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EURO 2016 – Final – Portugal – França

1-0 (a.p.)
Rui Patrício, Cédric Soares, Pepe, José Fonte, Raphaël Guerreiro, William Carvalho, Renato Sanches (Éder – 79m), Adrien Silva (66m – João Moutinho), João Mário, Nani e Cristiano Ronaldo (25m – Ricardo Quaresma)
Hugo Lloris, Bacary Sagna, Laurent Koscielny, Samuel Umtiti, Patrice Evra, Moussa Sissoko (110m – Anthony Martial), Paul Pogba, Blaise Matuidi, Dimitri Payet (58m – Kingsley Coman), Antoine Griezmann e Olivier Giroud (78m – André-Pierre Gignac)
“Melhor em campo” – Pepe
Amarelos – Cédric Soares (34m), João Mário (62m), Raphaël Guerreiro (95m), William Carvalho (98m), José Fonte (119m) e Rui Patrício (120m); Samuel Umtiti (80m), Blaise Matuidi (97m), Laurent Koscielny (107m) e Paul Pogba (115m)
Árbitro – Mark Clattenburg (Inglaterra)
Stade de France – Paris (20h00)
Link para a transmissão integral do jogo: RTPPlay
(via)

(via)
PORTUGAL É CAMPEÃO DA EUROPA!
O sonho tornou-se, enfim, realidade. Este grupo, alcançando o maior feito de sempre de toda a história do desporto português, entra, assim, na eternidade. Todavia, neste momento, depois das fortíssimas emoções e sensações desta Final, tudo parece ainda algo irreal…
No final do dia 4 de Julho de 2004, depois da maior desilusão desportiva da minha vida, não pude evitar o pensamento de que tínhamos acabado de desperdiçar uma oportunidade única, que não mais voltaríamos a ter, de conquistar o título numa grande competição internacional de futebol, a nível de selecções. Uma fantástica geração dourada; toda a envolvente de um torneio com esta magnitude, organizado em Portugal, numa extraordinária festa, durante um mês; o apoio incondicional de milhões de portugueses, expresso em todas as ruas, em todas as casas, com as cores da nossa bandeira; as provas de superação dadas, frente a adversários tão cotados e prestigiados como a Inglaterra e a Holanda (depois de ter já, também, afastado a Espanha); a qualidade do futebol praticado; por fim, uma Final que parecia feita à “nossa medida”, face a um opositor teoricamente mais fraco, uma selecção da Grécia sem pergaminhos no futebol.
Há doze anos que esperávamos por uma utópica possibilidade de redenção desse infausto dia. Há doze anos? Que digo eu? Aliás, há precisamente 50 anos, desde as amargas lágrimas de Eusébio, a 26 de Julho de 1966, em Londres, na sequência da eliminação, pela Inglaterra, no “seu” Mundial; no caso pessoal, por coincidência temporal, toda a minha vida à espera deste dia…
O dia mais feliz da minha vida desportiva chegou finalmente, neste para sempre inolvidável 10 de Julho de 2016. Tenho dificuldade em “realizar” ainda, na plenitude, o seu significado, a forma como me enche a alma e o coração, a libertação que constituiu o golo de Portugal, num grito vindo do mais fundo do meu ser, a incontida felicidade que me proporcionou, tendo ao meu lado, algo aturdido – ainda sem poder ter efectiva consciência, na inocência dos seus três anos, do que estava a acontecer -, mas feliz por me ver feliz, o meu filho.
Como, de uma vez por todas, superando o nosso fado, nos tornámos – como nação – vencedores! CAMPEÕES!
Uma proeza fantástica, absolutamente inesperada, fruto da conjugação – porventura irrepetível – de um conjunto de factores, de diversa índole, desde a indispensável sorte, uma boa dose de talento, personalidade, uma bem conseguida mescla de experiência e juventude, a grande e crescentemente reforçada união de todo o grupo, uma crença, que, a determinada altura, se tornaria inabalável, e, acima de tudo, abnegação, esforço, entrega. Numa palavra, muito trabalho.
Porque deve ser registada esta evidência: não “roubámos” nada a ninguém, nem ninguém nos “deu” nada; esta conquista é fruto do nosso trabalho, empenhamento e sofrimento.
No dia 22 de Junho, questionava-me aqui: «Como qualificar esta campanha da selecção portuguesa?»
O jogo desse dia, com a Hungria, em que, por três vezes, Portugal esteve “fora do EURO” e, por outras tantas vezes, conseguiu ripostar, e “voltar à vida”, pode ter sido determinante no percurso que se seguiria até à vitória final. Como determinante terá sido o golo da Islândia, na partida frente à Áustria, que, ao relegar-nos para o 3.º lugar no Grupo, nos encaminhou, paralelamente, para a metade mais favorável do quadro da fase de eliminatórias.
Não foi fácil o trajecto da selecção portuguesa, que – sublinham os críticos – apenas venceu um dos sete jogos disputados, no termo do tempo regulamentar de 90 minutos, tendo empatado em todos os restantes seis encontros.
Uma verdade tão insofismável quanto a de que, efectivamente, ganhámos, na fase a eliminar, três dos quatro desafios realizados (dois deles no prolongamento) – consentindo, nessas quatro partidas (incluindo três prolongamentos, ou seja, um total de 450 minutos), um único golo (face a cinco tentos apontados) -, tendo tido ainda a felicidade de triunfar no desempate da marca de grande penalidade na partida sobrante.
Como a de que, nos três confrontos da fase de grupos, foi sempre Portugal quem – então desafortunado – incansavelmente procurou a vitória (compreendem-se agora melhor, se é que dúvidas houvesse, os exuberantes festejos de islandeses, austríacos e húngaros, ao conseguir evitar ser derrotados pela nossa selecção).
Ou, por fim, ainda uma ilação fundamental: a de que nenhum adversário conseguiu ganhar a Portugal, em nenhum dos 14 jogos oficiais disputados sob o comando técnico de Fernando Santos: aos sete triunfos acumulados na fase de qualificação, somaram-se outros sete encontros de invencibilidade na fase final! Um registo que diz bem do mérito da equipa portuguesa nesta conquista.
O apuramento arrancado a “ferros” não poderia deixar de, de algum modo, condicionar o conjunto português, colocado perante um credenciado opositor, um dos que melhor futebol apresentou nesta competição, a selecção da Croácia. Assumindo uma postura realista, privilegiando o resultado à exibição, Portugal foi competente, anulando o jogo ofensivo dos croatas, para acabar por dar a “estocada” final, já no termo do prolongamento. No jogo com a Polónia, foi novamente a equipa nacional a que mais fez pela vitória, sendo a necessidade de recurso ao desempate da marca de grande penalidade algo penalizadora, felizmente bem sucedida, graças à eficácia dos nossos marcadores e à defesa de Rui Patrício. Face ao surpreendente País de Gales – que, com o seu futebol “solto”, ameaçava causar ainda maior sensação -, a vitória lusa foi tão justa como incontestada.
Chegávamos então à Final, perante uma fortemente motivada equipa da França, a jogar no seu reduto, recheada de grandes valores individuais, e que acabara de eliminar o Campeão do Mundo em título, Alemanha (que afastara a Itália, a qual, por sua vez, eliminara a Espanha), selecção que interrompera os nossos sonhos em 1984 e em 2000 (em duas meias-finais dramaticamente perdidas), perante a qual não ganhávamos há 41 anos, numa terrível sequência de dez desaires consecutivos. Nestas circunstâncias não seria legítimo – nem justo – exigir a Portugal que assumisse a responsabilidade de dominar este jogo, antes, pedia-se que fosse inteligente, rigoroso e concentrado.
A acrescer a todas as condicionantes, a figura maior da selecção portuguesa, Cristiano Ronaldo, seria colocada “fora de jogo” apenas ao fim de 8 minutos! Paradoxalmente, tal viria a converter-se em mais um factor de sucesso, por via da aglutinação de uma imensa força e vontade de vencer por parte do grupo. Um “mal que veio por bem”, tal como sucedera com as lesões de alguns jogadores (casos de Raphaël Guerreiro, André Gomes ou Pepe), forçando Fernando Santos a uma rotação de jogadores, que acabaria por vir a revelar-se também uma chave para o êxito, beneficiando do facto de dispor de um conjunto bastante homogéneo, proporcionando uma ampla diversidade de soluções alternativas sem perda de qualidade e competitividade.
