O pulsar do campeonato – 7ª jornada
(“O Templário”, 21.11.2013)
Após um interregno de uma semana, em que foram disputados os desafios da fase zonal da Taça das Regiões da UEFA, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol, tendo a selecção distrital representante da Associação de Futebol de Santarém defrontado as suas congéneres de Lisboa (empatando 2-2, tenho vencido no desempate da marca de grande penalidade) e Setúbal (frente à qual perdeu por 0-1), regressaram os campeonatos distritais.
Na I Divisão realizou-se a 7.ª jornada, uma ronda sem particulares surpresas a assinalar, tendo, na generalidade, as equipas teoricamente mais apetrechadas confirmado o seu favoritismo. É de realçar, não obstante, as margens dos triunfos, alcançados em terreno alheio, do At. Ouriense (4-1, em Assentiz) e do Fazendense (4-2, em Abrantes, face à U. Abrantina).
Por outro lado, merece também particular destaque a vitória obtida pelo União de Tomar, na recepção ao Coruchense (1-0), impondo assim ao grupo de Coruche o primeiro desaire na prova, e demonstrando que a equipa é também capaz de atingir bons níveis de concentração e segurança em funções defensivas. Situação idêntica se registou com o Amiense, perdendo pelo mesmo resultado em Torres Novas, num aliciante desafio entre dois dos principais candidatos aos lugares de topo da tabela.
A formação do Pontével, que, curiosamente, ainda não empatou no campeonato, prossegue a sua excelente carreira, tendo somado a sua quinta vitória, vencendo o Benavente por 2-1, alcandorando-se assim, novamente, ao 2.º lugar. O Mação venceu, também por 1-0, o decepcionante Cartaxo, única equipa que subsiste ainda sem qualquer triunfo. Por fim, U. Chamusca e Empregados do Comércio empataram a um golo.
Desta forma, a turma de Torres Novas – com um desempenho quase perfeito, apenas tendo cedido, até esta altura, um empate, sendo agora a única equipa a manter a invencibilidade – reforça a liderança, apesar de manter a vantagem face ao mais directo perseguidor (o já referido Pontével) em quatro pontos, tendo o Fazendense a cinco pontos; cavou-se entretanto já um fosso relevante, de sete pontos, para o duo que partilha agora o 4.º posto, formado por At. Ouriense e Amiense.
No miolo da pauta classificativa, regista-se agora um compactar de posições, com somente quatro pontos a separarem o 4.º do 10.º lugar: Coruchense e Mação estão apenas a dois pontos dos dois clubes anteriormente referidos, seguindo-se um trio, constituído por Empregados do Comércio, U. Tomar e Assentis, dois pontos mais abaixo.
Por fim, na cauda da tabela, um quarteto, formado por Benavente e U. Chamusca, contando cinco pontos; U. Abrantina, com um ponto a menos; e, ainda na incómoda posição de “lanterna vermelha”, o Cartaxo, que regista apenas três empates.
Ainda uma palavra de apreço para a prova que o União de Tomar vem realizando, com uma série de três jogos sem perder, tendo conseguido, por agora, superar de forma positiva o muito difícil encadeamento de encontros que o sorteio lhe destinara nesta fase inicial da época, em que defrontou já – nas sete jornadas decorridas – os seis primeiros classificados (tendo perdido com os dois primeiros, e em Amiais, perante o actual 5.º, mas tendo imposto empates ao 3.º e 4.º, vencendo nesta ronda o 6.º classificado). Isto dito, numa espécie de balanço preliminar à parte já decorrida da temporada, e projectando-o no futuro próximo, espera-se que a turma unionista possa dar o melhor seguimento ao desempenho até agora registado, traduzindo-o em vitórias nas partidas que, de ora em diante, enfrentará face a adversários mais “do seu campeonato”.
