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"O SEGREDO DOS TEMPLÁRIOS" (V)
“Para começar, relativamente poucos Templários foram, de facto, executados, embora a maioria dos que foram presos fosse «sujeita a interrogatório» – um velho eufemismo para o sofrimento de torturas atrozes. Relativamente poucos Templários foram condenados à fogueira, embora o seu grão-mestre Jacques de Molay fosse queimado lentamente, até à morte, na Île de la Cite, à sombra da Catedral de Notre Dame em Paris. Dos milhares de outros Templários, apenas os que se recusaram a confessar ou se retractaram da sua confissão foram mortos. Mas que validade tinham as confissões arrancadas com ferros em brasa ou com instrumentos para esmagar os polegares? E que se esperava, exactamente, que eles confessassem?
Os relatos das confissões dos Templários são, no mínimo, coloridos. Ficamos a conhecer que veneravam um gato ou que se entregavam a orgias homossexuais como parte dos seus deveres de cavaleiros ou veneravam um demónio conhecido por Baphomet e/ou uma cabeça decepada. Também foram acusados de terem pisado e cuspido na cruz num rito de iniciação. Tudo isto, evidentemente, parecia tornar absurda a ideia de que eles eram dedicados cavaleiros de Cristo e defensores do ideal cristão, e quanto mais eram torturados mais aparente se tornava essa divergência.”
“O Segredo dos Templários – O Destino de Cristo”, Lynn Picknett e Clive Prince
"O SEGREDO DOS TEMPLÁRIOS" (IV)
“Apesar dos seus melhores esforços, a Terra Santa caiu em poder dos sarracenos, pouco a pouco, até que, em 1291, o último território cristão, a cidade de Acre, passou para mãos inimigas. Não havia nada que os Templários pudessem fazer para além de regressar à Europa e planear a sua eventual reconquista, mas, infelizmente, nessa altura a motivação para tal campanha já desaparecera entre os vários reis que a podiam ter financiado. A sua principal razão de existir reduzira-se a nada. Sem ocupação, mais ainda ricos e arrogantes, eram alvo de ressentimento generalizado porque estavam isentos de pagamento de impostos e apenas deviam obediência ao papa e a mais ninguém.
Assim, em 1307, inevitavelmente, caíram em desgraça. O poderosíssimo rei francês Filipe, o Belo, começou a orquestrar a queda dos Templários com a conivência do papa, o qual, em todo o caso, o rei dominava. Foram emitidas ordens secretas aos representantes aristocráticos do rei e os Templários foram capturados a 13 de Outubro de 1307, sexta-feira, presos, torturados e condenados à morte pelo fogo.
Pelo menos, esta é a história contada na maioria das obras clássicas sobre este tema. Fica-se com a ideia de que toda a ordem encontrou o seu horrível fim naquele dia longínquo em que os Templários foram efectivamente varridos da face da Terra para sempre. Contudo, nada pode estar mais longe da verdade.”
“O Segredo dos Templários – O Destino de Cristo”, Lynn Picknett e Clive Prince
"O SEGREDO DOS TEMPLÁRIOS" (III)
“A riqueza dos Templários, em parte, era resultante da sua regra: todos os novos membros tinham de entregar os seus bens à ordem, a qual também acumulou uma considerável fortuna através de enormes doações de terras e de dinheiro feitas por reis e nobres. Os cofres da ordem em breve transbordavam de dinheiro, não menos devido a terem adquirido uma impressionante astúcia financeira, cuja consequência foi transformá-los nos primeiros banqueiros internacionais, de cujo critério dependiam as taxas de crédito das outras instituições. Foi uma maneira segura de se instituírem como um poder importante. Num curto espaço de tempo, o seu título de «Cavaleiros Mendicantes» tornou-se uma profunda hipocrisia, apesar de os soldados rasos poderem ter continuado pobres.
Além da sua espantosa riqueza, os Templários eram famosos pela sua destreza e coragem em combate – por vezes, até ao ponto da loucura. Tinham regras específicas que regulamentavam a sua conduta como guerreiros, por exemplo, era proibido renderem-se, a não ser que as probabilidades em seu desfavor fossem superiores a três contra uma, e mesmo assim tinham de obter a aprovação do seu comandante. Eram os serviços especiais da sua época – uma força de elite, com Deus, e dinheiro, do seu lado.”
