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Liga dos Campeões – Play-off (2ª mão) – PAOK – Benfica
PAOK – Alexandros Paschalakis, Léo Matos, Fernando Varela, José Ángel Crespo, Vieirinha, Maurício, José Cañas (63m – Yevhen Shakhov), Dimitris Pelkas, Dimitris Limnios (45m – Amr Warda), Omar El Kaddouri (76m – Chuba Akpom) e Aleksandar Prijović
Benfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Álex Grimaldo, Ljubomir Fejsa, Eduardo Salvio (63m – Alfa Semedo), Pizzi (76m – Andrija Živković), Gedson Fernandes, Franco Cervi e Haris Seferović (85m – João Félix)
1-0 – Aleksandar Prijović – 13m
1-1 – Jardel – 20m
1-2 – Eduardo Salvio (pen.) – 26m
1-3 – Pizzi – 39m
1-4 – Eduardo Salvio (pen.) – 50m
Cartões amarelos – Léo Matos (8m), Maurício (33m), Fernando Varela (49m), Dimitris Pelkas (75m) e Yevhen Shakhov (84m); André Almeida (1m) e Jardel (34m)
Cartão vermelho – Léo Matos (76m)
Árbitro – Felix Brych (Alemanha)
Os desafios a eliminar, disputados a duas mãos e com a particularidade do efeito dos golos marcados fora de casa assumem características muito próprias. É assim que, por exemplo, um empate a zero em casa não pode, hoje em dia, ser considerado um mau resultado; assim como, no caso presente, o empate a um registado na 1.ª mão, conferindo teórica vantagem ao PAOK, forçava o Benfica a ter de marcar em Salónica, o que, necessariamente, tem reflexos a nível da abordagem do jogo.
Todavia, o Benfica teria, desde o minuto “zero”, uma péssima entrada, parecendo perdido dentro de campo, desconcentrado e desposicionado, não acertando nas marcações aos adversários, o que originaria, logo nos instantes iniciais um cartão amarelo para André Almeida, que não teve outra alternativa senão parar em falta um lance perigoso, a que se seguiram outros momentos de aflição na zona defensiva benfiquista, com o PAOK a levar o perigo à área contrária pelo menos por três vezes no decurso dos dez primeiros dez minutos, em especial por via de um remate de Limnios.
Assim, não seria de todo surpreendente que a formação grega se colocasse em vantagem logo ao 13.º minuto, na sequência de um outro livre, com uma jogada de “laboratório” de excelente execução, com vários toques enleantes, “adormecendo” a defesa portuguesa, sem capacidade de reacção.
Um tento que, paradoxalmente – não alterando substancialmente a situação em que o Benfica se encontrava, que continuava a necessitar marcar, podendo tal, aliás, vir teoricamente a proporcionar condições para um eventual empate com mais golos, o que já serviria aos portugueses – como que afectaria a condição mental dos visitados, que, empolgados, não conseguindo refrear os ânimos, prosseguiriam uma toada de jogo intenso e aberto, tendo associado o correr de alguns inevitáveis riscos…
Já depois de uma nova ocasião para o PAOK, desta feita resultante de um contra-ataque rápido, surgiria então o lance capital da partida: aos 20 minutos, no segundo canto a seu favor, com alguma felicidade (contra a “corrente do jogo”), o Benfica chegava ao golo, por intermédio de uma boa execução de Jardel, de cabeça. Este golo significava não só o empatar o encontro – e a eliminatória -, como, paralelamente, traduziria um ponto de viragem, uma vez que, jogando fora de casa, um novo tento benfiquista passava a poder significar uma relevante vantagem na eliminatória.
Foi notória a forma como a equipa grega ficou afectada por este tento sofrido; a perturbação seria bem visível na forma atabalhoada como, poucos minutos volvidos, Paschalakis, procurando, “in extremis”, evitar um canto, cometeria um erro crasso: ao sacudir, com uma palmada, a bola para dentro do campo, colocou-a, inadvertidamente, no raio de acção de Cervi, tendo sido o instinto imediato de preservação do guardião grego o de derrubar o extremo benfiquista, originando assim uma grande penalidade…
Outra vez feliz – no remate de Salvio a bola embateria ainda na face interior do poste, antes de se anichar no fundo das redes -, o Benfica completava a reviravolta no marcador, passando a ganhar por 2-1, o que, simultaneamente, lhe conferia uma boa margem de segurança: num ápice, era o PAOK que passava a necessitar marcar dois golos para recuperar a vantagem na eliminatória!
Os donos da casa teriam ainda uma soberana oportunidade de restabelecer a igualdade, com Léo Matos, num cabeceamento quase à “queima-roupa”, a proporcionar a um muito atento Vlachodimos, com excelentes reflexos, a defesa da noite, numa magnífica estirada. Seria como que o “canto do cisne”.
Agora já numa fase de grande confiança – em contraponto com uma equipa grega que se ia “afundando” animicamente, rapidamente se apoderando dela a descrença -, o Benfica “abriu o livro”, começando a explanar o seu melhor futebol e, apenas mais quatro minutos decorridos, sentenciou definitivamente o desfecho da eliminatória, com um golo de Pizzi, de excelente execução, culminando uma boa combinação entre Grimaldo e Cervi, com este a fazer um cruzamento atrasado, com a bola ligeiramente acima do solo, proporcionando ao português, sobre a marca de grande penalidade, rematar, liberto de marcação, para o fundo da baliza, sem hipótese de defesa para Paschalakis.
