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O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/4 de final

(“O Templário”, 13.04.2023)
A notícia mais relevante (pela negativa) do fim-de-semana foi o consumar da despromoção do Coruchense do Campeonato de Portugal, retornando, dois anos depois, ao Distrital. O emblema do Sorraia iguala, assim, o registo de Alcanenense, Cartaxo e U. Almeirim, como os clubes que mais vezes (cinco cada) foram despromovidos aos regionais, com a particularidade de, no caso do grupo de Coruche, ser a terceira vez em que tal sucede nas últimas oito temporadas.
Tal traduz uma fase de “sobe e desce”: tendo sido promovido ao “Nacional” em 2015, 2017 e 2021, o Coruchense não foi além de duas épocas sucessivas em tal patamar, o que, aliás, alcançou apenas no ciclo que agora finaliza, depois das descidas (“imediatas”) de 2016 e 2018.
Para além dos clubes antes referidos, cada qual com cinco despromoções, realça-se ainda o acumulado de quatro descidas ao Distrital por parte de Alferrarede, Riachense e Torres Novas; tendo o Amiense, Marinhais, Samora Correia, U. Rio Maior e U. Tomar (este nos anos de 1985, 1997 e 2002) baixado a tal escalão em três ocasiões, cada um deles.
Estes movimentos têm, naturalmente, associadas temporadas de subida aos Nacionais (antiga III Divisão, Campeonato Nacional de Seniores, e, por último, ao Campeonato de Portugal) – desde que, na época de 1968-69, foi adoptado o regime de promoções e despromoções de escalão –, com um paralelo de bastante similitude: cinco subidas para Alcanenense, Cartaxo, Coruchense e Riachense (que, contudo, abdicou de uma delas – 2009); quatro para Alferrarede e U. Almeirim; três promoções de Amiense, Marinhais, Samora Correia, Torres Novas e U. Rio Maior.
Os dois candidatos ao título (e subida de Divisão) no actual campeonato foram promovidos à III Divisão Nacional em duas ocasiões: U. Tomar, em 1988 e 1998; Fazendense, em 1996 e 2007.
Destaques – Na Taça do Ribatejo, e tal como sucedera na eliminatória precedente, o Torres Novas voltou a estar em especial evidência, afastando, desta feita em terreno alheio, o Amiense, notável 3.º classificado do campeonato, impedindo a turma dos Amiais de Baixo de ampliar o seu magnífico “record” de 15 presenças nas meias-finais da competição.
Praticamente tendo entrado a perder, os torrejanos, não se descompondo, empatariam antes da meia hora de jogo, colocando-se em vantagem já no quarto de hora final. O Amiense ainda conseguiria restabelecer a igualdade (2-2) já em período de compensação, mas acabou por ser desfeiteado no desempate da marca de “penalty” (fórmula que lhe permitira superar a ronda anterior). Foi o terceiro jogo seguido sem vitória do grupo dos Amiais, proporcionando ao Torres Novas marcar presença nas meias-finais da Taça pela 4.ª vez (após 2017, 2011 e 1986).
Em destaque esteve também o Abrantes e Benfica, confirmando o bom momento que atravessa, apresentando-se igualmente como um dos candidatos a vencer a prova, tendo ido aplicar uma imprevista goleada, por 4-1, a Samora Correia, apurando-se para as meias-finais pela 3.ª vez (depois de ter sido finalista na última época, e de ter atingido também as semi-finais em 2019).
Confirmações – O Alcanenense, batendo o Benavente por categórico 3-0, confirmou um apuramento tranquilo, atingindo as meias-finais da prova pela 8.ª vez (fase que já não alcançava desde uma sequência de quatro qualificações, de 2009 a 2012), perfilando-se, em teoria, como o principal candidato à conquista do troféu, que, por curiosidade, nunca conseguiu vencer (contando três finais perdidas, em 2002, 2009 e 2010).
Também o Fátima confirmou o favoritismo que lhe era creditado, tendo recebido e batido, por 3-1, o Águias de Alpiarça, garantindo, deste modo, a sua estreia nas meias-finais da Taça.
Esses desafios, em que será decidido o acesso à final da “prova rainha”, numa eliminatória a disputar a duas mãos, estão agendados para dia 25 de Abril e 7 de Maio, colocando frente-a-frente, respectivamente: Torres Novas-Abrantes e Benfica; e Alcanenense-Fátima.
Campeonato de Portugal – Depois de ter já desperdiçado alguns “match-points” em jornadas precedentes, o Coruchense enfrentava, na penúltima ronda da prova, numa espécie de final, o Mortágua (equipa imediatamente acima na tabela, com dois pontos à maior), que recebia no seu terreno, sabendo que só a vitória lhe poderia permitir ainda a “salvação”.
O grupo do Sorraia não poderia esperar melhor começo, tendo-se adiantado no marcador logo aos quatro minutos. Viria, porém, a sofrer dois golos entre os 23 e os 30 minutos, operando-se a reviravolta no marcador. Não obstante tenha ainda empatado, outros cinco minutos fatídicos (entre os 66 e os 71) proporcionariam ao adversário repor a vantagem, acabando por ganhar 4-2.
Assim, passando a distar cinco pontos deste rival (e do Sintrense) – e, também, em função do triunfo averbado pelo Sertanense em Loures, resultando no ampliar, de três para seis pontos, da diferença pontual face àquele oponente – o emblema de Coruche vê-se, inapelavelmente, relegado para o Distrital, não podendo já, na derradeira ronda, melhorar o 9.º posto que ocupa na classificação… o primeiro (de um total de seis despromovidos) abaixo da “linha de água”.
Por seu lado, o U. Santarém cumpriu a sua missão, goleando por 4-0 o Marinhense, chegando à entrada para a última jornada no 1.º lugar… contudo, uma posição ilusória e que bem poderá vir a revelar-se inglória, dado que os escalabitanos folgarão (devido à desistência do Rio Maior SC), podendo, pois, ser ultrapassados por Pêro Pinheiro (em igualdade pontual, deslocando-se ao reduto do agora já tranquilo Mortágua) e 1.º Dezembro (apenas um ponto atrás, e que recebe, precisamente, o já sentenciado Coruchense) – caso em que ficariam afastados da fase final.
Antevisão – Na 26.ª ronda da I Divisão Distrital as atenções estarão focadas no “quase derby” U. Tomar-Ferreira do Zêzere, um embate sempre de cariz muito especial, e no Entroncamento AC-Fazendense; sendo os dois primeiros favoritos a ganhar não poderão, contudo, “distrair-se”.
Na luta pela manutenção – sabendo-se já, agora, que serão três os clubes a despromover à II Divisão –, destacam-se as seguintes partidas: Águias Alpiarça-Torres Novas, Benavente-Mação e Samora Correia-Cartaxo; enfrentando os clubes em risco de descida difíceis compromissos.
Na segunda jornada da fase final do escalão secundário destacam-se os embates Moçarriense-Tramagal e Forense-Espinheirense, em que cada ponto conquistado poderá ser determinante.
No Campeonato de Portugal, a expectativa reside, conforme aludido, nos desafios: 1.º Dezembro-Coruchense e Mortágua-Pêro Pinheiro; em que estará em causa o futuro imediato do U. Santarém. Tendo vantagem no confronto directo sobre ambos os concorrentes (em função da superior diferença de golos geral), os escalabitanos só poderão almejar o apuramento para a fase final se o 1.º Dezembro não ganhar ou em caso de algo improvável derrota do Pêro Pinheiro.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 13 de Abril de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 25ª Jornada

(“O Templário”, 06.04.2023)
Faltando cinco jornadas para finalizar o campeonato, o Amiense dispõe, obviamente, de possibilidades matemáticas de vir a chegar ainda ao 1.º lugar; porém a derrota sofrida nas Fazendas de Almeirim, repondo um atraso de cinco pontos face ao líder (U. Tomar), terá sido o fim do “sonho” do grupo dos Amiais de Baixo, que tão bom desempenho alcançou nesta época.
Pelo que se parece vislumbrar uma espécie de “final”, agendada para dia 22 de Abril, também nas Fazendas, entre Fazendense e U. Tomar: quem vencer esse embate terá fortes probabilidades de vir a sagrar-se Campeão; em caso de empate, antecipa-se acesa disputa até ao último dia.
Destaques – Depois de, na ronda anterior, ter batido o U. Tomar, o Amiense enfrentava nova “prova de fogo”, na deslocação ao reduto do Fazendense, com as duas equipas, respectivamente, 3.ª e 2.ª classificadas, separadas por um único ponto.
A turma dos Amiais de Baixo teve boa entrada em jogo, mas os visitantes viriam a equilibrar a contenda, e, até, ganhar algum ascendente, sem que, contudo, tivesse sido desfeito o nulo. Na segunda parte a toada de jogo repartido não se alterou significativamente, parecendo antever-se que a igualdade subsistiria até final – só que, apenas a quatro minutos dos noventa, o Fazendense, mais eficaz, acabaria por chegar ao (solitário) tento da vitória, virtualmente afastando um candidato ao título, reforçando, em paralelo, as suas aspirações, confiante em tal “final” em casa.
No confronto entre Mação e Alcanenense, ainda com o 4.º lugar em jogo, a formação de Alcanena, ganhando por clara marca de 3-1, terá garantido, pelo menos, essa posição, dado passar a dispor de avanço de sete pontos sobre os maçaenses (para além de vantagem no confronto directo).
Também o Samora Correia esteve em destaque, indo ganhar a Torres Novas por 2-1, aproximando-se, justamente, dos maçaenses, agora apenas dois pontos acima. Os torrejanos, tal como o At. Ouriense, têm o seu campeonato “feito”, pelo que, até final, poderão estar já algo em descompressão, no imediato mais focados na Taça do Ribatejo, em que mantêm esperanças.
A demonstrar que não há dois jogos iguais, no “derby” do município de Ourém, após uma igualdade a um golo há uma semana (em jogo da Taça), o Fátima foi golear, em terreno alheio, o At. Ouriense, por robusto 7-2! Já com vantagem de 3-0 ao intervalo, o melhor que consentiu ao adversário foi reduzir até 2-4, para, no derradeiro quarto de hora, somar ainda mais três golos à sua contagem. A aposta no treinador Campeão, Gonçalo Carvalho, parece frutificar.
