Archive for Junho, 2014

Rui Costa vence Volta a Suíça em bicicleta pelo 3.º ano consecutivo

O ciclista português Rui Costa, de 27 anos, sagrou-se hoje vencedor, pelo terceiro ano consecutivo, da Volta a Suíça em bicicleta, após ter vencido a etapa final da prova. Foi a seguinte a classificação geral final da prova:

1.º Rui Costa (Portugal) – Lampre-Merida – 33:08.35
2.º Mathias Frank (Suíça) – IAM Cycling – a 0.33
3.º Bauke Mollema (Holanda) – Belkin – a 0.50
4.º Tony Martin (Alemanha) – Omega Pharma-Quick Step – a 1.13
5.º Tom Dumoulin (Holanda) – Giant-Shimano – a 2.04
6.º Steve Morabito (Suíça) – BMC – a 2.47
7.º Davide Formolo (Itália) – Cannondale – a 3.00
8.º Roman Kreuziger (R. Checa) – Tinkoff-Saxo – a 3.03
9.º Janier Acevedo Calle (Colômbia) – Garmin-Sharp – a 3.20
10.º Eros Capecchi (Itália) – Movistar – a 3.46

Para além da tripla vitória na Suíça, o actual Campeão do Mundo de ciclismo ganhou também, na sua carreira, o Grande Prémio Ciclista de Montreal (2011), 3 etapas do “Tour de France” (2011 e 2013), 5 etapas na Volta a Suíça (2010, 2012, 2013 e 2014), 4 dias de Dunkerque (2009), Volta à Comunidade de Madrid (2011) e a clássica “Primavera de Amorebieta (2013), tendo sido 2.º classificado no Paris-Nice deste ano.

22 Junho, 2014 at 3:43 pm Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XXXVIII)

Centenario - 38

(“O Templário”, 19.06.2014)

Dando sequência a um trabalho de base que vinha desenvolvendo desde há três anos, o União de Tomar havia já intercalado – entre duas temporadas como que de “lançamento” (as de 1986-87 e de 1988-89, em que obtivera por duas vezes, respectivamente no Campeonato Distrital e no Nacional da III Divisão, o 3.º lugar na classificação final) –, a conquista (em 1987-88) do título de Campeão Distrital, à qual se seguiria, na época de 1989-90, mais um êxito para o seu palmarés.

A 25 de Abril de 1990, recebendo a equipa do Nazarenos, em partida a contar para a 30.ª jornada do Campeonato Nacional da III Divisão, e vencendo categoricamente, por 3-0, o União garantia – ainda com quatro jornadas por disputar – a promoção à II Divisão B, novo escalão que se estrearia precisamente na temporada seguinte, em função da introdução da então denominada II Divisão de Honra, interposta logo abaixo da I Divisão.

«Em tarde bastante perdulária, a turma tomarense, não só deixou fugir uma soberana oportunidade para golear o seu adversário, como também e apenas confirmou a vitória nos derradeiros minutos da contenda.»(1)

A 13 de Maio, com a disputa da 33.ª e penúltima ronda, vencendo em Ferrel por 1-0, os “rubro-negros” confirmavam enfim a conquista de mais um título – o segundo em três anos, ambos sob a direcção técnica de Vítor Esmoriz –, sagrando-se antecipadamente vencedores da Série D da III Divisão, um desfecho que vinham prometendo há já largos meses.

«O União já garantiu a vitória na Série D do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão.

Na verdade, em jogo realizado no passado domingo com o Ferrel, os nabantinos ao vencerem por uma bola a zero desfizeram todas as dúvidas (se ainda as havia) acerca de quem seria o campeão da série D na época 89/90.»(2)

«Na parte complementar da contenda, a turma anfitriã, moralizada com o empate ao intervalo e com o forte vento pelas costas, tentou obter dividendos deste facto, só que o conjunto de Vítor Esmoriz, argumentando um futebol de outro gabarito, um futebol tecnicista e rente ao solo, não deu qualquer hipótese aos seus adversários e se o árbitro não anulasse aos 66 minutos de jogo, um golo a Dinis por pretenso fora de jogo, após grande confusão na área da turma da casa, o União de Tomar passaria nessa altura para o comando da partida, no entanto e com a paciência inerente a um campeão, chegou à vitória, quando faltavam 14 minutos para o final contenda, através de um golo de Bernardino, que acabado de entrar na equipa, por troca com Luís Alves, efectuou um primoroso chapéu a Damas.»(3)