Esperar-se-ia que Portugal adoptasse um plano de jogo similar ao colocado em prática frente à Croácia, que tão bons resultados dera.
Porém, bastariam quinze segundos para surgir o primeiro sinal de nervosismo, com um passe transviado no eixo da defesa portuguesa, que Griezmann não conseguiria capturar. De facto, desde início, a equipa nacional seria surpreendida pela agressividade (potenciada pelo arcaboiço físico dos seus opositores), intensidade e pressão alta da França, a não deixar “respirar” o adversário, não concedendo um “milímetro” para que pudesse avançar no terreno ou, sequer, libertar-se de tal dinâmica asfixiante. Ao contrário, eram os jogadores lusos a denotar alguma passividade.
Depois de uma primeira ocasião de perigo, curiosamente a favorecer Portugal, logo aos 4 minutos, na sequência de um lançamento longo de Cédric, a que Nani não conseguiu dar sequência, rematando por alto, seria a França a ameaçar, aos 7 minutos, mas com Griezmann a perder o ângulo, rematando ao lado, antes de, apenas três minutos volvidos, o mesmo atacante gaulês, com forte e colocado remate de cabeça, obrigar Rui Patrício a soberba intervenção, com uma espectacular estirada, a desviar por cima da trave, mostrando-se de novo atento, na sequência do respectivo canto, isto numa fase em que os franceses beneficiavam de bastante liberdade na nossa zona defensiva.
Entretanto, Ronaldo fora já atingido por Payet (ainda não estavam decorridos 8 minutos), esboçando desde logo um esgar de dor. Num primeiro momento chegou a dar a sensação de ter recuperado, mas, pouco depois do quarto de hora, percebeu-se que a lesão não lhe permitiria prosseguir em campo. Depois de três minutos a receber assistência, Cristiano, com o joelho ligado, ensaiaria ainda o regresso ao terreno de jogo, mas logo se viu que continuava a coxear. Estavam passados 25 minutos quando Ronaldo, em lágrimas, teve mesmo de sair de maca, substituído por Ricardo Quaresma, passando a braçadeira de capitão a Nani.
Um início de Final com elevada carga de dramatismo, acentuada por mais um remate muito perigoso da França, numa poderosa arrancada de Sissoko, a sair por cima, depois de tabelar na defesa portuguesa, aos 22 minutos. A intensidade nervosa acentuar-se-ia então para os jogadores nacionais, bastante revoltados pela forma como o seu capitão vira interrompida a participação neste jogo decisivo, passando por um período de algum desnorte, órfãos do seu líder em campo.
Aos 34 minutos, Rui Patrício outra vez a salvar a equipa, noutro perigosíssimo remate de Sissoko, já bem dentro da área. Notoriamente, Portugal necessitava então de um “time-out”, para que Fernando Santos pudesse serenar as hostes, com o intervalo a tornar-se uma urgência, numa altura em que a França continuava com elevados níveis de agressividade, quer nos lances ofensivos, quer nos defensivos, perante alguma contemporização do árbitro.
À passagem do minuto 40, a selecção lusa teria enfim uma boa iniciativa de ataque; pena não ter sido expedita no remate à baliza, gorando-se a oportunidade. Era, não obstante, um indício de que, se a equipa conseguisse “sobreviver” a este período delicado, em que tudo poderia ter “desabado” – se não tivesse possibilidade de contra-atacar, deveria pelo menos procurar ter o maior índice de posse de bola possível -, as coisas se poderiam recompor… e, eventualmente, os franceses começariam a “duvidar” de si próprios.
No recomeço, ainda antes dos dez minutos, já a equipa portuguesa passara a conseguir sair mais vezes para o contra-ataque; havia que procurar ser eficaz… Ao quarto de hora, uma boa jogada da selecção nacional era como que um sinal de viragem na tendência do jogo; dobrado que fora o “Cabo das Tormentas”, o tempo corria a nosso favor; o ascendente psicológico e motivacional inclinava-se para o nosso lado. Portugal começava a “ganhar” a Final.
Porém, cerca dos 75 minutos, mais um lance de grande “frisson” junto da baliza lusa, numa soberana ocasião de golo para os franceses, num remate cruzado de Giroud, a que Rui Patrício, uma vez mais, deu resposta atenta. Até que, aos 79 minutos, se daria outro decisivo “turning point” no jogo, com a entrada de Éder, que, beneficiando do desgaste dos adversários, em contraponto com a sua frescura física, iria colocar os gauleses “em sentido”.
Logo no minuto seguinte, a melhor oportunidade de golo para Portugal (no seu primeiro remate à baliza…): um potente centro-remate de Nani, a proporcionar a Lloris uma espectacular defesa, que repetiria de imediato, na sequência da recarga de Quaresma, numa tentativa de “pontapé de moinho”. Pouco depois, registo ainda para uma outra boa iniciativa do conjunto português, que estava agora “por cima”, com Nani a rematar forte, mas ao lado.
Mas, ainda antes do termo do tempo regulamentar, Rui Patrício salvaria uma vez mais a sua equipa, com outra estupenda defesa, novamente a um fortíssimo remate de Sissoko, de meia distância. Para, no segundo minuto de compensação, Portugal ter então o seu momento de sorte (grande): no único lance em que Gignac conseguiu ludibriar Pepe, surgindo isolado face ao guarda-redes, embora descaído sobre a esquerda do ataque, rematou de forma perigosíssima, com a bola, caprichosamente, a bater no poste e a ressaltar para a zona da pequena área… onde não havia nenhum francês para a recarga.
A Final ia para prolongamento. E, então, na pausa que antecedeu os 30 minutos suplementares, regressou ao Estádio Cristiano Ronaldo, a coxear, primeiro para “mimar”, motivar e incentivar os seus companheiros, para, retomado o curso do jogo, assumir então um empolgante acompanhamento da evolução do jogo junto à linha lateral, não cessando de dar instruções para dentro do campo, como verdadeiro comandante do grupo, “empurrando” a sua equipa para a vitória.
Far-se-ia então notar o menor desgaste físico da equipa portuguesa (tivera mais um dia de descanso que o opositor). Ainda antes de concluída a primeira parte do prolongamento Portugal começaria por dar um primeiro aviso, na sequência de um canto apontado por Quaresma, num colocado cabeceamento de Éder, após excelente impulsão, aos 104 minutos, detido com dificuldade por Lloris. Para, aos 108 minutos, na conversão de um livre, Raphaël Guerreiro fazer a bola embater com estrondo na trave, com o guardião francês batido: as duas equipas passavam a estar igualadas em lances desta natureza.
Apenas um minuto volvido, o momento épico deste jogo, que entra na história, para recordar durante muitas décadas: na sequência de um lance algo confuso a meio-campo, após reposição de bola dos franceses pela linha lateral, João Moutinho, apertado entre dois contrários, conseguiria recuperá-la, atrasando ligeiramente para William Carvalho, que passou a Quaresma, o qual, de primeira, devolveu a Moutinho, a desmarcar Éder; este, saindo com a bola controlada, foi progredindo, internando-se para a faixa central, desenvencilhando-se e desviando-se dos adversários, até encontrar uma nesga para o remate – ainda do “meio da rua” -, a sair forte e colocado, com a bola a desviar do guardião contrário, a entrar quase junto ao poste, sem hipótese de defesa. Um “golaço”… Era o delírio!
Faltavam ainda mais de dez minutos de jogo, mas, até final, Portugal resistiria de forma serena às desesperadas tentativas francesas, agora mais com o coração que com a cabeça. Ao invés, de forma muito inteligente, com Éder a proteger a bola e a ganhar sucessivas faltas, que colocavam a França à “beira de um ataque de nervos”, o tempo foi-se esgotando, sempre com Ronaldo a funcionar como “segundo treinador”, junto à linha, em perfeita sintonia com Fernando Santos.
A natural superioridade francesa nas estatísticas de jogo: 18-9 em remates (7-3 em remates à baliza), 9-5 em cantos, 53-47% em termos de posse de bola, em nada ofusca o brilhante triunfo de Portugal, fruto de um magnífico espírito de grupo, que Fernando Santos magistralmente soube construir e reforçar, passo a passo, superando cada etapa a caminho da glória, em que, primeiro, só ele terá acreditado, para depois, ir gradualmente incutindo tal crença nos seus jogadores, os nossos heróis.
PORTUGAL É CAMPEÃO DA EUROPA!
MUITO OBRIGADO!