Surpresa – Ferreira do Zêzere e Cartaxo, duas equipas cujo desempenho ficou muito aquém das expectativas na presente temporada, ainda envolvidas na disputa pela manutenção, defrontavam-se, num desafio que poderia, em caso de triunfo, finalmente tranquilizar os ferreirenses. Pois, saiu tudo ao contrário do esperado, com os cartaxeiros a colocar-se em vantagem à passagem da hora de jogo, para vir a fixar o 0-2 final já em período de compensação.
Um desfecho que arrasta o Ferreira do Zêzere para uma zona ainda de alguma incerteza, com uma escassa margem de segurança de cinco pontos face à “linha de água”, que só não será mais perigosa porquanto o Águias de Alpiarça vem atravessando também fase muito negativa. Por seu lado, o Cartaxo somou três preciosos pontos, que, para já, lhe permitem voltar a “respirar”.
Confirmações – Num encontro entre extremos da tabela, o U. Tomar recebeu e bateu, como seria expectável, o “lanterna vermelha”, Entroncamento AC, por 2-0. Não foi, porém, uma exibição bem conseguida dos nabantinos; numa tarde já com algum calor a fazer-se sentir, a dinâmica e ritmo de jogo foram “moderados”, facilitando a tarefa ao conjunto da cidade ferroviária, que optou por privilegiar a preservação do seu sector mais recuado.
Na segunda metade, colocando um pouco mais de intensidade, os unionistas rapidamente sentenciaram o desfecho a seu favor, apontando dois tentos, tendo ficado ainda outros tantos por marcar, numa fase em que a disponibilidade do adversário em termos físicos ia notoriamente decaindo, não tendo nunca conseguido esboçar efectiva reacção à desvantagem no marcador.
Em partida de cariz crucial no contexto da luta pela permanência, o Abrantes e Benfica, goleando o Águias de Alpiarça por 4-0, deu passo decisivo para se poder libertar da zona perigosa da pauta classificativa – tendo igualado o Ferreira do Zêzere no 11.º posto – agora com cinco pontos de avanço precisamente sobre tal rival, que, tendo somado sexto desaire sucessivo (e sem conseguir ganhar há onze jornadas) surge em tendência descendente, sob forte ameaça de despromoção.
O “descansado” Salvaterrense (7.º classificado, a quatro pontos do Samora Correia, com três pontos de vantagem face ao Fátima… e 14 em relação à “linha de água”) confirmou também o favoritismo, frente ao “aflito” Benavente, ganhando por 2-0, subsistindo os benaventenses na penúltima posição, agora a dois pontos do Águias e a três do Cartaxo (13.º).
II Divisão Distrital – No arranque da fase final, de apuramento de campeão e de promoção ao principal escalão estiveram em particular evidência o Tramagal, derrotando o Vasco da Gama por categórico 3-0, e o Forense, que foi aos Riachos ganhar por 3-1, tendo, pois, “entrado com o pé direito”, assumindo, desde logo, posição de vantagem face à concorrência.
A outra partida, entre os também candidatos à subida, Espinheirense e Moçarriense, foi intensa e repleta de cambiantes, saldando-se por um empolgante desfecho de 3-3 (depois de dois triunfos do grupo da Moçarria, na fase regular do campeonato, que liderou de forma destacada, por 5-2 e 3-2), a deixar, claro, tudo ainda em aberto quanto às expectativas de ambos os conjuntos.
Campeonato de Portugal – O U. Santarém, tendo empatado a zero em Sintra, ante o 1.º Dezembro, não conseguiu evitar ficar dependente de terceiros: mantendo a liderança (partilhada com o Pêro Pinheiro) à entrada para as duas rondas finais, subsiste apenas com vantagem de um ponto justamente sobre o adversário que defrontou nesta jornada. O problema é que, aos escalabitanos, só resta disputar um desafio, enquanto os rivais jogarão ainda duas vezes cada…
Também o Coruchense, derrotado em Santa Catarina da Serra, pelo União local, por tangencial 2-1, voltou a cair na zona de despromoção, ultrapassado pelo Mortágua, tendo visto, em paralelo, o adversário reduzir para três pontos a diferença na classificação, numa altura em que remanescem ainda por definir dois lugares de descida aos Distritais (Loures, Arronches e Benfica e Alcains têm já confirmada tal situação, enquanto o Rio Maior SC desistiu da competição).
Antevisão – Os campeonatos distritais voltam a sofrer interregno, neste fim-de-semana de Páscoa, em que terão lugar os jogos dos quartos-de-final da Taça do Ribatejo (agendados para sexta-feira Santa), com o seguinte alinhamento: Samora Correia-Abrantes e Benfica; Amiense-Torres Novas; Fátima-Águias Alpiarça; e Alcanenense-Benavente, com favoritismo a pender para os donos da casa, mas, tratando-se de jogos de Taça, em que tal factor terá menor relevância.
Na penúltima jornada do Campeonato de Portugal o U. Santarém – no seu derradeiro jogo na prova – terá a visita do 4.º classificado, Marinhense, só a vitória lhe interessando. O Coruchense tem igualmente um desafio de “sim ou sopas”, recebendo o Mortágua, em que outro desfecho que não o triunfo da turma do Sorraia poderá vir a significar um ingrato retorno ao Distrital.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 6 de Abril de 2023)
O Pulsar do Campeonato – Taça do Ribatejo – 1/8 de final

(“O Templário”, 30.03.2023)
À excepção do Mação, derrotado em Torres Novas, os favoritos confirmaram, de modo geral, o seu estatuto, seguindo em frente na Taça do Ribatejo, apurando-se para os quartos-de-final da prova, fase na qual não participará já qualquer dos clubes a militar na II Divisão Distrital.
Numa competição de que os dois primeiros classificados do campeonato (U. Tomar e Fazendense) haviam ficado já arredados na eliminatória precedente, subsistem na disputa pelo troféu as equipas que presentemente ocupam o 3.º, 4.º, 6.º, 9.º, 10.º, 12.º, 13.º e 14.º lugares.
Destaques – O realce principal destes oitavos-de-final vai para o triunfo averbado pelo Torres Novas (9.º) na recepção ao Mação, do que decorre a eliminação do emblema que havia afastado, na ronda anterior, o actual detentor do título e recordista de troféus conquistados (cinco) na “prova-rainha”, Fazendense. Depois de terem sido goleados, no seu reduto, no final de Outubro, no jogo do campeonato, por 1-5, os torrejanos “desforraram-se”, ganhando agora por 2-1 (tendo, aliás, chegado a dispor de vantagem de dois tentos, ainda na primeira metade da partida).
Nos Amiais de Baixo, não tendo havido surpresa, ela esteve muito próxima de suceder. Após ter vencido o líder do campeonato uma semana antes, o Amiense (3.º) recebia agora o penúltimo classificado, Cartaxo, equipa que tinha derrotado, em Setembro, por 3-1. Pois, desta feita, não foi além da igualdade a duas bolas – vendo, assim quebrado um notável ciclo de seis jogos de inviolabilidade da sua baliza, sofrendo, de forma imprevista, dois golos.
Valeria aos donos da casa o desempate da marca de “penalty”, fórmula que lhes proporcionou um apertado triunfo (9-8), após uma longa série de tentativas, garantindo assim o apuramento para os quartos-de-final da Taça pela 21.ª vez, registo destacadíssimo, sendo os clubes com marcas mais “próximas” o Cartaxo (15 qualificações) e o Coruchense e Samora Correia (14).
Num “derby” municipal, disputado em Ourém, At. Ouriense e Fátima (10.º) “equivaleram-se”, empatando também, a um golo, tendo a turma da casa “adiado” o desenlace da eliminatória, ao apontar o tento da igualdade já em período de compensação. Um golo que, porém, se revelaria inglório, dado que os fatimenses acabariam mesmo por se impor, no desempate da marca de “penalty”, ganhando por 4-3, apurando-se para os quartos-de-final apenas pela segunda vez.
O Abrantes e Benfica (12.º), dando boa sequência ao excelente triunfo obtido em Samora Correia na semana anterior, parecendo chegar a esta fase final da temporada na sua melhor forma, derrotou o Salvaterrense por 2-0 (repetindo a vitória, alcançada em Outubro, para o campeonato, então por 1-0), conseguindo assim a quarta qualificação para os quartos-de-final.
Confirmações – Nos outros quatro jogos confirmaram-se as expectativas, desde logo com o Alcanenense a superiorizar-se, no terreno do “lanterna vermelha”, enquanto os três resistentes do escalão secundário tiveram de vergar-se ao maior poderio dos respectivos adversários.
No Entroncamento, o grupo local recebia o Alcanenense (4.º), tendo oferecido boa réplica, acabando por perder por tangencial 1-2 – depois de, para o campeonato, ali se ter registado um nulo, em Outubro –, com o conjunto de Alcanena a superar esta fase da prova pela nona vez.
Os triunfos dos primodivisionários Águias de Alpiarça (13.º) e Benavente (14.º) – ambos em intensa luta pela manutenção, ainda longe de estarem “livres de perigo” –, face aos vencedores das duas séries da primeira fase do Distrital da II Divisão, respectivamente, Moçarriense e Riachense, foram sofridos, em qualquer dos casos também pela diferença mínima: 2-1 no caso do Águias (não obstante tenha chegado ao intervalo a ganhar por 2-0); 1-0 para o Benavente.
Bem mais tranquila foi a tarde da formação de Samora Correia (6.º), que foi a Boleiros golear, por categórica marca de 5-1, o Vasco da Gama (3.º classificado da série mais a Norte do escalão secundário, também apurado para a fase final, de apuramento de Campeão); tendo chegado a vantagem de dois golos nos 45 minutos iniciais, ampliaria para 3-0 a abrir a segunda metade, antes de consentir o tento de honra, vindo ainda, a marcar dois golos na última meia hora.