A perder por 1-3 ao intervalo, qualquer veleidade que o PAOK pudesse ainda ter para a segunda parte seria prontamente eliminada, logo aos cinco minutos, desta feita com Varela a agarrar Jardel na área de rigor, e Felix Brych a sancionar os gregos, pela segunda vez, com um “penalty”. Chamado novamente à conversão, Salvio como que ensaiaria uma espécie de “Panenka”, com a bola a sair com pouca força, na zona central da baliza, e o guardião grego, que se atirara para um lado, ainda a tocar com a ponta do pé, mas a não evitar o quarto golo benfiquista.
A partir daí, até final – e à parte um cabeceamento de Prijović à trave, logo no minuto imediato -, pouco mais se jogou: o Benfica limitou-se a gerir o tempo, perante uma equipa grega já desmoralizada, que se veria ainda reduzida a dez elementos para o derradeiro quarto de hora de jogo.
Com grande eficácia ofensiva – em flagrante constraste com o que se verificara em Lisboa – e aproveitando o nervosismo evidenciado por Paschalakis (que, na Luz, fizera uma exibição soberba, negando qualquer hipótese de golo à turma portuguesa, que só marcara também de “penalty”), o Benfica mostrou, no cômputo das duas mãos, ser claramente superior ao PAOK, apurando-se com toda a justiça – pese embora as falhas apresentadas e os evitáveis sustos que sofreu – para a fase de Grupos da Liga dos Campeões, na qual marca presença pela nona época consecutiva, registo apenas igualado por Real Madrid, Barcelona e Bayern!
Liga dos Campeões – Play-off (1ª mão) – Benfica – PAOK
Benfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Álex Grimaldo, Ljubomir Fejsa, Andrija Živković (65m – Rafa Silva), Pizzi (79m – João Félix), Gedson Fernandes, Franco Cervi (79m – Haris Seferović) e Facundo Ferreyra
PAOK – Alexandros Paschalakis, Léo Matos, Fernando Varela, José Ángel Crespo, Vieirinha, Léo Jabá (81m – Yevhen Shakhov), Maurício, José Cañas, Dimitris Pelkas, Dimitris Limnios (52m – Amr Warda) e Aleksandar Prijović (87m – Chuba Akpom)
1-0 – Pizzi (pen.) – 45m
1-1 – Amr Warda – 76m
Cartões amarelos – Gedson Fernandes (52m) e André Almeida (83m); Vieirinha (71m), Dimitris Pelkas (84m) e Amr Warda (89m)
Árbitro – Milorad Mažić (Sérvia)
Na eliminatória derradeira para acesso à fase de Grupos da Liga dos Campeões – o que, em caso de apuramento do Benfica, lhe valeria um “jackpot” superior a 40 milhões de euros -, a equipa portuguesa terá tentado replicar a receita que tivera êxito na ronda precedente.
Mas cedo se perceberia que o PAOK dispõe, no momento presente, de bem maiores recursos que o Fenerbahçe; ao contrário dos turcos que, ao longo dos 180 minutos, praticamente se revelaram inofensivos, os gregos evidenciaram uma agressividade bastante superior, provocando alguns sustos na zona defensiva portuguesa.
Apesar de a turma benfiquista – logo aos cinco minutos – ter começado por colocar a bola no fundo da baliza de Paschalakis, num remate de Gedson Fernandes, o lance seria invalidado, por toque prévio em Ferreyra, assim resultando em posição irregular. À boa entrada do grupo da casa, rapidamente os forasteiros ripostariam, com forte pressão, a provocar algumas perdas de bola ao adversário e os tais “sustos”.
Seria já na segunda metade do primeiro tempo que o Benfica conseguiria voltar a assentar o seu jogo, investindo sobre a meia-defesa contrária, mas, paralelamente, evidenciando sempre muitas dificuldades na finalização. Aos 23 minutos, Pizzi desperdiçaria a primeira soberana ocasião de golo, a cruzamento atrasado de Cervi, com o remate a sair muito próximo da baliza, para, apenas quatro minutos volvidos, alvejar então a barra.
Começava também a dar nas vistas a boa exibição do guardião Paschalakis, que se revelaria praticamente intransponível, com duas boas intervenções, aos 28 e aos 29 minutos, também na sequência de acções de Pizzi. No curto espaço de seis minutos, o Benfica desaproveitava quatro boas possibilidades para marcar!
Por curiosidade, seria o próprio Pizzi a inaugurar o marcador, já em período de compensação, na conversão de uma grande penalidade, a castigar um derrube de Maurício a Gedson, colocando assim alguma justiça no resultado, face ao intenso domínio exibido pelo Benfica. Um golo que surgia precisamente na mesma altura do tento sofrido na semana passada em Istambul…
E, se na primeira metade, o Benfica fora já bastante mais dominador, no segundo tempo, até à passagem dos 65 minutos, acentuou-se a noite desinspirada dos seus atacantes, a desperdiçarem oportunidades sobre oportunidades: logo aos 49 e 50 minutos (por Ferreyra), ambas os lances com Paschalakis a dizer “presente”, tal como negaria outra ocasião de golo a Grimaldo, com uma vistosa intervenção.
Porém, numa fase em que a formação portuguesa começara a denotar uma baixa de rendimento (quebra física?), perdendo (mesmo que momentaneamente) o controlo do jogo, o PAOK voltaria a ameaçar, para, à passagem da meia hora, depois de um remate de cabeça de Varela à barra (na sequência da marcação de um livre), no ressalto, Warda rematar para a baliza, onde um desamparado Vlachodimos – perante a inacção da defesa – nada conseguiu fazer para impedir o tento do empate, alcançado no único remate à baliza da equipa grega em todo o jogo!