Começando já, na próxima ronda, por um ainda difícil compromisso perante os Empregados do Comércio, em terreno alheio. Numa jornada com outros aliciantes, como os confrontos entre Fazendense e Torres Novas – um sério teste às pretensões de ambos os contendores –, assim como entre Amiense e Pontével. As formações de Benavente e Mação disputarão também um desafio de prognóstico incerto; enquanto as equipas do At. Ouriense e Coruchense serão favoritas nos desafios que as opõem, respectivamente, à U. Abrantina e Assentis. Por fim, o Cartaxo, recebendo a U. Chamusca, terá uma oportunidade de quebrar o “enguiço” e alcançar enfim a sua primeira vitória; caso contrário, poderá começar a ficar em situação delicada.
Na II Divisão Distrital, em que se disputou a 6.ª jornada, tudo ficou bastante mais “embrulhado”: na série mais a Norte, há agora somente dois pontos de diferença entre o 1.º e o 8.º lugar, com o comando partilhado por Pego, Atalaiense e Goleganense; a Sul, o surpreendente Barrosense ascendeu à liderança (beneficiando do empate entre outros dois candidatos, U. Almeirim e Porto Alto), que reparte precisamente com esta última formação.
Finalmente, no Campeonato Nacional de Seniores, realizou-se a 9.ª ronda, última da primeira volta, com o Mafra a ver interrompida a sua carreira triunfal, cedendo o primeiro empate na recepção ao 2.º classificado, U. Leiria, mantendo-se os cinco pontos de diferença entre ambos. Num “derby” regional, o sensacional Alcanenense, recebendo, “à porta fechada”, o Riachense, goleou por 4-0, tendo assim igualado a formação leiriense no 2.º posto da classificação. Por seu turno, o Fátima, derrotado na Lourinhã (0-2) baixou ao 4.º lugar, já a quatro pontos do duo que o precede. Ambas estas equipas do Distrito registam já confortável vantagem sobre os lugares da parte baixa da classificação (respectivamente 14 e dez pontos, face ao antepenúltimo classificado), ao invés do que sucede com o Riachense, que se afundou no último lugar.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 21 de Novembro de 2013)
JFK-50

(ver também uma excelente selecção de fotos, em The Big Picture)
«Hoje, derrubo grades, amanhã defendo-as»
Não gostei de ver os polícias a subir, como invasores, as escadarias da Assembleia da República. Não gosto de ver invasões da Assembleia da República, mesmo que só sob a forma de ameaça. As forças de segurança têm razões de protesto como a maioria dos outros portugueses. Mas não têm as mesmas possibilidades de exercer o direito a esse protesto. Há coisas que uns têm e outros não têm, e isso é assim não só por causa da injustiça com que o mundo está desorganizado; é também assim por causa de como o mundo tem, e tem mesmo, de ser organizado. Já é altura de todos entendermos esse relativismo. Os homens do lixo podem fazer uma greve total durante dois dias; já os médicos e os enfermeiros não podem. Os camionistas, na estrada, podem combinar parar em todo o País às 15.35 de um determinado dia; já os pilotos de avião, no ar, não podem. Se calhar já todos entendemos esse relativismo, sem que nenhum grupo social se sinta desapossado dos seus direitos. Ora os polícias, além de não poderem, como os restantes portugueses, derrubar as grades e galgar as escadarias como se fossem tomar São Bento, têm uma razão suplementar para não o fazer. É que, fazendo, permitem-se aquilo que não permitiriam aos outros cidadãos fazer, quando eles, polícias, estão a exercer a sua função profissional. Claro que deixo toda esta conversa no pressuposto de que o Estado de direito continua vigente. Mas se estamos em insurreição, já não está aqui quem falou.