De acordo com o sorteio, previamente realizado, é o seguinte o alinhamento dos desafios dos quartos-de-final, agendados para o próximo dia 7 de Abril: Amiense-Torres Novas; Alcanenense-Benavente; Samora Correia-Abrantes e Benfica; e Fátima-Águias Alpiarça.
Destas equipas o Amiense alcançou já as meias-finais da competição por 15 vezes, face a sete do Alcanenense e do Samora Correia, cinco do Benavente, quatro do Águias Alpiarça, apenas três do Torres Novas e duas do Abrantes e Benfica – fase ainda nunca atingida pelo Fátima.
Antevisão – O campeonato distrital da I Divisão entra na sua recta final, com a disputa da 25.ª jornada, em que ressalta mais um embate de cariz determinante, colocando frente-a-frente, nas Fazendas de Almeirim, os actuais 2.º e 3.º classificados, Fazendense e Amiense, separados na tabela por um único ponto; um desafio que poderá vir a ser, de alguma forma, definidor.
O U. Tomar, recebendo o “lanterna vermelha”, Entroncamento, poderá tirar algum benefício do desfecho daquele confronto… mas, para tal, terá de “cumprir a sua missão”, ganhando o jogo.
Merece também menção a partida entre Mação e Alcanenense, com o 4.º lugar ainda em jogo; assinalando-se ainda a coincidência de At. Ouriense e Fátima repetirem o confronto da passada semana, agora para o campeonato, com estas duas equipas já tranquilas quanto à permanência.
Nesse “campeonato”, da manutenção na divisão principal, os encontros Abrantes e Benfica-Águias Alpiarça e Ferreira Zêzere-Cartaxo poderão vir a revelar-se também determinantes.
No escalão secundário tem início a fase final, de apuramento de Campeão e promoção, com os seguintes jogos: Espinheirense-Moçarriense; Riachense-Forense; e Tramagal-Vasco da Gama.
No Campeonato de Portugal, já na antepenúltima ronda, o U. Santarém enfrenta “prova de fogo”, em Sintra, ante o 1.º Dezembro, 3.º classificado, apenas a um ponto do duo da frente (formado precisamente pelos escalabitanos e pelo Pêro Pinheiro), quanto às aspirações à disputa da fase final, de subida à Liga 3 (qualificando-se para tal só os dois primeiros de cada série).
O Coruchense, visitando o U. Serra, tem também desafio crucial, em que, pontuando, virtualmente relegará o rival para o Distrital (salvo muito improvável conjugação de resultados que determinasse empate pontual abrangendo, para além destas equipas, o Mortágua e o Loures), um cenário em que, praticamente, só ficaria por definir o sexto clube a despromover.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 30 de Março de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 24ª Jornada

(“O Templário”, 23.03.2023)
Após 24 jornadas, com 80% da prova já decorrida, é quase como se o campeonato fosse (re)começar agora; na mais competitiva edição dos últimos quinze anos (pelo menos), o título de Campeão subsiste ainda, apenas a seis rondas do final, em disputa por três clubes, separados, entre cada um deles – numa situação verdadeiramente inaudita –, por um único ponto: 1.º U. Tomar, 55; 2.º Fazendense, 54; 3.º Amiense, 53 pontos.
Os tomarenses continuam a depender de si próprios: “bastará” obter cinco vitórias e um empate nos seis desafios restantes, para o União se sagrar Campeão. Mas também o Fazendense voltou a ter o “destino nas suas mãos”, podendo arrebatar o título caso triunfe nos seis derradeiros encontros. Na sequência do desaire sofrido nos Amiais de Baixo, os nabantinos ficaram sem “margem de erro”, virtualmente “proibidos” de perder nas Fazendas de Almeirim, num embate – que, a par do Fazendense-Amiense – poderá ser decisivo para as contas finais da competição.
Destaques – No jogo grande do passado Domingo o U. Tomar voltou a soçobrar perante um rival directo, batido por uma equipa do Amiense, muito pragmática, e com notável grau de eficácia ofensiva (praticamente, marcou nas duas ocasiões de que dispôs), ao mesmo tempo que ampliou para seis jogos consecutivos a inviolabilidade das suas redes.
Os unionistas até tiveram promissora entrada em campo, mas cedo se veriam em desvantagem, logo ao 10.º minuto. Os tomarenses poderiam ter reposto a igualdade apenas cinco minutos volvidos, mas um defesa contrário conseguiu salvar o lance, detendo a bola em cima do risco de baliza. E, já no sétimo minuto de compensação do primeiro tempo – dado o facto de o desafio ter estado interrompido durante vários minutos, devido a desordem nas bancadas –, aproveitando uma falha defensiva contrária, o Amiense, com alguma felicidade, ampliaria para 2-0.
O União via repetir-se o cenário da partida ante o Alcanenense, outra vez a necessitar de recuperar de uma desvantagem de dois golos. Todavia, na segunda metade, o Amiense, muito organizado e compacto, privilegiando a gestão do marcador, não permitiria grandes veleidades, com o guardião José Vieira, em grande plano, a negar a única oportunidade soberana de marcar dos nabantinos.
Por coincidência, tal como sucedera, no ano passado, em Rio Maior, o União voltou a perder, a 19 de Março, um desafio crucial. Uma diferença relevante é que, então, ficara a seis pontos do guia, praticamente forçado a abdicar do título; desta feita, subsiste na liderança, já há 12 jornadas. Na época anterior, a partir daí, até final – mesmo só com muito ténues esperanças –, acumularia sete triunfos (seis deles sucessivos), cedendo um único empate, nas oito últimas rondas…
Após o “susto” sofrido na semana precedente, o Fazendense voltou a experimentar (expectáveis) dificuldades, na deslocação a Fátima, apenas tendo conseguido desbloquear o jogo a seu favor já próximo do derradeiro quarto de hora, marcando por duas vezes, aos 73 e aos 78 minutos, mais do que suficiente para “encostar” ao líder, reduzindo o atraso para a diferença mínima de um ponto (depois de, já por onze vezes, ter estado a dois pontos do União, no decurso desta prova).
Em destaque esteve também o Torres Novas, ganhando por 2-1 no Cartaxo, o que lhe proporcionou igualar o At. Ouriense na 8.ª posição, praticamente garantindo, desde já, ainda com muita folga, o objectivo da permanência – dispondo agora de onze pontos sobre a “linha de água”. Ao invés, os cartaxeiros voltam ao penúltimo lugar, abaixo de tal “fronteira”.
Assim como, por seu lado, o Benavente, que bateu justamente a formação de Ourém, por tão categórica quão imprevista marca de 3-0 (pese embora o 1-0 tivesse subsistido até ao minuto 90), ganhando novo ânimo na luta pela manutenção – para já, em função da classificação do Coruchense no Nacional, em posição de permanência, e, agora, somente a dois pontos do Águias.
Surpresa – Se, na semana anterior, o Abrantes e Benfica estivera em evidência pela negativa, pois, desta vez, deu uma resposta bem afirmativa, surpreendendo o Samora Correia – em notória fase de “descompressão”, somente com seis pontos somados em nove jogos na segunda volta –, ganhando, em terreno alheio, por concludente 3-0, passando, assim, a dispor de margem de quatro pontos em relação ao 14.º classificado (primeiro clube em risco de eventual despromoção).
Confirmações – O Alcanenense, pese embora afastado do título, mantém bom rendimento, firmando-se no 4.º posto, tendo goleado o tranquilo Salvaterrense (em confortável 7.º lugar) por concludente 5-1, com o guia dos marcadores, Moises Iabna, em evidência, com um “hat-trick”.
O Águias de Alpiarça confirmou a fase difícil que vem atravessando há largas semanas, somando 10.ª jornada consecutiva sem conseguir ganhar. Em partida repleta de cambiantes, o Mação alcançaria, já ao “cair do pano”, o tento da vitória, por renhido 4-3. Pela segunda semana sucessiva os alpiarcenses marcaram três tentos… o que, contudo, não foi suficiente para evitar duas derrotas.
Também o Entroncamento deixou escapar, no “último suspiro” do desafio, o que poderia ter sido uma vitória fundamental (até em termos anímicos), ante o Ferreira do Zêzere, cedendo uma igualdade a duas bolas – depois de, por duas vezes, ter estado em vantagem. Um ponto importante para os ferreirenses, agora com sete pontos de avanço face à “linha de água”, enquanto o emblema da cidade ferroviária subsiste com atraso de seis pontos em relação a tal zona delimitadora.
II Divisão Distrital – Na derradeira ronda da fase regular da prova, os três apurados a Sul (Moçarriense, Espinheirense e Forense) não deixaram os seus créditos por mãos alheias, ganhando todos eles, e em reduto alheio (Paço dos Negros, Pernes e Benfica do Ribatejo). A surpresa foi o desaire caseiro (0-2) do já conformado Marinhais (4.º classificado) ante o Rebocho.
A Norte, tendo o vencedor da série, Riachense, folgado, o Tramagal (2.º) venceu na Golegã por 2-1, enquanto o outro apurado, Vasco da Gama, tendo “desligado”, perdeu em Alferrarede, por 4-3. Em função deste imprevisto desfecho, o Caxarias (4.º) terminou apenas dois pontos abaixo.
Campeonato de Portugal – O U. Santarém cumpriu a sua missão, goleando o Mortágua por 4-1, enquanto o Coruchense deixou escapar outro “match-point” (tal como sucedera, antes, nos desafios com o Loures e em Arronches, em que cedera empates, ante adversários ao seu alcance), não tendo ido além da repartição de pontos, empatando a duas bolas na recepção ao Sertanense.
Os escalabitanos partilham agora o comando com o Pêro Pinheiro (ainda que este tenha um jogo a menos). Por seu lado, o grupo do Sorraia mantém o 8.º lugar (último que conferirá a manutenção no Nacional), agora com um ponto a mais que o Mortágua, equipa com a qual tem agendado crucial confronto, no seu terreno, para a 25.ª e penúltima jornada.