Culminando mais uma brilhante temporada – em que liderou, de forma isolada, desde a 10.ª jornada, durante intermináveis seis meses (depois de ter já comandado a prova noutras quatro rondas), lutando principalmente “contra si próprio”, procurando bater, semana a semana, o seu record de invencibilidade, que perduraria durante 25 jornadas – o União,com os 54 pontos obtidos, foi a equipa mais pontuada da III Divisão; sofrendo apenas 14 golos (em 34 jornadas, tendo mantido a inviolabilidade da sua baliza em 22 dessas rondas), a turma unionista registava a defesa menos batida de entre todos os 180 clubes integrantes da I, II e III Divisões Nacionais!

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(1) Cf. “Cidade de Tomar”, 27 de Abril de 1990 – Crónica de José Duarte
(2) Cf. “O Templário”, 17 de Maio de 1990
(3) Cf. “Cidade de Tomar”, 18 de Maio de 1990 – Crónica de José Duarte

22 Junho, 2014 at 11:00 am Deixe um comentário

Mundial 2014 – Resultados e Classificações – 1ª jornada

GRUPO A        Jg  V  E  D   G  Pt  Brasil-Croácia........3-1
Brasil     Brasil  1  1  -  -  3-1  3  México-Camarões.......1-0
México     México  1  1  -  -  1-0  3  Brasil-México.........---
Camarões   Camarões  1  -  -  1  0-1  -  Camarões-Croácia......---
Croácia    Croácia  1  -  -  1  1-3  -  Camarões-Brasil.......---
                                    Croácia-México........---

GRUPO B        Jg  V  E  D   G  Pt  Espanha-Holanda.......1-5
Holanda    Holanda  1  1  -  -  5-1  3  Chile-Austrália.......3-1
Chile      Chile  1  1  -  -  3-1  3  Austrália-Holanda.....---
Austrália  Austrália  1  -  -  1  1-3  -  Espanha-Chile.........---
Espanha    Espanha  1  -  -  1  1-5  -  Austrália-Espanha.....---
                                    Holanda-Chile.........---

GRUPO C        Jg  V  E  D   G  Pt  Colômbia-Grécia.......3-0
Colômbia   Colômbia  1  1  -  -  3-0  3  C. Marfim-Japão.......2-1
C. Marfim  Costa do Marfim  1  1  -  -  2-1  3  Colômbia-C. Marfim....---
Japão      Japão  1  -  -  1  1-2  -  Japão-Grécia..........---
Grécia     Grécia  1  -  -  1  0-3  -  Japão-Colômbia........---
                                    Grécia-C. Marfim......---

GRUPO D        Jg  V  E  D   G  Pt  Uruguai-Costa Rica....1-3
Costa Rica Costa Rica  1  1  -  -  3-1  3  Inglaterra-Itália.....1-2
Itália     Itália  1  1  -  -  2-1  3  Uruguai-Inglaterra....---
Inglaterra Inglaterra  1  -  -  1  1-2  -  Itália-Costa Rica.....---
Uruguai    Uruguai  1  -  -  1  1-3  -  Itália-Uruguai........---
                                    Costa Rica-Inglaterra.---

GRUPO E        Jg  V  E  D   G  Pt  Suíça-Equador.........2-1
França     França  1  1  -  -  3-0  3  França-Honduras.......3-0
Suíça      Suíça  1  1  -  -  2-1  3  Suíça-França..........---
Equador    Equador  1  -  -  1  1-2  -  Honduras-Equador......---
Honduras   Honduras  1  -  -  1  0-3  -  Honduras-Suíça........---
                                    Equador-França........---

GRUPO F        Jg  V  E  D   G  Pt  Argentina-Bósnia-Herz.2-1
Argentina  Argentina  1  1  -  -  2-1  3  Irão-Nigéria..........0-0
Irão       Irão  1  -  1  -  0-0  1  Argentina-Irão........---
Nigéria    Nigéria  1  -  1  -  0-0  1  Nigéria-Bósnia-Herz...---
Bósnia-HerzBósnia-Herzegovina  1  -  -  1  1-2  -  Nigéria-Argentina.....---
                                    Bósnia-Herz.-Irão.....---