Num “tudo por tudo” final, com as entradas de João Félix e Seferović, o Benfica procuraria ainda retomar a posição de vantagem, voltando a estar muito perto do golo, ficando na retina, em especial, uma excelente abertura do jovem (estreante em jogos de competições europeias) João Félix para Ferreyra, que, todavia, não conseguiu desfeitear a mancha do guarda-redes grego. Até ao termo do desafio, ambos os jogadores entrados para os derradeiros dez minutos protagonizariam ainda outras duas ocasiões de perigo (a do jovem, já em tempo de descontos, com um remate cruzado), mas o resultado não se alteraria.
Por agora, um muito perdulário Benfica pagou bem alto o preço de tanto desperdício, numa noite em que podia ter inclusivamente alcançado uma goleada! Assim, de forma bastante ingrata, parte para Salónica em desvantagem na eliminatória. Se, na ronda anterior, marcar fora de casa era “apenas” fortemente “recomendável”, agora converteu-se numa “obrigação” imperiosa…
Liga dos Campeões – 3ª Pré-Eliminatória (2ª mão) – Fenerbahçe – Benfica
Fenerbahçe – Volkan Demirel, Mauricio Isla (79m – Şener Özbayraklı), Roman Neustädter, Martin Škrtel, Hasan Ali Kaldırım, ljif Elmas, Mehmet Topal (65m – Barış Alıcı), Mathieu Valbuena (65m – Roberto Soldado), Alper Potuk, Giuliano e André Ayew
Benfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Álex Grimaldo, Ljubomir Fejsa, Eduardo Salvio (72m – Alfa Semedo), Pizzi, Gedson Fernandes, Franco Cervi e Nicolás Castillo (34m – Facundo Ferreyra)
0-1 – Gedson Fernandes – 26m
1-1 – Alper Potuk – 45m
Cartões amarelos – ljif Elmas (22m) e Şener Özbayraklı (90m); Odysseas Vlachodimos (53m), Eduardo Salvio (56m), Rúben Dias (63m) e Pizzi (83m)
Árbitro – Slavko Vinčić (Eslovénia)
Tal como se antevira no final do encontro da 1.ª mão, um golo benfiquista em Istambul seria a chave para a definição da eliminatória.
Curiosamente, o começo do jogo não seria muito distinto do que fora a toada da partida de Lisboa, com o Benfica a entrar em campo de forma positiva, enfrentando o opositor “olhos nos olhos”, enquanto o Fenerbahçe parecia manter-se na expectativa do erro do adversário, nunca importunando a baliza defendida por Vlachodimos, com a equipa portuguesa a dominar a zona de meio-campo, com realce para a exibição do jovem Gedson Fernandes, bem enquadrado por Fejsa e Pizzi.
Seria o próprio Gedson, dando a melhor sequência a uma boa combinação com Salvio e Castillo, antecipando-se a Demirel, a inaugurar o marcador. A partir daí, a eliminatória estava praticamente segura e o Benfica podia ter inclusivamente ampliado a contagem, aos 43 minutos, quando Ferreyra (que entrara a substituir o lesionado Castillo), depois de contornar o guardião, a passe de Salvio, rematou à malha lateral.
Quando tudo parecia controlado, o Fenerbahçe voltaria ainda a “respirar”, ao conseguir empatar o desafio, já em período de compensação da primeira parte, com Topuk a ganhar o lance a Grimaldo, cabeceando para o fundo da baliza. Um golo que, não obstante, até nem terá surgido na “pior altura”, uma vez que possibilitava a Rui Vitória repor o índice de confiança benfiquista, no decurso do intervalo, assim como adoptar a estratégia mais adequada para os 45 minutos finais.
Como seria expectável, a formação turca surgiria então mais aguerrida, procurando intensificar as suas acções ofensivas, em especial a partir dos 65 minutos, com as entradas de Soldado e Alıcı, cabendo então ao Benfica baixar no terreno, resistindo à pressão.
Após cerca de dez minutos de algum sofrimento, a turma portuguesa, reforçando a zona nevrálgica do terreno com a entrada de Alfa Semedo, rapidamente reequilibraria a contenda, voltando aliás a assumir o controlo do jogo, beneficiando também do facto de o tempo começar a correr “demasiado depressa” para as aspirações turcas.
Até final o resultado não se alteraria, confirmando o Benfica um justo apuramento para o “play-off”, em função da superioridade evidenciada, quer em Lisboa, quer em Istambul, face a uma equipa do Fenerbahçe muito passiva, incapaz de assumir a iniciativa, sempre a mostrar muito respeito pela capacidade e qualidade do futebol evidenciado pelo grupo benfiquista.
Liga dos Campeões – 3ª Pré-Eliminatória (1ª mão) – Benfica – Fenerbahçe
Benfica – Odysseas Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel, Álex Grimaldo, Ljubomir Fejsa, Eduardo Salvio (75m – Andrija Živković), Pizzi, Gedson Fernandes, Franco Cervi e Facundo Ferreyra (63m – Nicolás Castillo)
Fenerbahçe – Volkan Demirel, Mauricio Isla, Roman Neustädter, Martin Škrtel, Hasan Ali Kaldırım, Nabil Dirar (86m – Barış Alıcı), ljif Elmas, Mehmet Topal, Mathieu Valbuena (61m – Mehmet Ekici), Giuliano e Alper Potuk (74m – Roberto Soldado)
1-0 – Franco Cervi – 69m
Cartões amarelos – Alex Grimaldo (79m); Roberto Soldado (78m), Mehmet Ekici (82m) e ljif Elmas (90m)
Árbitro – Aleksei Kulbakov (Bielorrússia)
Na estreia em jogos oficiais nesta temporada, o Benfica – com Vlachodimos, Gedson Fernandes e Facundo Ferreyra (e depois, ainda, Nicolás Castillo) como estreantes absolutos com a camisola do clube – enfrentava um desafio de importância crucial, numa perspectiva de apuramento para a Fase de Grupos da Liga dos Campeões, dados os avultados benefícios financeiros em liça, recebendo uma experiente equipa do Fenerbahçe, a qual, curiosamente, falhou nas cinco últimas tentativas de acesso a tal fase, que não atinge há dez temporadas.