«50 maneiras de deixar o seu amor»
Um jornal não se faz por quem o escreve, mas por quem o lê. Um jornal não é uma colagem de factos, mas um chaveiro para o entendimento. Um jornal tem poder – o poder que o leitor lhe endossa. Para que o jornalismo seja a celebração diária da liberdade. Para que o jornalismo garanta a liberdade do dia seguinte. Quase sete anos depois do primeiro, escrevo hoje o último editorial como director do Negócios. Nós passamos, o Jornal fica. É assim que está certo. […]
Estes anos não foram quaisquer. Foram anos de ruína na economia, de desgraça na política, de devastação na sociedade. Conto hoje o que me foi sempre mais difícil: assistir à inconsequência da denúncia antes do início da intervenção externa; e continuar a transmitir esperança depois dela. A destruição dos sonhos dos mais novos, a pobreza entre os mais velhos, os cortes, os impostos, os resultados falhados, as políticas sem comando, a austeridade desembestada, a regeneração fracassada, a sucessão arrogante e desatinada de medidas tortas e a direito, a preservação dos instalados, a supremacia dos mais fortes sobre os mais fracos foram – são – testes diários à capacidade de não desistir, de não perecer à derrota, de encontrar dentro de nós mesmos força e amor para continuar a lutar – contra eles se necessário; por nós, por sobrevivência . Para não perder a esperança. Para não espalhar miséria. Perdemos quando sucumbimos ao cinismo, doença que ensombra a luz e come os sonhos por dentro. Ganhamos quando vivemos cada dia ingénuos como se fosse o primeiro e desprendidos como se fosse o último.
O Negócios é um jornal com vida, com esta alegria, esta inconformação, esta liberdade de pensamento, esta esperança em Portugal, esta dedicação aos leitores. Eu serei doravante um deles. Um de vós. Um de nós. E é uma alegria. E é uma alegria!
Por tudo, por todas as vezes, obrigado.
Suécia – Portugal – (Mundial-2014 – Play-off – 2ª mão)
Suécia – Andreas Isaksson, Mikael Lustig, Per Nilsson, Mikael Antonsson, Martin Olsson, Sebastian Larsson (90m – Alexander Gerndt), Rasmus Elm (45m – Anders Svensson), Kim Kallstrom, Alexander Kacaniklic (82m – Jimmy Durmaz), Johan Elmander e Zlatan Ibrahimovic
Portugal – Rui Patrício, João Pereira, Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão (52m – Antunes), Raul Meireles (73m – William Carvalho), Nani, João Moutinho, Miguel Veloso, Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida (82m – Ricardo Costa)
0-1 – Cristiano Ronaldo – 50m
1-1 – Zlatan Ibrahimovic – 68m
2-1 – Zlatan Ibrahimovic – 72m
2-2 – Cristiano Ronaldo – 77m
2-3 – Cristiano Ronaldo – 79m
Cartões amarelos – Martin Olsson (54m), Anders Svensson (61m), Kim Kallstrom (69m) e Mikael Antonsson (84m); Nani (59m)
Árbitro – Howard Webb (Inglaterra)
Depois do desfecho da primeira mão, ambas as selecções encararam esta “segunda parte” da eliminatória com alguma cautela, dando a entender que “havia muito tempo” para as decisões. De facto, no primeiro tempo, e após alguma tomada de iniciativa dos suecos no arranque do jogo, rapidamente se passou a uma toada morna, com o jogo bem repartido, mas com a equipa portuguesa a manter a situação perfeitamente controlada.
Teria inclusivamente, por intermédio de Cristiano Ronaldo, aos 36 minutos, e Hugo Almeida, aos 39 minutos, duas soberanas ocasiões de golo, não aproveitadas. Só já na fase derradeira desta etapa inicial do jogo, a Suécia assustaria, em dois lances de bola parada, em particular num remate de Ibrahimovic, que, contudo, saiu bastante alto.
No recomeço, os suecos terão reconhecido que era chegada a altura de mudar a abordagem ao jogo, e de, finalmente arriscar; logo aos 4 minutos, a centro atrasado de Ibrahimovic, já na linha de fundo, surgiria Larsson a rematar à “queima-roupa”, com Rui Patrício, com excelente intervenção, positivamente a negar o que teria sido o primeiro golo da Suécia.
Só que, precisamente no lance imediato, Cristiano Ronaldo, lançado em profundidade, num passe “a rasgar”, para as costas da defesa sueca, embalaria em corrida, numa diagonal de algumas dezenas de metros, sempre perseguido pelos suecos, conseguindo isolar-se, rematando cruzado para a baliza do desamparado Isaksson, num golo à “matador”, que, pensava-se, proporcionava a Portugal uma confortável e decisiva vantagem de dois golos na eliminatória, até porque, no quarto de hora seguinte, a selecção portuguesa conseguiria gerir, de forma tranquila, essa situação de vantagem.