GRUPO G        Jg  V  E  D   G  Pt  Alemanha-Portugal.....4-0
Alemanha   Alemanha  1  1  -  -  4-0  3  Gana-EUA..............1-2
EUA        EUA  1  1  -  -  2-1  3  Alemanha-Gana.........---
Gana       Gana  1  -  -  1  1-2  -  EUA-Portugal..........---
Portugal   Portugal  1  -  -  1  0-4  -  EUA-Alemanha..........---
                                    Portugal-Gana.........---

GRUPO H        Jg  V  E  D   G  Pt  Bélgica-Argélia.......2-1
Bélgica    Bélgica  1  1  -  -  2-1  3  Rússia-Coreia Sul.....1-1
Rússia     Rússia  1  -  1  -  1-1  1  Bélgica-Rússia........---
Coreia Sul Coreia Sul  1  -  1  -  1-1  1  Coreia Sul-Argélia....---
Argélia     Argélia 1  -  -  1  1-2  -  Coreia Sul-Bélgica....---
                                    Argélia-Rússia........---

3 golos – Thomas Müller (Alemanha)

2 golos – Neymar (Brasil), Robin van Persie (Holanda), Arjen Robben (Holanda) e Karim Benzema (França)

1 golo – Marcelo (Brasil – p.b.), Oscar (Brasil), Oribe Peralta (México), Xabi Alonso (Espanha), Stefan de Vrij (Holanda), Alexis Sánchez (Chile), Jorge Valdivia (Chile), Tim Cahill (Austrália), Jean Beausejour (Chile), Pablo Armero (Colômbia), Teofilo Gutierrez (Colômbia), James Rodriguez (Colômbia), Edinson Cavani (Uruguai), Joel Campbell (Costa Rica), Oscar Duarte (Costa Rica), Marcos Ureña (Costa Rica), Claudio Marchisio (Itália), Daniel Sturridge (Inglaterra), Mario Balotelli (Itália), Keisuke Honda (Japão), Wilfried Bony (Costa do Marfim), Gervinho (Costa do Marfim), Enner Valencia (Equador), Admir Mehmedi (Suíça), Haris Seferović (Suíça), Noel Valladares (Honduras – p.b.), Saed Kolasinac (Bósnia-Herzegovina – p.b.), Lionel Messi (Argentina), Vedad Ibisevic (Bósnia-Herzegovina), Mats Hummels (Alemanha), Clint Dempsey (EUA), André Ayew (Gana), John Brooks (EUA), Sofiane Feghouli (Argélia), Marouane Fellaini (Bélgica), Dries Mertens (Bélgica), Keun-Ho Lee (Coreia do Sul) e Alexander Kerzhakov (Rússia)

18 Junho, 2014 at 1:00 am Deixe um comentário

Mundial 2014 – Alemanha – Portugal

Alemanha Portugal 4-0

Alemanha Manuel Neuer; Jérôme Boateng, Benedikt Höwedes, Mats Hummels (73m – Shkodran Mustafi) e Per Mertesacker; Philipp Lahm, Sami Khedira e Toni Kroos; Thomas Müller (82m – Lukas Podolski), Mario Götze e Mesut Özil (62m – Andre Schürrle)

Portugal Rui Patrício; João Pereira, Fábio Coentrão (65m – André Almeida), Pepe e Bruno Alves; Miguel Veloso (45m – Ricardo Costa), João Moutinho e Raul Meireles; Nani, Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida (28m – Éder)

1-0 – Thomas Müller (pen.) – 12m
2-0 – Mats Hummels – 32m
3-0 – Thomas Müller – 45m
4-0 – Thomas Müller – 78m

Num jogo – de abertura da fase final de uma competição como o Campeonato do Mundo – em que se sofre uma tão pesada derrota, e em que a equipa se vê privada de quatro dos seus elementos para a partida seguinte (Pepe, por expulsão; Rui Patrício, Fábio Coentrão e Hugo Almeida, por lesão), é tarefa muito difícil encontrar algo de positivo, sendo a natural tendência a de colocar o enfoque nos aspectos negativos.