A formação turca apresentou-se em campo com um posicionamento muito conservador, preocupada exclusivamente – de início a fim -, em preservar a sua zona defensiva, visando manter inviolada a sua baliza, não tendo obrigado Vlachodimos a mais que uma defesa digna desse nome.
Por seu lado, o Benfica assumiu, desde o primeiro minuto, a iniciativa, mas de forma bastante denunciada e a baixo ritmo, sem conseguir penetrar no último terço do terreno, raramente conseguindo importunar a defesa contrária, com excepção para duas situações de perigo, uma pouco depois da meia hora e a segunda mesmo a findar a primeira metade da partida, com um remate fraco de Ferreyra, à figura, que Demirel susteria sem dificldade.
No segundo tempo, a toada do encontro acentuar-se-ia de forma determinante – resultando numa estatística final de 66% de posse de bola para o Benfica e 19-3 em remates -, com a turma portuguesa, bastante mais determinada, aumentando a intensidade e a agressividade na recuperação de bola, a empurrar o conjunto turco para as imediações da sua grande área, mas continuando a aparentar não saber muito bem o que fazer com a bola…
Perante uma muralha defensiva que parecia intransponível, seria Cervi, com um remate cruzado, rasteiro, a bater o algo intranquilo Demirel, inaugurando o marcador, no que, porém, não seria mais que o solitário tento deste desafio.
Castillo teria ainda possibilidade de ampliar a marca, por duas vezes, por volta dos 85 minutos, enquanto o Fenerbahçe assustaria mesmo ao findar do encontro, mas o resultado não se alteraria.
Num balanço final, um resultado excessivamente curto face ao desempenho de ambas as equipas, perante a (estratégica?) atitude dos turcos, praticamente inofensivos, mesmo após o golo sofrido, nunca procurando jogar o jogo pelo jogo. Uma vitória benfiquista que apenas terá utilidade se o Benfica marcar em Istambul; caso contrário, a magra vantagem angariada poderá ser eventualmente de fácil anulação.
Portugal Campeão da Europa de sub-19
A selecção nacional de Portugal, sob a orientação técnica de Hélio Sousa, sagrou-se hoje, pela primeira vez no seu historial – depois de ter perdido as finais de 2017, 2014 e 2003 -, Campeã da Europa de sub-19 em futebol, ao vencer na Final, disputada na Finlândia, a Itália, por 4-3, após prolongamento, depois de um empate 2-2 no final do tempo regulamentar.

Este título soma-se aos anteriormente conquistados no escalão de sub-18, em 1994 e 1999. Por seu lado, a actual geração repete, no escalão de sub-19, o título europeu que obtivera há dois anos, então no escalão de sub-17, uma fantástica proeza!
Os jogadores João Filipe (“Jota”) e Francisco Trincão foram os melhores marcadores do Torneio, ambos com cinco golos.
A par de Portugal, garantiram também o apuramento para o Mundial sub-20 as selecções de Itália, França, Ucrânia e Noruega (para além do país organizador, Polónia).
Desempate por grandes penalidades nos Mundiais e Europeus – 2004-2018

(clicar na imagem para ampliar)
Num levantamento das situações de desempate da marca de grande penalidade verificadas nos Campeonatos da Europa de 2004, 2008, 2012 e 2016 e dos Campeonatos do Mundo de 2006, 2010, 2014 e 2018, registaram-se, no total, 23 casos de empate no final do prolongamento: 2 em cada uma das competições de 2004, 2008, 2010 e 2012; 3 em 2016; 4 em 2006, 2014 e 2018.
Das 219 tentativas, 154 foram convertidas em golo (70,3%); 41 foram defendidas pelos guarda-redes (18,7%) – o que significa um total de 195 remates enquadrados com a baliza (89,0%) – apenas tendo 24 remates tido outra direcção: 6 a embater na trave e 4 no poste; 9 ao lado, e outros 5 por alto.
Nas sequências de remates – sendo que apenas por oito vezes se completaram as 10 tentativas previstas regulamentarmente -, o remate mais bem sucedido tem sido o 2.º (78% de eficácia), seguido de perto pelo 3.º e 5.º remates (74%).
Nos casos em que se completou a série de dez remates, esta 10.ª tentativa regista uma percentagem de sucesso de 75% (6 golos em 8 remates), praticamente a par do 9.º remate (este, com a particularidade de ter sido a tentativa decisiva em 11 dos casos, com 74% de aproveitamento, nas 19 situações em que ocorreu).
No pólo oposto, aquele em que se tem verificado maior propensão ao erro é, sobretudo, o 8.º (com apenas 52% de aproveitamento – 11 em 21 ocasiões -, surgindo os guarda-redes particularmente “inspirados”, com 38% de defesas!), seguido da 6.ª tentativa (convertida em golo apenas em 65% dos casos).