Antevisão – Os campeonatos distritais têm breve interregno, neste fim-de-semana, para disputa dos 1/8 de final da Taça do Ribatejo – de que estão já arredados os dois primeiros do campeonato, U. Tomar e Fazendense – em que sobressaem as partidas: Amiense-Cartaxo; Entroncamento AC-Alcanenense; Torres Novas-Mação; At.Ouriense-Fátima; e Abrantes e Benfica-Salvaterrense.
Também o Campeonato de Portugal estará em pausa, sendo retomado, com a sua antepenúltima ronda, a 2 de Abril, enfrentando os clubes do Distrito, nessa altura, saídas de grande importância, com U. Santarém e Coruchense a defrontar, respectivamente, 1.º Dezembro (3.º) e U. Serra (10.º).
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Março de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 23ª Jornada

(“O Templário”, 16.03.2023)
Com os três emblemas da frente a cumprir, com maiores ou menores dificuldades, as respectivas missões, ganhando os seus desafios – pelo que se manteve “tudo na mesma” –, a ronda 23 concentrava, em paralelo, um lote de vários jogos de interesse a nível do escalonamento das equipas que procuram escapar à zona perigosa, de que saíram com maiores benefícios o Ferreira do Zêzere e o Cartaxo – tendo colocado, ambos, termo a séries muito negativas –, enquanto, ao invés, Águias de Alpiarça e Abrantes e Benfica transmitiram indícios muito preocupantes.
Destaques – A primeira nota de destaque da jornada vai para os dez tentos apontados no Salvaterrense-Águias Alpiarça, com os alpiarcenses, após a saída de Jorge Peralta, a registar, na metade inicial do desafio, uma estrondosa “débacle”, saindo para o intervalo a perder 6-0! Depois, com boa reacção, aproveitando algum natural desacelerar da equipa da casa, o Águias reduziu até aos 3-6, acabando por vir a sofrer o 7.º golo (único no segundo tempo) no derradeiro minuto. Em qualquer caso, tendo somado quarto desaire sucessivo, não ganhando há nove jornadas, a turma de Alpiarça vai caindo na classificação (agora no 12.º posto), já em situação aflitiva.
Noutro jogo repleto de golos, quem deu passo importante para se começar a afastar da parte mais baixa da tabela foi o Ferreira do Zêzere, na estreia de Mário Nelson, a conseguir o primeiro triunfo, ao oitavo jogo da segunda volta, após cinco derrotas consecutivas. Recebendo o Torres Novas – já muito perto de garantir o objectivo da permanência – os ferreirenses chegaram a estar a perder por 0-1 e 1-2, operando reviravolta, até ao 3-2, vindo a consentir ainda a igualdade a três bolas, antes de, no último minuto, alcançar uma tão difícil quão determinante vitória, por 4-3.
Em Tomar, o União, recebendo o Fátima que, precisamente, vira o seu treinador “transferir-se” para Ferreira no início da semana, praticamente entrou em campo a perder, na sequência de uma descoordenação defensiva, logo no quarto minuto. Não se descompondo, os tomarenses, denotando clara superioridade, rapidamente inverteriam o rumo dos acontecimentos, com três golos apontados num intervalo de pouco mais de vinte minutos (entre os 12 e os 36).
Na segunda parte os unionistas, muito perdulários, acabariam por “repousar” sobre o resultado cedo demais, vindo a sofrer segundo golo, já em período de compensação, passando por pequeno susto, antes, de, na conversão de uma grande penalidade, marcar ainda uma vez mais, fixando o resultado em 4-2. Tendo somado 7.ª vitória em oito jornadas na segunda volta, quebrando um ciclo de quatro jogos sem perder dos fatimenses (que contam cinco vitórias nesta 2.ª volta), o U. Tomar segue firme na liderança, mantendo as distâncias face aos mais directos perseguidores.
Um deles, porventura algo inesperado, é o Amiense, que continua a rentabilizar da melhor forma os golos que marca, tendo-lhe bastado um tento, logo aos oito minutos, de “penalty”, para somar mais três pontos na deslocação ao Entroncamento; contando 36 golos marcados (apenas o 6.º ataque mais concretizador), atinge a marca dos 50 pontos. Tal como o Fazendense, o grupo dos Amiais segue com seis vitórias e dois empates na 2.ª volta, mantendo-se a um ponto do 2.º lugar.
Surpresa – A grande surpresa do passado Domingo foi o desaire caseiro (porém, já o sexto, em doze jogos) do Abrantes e Benfica ante o Cartaxo, perdendo por 1-2. Os cartaxeiros que, tal como o Ferreira do Zêzere, seguiam com um ciclo de cinco desaires sucessivos (dez, nas últimas onze partidas) obtiveram um triunfo fundamental, que lhes proporciona novo “fôlego”, começando a “respirar” melhor, agora somente um ponto abaixo do adversário que derrotaram.
Confirmações – Dois nulos, no Mação-Samora Correia (terceiro empate dos samorenses nas últimas quatro rondas), na disputa entre o 5.º e 6.º classificados, tal como no At. Ouriense-Alcanenense (terceira igualdade sucessiva do grupo de Alcanena, depois de Tomar e do Fazendense) foram desfechos que, de alguma forma, se podem enquadrar nas expectativas.
Tal como acabou por ser o já previsível triunfo do Fazendense na recepção ao Benavente, porém por tangencial 2-1, só não tendo havido enorme surpresa mercê do golo apontado em período de compensação, numa vitória arrancada “a ferros”, de grande importância para os visitados, permitindo evitar o avolumar da diferença pontual face ao guia, em altura crucial do campeonato.
II Divisão Distrital – A uma jornada do final desta primeira fase estão já definidas as seis vagas para disputa da fase final, de apuramento de Campeão e promoção: Riachense, Tramagal e Vasco da Gama (qualificados na série Norte); Moçarriense, Forense e Espinheirense (série Sul).
Para tal, o Forense teve de superar a forte réplica do Porto Alto, ganhando por apertado 4-3, com o tento decisivo a surgir em cima do minuto 90. Tal como o Forense, também o Espinheirense, ganhando ao Glória do Ribatejo por tangencial 1-0, beneficiou do facto de o Marinhais ter folgado, tendo, ambas as formações, adquirido vantagem de três pontos, já não reversível, uma vez que, qualquer dos dois clubes, tem vantagem no confronto directo com o Marinhais.
A Norte, o Vasco da Gama, ganhando por 2-0 à U. Atalaiense, confirmou o 3.º lugar, que lhe garante a qualificação, chegando à derradeira ronda com avanço de cinco pontos sobre o Caxarias.
As goleadas por 5-1 do Caxarias em Abrantes, tal como o 6-0 do U. Almeirim ao At. Pernes revelaram-se inglórias (no caso dos almeirinenses, não tinham já, alias, aspirações à qualificação).
Campeonato de Portugal – Foi uma jornada bem positiva a 22.ª, como não sucedia já desde a 9.ª ronda – toda uma volta decorrida, precisamente frente aos mesmos adversários –, com os dois clubes do Distrito a saírem vencedores, ambos em terreno alheio: o U. Santarém ganhando por 2-1 ao União da Serra; o Coruchense, impondo-se por categórica marca de 3-0 em Alcains.
Os escalabitanos igualaram o Pêro Pinheiro (ainda que este tenha um jogo a menos) e o Marinhense na liderança da série, enquanto a turma do Sorraia conseguiu voltar a emergir acima da “linha de água”, subindo ao 8.º posto, pese embora em igualdade pontual com o Mortágua.
Antevisão – O jogo grande da jornada disputa-se em Amiais de Baixo, com o Amiense a receber o U. Tomar, num desafio com contornos de alguma similitude face aos do U. Tomar-Alcanenense, ou seja, dependendo do desfecho deste embate, poderá reduzir-se a um mínimo o leque de candidatos ao título, ou, ao contrário, operar-se uma concentração a nível do trio da frente. O Fazendense não poderá também “folgar”, uma vez que não se lhe afigura tarefa fácil em Fátima.
Por seu lado, os desafios Cartaxo-Torres Novas, Entroncamento AC-Ferreira do Zêzere, Benavente-At. Ouriense, Samora Correia-Abrantes e Benfica e Águias de Alpiarça-Mação poderão ser de grande relevância para as contas da manutenção.
Na derradeira ronda da primeira fase da II Divisão, já com tudo decidido, o Moçarriense deverá confirmar o 1.º lugar da sua série, em deslocação para defrontar o Paço dos Negros. A Norte, com o já vencedor de série, Riachense, a folgar, destaca-se a partida entre Goleganense e Tramagal.
No Campeonato de Portugal o U. Santarém poderá “jogar por si” e, em simultâneo, dar uma ajuda ao Coruchense, dado receber o Mortágua, agora a primeira equipa abaixo da “linha de água”; enquanto a turma do Sorraia, actuando também em casa, terá a visita do Sertanense (7.º classificado, apenas dois pontos acima), em confronto da maior importância.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Março de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 22ª Jornada

(“O Templário”, 09.03.2023)
Tal como sucedera na primeira volta, com sucessivas alternâncias na liderança (na 5.ª e 6.ª; na 9.ª e 10.ª; e na 12.ª e 13.ª jornadas), U. Tomar e Fazendense andam, há três semanas, numa espécie de “operação harmónio”, desta feita no que respeita à vantagem dos nabantinos no comando – que, depois de se ter mantido fixa, ao longo de sete rondas, em dois pontos, aumentara para quatro, para de imediato se reduzir novamente para dois, tendo voltado, esta semana, aos quatro pontos.
Ou seja, o regresso à posição da jornada 20, mas, agora, com menos duas rondas por jogar – sendo que ambos os candidatos ao título se cruzaram entretanto com o Alcanenense, que, não tendo ido além de duas igualdades, “abdicou” de tal disputa. Na qual, ao invés, subsiste o Amiense…
Destaques – Numa jornada recheada de pontos de interesse, as atenções estavam focadas, em especial, no Alcanenense-Fazendense, colocando frente-a-frente o 4.º e o 2.º classificados, com o grupo de Alcanena a lamentar ter desperdiçado uma vantagem de dois golos em Tomar, que, a ter-se consumado, poderia, porventura, vir a revolucionar por completo as contas do campeonato.