A verdade é que este foi um jogo atípico, em que, não obstante, como tantas vezes sucede, o marcador se começa a avolumar, atingindo foros de goleada, que poderia – caso a Alemanha não tivesse notoriamente desacelerado no segundo tempo – ter atingido números ainda mais desastrosos.

A selecção portuguesa não entrou bem no encontro, deixando que a equipa alemã assumisse, logo desde os primeiros minutos, a iniciativa do jogo; nessa fase, uma primeira investida da equipa de Portugal, aos cinco minutos, teria como desfecho um tímido remate de Hugo Almeida, à figura de Manuel Neuer, um autêntico passe ao guarda-redes.

Apenas com dez minutos de jogo, num lance na área portuguesa, João Pereira, com uma abordagem algo ingénua, tocando em Mario Götze, o qual aproveitaria para forçar a grande penalidade, que o árbitro, com um critério apertado, concedeu. Estava feito o primeiro golo, a proporcionar o reforço da confiança alemã, na mesma proporção em que aumentava a “dúvida” e intranquilidade dos portugueses.

As coisas tinham já começado a correr mal, quando, apenas com 27 minutos de jogo, Hugo Almeida se lesionou, tendo de abandonar o desafio. E, somente cinco minutos volvidos – e na sequência de um pontapé de canto, após uma providencial intercepção de João Pereira, desviando pela linha de fundo a bola rematada por Mario Götze, que levava “selo de golo” -, Mats Hummels surgiria desmarcado na área, a cabecear sem apelo para o segundo golo germânico.

O minuto 36 registaria uma das poucas oportunidades da selecção nacional, todavia desaproveitada por Éder. Para, no minuto imediato, depois de um contacto entre Pepe e Thomas Müller, o jogador alemão – ignorando o conceito de “fair-play” – fazer uma simulação de agressão, contorcendo-se no chão (atitude que lhe poderia ter valido um cartão amarelo), de que o português iria “tirar satisfações”, encostando a cabeça ao adversário, o que levou o árbitro, uma vez mais rigoroso, a exibir-lhe o cartão vermelho. Foi o momento crucial do encontro.

Se já era muito complexa a tarefa da equipa portuguesa, a partir desse momento, tornou-se absolutamente irrealista qualquer expectativa de recuperação, sendo, ao invés, de surpreender que o resultado não tivesse continuado a dilatar-se. Sem que Paulo Bento tivesse feito qualquer substituição – Raul Meireles recuaria para a posição de defesa central -, no imediato, a equipa portuguesa até conseguiu aparentar alguma serenidade (a possível nas circunstâncias), sem que os alemães a tivessem asfixiado. O terceiro golo, sofrido ao cair do pano do primeiro tempo, surgiu de mais uma desconcentração, não tendo Rui Patrício, que ainda tocou na bola, tido a felicidade de a conseguir desviar da baliza.

Saindo para o intervalo já com uma pesada desvantagem, de 0-3, poderia recear-se que a derrota viesse a assumir ainda contornos mais esmagadores. Não obstante, na segunda metade do jogo – e depois de a defesa ter sido de alguma forma reconstituída, com a entrada de Ricardo Costa para a zona central, ocupando o lugar de Pepe – a selecção portuguesa, mesmo em inferioridade numérica, beneficiando do abaixamento da intensidade do jogo alemão, resistiria mais de meia hora sem sofrer golos.

E o resultado só se tornaria efectivamente severo, com o “hat-trick” de  Thomas Müller, num lance incrível, com três falhas sucessivas na zona defensiva portuguesa – as duas primeiras, de forma inacreditável, sem que ninguém tivesse a frieza de despachar a bola da zona de perigo – sendo a terceira, menos censurável, a de Rui Patrício, que, numa defesa apertada, largou a bola para a sua frente, facilitando a acção do ponta-de-lança germânico, com a baliza à sua mercê.

Antes disso já Fábio Coentrão tinha saído também lesionado, e os portugueses tinham reclamado uma grande penalidade por nítido derrube a Nani, que o árbitro, agora, com um critério “mais largo”, não assinalou.