O que nos conduz a uma outra tendência, já antes constatada, pese embora agora bastante atenuada (em função dos desfechos dos desempates do EURO 2016 e do Mundial 2018): a de as equipas que iniciam a marcação parecerem ser de alguma forma beneficiadas (pelo efeito psicológico da tensão nervosa que se gera em que vai rematar em desvantagem, pelo menos momentânea); efectivamente, em 13 destes 23 casos, a equipa que marcou primeiro acabou por vencer.
Em termos aritméticos, o pior resultado foi o da Suíça, frente à Ucrânia, no Mundial 2006, perdendo por 0-3, tendo permitido, nas três tentativas de que dispôs, duas defesas do guarda-redes, e rematado uma vez à trave.
Os jogos em que os rematadores foram mais eficazes foram o Itália-França (Mundial 2006), o Paraguai-Japão (Mundial 2010), o Costa Rica-Grécia (Mundial 2014), o Portugal-Polónia (EURO 2016) e, principalmente, o Suíça-Polónia (EURO 2016), em todos os casos apenas com uma falha (sendo que o último deles foi o único em que se completaram as dez tentativas).
Ao invés, aqueles em que estiveram mais desastrados foram, para além do referido Ucrânia-Suíca (4 falhas em 7 tentativas), o Portugal-Inglaterra (5 falhas, em 9 – com destaque para as 3 defesas de Ricardo aos 4 remates ingleses, um record) e o Brasil-Chile e o Croácia-Dinamarca (ambos com 5 falhas em 10 remates, salientando-se também, neste último caso, as três defesas de Danijel Subašić… e duas de Kasper Schmeichel).
A Inglaterra vinha sendo a principal “vítima” deste sistema de desempate, derrotada por 3 vezes (nos Europeus de 2004 e 2012 e no Mundial de 2006) – sendo que duas dessas vezes foram frente a Portugal – tendo, agora, no Mundial 2018, superado a Colômbia. Com dois desempates perdidos, temos a Itália (também, outros dois, ganhos) e a Suíça.
Portugal tem três êxitos nesta fórmula de desempate (EURO 2004 e Mundial 2006, ambos frente à Inglaterra, e EURO 2016, ante a Polónia), tendo perdido uma vez, com a Espanha (EURO 2012).
A Alemanha, Croácia, Espanha, Holanda e Itália tiveram duas vitórias cada, sendo que os alemães são os únicos que nunca perderam no decurso deste período de 14 anos (em que se realizaram oito fases finais destas competições).
Mundial 2018 – 1/8 de final – Uruguai – Portugal
2-1
Fernando Muslera; Martín Cáceres, José María Giménez, Diego Godín (c.) e Diego Laxalt; Nahitan Nández (81m – Carlos Andrés Sánchez), Lucas Torreira, Matías Vecino e Rodrigo Bentancur (63m – Cristian Rodríguez); Luis Suárez e Edinson Cavani (74m – Cristhian Stuani)
Rui Patrício; Ricardo Pereira, Pepe, José Fonte e Raphaël Guerreiro; Wiliam Carvalho, Bernardo Silva, Adrien Silva (65m – Ricardo Quaresma), João Mário (84m – Manuel Fernandes) e Gonçalo Guedes (74m – André Silva); Cristiano Ronaldo (c.)
1-0 – Edinson Cavani – 7m
1-1 – Pepe – 55m
2-1 – Edinson Cavani – 62m
Cartões amarelos – Cristiano Ronaldo (90m)
Árbitro – César Ramos (México)
Fisht Olympic Stadium – Sochi (19h00)
Depois de se ter experimentado o doce sabor do triunfo num Campeonato da Europa, é bastante mais difícil “contentar-nos” com um desfecho menos “glorioso”.
As expectativas tinham, porventura (mesmo que apenas em termos de subconsciente), sido colocadas a um nível excessivamente elevado – embora, sem excepção, todos os elementos afectos à selecção tivessem procurado “baixar a fasquia”, enfatizando sempre que Portugal não era favorito (de facto, não era…) -, e, não tanto a nível de fase a atingir nesta competição, mas, principalmente, do nível exibicional que se “requeria”.
Em retrospectiva, o comportamento da equipa portuguesa na fase de Grupos deixara já patente que o conjunto luso se apresentava abaixo do padrão de forma que revelara há dois anos, no Europeu; sobretudo, denotando uma aflitiva incapacidade de “ter bola”, de controlar o jogo, assim como de explorar os espaços facultados pelos adversários (situação bem evidente na partida frente a Marrocos).
Na teoria, esta eliminatória era bem repartida, num daqueles casos em que o chavão dos “50/50” parecia encaixar na perfeição. Isto, sem prejuízo de se saber que o Uruguai tinha dois esteios na defesa (a dupla de centrais do At. Madrid, formada por Giménez e Godín), a par de duas “lanças” potencialmente letais apontadas na frente (Cavani e Suárez).
Esperava-se (desejava-se) que Portugal conseguisse estar ao seu melhor nível, especialmente que Cristiano Ronaldo sobressaísse e que o meio-campo alcançasse a solidez que ainda não evidenciara neste Mundial. E, já agora, que a defesa tivesse um rigoroso nível de concentração, que lhe permitisse antecipar as investidas contrárias.
A turma nacional até começou por ter uma aparente boa entrada em campo, com atitude positiva, procurando assumir a iniciativa. Porém, o golo sofrido logo à passagem do sétimo minuto, numa primeira falha defensiva – num lance fantástico de entendimento entre os dois homens mais ofensivos da formação sul-americana, com os portugueses “a ver jogar” -, viria condicionar todo o desenrolar do jogo.