EURO 2016 – 1/2 Finais – Portugal – P. Gales

2-0
Rui Patrício, Cédric Soares, Bruno Alves, José Fonte, Raphaël Guerreiro, Danilo Pereira, João Mário, Renato Sanches (74m – André Gomes), Adrien Silva (79m – João Moutinho), Nani (86m – Ricardo Quaresma) e Cristiano Ronaldo
Wayne Hennessey, James Chester, James Collins (66m – Jonathan Williams), Ashley Williams, Chris Gunter, Joe Allen, Joe Ledley (58m – Sam Vokes), Andy King, Neil Taylor, Hal Robson-Kanu (63m – Simon Church) e Gareth Bale
1-0 – Cristiano Ronaldo – 50m
2-0 – Nani – 53m
“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo
Amarelos – Bruno Alves (71m) e Cristiano Ronaldo (72m); Joe Allen (8m), James Chester (62m) e Gareth Bale (88m)
Árbitro – Jonas Eriksson (Suécia)
Stade de Lyon – Lyon (20h00)

Estamos na Final!
Enfim, ao sexto jogo do Europeu, a vitória nos noventa minutos. Justa, cristalina, incontestável.
Portugal entrava em campo – pela primeira vez no seu historial, na 7.ª presença em meias-finais de grandes competições a nível internacional (5.ª em fases finais de Campeonatos da Europa) – como favorito, frente a um “estreante” nestas andanças, País de Gales.
Pese embora privada de Pepe (ausente por lesão, substituído por Bruno Alves, curiosamente o único jogador de campo que ainda não se estreara na prova) e de William Carvalho, a cumprir suspensão disciplinar (rendido por Danilo), a selecção nacional assumiria, desde o primeiro minuto, tal condição, lançando-se desenfreadamente sobre o meio-campo contrário, mas com um ritmo e dinâmica demasiado impulsivos, falhos da necessária organização.
Após um quarto de hora inicial de grandes “correrias”, mas completamente ineficaz (nem um único remate enquadrado com a baliza, para amostra) – tendo entretanto os portugueses reclamado mais uma grande penalidade, por “gravata” de um defesa galês sobre Ronaldo, a terceira não sancionada, em outros tantos jogos -, seria inevitável um abaixamento da intensidade do jogo, o que, de imediato seria aproveitado pelos galeses, para, sem alardes, em lances de grande pragmatismo, se acercarem da área portuguesa e criarem perigo, com três remates num período de menos de dez minutos.
Com o avançar do tempo, as equipas pareciam ir encaixando cada vez mais uma na outra, anulando-se mutuamente; ao intervalo – e não obstante Portugal ter criado o lance de maior perigo no derradeiro minuto, com Cristiano Ronaldo a cabecear sobre a trave, após centro de Adrien -, computava-se um único remate à baliza, e, curiosamente, a favor de Gales.
Os portugueses sofriam e começavam a impacientar-se, recordando os jogos com Islândia e Áustria, na fase de grupos, quando, logo ao quinto minuto do segundo período, Portugal conseguiu enfim “desatar o nó”: na conversão de mais um canto, João Mário colocaria a bola, com um passe curto, em Raphaël Guerreiro, o qual, com um centro perfeito para a zona de intervenção de Ronaldo, lhe proporcionou, com um sensacional impulso, voando acima dos centrais, cabecear de forma imparável para o fundo da baliza de Hennessey.
Estava feito o mais difícil: o golo que permitiria ao grupo português serenar, e passar a explanar de forma mais ordenada e consequente o seu futebol. A equipa nacional seria então feliz, na medida em que, apenas três minutos volvidos – ainda antes de a turma de Gales sequer pensar em esboçar qualquer tipo de reacção -, praticamente sentenciaria o desfecho desta meia-final.
Uma vez mais Ronaldo, ainda de fora da área, a tentar o remate, que, contudo, parecia sair fraco e denunciado, à figura do guardião contrário, quando Nani, liberto – aproveitando ainda uma simulação de Renato Sanches, a deixar passar a bola, sem lhe tocar -, a desviou subtilmente, ampliando a vantagem lusa para 2-0.
Não obstante faltassem ainda cerca de 40 minutos por jogar, desde logo se anteviu que o ascendente motivacional português seria determinante até final do desafio, não permitindo ao opositor qualquer veleidade.
De forma rápida, o País de Gales esgotou as três substituições, alterando o seu sistema táctico, o que abriria espaço para o contra-golpe português, que dispôs então de algumas oportunidades para dilatar a vantagem: logo aos 65 minutos, com Nani a obrigar o guarda-redes galês a defesa incompleta, tendo João Mário, na recarga, rematado ao lado do poste, desperdiçando o golo de forma incrível; apenas cinco minutos volvidos, na sequência de um canto, Fonte a rematar de cabeça, com boa intervenção de Hennessey; e aos 73 minutos, em mais um lance de contra-ataque, Renato Sanches, a rematar algo precipitadamente, ainda de fora da área, gorando-se a possibilidade de marcar.
O mesmo Renato seria então substituído, e, por alguns minutos, Portugal pareceu ter dificuldades em fazer os devidos ajustamentos tácticos (cinco minutos mais tarde seria Adrien a ceder também o seu lugar no meio-campo português), surgindo então a fase de maior perigo do País de Gales, a obrigar Rui Patrício a mostrar concentração, aos 77 e 80 minutos.
No entretanto, Danilo, a surgir isolado frente ao guardião contrário, poderia ter também colocado o marcador em 3-0, o que, a concretizar-se, teria dado sequência lógica à tendência do jogo, sempre com Portugal mais perto do terceiro tento, do que o País de Gales de reduzir a desvantagem. Finalmente, já a quatro minutos do termo da partida, Ronaldo, perdendo o ângulo, acabaria por rematar à malha lateral da baliza galesa.
As estatísticas do jogo constituem apenas mais um indicador da clara superioridade manifestada pela turma portuguesa nesta partida, perante um brioso e digno grupo galês: 17-9 em remates; 6-3 em remates à baliza; 6-2 em cantos; pese embora uns ilusórios 46-54% em posse de bola.
Fazendo história, pela segunda vez a selecção de Portugal atinge a Final do Campeonato da Europa de Futebol, uma nova oportunidade, a não desperdiçar, de se poder sagrar Campeã!
EURO 2016 – 1/4 de final – Polónia – Portugal

1-1 (3-5 g.p.)
Łukasz Fabiański, Łukasz Piszczek, Kamil Glik, Michał Pazdan, Artur Jędrzejczyk, Jakub Błaszczykowski, Grzegorz Krychowiak, Krzysztof Mączyński (98m – Tomasz Jodłowiec), Kamil Grosicki (82m – Bartosz Kapustka), Arkadiusz Milik e Robert Lewandowski
Rui Patrício, Cédric Soares, Pepe, José Fonte, Eliseu, João Mário (80m – Ricardo Quaresma), William Carvalho (96m – Danilo Pereira), Renato Sanches, Adrien Silva (73m – João Moutinho), Nani e Cristiano Ronaldo
1-0 – Robert Lewandowski – 2m
1-1 – Renato Sanches – 33m
Desempate da marca de grande penalidade:
0-1 – Cristiano Ronaldo
1-1 – Robert Lewandowski
1-2 – Renato Sanches
2-2 – Arkadiusz Milik
2-3 – João Moutinho
3-3 – Kamil Glik
3-4 – Nani
Jakub Błaszczykowski permitiu a defesa a Rui Patrício
3-5 – Ricardo Quaresma
“Melhor em campo” – Renato Sanches
Amarelos – Artur Jędrzejczyk (42m), Kamil Glik (66m) e Bartosz Kapustka (89m); Adrien Silva (70m) e William Carvalho (90m)
Árbitro – Felix Brych (Alemanha)
Stade Vélodrome – Marseille (20h00)
Era legítima a expectativa que seria desta: Portugal – assumindo a sua condição de favorito – poderia, enfim, vencer um jogo neste Europeu, durante o tempo regulamentar de 90 minutos.
Porém, e pese embora os alertas do seleccionador antes da partida, a selecção nacional entraria praticamente a perder, consentindo um golo logo no segundo minuto: uma desatenção de Cédric, a falhar a intercepção, permitindo a Grosicki ir à linha de fundo cruzar, atrasado, para Lewandovski, livre de oposição, de primeira, marcar sem dificuldade.
