EURO 2016 – Grupo F – 3ª jornada – Hungria – Portugal

22 Junho, 2016 at 5:49 pm 1 comentário

HungriaPortugal3-3

Hungria Gábor Király, Ádám Lang, Richárd Guzmics, Roland Juhász, Mihály Korhut, Balázs Dzsudzsák, Zoltán Gera (45m – Barnabás Bese), Ákos Elek, Ádám Pintér, Gergő Lovrencsics  (83m – Zoltán Stieber) e Ádám Szalai (71m – Krisztián Németh)

Portugal Rui Patrício, Vieirinha, Pepe, Ricardo Carvalho, Eliseu, André Gomes (61m – Ricardo Quaresma), William Carvalho, João Moutinho (45m – Renato Sanches),  João Mário, Nani (81m – Danilo Pereira) e Cristiano Ronaldo

1-0 – Zoltán Gera – 19m
1-1 – Nani – 42m
2-1 – Balázs Dzsudzsák – 47m
2-2 – Cristiano Ronaldo – 50m
3-2 – Balázs Dzsudzsák – 55m
3-3 – Cristiano Ronaldo – 62m

“Melhor em campo” – Cristiano Ronaldo

Amarelos – Richárd Guzmics (13m), Roland Juhász (28m), Zoltán Gera (34m) e Balázs Dzsudzsák (56m)

Árbitro – Martin Atkinson (Inglaterra)

Stade de LyonLyon (17h00)

Por onde começar? Como qualificar esta campanha da selecção portuguesa?

Para já, o objectivo mínimo foi atingido, pese embora “arrancado a ferros” – estranhamente, sem ter obtido qualquer vitória (mas, também, sem derrotas) -, avançando para a fase a eliminar, como terceiro melhor dos 3.º classificados dos seis grupos (ou seja, como 15.ª equipa da hierarquia, de entre as 16 apuradas), assim acabando por consumar a eliminação… da Albânia.

Sobre esta partida em concreto, não é fácil destrinçar os efeitos da aleatoriedade do jogo dos da falta de competência denotada. Se, nos dois desafios anteriores, fora a acção ofensiva que se mostrara absolutamente ineficaz (um único golo apontado em 50 remates!), desta feita foi a defesa a claudicar  de forma bastante comprometedora (também como reflexo da estrutura táctica adoptada e do balanceamento ofensivo do meio-campo?).

A verdade é que, para um encontro em que o empate (0-0) servia perfeitamente as pretensões de ambos os contendores, o ritmo foi, desde início, bastante acelerado, jogando-se em “alta rotação”, de parte a parte.

Assumindo o que fora prometido pelos seus responsáveis, Portugal entrou em campo com a disposição de procurar o triunfo, mas com a Hungria, com grande mobilidade, a ripostar em toada de “parada e resposta”. E, na sequência de um dos únicos três cantos de que dispôs, tirando partido de um alívio incompleto de Eliseu, surgiu Gera, com um colocado remate de ressaca, de fora da área, com a trajectória perfeita, a passar por uma “floresta de pernas” e a entrar junto ao poste da baliza, sem hipóteses para o guardião nacional.

Contrariamente ao que seria expectável, a selecção portuguesa começava, ainda cedo, por se ver em posição de desvantagem e ter de “correr atrás do prejuízo”. Seguiu-se uma fase em que a equipa acusou o tento sofrido, tendo demorado algum tempo até se (re)encontrar.

Mas, sem baixar os braços – havia muito tempo para jogar ainda -, acabaria por, na sequência de uma excelente desmarcação de Cristiano Ronaldo, a “rasgar” a defesa contrária, para as suas costas, surgindo Nani isolado, que, de primeira, fez o golo do empate (o segundo da sua conta pessoal), com Király a parecer não ter feito tudo o que deveria para deter a bola.

O golo surgia em momento ideal, antes do intervalo, sendo portanto de prever que, no recomeço, a atitude e disposição do conjunto português fosse bem mais confiante e segura. Contudo, logo no segundo minuto, os húngaros beneficiaram de um livre perigoso, que viria a dar origem a que o remate de Dzsudzsák, ressaltando num jogador luso, atraiçoasse Rui Patrício.

Valeu então, quase de pronto, menos de três minutos volvidos, um lance de magia de Cristiano Ronaldo, a dar a melhor conclusão a um bom centro de João Mário, desviando a bola para o fundo da baliza, com um toque subtil de calcanhar, restabelecendo a igualdade. Um momento fulcral, pela prontidão com que a equipa foi capaz de reagir, pela segunda vez, à adversidade.

Mas a história do jogo estava ainda longe de estar contada… Mais cinco minutos decorridos, novo livre a favor da Hungria, dando desde logo a sensação de algum pânico instalado na defesa portuguesa. Uma vez mais, com grande (in)felicidade, o remate de Dzsudzsák embateria num jogador português, desviando a trajectória da bola, impossibilitando, outra vez, o nosso guarda-redes de reagir a tempo de evitar o golo.