Chegaria então o momento em que o desafio sofreria uma brutal aceleração, numa fase da partida de enorme intensidade: no espaço de apenas quatro minutos, a Suécia, na sequência de dois lances de bola parada, operaria uma reviravolta no marcador, com dois tentos de Ibrahimovic: primeiro, dando a melhor finalização a um pontapé de canto, antecipando-se à defensiva portuguesa, com um cabeceamento cruzado, a desviar a bola do alcance do guardião português; logo de seguida, na conversão de um livre, com um remate forte, a “furar” a barreira (pelo chão), passando por baixo de Rui Patrício.
Temeu-se que a equipa portuguesa se pudesse de alguma forma descontrolar. Paulo Bento concretizaria então uma substituição, já planeada antes do segundo golo sueco, trocando Raul Meireles pelo estreante William Carvalho; uma opção de risco, no momento mais difícil do desafio e da eliminatória. Não haveria contudo tempo sequer para uma “ambientação” do novo recruta, pois, aos dois golos de Ibrahimovic em quatro minutos, responderia Cristiano Ronaldo, de imediato, com dois golos… num intervalo de apenas dois minutos! Fantástico!
Aproveitando o entusiasmo sueco e o balanceamento da equipa para o ataque, em busca do terceiro golo, que colocaria a Suécia em posição de apuramento, Cristiano Ronaldo conseguiria concretizar mais um rapidíssimo lance de contra-ataque, controlando a bola, na recepção, com um toque de joelho, acabando por rematar, já algo em desequilíbrio, sem hipóteses para Isaksson. E se o 2-2 voltava já a colocar Portugal no Mundial, Ronaldo não se ficaria por aí, consumando nova sensacional reviravolta, garantindo a vitória da equipa portuguesa, com um também fantástico terceiro golo, a contornar o guarda-redes adversário, desferindo um forte remate, já quase sem ângulo..
Um verdadeiro recital de Cristiano Ronaldo, que, com o “hat-trick” registado, igualou Pauleta como o melhor marcador de sempre da selecção de Portugal, podendo inclusivamente ter chegado ao quarto golo logo depois, com mais um remate cruzado, a sair a milímetros do poste (já nos derradeiros minutos, ainda ensaiaria mais um remate perigoso). Mas o resultado estava feito…
Não tendo conseguido evitar as “horas extras” do play-off, e, neste, acabando também por passar por alguns momentos de apuro e de sofrimento, durante cerca de dez minutos (entre os dois golos dos empates, a 1-1, e a 2-2), Portugal teve, na “Hora H”, de maior pressão, o discernimento que lhe permitiu ser feliz, respondendo de forma extraordinariamente afirmativa quando tal era requerido, deixando agora sem (segunda possibilidade de) reacção a Suécia, confirmando assim um justo apuramento para o Mundial, a oitava fase final de uma grande competição internacional em que marca presença, de forma consecutiva, desde 2000.
Nos outros duelos do “play-off” de apuramento na Europa, a Grécia confirmou o apuramento, empatando a um golo na Roménia; a Croácia eliminou a Islândia, vencendo por 2-0; por fim, a França conseguiria reverter a desvantagem da primeira mão, ganhando à Ucrânia por 3-0.
Estão já apurados 30 dos 32 finalistas do Mundial: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Equador, Alemanha, Bélgica, Bósnia-Herzegovina, Croácia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Inglaterra, Itália, Portugal, Rússia, Suíça, Costa Rica, EUA, Honduras, Argélia, Camarões, Costa do Marfim, Ghana, Nigéria, Austrália, Coreia do Sul, Irão e Japão. Uruguai e México deverão completar amanhã o lote.
Um destaque final para a presença de três treinadores portugueses na fase final do Mundial, ao comando das selecções de Portugal (Paulo Bento), Grécia (Fernando Santos) e Irão (Carlos Queirós).