Agora, após o termo do desafio, podemos já concluir que o Uruguai foi bem mais competente “a fazer de Portugal” que a nossa própria selecção: “sólido como uma rocha” na missão defensiva (com uma muralha que se foi gradualmente reforçando à medida que o tempo avançava); com eficácia quase absoluta nos (escassos) movimentos de ataque (para além dos golos, ficou apenas na retina um outro remate, bem defendido por Rui Patrício), não perdoando qualquer desatenção.
Ao invés, Portugal ficou aquém em quase todos os parâmetros, em relação ao que se ansiava. Depois do tento inaugural, e até final do primeiro tempo, o “onze” português – com notórios equívocos de posicionamento, jogando na largura do campo, mas sem profundidade, com Cristiano Ronaldo encostado à linha, a procurar “pegar no jogo”, mas sem ninguém na zona de finalização – embora procurasse, desta feita, assumir o controlo do jogo, não conseguiu nunca criar uma jogada com “cabeça, tronco e membros”, que se pudesse dizer que tivesse constituído uma efectiva oportunidade de golo.
A configuração do jogo alterar-se-ia na metade complementar da partida – necessariamente, para melhor – com a equipa portuguesa a conseguir, fruto da insistência que registara desde a fase inicial da segunda parte, igualar o marcador, na sequência de um canto curto, com Raphaël Guerreiro a cruzar atrasado, surgindo Pepe, no centro da área, a elevar-se mais alto que toda a defesa contrária, cabeceando inapelavelmente para a baliza.
Portugal estava, então, “por cima” e pensou-se que poderia seguir numa dinâmica de vitória. Porém, por ironia do destino – apenas sete minutos volvidos -, seria o mesmo Pepe a ter uma comprometedora perda de bola, potenciando um rápido contra-ataque uruguaio, com a bola a chegar ao flanco esquerdo, onde Cavani, ligeiramente descaído, liberto de marcação (Ricardo Pereira estava “demasiado longe”, numa zona mais interior), num gesto técnico de excelência, de primeira, rematou subtilmente, com a bola a desferir um arco e a ir anichar-se junto ao poste mais distante (quando Rui Patrício procurava cobrir o lado direito da sua baliza).
Na meia hora que restava para jogar, a selecção portuguesa teria então a sua “melhor” fase no torneio, intensificando a pressão ofensiva, com o Uruguai, deliberadamente, a remeter-se à defesa – no tal reforço de uma muralha que acabaria por se vir a revelar efectivamente intransponível. Foram cerca de trinta minutos em que os portugueses estiveram instalados no meio-campo contrário, mas com jogadas sempre inconsequentes, deixando transparecer uma sensação de impotência para contrariar o rumo dos acontecimentos, sempre a “correr atrás do prejuízo” e de um “relógio em marcha acelerada”.
No final, “reclamava-se” que o resultado era “injusto” em função do que ambas as formação tinham exibido dentro de campo, em especial atendendo à forma como Portugal porfiou no ataque, em contraponto ao comportamento de “equipa pequena” do Uruguai, que, durante largo tempo, “apenas” se preocupou em preservar a vantagem.
Mas, a “justiça” do marcador final pode ser interpretada de outra forma: os uruguaios executaram muito melhor as tarefas que lhe eram cometidas – em ambas as vertentes, quer no ataque (a tal eficácia quase total), como da defesa (praticamente impenetrável) – do que os portugueses (lentos a reagir na defesa, atabalhoados e sem profundidade na organização ofensiva, esbarrando sempre na barreira contrária).
Num balanço final, Portugal – eliminado nos 1/8 de final, tal como sucedera há oito anos, no Mundial da África do Sul, então frente à Espanha, equipa que se viria a sagrar Campeã Mundial – sai da competição na mesma fase que a Argentina (e, saber-se-ia pouco depois, que a própria Espanha), tendo, pela primeira vez na sua história, superado a Alemanha.
Um desempenho que, inevitavelmente, “sabe a pouco” (a fronteira entre um resultado sofrível e um “sucesso” ficaria um pouco mais adiante, pelo menos pelos 1/4 de final), e que terá de ter associada uma renovação da selecção portuguesa (são vários os jogadores que terão tido a sua última presença em Mundiais – nove dos seleccionados com 30 ou mais anos, como são os casos de Bruno Alves, Beto, Pepe, Quaresma, José Fonte, Manuel Fernandes e João Moutinho, para além do guardião Rui Patrício e da “incógnita” Cristiano Ronaldo, o qual, em 2022, se aproximará dos 37 anos e meio…).
Mas, fundamentalmente, uma nova “visão” de jogo, mais afirmativa e construtiva, baseada no talento de jovens que despontam – e que se deseja venham a confirmar o seu valor, em idade mais “madura” – como Rúben Dias, Gonçalo Guedes, André Silva, Gelson Martins, Bruno Fernandes ou, porventura o seu expoente maior, Bernardo Silva (para além dos já “consagrados” Raphaël Guerreiro, João Mário e Wiliam Carvalho, assim como de alguns outros nomes que não integraram o presente lote de convocados).