Era demais! Pela terceira vez a selecção de Portugal via-se “fora do EURO”… mas, não virando a cara à luta, não desistindo, culminaria este frenético período de vinte minutos, com o justo e merecido prémio, o do terceiro golo, que lhe permitia, pela terceira vez, reerguer-se: Quaresma entrara em campo há um minuto, acabara de marcar um canto, e, ao segundo toque na bola, fez um excelente cruzamento para a área, onde Cristiano Ronaldo, imperial, com um cabeceamento perfeito, voltou a resgatar a equipa portuguesa das “profundezas” para que se ia vendo empurrada.

A Hungria provocaria ainda mais um grande susto, rematando ao poste, mas, no quarto de hora entre os 65 e os 80 minutos, efectivamente só Portugal pretendeu ainda tentar chegar à vitória. Até que, já nos últimos dez minutos, Fernando Santos optaria por colocar “trancas à porta”, fazendo entrar Danilo Pereira por troca com Nani. Para, nos derradeiros três minutos, a Hungria acabar mesmo por abdicar de jogar, limitando-se a trocar a bola, em passes muito curtos, de pé para pé, na sua zona intermediária, sem que os portugueses quisessem então arriscar ainda.

O apuramento estava “garantido”; não era altura de deitar tudo a perder. Pouco depois, o árbitro daria o jogo por findo; e, uma vez mais, foi o adversário a festejar com exuberância o empate – tal como sucedera já nos anteriores dois jogos de Portugal…

As estatísticas do jogo poderão ser uma pista para compreender tal contentamento húngaro (a par, naturalmente, do facto de, deste modo, terem mantido o 1.º lugar no Grupo): 19-10 em remates (pese embora uma tangencial vantagem de apenas 6-5 em remates à baliza); 9-3 em cantos (8 deles, a favor de Portugal, na primeira parte); 58-42% em termos de posse de bola.

Só que, com tantos golos marcados, Portugal acabara então por (em função da fórmula de desempate, de maior número de golos marcados) ultrapassar a Islândia – que, quando a nossa partida terminou, defendia acerrimamente o empate a um golo ante a Áustria, que lhe proporcionava também a qualificação -, ascendendo assim ao 2.º lugar da classificação, o que colocava a selecção nacional na indesejada parte baixa do quadro da fase a eliminar.

Até que, no outro jogo, surgia o “golpe de teatro”: no quarto e último minuto do tempo de compensação, aproveitando o total balanceamento ofensivo dos austríacos, numa desesperada tentativa de chegar ao golo, a Islândia, num rápido lance de contra-ataque, com vários jogadores a galgar terreno completamente livre, sem qualquer oposição, surgindo isolados na cara do guardião da Áustria, marcava um esfuziantemente celebrado golo, que lhe dava o triunfo e, por consequência, permitia retomar a 2.º posição.

Nunca uma baixa do 2.º ao 3.º lugar, como então sucedeu a Portugal, foi tão festejada (pelos portugueses!), que, assim, defrontarão nos 1/8 de final a Croácia (em vez da Inglaterra), mas, mais importante – caso consigam ultrapassar o duro obstáculo que se lhes coloca – poderão ter um percurso menos “espinhoso” nas eliminatórias seguintes.

Mas, para tal, será necessário jogar de forma bem mais concentrada e rigorosa, importando assegurar os equilíbrios necessários para poder ombrear com uma equipa tão poderosa como a croata, com um futebol de grande qualidade, que, sem integrar o lote dos grandes “colossos”, será, hoje por hoje, de nível similar ao da selecção portuguesa, porventura mesmo superior.

Será importante evitar que volte a permitir-se a ocorrência de um “jogo louco” como o de hoje, com a equipa portuguesa – uma vez mais infeliz, desta feita, nos lances algo fortuitos que originaram os três golos do adversário, mas que, em primeira análise, decorrem da excessiva liberdade de espaço que foi concedida à formação húngara, que teve oportunidade de manobrar mais ou menos “à vontade” – a ter de, por vezes, já algo em desespero, ir em busca da “salvação”, num jogo de nervos à flor da pele, pleno de sofrimento e ansiedade até ao último minuto.

E, ainda, é fundamental colocar termo a esta pulsão para uma espécie de auto-flagelação, que a equipa portuguesa vem experimentando, em que parece apostada em colocar-se a si própria obstáculos injustificados.

Fica uma nota final positiva para a capacidade de reacção demonstrada pelo grupo português, que nunca “se entregou”, acreditando sempre que era possível superar-se e avançar.

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EURO 2016 – Grupo D – 3ª jornada – R. Checa – Turquia EURO 2016 – Grupo F – 3ª jornada – Islândia – Áustria

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