Seria difícil pior começo. Nos minutos seguintes, a equipa portuguesa tardou a serenar, procurando algo precipitadamente construir lances ofensivos, mas, paralelamente, colocando em risco a sua zona mais recuada, devido a diversas perdas de bola, com Milik (remate ao lado) e Lewandowski (a testar a concentração de Rui Patrício) a ameaçar, à passagem do quarto de hora de jogo.
Só na viragem do primeiro terço do tempo regulamentar Portugal conseguiria tornar-se mais efectivo, com uma sequência de três lances: primeiro, aos 29 minutos, Ronaldo, em posição frontal, a rematar rasteiro, mas pouco potente (não “pegou” bem na bola), com Fabianski também atento; logo de seguida, apenas dois minutos volvidos, de novo Ronaldo, na área, a ser travado em falta, por carga pelas costas de Pazdan, outra vez sem a correspondente sanção, de grande penalidade, por parte de um árbitro que, até ao momento, dispunha da melhor avaliação global neste Europeu; para, outros dois minutos decorridos, surgir mesmo o tão ansiado golo do empate.
O “rebelde” Renato Sanches, a combinar na perfeição com Nani, a quem passou a bola, com este a devolver de primeira, e o jovem médio português a receber com o pé direito, rematando com o esquerdo, de forma colocada, beneficiando ainda de um desvio em Krychowiak, sem hipóteses para o guardião polaco.
No segundo tempo a toada de jogo não se alteraria, sempre com a selecção portuguesa mais afoita, a assumir a iniciativa do jogo, na sequências de rápidos lances de ataque.
Ainda não estavam decorridos os primeiros quinze minutos da segunda parte quando Ronaldo, isolado, mas descaído sobre a esquerda, acabou por rematar, já de ângulo reduzido, à malha lateral, quando tinha João Mário em posição privilegiada para marcar…
E, à passagem dos 60 minutos, depois de Ronaldo falhar novamente o remate, já em plena área adversária, a bola sobraria para Adrien, o qual, contudo, na recarga, veria o remate interceptado por um defesa polaco. Para, aos 65 minutos, ser Cédric a surgir liberto na meia-direita, ainda fora de área, a rematar cruzado… muito próximo do poste.
Da parte dos polacos, só próximo dos 70 minutos voltariam a importunar a defesa portuguesa, quando Milik surgiu ao primeiro poste, a desviar com perigo, para a defesa de Rui Patrício.
Até final dos 90 minutos o ritmo e intensidade de jogo começariam gradualmente a cair, mas Portugal teria ainda mais algumas oportunidades para materializar o seu melhor futebol: aos 79 minutos, José Fonte, a cabecear à figura de Fabiański; apenas dois minutos depois, numa investida de Pepe pelo centro, a tentar desmarcar Ronaldo, um defesa polaco antecipou-se, cortando o lance, mas de forma perigosa, na direcção da sua baliza, quase fazendo auto-golo; para, finalmente, a menos de cinco minutos do final da partida, na sequência de excelente passe de João Moutinho, aparecer Ronaldo, isolado na área, a dispor da “vitória nos pés”, mas a falhar o remate, dando um pontapé… na atmosfera!
Desperdiçada que fora a supremacia manifestada pelos portugueses, contudo – uma vez mais – sem tradução no marcador, chegava-se assim ao que constituía o segundo prolongamento para ambas as equipas, em dois jogos da fase a eliminar. Mais, para Portugal, era o quinto empate consecutivo em outros tantos jogos (nos 90 minutos) nesta edição da competição (sexta igualdade sucessiva, contando com as 1/2 finais do “EURO” 2012)!
Esperava-se, de novo, que fosse a selecção nacional a ir em busca do golo, procurando beneficiar da condição física dos jogadores contrários, que acusavam já notórios sinais de fadiga. Contudo, e não obstante a rotação que Fernando Santos tem imprimido no “onze” português, rapidamente se veria que Portugal não conseguiria impedir o que a Polónia, desde cedo – jogando na expectativa do erro adversário – passou a ter como objectivo prioritário: manter a igualdade, e levar o desempate para a marca de grande penalidade (fórmula que lhes proporcionara o triunfo ante a Suíça).
Efectivamente, em todo o período de trinta minutos do prolongamento, há apenas a salientar uma ocasião soberana de golo, logo após a passagem do primeiro minuto, outra vez com Ronaldo, livre de marcação, a não acertar bem na bola, não conseguindo completar o desvio para as malhas… A registar ainda o esforço do sacrificado Nani, a cabecear ao lado (aos 98 minutos), e, aos 103 minutos, a rematar novamente à figura do guarda-redes polaco.
Não querendo – ou não tendo frescura física – para arriscar ganhar o jogo no prolongamento, tempo que assim acabaria por “desperdiçar”, Portugal arriscava a decisão da marca de grande penalidade, de alguma forma favorecendo as pretensões polacas, que, deste modo, passavam a dispor de 50% de probabilidades de êxito, bem mais do que o que denotavam em termos de jogo jogado, de que, neste caso, as estatísticas nem dão a mais apropriada tradução: 21-14 em remates (embora apenas 6-5 em remates à baliza); 7-2 em cantos; e uns curiosos 46-54% em termos de posse de bola.
Mas, então, necessariamente sempre com alguma dose de felicidade, os portugueses deram mostra de grande eficácia – e inteligência na opção pela sequência dos marcadores, com Ronaldo a apontar o primeiro, e ficando reservados Nani e Quaresma (outra vez a marcar o tento da vitória, tal como no desafio ante a Croácia) para os remates decisivos -, conseguindo converter todas as suas cinco tentativas, já depois de, no quarto remate polaco, Rui Patrício se ter oposto de forma notável, detendo a bola, garantindo assim a preciosa vantagem que coloca Portugal na sua quinta meia-final de Campeonatos da Europa (nas sete vezes em que marcou presença na fase final) – quarta nas últimas cinco edições da competição (2000, 2004, 2012 e 2016)!
EURO 2016 – 1/8 de final – Croácia – Portugal

0-1 (a.p.)
Danijel Subašić, Darijo Srna, Vedran Ćorluka (120m – Andrej Kramarić), Domagoj Vida, Ivan Strinić, Marcelo Brozović, Luka Modrić, Milan Badelj, Ivan Perišić, Ivan Rakitić (110m – Marko Pjaca) e Mario Mandžukić (88m – Nikola Kalinić)
Rui Patrício, Cédric Soares, Pepe, José Fonte, Raphaël Guerreiro, João Mário (87m – Ricardo Quaresma), Adrien Silva (108m – Danilo Pereira), William Carvalho, André Gomes (50m – Renato Sanches), Nani e Cristiano Ronaldo
0-1 – Ricardo Quaresma – 117m
“Melhor em campo” – Renato Sanches
Amarelo – William Carvalho (78m)
Árbitro – Carlos Velasco Carballo (Espanha)
Stade Bollaert-Delelis – Lens (20h00)
Hoje, enfim, uma bela dose de sorte. Mas a sorte dá muito trabalho…
Hoje, as estatísticas foram “ao contrário”: 5-17 em remates (dos quais, 2-9 no prolongamento!); 2-0 em remates à baliza (os dois, aliás num único lance, que acabaria por resultar no golo de Portugal, já na parte final da segunda parte do prolongamento, depois de mais de 115 minutos sem um único remate à baliza, de qualquer das equipas!); 2-6 em cantos; 41-59% em termos de posse de bola.
Numa partida entre duas selecções bastante niveladas, a Croácia mostrou ser ligeiramente superior, superioridade que a selecção portuguesa aceitou – o que, aliás, acabaria por frutificar em seu favor -, mas a verdade é que as equipas “encaixaram uma na outra” por completo, praticamente anulando-se, jogando sempre de forma bastante contida, numa toada de “risco mínimo”.
Recordemos os (bem pouco numerosos) principais momentos do jogo:
- aos 25 minutos, na sequência de um livre, Pepe a cabecear por cima da trave;
- aos 30 minutos, Perišić a tentar um remate cruzado, com perigo, ao lado do poste;
- aos 52 minutos, na sequência de um canto, Brozović a desperdiçar uma grande oportunidade, rematando ligeiramente por cima da barra;
- aos 64 minutos, Nani é atingido nas costas por um adversário, já em plena grande área croata, lance que, contudo, não seria sancionado com a correspondente grande penalidade;
- aos 113 minutos, após outro canto, Vida a cabecear também por alto;
- aos 116 minutos, Perišić, de cabeça, a rematar à base do poste, com Rui Patrício ainda a “safar” o ressalto;
- aos 117 minutos, Ricardo Quaresma, que tinha começado por recuperar a bola na zona defensiva, na posição do defesa direito, junto à linha lateral, a ir concluir a jogada, cabeceando para a baliza deserta, culminando no golo de Portugal, depois da muito apertada defesa de Subašić a um primeiro remate, de Cristiano Ronaldo;
- aos 122 minutos, já com o guardião Subašić na área portuguesa, Vida a desperdiçar uma flagrante ocasião de golo, rematando dentro da pequena área, mas a bola, com uma trajectória caprichosa, a sair ligeiramente ao lado.