Mundial 2018 – Irão – Portugal
1-1
Ali Beiranvand; Ramin Rezaeian, Majid Hosseini, Morteza Pouraliganji e Ehsan Haji Safi (c.) (56m – Milad Mohammadi); Mehdi Taremi, Alireza Jahanbakhsh (70m – Saman Ghoddos), Saeid Ezatolahi (76m – Karim Ansarifard), Omid Ebrahimi e Vahid Amiri; Sardar Azmoun
Rui Patrício; Cédric Soares, Pepe, José Fonte e Raphaël Guerreiro; Wiliam Carvalho, Adrien Silva, João Mário (84m – João Moutinho) e Ricardo Quaresma (70m – Bernardo Silva); Cristiano Ronaldo (c.) e André Silva (90m – Gonçalo Guedes)
0-1 – Ricardo Quaresma – 45m
1-1 – Karim Ansarifard (pen.) – 90m
Cartões amarelos – Raphaël Guerreiro (33m), Ricardo Quaresma (64m), Cristiano Ronaldo (83m) e Cédric Soares (90m); Ehsan Haji Safi (52m) e Sardar Azmoun (54m)
Árbitro – Enrique Cáceres (Paraguai)
Mordovia Arena – Saransk (19h00)
Num desafio final da fase de grupos em que o empate bastava para garantir o apuramento para os 1/8 de final, a selecção portuguesa mostrou-se bem consciente de que o melhor caminho para alcançar o objectivo era o de buscar a vitória, sabendo, não obstante, das dificuldades que a esperavam, atendendo ao desempenho do Irão nos encontros anteriores.
A equipa nacional teve a melhor entrada em jogo de todas as três partidas – pese embora tenha sido esta a única em que não marcou logo de início -, assumindo decididamente a iniciativa, não dando tempo à formação iraniana de se organizar defensivamente, a qual, de forma algo surpreendente, começou por denotar sinais de intranquilidade, com o guarda-redes muito nervoso, a falhar a intercepção de bolas e a desentender-se com os seus colegas da defesa.
Nesse período inicial de cerca de 20 minutos, Portugal criaria algumas situações de apuro na defensiva contrária, as quais, contudo, não conseguiu materializar em golo, nomeadamente com Cristiano Ronaldo e João Mário perdulários.
Também desde cedo os jogadores do Irão começaram a evidenciar uma toada de forte agressividade, que se intensificaria com o decorrer do jogo, com entradas à margem das regras, a par da sistemática pressão que, do lado de fora das quatro linhas, ia sendo feita pelos elementos que se encontravam no banco, sobre a equipa de arbitragem e, também sobre os jogadores portugueses.
Com o decorrer do tempo, sem que o Irão tivesse criado qualquer situação relevante de perigo, o ritmo da partida começou a decair, com o grupo português, porventura, a começar a crer em ilusórias facilidades, na expectativa de que o golo acabaria por surgir.
E, curiosamente, o golo chegaria, mesmo ao findar no primeiro tempo, numa soberba “trivela” de Quaresma, num remate ainda de longe, cruzado, com a bola a desferir uma trajectória caprichosa, a fugir do guardião contrário, para, inapelavelmente, se anichar no fundo das redes. Um golo que aparecia na melhor altura, a dar maior confiança e serenidade à turma lusa, para o segundo tempo.
Pouco mais de cinco minutos decorridos na metade complementar, Portugal poderia ter alcançado a tranquilidade: Cristiano Ronaldo foi derrubado na área, não tendo o árbitro assinalado a correspondente sanção, lapso que seria corrigido pela intervenção do “VAR” (primeira de três, neste jogo); porém, na conversão da grande penalidade, o mesmo Ronaldo, com um remate não muito colocado (a bola dirigiu-se a meio entre o centro da linha de baliza e o poste), permitiu uma boa defesa a Ali Beiranvand.
Estávamos no minuto 53 e este seria um lance capital; em função da oportuna intervenção do seu guarda-redes, a partir daí, os iranianos galvanizar-se-iam, em contraponto a um conjunto português que se intranquilizaria, começando a “embarcar” no jogo duro e nas provocações dos jogadores do Irão, com Quaresma a “responder” a uma sucessão de entradas em falta, acabando por ver o cartão amarelo e “forçando” Fernando Santos a “preservá-lo”.
O mesmo sucederia com Cristiano Ronaldo, num lance duvidoso, aparentemente a procurar desforço, o que resultaria na segunda intervenção do “VAR”, com o árbitro a decidir-se por lhe “poupar” a expulsão, admoestando-o também com o cartão amarelo.
Na fase final do encontro, com o clima de tensão elevado ao máximo, então com o Irão a correr todos os riscos para procurar chegar ao golo – e, quando, tendo-se esgotado o tempo regulamentar, se julgaria que o “trabalho estava feito”, – o “VAR” teria a sua última intervenção no jogo, desta feita com o árbitro a julgar contra Portugal, interpretando erroneamente um cabeceamento de um iraniano (de cima para baixo), que embateu no braço de Cédric Soares, em plena grande área, apontando a marca da grande penalidade.
Quando, já em período de compensação – com Portugal então a ganhar e a Espanha a perder (frente a Marrocos) -, a selecção nacional parecia ter tudo para garantir o 1.º lugar do grupo, num ápice tudo se inverteria: os espanhóis marcavam o seu segundo tento, restabelecendo a igualdade, para, de imediato (já no minuto 93), os iranianos empatarem também.
Tendo o árbitro fixado o tempo de descontos em seis minutos (acabariam por ser um pouco mais de sete), o Irão acreditou que tudo era ainda possível, lançando bolas em profundidade para a área portuguesa; logo no minuto 94, num desses lances, na sequência de um ressalto, a bola sobrou para Mehdi Taremi que, ligeiramente descaído sobre o lado esquerdo, só frente a Rui Patrício – o qual apenas teve possibilidade de esboçar a “mancha”, procurando cobrir o ângulo da sua baliza -, remataria à malha lateral das redes, num instante em que o coração dos portugueses teve uma “paragem”.
