Mundial 2014 – EUA – Portugal

22 Junho, 2014 at 11:55 pm Deixe um comentário

EUA Portugal 2-2

EUA Tim Howard; Fabian Johnson, Geoff Cameron, Matt Besler, DaMarcus Beasley, Alejandro Bedoya (72m – DeAndre Yedlin), Kyle Beckerman, Michael Bradley, Jermaine Jones, Graham Zusi (90m – Omar Gonzalez) e Clint Dempsey (87m – Chris Wondolowski)

Portugal Beto; João Pereira, Bruno Alves, Ricardo Costa e André Almeida (45m – William Carvalho); Miguel Veloso, João Moutinho e Raul Meireles (69m – Silvestre Varela); Nani, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (16m – Éder)

0-1 – Nani – 5m
1-1 – Jermaine Jones – 64m
2-1 – Clint Dempsey – 81m
2-2 – Silvestre Varela – 90m

Se o jogo inaugural da selecção portuguesa neste Mundial dera já claros indícios – mesmo mitigados ou, noutra perspectiva, porventura mascarados, pelas características especiais dessa partida, e a forma como a mesma se desenrolou, com diversas incidências desfavoráveis, desde o penalty muito cedo, a expulsão e as lesões, logo de seguida – de que algo não estava bem, este segundo desafio veio efectivamente confirmar, agora já sem margem para o “benefício da dúvida”, que há, aliás, muitas coisas que não estão bem.

Começando por beneficiar, logo nos minutos iniciais, de um golo feliz, fruto de uma deficiente intervenção do defesa-central estado-unidense, que, ao procurar afastar a bola, a colocou de “bandeja” nos pés de Nani, que não se fez rogado, com frieza e eficácia, dando a melhor sequência ao lance, marcando o primeiro golo português – Portugal praticamente entrou em campo a ganhar.

O “mais difícil” parecia estar feito: um golo que pudesse dar confiança e serenidade ao grupo, e que o motivasse para a necessária vitória. Eis senão quando, de forma surpreendente, a equipa nacional rapidamente perdeu o controlo do jogo, não só cedendo a iniciativa ao adversário, como, mais, vendo-se mesmo empurrada para a sua zona defensiva, perante as sucessivas investidas americanas.

Durante meia hora, não conseguindo nunca acertar as marcações, dando sempre a sensação de estar em inferioridade na zona nevrálgica do meio-campo, a selecção portuguesa esteve à mercê do adversário, que, muito rematador, ameaçava o tento do empate, que Beto, atento e concentrado, por algumas vezes teve de negar.

Curiosamente, seria depois de uma inédita paragem do jogo, determinada pelo árbitro, cerca dos 37 minutos – para que os jogadores se pudessem refrescar e recuperar do ambiente sufocante de Manaus, em plena floresta da Amazónia, hidratando-se -, que os portugueses se conseguiriam libertar também da pressão contrária, criando duas flagrantes ocasiões de golo, desperdiçando o que seria o 2-0, praticamente a findar a primeira parte, primeiro com o guardião Howard a defender um bom remate de Nani, e, de seguida, depois de um remate, também de Nani, ao poste, na recarga, de Éder (que substituíra mais um jogador lesionado, Hélder Postiga), novamente o guarda-redes contrário, com uma soberba intervenção, a desviar miraculosamente para canto – dois lances que poderiam ter ditado uma história completamente diferente para este encontro.

Ao intervalo, André Almeida, que denotara já, ao longo da primeira parte, grandes dificuldades físicas, seria também substituído. E, no segundo tempo, a toada do jogo não teria grandes alterações, sempre com os EUA em superioridade, a ameaçar o golo, que Ricardo Costa, providencialmente, em cima da linha de baliza, ainda conseguiria salvar, a remate de Bradley. Mas o tento do empate acabaria mesmo por surgir, com um potente e colocado remate de fora da área de Jermaine Jones, a desviar a bola do alcance de Beto.

Consciente de que a igualdade era um resultado comprometedor, Portugal tentaria ainda reagir, com Raul Meireles a ver um remate perigoso travado por Howard. Até que, já nos derradeiros dez minutos, os estado-unidenses chegariam à posição de vantagem, com Dempsey a aproveitar da melhor forma a lentidão de Bruno Alves, que, depois de uma tentativa de corte, caindo no terreno, demoraria a erguer-se, possibilitando assim que o marcador do golo (obtido com um encostar da barriga à bola, completamente desmarcado, à boca da baliza) estivesse em posição regular.

Culminando uma péssima actuação, denotando grandes carências, Portugal estava virtualmente eliminado. Teria ainda um lance bem ilustrativo do estado de descrença e de desnorte, com cinco (!)  jogadores portugueses a serem apanhados em situação de fora de jogo, num único lance.

O segundo golo português, obtido ao minuto 95, cairia literalmente “do céu”, com Silvestre Varela a finalizar na perfeição  a melhor jogada de Cristiano Ronaldo em todo o desafio, com um cruzamento longo, pelo ar, da extrema direita, para o lado contrário da área americana. Um golo que – não obstante poder vir eventualmente a comprometer o apuramento dos EUA – mais não será que um paliativo para Portugal…

No final deste jogo, impunha-se como inevitável a sensação de amadorismo que toda a presença de Portugal neste Mundial denota, a nível de organização, planeamento e preparação, desde a escolha do local de estágio (Campinas), ao timing de chegada ao Brasil (praticamente em cima do arranque da prova) e de deslocação para os locais de jogo, passando pelas sucessivas lesões (Hugo Almeida, Fábio Coentrão, Rui Patrício, Hélder Postiga, André Almeida).

Uma selecção excessivamente dependente de Cristiano Ronaldo, que, pese embora o espírito de sacrifício que revela, não estando obviamente em condições, acaba por, mesmo que involuntariamente, ser mais prejudicial que benéfico ao grupo, que – envelhecido, em fim de ciclo, com notória falta de ritmo – não consegue suprir o sub-rendimento do seu capitão, o qual, inevitavelmente, acaba por provocar desequilíbrios na ocupação do espaço, em particular no controlo da zona intermediária, e nas tarefas defensivas, tornando a equipa vulnerável às investidas adversárias.

No imediato pós-jogo, o discurso derrotista do responsável técnico pela selecção (Paulo Bento), assim, como, antes, de Nani, é claro sintoma de que (já) ninguém acredita na selecção, nem os próprios…

As hipóteses matemáticas de apuramento – necessidade de reverter uma desvantagem de cinco golos, e no pressuposto, indispensável, que não haja empate no Alemanha-EUA – mais não passam do que de uma miragem; objectivamente, não seria impossível Portugal ganhar por três ao Gana, e que a Alemanha ganhasse aos EUA por dois golos de diferença, o que bastaria para concretizar tal qualificação – sendo que, por outro lado, subsiste inclusivamente o cenário de eventual necessidade de recurso a sorteio para desempatar as equipas, por exemplo, caso Portugal vencesse por 2-0 e os EUA perdessem por 0-3! Mas, no contexto presente, tal não deixaria de ser como que um milagre…

Cartão amarelo – Jermaine Jones (75m)

Árbitro – Nestor Pitana (Argentina)

Arena Amazónia – Manaus (23h00)

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