O acumular de momentos de jogo nos derradeiros dez minutos ilustra bem as dificuldades físicas que ambos os conjuntos – em especial o português – experimentavam já, nessa fase.
No final, a Croácia acabaria por ser penalizada – para além da falta de eficácia, sem conseguir enquadrar um único remate à baliza em todo o jogo! – pela falta de ousadia para arriscar mais em busca do golo, logo no tempo regulamentar.
Quando, por fim o fez, nos últimos dez minutos do prolongamento, procurando explorar o esgotamento da formação portuguesa (em especial, Adrien Silva, que acabara de sair de campo, Nani e Cristiano Ronaldo – hoje em missão de sacrifício, isolado na frente do ataque português – estavam já nos seus limites), acabou por ser traída pelo excessivo balanceamento ofensivo.
Viria a ser apanhada em contra-pé, no tal lance, em que Quaresma – ainda relativamente “fresco”, apenas com 30 minutos de jogo nas pernas – veio ajudar a defesa, recuperando a bola, que, passando brevemente por Cristiano Ronaldo (igualmente na mesma zona do terreno), logo chegou aos pés de Renato Sanches (também com 50 minutos de desgaste a menos que os restantes), o qual galgou dezenas de metros com a bola, aproveitando o terreno livre à sua frente, tendo sido acompanhado por Nani (à esquerda) e Ronaldo (à direita).
Perante as duas opções que lhe eram proporcionadas, Renato ainda hesitou, antes de passar a bola a Nani; este ensaiou o remate, que saiu algo enrolado, indo a bola ter com Ronaldo, do lado oposto, que rematou para a espectacular defesa de Subašić, mas que, contudo, não conseguiria detê-la, o que proporcionaria que Quaresma – depois de correr quase toda a extensão do campo, e em diagonal, da direita para a esquerda – surgisse perfeitamente à vontade, para, a menos de um metro da linha de golo, empurrar a bola para o fundo da baliza.
Portugal, feliz, via premiado o esforço, rigor e concentração que pusera dentro de campo, ao longo de 120 minutos de jogo muito táctico, mas bastante intenso.
Uma vitória fundamental, permitindo à selecção portuguesa superar um dos principais obstáculos da metade superior do quadro da fase eliminatória.
EURO 2016 – Grupo F – 3ª jornada – Hungria – Portugal

3-3
Gábor Király, Ádám Lang, Richárd Guzmics, Roland Juhász, Mihály Korhut, Balázs Dzsudzsák, Zoltán Gera (45m – Barnabás Bese), Ákos Elek, Ádám Pintér, Gergő Lovrencsics (83m – Zoltán Stieber) e Ádám Szalai (71m – Krisztián Németh)
Rui Patrício, Vieirinha, Pepe, Ricardo Carvalho, Eliseu, André Gomes (61m – Ricardo Quaresma), William Carvalho, João Moutinho (45m – Renato Sanches), João Mário, Nani (81m – Danilo Pereira) e Cristiano Ronaldo
1-0 – Zoltán Gera – 19m
1-1 – Nani – 42m
2-1 – Balázs Dzsudzsák – 47m
2-2 – Cristiano Ronaldo – 50m
3-2 – Balázs Dzsudzsák – 55m
3-3 – Cristiano Ronaldo – 62m
“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo
Amarelos – Richárd Guzmics (13m), Roland Juhász (28m), Zoltán Gera (34m) e Balázs Dzsudzsák (56m)
Árbitro – Martin Atkinson (Inglaterra)
Stade de Lyon – Lyon (17h00)
Por onde começar? Como qualificar esta campanha da selecção portuguesa?
Para já, o objectivo mínimo foi atingido, pese embora “arrancado a ferros” – estranhamente, sem ter obtido qualquer vitória (mas, também, sem derrotas) -, avançando para a fase a eliminar, como terceiro melhor dos 3.º classificados dos seis grupos (ou seja, como 15.ª equipa da hierarquia, de entre as 16 apuradas), assim acabando por consumar a eliminação… da Albânia.
Sobre esta partida em concreto, não é fácil destrinçar os efeitos da aleatoriedade do jogo dos da falta de competência denotada. Se, nos dois desafios anteriores, fora a acção ofensiva que se mostrara absolutamente ineficaz (um único golo apontado em 50 remates!), desta feita foi a defesa a claudicar de forma bastante comprometedora (também como reflexo da estrutura táctica adoptada e do balanceamento ofensivo do meio-campo?).
A verdade é que, para um encontro em que o empate (0-0) servia perfeitamente as pretensões de ambos os contendores, o ritmo foi, desde início, bastante acelerado, jogando-se em “alta rotação”, de parte a parte.
Assumindo o que fora prometido pelos seus responsáveis, Portugal entrou em campo com a disposição de procurar o triunfo, mas com a Hungria, com grande mobilidade, a ripostar em toada de “parada e resposta”. E, na sequência de um dos únicos três cantos de que dispôs, tirando partido de um alívio incompleto de Eliseu, surgiu Gera, com um colocado remate de ressaca, de fora da área, com a trajectória perfeita, a passar por uma “floresta de pernas” e a entrar junto ao poste da baliza, sem hipóteses para o guardião nacional.
Contrariamente ao que seria expectável, a selecção portuguesa começava, ainda cedo, por se ver em posição de desvantagem e ter de “correr atrás do prejuízo”. Seguiu-se uma fase em que a equipa acusou o tento sofrido, tendo demorado algum tempo até se (re)encontrar.
Mas, sem baixar os braços – havia muito tempo para jogar ainda -, acabaria por, na sequência de uma excelente desmarcação de Cristiano Ronaldo, a “rasgar” a defesa contrária, para as suas costas, surgindo Nani isolado, que, de primeira, fez o golo do empate (o segundo da sua conta pessoal), com Király a parecer não ter feito tudo o que deveria para deter a bola.
O golo surgia em momento ideal, antes do intervalo, sendo portanto de prever que, no recomeço, a atitude e disposição do conjunto português fosse bem mais confiante e segura. Contudo, logo no segundo minuto, os húngaros beneficiaram de um livre perigoso, que viria a dar origem a que o remate de Dzsudzsák, ressaltando num jogador luso, atraiçoasse Rui Patrício.
Valeu então, quase de pronto, menos de três minutos volvidos, um lance de magia de Cristiano Ronaldo, a dar a melhor conclusão a um bom centro de João Mário, desviando a bola para o fundo da baliza, com um toque subtil de calcanhar, restabelecendo a igualdade. Um momento fulcral, pela prontidão com que a equipa foi capaz de reagir, pela segunda vez, à adversidade.
Mas a história do jogo estava ainda longe de estar contada… Mais cinco minutos decorridos, novo livre a favor da Hungria, dando desde logo a sensação de algum pânico instalado na defesa portuguesa. Uma vez mais, com grande (in)felicidade, o remate de Dzsudzsák embateria num jogador português, desviando a trajectória da bola, impossibilitando, outra vez, o nosso guarda-redes de reagir a tempo de evitar o golo.
Era demais! Pela terceira vez a selecção de Portugal via-se “fora do EURO”… mas, não virando a cara à luta, não desistindo, culminaria este frenético período de vinte minutos, com o justo e merecido prémio, o do terceiro golo, que lhe permitia, pela terceira vez, reerguer-se: Quaresma entrara em campo há um minuto, acabara de marcar um canto, e, ao segundo toque na bola, fez um excelente cruzamento para a área, onde Cristiano Ronaldo, imperial, com um cabeceamento perfeito, voltou a resgatar a equipa portuguesa das “profundezas” para que se ia vendo empurrada.