E, para ser verdadeiro – e embora tal nem se pudesse porventura legitimamente “exigir” – Portugal não teria grandes oportunidades de golo, com a principal ocasião a surgir já em tempo de compensação, com um potente e colocado remate de Cristiano Ronaldo, a que o concentrado Manuel Neuer respondeu da melhor forma, com uma tão atenta como eficaz defesa.

Voltando ao início: pouco há a dizer de bom sobre a exibição da equipa nacional; o resultado foi muito mau – o pior de sempre em fases finais de grandes competições -, mas terá de ser mitigado pelas condicionantes que estiveram na sua origem, principalmente por quase uma hora de inferioridade numérica.

Procurando fugir ao tradicional “8 e 80”, a selecção de Portugal é capaz de muito melhor, e deverá reagir à adversidade, em ordem a poder reverter esta “primeira má impressão”. Para já, as contas são relativamente fáceis de fazer: uma nova derrota, frente aos EUA, significaria automaticamente a eliminação; um empate reduziria drasticamente as possibilidades de apuramento, dado o saldo muito negativo de golos; duas vitórias, contra os estado-unidenses e o Gana, deverão proporcionar o seguir em frente, para os 1/8 Final.

Cartão amarelo – João Pereira (11m)

Cartão vermelho – Pepe (37m)

Árbitro – Milorad Mazic (Sérvia)

Arena Fonte Nova – Salvador (17h00)

16 Junho, 2014 at 5:54 pm Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XXXVII)

UT - Centenario - 37

(“O Templário”, 12.06.2014)

Ainda na temporada de 1987-88, terminada que fora a aventura da Taça, era altura de focalizar a atenção no objectivo prioritário, o campeonato, como salientara o Presidente unionista, Dr. Dinis Martins: «Meta é a III Divisão – o jogo da Taça é só festa.»(1), que expressava também uma curiosa opinião: «somos o Benfica ou o Porto deste distrital, pois enchemos os campos todos.»(2)

Como que a recordar outras memoráveis conquistas (em particular a da primeira subida à I Divisão Nacional, em 1967-68), a 8 de Maio de 1988, na 27.ª jornada, o União de Tomar recebia, em partida decisiva, qual “final” do campeonato, o rival Torres Novas, 2.º classificado (a par do Águias de Alpiarça), tendo assim a oportunidade de – tal como, curiosamente, sucedera há vinte anos, perante o mesmo adversário, embora então em terreno alheio – fazer enfim a grande festa, de nova subida e consequente regresso aos Nacionais.

E, embalado como estava, não a desperdiçaria, acabando por se impor por 2-0, golos de Vítor Romero e de Ferreira, obtidos, respectivamente, aos 73 e aos 78 minutos – pouco depois de o guardião Jorge ter defendido uma grande penalidade a favor dos torrejanos –, assim culminando da melhor forma os largos minutos de “sofrimento”, dando ainda mais sabor às comemorações do título: beneficiando também do inesperado desaire caseiro do Águias perante o Benavente, o União, agora com sete pontos de vantagem, faltando três jornadas, sagrava-se Campeão Distrital!

«O Torres Novas enquanto contou com a frescura física do veterano Fragata foi dominando o encontro mostrando-se a equipa mais perigosa pois só a vitória lhe interessava. No entanto a equipa tomarense dispondo as suas pedras de maneira a não ser surpreendido foi respondendo com alguns ataques que todavia não surtiram o efeito desejado. […]

No segundo tempo o cariz do encontro não se alterou, mantendo-se a equipa da casa na expectativa […]. Aproveitando a frescura de Leite que acertou com a marcação a Fragata até então o melhor homem do Torres Novas a equipa da casa começou a pressionar o último reduto dos torrejanos e através de um futebol rápido e incisivo foram na procura do golo que lhes desse a tranquilidade necessária e os dois pontos em jogo. […]

Com o resultado final de 2-0 favorável aos tomarenses e a derrota do Águias em casa foi a festa no Municipal de Tomar com o público, jogadores, treinador e direcção a festejarem efusivamente a subida à 3ª divisão nacional.»(3)

Estava cumprido o “destino” do União, que assim conquistava, pela quarta vez no seu historial, o título de Campeão Distrital.