Assim, tendo entrado para este jogo já com um atraso de oito pontos face ao líder, e seis em relação ao seu adversário de Domingo passado, o Alcanenense, não podendo contar com aquele suplemento motivacional extra de estar efectivamente a lutar pelo 1.º lugar, mais não fez do que equalizar as perdas de pontos infligidas aos dois clubes do topo da tabela, não tendo também o Fazendense tido a capacidade de desfazer o nulo no marcador, na difícil deslocação a Alcanena.
Em Benavente, frente a uma equipa cujo desempenho justificaria melhor pontuação, ainda assim o maior adversário do U. Tomar terá sido o estado do relvado. Sob o efeito da chuva – apesar de, durante a partida, apenas se ter feito sentir muito a espaços – a relva natural apresentava diversas clareiras, com algumas zonas bastante enlameadas, em que era difícil sequer manter o equilíbrio, dificultando sobremaneira a construção de jogadas com princípio, meio e fim.
Beneficiando talvez da melhor adaptação a tais condições, até seriam os donos da casa a começar por, de forma mais pragmática, causar algum perigo, ameaçando, um par de vezes, a baliza contrária. Na primeira metade, para além de um lance de bola parada, e de um remate de longe, a sair ao lado, o União, não tendo conseguido assentar o seu jogo, não criou efectivas oportunidades.
Tal como sucedera na semana anterior, a equipa reentrou bastante melhor na etapa complementar, contando agora com o regresso de Siaka Bamba, após lesão, a pautar a organização defensiva, conferindo segurança para que a equipa se pudesse balancear mais para o ataque. Poderia projectar-se que a chave pudesse vir a estar no diferencial de frescura física na fase final. Mas o jogo acabaria por vir a ser desloqueado na sequência de uma falha do guarda-redes contrário.
Estavam decorridos apenas oito minutos quando Wemerson Silva converteu um livre, a distância considerável da baliza; mesmo com a bola pesada, o avançado unionista, tendo-a “agarrado” bem, conseguiu desferir um potente remate, que o guardião parecia ter controlado, mas, no momento da intercepção, acabaria por deixar esgueirar-se para dentro das redes um escorregadio esférico. Foi o golo n.º 70 ao serviço do União, daquele que é o melhor marcador do clube na última década.
Daí até final “só deu” U. Tomar, conseguindo então, num intervalo de menos de dez minutos, entre os 70 e os 80, confirmar o desfecho, com dois lances de excelente execução técnica, curiosamente, com os dois defesas centrais (José Maria e Henrique Matos) a cabecear com plena eficácia, para o fundo da baliza, dando a melhor sequência a cruzamentos de Pedro Pires. O “placard” de 3-0 pode ser algo pesado para os visitados, mas a justiça da vitória é inquestionável.
Existiria alguma expectativa para ver de que forma poderia reagir a equipa do Ferreira do Zêzere à saída do treinador, David Lourenço, mas, enfrentando um adversário de grande valia, que mantém o 3.º posto – aliás, agora somente a um ponto do Fazendense –, em Amiais de Baixo, os ferreirenses não conseguiram evitar quinto desaire sucessivo, com o Amiense a impor-se por clara marca de 3-0, resultado que, inclusivamente, estabelecera logo nos 45 minutos iniciais.
A última nota de realce vai para o triunfo arrancado pelo At. Ouriense em Alpiarça, frente ao Águias, por tangencial 2-1, com o tento da vitória a ser apontado já em período de compensação. Um resultado ingrato para os alpiarcenses, que não conseguem ganhar há oito jogos, e que, no imediato, só não teve maiores reflexos, dado todos os seis últimos classificados terem perdido.
Confirmações – O Mação venceu com naturalidade no Cartaxo, por 2-0, impondo aos cartaxeiros a sua 10.ª derrota nas onze jornadas mais recentes (duas séries de cinco desaires consecutivos, intervaladas apenas pelo triunfo averbado no Entroncamento).
O Samora Correia conseguiu quebrar um ciclo de invencibilidade de sete jogos do Salvaterrense, ganhando por 1-0, voltando a dispor de margem de segurança de seis pontos face a um trio de perseguidores, formado precisamente pelo emblema de Salvaterra, pelo Fátima e At. Ouriense – mantendo-se só a dois pontos do 5.º lugar (Mação), posição que estará em jogo na próxima ronda.
O Fátima registou maiores dificuldades do que seria previsível para bater, no seu reduto, o “lanterna vermelha”, Entroncamento, por 2-1, com o tento da vitória obtido igualmente já para lá dos 90 minutos. Caso tenham de vir a ser três os clubes a despromover, o clube da cidade ferroviária necessitaria recuperar oito pontos de atraso, nas oito jornadas que restam.
Quem conseguiu excelente operação, em partida de grande relevância para o posicionamento das duas equipas, foi o Torres Novas, que operou reviravolta no marcador, para desfeitear o Abrantes e Benfica, também por tangencial 2-1. Os abrantinos posicionam-se, por ora, imediatamente acima da “linha de água”, com ainda curta margem de quatro pontos face a Benavente e Cartaxo.
II Divisão Distrital – Depois de Moçarriense e Riachense também o Tramagal (ganhando 2-0 ao Pego) confirmou já a presença na fase final, de apuramento de Campeão e de promoção à I Divisão Distrital. Em função da derrota caseira sofrida pelo Caxarias frente ao guia, Riachense, a terceira vaga da série mais a Norte deverá, com probabilidade, vir a ser alcançada pelo Vasco da Gama.
A Sul, o Forense perdeu em casa, ante o líder, Moçarriense, por 1-2, sendo igualado na pauta classificativa pelo Espinheirense, equipa que, ganhando por 2-0 em Marinhais, deu um passo determinante para poder qualificar-se, precisamente em detrimento desse rival. A duas jornadas do fim, Forense, Espinheirense e Marinhais estão agora igualado no 2.º posto, sendo que a este último só resta disputar um jogo, pelo que passou a estar em situação bastante desfavorável.
De lamentar o episódio registado em Marinhais, com agressões dentro de campo, situação absolutamente imprópria no desporto, que coloca o futebol distrital nas notícias por más razões.
Campeonato de Portugal – O U. Santarém dá sinais de poder ainda aspirar a disputar a fase de promoção à Liga 3: recebendo e batendo o Sertanense por 2-0, reparte a 3.ª posição com o Marinhense, ambos apenas dois pontos abaixo do duo de líderes, 1.º de Dezembro e Pêro Pinheiro. O Coruchense, tendo voltado a pontuar, terá registado outro comprometedor empate caseiro (1-1) ante o Loures, mantendo-se abaixo da “linha de água”, a dois pontos do Sertanense e Mortágua.
Antevisão – Na I Divisão destacam-se os desafios: U. Tomar-Fátima e Entroncamento-Amiense. No escalão secundário o Vasco da Gama-U. Atalaiense poderá confirmar o apuramento dos visitados para a fase final. No Campeonato de Portugal o U. Santarém defronta, fora de casa, o União da Serra (classificado logo atrás do Coruchense), cabendo à turma do Sorraia deslocar-se a Alcains – actual último (13.º) da tabela –, outra vez com a pressão de um “jogo para ganhar”.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Março de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 21ª Jornada

(“O Templário”, 02.03.2023)
Um golo no “último suspiro” do jogo (aos 90+6 minutos), obtido na conversão de uma controversa grande penalidade, permitiu ao U. Tomar evitar a derrota caseira ante o Alcanenense, minimizando os danos: mantém esse rival à distância de oito pontos – agora com pouco mais do que esperanças “matemáticas” de poder vir a chegar ainda ao título –, assim como subsiste o avanço de cinco pontos face ao Amiense. O que, em paralelo, parece apontar no sentido de uma disputa a dois, com o Fazendense a recuperar os dois pontos que tinha perdido na ronda anterior.
Destaques – Era o “jogo-grande”, colocando frente-a-frente dois dos mais fortes conjuntos do Distrital, no qual a turma de Alcanena jogava uma espécie de “última cartada”, só a vitória lhe servindo para continuar a acalentar aspirações ao 1.º lugar. E, fiel ao seu modelo, com uma defesa sólida e o avançado mais eficaz na presente temporada, esteve prestes a alcançar o seu objectivo.
O União entrou em campo com algumas cautelas, mas, sobretudo, sem o ritmo necessário para desbloquear a compacta organização do adversário. O Alcanenense, parecendo mais confortável com as bases em que a partida fora lançada, aproveitaria um lance de bola parada para se colocar em vantagem no marcador, à passagem da meia hora.
Procurou reagir o grupo da casa, mas, numa desconcentração defensiva, os forasteiros ampliariam mesmo para 2-0, praticamente a findar a primeira metade. Perante um adversário de grande valor, com tudo a correr a seu favor, os tomarenses enfrentavam uma enorme “montanha a escalar”.
A equipa unionista entraria como que transfigurada para os segundos 45 minutos, corajosa, assumindo a responsabilidade de ir “atrás do prejuízo”, tendo dois lances de perigo logo na fase inicial, mas que, contudo, não conseguiu materializar em golo.
Esse golo, que faria a equipa acreditar ainda mais, acabaria por surgir a meio desta etapa complementar. E o União poderia até ter igualado a cerca de um quarto de hora do final. Mas, claro, corria fortes riscos, sujeito a sofrer novo tento, que, a ter ocorrido, sentenciaria o desfecho.
O Alcanenense terá confiado em demasia, e, já nos instantes finais do encontro, num lance confuso na grande área, o árbitro terá sancionado um contacto com a mão, assinalando o “penalty”, que Leandro Filipe marcou, “sem tremer”, fixando o resultado no empate a duas bolas.
Um golo que poderá vir a revelar-se crucial nas contas finais do campeonato; no imediato, terá evitado o efectivo ressurgir do Alcanenense na luta pelo título (para além dos oito pontos de atraso face ao União, tem também desvantagem de seis pontos em relação ao Fazendense) – sendo que o clube de Alcanena não solicitara, aliás, o licenciamento para admissão ao campeonato nacional.