A Hungria provocaria ainda mais um grande susto, rematando ao poste, mas, no quarto de hora entre os 65 e os 80 minutos, efectivamente só Portugal pretendeu ainda tentar chegar à vitória. Até que, já nos últimos dez minutos, Fernando Santos optaria por colocar “trancas à porta”, fazendo entrar Danilo Pereira por troca com Nani. Para, nos derradeiros três minutos, a Hungria acabar mesmo por abdicar de jogar, limitando-se a trocar a bola, em passes muito curtos, de pé para pé, na sua zona intermediária, sem que os portugueses quisessem então arriscar ainda.
O apuramento estava “garantido”; não era altura de deitar tudo a perder. Pouco depois, o árbitro daria o jogo por findo; e, uma vez mais, foi o adversário a festejar com exuberância o empate – tal como sucedera já nos anteriores dois jogos de Portugal…
As estatísticas do jogo poderão ser uma pista para compreender tal contentamento húngaro (a par, naturalmente, do facto de, deste modo, terem mantido o 1.º lugar no Grupo): 19-10 em remates (pese embora uma tangencial vantagem de apenas 6-5 em remates à baliza); 9-3 em cantos (8 deles, a favor de Portugal, na primeira parte); 58-42% em termos de posse de bola.
Só que, com tantos golos marcados, Portugal acabara então por (em função da fórmula de desempate, de maior número de golos marcados) ultrapassar a Islândia – que, quando a nossa partida terminou, defendia acerrimamente o empate a um golo ante a Áustria, que lhe proporcionava também a qualificação -, ascendendo assim ao 2.º lugar da classificação, o que colocava a selecção nacional na indesejada parte baixa do quadro da fase a eliminar.
Até que, no outro jogo, surgia o “golpe de teatro”: no quarto e último minuto do tempo de compensação, aproveitando o total balanceamento ofensivo dos austríacos, numa desesperada tentativa de chegar ao golo, a Islândia, num rápido lance de contra-ataque, com vários jogadores a galgar terreno completamente livre, sem qualquer oposição, surgindo isolados na cara do guardião da Áustria, marcava um esfuziantemente celebrado golo, que lhe dava o triunfo e, por consequência, permitia retomar a 2.º posição.
Nunca uma baixa do 2.º ao 3.º lugar, como então sucedeu a Portugal, foi tão festejada (pelos portugueses!), que, assim, defrontarão nos 1/8 de final a Croácia (em vez da Inglaterra), mas, mais importante – caso consigam ultrapassar o duro obstáculo que se lhes coloca – poderão ter um percurso menos “espinhoso” nas eliminatórias seguintes.
Mas, para tal, será necessário jogar de forma bem mais concentrada e rigorosa, importando assegurar os equilíbrios necessários para poder ombrear com uma equipa tão poderosa como a croata, com um futebol de grande qualidade, que, sem integrar o lote dos grandes “colossos”, será, hoje por hoje, de nível similar ao da selecção portuguesa, porventura mesmo superior.
Será importante evitar que volte a permitir-se a ocorrência de um “jogo louco” como o de hoje, com a equipa portuguesa – uma vez mais infeliz, desta feita, nos lances algo fortuitos que originaram os três golos do adversário, mas que, em primeira análise, decorrem da excessiva liberdade de espaço que foi concedida à formação húngara, que teve oportunidade de manobrar mais ou menos “à vontade” – a ter de, por vezes, já algo em desespero, ir em busca da “salvação”, num jogo de nervos à flor da pele, pleno de sofrimento e ansiedade até ao último minuto.
E, ainda, é fundamental colocar termo a esta pulsão para uma espécie de auto-flagelação, que a equipa portuguesa vem experimentando, em que parece apostada em colocar-se a si própria obstáculos injustificados.
Fica uma nota final positiva para a capacidade de reacção demonstrada pelo grupo português, que nunca “se entregou”, acreditando sempre que era possível superar-se e avançar.
EURO 2016 – Grupo F – 2ª jornada – Portugal – Áustria

0-0
Rui Patrício, Vieirinha, Pepe, Ricardo Carvalho, Raphaël Guerreiro, Ricardo Quaresma (71m – João Mário), William Carvalho, João Moutinho, André Gomes (83m – Éder), Nani (89m – Rafa Silva) e Cristiano Ronaldo
Robert Almer, Florian Klein, Sebastian Prödl, Martin Hinteregger, Christian Fuchs, Martin Harnik, Stefan Ilsanker (87m – Kevin Wimmer), David Alaba (65m – Alessandro Schöpf), Julian Baumgartlinger, Marko Arnautović e Marcel Sabitzer (85m – Lukas Hinterseer)
“Melhor em campo” – João Moutinho
Amarelos – Ricardo Quaresma (31m) e Pepe (40m); Martin Harnik (47m), Christian Fuchs (60m), Martin Hinteregger (78m) e Alessandro Schöpf (86m)
Árbitro – Nicola Rizzoli (Itália)
Parc des Princes – Paris (20h00)
23-3 em remates; 6-1 em remates à baliza; 10-0 em cantos; 59-41% em posse de bola… A selecção de Portugal não pode ser tão ineficaz!
Ou seja, o domínio do jogo, do primeiro ao último minuto, foi ainda mais acentuado do que tinha sido na partida frente à Islândia – e isto frente a um adversário que, tendo perdido na ronda inicial, estava “obrigado” a ir em busca dos pontos – sendo incrível que se desperdice assim uma vitória, que deveria ter sido nossa.
Em resposta à curiosidade de ver como reagiria o grupo ao inesperado desfecho do primeiro desafio, a sensação que inevitavelmente transparece é a de que a equipa joga “sobre brasas”, com uma estranha pulsão auto-destrutiva, actuando de forma extremamente perdulária, como que um bloqueio que a impede de materializar em golos as inúmeras jogadas de ataque que cria e desenvolve.
Assumindo uma opção ainda mais ofensiva, correndo riscos acrescidos – o primeiro, mas, paralelamente, um dos raros “avisos” da Áustria, surgiria logo aos 3 minutos -, trocando Danilo Pereira por William Carvalho, e João Mário por Ricardo Quaresma, o sinal de perigo seria dado, desde cedo, quer por Nani (a cabecear por cima, logo aos 6 minutos, e, surgindo isolado face ao guardião, aos 12 minutos, a não evitar a “mancha” de Almer), quer por Cristiano Ronaldo (a rematar ao lado, aos 22 minutos).
À aproximação da meia hora surgiria a melhor oportunidade de golo, com Nani a cabecear fora do alcance do guarda-redes, mas a bola a acertar no poste, tendo João Moutinho falhado a recarga. Ainda antes do intervalo seria Cristiano a desperdiçar também uma outra oportunidade, cabeceando para defesa do guardião austríaco.
Por seu lado a Áustria só voltaria a ter um lance de golo iminente, quando um cabeceamento de Harnik foi salvo, in-extremis, em cima da linha de baliza, por Vieirinha, já a findar o primeiro tempo.
Na segunda metade, seria novamente Almer a negar o golo a Ronaldo por mais de uma ocasião (só no minuto 10, por duas vezes, primeiro com uma defesa apertada, a opor-se a um potente remate, e, de, imediato, após o respectivo pontapé de canto, e, de novo, aos 65 minutos, num livre, com a bola a sair por cima da trave), até que, a onze minutos do final, o mesmo Cristiano, na conversão de uma grande penalidade, rematou igualmente… ao poste!
Quando, pouco depois, Cristiano Ronaldo – na sequência de um livre, em que, com um bom cabeceamento, finalmente conseguiu bater o guarda-redes adversário – viu o lance ser invalidado, por fora-de-jogo, a imagem que ressaltou foi a de que poderíamos ficar toda a noite a jogar, que não conseguiríamos marcar…
No final, tal como os islandeses no primeiro jogo, seriam os austríacos, efusivamente, a “fazer a festa”, pelo empate alcançado… com Portugal a quedar-se com uma deprimente sensação de impotência, perante equipas notoriamente inferiores.
Sobra muito trabalho para Fernando Santos (que, outra vez, pecou pela demora nas substituições, deixando muito pouco tempo útil disponível aos substitutos, com a situação limite de Rafa, a entrar apenas no derradeiro minuto), em ordem a “limpar a cabeça” aos jogadores – os quais, uma vez mais, se empenharam, agora ainda com maior afinco, procurando contrariar a adversidade, lutando até ao fim – e conseguir que o grupo se mantenha unido e com níveis mínimos de confiança para enfrentar o – agora sim – decisivo terceiro jogo da fase de grupos, em que só a vitória garantirá o apuramento, sem ficar na dependência de terceiros.