Tendo finalmente conseguido – após três anos de intensa disputa – conquistar o direito de regressar aos Campeonatos Nacionais, o União de Tomar encetara um árduo caminho de ascensão, subindo “a pulso”, visando retomar o lugar que deveria ser o seu no panorama do futebol nacional.

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(1) Cf. “Record”, 16 de Fevereiro de 1988 – Entrevista a Dinis Martins, por Mendonça Ferreira
(2) Cf. Idem, Ibidem
(3) Cf. “Cidade de Tomar”, 13 de Maio de 1988

15 Junho, 2014 at 11:00 am Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XXXVI)

Centenario - 36

(“O Templário”, 05.06.2014)

Infelizmente, a passagem pela II Divisão, na temporada de 1983-84, seria bem efémera, com uma traumática despromoção, na derradeira jornada, em situação de igualdade pontual com Beira-Mar e Caldas – com a equipa a ser surpreendida por um desempate a três, em que tinha desvantagem, quando se tinha “preparado” para um eventual desempate apenas a dois…

De regresso à III Divisão, a época de 1984-85 finalizaria de forma absolutamente inconcebível à partida, com segunda despromoção sucessiva, e o regresso ao Distrital, vinte anos depois, traduzindo uma verdadeira “queda no abismo”.

O clube encetaria então, nos anos seguintes, nova trajectória de recuperação de posições na hierarquia do futebol nacional, a qual culminaria com a excelente campanha na época de 1987-88, em que, para além da carreira no campeonato, de que trataremos na próxima semana, teve também desempenho meritório na Taça de Portugal, tendo sido a equipa dos Distritais que mais longe chegou na prova, única a atingir os 1/32 Final, eliminatória em que defrontaria o Salgueiros, então a militar na I Divisão, em desafio disputado na terça-feira de Carnaval, 16 de Fevereiro de 1988.

No “lançamento do jogo”, recordava e antecipava David Borges: «Não é um «distrital» qualquer o União de Tomar… É um clube com história no futebol português, acidentalmente caído no abismo. Já pertenceu à I Divisão, teve grandes jogadores nas suas equipas, mata, agora, saudades ao defrontar o Salgueiros, diante de quem tentará uma gracinha… possível.»(1)

E, no campo, quase esteve mesmo para haver “tomba-gigantes”! Perante uma assistência de dez mil espectadores (lotação praticamente esgotada), foi dia de festa em Tomar: «Quando Eira aos 23 minutos inaugurou o marcador levantando o público dos seus lugares, pensou-se que se estava a caminho da concretização do sonho.»(2)

«O União, tal como lhe competia, começou com precauções defensivas, actuando com o «capitão» Paulo Moura (belo jogador!) a «líbero», atrás dos centrais Bola e Eira, os quais não concediam um palmo de terreno, respectivamente, a Constantino e a Pita. E, perante este dispositivo táctico, o Salgueiros viu-se e desejou-se para chegar com êxito às balizas do sereno Jorge. […]

Perante a passividade dos salgueiristas, que lateralizavam os lances, os locais começaram a acreditar, tornaram-se atrevidos e (pasme-se!) puseram a nú todas as carências defensivas do clube da cidade invicta que, então, passou por momentos de grande apuro, vendo-se em sérias dificuldades para travar a velocidade de Ferreira, pelo flanco direito (Casimiro nunca esteve no lugar…), enquanto o chileno Vitor Romero, um jovem que actuou na Suécia, dava cartas a meio-campo. […]».»(3)

Porém, «quando já toda a assistência pensava na possibilidade do prolongamento Constantino partindo da posição irregular de fora de jogo obteve o segundo golo que ditaria a eliminação da equipa tomarense […].«(4) Titulava o jornal “A Bola”: «O golo (falso) de Constantino destruiu o sonho do União… que esteve quase a cometer a proeza de levar os salgueiristas a segundo jogo»(5).