Outra partida de especial interesse era a que opunha Amiense e Fátima, duas das equipas a atravessar notável momento de forma: os donos da casa tinham em curso a melhor série de entre todos os concorrentes, com seis vitórias e um empate nas sete rondas precedentes; os fatimenses seguiam com cinco vitórias e um empate nas últimas seis jornadas. E o embate não terá ficado aquém das expectativas… excepto no que aos golos diz respeito, não tendo sido desfeito o nulo.
Num confronto em circunstâncias diametralmente opostas, cruzavam-se, em Ferreira do Zêzere, os ferreirenses, num ciclo de quatro derrotas e um empate, e o Abrantes e Benfica, também sem vencer há cinco jogos, nos quais não fora além de dois empates.
A turma da casa confirmaria o seu mau momento, ampliando para seis o número de jornadas sem ganhar (nas quais obteve um único ponto), perdendo (1-2) pela quinta vez em casa, vendo o rival aproximar-se, encurtando a diferença para apenas dois pontos. Os abrantinos marcaram aos 20 e aos 70 minutos, com o Ferreira do Zêzere a chegar ao “ponto de honra” a dois minutos do final.
Confirmações – Numa jornada sem especiais surpresas a assinalar, os resultados dos restantes cinco encontros enquadram-se na lógica, atendendo ao desempenho geral das várias equipas.
O Fazendense ainda consentiu o tento do empate ao Águias de Alpiarça, a findar o primeiro tempo, mas, na segunda parte, selaria, com naturalidade, a vitória (3-1) com outros dois tentos.
Mais intenso foi o desafio entre Mação e Torres Novas, incluindo reviravolta no marcador, com os maçaenses, já na fase final, a conseguir triunfar por 3-2, depois de os torrejanos terem estado em vantagem durante boa parte do jogo; uma vitória que lhes possibilita isolarem-se no 5.º posto.
Isto em articulação com o resultado do Samora Correia, que, tendo estado, por duas ocasiões, em vantagem no marcador em Ourém, permitiu ao At. Ouriense restabelecer a igualdade outras tantas vezes, com o tento que garantiria o 2-2 final a ser apontado a um minuto do termo do encontro. Tal como o Fátima (e, antes, o Salvaterrense), também o At. Ouriense parece a salvo da descida.
Justamente, o Salvaterrense bateu, por categórico 3-0, o Cartaxo, mantendo a 7.ª posição, agora somente a três pontos do Samora Correia. Quanto aos cartaxeiros (tendo acumulado nove desaires nas dez últimas jornadas) caíram no penúltimo lugar, cada vez em situação mais delicada.
No embate entre os que eram os dois últimos classificados, o Entroncamento esteve largo período a ganhar, mas o Benavente empataria (1-1) ainda com meia hora para jogar. Os benaventenses, igualados com o Cartaxo na tabela, distam agora quatro pontos do Abrantes e Benfica; sendo que os homens da cidade ferroviária se posicionam ainda outros quatro pontos mais abaixo.
II Divisão Distrital – Ainda com três jornadas por disputar garantiram já a qualificação para a fase final, de apuramento de Campeão e de promoção à I Divisão Distrital, o Moçarriense e o Riachense – tendo o Tramagal muito bem encaminhado tal objectivo, após a concludente vitória frente a um adversário directo, Vasco da Gama, averbada em terreno alheio, por 3-0.
O U. Almeirim, batido em casa, também por 0-3, pelo Marinhais, ficou arredado de tais aspirações, sendo três os candidatos, disputando duas vagas: Forense, Marinhais e Espinheirense.
Campeonato de Portugal – O U. Santarém cumpriu a sua missão, indo ganhar a Alcains, mesmo que por tangencial 2-1, partilhando o 3.º posto com o Marinhense, a dois pontos do Pêro Pinheiro (mas este com um jogo a menos), que derrotou o Coruchense pela mesma marca. O grupo do Sorraia, também com menos um jogo, mantém-se a três pontos da “linha de água” (Mortágua).
Antevisão – A próxima jornada é rica em embates de grande expectativa, envolvendo, em especial, os quatro emblemas do topo da tabela. Teremos, desde logo, um empolgante Alcanenense-Fazendense (restando saber como reagirá o conjunto de Alcanena), assim como o Benavente-U. Tomar, com os dois primeiros a ser colocados, uma vez mais, à prova. Por seu lado, o Amiense, recebendo o Ferreira do Zêzere, terá de estar atento à possibilidade de os ferreirenses conseguirem, de alguma forma, voltar a aproximar-se do rendimento da metade inicial da época.
Na II Divisão, as atenções estarão focadas, a Sul, nas partidas Forense-Moçarriense e Marinhais-Espinheirense, sendo que este jogo poderá ser decisivo nas contas do apuramento para a fase final; assim como, a Norte, no Caxarias-Riachense, onde os donos da casa jogam cartada crucial.
No Campeonato de Portugal o U. Santarém recebe o Sertanense (que reparte o 7.º lugar com o Mortágua), estando o Coruchense “obrigado” a ganhar ao antepenúltimo classificado, Loures.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 2 de Março de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 20ª Jornada

(“O Templário”, 23.02.2023)
Concluído o segundo terço do campeonato, o U. Tomar – há oito jornadas consecutivas na liderança, desde o mês de Dezembro, totalizando já onze rondas no comando – alcançou a maior vantagem de que, até agora, dispôs. Não obstante, uma “magra” margem de quatro pontos, atendendo às dificuldades que terá ainda de enfrentar até final, incluindo visitas ao reduto dos 2.º e 3.º classificados (Fazendense e Amiense – a que se somam só outras duas saídas, a Benavente e Salvaterra), e a recepção aos clubes posicionados no 4.º e 5.º lugar (Alcanenense e Mação).
Destaques – O desafio de maior cartaz da jornada 20 colocava frente-a-frente o Samora Correia e o Fazendense – os outros dois guias da prova, nesta temporada, respectivamente durante três e cinco semanas –, que vinham de trajectórias diametralmente opostas (os samorenses com quatro desaires sucessivos; a turma das Fazendas com uma série de quatro triunfos), mas que encontraram, neste jogo, um “ponto de equilíbrio”, fixando-se uma igualdade a duas bolas no final da partida, depois de os visitados terem mesmo chegado ao intervalo em vantagem, por 2-1.
O U. Tomar, com desempenho muito seguro, superou mais um obstáculo na sua caminhada, tendo ido ganhar a Alpiarça, frente a uma aguerrida equipa do Águias, por 3-1. Os unionistas cedo se colocaram em vantagem, antes dos dez minutos, que geriram até ao intervalo. Na segunda metade, outra vez dez minutos decorridos, ampliariam para 2-0. Os visitados, nunca “virando a cara à luta” – valorizando o êxito do adversário –, tendo ameaçado um par de vezes, reduziriam para a diferença mínima, mas com os nabantinos a confirmar o triunfo à entrada do quarto de hora final.
Praticamente “sem se se dar por ele”, o Amiense prossegue o seu excelente percurso nesta edição do Distrital, tendo ido vencer a um difícil terreno como é o do Benavente, face ao penúltimo classificado, uma posição que, contudo, não faz jus às exibições dos benaventenses. Bastou, para tal, um solitário tento, com o grupo dos Amiais de Baixo a conseguir extrair a maior eficácia dos golos marcados (43 pontos somados, mercê de apenas 32 golos), tendo averbado o sexto triunfo em terreno alheio, em onze jogos (registo só superado pelas oito vitórias dos tomarenses).
Em evidência esteve igualmente o At. Ouriense, ganhando no Cartaxo por 2-1 (oitava derrota dos cartaxeiros nos últimos nove jogos), após operar reviravolta no marcador, colocando-se, com forte probabilidade, a salvo de maiores imprevistos, para o que resta do campeonato, partilhando agora o 8.º posto com o Fátima – ambos um ponto atrás do Salvaterrense, conjunto também a atravessar fase muito positiva –, projectando-se que este trio possa vir a animar (juntamente com algumas equipas actualmente posicionadas mais abaixo) uma interessante disputa a meio da tabela.
Surpresa – A surpresa da ronda registou-se em Torres Novas, onde o Salvaterrense conseguiu uma robusta desforra do desaire sofrido no seu terreno na primeira volta frente aos torrejanos. Num desafio entre duas formações que, em termos globais, vêm realizando boas campanhas – eram, à entrada para este jogo, respectivamente 7.º e 8.º classificados –, os visitados não poderiam desejar melhor do que marcar logo no primeiro minuto. Porém, o Salvaterrense empataria à meia hora, vindo mesmo a colocar-se em vantagem aos 75 minutos. Com o adversário reduzido a dez elementos, o “placard” avolumar-se-ia, nos derradeiros dez minutos, para um imprevisível 1-5!
Confirmações – Nas restantes três partidas os resultados apurados seriam, de alguma forma, expectáveis. Começando pela natural vitória, com goleada (4-1), do Alcanenense sobre o “lanterna vermelha”, Entroncamento – tendo mesmo chegado aos 4-0, só concedendo o “ponto de honra” dos visitantes já à entrada dos últimos cinco minutos.
Abrantes e Benfica e Mação não desfizeram o nulo, num embate que, noutras circunstâncias, seria um dos jogos de principal cartel do campeonato. Os maçaenses continuam a partilhar a 5.ª posição com o Samora Correia, agora já a oito pontos do Alcanenense (4.º), e com avanço de cinco pontos face ao Salvaterrense; por seu lado, os abrantinos ocupam o 13.º posto, a quatro pontos do Águias de Alpiarça (12.º)… mas, apenas, um ponto a mais que o Cartaxo, e dois sobre o Benavente.
Num jogo em estreia entre os dois clubes, o Fátima – num ciclo muito favorável, tendo alcançado o sexto triunfo nas oito rondas mais recentes (só U. Tomar e Amiense fizeram melhor, nesse período) – superiorizou-se a um intranquilo Ferreira do Zêzere, ganhando por 3-2, apesar de os ferreirenses terem chegado a dispor de vantagem de 2-1… durante dois minutos.