EURO 2016 – Grupo F – 1ª jornada – Portugal – Islândia

1-1
Rui Patrício, Vieirinha, Ricardo Carvalho, Pepe, Raphaël Guerreiro, Danilo Pereira, Nani, João Mário (76m – Ricardo Quaresma), João Moutinho (71m – Renato Sanches), André Gomes (84m – Éder) e Cristiano Ronaldo
Hannes Halldórsson, Birkir Sævarsson, Ragnar Sigurdsson, Kári Árnason, Ari Skúlason, Johann Gudmundsson (90m – Elmar Bjarnason), Aron Gunnarsson, Gylfi Sigurdsson, Birkir Bjarnason, Kolbeinn Sigthórsson (81m – Alfred Finnbogason) e Jón Dadi Bödvarsson
1-0 – Nani – 31m
1-1 – Birkir Bjarnason – 50m
“Melhor em campo” – Nani
Amarelos – Birkir Bjarnason (55m) e Alfred Finnbogason (90m)
Árbitro – Cüneyt Çakır (Turquia)
Stade Geoffroy Guichard – Saint-Étienne (20h00)
É inevitável: tão depressa passamos do “8” (derrota com a Inglaterra) para o “80” (os 7-0 à Estónia), como logo voltamos ao “8” (o empate de hoje).
O que a realidade nos mostra é que, por um lado, efectivamente, a Islândia não é uma selecção tão fraca como se poderá pensar – como o poderia ser uma equipa que ficou à frente da Turquia e da Holanda na fase de qualificação, na qual derrotou checos, holandeses (por duas vezes) e turcos (por 3-0)? E, por outro, que Portugal continua a denotar diversas insuficiências , lacunas, e alguns equívocos tácticos.
Com um futebol deveras padronizado, ao estilo clássico de “pontapé para a frente”, lançando bolas em profundidade, onde Sigthórsson surge a ganhar todos os lances de bola pelo ar, a Islândia ameaçou o primeiro susto logo aos 3 minutos, obrigando Rui Patrício a evidenciar excelentes reflexos e concentração, para evitar ser batido “a frio”.
Entrando em campo revelando alguma ansiedade, a selecção portuguesa experimentou dificuldades para assentar o seu jogo, o que só conseguiria à passagem do primeiro quarto de hora.
Com Danilo muito recuado e João Moutinho longe da sua melhor forma, sem que João Mário estivesse também ao nível que evidenciou durante a época, a despesa da iniciativa atacante de Portugal ficaria a cargo de Cristiano Ronaldo e Nani, a procurarem combinar, começando a levar o perigo à zona mais recuada da Islândia. primeiro, Nani, aos 21 minutos, logo seguido por Ronaldo.
Espicaçado pelo ameaça de perda de titularidade a favor de Quaresma (em função da superlativa exibição que este protagonizou frente à Estónia), Nani esteve bem mais dinâmico que noutros jogos, vindo a inaugurar o marcador, após a passagem da meia hora de jogo, dando perfeita sequência a um bom cruzamento de André Gomes, após boa combinação com Vieirinha.
O mais difícil – quebrar a barreira defensiva islandesa – estava feito. Até final do primeiro tempo a toada de jogo não se alteraria, sempre com Portugal a assumir a iniciativa, mas sem conseguir materializar o domínio de jogo em efectivas oportunidades de golo.
Após o intervalo, Portugal voltou a entrar desconcentrado; estavam decorridos apenas cinco minutos da segunda parte quando uma falha de posicionamento de Vieirinha e Pepe deixou espaço livre à entrada de Bjarnason, a desviar a bola do alcance de Rui Patrício, desfeiteado sem apelo nem agravo.
No imediato, percebeu-se a intenção de Fernando Santos de não descompor a equipa, de procurar manter a serenidade, com a selecção portuguesa a continuar a porfiar em busca de novo golo e de retomar a vantagem.
Mas, à medida que os minutos começavam a “voar”, o seleccionador nacional pareceu começar a “desesperar”, e, num período de menos de quinze minutos, um a um, fez sair todo o tridente do meio-campo (João Moutinho, João Mário e André Gomes), esperando que Renato Sanches trouxesse novas soluções (opção que não viria a frutificar), para, de seguida, arriscar a entrada de Ricardo Quaresma, até chegar ao “tudo por tudo” da colocação em campo de Éder, improvisando um sistema de quatro avançados, com Nani (agora já menos activo) e Quaresma (que ainda procuraria funcionar como “abre-latas”, acelerando o ritmo de jogo) nas alas.
Mas o tempo que restava era já muito escasso, e a Islândia colocara as “trancas à porta”, sem contudo abdicar do contra-ataque, que quase lhe ia proporcionando o segundo golo, que seria o de uma sensacional vitória, não fora outra intervenção apertada de um bem atento Rui Patrício, em novo grande calafrio, de fazer “suster a respiração”, por via de um forte remate de Finnbogason.
E, de facto, depois do golo sofrido, em mais de quarenta minutos de jogo, não mais a equipa portuguesa conseguiu ter a qualidade e intensidade de jogo que mostrara na metade inicial do desafio, sem conseguir verdadeiramente importunar o guardião islandês, acabando a partida, em desespero, a bombear bolas para a área contrária.
O resultado foi mau? Poderia ter sido bem pior…
A exibição foi má? Poderia ter sido melhor. A equipa nacional foi esforçada, procurou lutar contra a adversidade de um resultado inesperado, foi digna e saiu de cabeça erguida, mas deixou patentes algumas fraquezas, que, noutras circunstâncias, pode procurar mitigar, mas que “estão lá”.
Desde logo, o modelo de jogo, em 4-4-2, sem ponta de lança fixo, com Cristiano Ronaldo (que, tal como há dois anos, não está, inegavelmente, no melhor da sua condição física) a ser chamado a um trabalho desgastante e pouco profícuo. Depois, a aposta falhada em João Moutinho (e, em boa medida, também em Danilo), penalizando o desempenho de João Mário.
Perante as estatísticas do jogo (66/34% em termos de posse de bola; 27 tentativas contra 4; 10-4 em remates à baliza, 11-2 em cantos), o resultado acaba por ser necessariamente frustrante; mas, de forma mais fria e racional, não só se reveste de alguma justiça, em função da efectividade de ambas as equipas, como – conforme referi antes – poderia ter sido ainda mais gravoso.
Fica um sinal de alerta para o que resta desta primeira fase do Europeu, em que tudo continua em aberto – a vitória num dos dois jogos que falta garantirá o apuramento, e, no limite, até poderá nem vir a ser imprescindível ganhar -, mas em que o Portugal-Áustria, que se julgaria ser o encontro da definição do vencedor do grupo, adquire contornos mais determinantes (em função da candidatura hoje bem manifestada pelos dois outros concorrentes), se não quisermos deixar tudo para o último dia, e, como é tradição, acabar de “calculadora na mão”…
Liga dos Campeões – Final – Real Madrid – At. Madrid
Real Madrid – Keylor Navas, Daniel Carvajal (52m – Danilo), Sergio Ramos, Pepe, Marcelo, Casemiro, Luka Modrić, Toni Kroos (72m – Isco), Gareth Bale, Cristiano Ronaldo e Karim Benzema (77m – Lucas Vázquez)
At. Madrid – Jan Oblak, Juanfran, Stefan Savić, Diego Godín, Filipe Luís (109m – ), Saúl Ñíguez, Gabi, Augusto Fernández (45m – Yannick Ferreira Carrasco), Koke (116m – Thomas Partey), Antoine Griezmann e Fernando Torres
1-0 – Sergio Ramos – 15m
1-1 – Yannick Ferreira Carrasco – 79m
Desempate da marca de grande penalidade:
1-0 – Lucas Vázquez
1-1 – Antoine Griezmann
2-1 – Marcelo
2-2 – Gabi
3-2 – Gareth Bale
3-3 – Saúl Ñíguez
4-3 – Sergio Ramos
Juanfran rematou ao poste
5-3 – Cristiano Ronaldo
Cartões amarelos – Daniel Carvajal (11m), Keylor Navas (47m), Casemiro (79m), Sergio Ramos (90m), Danilo (93m) e Pepe (112m); Fernando Torres (61m) e Gabi (90m)
Árbitro – Mark Clattenburg (Inglaterra)
A “história não se repete”, reinventa-se…
Depois de, há dois anos, em Lisboa, as duas equipas de Madrid terem chegado ao final do tempo regulamentar empatadas a uma bola, a final desta noite teria precisamente o mesmo resultado, embora a trajectória do marcador, e do próprio jogo, tenha sido bem distinta da do confronto anterior.