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(1) Cf. “Record”, 16 de Fevereiro de 1988 – Artigo de David Borges
(2) Cf. “Cidade de Tomar”, 19 de Fevereiro de 1988 – Crónica de José Júlio
(3) Cf. “A Bola”, 18 de Fevereiro de 1988 – Crónica de Miguel Correia
(4) Cf. “Cidade de Tomar”, 19 de Fevereiro de 1988 – Crónica de José Júlio
(5) f. “A Bola”, 18 de Fevereiro de 1988 – Crónica de Miguel Correia

8 Junho, 2014 at 11:00 am Deixe um comentário

Rei Juan Carlos I abdica da Coroa de Espanha


20140602_Rey_4

(via)

2 Junho, 2014 at 7:51 pm Deixe um comentário

U. Tomar – Centenário (XXXV)

Centenario - 35

(“O Templário”, 29.05.2014)

A 25 de Julho de 1976, o União de Tomar teria ainda um último “contacto” (mesmo que já por via indirecta) com a I Divisão, no Campo Luís de Almeida Fidalgo, no Montijo, em partida da derradeira jornada do Torneio de Competência, qual “Final”, que daria acesso ao escalão maior. O empate poderia bastar, mas para tal seria necessário que o Salgueiros perdesse em Aveiro, frente ao Beira-Mar; uma eventual vitória garantiria automaticamente a manutenção na I Divisão…

Mas rapidamente as contas seriam “desfeitas”. Num período de pouco mais de um quarto de hora, entre os 20 e os 37 minutos, os montijenses – que o União havia deixado “para trás”, numa sensacional recuperação, no Campeonato da II Divisão de cinco anos antes, em que, também por via de uma “liguilla”, acabara por vir a ascender à divisão principal do futebol português –, marcando três golos, acabavam com as esperanças tomarenses. O resultado final, com uma pesada derrota por 0-4, seria uma infeliz forma de despedida da formação nabantina.

Passadas algumas épocas em que o clube militou na II Divisão – com especial referência à temporada de 1977-78, já aqui evocada, com as passagens por Tomar do “Rei” Eusébio e de António Simões – o União voltara a cair no escalão mais baixo do futebol nacional, a III Divisão.

Até que, enfim, depois de mais três anos de “travessia no deserto”, a 5 de Junho de 1983, ganhando por 4-1 em Nisa, o União sagrava-se vencedor da sua série da III Divisão, assim recuperando uma posição no segundo escalão do futebol em Portugal.

«Niza era palco para uma jornada que ficaria na já longa e gloriosa história do União de Tomar. Sabia-se que estava ali a última esperança da subida à 2.ª Divisão. Havia que aguardar resultados dos dois campos (Almeirim e Marinha) e havia que seguir o desenrolar dos acontecimentos neste jogo de Niza. A expectativa era enorme, por isso, Niza recebeu muitas dezenas de tomarenses, aqueles que apesar de tudo sempre acreditavam! E foi digno de se ver como apoiaram a equipa mesmo debaixo duma tremenda pancada de água! […]

Por volta da meia hora, o União marcava o seu primeiro golo. Era o caminho de uma vitória que valia uma subida de divisão, e a partir daí e com os jogadores mais descontraídos, o União nunca mais deixou de massacrar o reduto defensivo da equipa de Niza, que resistiu até ao intervalo sofrendo apenas um golo.

Na segunda parte, num terreno impróprio para jogar futebol, o União fez valer toda a sua pujança física, todo o seu melhor futebol de equipa superior em todos os aspectos. E foi um regalo ver esta equipa do União a lutar e correr na lama, na água, nos buracos! […]

O jogo entrentanto chega ao fim, era dramático ver nos rostos dos jogadores a expectativa em saber os resultados nos outros campos. E foi em pleno balneário que surgiram as primeiras informações: o União, beneficiando dos empates do Caldas e U. Santarém, estava de novo na 2.ª Divisão. Eram os gritos de euforia, eram jogadores, dirigentes e adeptos envolvidos em abraços e lágrimas, era a festa justa de uma vitória final que nunca esteve em dúvida por falta de capacidade, mas sim por contingências do futebol que pôs o União em perigo até ao último minuto da 30.ª jornada.»(1)

Melhor ainda: o União de Tomar não só garantia a subida à II Divisão, como, inclusivamente, sagrava-se vencedor da série, apurando-se para a fase final de disputa do título de Campeão. No termo de uma extasiante disputa, após sucessivas “reviravoltas”, atingia o almejado objectivo.

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(1) Cf. “Cidade de Tomar”, 9 de Junho de 1983 – Crónica de João Bernardino

1 Junho, 2014 at 11:00 am Deixe um comentário

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