Portugal – Suécia (Mundial-2014 – Play-off – 1ª mão)
Portugal – Rui Patrício, João Pereira, Pepe, Bruno Alves, Fábio Coentrão, Raul Meireles (78m – Josué), Nani, João Moutinho, Miguel Veloso, Cristiano Ronaldo e Hélder Postiga (66m – Hugo Almeida)
Suécia – Andreas Isaksson, Mikael Lustig, Per Nilsson, Mikael Antonsson, Martin Olsson, Sebastian Larsson, Rasmus Elm (72m – Pontus Wernbloom), Kim Kallstrom (77m – Anders Svensson), Alexander Kacaniklic, Johan Elmander (88m – Alexander Gerndt) e Zlatan Ibrahimovic
1-0 – Cristiano Ronaldo – 83m
Cartões amarelos – João Pereira (42m) e Cristiano Ronaldo (76m); Sebastian Larsson (71m); Johan Elmander (76m – Anders Svensson)
Árbitro – Nicola Rizolli (Itália)
Numa partida que se antevia equilibrada, decidida por detalhes, Portugal entraria em campo com excelente atitude, a todo o “gás”, com o primeiro lance de perigo a surgir logo aos cinco minutos, com João Moutinho a contornar o guarda-redes, mas alargando a trajectória, acabaria por perder o ângulo, rematando à malha lateral. Porém, no lance imediato, Elmander conseguiu soltar-se na zona de perigo da área portuguesa, rematando ligeiramente ao lado, provocando um susto à equipa portuguesa que, de imediato, como que se retrairia.
Seria então a Suécia a criar mais perigo: aos 20 minutos, Rui Patrício seria colocado à prova, respondendo de forma concentrada e segura, depois de Ibrahimovic ter iludido a defesa portuguesa, abrindo espaço para o remate de Larsson. Logo de seguida, os suecos provocariam “frisson” de novo, num livre directo, por Kallstrom, com a bola a sair junto ao poste.
Aos 24 minutos, seria a vez do guardião Isaksson revelar também atenção, saindo a defender a soco, uma bola lançada para a área, à espera da entrada de Ronaldo…
Mas, efectivamente, numa primeira parte que acabaria por ser de fraco nível, dado a intensidade de jogo ter baixado muito depois dos minutos iniciais, o primeiro remate da selecção portuguesa à baliza contrária só surgiria aos 45 minutos, por Pepe.
Já no segundo tempo, logo aos 48 minutos, seria Hélder Postiga a rematar, mas por cima da baliza. Apenas dois minutos depois, num lance em que Pepe surgiu isolado frente ao guarda-redes adversário, ligeiramente descaído sobre o lado direito, haveria uma espécie de carambola, com vários ressaltos, sem que ninguém conseguisse impelir a bola para dentro da baliza, acabando por sobrar para Cristiano Ronaldo, que remataria, de primeira, muito por alto.
Aos 62 minutos, a principal ocasião de golo esteve nos pés de João Moutinho, também descaído na direita, mas não conseguiria rematar para o fundo da baliza; na sequência do canto, um remate forte de Hélder Postiga levou também perigo, mas saiu por cima. No melhor período de Portugal no jogo, Nani, aos 69 minutos, conseguiu um drible, rematando com algum perigo, mas à figura do guardião sueco.
Até que, aos 82 minutos, dando perfeita sequência a um excelente cruzamento de Miguel Veloso, Cristiano Ronaldo, numa espécie de “salto de peixe”, de cabeça, a desviar a bola do alcance de Isaksson, marcaria enfim o tão ansiado golo. E, apenas, três minutos decorridos, Cristiano Ronaldo cabecearia de novo, com muito perigo, com a bola a embater na trave.
O jogo chegava ao fim, com um importante triunfo de Portugal, com a vantagem de não ter sofrido golos, o que lhe deixa boas opções para a 2.º mão, mas num desafio em que terá de aplicar-se a fundo para garantir o apuramento para o Mundial.
Nos outros jogos da 1.ª mão do play-off, a Islândia empatou a zero, em casa, com a Croácia; a Grécia venceu a Roménia por 3-1; e a Ucrânia bateu a França por 2-0.