“O Segredo dos Templários – O Destino de Cristo”, Lynn Picknett e Clive Prince
"O SEGREDO DOS TEMPLÁRIOS" (II)
“Bernard foi, de facto, o autor da Regra dos Templários – que foi baseada na de Cister – e foi um dos seus protegidos quem, como papa Inocêncio II, declarou, em 1139, que os Cavaleiros apenas seriam responsáveis perante o papado a partir daquela data. Como as Ordens dos Templários e de Cister evoluíram em paralelo, pode discernir-se alguma coordenação deliberada entre elas – por exemplo, o suserano de Hugues de Payens, o conde de Champagne, doou a S. Bernardo as terras de Clairvaux, em que ele construiu o seu «império» monástico. E, de modo significativo, André de Montbard, um dos nove Cavaleiros fundadores, era tio de Bernardo. Tem sido sugerido que os Templários e os Cistercienses actuavam em conjunto, segundo um plano preestabelecido, para dominar a Cristandade, mas esse plano nunca teve êxito.
É difícil exagerar o prestígio e o poder financeiro dos Templários quando estavam no auge da sua influência na Europa. Dificilmente existia um centro importante de civilização onde eles não tivessem um preceptorado – como, por exemplo, a proliferação de topónimos, como Temple Fortune e Temple Bar (Londres) e Temple Meads (Bristol) em Inglaterra ainda mostra. Mas, à medida que o seu império se expandia, a sua arrogância aumentou e começou a envenenar as suas relações com os chefes de Estado temporais e também seculares.”
“O Segredo dos Templários – O Destino de Cristo”, Lynn Picknett e Clive Prince
"O SEGREDO DOS TEMPLÁRIOS" (I)
“Os factos principais relativamente aos Templários são simples. Oficialmente conhecidos por Ordem dos Cavaleiros Mendicantes do Templo de Salomão, foram organizados em 1118 pelo fidalgo francês Hugues de Payens, como escolta cavaleiresca dos peregrinos da Terra Santa. Inicialmente, foram apenas nove, durante os primeiros nove anos, depois a ordem expandiu-se e, em breve, estabeleceu-se como uma força a considerar, não apenas no Médio Oriente mas também em toda a Europa.
Após o reconhecimento da ordem, Hugues de Payens iniciou uma viagem europeia, solicitando terras e dinheiro à realeza e à nobreza. Em 1129, visitou a Inglaterra e fundou o primeiro centro templário daquele país, no lugar que é agora a Estação do Metropolitano de Holborn, em Londres.
Como todos os outros monges, os cavaleiros faziam votos de pobreza, castidade e obediência, mas viviam no mundo e do mundo e comprometiam-se a usar a espada, se necessário, contra os inimigos de Cristo – e a imagem dos Templários tornou-se inseparavelmente associada às cruzadas que foram empreendidas para expulsar os infiéis de Jerusalém e conservá-la cristã.
Foi em 1128 que o Concílio de Troyes reconheceu oficialmente os Templários como uma ordem religiosa e militar. O principal protagonista que esteve por detrás deste movimento foi Bernard de Clairvaux, o dirigente da Ordem de Cister, que, mais tarde, foi canonizado.”
[…]
“O Segredo dos Templários – O Destino de Cristo”, Lynn Picknett e Clive Prince
"CRÓNICA PARA TOMAR"
Excertos de crónica dedicada a Tomar, escrita por um dos mais aclamados escritores mundiais, António Lobo Antunes:
“Agora, à noite, eu sozinho no silêncio da casa. Os livros tão quietos, as fotografias, os quadros, uma espécie de eternidade breve na contidão do relógio. Luzes ao longe. Escrevo, como sempre que escrevo aqui, na mesa de comer. O estádio de futebol apagado, poucas lâmpadas nos prédios. Dói-me qualquer coisa atrás dos olhos, não bem dor, uma impressão. Pela janela aberta o som dos automóveis. Em baixo, no baldio, um cão principia a chamar, entre duas oliveiras e uma ruína: uma ruína neste momento um novelo de sombras, de manhã um pedaço de muro. De quando em quando percebe-se o vento: não muito alto, um cochicho. Diz o quê? Apetecia-me que alguém cantasse, a voz de uma mulher como em Tomar, há muitos anos, andava eu na tropa. No sossego da messe dos oficiais, a meio do escuro, a voz. Sentia-me bem em Tomar. O enfermeiro do Hospital da Misericórdia, cheio de gestos. As árvores. As árvores.