Foi por “um cabelo” que Portugal não sofria o segundo golo (uma espécie de “matchpoint” desperdiçado), que, irremediavelmente, o teria afastado da fase seguinte!
No termo de um jogo com fases electrizantes, de elevadíssima tensão – em que Portugal acabou por passar por um enorme (e evitável) sofrimento, a par de um colossal susto -, tem de lastimar-se a atitude genericamente evidenciada pelo conjunto iraniano, pautada por excessiva agressividade, assim como pela “azia” revelada por Carlos Queiroz, a queixar-se abusivamente da arbitragem, quando nem se poderá considerar que a sua equipa tenha sido mais prejudicada.
Do mal o menos, embora baixando ao 2.º posto, a selecção nacional passava a ter encontro marcado, para Sábado, com o Uruguai (ao invés de defrontar a equipa da casa, Rússia). Um teste que se afigura ainda de maior grau de dificuldade, tendo em consideração o elevado potencial futebolístico do adversário, no qual será necessário que Portugal melhore ainda, substancialmente, a sua exibição, concentração e efectividade.
Mundial 2018 – Portugal – Marrocos
1-0
Rui Patrício; Cédric Soares, Pepe, José Fonte e Raphaël Guerreiro; Wiliam Carvalho, João Moutinho (89m – Adrien Silva), Bernardo Silva (59m – Gelson Martins), João Mário (70m – Bruno Fernandes) e Gonçalo Guedes; Cristiano Ronaldo (c.)
Monir El Kajoui; Nabil Dirar, Mehdi Benatia (c.), Manuel da Costa e Achraf Hakimi; Nouredinne Amrabat, Karim El Ahmadi (86m – Fayçal Fajr), Younes Belhanda (75m – Mehdi Carcela-González), Mbark Boussoufa e Hakim Ziyach; Khalid Boutaib (69m – Ayoub El Kaabi)
1-0 – Cristiano Ronaldo – 4m
Cartões amarelos – Adrien Silva (90m); Mehdi Benatia (40m)
Árbitro – Mark Geiger (EUA)
Luzhniki Stadium – Moskva (13h00)
Não há como contornar a evidência: a selecção de Portugal teve uma péssima exibição neste jogo, que, por felicidade, acabou por vencer.
Com Cristiano Ronaldo inspirado, o mais difícil parecia ter sido feito logo ao quarto minuto – outra vez, tal como sucedera na estreia, com a Espanha – quando, na sequência de um canto curto, João Moutinho, com um excelente cruzamento, colocou a bola na área de acção do avançado, que, numa espécie de “salto de peixe”, tendo de se baixar, cabeceou, apertado entre dois defesas contrários, fulminando a baliza.
Porém, inexplicavelmente, ao longo do tempo, esta partida acabaria por ter contornos de grande similitude face aos do primeiro desafio, com a formação portuguesa a denotar uma aflitiva incapacidade de “ter bola”, concedendo a iniciativa a uma atrevida equipa de Marrocos, sempre “por cima”, assumindo o controlo, empurrando os portugueses para a sua zona defensiva, fazendo-os desgastar-se, correndo incessantemente atrás da bola.
E, claro, criando lances de apuro próximo da grande área de Rui Patrício, com a defesa nacional a ver-se e desejar-se para acorrer a todas as solicitações que, só não dariam em golo, por manifesto desacerto dos marroquinos.
Tal como no jogo com a Espanha, como que a “papel químico”, também neste encontro Portugal podia ter ampliado a vantagem, outra vez com Cristiano Ronaldo a desmarcar Gonçalo Guedes, que, contudo – infeliz na concretização, pese embora deva ser creditado pelo intenso trabalho que desenvolveu, mais no apoio ao meio-campo -, rematou de forma a possibilitar que o guardião contrário, estendendo o braço, sacudisse a bola com uma “palmada”, impedindo a sua trajectória vitoriosa. Estavam, então, decorridos 39 minutos, e este lance constituiria como que o “canto do cisne”.
Se a primeira metade tinha sido já sofrível, o segundo tempo, então, seria penoso para o grupo luso, com um meio-campo praticamente “ausente”, sem sequer conseguir aproveitar o adiantamento contrário para esboçar o contra-ataque. Valeria, na circunstância, uma soberba intervenção de Rui Patrício, a negar o golo do empate, que, num par de outras ocasiões, apenas não viria igualmente a acontecer por clamorosas falhas dos jogadores marroquinos, em posição de alvejar a baliza, desastradamente rematando ao lado e/ou por cima.
Foi enorme o sufoco vivido até final, para aguentar a magra vantagem que deixa Portugal a um ponto do apuramento para os 1/8 de final, ao mesmo tempo que, paralelamente, com muito de injustiça, deixou já, matematicamente, a selecção de Marrocos afastada de tal aspiração.
No último jogo desta fase de grupos, face a uma selecção do Irão, treinada por Carlos Queiroz, que fez a “vida negra” à Espanha, posicionando-se em campo, por vezes, num inaudito sistema táctico de “6-3-1”, com uma defesa perfeitamente alinhada de seis elementos, a tapar os espaços a toda a largura do campo e – muitos poucos metros adiante -, uma segunda barreira defensiva, de mais três elementos (tendo os espanhóis sido felizes, marcando o seu único tento, numa espécie de “carambola”, tendo tido, depois, de sofrer também para preservar a vantagem), Portugal terá de operar uma significativa melhoria na sua atitude para procurar evitar passar por maiores sustos.