U. Tomar – Centenário (VII)
(“O Templário”, 07.11.2013)
Depois das conquistas da época de 1941-42, na temporada imediata o União de Tomar prosseguia a sua senda triunfal. A 20 de Dezembro de 1942, ainda a uma jornada do termo do Campeonato Distrital, o União garantia a revalidação do título regional (Campeão da Zona Norte), selando essa conquista da melhor forma, com a maior goleada de sempre da sua história, vencendo o Atlético Clube Alcanenense pela extraordinária marca de 13-1:
«Como se esperava, o Atlético não pôde resistir aos unionistas, e a curiosidade do desafio era de facto saber até quantos «go[a]ls» chegavam os avançados do «team» tomarense. E sob esse aspecto, o público, que ainda era em grande número, deve ter dado o seu tempo e dinheiro por bem empregados – pois viu e «saboreou» «goals» para todos os «paladares». […]
O desafio não tem história. Esta, é somente constituída pela enumeração dos «tentos». Domínio absoluto do União, cortado de longe em longe por uma reacção do adversário, a quem desde já deve fazer-se jus à tenacidade com que sempre se bateu, pois, ao contrário do que havia sucedido oito dias antes [derrota por 0-8 em Tomar, frente ao Sporting de Tomar], nunca se entregou batalhando sempre com a maior tenacidade, mau grado o avolumar constante do «score».»(1)
Ainda nesta mesma temporada, de 1942-43, a turma unionista, em mais uma presença na II Divisão Nacional, bisaria também o título de Campeão Distrital.
Na segunda mão da Final, disputada em Tomar, no dia 11 de Abril de 1943, frente ao Operário Vilafranquense – e depois de ter perdido, na 1.ª mão, em Vila Franca de Xira, por 0-1 –, ficaria vincada mais uma página indelével da história do União de Tomar; efectivamente, num desfecho absolutamente anormal para um desafio destas características (mas que confirmava as goleadas já anteriormente impostas a outros adversários, nomeadamente ao grande rival tomarense, Sporting de Tomar, frente ao qual ganhara por 10-2, a 24 de Janeiro), o União venceria pela fantástica margem de 8-0!
«Os visitantes poderão queixar-se dalguns deslizes da sua defesa, consentindo «goals» em jogadas aparentemente inofensivas, mas também têm de agradecer à sorte não terem sofrido alguns outros (sem procurarmos muito lembremo-nos daquelas três bolas na trave do extremo esquerdo unionista) que só admira não terem ido ao fundo da rede, porque não tinham apelo. […]
Pouco confiante com a margem conseguida no encontro anterior, e surpreendido com dois «goals» de rajada do União, logo nos primeiros 5 minutos da partida, o «team» deve ter sido abalado moralmente, para nunca mais se encontrar durante a partida.»(2)
Vencendo a Série Ribatejo do Campeonato Nacional da II Divisão, o U. Tomar sagrava-se, pela segunda vez consecutiva, Campeão Distrital de Santarém (ou, como então era designado, “Campeão Provincial do Ribatejo”)!
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O pulsar do campeonato – 6ª jornada
(“O Templário”, 07.11.2013)
O principal destaque da 6.ª jornada do Campeonato Distrital da I Divisão vai para a fantástica recuperação do União de Tomar em Ourém, frente ao At. Ouriense, que quase culminou numa reviravolta que teria sido absolutamente inaudita no centenário historial unionista: a um minuto do final do tempo regulamentar a formação nabantina perdia por 0-2; num ápice, marcando dois golos, conseguiu restabelecer a igualdade no marcador, antes de, aos 94 minutos, ter ainda desperdiçado uma grande penalidade, que lhe teria proporcionado o terceiro golo e consequente triunfo.
Nas circunstâncias em que foi obtido, o empate a dois trata-se de um resultado bem positivo, pese embora algum sabor agridoce que terá perdurado no final. Mas, o mais importante a reter deste desafio é que o grupo unionista demonstrou que, com confiança em si próprio, e com um pouco mais de tranquilidade e concentração, tem capacidade para se bater com qualquer equipa deste campeonato, e em qualquer terreno, pelo que, a partir deste ponto agora obtido, outros frutificarão.