…
Tomar. Camionetas de carreira, lado a lado, no aterro. O tribunal a cheirar a papel podre, a cartão bafiento. Funcionários alheados, arbustos que se agitavam como galinhas quando os galos as deixam, cacarejando folhas. O rio em Agosto com centenas de peixes, canivetes, só lâmina, furando a água, até à superfície, para apanharem um insecto com os dois dedos da boca: o lábio de cima o indicador, o lábio de baixo o polegar. Os olhos deles imperturbáveis, gordos. Salgueiros reflectidos, mais autênticos que os salgueiros cá fora. Alugavam-se barquinhos, remava-se entre caniços, musgos. Não só a esposa verde, tudo verde, nunca pensei que o verde fosse tantas cores, nunca pensei que no verde todas as cores do mundo. Dúzias. Qual dúzias? Mil. O retrato, com uma farda número um emprestada, para o cartão de oficial.
…
Salgueiros reflectidos, mais autênticos que os salgueiros cá fora. Meti-me no automóvel. Não sei porquê custou a pegar. Ou sei porquê: não tinha força para rodar a chave. Há alturas, quando os touros e as bonecas choram (não nós, claro, não nós) em que não se tem força para rodar uma chave.”
António Lobo Antunes (Crónica na Revista “Visão”, de 5 de Agosto de 2004)
JÁCOME RATTON (V)
No parágrafo 45 das suas memórias, Jácome Ratton escreveu sobre a importância do reinado de D. José, e do governo do marquês de Pombal, para o estabelecimento das várias manufacturas existentes na época:
“§ 45. Meios gerais empregados no Governo do Senhor Rei D. José para promover a introdução das Artes fabril em Portugal, e seus bons efeitos.
Os grandes subsídios dados pelo Governo, para a introdução das artes fabris em Portugal, a isenção de direitos sobre as matérias primas vindas de fora, assim como também aqueles de exportação sobre tais Manufacturas, e suas entradas francas nos Domínios do Ultramar, a introdução proibida no Reino de correspondentes manufacturas estrangeiras, e a rigorosa observância das leis repressivas do contrabando têm sido os princípios políticos a que se deveu a diversidade, e multiplicidade de estabelecimentos úteis; por efeito dos quais ficaram no país enormes somas, que antes passavam a nações estrangeiras, com gravíssimo prejuízo de Portugal, de cujas somas se poderá formar juízo comparando a balança do comércio de uns anos com outros, cuja balança se principiou a formar no Reinado da Rainha N. S. Que Deus Guarda à custa do Cofre da Real Junta do Comércio, que seria de muita utilidade publicar-se pela imprensa, para ilustração da parte pensante e instruída da nação principalmente para aqueles que influem no Governo poderem descobrir em um golpe de vista objectos de tanta importância; e até calcular os desastrosos efeitos que poderá produzir o tratado de comércio de Fevereiro de 1810, se se não tomarem em séria consideração, quanto antes, para se lhes obstar por todos os meios possíveis.
O tratado feito por Methuen, e Roque Monteiro Paim, ainda que arruinou muitas artes fabris, que havia no Reino, principalmente aquelas de lanifícios, cujas manufacturas estrangeiras não eram admitidas antes deste tratado, que teve por objecto a admissão dos panos ingleses, em compensação dos vinhos de Portugal pagarem de entrada em Inglaterra uma terça parte menos do que aqueles de França, e isto sem especificar a proporção de direitos de entrada dos ditos lanifícios, nem de outro género algum, tem sido modificado pelo Governo regenerador do Sr. Rei D. José.”
