma das línguas já existentes porque todas tinham implicações culturais e nacionais tão fortes que nenhuma delas conseguiria uma adesão generalizada. Era assim necessário inventar uma língua que, ao contrário das já existentes, apresentasse um máximo de racionalidade e de simplicidade de forma a que a sua aquisição fosse muito fácil. Zamenhof, que era um linguista distinto, não pretendeu inventar a língua da cabeça aos pés e tomou por modelo a estrutura básica do latim . portanto, das línguas românicas ., combinando-a com elementos tirados tanto das línguas germânicas como das eslavas e procurando integrar estes diferentes elementos num sistema claro e coerente que respondesse aos objectivos que pretendia alcançar.
A nova língua logo encontrou adeptos e também imitadores que tentaram melhorá-la com novas propostas de línguas internacionais auxiliares. Embora algumas destas propostas tenham conseguido alguma atenção, nenhuma alcançou a popularidade do esperanto, que cedo ganhou adeptos em todo o mundo.
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Graças ao entusiasmo dos seus partidários, o esperanto não só se começou a utilizar para comunicações privadas como alcançou também um certo uso impresso em jornais e livros, tanto para passar informações como enquanto suporte de obras de criação literária originais ou traduzidas. Praticamente todas as grandes obras da literatura universal foram entretanto traduzidas para esperanto.
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Passado um século e meio sobre a sua introdução, a verdade é que o esperanto, embora conserve nalguns países núcleos de partidários fiéis, não conseguiu os objectivos que pretendia alcançar.
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E a ironia da história é que o inglês simplificado que se utiliza maioritariamente para essas funções apresenta algumas das características mais próprias do esperanto: simplicidade e ausência de conotações culturais sem que seja, porém, tão fácil de aprender.”
.A EUROPA DAS LÍNGUAS., de Miquel Siguan (coedição da Terramar com a SILC)
P.S. Mais um agradecimento, ao iloveamerica.
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1.
Innersmile | 20 Novembro, 2003 às 1:47 pm
tal como prometido, tenho visitado o seu blog.
e tenho-me farto de aprender…
obrigado
Anonymous | Homepage | 08.09.03 – 6:50 pm | #
2.
bruno | 1 Dezembro, 2004 às 8:56 pm
gostava de ter encontrado mais coisas do manifesto futurista…
3.
António Martins-Tuválkin | 25 Dezembro, 2004 às 7:00 pm
O autor assegura que «Passado um século e meio sobre a sua introdução, a verdade é que o esperanto, embora conserve nalguns países núcleos de partidários fiéis, não conseguiu os objectivos que pretendia alcançar.»