Naturalmente há também que realçar, nesta ronda, os primeiros pontos perdidos pelo líder Torres Novas, empatando em Benavente (1-1) – embora seja de recordar que este foi apenas o segundo encontro que os torrejanos disputaram em terreno alheio (o outro tinha sido em Tomar…) –, desfecho que não impediu que mantenham o comando destacado da prova.
Mais inesperado foi o desaire caseiro cedido pelo Fazendense ante o Assentis, perdendo por 1-2, assim se atrasando na tabela classificativa, tendo sido ultrapassado por Amiense e Pontével, formações que, de forma segura, vão fazendo o seu caminho, tendo vencido, respectivamente, a U. Abrantina e o decepcionante Mação, com o marcador a registar os mesmos números em ambas as partidas (2-0 a favor dos visitados).
Nos restantes desafios, o também pendular Coruchense (a par do Torres Novas e Amiense, ainda sem qualquer derrota averbada, apesar de ter registado já quatro empates), derrotou o U. Chamusca por 2-1, assim obtendo o seu segundo triunfo na prova; enquanto o Empregados do Comércio obteve também uma vitória por margem confortável (3-0) sobre o “lanterna vermelha” Cartaxo, equipa até agora com a prestação a constituir porventura maior desilusão.
O guia Torres Novas, passando a somar 16 pontos, dispõe agora de uma vantagem de quatro pontos sobre o duo formado por Amiense e Pontével, com o Fazendense a cinco pontos, Coruchense a seis, e o At. Ouriense, já a sete pontos. De entre este sexteto deverá sair o futuro Campeão, disputa de que eventualmente teremos talvez de vir, mais adiante, a retirar o Pontével e Coruchense, e na qual o Mação muito teria de porfiar para voltar a reentrar.
Daí para baixo, temos um total de oito equipas ainda relativamente niveladas, com destaque para os bons desempenhos dos recém-promovidos Assentiz (7.º classificado, com oito pontos) e Empregados do Comércio (que reparte a posição imediata na pauta classificativa com o Mação, apenas um ponto abaixo); segue-se outro par, constituído por U. Tomar e Benavente (contando apenas cinco pontos), um degrau acima de U. Chamusca e U. Abrantina, com o Cartaxo a ser a única equipa ainda sem qualquer vitória (os três empates alcançados não lhe permitem melhor posição que a de último classificado).
Na próxima semana os campeonatos terão um breve hiato, para disputa de mais uma eliminatória da Taça de Portugal (competição em que, contudo, já não resiste qualquer representante dos Distritais…), pelo que a próxima ronda apenas será realizada a 17 de Novembro, com o grande realce a ser atribuído ao Torres Novas – Amiense, um aliciante duelo de candidatos ao título. Mas do alinhamento da jornada fazem parte outros encontros de interesse, principalmente o Pontével – Benavente, U. Abrantina – Fazendense ou Assentiz – At. Ouriense. Por seu lado, o União de Tomar recebe a visita do Coruchense, visando quebrar a invencibilidade do seu opositor, em busca dos pontos que lhe permitam subir algumas posições. Por fim, teremos ainda o U. Chamusca – Empregados do Comércio e o encontro das duas principais decepções desta fase inicial do campeonato, Mação – Cartaxo.
Na II Divisão Distrital, em que se assiste para já a uma situação de grande equilíbrio, dos anteriores líderes – Tramagal, U. Almeirim e Porto Alto –, apenas este último venceu, isolando-se assim no comando da série que agrupa os clubes mais a Sul, beneficiando do desaire dos almerinenses na Barrosa, equipas que se seguem de imediato, respectivamente a um ponto e a dois pontos do guia; a Norte, os tramagalenses (que empataram) partilham agora a liderança com o surpreendente At. Pernes, com o Caxarias somente um ponto abaixo.