JÁCOME RATTON (IV)
Escreveria no exílio (em 1813) o que se tornaria uma das principais fontes documentais sobre a história económico-social de Portugal na Segunda metade do séc. XVIII: “Recordacoens de Jacome Ratton, fidalgo cavalleiro da Caza Real, cavalleiro da ordem de Christo, ex-negociante da praça de Lisboa, e deputado do tribunal supremo da Real Junta do Commercio, Agricultura, Fabricas e Navegação. Sobre occurrencias do seu tempo, em Portugal, durante o lapso de sessenta e tres annos e meio, aliás de maio de 1747 a setembro de 1810, que rezidio em Lisboa: acompanhadas de algumas subsequentes reflexoens suas, para informaçoens de seus proprios filhos. Com documentos no fim. Londres. Impresso por H. Bryer, Bridge Street, Blackfriars, 1813”.
Ainda em 1816, publicaria no “Investigador portuguez” um artigo “Pensamentos patrioticos. Imperio luso”.
Industrial e negociante da praça de Lisboa; deputado do tribunal supremo da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e Navegação; fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da ordem de Cristo, Jácome Ratton terminaria a vida em Lisboa cerca de 1821 ou 1822.
Em 1884, seria fundada em Tomar a Escola Jácome Ratton, a qual passaria a designar-se, em 1925, “Escola Industrial e Comercial de Jácome Ratton” (funcionando na Av. Cândido Madureira, actuais instalações do Instituto Politécnico de Tomar); em 1958, passaria para as actuais instalações na Av. Maria II.
Em 1979, adoptaria a denominação de “Escola Secundária Jácome Ratton”, tendo comemorado ontem 122 anos.
Dispõe de cerca de 850 alunos, com cursos gerais vocacionados para a continuação dos estudos, mas também cursos tecnológicos, orientados para a integração na vida activa.
JÁCOME RATTON (III)
A Fábrica de Fiação de Tomar seria, ao longo de cerca de 2 séculos, uma das principais âncoras da cidade, dando emprego a famílias inteiras, assumindo um papel decisivo na economia local.
Após longo período de “agonia”, de mais de duas décadas, a Fábrica entraria em processo de falência.
Em 1802, devido ao valioso contributo prestado à Indústria Nacional, Jácome Ratton recebe o foro de Fidalgo da Casa Real, após ter sido já distinguido com a designação de Cavaleiro da Ordem de Cristo.
Porém, na sequência da invasão francesa de 1807, por Junot, o facto de ser de origem francesa e as suas ideias progressistas levaram a que fosse indiciado de tendências jacobinas, sendo acusado de colaboracionista, vindo a ser uma das vítimas da “Setembrizada”; em 1810, já entretanto demitido do cargo de deputado da Junta do Comércio, seria, na noite de 10 para 11 de Setembro, preso na Torre de S. Julião, e transportado para a ilha Terceira, vindo a conseguir exilar-se voluntariamente em Inglaterra, de onde regressaria apenas em 1816.
JÁCOME RATTON (II)
Torna-se entretanto, em 1788, deputado do Tribunal Supremo da Real Junta de Comércio, Agricultura, Fábrica e Navegação, cargo que lhe permite incentivar as manufacturas, subsidiadas pela referida Real Junta de Comércio.
Duas fábricas dirigidas por estrangeiros haviam-se estabelecido em Tomar em 1771 (uma de caixas de papelão, outra de meias de estambre); ameaçando falência a fábrica de meias, Jácome Ratton procurou recuperá-la.
Em 1789, associando-se ao francês Timotheo Lecussan Verdier, funda a Fábrica de fiação de algodões de Tomar – a primeira em Portugal a utilizar a “moderna” tecnologia da Revolução Industrial (Ratton foi o primeiro defensor da utilização da máquina a vapor) –, beneficiando das potencialidades da região do Nabão no que respeita a recursos hídricos e proximidade da capital.
“O desenvolvimento da riqueza colonial mais recente – o algodão, provocou, por parte do Estado, um interesse pela indústria que o consumia – a têxtil. A montagem de oficinas e manufacturas de algodão era feita, em cidades ou povoações para onde era fácil transportar a mercadoria importada do Brasil, assim como porque dispunham da fonte de energia principal usada na Indústria: a água. De entre essas povoações, citam-se as principais onde foram instaladas manufacturas e oficinas de fiação e tecelagem de algodão: Lisboa, Oeiras, Sacavém, Tomar…” – in “A situação Económica no tempo de Pombal” de J. Borges de Macedo