Desta vez o prolongamento não seria decisivo, obrigando ao recurso ao desempate da marca de grande penalidade. Mas, no final, o desfecho seria, uma vez mais – pelo terceiro ano consecutivo, nos confrontos entre Real e Atlético de Madrid na Liga dos Campeões – o triunfo dos “merengues”.
O Real Madrid entrou bem mais afirmativo, dominador desde os minutos iniciais, remetendo a equipa “colchonera” para a sua zona defensiva, com Oblak a ser chamado a intervir logo aos 5 minutos, a defender um remate de Benzema.
Dada a toada de jogo, não surpreenderia o tento inaugural do desafio, a surgir logo à passagem do quarto de hora, com Sergio Ramos, na cara do guardião esloveno – em posição de fora de jogo -, a desviar subtilmente a bola para a baliza, na sequência de um cabeceamento de Bale, após livre apontado por Kroos.
Até final da primeira parte, o At. Madrid parecia incapaz de reagir, acusando sobremaneira o golo sofrido, pairando como uma sombra o desaire de Lisboa.
Para o segundo tempo, Simeone apostou em Yannick Ferreira Carrasco, o que se revelaria uma opção acertada. Logo no minuto inicial da etapa complementar, os “vermelho-e-brancos” beneficiariam de uma grande penalidade, por derrube de Pepe sobre Torres. Porém, na conversão, Griezmann, infeliz, acertaria, com estrondo, na trave.
Mais um duro revés, que poderia contribuir para agravar o desânimo da equipa. Mas, então, cerrando fileiras, o Atlético Madrid foi buscar forças onde elas pareciam escassear, intensificando a pressão sobre a área do Real. Savić não conseguiria concretizar uma oportunidade, para, à passagem da hora de jogo, ser Saúl a ameaçar o golo.
Em contra-ataque, o Real poderia ter sentenciado o jogo, também por duas ocasiões, primeiro com Oblak, aos 70 minutos, a salvar a sua equipa, negando o golo a Benzema, para, pouco depois, ser agora a vez de Savić evitar o golo, em cima da linha de baliza.
O tempo escoava-se rapidamente, quando, no minuto imediato, Yannick Ferreira Carrasco conseguiria colocar justiça no marcador, empatando a contenda, dando – já na pequena área – a melhor sequência a um potente centro de Juanfran, “a rasgar”, nas costas da defesa contrária. Melhor, passavam a ser os “colchoneros” a beneficiar do ascendente psicológico (e físico – com Bale e Modrić esgotados, e Cristiano Ronaldo, inegavelmente, longe da sua melhor condição física), com o Real, então, nos minutos derradeiros do tempo regulamentar, a limitar-se a defender, forçando o prolongamento.
Faltou então ao Atlético conseguir dar a “estocada final”; à medida que o prolongamento avançava, o fulgor ia, necessariamente, diminuindo, enquanto, em paralelo, o Real ia acreditando cada vez mais que era possível “aguentar” e levar a decisão para a marca dos “onze metros”.
No desempate da marca de grande penalidade – em que os “merengues” voltavam à “mó de cima”, não só por terem forçado tal situação, mas contando também com a estatística mais favorável ao seu guarda-redes, as duas equipas estariam praticamente perfeitas (pese embora o Real parecer sempre “em esforço”), sem que nenhum dos guardiões tivesse possibilidade de deter qualquer um dos dez remates.
Todavia, ao penúltimo pontapé, Juanfran seria excessivamente certeiro, colocando tanto a bola que ela embateria no poste; no derradeiro remate, Cristiano Ronaldo não perdoaria, proporcionando ao Real Madrid a conquista da “undécima” (e terceiro troféu da sua conta pessoal).
Infeliz, o Atlético de Madrid – depois de ter rematado um “penalty” à trave, e outro ao poste -, voltava a ser derrotado, perdendo a sua terceira final da Taça / Liga dos Campeões Europeus, sendo agora o clube com mais finais perdidas de entre os que não conseguiram ainda conquistar o troféu.
A lista de vencedores, nas 61 edições já disputadas da competição, passou a ser assim ordenada: Real Madrid, 11 (1955-56, 1956-57, 1957-58, 1958-59, 1959-60, 1965-66, 1997-98, 1999-00, 2001-02, 2013-14 e 2015-16); AC Milan, 7 (1962-63, 1968-69, 1988-89, 1989-90, 1993-94, 2002-03 e 2006-07); Liverpool, 5 (1976-77, 1977-78, 1980-81, 1983-84 e 2004-05); Bayern München, 5 (1973-74, 1974-75, 1975-76, 2000-01 e 2012-13); Barcelona, 5 (1991-92, 2005-06, 2008-09, 2010-11 e 2014-15); Ajax, 4 (1970-71, 1971-72, 1972-73 e 1994-95); Inter, 3 (1963-64, 1964-65 e 2009-10); Manchester United, 3 (1967-68, 1998-99 e 2007-08); Benfica, 2 (1960-61 e 1961-62); Nottingham Forest, 2 (1978-79 e 1979-80); Juventus, 2 (1984-85 e 1995-96); FC Porto, 2 (1986-87 e 2003-04); Celtic (1966-67); Feyenoord (1969-70); Aston Villa (1981-82); Hamburg (1982-83); Steaua București (1985-86); PSV Eindhoven (1987-88); Crvena Zvezda (1990-91); Marseille (1992-93); Borussia Dortmund (1996-97); e Chelsea (2011-12).
Taça de Portugal – Palmarés
Vencedor Finalista Épocas (Vencedor / Finalista) Benfica 25 10 1939-40; 1942-43; 1943-44; 1948-49; 1950-51; 1951-52; 1952-53; 1954-55; 1956-57; 1958-59; 1961-62; 1963-64; 1968-69; 1969-70; 1971-72; 1979-80; 1980-81; 1982-83; 1984-85; 1985-86; 1986-87; 1992-93; 1995-96; 2003-04; 2013-14 1938-39; 1957-58; 1964-65; 1970-71; 1973-74; 1974-75; 1988-89; 1996-97; 2004-05; 2012-13 FC Porto 16 13 1955-56; 1957-58; 1967-68; 1976-77; 1983-84; 1987-88; 1990-91; 1993-94; 1997-98; 1999-00; 2000-01; 2002-03; 2005-06; 2008-09; 2009-10; 2010-11 1952-53; 1958-59; 1960-61; 1963-64; 1977-78; 1979-80; 1980-81; 1982-83; 1984-85; 1991-92; 2003-04; 2007-08; 2015-16 Sporting 16 11 1940-41; 1944-45; 1945-46; 1947-48; 1953-54; 1962-63; 1970-71; 1972-73; 1973-74; 1977-78; 1981-82; 1994-95; 2001-02; 2006-07; 2007-08; 2014-15 1951-52; 1954-55; 1959-60; 1969-70; 1971-72; 1978-79; 1986-87; 1993-94; 1995-96; 1999-00; 2011-12 Boavista 5 1 1974-75; 1975-76; 1978-79; 1991-92; 1996-97/ 1992-93 V. Setúbal 3 7 1964-65; 1966-67; 2004-05 1942-43; 1953-54; 1961-62; 1965-66 1967-68; 1972-73; 2005-06 Belenenses 3 5 1941-42; 1959-60; 1988-89/ 1939-40 1940-41; 1947-48; 1985-86; 2006-07 Braga 2 4 1965-66; 2015-16 1976-77; 1981-82; 1997-98; 2014-15 Académica 2 3 1938-39; 2011-12 1950-51; 1966-67; 1968-69 V. Guimarães 1 5 2012-13/ 1941-42; 1962-63; 1975-76; 1987-88; 2010-11 Leixões 1 1 1960-61/ 2001-02 Beira-Mar 1 1 1998-99/ 1990-91 E. Amadora 1 - 1989-90 Atlético - 2 1945-46; 1948-49 Marítimo - 2 1994-95; 2000-01 Rio Ave - 2 1983-84; 2013-14 Estoril - 1 1943-44 Olhanense - 1 1944-45 Torreense - 1 1955-56 Covilhã - 1 1956-57 Farense - 1 1989-90 Campomaiorense - 1 1998-99 U. Leiria - 1 2002-03 Paços Ferreira - 1 2008-09 Chaves - 1 2009-10