Por fim, no Campeonato Nacional de Seniores, a oitava jornada foi bem positiva para as formações do Distrito, com saliência para o triunfo obtido pelo Alcanenense em Leiria, ante o União local (2-1), tendo o Fátima goleado o Carregado (4-0), enquanto o Riachense, empatando a uma bola com o Torreense, cedeu a “lanterna vermelha”, de forma isolada, ao Portomosense. As equipas do Alcanenense e do Fátima mantêm posições no topo da tabela, em 3.º e 4.º lugares, respectivamente a dois e a três pontos do 2.º classificado, U. Leiria, e já com confortável avanço sobre a parte baixa da classificação (11 e 10 pontos a mais que o Torreense, antepenúltimo classificado).
Na próxima ronda (última da primeira volta, também a disputar apenas no dia 17 de Novembro), o líder Mafra (que mantém o pleno, somando vitórias em todos os oito desafios realizados) recebe o U. Leiria; enquanto duas das agremiações do Distrito, Alcanenense e Riachense se encontram em Alcanena, deslocando-se o Fátima à Lourinhã.
(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Novembro de 2013)
Liga Europa – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Valencia, Ludogorets, Salzburg, Esbjerg, Rubin Kazan, Fiorentina, Dnipro e Tottenham são as primeiras oito equipas que garantiram já o apuramento para os 1/16 Final da Liga Europa.
Grupo E
Dnipro – Paços Ferreira – 2-0
Pandurii – Fiorentina – 1-2
1º Fiorentina, 12; 2º Dnipro, 9; 3º Pandurii e Paços Ferreira, 1
Grupo H
Sevilla – Slovan Liberec – 1-1
Estoril – Freiburg – 0-0
1º Sevilla, 8; 2º Slovan Liberec, 6; 3º Freiburg, 3; 4º Estoril, 2
Grupo I
Rijeka – Lyon – 1-1
Guimarães – Betis – 0-1
1º Betis, 8; 2º Lyon, 6; 3º Guimarães, 4; 4º Rijeka, 2
Liga dos Campeões – 4ª Jornada – Resultados e Classificações
Grupo A
Real Sociedad – Manchester United – 0-0
Shakhtar Donetsk – Bayer Leverkusen – 0-0
1º Manchester United, 8; 2º Bayer Leverkusen, 7; 3º Shakhtar Donetsk, 5; 4º Real Sociedad, 1
Grupo B
København – Galatasaray – 1-0
Juventus – Real Madrid – 2-2
1º Real Madrid, 10; 2º Galatasaray e København, 4; 4º Juventus, 3
Grupo C
Olympiakos – Benfica – 1-0
Paris St.-Germain – Anderlecht – 1-1
1º Paris St.-Germain, 10, 2º Olympiakos, 7; 3º Benfica, 4; 4º Anderlecht, 1
Grupo D
Viktoria Plzeň – Bayern – 0-1
Manchester City – CSKA Moskva – 5-2
1º Bayern, 12; 2º Manchester City, 9; 3º CSKA Moskva, 3; 4º Viktoria Plzeň, 0
Grupo E
Chelsea – Schalke 04 – 3-0
Basel – Steaua – 1-1
1º Chelsea, 9; 2º Schalke 04, 6; 3º Basel, 5; 4º Steaua, 2
Grupo F
Napoli – Marseille – 3-2
B. Dortmund – Arsenal – 0-1
1º Arsenal e Napoli, 9; 3º B. Dortmund, 6; 4º Marseille, 0
Grupo G
At. Madrid – Austria Wien – 4-0
Zenit – FC Porto – 1-1
1º At. Madrid, 12; 2º Zenit, 5; 3º FC Porto, 4; 4º Austria Wien, 1
Grupo H
Barcelona – AC Milan – 3-1
Ajax – Celtic – 1-0
1º Barcelona, 10; 2º AC Milan, 5; 3º Ajax, 4; 4º Celtic, 3
Bayern (actual detentor do título), Manchester City, Atlético de Madrid e Barcelona são as primeiras quatro equipas que garantiram já o apuramento para os 1/8 Final da Liga dos Campeões.