Num total de quinze pontos em disputa na segunda volta, o Ferreira do Zêzere obteve um único ponto (empate caseiro com o Salvaterrense), sendo que, em todas essas cinco jornadas, sofreu sempre três golos por jogo (!), o que justifica uma acentuada queda na classificação, tendo baixado agora ao 11.º lugar, com uma vantagem de apenas cinco pontos face ao Abrantes e Benfica.
II Divisão Distrital – Moçarriense (5-1 ao Rebocho), Espinheirense (1-0, fora, com o Benfica do Ribatejo) e Marinhais (2-1 ao At. Pernes) cumpriram o seu papel, enquanto o Forense folgou. No “derby” Paço dos Negros-U. Almeirim, o nulo no marcador pode ter sido comprometedor para as aspirações dos almeirinenses, a oito pontos do Marinhais (mesmo que com um jogo a menos).
O Riachense bateu, com dificuldade, a U. Atalaiense, por 4-3, aproximando-se – tal como, na outra série, o Moçarriense – da garantia de apuramento (dez pontos de avanço sobre o 4.º classificado, Caxarias, não obstante ter um jogo a mais). O Tramagal goleou (4-0), com naturalidade, o Ortiga, e beneficiou do imprevisto desaire do Vasco da Gama no Pego, mas com os pegachos ainda em situação pouco promissora (atraso de quatro pontos, com mais um jogo).
Campeonato de Portugal – O U. Santarém confirmou o seu favoritismo, derrotando o Loures por 3-0. Quanto ao Coruchense, voltou a pontuar, tendo empatado a zero em Arronches, um desfecho que, mais adiante, se poderá aquilatar se terá ou não ficado aquém das necessidades.
Por agora os escalabitanos repartem o 4.º lugar com o B. C. Branco, a dois pontos do vice-líder, Pêro Pinheiro (e, também, do Marinhense), com o 1.º Dezembro na frente, a cinco pontos. Já a turma do Sorraia subsiste abaixo da “linha de água”, na 9.ª posição, dois pontos atrás de Sertanense e Mortágua (este ainda sem “folgar”, o que sucederá na jornada em que deveria defrontar o Rio Maior). Mas o União da Serra (10.º) está somente um ponto atrás.
Antevisão – O jogo grande da próxima ronda será o U. Tomar-Alcanenense, que poderá eventualmente reduzir o número de candidatos ao título, ou, ao invés, deixar tudo ainda “mais embrulhado”. O Fazendense, recebendo o Águias de Alpiarça, é favorito a somar os três pontos; por seu lado, o Amiense, mesmo jogando em casa, com o Fátima, enfrenta mais um sério teste.
Na II Divisão, o Moçarriense tem uma saída de alguma dificuldade, ao Porto Alto. O U. Almeirim-Marinhais poderá ser uma espécie de “tudo ou nada” para os almeirinenses. Mais a Norte, as atenções estarão centradas no Vasco da Gama-Tramagal, actuais 3.º e 2.º classificados, respectivamente, com o Caxarias (também com deslocação difícil, ao Vilarense) na “expectativa”.
No Campeonato de Portugal o U. Santarém, deslocando-se ao terreno do agora último (13.º) classificado, Alcains, terá uma boa oportunidade de voltar a ganhar; bem mais difícil se afigura a tarefa do Coruchense, que viaja até Pêro Pinheiro, para defrontar um dos actuais vice-líderes.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Fevereiro de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 19ª Jornada

(“O Templário”, 16.02.2023)
U. Tomar e Fazendense voltaram a ganhar, em ambos os casos pela quarta jornada consecutiva, mantendo o pleno de (12) pontos na segunda volta, continuando separados por escassa margem de dois pontos, destacados no topo da tabela. Beneficiaram, em paralelo, do desaire sofrido pelo Alcanenense frente ao Amiense – por números que não seriam expectáveis –, para distanciar um concorrente ao título, que, todavia, não poderá considerar-se ainda arredado de tais aspirações.
Destaques – O “jogo-grande” da jornada 19, colocando frente-a-frente as formações que partilhavam o 3.º lugar, tinha sido disputado já na quarta-feira da passada semana (dia 8), no Espinheiro, com uma inesperada vitória – dada a diferença registada no “placard” final – do Amiense sobre o Alcanenense (grupo que vinha de três triunfos sucessivos, não perdendo há onze jornadas, no que constitui a mais longa série de invencibilidade neste campeonato), por 3-0.
Tendo-se atingido o intervalo com o nulo a subsistir, a turma de Amiais de Baixo inaugurou o marcador à passagem dos dez minutos do segundo tempo, vindo a selar o desfecho com mais dois tentos nos derradeiros cinco minutos. O Amiense, agora isolado no 3.º posto, mantém-se a cinco pontos do comandante, tendo o Alcanenense visto ampliar-se, para oito pontos, o seu atraso.
Em Tomar, o União conseguiu, enfim, superar uma espécie de “karma” que vinha registando nos desafios ante o Samora Correia (clube frente ao qual sofrera cinco derrotas sucessivas, apenas tendo obtido uma vitória nos últimos oito jogos para o campeonato, desde a época de 2018-19).
No 1.000.º jogo em 50 temporadas de participações em Campeonatos Distritais da Associação de Futebol de Santarém (914 jogos na I Divisão, em 42 edições; e 86 na II Divisão, em 8 presenças), o U. Tomar fixou, com o triunfo, um balanço global de 475 vitórias, 192 empates e 333 derrotas.
Fosse pelo “peso” do histórico recente entre os dois clubes, ou pelas incidências da partida da primeira volta (com o impacto adverso do golo não validado, na conversão de um “penalty”), a equipa pareceu entrar em campo demasiado ansiosa e nervosa, sem conseguir assentar o jogo.
Valeria alguma “estrelinha”, em momentos-chave: primeiro, a inaugurar o marcador mesmo a findar o primeiro tempo; de seguida, ampliando para 2-0, logo ao terceiro minuto da segunda parte; e, já depois de se ter visto reduzida a dez elementos, e de consentir o 2-1, restabelecendo uma decisiva “margem de segurança”, com o terceiro golo, somente dois minutos volvidos.
O 4-1 final, obtido em período de compensação, chegava numa fase em que o adversário, tendo cometido muito comprometedoras falhas (oportunamente aproveitadas pelo União, marcando o 1.º e 3.º golos), se tinha desorganizado e conformado com o quarto desaire sucessivo, de uma turma que chegou a liderar a prova, invicta nas dez primeiras rondas… agora a 14 pontos do guia!
Num desafio que se antecipava equilibrado, entre Ferreira do Zêzere e Mação, os ferreirenses confirmaram o mau momento que vêm atravessando (tendo averbado um único ponto em quatro jogos nesta segunda volta), perdendo por 2-3, um desfecho que possibilitou aos maçaenses igualarem o Samora Correia na 5.ª posição. Ao invés, o conjunto de Ferreira vem caindo na pauta classificativa, repartindo o 9.º ao 11.º posto com Fátima e At. Ouriense, somente seis pontos acima da “linha de água”, uma situação que, de todo, não se projectava ser possível nesta temporada.
Em destaque esteve também o Torres Novas, com a estratégia delineada por Eduardo Fortes, apostando na consistência defensiva, a revelar-se acertada, tendo ido ganhar a Ourém, face ao At. Ouriense, por concludente marca de 3-0. Os torrejanos ascenderam a um notável 7.º lugar.
Confirmações – Numa jornada sem especiais surpresas, registaram-se, nos quatro encontros restantes, resultados de alguma forma expectáveis.
O Fazendense confirmou, com naturalidade, o favoritismo, na recepção ao Cartaxo, impondo-se por 3-0, tendo, outra vez, resolvido cedo a contenda, com dois tentos, aos 21 e 27 minutos.
Em Salvaterra de Magos o Abrantes e Benfica, procurando sair da posição delicada em que se encontra, fez um bom jogo, empatando 1-1 com o Salvaterrense (que somou terceira igualdade sucessiva), numa partida em que os abrantinos até poderiam ter obtido maior ganho pontual.
Por seu lado, o Fátima, recebendo o Benavente, obteve uma importante vitória (2-1), consumada “in extremis”, já depois dos 90 minutos, após ter operado reviravolta no marcador. Os fatimenses, em fase muito positiva (quatro vitórias nos cinco jogos mais recentes; ou cinco nos últimos sete), não só subiram ao 9.º lugar, como conseguiram estabelecer uma certa “margem de segurança”.
Entroncamento e Águias de Alpiarça empataram também a uma bola, um resultado que, não sendo o “ideal”, permite aos “ferroviários” manter acesa a esperança, enquanto os alpiarcenses, ponto a ponto (quarta igualdade nas cinco últimas jornadas) vão amealhando precioso pecúlio, dispondo de cinco pontos de vantagem sobre o 13.º e 14.º classificados (Abrantes e Benfica e Cartaxo).
II Divisão Distrital – Em partida que se antecipava poder ser relevante para as contas finais, Espinheirense e Forense neutralizaram-se, empatando a um golo, desfecho mais favorável ao Forense (2.º classificado), que, assim, mantém seis pontos de vantagem sobre o grupo do Espinheiro (4.º), mas tendo este um jogo a menos, dado ter já folgado na segunda volta.
No “derby” municipal, o Marinhais não conseguiu melhor que resultado idêntico (1-1) na Glória do Ribatejo, mantendo o 3.º lugar, com três pontos de diferença em relação ao Espinheirense. O U. Almeirim, a fazer um campeonato de “trás para a frente” é já 5.º, três pontos mais abaixo.
A Norte, noutro “derby”, Riachense e Goleganense não desfizeram o nulo no marcador, do que beneficiou o Tramagal (que partilha a 2.ª posição com o Vasco da Gama), ganhando 4-0 em Abrantes, para reduzir para cinco pontos o seu atraso… mas o Caxarias (4.º) está só a dois pontos.
Campeonato de Portugal – Confirmada a desqualificação do Rio Maior, esta foi uma ronda negativa para os clubes do Distrito, com duas derrotas, ambas por tangencial 0-1: o U. Santarém, em Pêro Pinheiro; o Coruchense, em casa, frente ao Sintrense.
Considerando o ajustamento decorrente da desconsideração dos resultados dos dois jogos que o Rio Maior tinha disputado na 2.ª volta, o U. Santarém é agora 5.º classificado (a par do Sintrense), mas apenas a dois pontos do trio que partilha o 2.º lugar (Pêro Pinheiro, B. C. Branco e Marinhense); por seu lado, o Coruchense continua em 9.º, a três pontos de Sertanense e Mortágua, mas restando-lhe ainda disputar oito jogos, enquanto estes rivais só jogarão mais sete vezes.
Antevisão – Os três primeiros do principal escalão do Distrital enfrentam saídas difíceis, com destaque para a visita do Fazendense a Samora Correia, isto no pressuposto de que os samorenses consigam, entretanto, recuperar animicamente de uma sucessão de resultados negativos; o U. Tomar, mesmo sendo favorito, não esperará também facilidades em Alpiarça; o Amiense desloca-se a Benavente, formação que tudo procurará fazer para pontuar, na luta pela permanência.
Na II Divisão, com Forense e Caxarias de folga, o realce vai para os desafios: U. Atalaiense-Riachense, Pego-Vasco da Gama; assumindo o Moçarriense e Marinhais claro favoritismo, perante, respectivamente, o Rebocho e At. Pernes, precisamente os dois últimos da série.
No Campeonato de Portugal os clubes do Distrito esperarão somar pontos, na recepção ao Loures (U. Santarém) e na viagem até Arronches (Coruchense), actuais 12.º e 11.º classificados.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Fevereiro de 2023)
O Pulsar do Campeonato – 18ª Jornada

(“O Templário”, 09.02.2023)
Depois do (prematuro) afastamento da Taça do Ribatejo, no regresso ao campeonato, U. Tomar e Fazendense voltaram a não vacilar, continuando a somar vitórias, ganhando, respectivamente no Cartaxo e em Torres Novas. Mas não estão sós: tal como os dois primeiros, também o Alcanenense conta por triunfos os três desafios disputados na segunda volta, parecendo, pois, ir-se definindo (e restringindo) o leque de mais firmes candidatos ao título.
Isto porque o Amiense, empatando em Alpiarça, se atrasou; enquanto o Samora Correia, acumulando, de forma absolutamente imprevista, terceiro desaire sucessivo, se despediu de tais pretensões, já a onze pontos do líder (e a nove do segundo), quanto faltam disputar doze jornadas.
Destaques – O U. Tomar venceu categoricamente no Cartaxo, por 3-0, face a uma equipa a passar por fase muito difícil, tendo perdido seis das suas últimas sete partidas. Os tomarenses assumiram o controlo do jogo praticamente desde o início, dominando durante todo o jogo; só o facto de terem sido bastante perdulários proporcionou que o nulo subsistisse durante 55 minutos.
Depois, bastaram outros cinco minutos para decidir a contenda, com os dois tentos apontados, vindo a fechar a contagem já mesmo a finalizar o tempo regulamentar, com o “placard” a revelar-se escasso face à supremacia exercida pelos tomarenses.
Por seu lado, o Fazendense “resolveu” também a seu favor, rapidamente, e ainda bastante cedo, o que se afigurava um difícil compromisso, em Torres Novas, chegando ao 2-0 aos 23 minutos. Os torrejanos reduziriam para 1-2, à passagem da hora de jogo, intensificando ainda a pressão, mas, até final, os visitantes não concederiam maiores veleidades aos donos da casa.
De parabéns está Jorge Peralta, que, num encontro com simbolismo muito especial, atingiu a marca de 500 jogos como treinador, desde a estreia, há mais de 25 anos, em Novembro de 1997: com a sua actual equipa, Águias de Alpiarça, a receber aquele que tinha sido o anterior clube que representou, Amiense, o desafio saldou-se por um empate a uma bola, resultado que, não tendo agradado por completo a qualquer dos emblemas, permite manter alguma margem de segurança.
A deslocação do Ferreira do Zêzere a Benavente afigurava-se já como sendo de elevado grau de dificuldade, perante um adversário carenciado de pontos, bastante moralizado por ter afastado o líder na eliminatória inicial da Taça. Pois, os benaventenses venceram e convenceram, derrotando por inequívoca marca de 3-0 um conjunto ferreirense que parece como que, de alguma forma, conformar-se com a campanha desapontante que vem realizando, numa época que tanto prometia (integra agora, a par do Salvaterrense e At. Ouriense, um trio que reparte o 7.º ao 9.º posto).
Surpresas – Numa ronda na qual, em metade dos desafios, se registou triunfo dos visitantes (sendo que apenas Alcanenense e Benavente conseguiram ganhar em casa), dois desses desfechos constituíram grandes surpresas.
A maior de todas, a vitória arrancada pelo “lanterna vermelha”, Entroncamento AC, em Samora Correia, mesmo que mercê de um solitário tento. Foi a primeira vez que a formação da cidade ferroviária conseguiu vencer, desde a jornada inaugural, voltando, assim, a alimentar esperança de lutar ainda pela manutenção – numa disputa que poderá até vir a tornar-se menos difícil do que expectável, em função da situação do Rio Maior no Campeonato de Portugal.
Também inesperada foi a derrota (1-2) caseira do Abrantes e Benfica ante o At. Ouriense, turma que não conseguira ganhar nas sete rondas precedentes. Os abrantinos não souberam capitalizar a soberba goleada (12-0) aplicada na Taça e voltaram a ter resultado negativo (sétimo desaire em nove jogos) e especialmente comprometedor, perante um adversário directo, tendo-se visto igualados pelo penúltimo classificado, sendo muito preocupante a situação que atravessam.
Uma “meia-surpresa” ocorreu em Mação, onde o clube local – que mantém o 6.º lugar, apenas podendo aspirar, de forma realista, a vir eventualmente a chegar à 5.ª posição – cedeu igualdade (1-1) ante o Salvaterrense, que, depois de ter superado período de maior dificuldade, vai “levando a água ao seu moinho”, após ter empatado já, na jornada anterior, também em Ferreira do Zêzere.
Confirmação – A vitória (ainda que tangencial, por 1-0) do Alcanenense, na recepção ao Fátima, veio confirmar o favoritismo que lhe era atribuído – não obstante os fatimenses virem de resultados recentes muito positivos, tendo vencido nas três jornadas anteriores, duas delas fora de casa, em Samora e no Cartaxo. O grupo de Alcanena continua a tirar partido da sua solidez defensiva, sendo, agora, a defesa menos batida do campeonato (apenas 13 golos sofridos).
II Divisão Distrital – Depois de ter ido já golear à Moçarria o U. Almeirim voltou a surpreender um dos líderes, no seu próprio reduto, ganhando por 3-2 ao Forense. Com a difícil vitória do Moçarriense sobre o Espinheirense, por 3-2 (e contando também com o jogo antecipado, na semana anterior, em que a formação escalabitana goleara por 9-0 o Benfica do Ribatejo), o Moçarriense distanciou-se no comando; tendo aberto um fosso de nove pontos face ao 4.º classificado (o seu rival desta ronda), aproxima-se do apuramento para a fase final.
A Norte, no embate entre os dois primeiros, o Riachense, ganhando por 2-0 no Tramagal, cimentou a sua posição de guia – dispondo de igual vantagem, de nove pontos, sobre o 4.º lugar (ocupado pelo Caxarias, que foi ganhar à Atalaia por 2-1), segue as pisadas do Moçarriense. Quem beneficiou também de tal desfecho foi o Vasco da Gama, que, tendo goleado o Ortiga por 6-1, se isolou na 2.ª posição, a quatro pontos da formação dos Riachos.
Campeonato de Portugal – A equipa do Rio Maior fez segunda falta de comparência sucessiva (no desafio que deveria ter disputado, em casa, ante o Loures), pelo que, nos termos regulamentares, será desqualificada e inibida de voltar a disputar a prova por um período de um a três anos. Depreende-se que, a retomar a actividade, terá de o fazer – tal como sucedeu recentemente com o clube de Fátima – na II Divisão Distrital; o que, no imediato, significará que a sua despromoção não implicará qualquer descida adicional da I Divisão Distrital nesta época.
Tal terá, em paralelo, impacto a nível do escalonamento dos clubes no Campeonato de Portugal, uma vez que apenas serão mantidos os resultados dos jogos do Rio Maior no decurso da 1.ª volta: as vitórias averbadas pelo Sintrense e pelo Coruchense (na 14.ª e 15.ª jornadas) ficarão sem efeito.
U. Santarém e Coruchense neutralizaram-se, não tendo desfeito o nulo no marcador, em mais uma evidência do extremo equilíbrio desta série: os escalabitanos são vice-líderes, a dois pontos do 1.º de Dezembro; em função dos ajustes referidos, a turma do Sorraia descerá ao 9.º posto (outra vez abaixo da “linha de água”), apenas a sete pontos (mas, agora, com um jogo “a menos”) do guia.
Antevisão – O U. Tomar recebe um adversário do qual guarda más memórias, o Samora Correia, esperando poder aproveitar o mau momento dos samorenses, mas sempre “desconfiando”… Em qualquer caso, o jogo que poderá vir a revelar-se mais clarificador é o que coloca frente-a-frente Amiense e Alcanenense (equipas que partilham o 3.º lugar, a cinco pontos do comandante).
No escalão secundário, com o Moçarriense de folga, destacam-se, em especial, as partidas: Espinheirense-Forense (de cariz determinante); tal como o “derby” Glória do Ribatejo-Marinhais.
No Campeonato de Portugal o U. Santarém desloca-se a Pêro Pinheiro (3.º classificado, só um ponto abaixo), enquanto o Coruchense recebe o Sintrense (8.º), em desafio de grande importância.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Fevereiro de 2023)



